Avicultura
Saiba porque o presidente da Lar enxerga 2024 com otimismo para a avicultura
Em entrevista exclusiva concedida ao Jornal O Presente Rural, Irineo da Costa Rodrigues destacou os desafios, as estratégias adotadas para superar esse período turbulento no setor e os investimentos feitos para melhorar a infraestrutura e a qualidade na entrega do produto final.

Os altos custos de produção e a constante ameaça da Influenza aviária fizeram de 2023 um ano extremamente desafiador para a avicultura comercial, levando a atividade a encerrar o ano com margens bem estreitas. Esta análise foi feita pelo diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues, em entrevista exclusiva concedida ao Jornal O Presente Rural, em que destacou os desafios, as estratégias adotadas para superar esse período turbulento no setor e os investimentos feitos para melhorar a infraestrutura e a qualidade na entrega do produto final.
Com o valor médio da saca de 60 quilos de soja vendido a R$ 170 e do milho sendo comercializado por R$ 70/sc no início do ano passado impactaram o custo operacional da avicultura, especialmente em relação ao preço de venda da carne de frango, que sofreu uma queda acentuada desde o fim de 2022 e não apresentou recuperação até agosto de 2023. “A atividade operou com margens negativas até setembro, sendo somente a partir de outubro que a avicultura começou a mostrar sinais de recuperação. Entretanto, mesmo com resultados positivos nos últimos meses do ano, não foi possível cobrir as perdas acumuladas de janeiro a agosto de 2023”, evidencia Rodrigues.
Com o aumento dos focos de Influenza aviária, sobretudo em regiões litorâneas do Brasil, a preocupação no setor crescia e o clima de incerteza ganhava cada vez mais força. “Felizmente, o Brasil não registrou nenhum foco na avicultura comercial, o que fez com que mantivéssemos o status de país livre da doença, graças à extraordinária vigilância sanitária promovida por órgãos públicos em conjunto com o setor privado e a cadeia produtiva. A união de esforços entre esses setores é fundamental para preservar essa conquista”, destaca.
Com olhar otimista, o diretor-presidente da Lar afirma que 2024 deve ser de perspectivas mais favoráveis para o setor avícola, com o ano tendo começado com a redução nos custos de produção, impulsionada pelos preços mais baixos da soja e do milho, aliada à leve recuperação nos preços da carne. “Não havendo um alojamento muito alto a atividade poderá se recuperar ao longo de 2024”, ressalta.
Avicultura da Lar em números
A avicultura da Lar engloba a integração de 2.746 aviários, com 1.320 integrados para a engorda de aves, distribuídos em 80 municípios do Paraná, e outros 13 integrados na produção de ovos férteis com 21 núcleos de produção. “Para 2024 vamos oferecer apenas oportunidades pontuais para atender ampliação no vazio sanitário e pequenos ajustes necessários visando uma integração de excelência em resultados”, aponta Rodrigues.
A estrutura avícola da cooperativa conta atualmente com 15 Núcleos de Recria de Aves próprias, com capacidade para recriar 2,35 milhões de matrizes por ano; além de 13 Núcleos de Integração voltados para a produção de ovos férteis, o que tornou a cooperativa capaz de suprir 67% de sua necessidade de ovos para incubação, fortalecendo a cadeia produtiva desde o início do processo.
Ainda possui dois Incubatórios em operação, com capacidade atual de incubação de 24,3 milhões de ovos. Segundo Rodrigues, a expansão prevista para o incubatório de Itaipulândia, no Oeste do Paraná, programada para março de 2024, vai elevar essa capacidade para 36 milhões de ovos, atendendo, em média, 95% da demanda por pintainhos para alojamento da cooperativa.
Para fortalecer a verticalização da produção e garantir a qualidade dos insumos utilizados na criação das aves, a Lar possui sete Unidades Industriais de Rações, com capacidade instalada de produção de ração de 267 mil toneladas por mês, das quais cinco são direcionadas à avicultura.
Desafios para se manter competitivo
As tendências e desafios globais para o Brasil, atualmente o segundo maior produtor e o maior exportador mundial de carne de frango, afetam diretamente empresas exportadoras como a Lar.
Segundo Rodrigues, esses desafios incluem a necessidade de manter um status livre de Influenza aviária em aves comerciais, demonstrar práticas sustentáveis no processo produtivo, assegurar o bem-estar animal, cumprir legislações nas diferentes esferas, além de se adequar aos diferentes requisitos de mercados e clientes internacionais que buscam suprir nichos de mercados para atender as novas demandas de clientes. “A Lar sempre atua com muita transparência junto aos mercados e clientes, demonstrando processos produtivos sustentáveis, e buscando as certificações nacionais e internacionais que, após auditorias, certificam e garantem nossos processos dentro do escopo esperado pelo mercado. Além é claro das práticas diárias na gestão da cooperativa face ao programa de ESG que temos implementado, abrangendo aspectos da sustentabilidade com meio ambiente, práticas sociais com associados, funcionários e comunidade e também as práticas de governança na cooperativa”, frisa.
A Lar já expandiu sua presença para mais de 90 países, operando mensalmente, em média, para 40 a 50 nações, abrangendo operações em mais de 100 portos ao redor do mundo. Os principais destinos de exportação incluem China, Coréia do Sul, União Europeia, África do Sul, México, Oriente Médio, Filipinas e Reino Unido.
Mais de 80 tipos de produtos são exportados mensalmente pela cooperativa. Destacam-se, por exemplo, na Europa, os filés de peito, disponíveis em versões salgadas, in natura e cozidas. No Japão, a empresa oferece coxa com sobrecoxa desossada (BL), enquanto na China, os produtos incluem pés, meio da asa e ponta da asa. África do Sul recebe carne mecanicamente separada (CMS), e no Oriente Médio, a Lar se destaca com shawarma e BL. O México importa filé de peito e coxinha da asa, enquanto a Coreia do Sul recebe o BL. “As nossas indústrias tem padrão de excelência em suas operações e temos 151 países habilitados para exportar entre as quatro plantas frigoríficas, com olhar estratégico sempre vamos continuar analisando as melhores oportunidades em termos de viabilidade comercial, sem deixar de incluir na análise o mercado interno onde a marca Lar tem se fortalecido e atualmente está presente em todos os estados brasileiros nos principais clientes estratégicos que operam o varejo nacional”, salienta.
Melhorias em eficiência e qualidade
Rodrigues destaca que nos últimos anos, os investimentos realizados em todos os segmentos da cadeia avícola na Lar foram focados para alcançar maior eficiência, redução de custos e aumento da produtividade, sempre priorizando a máxima qualidade. “Toda a estrutura na recria de aves é dotada de ambiência e todo processo de manejo é focado em maior uniformidade das aves recriadas, visando atingir todo potencial da genética recriado em ovos produzidos e pintainhos viáveis após incubação”, menciona.
O gestor da cooperativa enfatiza que na produção de ovos férteis é trabalhado com tecnologia de ponta e máxima automação nos processos de recolha e classificação, visando sempre as melhores condições dos ovos férteis para excelência no processo de incubação. “Nos incubatórios, nossos processos utilizam as tecnologias mais modernas com processos de estágio único, com equipamentos de última geração, incluindo manutenção remota por óculos virtuais sendo utilizados pela equipe técnica da Lar junto as nossas estruturas e conectando os especialistas do exterior para rápida identificação e manutenção eficaz”, explica o executivo.
Já nas Indústrias de Ração, Rodrigues afirma que investimentos relevantes foram realizados nos últimos quatro anos, com máxima automação em processos de produção, com 100% da ração sendo peletizada para atendimento das integrações da Lar, com foco em máximo desempenho do campo, visando otimização dos ativos vivos para cooperativa e também levando melhoria de renda aos integrados dedicados aos processos produtivos.
Com um dos parques industriais mais modernos e automatizados do Brasil, o diretor-presidente a Lar diz que os projetos de melhoria nas indústrias de abate são contínuos “Vamos seguir automatizando todos os demais processos ainda possíveis, sempre com olhar de melhoria de processos, redução de custos e padronização do padrão de qualidade dos produtos produzidos tanto para mercado interno como externo”, afirma.

Foto: Jonathan Campos/AEN
Por sua vez, nos processos de produção, o executivo reforça que o olhar está focado em processos sustentáveis, em que o meio ambiente e as relações com as pessoas (associados integrados, funcionários, parceiros e clientes) sempre são pautados na transparência e boa conduta, e o bem estar animal como compromisso maior, sendo certificado para garantia das condições estabelecidas pelo mercado e clientes atendidos ao redor do mundo. “Junto aos avicultores estão sendo adotados cada vez mais equipamentos que fazem a dosagem segura da alimentação, iluminação adequada através de lâmpadas e controle de cortinas, sensores que medem desde temperatura até a concentração de amônia, informando ao produtor e à cooperativa o status do aviário em tempo real, e também a regulagem dos instrumentos de ventilação/exaustão”, pontua Rodrigues.
E na comercialização, o diretor-presidente da Lar é enfático ao afirmar que a cooperativa busca sempre inovar com olhar estratégico para que a marca Lar esteja alinhada as melhores práticas do mercado, atendendo as exigências e necessidades dos diferentes segmentos que a cooperativa atende, tanto no mercado interno como externo. “Seja no formato e tamanho das embalagens, seja na agregação de valor como ocorre nas linhas de cozidos, empanados, linguiças e temperados, como também na busca contínua pela excelência da prestação de serviços em todos os processos desde o embarque, logística, documentação e pós-venda”, menciona.
Práticas sustentáveis
Com o intuito de buscar equilíbrio entre a excelência na criação de aves e o respeito ao meio ambiente, a Lar desenvolve através do Programa Prioridade Ambiental um rigoroso monitoramento em todas as suas atividades, visando manter a qualidade do ar, o controle e gerenciamento dos parâmetros da água, resíduos e efluentes, além de trabalhar para melhorar a eficiência energética, com o uso de fontes alternativas, e de atuar junto à comunidade com temas voltados à educação ambiental.
No que diz respeito à preservação da qualidade do ar e ao sequestro de carbono, a cooperativa conta com extensas áreas de reflorestamento, que totalizam 2.250 hectares, além de mais 1.409 hectares de vegetação nativa no Paraná. No Mato Grosso do Sul, a cooperativa mantém 176 hectares destinados ao reflorestamento. Além disso, monitora o atendimento aos padrões de qualidade do ar em 100% de suas unidades. “Além de investimentos para manter a qualidade do ar, a Lar implantou em 2023 o projeto de reuso de água nas plantas de abate de aves em Rolândia e Matelândia, com objetivo de reduzir em 50% o consumo de água no abate, ou seja, o equivalente ao consumo de uma cidade de aproximadamente 120 mil habitantes”, expõe Rodrigues.
Os gases de efeito estufa (GEE) são os mais prejudiciais ao meio ambiente e a Lar tem implementado estratégias para evitar sua emissão para a atmosfera. Conforme o executivo, na Lar foram implantados biodigestores nas unidades de produção de leitões para canalizar o gás e o transformar em energia elétrica, alimentando geradores e abastecendo as unidades as quais estão instalados. “Através deste sistema evitamos em 2022 a emissão de 33.203 toneladas de dióxido de carbono (CO²) na atmosfera através da conversão do biogás em energia elétrica, totalizando cerca de 1.186 tonelada de metano evitado no meio ambiente”, menciona o diretor-presidente da Lar, contando que a cooperativa realizou nos últimos dois anos o inventário de carbono e tem como meta neutralizar as emissões relativas ao Escopo 1 e 2 já nos próximos anos.
Com a missão de envolver o quadro social nos temas da agenda de ESG, a cooperativa promove o Prêmio Lar de Sustentabilidade, que reconhece os associados que praticam as boas práticas de sustentabilidade na propriedade. “O objetivo é disseminar e estimular a cultura de sustentabilidade junto aos associados e a comunidade, a partir de critérios de ESG”, assegura Rodrigues, acrescentando: “Outro projeto voltado à sustentabilidade é a recuperação de nascentes degradadas das propriedades dos associados e da própria cooperativa, iniciativa que já recuperou mais de 250 nascentes, devolvendo água pura e abundante à natureza e ao consumo nas propriedades”.
Em relação ao efluente, após o processo de tratamento, a cooperativa realiza a disposição em solo por meio da fertirrigação em uma área de 331 hectares. Neste sentido, além de um aproveitamento da água que retorna à natureza, a Lar também sequestra carbono com o plantio e manejo de florestas de eucalipto.
Para gerenciar os resíduos sólidos, foi implementado a logística reversa de embalagens em diversas unidades, incluindo aves, rações e produção de ovos. Nas instalações dedicadas à produção de pintainhos e leitões, assim como nas propriedades dos associados, é feita também a coleta dos Resíduos de Serviço de Saúde Animal (RSS). Essa iniciativa resultou na destinação adequada de 79,80 toneladas desses resíduos ao longo de 2023.
Já em resíduos de agrotóxicos foram recolhidas 367 toneladas de embalagens em 15 municípios da Costa Oeste de abrangência da cooperativa.
Rodrigues também destaca que são realizados diversos eventos voltados à conscientização ambiental, entre os quais no Dia Mundial do Meio Ambiente, Dia da Água, Dia da Terra, Dia da Árvore, envolvendo a comunidade estudantil de forma a contribuir para uma sociedade mais integrada com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
Remuneração por eficiência
Com uma trajetória de 24 anos na avicultura, a Lar se consolidou neste período como a terceira maior empresa de abate de frangos no Brasil, com processamento superior a um milhão de aves/dia. As quatro plantas frigoríficas da Lar registraram em 2023 aumento de 11,25% no volume de aves abatidas em comparação com 2022 e em produto final alcançou um acréscimo de 11%, fechando o último ano com mais de 840 mil toneladas de carne. Esse desempenho resultou na geração de mais de 20 mil empregos diretos em toda a cadeia produtiva.
Tamanha responsabilidade requer aprimoramento de processos e foi pensando nisso que a cooperativa remodelou o sistema de integração, em conjunto com os produtores integrados da atividade. “Reunimos todos os integrados da avicultura para uma avaliação e revisão do sistema de integração e, durante esse processo, dedicamos atenção especial às preocupações e sugestões dos produtores, propondo um novo sistema de integração para a avicultura da Lar a partir de 2024, muito mais previsível e fácil de compreender. Além disso, introduzimos um enfoque meritocrático, proporcionando uma remuneração mais vantajosa para os integrados que demonstram maior eficiência. E para aqueles que buscam aprimorar sua eficácia, o novo sistema oferece uma compreensão clara dos pontos que necessitam de melhorias”, expõe Rodrigues.
Em busca de constância e uma melhor qualidade na produção de ovos férteis, a cooperativa ampliou seus dois incubatórios e deverá até o fim do primeiro quadrimestre de 2024 atingir 95% da produção própria de pintainhos. “Com isso a Lar poderá melhorar a avicultura em 2024, tornando-a mais competitiva e também levando aos associados, além de insumos para a nutrição animal, o fornecimento de pintainhos”, enaltece o executivo.
Crescimento para 2024
Para alcançar novos patamares de eficiência operacional em suas indústrias e volume na produção de aves em 2024, o diretor-presidente da Lar destaca que a cooperativa planeja implementar práticas de abate otimizado, visando ampliar o processamento de aves em 4,5% e em produto acabado 6,8%, podendo chegar a marca de 900 mil toneladas de produto final. Rodrigues ressalta que a estratégia por trás desse crescimento reside na modernização dos processos de produção, adoção de tecnologias inovadoras, logística e controle de qualidade, garantindo um fluxo contínuo e eficaz desde a criação até a distribuição do produto final.
Visando novos projetos de melhoria contínua e eficácia produtiva, Rodrigues antecipa que em 2024 serão feitos investimentos na ordem de R$ 75 milhões em projetos de automação nas quatro indústrias de abate, com foco em mitigar a necessidade de mão de obra para processos básicos e repetitivos, trazendo com isso uma melhor padronização e qualidade final do produto. “O foco da Lar nos processos industriais é sempre atuar de forma mais otimizada possível, seja no aproveitamento de todos os dias da semana, e também em não ter interrupção dos trabalhos no decorrer do dia, sempre otimizando abate em todas as pausas e intervalos, com devido cumprimento de toda legislação pertinente aos trabalhadores que cumprem jornada de trabalho de cinco dias por semana, com dois dias de folga. A otimização se faz necessária para que os investimentos feitos em toda cadeia produtiva possam ser devidamente viabilizados”, explica o executivo.
Ainda em relação as perspectivas para o ano que se inicia, Rodrigues aponta a necessidade de manter a sanidade das aves comerciais, com especial atenção para a ausência de Influenza aviária, bem como prevê possíveis flutuações nos preços de milho e da soja devido a questões climáticas relacionadas ao fenômeno El Niño. “Temos expectativas positivas com relação as exportações e consumo interno prospectado em 47 kg per capita, além de melhor equilíbrio entre oferta e demanda no setor”, exalta.

Avicultura
Consumo recorde impulsiona debate sobre futuro da avicultura de postura durante SIAVS 2026
Com consumo anual de 288 ovos por habitante, o setor debate no Simpósio Ovos Brasil exportações, agregação de valor, sucessão empresarial e tecnologias para ampliar a competitividade.

O crescimento do consumo de ovos no Brasil, a abertura de novos mercados internacionais, as estratégias para agregação de valor aos produtos e os avanços tecnológicos estarão entre os principais temas debatidos durante o Simpósio Ovos Brasil, realizado dentro da programação do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), de 04 a 06 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
O encontro vai reunir especialistas, produtores e empresas para discutir os desafios e as

Coordenadora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Tabatha Lacerda: “É fundamental que produtores e empresas estejam preparados para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas” – Foto: Divulgação
oportunidades da cadeia produtiva de ovos em um momento de expansão do setor, marcado pelo fortalecimento do consumo interno e pelo avanço das exportações brasileiras.
De acordo com a coordenadora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Tabatha Lacerda, a programação foi estruturada para oferecer uma visão ampla sobre o futuro da avicultura de postura. “Entre os temas centrais estarão o comportamento do mercado global de ovos, as oportunidades de abertura de mercados internacionais para os produtos brasileiros, estratégias de marketing e posicionamento para ampliar o consumo e agregar valor aos produtos, além de questões ligadas ao planejamento patrimonial, sucessório e tributário das empresas do setor”, explica.
Conforme salienta, os assuntos debatidos serão estratégicos para garantir competitividade e sustentabilidade da atividade nos próximos anos. “Para sustentar esse avanço, é fundamental que produtores e empresas estejam preparados para compreender as tendências de mercado, identificar oportunidades comerciais, fortalecer suas marcas e estruturar seus negócios para os desafios das próximas décadas”, reforça.

Foto: Shutterstock
Consumo recorde fortalece cadeia produtiva
As discussões ocorrem em um momento histórico para o setor. Segundo projeções da ABPA, o consumo per capita de ovos no Brasil alcançou 288 unidades por habitante ao ano, o maior patamar já registrado no país. Para Tabatha, o resultado está diretamente ligado à consolidação do ovo como um alimento essencial na dieta dos brasileiros. “O principal fator é o reconhecimento cada vez maior do ovo como um alimento completo, nutritivo, seguro e acessível. Hoje, o consumidor tem mais informação sobre os benefícios nutricionais do produto, que oferece proteína de alta qualidade, vitaminas e minerais essenciais para uma alimentação equilibrada”, realça.
Além desses atributos, a versatilidade do alimento contribuiu para ampliar sua presença no dia a

Foto: Shutterstock
dia da população. “Esse crescimento demonstra a consolidação do ovo como uma das proteínas mais presentes na mesa dos brasileiros e confirma a capacidade do setor de atender a uma demanda crescente com qualidade, segurança e eficiência”, destaca.
Essa subida nos gráficos do consumo também impulsiona novos investimentos em produção, inovação, logística e desenvolvimento de produtos com maior valor agregado, fortalecendo a competitividade da atividade nacional.
Consumidor impulsiona inovação e diversificação
As mudanças no comportamento do consumidor têm direcionado os investimentos do setor. A busca por qualidade, rastreabilidade, segurança dos alimentos e praticidade estimulou a adoção de novas tecnologias e o desenvolvimento de soluções voltadas às diferentes demandas do mercado. “Nos últimos anos, observamos avanços importantes em processos produtivos, controle

Foto: Rodrigo Felix Leal/AEN
de qualidade, certificações, bem-estar animal e desenvolvimento de embalagens mais práticas e informativas. Também cresceu a oferta de produtos com maior valor agregado, como ovos líquidos, linhas voltadas ao público que busca maior aporte proteico, praticidade e conveniência”, compartilha Tabatha.
Esse cenário abre espaço para diversificação de produtos, fortalecimento de marcas e ampliação do consumo em canais como food service, varejo de conveniência e alimentação fora do lar. “A tendência é que essa aproximação entre as demandas do consumidor e a capacidade de inovação da cadeia continue impulsionando o crescimento do setor nos próximos anos”, avalia.
Tecnologia e sustentabilidade
Além das discussões, os participantes do SIAVS terão acesso a um amplo conjunto de tecnologias, equipamentos e soluções voltadas para todas as etapas da produção.
Entre os destaques estão tecnologias de automação de granjas, monitoramento de desempenho em

Foto: Rodrigo Felix Leal
tempo real, sistemas de gestão baseados em dados, equipamentos para classificação e processamento de ovos, além de soluções para biosseguridade, eficiência energética e sustentabilidade ambiental.
Também ganham espaço temas como rastreabilidade, bem-estar animal, redução de desperdícios, aproveitamento de subprodutos e melhoria da eficiência operacional. “A presença dos principais fornecedores nacionais e internacionais de genética, nutrição, sanidade, equipamentos e tecnologia permitirá aos visitantes conhecerem tendências que já estão transformando a avicultura de postura no Brasil e no mundo, reforçando o papel do SIAVS como um ambiente estratégico para atualização, networking e geração de negócios”, enfatiza a coordenadora técnica da ABPA.
Avicultura Em Arapongas (PR)
1ª Feira Aves Seara deve reunir dois mil produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul
Evento exclusivo para integrados terá painéis com lideranças da avicultura, exposição de tecnologias e participação de mais de 40 empresas do setor.

Arapongas, no Norte do Paraná, será palco da primeira edição da Feira Aves Seara na próxima sexta-feira (26). A iniciativa, criada para fortalecer a cadeia produtiva avícola e ampliar o desenvolvimento dos produtores integrados da companhia, deve reunir cerca de dois mil avicultores de frangos de corte e matrizes ligados às operações da empresa no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

Diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior: “A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira” – Foto: Divulgação
Com participação gratuita e exclusiva para os integrados, o evento foi estruturado como um ambiente de troca de experiências, atualização técnica e geração de oportunidades para o setor. A programação terá início às 08h30, no Golden Hall Eventos, às margens da PR-218, Km 5, na saída para Astorga.
Segundo o diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior, a proposta é reforçar a parceria construída com os produtores ao longo dos anos. “Os produtores integrados são protagonistas do modelo de negócio da Seara e fundamentais para a qualidade e a competitividade dos nossos produtos. A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira”, afirma.
Debates com lideranças da avicultura
A programação inclui painéis e debates com executivos da Seara e representantes de destaque do setor avícola nacional. Entre os convidados estão Francisco Turra, conselheiro da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e Ricardo Santin, presidente da entidade.

Foto: Divulgação
Além do conteúdo técnico, os participantes terão acesso a uma área de exposição com mais de 40 empresas fornecedoras de equipamentos, tecnologias e soluções para a atividade. Também estarão presentes companhias ligadas às áreas de nutrição animal, genética e bem-estar animal, apresentando inovações, tendências e oportunidades de negócios para os produtores.
Plataforma de relacionamento com mais de 10 mil integrados
A Feira Aves Seara faz parte da Plataforma SuperAgro, principal programa de relacionamento da companhia com seus mais de 10 mil produtores integrados de aves e suínos em todo o país.
Criada há mais de uma década, a iniciativa reúne ações voltadas ao reconhecimento dos produtores, acompanhamento de desempenho, capacitação técnica e gerencial, treinamentos e suporte às propriedades, com foco no fortalecimento da atividade no campo e na evolução sustentável da cadeia produtiva.
Avicultura
Um em cada três frangos abatidos no Brasil sai do Paraná
Estado respondeu por 35% da produção nacional no primeiro trimestre de 2026, período em que o país atingiu o maior volume de abates da série histórica.

O Paraná ampliou sua liderança na avicultura brasileira e respondeu sozinho por mais de um terço de todos os frangos abatidos no país no primeiro trimestre de 2026. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o estado concentrou 35% do abate nacional no período, mantendo ampla vantagem sobre os demais produtores.

Foto: Ari Dias
Ao todo, o Brasil abateu 1,71 bilhão de frangos entre janeiro e março, resultado 3,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apesar do crescimento anual, houve ligeira retração de 0,5% em relação ao quarto trimestre de 2025.
Ainda assim, o desempenho foi suficiente para garantir o melhor resultado já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica do IBGE, em 1997. O mesmo ocorreu com os abates de bovinos e suínos, indicando um começo de ano marcado por volumes recordes nas principais cadeias de proteína animal do país.
A distância do Paraná em relação aos demais estados ajuda a dimensionar a importância da avicultura na economia estadual. Com participação de 35%, o estado produz praticamente três vezes mais do que o quarto colocado nacional.
Na sequência aparecem Santa Catarina, com 13,3% do total abatido, Rio Grande do Sul, com 11,8%, e São Paulo, com 10,9%. Juntos, os quatro estados responderam por mais de 70% do abate nacional de frangos no primeiro trimestre.
Produção de carne cresce acima do ritmo de abate
Além do aumento no número de aves abatidas, a produção de carne de frango registrou expansão ainda maior no

Foto: Ari Dias
início deste ano.
O peso acumulado das carcaças alcançou 3,73 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, alta de 6,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 2,2% frente ao trimestre imediatamente anterior.
O crescimento da produção em ritmo superior ao do abate indica ganho de eficiência na cadeia produtiva, com aves mais pesadas e melhor aproveitamento dos sistemas de criação e processamento.
A avicultura brasileira ocupa posição estratégica no agronegócio nacional. Além de atender ao mercado interno, o setor é fortemente orientado às exportações e possui no Sul do país sua principal base produtiva, sustentada pela integração entre produtores, cooperativas e agroindústrias.
Os números divulgados pelo IBGE reforçam essa concentração. Somente Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul responderam por 60,1% do abate nacional no primeiro trimestre, confirmando a Região Sul como o principal polo da produção brasileira de carne de frango.



