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Saiba como a ciência ajudou Mato Grosso do Sul a se tornar uma potência do agro

Cultivares evoluídos para a região, manejo adaptado e estudo das pragas locais são algumas das atividades desenvolvidas pela Unidade da Embrapa em Dourados. As pesquisas se concentram em culturas como arroz, feijão, milho, algodão e, especialmente, soja e trigo. 

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Trabalho científico realizado pelo Laboratório de Análise Ambiental da Embrapa Agropecuária Oeste tem papel importante para o Estado ocupar papel de destaque no agro nacional - Foto: Silvia Zoche

O destacado papel de Mato Grosso do Sul no agro nacional deve-se muito ao trabalho científico, boa parte dele desenvolvido na Unidade de Pesquisa da Embrapa, em Dourados, no Sudoeste do estado. Criada em 13 de junho de 1975, cerca de dois anos após a criação da Embrapa, a instituição nasceu como Unidade de Execução de Pesquisa de Âmbito Estadual (Uepae) de Dourados, no então estado de Mato Grosso. Em 1993, fruto de uma demanda regional do setor agropecuário, a Uepae foi transformada em Centro de Pesquisa Agropecuária do Oeste (CPAO) e conhecida, logo após, pelo nome-síntese: Embrapa Agropecuária Oeste. Hoje, ela compõe, com outros 42 centros de pesquisa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa, que acaba de completar 50 anos.

As atividades desenvolvidas pela Unidade da Embrapa em Dourados procuram com o melhoramento genético para o desenvolvimento de cultivares adaptados às condições locais. As pesquisas se concentram em culturas como arroz, feijão, milho, algodão e, especialmente, nas de soja e trigo.

Os pesquisadores também se debruçaram sobre o manejo de pragas e doenças da região, de acordo com as épocas de plantio, conservação, correção e manejo da fertilidade do solo. Um marco relevante para a agricultura do estado foi a publicação, em julho de 1975, do documento Sistemas de Produção de Soja e Trigo, base técnica de consultas.

A partir da década de 1980, novos projetos de pesquisa foram elaborados, focados em sistemas de produção e não apenas em culturas comportamentais. Esses trabalhos foram em parceria com os que tiveram como resultado o Sistema Plantio Direto (SPD). Técnica conservacionista por excelência, o SPD melhora a produtividade e a absorção da água pelo solo e reduz os custos de produção. A criação do Grupo de Plantio na Palha (GPP), em 4 de janeiro de 1994, em Dourados, constituiu-se em um importante fórum de discussões sobre o SPD .

As parcerias com o setor produtivo, universidades, cooperativas e demais segmentos produtivos da região, possibilitaram a aproximação das necessidades dos produtores, o que levou à implantação de melhorias no SPD com vistas a integrar, diversificar e melhorar a rentabilidade da propriedade. Essa ação culminou com a implantação, na década de 1990, do sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), ambos considerados pilares da agricultura de baixo carbono.

Plantação de soja -Foto: José Fernando Ogura

As pesquisas conduzidas pela equipe do centro, ao longo dos anos, possibilitaram a melhoria nos arranjos produtivos e na adaptação dos formatos de ILP mais adequados às necessidades e interesses dos produtores da região. Até hoje, a Unidade atua em pesquisas sobre sistemas de produção sustentáveis ​​e adaptação às mudanças climáticas, sanidade agropecuária, segurança alimentar, desenvolvimento territorial e uso dos recursos naturais. A Embrapa Agropecuária Oeste tem uma obrigatoriedade de atuação ecorregional que abrange uma estrutura fundiária formada tanto por familiares como por produtores de grande porte integrados ao mercado de commodities.

Entre as atividades desenvolvidas, a equipe de profissionais desenvolve trabalhos em diversas culturas: consórcio milho-braquiária, soja, cana-de-açúcar, culturas de inverno e plantas de cobertura. Ela também participa do processo de validação de: algodão, mandioca, trigo, aveia e sorgo e realiza testes de viabilidade e potencial produtivo de girassol, amendoim, feijão-caupi, grão-de-bico, entre outros.

Mudanças climáticas

Localizada em uma região de clima tropical e com forte impacto das condições climáticas, que variam muito ao longo das estações do ano, a Unidade desenvolveu um sistema de coleta e disponibilização de informações agrometeorológicas como forma de subsidiar a tomada de decisão dos produtores agrícolas. Por meio de banco de dados organizado, sistematizado e on-line, o Guia Clima é resultado do trabalho de pesquisa e desenvolvimento que auxilia diversos produtores rurais da região.

Trata-se de um sistema de monitoramento agrometeorológico que disponibiliza, em tempo real, dados sobre as condições meteorológicas (temperatura, umidade do ar etc.), informações (médias, normais etc.) e alertas (baixa temperatura do ar, ventos fortes, geadas etc.), que podem ser usados ​​para auxiliar na tomada de decisões, por meio de aplicativo em celulares. Abastecido por quatro estações agrometeorológicas, o Guia Clima possui potencial de extensão e pode ser adaptado para outras cidades.

O conhecimento em agrometeorologia do centro de pesquisa permitiu que ele passasse a contribuir de forma contínua com as atividades do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Rede ZARC Embrapa), responsável pelo trabalho em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária, que alimenta o banco de dados do sistema (SISZarc).

Além das atividades de coleta de dados de pesquisa no campo, a equipe da Unidade realiza também o processamento e a modelagem dos parâmetros de culturas, estabelecendo as informações do ZARC. Os profissionais de Dourados também promovem reuniões de validação do ZARC. Maracujá, melancia, sorgo forrageiro, consórcio milho com braquiária são alguns exemplos de culturas e de sistemas produtivos que contam com ZARC no Mato Grosso do Sul, elaborados pela equipe de pesquisa da Embrapa Agropecuária Oeste.

Agroenergia

No início da década de 2010, a Embrapa Agropecuária Oeste começou a trabalhar com cana-de-açúcar, com o objetivo de desenvolver tecnologias para aumentar a produtividade e a qualidade da cana-de-açúcar na região Centro-Oeste do Brasil, que naquela época não era uma região tradicionalmente produtora dessa cultura.

Atualmente, segundo dados da Biosul, o estado conta com 19 usinas de cana-de-açúcar e ocupa um importante papel no cenário sucroenergético brasileiro. Já foram produzidos quase 50 milhões de toneladas de cana em apenas uma única safra, um crescimento de 230%, responsável por colocar o Mato Grosso do Sul na quarta posição de maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil. Além disso, o estado é o quarto produtor de açúcar do país.

Esses números são reflexo do trabalho científico que possibilitou o uso e ocupação de ambientes restritivos com lavouras de cana-de-açúcar. Sobre esse tema, a equipe está desenvolvendo sistemas de produção que viabilizam a renovação de canaviais com adubação verde e com rotação de culturas, tais como crotalária e soja.

A Unidade está atenta às demandas do RenovaBio, um plano nacional de biocombustíveis, e tem buscado se antecipar às necessidades do segmento, por meio de parcerias com cooperativas, iniciativa privada e associações de produtores, com destaque para a Biosul.

Para isso, conta com o esforço da equipe de transferência de tecnologia da Unidade, que vem promovendo eventos recorrentes voltados para o setor sucroalcooleiro. Esses seminários, atualmente denominados CanaMS, acontecem desde 2012 e contam com a participação de técnicos das usinas e interessados ​​no assunto. Nessas reuniões, ocorrem amplas trocas de informações e captação de novas demandas de

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

pesquisa para aproximar a pesquisa do setor produtivo.

Peixes

Em 2004, a Embrapa Agropecuária Oeste criou o Núcleo de Pesquisa em Piscicultura, com o objetivo de contribuir com o fortalecimento da cadeia produtiva de pescados no Mato Grosso do Sul. Esse Núcleo desenvolve há 20 anos pesquisas em nutrição, genética, sanidade e manejo de peixes nativos e exóticos.

Em 2006, foi inaugurado o Laboratório de Pesquisa em Piscicultura, que contorna com o apoio financeiro da SEAP/PR e uma área de 247m2. O laboratório faz parte do Programa Integrado de Pesquisa em Aquicultura, que na época servia para pesquisas relacionadas à qualidade de água – monitoramento, manejo e medidas de controle; a nutrição e alimentação – requisitos nutricionais para espécies nativas, manejo alimentar, fontes proteicas de origem vegetal e fontes energéticas – e a sanidade – diagnóstico e controle de doenças.

Sustentabilidade ambiental

Por tratar-se de uma unidade de pesquisa e corregional, uso e conservação de recursos naturais fazem parte das linhas de pesquisa de criação.

Em relação à agroecologia, as pesquisas estão voltadas para produção de alimentos, solos de qualidade e sistemas de produção integrados. Trabalhos sobre a produção de alimentos orgânicos na Unidade tiveram início com o uso de mandalas, que são sistemas de cultivo que combinam hortaliças, plantas medicinais e flores em um mesmo espaço circular.

Há também pesquisas relacionadas às estratégias de conservação de Áreas de Reserva Legal (ARLs) e de Áreas de Preservação Permanente (APPs), por meio de Sistemas Agroflorestais Biodiversos (SAFs). Os SAFs são sistemas de produção agrícola que combinam a produção de culturas agrícolas e árvores em uma mesma área, visando à conservação do solo, à recuperação de áreas degradadas e à diversificação da produção agrícola. A Embrapa Agropecuária Oeste desenvolve pesquisas nessa área desde a década de 1990, com destaque para os SAFs com espécies frutíferas, que apresentam alto potencial de recepção.

Recursos hídricos 

Um dos maiores impactos da agricultura na qualidade dos recursos hídricos (água subterrânea e superficial) ocorre devido à possibilidade de sua contaminação com resíduos de agrotóxicos. Em função desse risco, a Embrapa Agropecuária Oeste trabalha em um projeto de monitoramento da presença de resíduos de agrotóxicos em águas de Mato Grosso do Sul, dos rios Dourados, Amambai e Ivinhema, considerados fontes de captação de água para distribuição à população de alguns municípios e um recurso para manutenção da biodiversidade. O principal resultado gerado com o projeto é o monitoramento da qualidade da água com frequência quinzenal. Esse monitoramento serve como importante para identificar possível o impacto das atividades agropecuárias na qualidade dos recursos hídricos.

De modo a viabilizar as análises laboratoriais, foi construído e equipado um laboratório referência em análise e monitoramento de resíduos de agrotóxicos em águas superficiais. Inaugurado em junho de 2019, o Laboratório de Análise Ambiental tem 361m2. Os recursos financeiros para a construção do novo laboratório e a aquisição dos equipamentos foram viabilizados por meio de parceria entre Embrapa Agropecuária Oeste, Ministério Público Federal (MPF/MS), Ministério Público do Trabalho (MPT/MS), Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul (MP MS) e Instituto de Meio Ambiente de Dourados (Imam).

Atualmente, os trabalhos da Unidade são orientados para continuar buscando soluções inovadoras para a agricultura tropical, com ênfase na produção de alimentos, fibras e energia de forma sustentável e integrada. O foco da Embrapa Agropecuária Oeste está em reduzir custos e utilizar insumos biológicos e alternativas que geram menor impacto ambiental. Além disso, trabalha na elaboração de políticas públicas voltadas para a agricultura familiar e fortalecimento das cadeias produtivas locais.

Fonte: Assessoria Embrapa Agropecuária Oeste

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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal

Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

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Foto: Divulgação

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de  R$ 6,38 milhões.

Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão.  O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.

Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.

Desafios para o segundo semestre

Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil  do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.

Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo

Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

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Foto: Paulo Kurtz

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.

O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.

Potencial de uso da plataforma

O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.

Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.

Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.

Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.

Avanços para o melhoramento genético

As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:

“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje

“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.

Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.

No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.

Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.

Fonte: Assessoria Embrapa Trigo
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