Conectado com
VOZ DO COOP

Avicultura

Saiba porque o presidente da Lar enxerga 2024 com otimismo para a avicultura

Em entrevista exclusiva concedida ao Jornal O Presente Rural, Irineo da Costa Rodrigues destacou os desafios, as estratégias adotadas para superar esse período turbulento no setor e os investimentos feitos para melhorar a infraestrutura e a qualidade na entrega do produto final.

Publicado em

em

Fotos: Divulgação/Lar

Os altos custos de produção e a constante ameaça da Influenza aviária fizeram de 2023 um ano extremamente desafiador para a avicultura comercial, levando a atividade a encerrar o ano com margens bem estreitas. Esta análise foi feita pelo diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues, em entrevista exclusiva concedida ao Jornal O Presente Rural, em que destacou os desafios, as estratégias adotadas para superar esse período turbulento no setor e os investimentos feitos para melhorar a infraestrutura e a qualidade na entrega do produto final.

Com o valor médio da saca de 60 quilos de soja vendido a R$ 170 e do milho sendo comercializado por R$ 70/sc no início do ano passado impactaram o custo operacional da avicultura, especialmente em relação ao preço de venda da carne de frango, que sofreu uma queda acentuada desde o fim de 2022 e não apresentou recuperação até agosto de 2023. “A atividade operou com margens negativas até setembro, sendo somente a partir de outubro que a avicultura começou a mostrar sinais de recuperação. Entretanto, mesmo com resultados positivos nos últimos meses do ano, não foi possível cobrir as perdas acumuladas de janeiro a agosto de 2023”, evidencia Rodrigues.

Com o aumento dos focos de Influenza aviária, sobretudo em regiões litorâneas do Brasil, a preocupação no setor crescia e o clima de incerteza ganhava cada vez mais força. “Felizmente, o Brasil não registrou nenhum foco na avicultura comercial, o que fez com que mantivéssemos o status de país livre da doença, graças à extraordinária vigilância sanitária promovida por órgãos públicos em conjunto com o setor privado e a cadeia produtiva. A união de esforços entre esses setores é fundamental para preservar essa conquista”, destaca.

Com olhar otimista, o diretor-presidente da Lar afirma que 2024 deve ser de perspectivas mais favoráveis para o setor avícola, com o ano tendo começado com a redução nos custos de produção, impulsionada pelos preços mais baixos da soja e do milho, aliada à leve recuperação nos preços da carne. “Não havendo um alojamento muito alto a atividade poderá se recuperar ao longo de 2024”, ressalta.

Avicultura da Lar em números

A avicultura da Lar engloba a integração de 2.746 aviários, com 1.320 integrados para a engorda de aves, distribuídos em 80 municípios do Paraná, e outros 13 integrados na produção de ovos férteis com 21 núcleos de produção. “Para 2024 vamos oferecer apenas oportunidades pontuais para atender ampliação no vazio sanitário e pequenos ajustes necessários visando uma integração de excelência em resultados”, aponta Rodrigues.

A estrutura avícola da cooperativa conta atualmente com 15 Núcleos de Recria de Aves próprias, com capacidade para recriar 2,35 milhões de matrizes por ano; além de 13 Núcleos de Integração voltados para a produção de ovos férteis, o que tornou a cooperativa capaz de suprir 67% de sua necessidade de ovos para incubação, fortalecendo a cadeia produtiva desde o início do processo.

Ainda possui dois Incubatórios em operação, com capacidade atual de incubação de 24,3 milhões de ovos. Segundo Rodrigues, a expansão prevista para o incubatório de Itaipulândia, no Oeste do Paraná, programada para março de 2024, vai elevar essa capacidade para 36 milhões de ovos, atendendo, em média, 95% da demanda por pintainhos para alojamento da cooperativa.

Para fortalecer a verticalização da produção e garantir a qualidade dos insumos utilizados na criação das aves, a Lar possui sete Unidades Industriais de Rações, com capacidade instalada de produção de ração de 267 mil toneladas por mês, das quais cinco são direcionadas à avicultura.

Desafios para se manter competitivo

As tendências e desafios globais para o Brasil, atualmente o segundo maior produtor e o maior exportador mundial de carne de frango, afetam diretamente empresas exportadoras como a Lar.

Segundo Rodrigues, esses desafios incluem a necessidade de manter um status livre de Influenza aviária em aves comerciais, demonstrar práticas sustentáveis no processo produtivo, assegurar o bem-estar animal, cumprir legislações nas diferentes esferas, além de se adequar aos diferentes requisitos de mercados e clientes internacionais que buscam suprir nichos de mercados para atender as novas demandas de clientes. “A Lar sempre atua com muita transparência junto aos mercados e clientes, demonstrando processos produtivos sustentáveis, e buscando as certificações nacionais e internacionais que, após auditorias, certificam e garantem nossos processos dentro do escopo esperado pelo mercado. Além é claro das práticas diárias na gestão da cooperativa face ao programa de ESG que temos implementado, abrangendo aspectos da sustentabilidade com meio ambiente, práticas sociais com associados, funcionários e comunidade e também as práticas de governança na cooperativa”, frisa.

A Lar já expandiu sua presença para mais de 90 países, operando mensalmente, em média, para 40 a 50 nações, abrangendo operações em mais de 100 portos ao redor do mundo. Os principais destinos de exportação incluem China, Coréia do Sul, União Europeia, África do Sul, México, Oriente Médio, Filipinas e Reino Unido.

Mais de 80 tipos de produtos são exportados mensalmente pela cooperativa. Destacam-se, por exemplo, na Europa, os filés de peito, disponíveis em versões salgadas, in natura e cozidas. No Japão, a empresa oferece coxa com sobrecoxa desossada (BL), enquanto na China, os produtos incluem pés, meio da asa e ponta da asa. África do Sul recebe carne mecanicamente separada (CMS), e no Oriente Médio, a Lar se destaca com shawarma e BL. O México importa filé de peito e coxinha da asa, enquanto a Coreia do Sul recebe o BL. “As nossas indústrias tem padrão de excelência em suas operações e temos 151 países habilitados para exportar entre as quatro plantas frigoríficas, com olhar estratégico sempre vamos continuar analisando as melhores oportunidades em termos de viabilidade comercial, sem deixar de incluir na análise o mercado interno onde a marca Lar tem se fortalecido e atualmente está presente em todos os estados brasileiros nos principais clientes estratégicos que operam o varejo nacional”, salienta.

Melhorias em eficiência e qualidade

Rodrigues destaca que nos últimos anos, os investimentos realizados em todos os segmentos da cadeia avícola na Lar foram focados para alcançar maior eficiência, redução de custos e aumento da produtividade, sempre priorizando a máxima qualidade. “Toda a estrutura na recria de aves é dotada de ambiência e todo processo de manejo é focado em maior uniformidade das aves recriadas, visando atingir todo potencial da genética recriado em ovos produzidos e pintainhos viáveis após incubação”, menciona.

O gestor da cooperativa enfatiza que na produção de ovos férteis é trabalhado com tecnologia de ponta e máxima automação nos processos de recolha e classificação, visando sempre as melhores condições dos ovos férteis para excelência no processo de incubação. “Nos incubatórios, nossos processos utilizam as tecnologias mais modernas com processos de estágio único, com equipamentos de última geração, incluindo manutenção remota por óculos virtuais sendo utilizados pela equipe técnica da Lar junto as nossas estruturas e conectando os especialistas do exterior para rápida identificação e manutenção eficaz”, explica o executivo.

Já nas Indústrias de Ração, Rodrigues afirma que investimentos relevantes foram realizados nos últimos quatro anos, com máxima automação em processos de produção, com 100% da ração sendo peletizada para atendimento das integrações da Lar, com foco em máximo desempenho do campo, visando otimização dos ativos vivos para cooperativa e também levando melhoria de renda aos integrados dedicados aos processos produtivos.

Com um dos parques industriais mais modernos e automatizados do Brasil, o diretor-presidente a Lar diz que os projetos de melhoria nas indústrias de abate são contínuos “Vamos seguir automatizando todos os demais processos ainda possíveis, sempre com olhar de melhoria de processos, redução de custos e padronização do padrão de qualidade dos produtos produzidos tanto para mercado interno como externo”, afirma.

Foto: Jonathan Campos/AEN

Por sua vez, nos processos de produção, o executivo reforça que o olhar está focado em processos sustentáveis, em que o meio ambiente e as relações com as pessoas (associados integrados, funcionários, parceiros e clientes) sempre são pautados na transparência e boa conduta, e o bem estar animal como compromisso maior, sendo certificado para garantia das condições estabelecidas pelo mercado e clientes atendidos ao redor do mundo. “Junto aos avicultores estão sendo adotados cada vez mais equipamentos que fazem a dosagem segura da alimentação, iluminação adequada através de lâmpadas e controle de cortinas, sensores que medem desde temperatura até a concentração de amônia, informando ao produtor e à cooperativa o status do aviário em tempo real, e também a regulagem dos instrumentos de ventilação/exaustão”, pontua Rodrigues.

E na comercialização, o diretor-presidente da Lar é enfático ao afirmar que a cooperativa busca sempre inovar com olhar estratégico para que a marca Lar esteja alinhada as melhores práticas do mercado, atendendo as exigências e necessidades dos diferentes segmentos que a cooperativa atende, tanto no mercado interno como externo. “Seja no formato e tamanho das embalagens, seja na agregação de valor como ocorre nas linhas de cozidos, empanados, linguiças e temperados, como também na busca contínua pela excelência da prestação de serviços em todos os processos desde o embarque, logística, documentação e pós-venda”, menciona.

Práticas sustentáveis

Com o intuito de buscar equilíbrio entre a excelência na criação de aves e o respeito ao meio ambiente, a Lar desenvolve através do Programa Prioridade Ambiental um rigoroso monitoramento em todas as suas atividades, visando manter a qualidade do ar, o controle e gerenciamento dos parâmetros da água, resíduos e efluentes, além de trabalhar para melhorar a eficiência energética, com o uso de fontes alternativas, e de atuar junto à comunidade com temas voltados à educação ambiental.

No que diz respeito à preservação da qualidade do ar e ao sequestro de carbono, a cooperativa conta com extensas áreas de reflorestamento, que totalizam 2.250 hectares, além de mais 1.409 hectares de vegetação nativa no Paraná. No Mato Grosso do Sul, a cooperativa mantém 176 hectares destinados ao reflorestamento. Além disso, monitora o atendimento aos padrões de qualidade do ar em 100% de suas unidades. “Além de investimentos para manter a qualidade do ar, a Lar implantou em 2023 o projeto de reuso de água nas plantas de abate de aves em Rolândia e Matelândia, com objetivo de reduzir em 50% o consumo de água no abate, ou seja, o equivalente ao consumo de uma cidade de aproximadamente 120 mil habitantes”, expõe Rodrigues.

Os gases de efeito estufa (GEE) são os mais prejudiciais ao meio ambiente e a Lar tem implementado estratégias para evitar sua emissão para a atmosfera. Conforme o executivo, na Lar foram implantados biodigestores nas unidades de produção de leitões para canalizar o gás e o transformar em energia elétrica, alimentando geradores e abastecendo as unidades as quais estão instalados. “Através deste sistema evitamos em 2022 a emissão de 33.203 toneladas de dióxido de carbono (CO²) na atmosfera através da conversão do biogás em energia elétrica, totalizando cerca de 1.186 tonelada de metano evitado no meio ambiente”, menciona o diretor-presidente da Lar, contando que a cooperativa realizou nos últimos dois anos o inventário de carbono e tem como meta neutralizar as emissões relativas ao Escopo 1 e 2 já nos próximos anos.

Com a missão de envolver o quadro social nos temas da agenda de ESG, a cooperativa promove o Prêmio Lar de Sustentabilidade, que reconhece os associados que praticam as boas práticas de sustentabilidade na propriedade. “O objetivo é disseminar e estimular a cultura de sustentabilidade junto aos associados e a comunidade, a partir de critérios de ESG”, assegura Rodrigues, acrescentando: “Outro projeto voltado à sustentabilidade é a recuperação de nascentes degradadas das propriedades dos associados e da própria cooperativa, iniciativa que já recuperou mais de 250 nascentes, devolvendo água pura e abundante à natureza e ao consumo nas propriedades”.

Em relação ao efluente, após o processo de tratamento, a cooperativa realiza a disposição em solo por meio da fertirrigação em uma área de 331 hectares. Neste sentido, além de um aproveitamento da água que retorna à natureza, a Lar também sequestra carbono com o plantio e manejo de florestas de eucalipto.

Para gerenciar os resíduos sólidos, foi implementado a logística reversa de embalagens em diversas unidades, incluindo aves, rações e produção de ovos. Nas instalações dedicadas à produção de pintainhos e leitões, assim como nas propriedades dos associados, é feita também a coleta dos Resíduos de Serviço de Saúde Animal (RSS). Essa iniciativa resultou na destinação adequada de 79,80 toneladas desses resíduos ao longo de 2023.

Já em resíduos de agrotóxicos foram recolhidas 367 toneladas de embalagens em 15 municípios da Costa Oeste de abrangência da cooperativa.

Rodrigues também destaca que são realizados diversos eventos voltados à conscientização ambiental, entre os quais no Dia Mundial do Meio Ambiente, Dia da Água, Dia da Terra, Dia da Árvore, envolvendo a comunidade estudantil de forma a contribuir para uma sociedade mais integrada com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Remuneração por eficiência

Com uma trajetória de 24 anos na avicultura, a Lar se consolidou neste período como a terceira maior empresa de abate de frangos no Brasil, com processamento superior a um milhão de aves/dia. As quatro plantas frigoríficas da Lar registraram em 2023 aumento de 11,25% no volume de aves abatidas em comparação com 2022 e em produto final alcançou um acréscimo de 11%, fechando o último ano com mais de 840 mil toneladas de carne. Esse desempenho resultou na geração de mais de 20 mil empregos diretos em toda a cadeia produtiva.

Tamanha responsabilidade requer aprimoramento de processos e foi pensando nisso que a cooperativa remodelou o sistema de integração, em conjunto com os produtores integrados da atividade. “Reunimos todos os integrados da avicultura para uma avaliação e revisão do sistema de integração e, durante esse processo, dedicamos atenção especial às preocupações e sugestões dos produtores, propondo um novo sistema de integração para a avicultura da Lar a partir de 2024, muito mais previsível e fácil de compreender. Além disso, introduzimos um enfoque meritocrático, proporcionando uma remuneração mais vantajosa para os integrados que demonstram maior eficiência. E para aqueles que buscam aprimorar sua eficácia, o novo sistema oferece uma compreensão clara dos pontos que necessitam de melhorias”, expõe Rodrigues.

Em busca de constância e uma melhor qualidade na produção de ovos férteis, a cooperativa ampliou seus dois incubatórios e deverá até o fim do primeiro quadrimestre de 2024 atingir 95% da produção própria de pintainhos. “Com isso a Lar poderá melhorar a avicultura em 2024, tornando-a mais competitiva e também levando aos associados, além de insumos para a nutrição animal, o fornecimento de pintainhos”, enaltece o executivo.

Crescimento para 2024

Para alcançar novos patamares de eficiência operacional em suas indústrias e volume na produção de aves em 2024, o diretor-presidente da Lar destaca que a cooperativa planeja implementar práticas de abate otimizado, visando ampliar o processamento de aves em 4,5% e em produto acabado 6,8%, podendo chegar a marca de 900 mil toneladas de produto final. Rodrigues ressalta que a estratégia por trás desse crescimento reside na modernização dos processos de produção, adoção de tecnologias inovadoras, logística e controle de qualidade, garantindo um fluxo contínuo e eficaz desde a criação até a distribuição do produto final.

Visando novos projetos de melhoria contínua e eficácia produtiva, Rodrigues antecipa que em 2024 serão feitos investimentos na ordem de R$ 75 milhões em projetos de automação nas quatro indústrias de abate, com foco em mitigar a necessidade de mão de obra para processos básicos e repetitivos, trazendo com isso uma melhor padronização e qualidade final do produto. “O foco da Lar nos processos industriais é sempre atuar de forma mais otimizada possível, seja no aproveitamento de todos os dias da semana, e também em não ter interrupção dos trabalhos no decorrer do dia, sempre otimizando abate em todas as pausas e intervalos, com devido cumprimento de toda legislação pertinente aos trabalhadores que cumprem jornada de trabalho de cinco dias por semana, com dois dias de folga. A otimização se faz necessária para que os investimentos feitos em toda cadeia produtiva possam ser devidamente viabilizados”, explica o executivo.

Ainda em relação as perspectivas para o ano que se inicia, Rodrigues aponta a necessidade de manter a sanidade das aves comerciais, com especial atenção para a ausência de Influenza aviária, bem como prevê possíveis flutuações nos preços de milho e da soja devido a questões climáticas relacionadas ao fenômeno El Niño. “Temos expectativas positivas com relação as exportações e consumo interno prospectado em 47 kg per capita, além de melhor equilíbrio entre oferta e demanda no setor”, exalta.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Congresso APA debate avanços e desafios na avicultura de postura

Em uma maratona de 30 horas de conteúdo técnico, mais de 850 congressistas de vários estados brasileiros e países tiveram acesso a uma variedade de temas através de 25 palestras distribuídas nos painéis sobre Genética, Influenza aviária e Inspeção.

Publicado em

em

Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

Considerado um dos maiores eventos avícolas do Brasil, o Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos foi mais uma vez sucesso absoluto de público. Realizado pela Associação Paulista de Avicultura (APA), a 21ª edição reuniu produtores, fornecedores, academia, profissionais da área e grandes nomes do setor no mês de março, em Ribeirão Preto (SP).

Coordenador do congresso e diretor técnico da APA, José Roberto Bottura: “O sucesso do nosso evento é resultado de cada um que trabalha, acredita e confia em nós para sua realização”

Em uma maratona de 30 horas de conteúdo técnico, mais de 850 congressistas de vários estados brasileiros e países tiveram acesso a uma variedade de temas através de 25 palestras distribuídas nos painéis sobre Genética, Influenza aviária e Inspeção. Além disso, 75 trabalhos científicos foram expostos em pôsteres, enriquecendo ainda mais o ambiente acadêmico e profissional do evento.

O coordenador do congresso e diretor técnico da APA, José Roberto Bottura, destaca a evolução do evento. “A cada ano o congresso tem crescido em tamanho, o que muito nos orgulha. Superamos todas as nossas expectativas”, enfatizou. “O sucesso do nosso evento é resultado de cada um que trabalha, acredita e confia em nós para sua realização”, frisou.

Debates

Na edição 2024 temas essenciais do cotidiano do setor foram abordados, incluindo sanidade, inovação, evolução genética, exigências nutricionais, qualidade da água na granja, práticas de manejo, uso de minerais e aditivos alternativos, qualidade de casca, análise de dados, vacinação contra coccidiose, nutrição de precisão, vacina autógena, Influenza aviária, entre outros. “O fato de estarmos em um evento que não tem um espaço de feira de negócios em paralelo contribui muito para a interação dos participantes, que aproveitam os momentos de intervalo para tirar dúvidas, compartilhar opiniões, adquirir novas ideias, até por estarmos ainda no início do ano muitos dos assuntos discutidos no congresso podem ser bem utilizados ao longo de 2024”, salientou o zootecnista Diogo Ito, membro da Comissão Organizadora.

Responsável pelo controle de qualidade na Granja Odan, localizada em Pindamonhangaba (SP), Raquel Marques: “Esse congresso oferece uma riqueza de informações que muitas vezes são difíceis de encontrar no nosso cotidiano”

Riqueza de informações

Responsável pelo controle de qualidade na Granja Odan, localizada em Pindamonhangaba (SP), Raquel Marques compartilha suas impressões sobre o congresso e destaca os aspectos que mais a impressionaram: “Esta foi a primeira vez que participei deste congresso e foi uma experiência enriquecedora. Ele oferece uma riqueza de informações que muitas vezes são difíceis de encontrar no nosso cotidiano, especialmente dada a especificidade da nossa área. Foi uma experiência repleta de aprendizados, oportunidades de networking e compartilhamento de conhecimento”, frisou.

Trabalhos premiados

Durante o evento, os melhores trabalhos científicos em cada categoria foram premiados. O estudante Felipe Dilelis, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, recebeu o prêmio na categoria Outras Áreas pelo trabalho intitulado “Biofilmes proteicos para manutenção da qualidade interna de ovos caipiras armazenados em temperatura ambiente”. Na categoria Sanidade, o prêmio foi para Viviane Amorim Ferreira, da Unesp Jaboticabal, pelo trabalho “Deleção do gene mgtC em Salmonella Gallinarum resulta em progressão retardada do Tifo Aviário”. Raully Lucas Silva, da Unesp de Jaboticabal, levou o 1º lugar na categoria Nutrição com o trabalho “Modelos não-lineares de efeito misto para predição das exigências de energia metabolizável e líquida em galinhas poedeiras na fase de postura”. Na categoria Manejo, o principal prêmio foi conquistado por Ednardo Rodrigues Freitas, da Universidade Federal do Ceará, com o trabalho “Programa de luz e forma física da ração pré-inicial sobre o desempenho de pintainhas até 35 dias de idade”.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse a versão digital de Avicultura de Corte e Postura clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Avicultura

Desafios na integridade estrutural de frangos de corte e intervenções nutricionais

Investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento são essenciais para identificar e implementar estratégias sustentáveis que promovam a saúde e o bem-estar das aves, ao mesmo tempo em que garantam a produção eficiente e de alta qualidade na indústria avícola.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

Nas últimas décadas a indústria avícola tem feito avanços significativos, especialmente no que diz respeito às melhorias genéticas e ao manejo, resultando na produção de frangos de corte altamente eficiente e de crescimento rápido. O manejo e a nutrição foram meticulosamente ajustados para suprir as necessidades genéticas e produzir aves maiores em um período de tempo reduzido.

No entanto, os frangos modernos tendem a priorizar a deposição muscular em detrimento do desenvolvimento do esqueleto e dos tecidos moles, o que pode resultar em desafios à integridade estrutural. Este artigo resume os desafios emergentes da integridade estrutural enfrentados pela indústria de frangos de corte, propondo intervenções nutricionais que podem mitigar esses problemas, incluindo pododermatite, questões relacionadas à qualidade da carcaça e incidência de claudicação.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Qualidade da carne 

O peito amadeirado (WB) é uma miopatia degenerativa observada em frangos de corte, resultando na degradação da qualidade dos filés de peito e rechaço/repúdio do consumidor. Os filés afetados exibem maior resistência antes e depois do cozimento, além de menor capacidade de retenção e absorção de água.

Apesar do significativo número de estudos conduzidos, a etiologia precisa ainda permanece obscura, indicando que a condição está associada a aves com taxas de crescimento mais aceleradas ou com filés de maior peso.

Uma das hipóteses sobre a etiologia da WB e de miopatias semelhantes é que frangos de corte com uma taxa de crescimento muscular hipertrófico demanda mais metabolicamente, o que pode resultar em maior risco de acúmulo de resíduos metabólicos, desencadeando assim um aumento do estresse oxidativo.

Os radicais livres acumulados são altamente reativos e podem danificar o DNA, RNA, proteínas e lipídios presentes nas células musculares, desencadeando inflamação e distúrbios metabólicos, que eventualmente levam à degeneração das fibras musculares. Quando os danos causados pelo aumento do estresse oxidativo excedem a capacidade regenerativa das células musculares, resulta em um acúmulo de tecido fibroso e gordura, contribuindo para miopatias como o WB.

Pododermatite

A pododermatite é uma inflamação da pele que resulta em lesões necróticas na superfície plantar das patas em aves. Foi observado que a umidade na cama é o principal fator que predispõe o desenvolvimento de pododermatite em aves. Sabe-se que minerais como Zn, Cu e Mn, desempenham um papel fundamental na manutenção da integridade estrutural de vários tecidos, incluindo a pele. Além disso, nutracêuticos como probióticos, prebióticos ou enzimas melhoram a integridade intestinal e promovem melhora na consistência fecal, consquentemente na qualidade da cama, podendo reduzir as lesões nas patas.

Diversas pesquisas foram conduzidas para investigar o papel dos minerais orgânicos na prevenção de lesões nas patas. Em um estudo conduzido em 2017 foi constatado que a suplementação de uma combinação dos oligoelementos Zn, Cu e Mn, na forma de quelato metal metionina hidroxi (MMHAC), não apenas melhorou o desempenho, mas também reduziu as lesões nas patas, aprimorando o processo de cicatrização de feridas.

Estratégias de intervenção

Diversas estratégias de intervenção estão sendo consideradas para diminuir a incidência de WB na indústria avícola, incluindo restrição alimentar, redução da densidade de nutrientes e diminuição de lisina durante a fase de crescimento. Essas estratégias têm o intuito de diminuir ou desacelerar a taxa de crescimento, no entanto, se não forem aplicadas adequadamente, essas abordagens apresentam o risco de comprometer o desempenho.

Por outro lado, estratégias baseadas em antioxidantes, como a inclusão de arginina, vitamina C, selênio e minerais na dieta, têm sido avaliadas para reduzir miopatias. O uso de antioxidantes reduz o estresse oxidativo em tecidos animais. Com o intuito de reduzir as miopatias, pesquisadores avaliaram o efeito de várias intervenções dietéticas (antioxidante dietético, mineral orgânico Zn-Cu-Mn- MMHAC e selênio) na incidência de WB quando as aves foram expostas ao estresse oxidativo.

Em resumo, sob diferentes condições de estresse oxidativo, programas de intervenção dietética podem aprimorar o desempenho e promover a integridade da carcaça, reduzindo problemas como o WB. Este efeito é provavelmente alcançado ao melhorar simultaneamente o status antioxidante, tanto exógeno quanto endógeno, reduzindo o estresse oxidativo e aprimorando o processo de cicatrização dos tecidos da ave.

Incidência de claudicação

A incidência de claudicação vem aumentando nas últimas décadas e está correlacionado com o rápido crescimento e peso corporal. Os machos mostram maior suscetibilidade à claudicação em comparação com as fêmeas. Ainda não está claro se a claudicação é um efeito direto do rápido aumento da taxa de crescimento e do peso corporal ou se é um efeito indireto do desenvolvimento inadequado dos ossos e tendões, ou mesmo da falha da barreira intestinal, provável é que seja uma junção dos fatores citados.

As aves com claudicação enfrentam dificuldades para acessar ração e água, o que pode levá-las à desidratação e, eventualmente, à morte. As significativas perdas econômicas atribuídas à claudicação são resultados do aumento da taxa de mortalidade e das condenações durante o processamento no frigorífico. A necrose da cabeça femoral (NCF) é uma

condição metabólica mais prevalente em frangos de corte com crescimento acelerado, sendo reconhecida como a principal causa de claudicação.

Há evidências que mostram que as bactérias associadas ao NCF se originaram no intestino Enterococcus (E.) spp. Estudos demonstraram que a fonte de infecção por Enterococcus (E.) spp pode ser tanto de transmissão vertical quanto horizontal. A ventilação inadequada no aviário cria um ambiente propício, o que leva a rápida proliferação de bactérias afetando o intestino. Além disso, o estresse oxidativo ou doenças entéricas anteriores podem comprometer a integridade mucosa intestinal.

A falha na barreira intestinal pode facilitar a invasão de bactérias patogênicas, levando à translocação dessas bactérias para os ossos. Os ácidos orgânicos e óleos essenciais podem interferir no desenvolvimento da NCF, atenuando ou reduzindo a população de bactérias patogênicas, melhorando a função da barreira intestinal e reduzindo a translocação de bactérias através da parede intestinal. Os minerais desempenham um papel crucial no desenvolvimento ósseo e na saúde das articulações.

Descobertas recentes indicam que o Zn-Cu-Mn-MMHAC são fontes orgânicas eficazes para atender às necessidades de frangos de corte, melhorarando a saúde estrutural dos ossos, tendões, patas e intestino, e reduzindo a incidência de claudicação em aves.

Conclusão

Em resumo, enfrentar os desafios emergentes na integridade estrutural de frangos de corte requer uma abordagem multifacetada que combina práticas de manejo adequadas, intervenções nutricionais eficazes e uma compreensão aprofundada dos mecanismos subjacentes aos problemas observados. Investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento são essenciais para identificar e implementar estratégias sustentáveis que promovam a saúde e o bem-estar das aves, ao mesmo tempo em que garantam a produção eficiente e de alta qualidade na indústria avícola.

As referências bibliográficas estão com as autoras via e-mail manara.grigoletti@novusint.com.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse a versão digital de Avicultura de Corte e Postura clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Por Mercedes Vázquez-Añón, zootecnista, doutora em Ciência Animal e diretora de Iniciativas Estratégicas e Colaboração de Contas na Novus; e Kelen Zavarize, zootecnista, doutora em Nutrição e gerente de Serviços Técnicos na Novus.
Continue Lendo

Avicultura Artigo

A importância das monitorias sanitárias no incubatório de aves

A qualidade dos pintos com um dia de vida é determinada pela interação de múltiplos fatores inerentes ao incubatório

Publicado em

em

Divulgação Zoetis

Artigo escrito por: Beatriz Silva Santos, médica veterinária, assistente técnica da Zoetis na divisão de Aves para as regiões Sudeste e Centro-oeste*

A avicultura brasileira se destaca pelo uso de tecnologia avançada, controle de qualidade e constante monitoramento microbiológico nas diversas etapas da produção. Entre essas etapas, os incubatórios de aves têm o papel fundamental de conectar diferentes origens de ovos embrionados e o destino das aves recém-nascidas em um mesmo ambiente.

A qualidade dos pintos com um dia de vida é determinada pela interação de múltiplos fatores inerentes ao incubatório, que podem gerar condições ideais para a disseminação de patógenos, com consequentes perdas embrionárias e de pintinhos, má qualidade das aves e enfermidades que levarão a grandes prejuízos.

As bactérias, de modo geral, podem penetrar no ovo pelos poros em menos de 30 minutos após a postura. Esta penetração é facilitada, nos primeiros minutos após a postura, pela umidade e temperatura natural do ovo. Durante a incubação, a umidade e a temperatura também favorecem o rápido aumento da população microbiana.

As fontes de contaminação em uma planta de incubação, além de ovos contaminados e penugem dos pintinhos, podem estar associadas a vários fatores como a qualidade do ar e da água, o fluxo de pessoas (funcionários e visitantes) e de veículos, a presença de pragas (roedores e insetos), pássaros, a remoção e tratamento de resíduos (biológicos, químicos e físicos) e a higienização de ambientes e equipamentos.

Os incubatórios de aves e os nascedouros também são uma área de alto risco, pois fornecem temperatura e umidade ideais para muitos microrganismos sobreviverem e se reproduzirem.

Os patógenos mais prejudiciais aos pintos de um dia que podem causar mortalidade embrionária, mortalidade ao nascer, aumento de refugos e mortalidade nas primeiras semanas de idade são: Escherichia coli, que serve como parâmetro quantitativo da contaminação bacteriana em um incubatório; Salmonella e Pseudomonas e fungos da espécie Aspergillus.

Pesquisas realizadas demostraram que 70% dos casos de onfalite e morte embrionária são causadas por Escherichia coli e quando estes embriões não morrem, os pintinhos apresentam má reabsorção do saco vitelino, não ganham peso e apresentam baixo desempenho.

O Aspergillus fumigatus é o fungo de maior importância que pode crescer em um ambiente de incubatório de aves. Existe uma associação entre a presença de grande número de colônias de Aspergillus fumigatus com o desenvolvimento de aspergilose clínica nos primeiros dias de vida do pintinho. No entanto, grande quantidade destes indica que há necessidade de uma melhor higienização dos ovos na granja ou no incubatório.

Programa sanitário

Um programa sanitário deve ser elaborado para minimizar os riscos relacionados as fontes de contaminação que prejudicam a qualidade dos produtos da “granja ao prato”, desde os ovos férteis até a carne servida a mesa do consumidor, pois afetam a saúde das aves e/ou a saúde pública, com ênfase especial aos microrganismos causadores de ETA (Enfermidades transmitidas por alimentos), como Salmonella spp, Escherichia coli, Campylobacter jejuni, Staphylococcus aureus e Clostridium sp.

O programa deve ser rotineiramente realizado e os resultados regularmente conferidos e interpretados usando processos-padrão contínuos de validação e monitoramento da população microbiológica.

Para que as aves possam expressar seu potencial genético e produtivo elas devem estar dentro de padrões de genética, nutrição, manejo, ambiente e microbiológico desde o primeiro dia de vida. A avaliação microbiológica qualitativa e quantitativa funciona como um termômetro dos processos relacionados as reprodutoras e as medidas de biosseguridade dos incubatórios a fim de conferir se o programa sanitário adotado está sendo eficaz no controle destes microrganismos.

Entre os principais itens a ser monitorados nos incubatórios estão: qualidade dos ovos, limpeza do ambiente e equipamentos utilizados nos processos (carrinhos, bandejas de ovos, caixas de pintos, triturador), limpeza e fluxo de caminhões de transporte de ovos e pintos, qualidade da água, contaminação de ovos bicados, mecônio, pintos de 1 dia, vacinas de aves, mãos dos sexadores, troca de filtros, entre outros, de acordo com a especificidade das plantas, sempre buscando cumprir as exigências sanitárias do Plano Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) e legislações do mercado brasileiro e internacional.

Outras análises utilizadas são: pesquisa de Salmonella spp. em swabs de superfícies; pesquisa de salmonellas e/ou outras bactérias em penugens, ovos bicados, mecônio e pintos de 1 dia; análise microbiológica de solução vacinal; análise bacteriológica e físico-química da água de abastecimento e água destilada; monitoramento e diagnóstico de enfermidades através de exames sorológicos, histopatológicos, biologia molecular; entre outras análises extras.

Ao analisar os resultados é possível agir na causa do problema, em casos de amostras fora dos padrões de qualidade estabelecidos. Pode ser necessário revisar o manejo dos ovos na granja, melhorar o processo de desinfecção deles e/ou do incubatório, verificar os procedimentos de sanitização de ambientes e equipamentos, avaliar a limpeza do sistema de climatização de aviários, controlar a qualidade da água e conferir a desinfecção em incubadoras e nascedouros, conforme o mapeamento das falhas encontradas.

Tão importantes quanto as análises microbiológicas, treinamentos regulares dos funcionários, a avaliação da qualidade dos ovos (AQO), embriodiagnóstico realizado por pessoas especializadas e checklists frequentes dos procedimentos de boas práticas de produção são monitorias sanitárias que garantem o sucesso do programa de biosseguridade, e consequentemente, a qualidade do produto final do incubatório de aves, os pintinhos de um dia.

Fonte: Assessoria
Continue Lendo
SIAVS 2024 E

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.