Notícias
Safra 2022/23 e 2023/24 de silagem: desafios e oportunidades para propriedades leiteiras
A alimentação dos animais é o item de maior peso nos desembolsos anuais do produtor, correspondendo entre 40% e 60% dos Custos Operacionais Efetivos (COE), a depender da região e do sistema produtivo adotado.

A produção de leite do rebanho de uma propriedade está intimamente relacionada com a nutrição adequada, onde busca-se o equilíbrio entre o fornecimento de volumosos e concentrados. A alimentação dos animais é o item de maior peso nos desembolsos anuais do produtor, correspondendo entre 40% e 60% dos Custos Operacionais Efetivos (COE), a depender da região e do sistema produtivo adotado.
A silagem de milho é a mais comumente encontrada, e pode corresponder por 15% a 25% do total desembolsado com a alimentação dos animais ao longo do ano. As diferentes produtividades alcançadas por essa forma de conservação de volumoso variam de acordo com diversos fatores, sendo que os principais são o clima da região, características do solo, e o pacote tecnológico adotado na área de cultivo.

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR
Visando comparar os custos de produção de silagem enfrentados por propriedades leiteiras nas safras 2022/23 e 2023/24, foram descritos os dispêndios envolvidos na produção e conservação do volumoso em propriedades com dois perfis tecnológicos distintos nessas duas safras, sendo uma de alto nível tecnológico, com produção de 50 t Matéria Original (MO)/ha, e outra de médio nível tecnológico, com produção de 37 t MO/ha.
Em um segundo momento, foram feitas análises sobre os possíveis impactos que a elevação vista nos preços dos insumos no ano anterior teve na atividade, e como um aumento de produção na propriedade de médio nível tecnológico poderia afetar a atividade leiteira. Esse trabalho foi desenvolvido como parte do Projeto Campo Futuro, uma iniciativa do Sistema CNA/Senar, em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).
A presente análise tomou por base os sistemas de Patos de Minas (MG) e Uberlândia (MG), caracterizados na ocasião do levantamento como fazendas de alto e médio nível tecnológico, respectivamente, e que produziam silagem de milho durante a safra para suplementação do rebanho. Ambas as propriedades terceirizaram as operações mecânicas, visto que essas requerem maquinários específicos e mais onerosos.
A distribuição dos custos de produção de silagem entre essas duas propriedades se deu de forma parecida, onde em média 63% dos gastos são referentes aos insumos produtivos, notadamente sementes, fertilizantes, corretivos, e defensivos químicos. O restante, (37%), corresponde às operações de preparo da área, plantio, adubação, pulverizações e colheita. O insumo com maior peso nos desembolsos do produtor é o grupo de fertilizantes, correspondendo por 61% em PM/MG, e 44% em Uberlândia, seguido pelas sementes de milho. Considerando apenas as operações, a colheita terceirizada correspondeu por mais de 72% dos gastos nas propriedades, chegando a 78% em Uberlândia, evidenciando o benefício do aumento de produtividade para a diluição dos investimentos realizados na área (Gráfico 1).

Gráfico 1 – Distribuição dos custos de produção de silagem entre os dois painéis levantados, separados entre operações e insumos produtivos. Fonte: Projeto Campo Futuro CNA/Senar (2023). Elaboração: Cepea-Esalq/USP, CNA.
A propriedade de Pato de Minas apresentou maiores desembolsos com insumos do que a de Uberlândia. Isso se relaciona com o pacote tecnológico adotado, e com a maior produtividade visada e alcançada. Para que o produtor tenha melhores resultados, é necessário que um manejo mais intenso e cuidadoso da área antes do plantio seja realizado, visando assim garantir melhores características físico-químicas do solo para o desenvolvimento das plantas.
Em um segundo momento, a adubação do milho deve ser realizada considerando as curvas de extração e de resposta da cultura, onde um maior aporte deste grupo de insumos é essencial para resultar em lavouras mais produtivas, fornecendo uma silagem de maior quantidade e qualidade, desde que estas estejam em áreas onde o preparo do solo foi bem realizado. Essa é a situação evidenciada na propriedade de Pato de Minas, contrastando com o cenário em Uberlândia, onde o pacote tecnológico é menor, e por consequência, a produtividade também.
Durante 2021 e 2022, os custos de produção da atividade leiteira sofreram grande elevação, notadamente os concentrados, adubos, corretivos, defensivos e óleo diesel. Só grupo de fertilizantes corresponde em média por mais de 50% dos custos de produção da silagem, o que elevou a safra 2022/23 aos mais elevados patamares de preços dos últimos anos, onerando substancialmente o produtor e limitando as margens da atividade.
Em contrapartida, a desvalorização dos concentrados contribuiu para queda nos desembolsos do produtor, na média nacional de 6,8% nos últimos 12 meses. Assim, o cenário para a safra 2023/24 se mostra otimista em relação aos anos anteriores em termos de custos, mas é importante destacar que com as retrações observadas no preço do leite no mesmo período, de 26,93% as margens da atividade seguem pressionadas, pois a receita vem caindo de forma mais acentuada do que os custos.
Para analisar a evolução dos desembolsos com a produção de silagem nesses dois sistemas, os valores dos diversos insumos e operações para a produção de silagem em cada propriedade foram atualizados utilizando-se de valores de agosto de 2022 e agosto de 2023, para posterior comparação entre as safras (Gráfico 2).

Gráfico 2: Composição e variação dos custos de produção de silagem entre as safras 22/23 e 23/24 nos dois painéis. Fonte: Projeto Campo Futuro CNA/Senar (2023). Elaboração: Cepea-Esalq/USP, CNA.
Analisando os custos de produção entre as duas safras, é possível observar que os pesos de alguns grupos de insumos e operações foram alterados entre as safras 2022/23 e 2023/24. O grupo de fertilizantes foi bastante onerado na safra 2022/23, devido especialmente a questões de abastecimento interno com o conflito no leste europeu, e à valorização do dólar frente ao real no período. Nas operações mecânicas, a colheita terceirizada, independentemente da safra, foi a operação mais onerosa no processo.
Os desembolsos totais com a produção de silagem caíram de 25,6%, em média, na safra 2023/24 frente ao ano anterior, quedas de 27,5% em Pato de Minas, e 23,9% em Uberlândia. Em termos nominais, o maior gasto por hectare de silagem foi registrado na propriedade de Pato de Minas na safra 22/23, com R$ 8.904,50, ante R$ 6.459,61 em 23/24. Porém, devido a maior produtividade, de 50 t MO/ha, o custo por tonelada de silagem foi de R$ 178,09, enquanto a propriedade de Uberlândia apresentou R$ 200,09/ton no mesmo período.
Esse resultado traz duas importantes constatações: apesar do pacote tecnológico ser mais completo e mais oneroso em Pato de Minas quando avaliado por unidade de área, a maior produção é capaz de compensar e diluir os investimentos realizados, resultando assim em um custo menor por tonelada; o segundo ponto é que produtores de média tecnologia foram menos capazes de diluir as altas com os insumos durante a safra 2022/23.
No caso da propriedade de Pato de Minas, o sistema produtivo conta com animais 100% confinados em compost barn, onde apenas a recria de novilhas ocorre em
área de pasto, embora as fêmeas também consumam silagem durante um período do ano. Sendo assim, a alimentação dos animais compromete cerca de 50% da receita provinda do leite na propriedade, enquanto somente a silagem responde por 30,4% do montante, chegando a absorver 15% da receita total recebida pelo leite. Portanto, buscar a otimização do processo produtivo via aumento da produtividade representaria importantes reduções nos desembolsos dos pecuaristas com alimentação diária.
Durante o ano de 2021 e 2022 a relação de troca do pecuarista com o milho esteve em patamares desfavoráveis, com o produtor arcando com maiores gastos para a alimentação no período. Em adição, a safra 2022/23 resultou em maiores desembolsos por parte do produtor, e consequentemente em um volumoso mais caro durante 2023, sendo de R$ 178,09/ton em 2022 contra R$ 129,19 na safra atual. Como resultado, considerando um volume de silagem diário ofertado por animal em lactação de 3% do Peso Vivo em MO, com um período de lactação de 12 meses e 96 animais em ordenha, foi vista uma redução média anual nos dispêndios com o fornecimento de silagem de R$ 32.074,03, somente considerando a diferença nos custos de produção de silagem na safra 2023/24 ante o ano anterior.
Assim, a safra 2023/24 aponta para recuperação da produção ante dois anos consecutivos em queda, dado o potencial de redução de mais de 27% nos custos de produção de silagem na propriedade modal em comento, o que favoreceria as margens da atividade. Entretanto, as acentuadas quedas no preço ao produtor em plena entressafra podem limitar esse movimento.
Devido ao cenário atrativo de redução nos desembolsos necessários para a produção de silagem, o presente artigo delineou três estratégias gerenciais para aumento de escala de produção, melhoria dos processos produtivos e/ou na receita da propriedade a partir da alteração do pacote tecnológico adotado. Para exemplificar os efeitos de tais estratégias, foi tomado como base os resultados da propriedade típica de Uberlândia, com seus custos de produção atualizados para agosto:
1 – Aumento na receita através da comercialização da silagem adicional. Tendo em vista a demanda que propriedades em certas regiões têm apresentado por volumoso durante o período seco do ano, observa-se uma oportunidade para o incremento da receita de propriedades que já trabalham com a produção de silagem. Com maior investimento na produção da silagem, seria possível atender a demanda interna de seu rebanho e comercializar o excedente para outros produtores.
Considerando-se a demanda atual por volumoso em Uberlândia e a área cultivada de aproximadamente 21 hectares de silagem, a mudança de patamares de produção incutiria em um custo adicional de R$ 825,98/ha, e possibilitaria a comercialização de 272 toneladas de silagem.
Dados do Projeto Campo Futuro apontam um patamar de preços de aproximadamente R$ 450,00/ton M.O., para a região avaliada, o que permitiria uma margem de R$ 320,81/tonelada comercializada, considerando-se os custos de produção da forrageira.
O aporte financeiro adicional com a venda da silagem excedente permitiria que a propriedade, como um todo, apresentasse uma margem líquida de R$ 1.459,50/ha de área útil, ou uma lucratividade (Margem Líquida dividida pela Receita Bruta) de 4,74%.
No cenário original, sem a alteração no cultivo da silagem, o sistema possuía uma margem líquida negativa em –R$ 684,62. Portanto, o maior aporte tecnológico no cultivo de silagem seria equivalente a R$ 17.299,43, e possibilitaria uma receita adicional ao sistema de R$ 122.523,08, considerando a receita proposta.
2 – Aumento da eficiência produtiva via fornecimento de silagem para categorias de recria. Buscando reduzir o impacto da presença de animais não-produtivos no sistema de produção, investir mais na etapa de recria de fêmeas permite que essas atinjam o peso necessário para iniciar sua vida reprodutiva mais cedo, reduzindo o impacto dos gastos com a sua manutenção no sistema.

Para tanto, poderia ser fornecida maior quantidade de silagem, substituindo assim o consumo de pastagem e buscando a redução da idade à primeira cria para 24 meses, ante os originais 30 meses. Para tanto é necessário o aumento do ganho de peso médio durante a fase de recria das fêmeas no rebanho dos 421 gramas/dia originais para 536 g/dia.
Com isso, o reajuste à dieta de novilhas ainda garantiria a disponibilidade de 227 toneladas de silagem para serem comercializadas pelo preço proposto. Neste cenário, a margem líquida foi estimada em R$ 2.031,21/ha de área útil, e a lucratividade de 6,69%.
3. Aumento na capacidade de suporte – e na captação diária – do sistema. Por fim, foi avaliado o cenário de utilização de toda a produção adicional de silagem pelo sistema, desta vez destinando-a apenas à maior capacidade de suporte de animais, nos mesmos índices zootécnicos já praticados.
Neste cenário, o aporte adicional de matéria seca possibilitaria a manutenção de 27 vacas a mais, o que elevaria o número de vacas no sistema para 87 vacas em lactação na média do ano, permitindo a captação de 1.865 litros de leite por dia (equivalente a um acréscimo de 33%).
Destaca-se aqui que o planejamento do incremento da produção de um sistema deve ser pautado com cautela, sendo necessário o comparativo de viabilidade entre a compra de vacas adicionais diretamente do mercado contra investir num maior nível de retenção de fêmeas no sistema de forma a se incrementar a produção.
Tomou-se por base, neste último cenário, os resultados potenciais após a implantação deste projeto, e com um novo rebanho estável. Com isso, a despeito do maior desembolso com a dieta das matrizes, bem como da reposição adicional necessária para que se mantenha o rebanho neste mesmo número de animais, foi possível obter uma margem líquida de R$ 3.350,65/ha, e lucratividade de 10,39%. Os resultados obtidos estão resumidos na tabela 1.

Fonte: Projeto Campo Futuro CNA/Senar (2023). Elaboração: Cepea-Esalq/USP, CNA.
Estimou-se, ainda, qual seria o preço médio para comercialização da silagem produzida para que se atingisse o mesmo nível de lucratividade com as intervenções ao sistema determinadas nos cenários 2 e 3.
Com isso, identificou-se que seria necessária a venda do volumoso por respectivos R$ 565,50 e 799,50 para que os mesmos resultados financeiros fossem obtidos – um acréscimo de 26% e 76% sobre o preço inicialmente considerado.
Com base nos dados avaliados, foi possível observar que, mesmo com a redução do preço do leite no período, que atualmente apresenta o valor de R$ 2,50 de acordo
com o indicador do leite ao produtor Cepea/Esalq para o estado de Minas Gerais, ainda foi possível se obter um maior retorno sobre o investimento adicional na produção de silagem quando utilizado para o incremento da captação leiteira, mediante aumento no número de matrizes no sistema.
Dentre os fatores que foram determinantes para tal efeito, temos o uso mais efetivo da mão de obra já contratada, grande gargalo de sistemas de produção, cujo custo acabou sendo diluído em maior volume de leite.
Na atual conjuntura da atividade leiteira nacional, a coleta de dados e o controle dos índices técnico-financeiros são fatores evidenciados como decisivos para o sucesso de propriedades do ramo, sobretudo em momentos de desafio às margens operacionais do sistema como o atual.
Observa-se que o momento de redução nos preços de insumos para a produção de silagem mostra-se oportuno para investimento. Neste sentido, é importante destacar que a tomada de decisão sobre como sua produção será utilizada deve fazer parte do planejamento inicial de seu cultivo.

Notícias
Geopolítica, clima e logística entram no centro do debate da cadeia da soja
Seminário em Londrina (PR) vai reunir especialistas para discutir os desafios que podem definir a competitividade da soja brasileira nos próximos anos. As inscrições são gratuitas.

A relação comercial entre Brasil e China, os impactos das mudanças climáticas, os gargalos logísticos e a descarbonização da produção estarão entre os principais temas do 8º Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que será realizado nos dias 04 e 05 de agosto, na Embrapa Soja, em Londrina (PR).

Foto: R.R.Rufino/Embrapa Soja
O evento vai reunir cerca de 150 participantes, entre pesquisadores, técnicos, representantes da indústria, produtores rurais e especialistas da cadeia da soja. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site do seminário, enquanto houver vagas.
Segundo o pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja, a programação foi estruturada para discutir fatores que influenciam diretamente a competitividade do setor. “Vamos debater a geopolítica e a relação comercial entre Brasil e China, além dos desafios e oportunidades da cadeia da soja brasileira. Também teremos discussões sobre cultivares adaptadas às mudanças climáticas, logística, descarbonização e o papel do biodiesel na sustentabilidade da produção”, afirma.
Para Daniel Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, manter a liderança brasileira no mercado internacional depende não apenas do volume produzido, mas também da qualidade do produto.”Preservar nossa liderança exige um debate técnico constante sobre a qualidade da soja brasileira. Garantir um produto de alto

Foto: Shutterstock
padrão para as indústrias nacional e internacional de óleos e farelos é o que realmente define a competitividade do setor”, destaca.
O seminário é promovido pela Embrapa Soja em parceria com entidades representativas da produção, da indústria e da exportação de grãos, entre elas Abiove, Anec, Aprosoja Brasil, CNA, Sistema OCB e Sindirações.
Brasil amplia liderança
O encontro ocorre em um momento de expansão da produção brasileira. Na safra 2025/26, o país colheu 180 milhões de toneladas de soja, em uma área próxima de 48 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No mesmo período, os Estados Unidos produziram 116 milhões de toneladas.
Além da produção recorde, o processamento industrial também segue em crescimento. A Abiove estima que o Brasil processe 63 milhões de toneladas de soja em 2026, com produção de 48,6 milhões de toneladas de farelo e 12,65 milhões de toneladas de óleo de soja.
Notícias
El Niño pode encher os silos e esvaziar as margens
Pesquisa aponta que o clima deve favorecer a produção agrícola, enquanto a maior oferta tende a pressionar as cotações das commodities.

O El Niño previsto para o ciclo 2026/2027 tem potencial para se tornar um dos eventos climáticos mais intensos da última década. Para a agricultura da América Latina, especialmente no Brasil e na Argentina, o fenômeno pode favorecer a produção de grãos e oleaginosas, mas também trazer um efeito colateral: mais oferta no mercado e menor rentabilidade para o produtor.

Foto: Fernando Dias
A avaliação é da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, que analisou os impactos econômicos do fenômeno climático sobre diferentes regiões do mundo. Confira aqui o estudo completo.
Com base em episódios anteriores de El Niño, o estudo mostra que a produção agrícola brasileira tende a superar a média histórica. Em 2015, por exemplo, a safra de soja ficou cerca de 4% acima da tendência dos cinco anos anteriores, enquanto a produção de café arábica registrou desempenho aproximadamente 5% superior ao esperado.
Segundo os pesquisadores, o aumento das chuvas no Sul da América do Sul favorece o desenvolvimento das lavouras e amplia a oferta de alimentos. No entanto, esse crescimento da produção pode pressionar as cotações das commodities agrícolas, reduzindo a margem dos produtores.
Outro desafio apontado pelo levantamento é a capacidade de armazenagem. Em anos de safra cheia, a oferta elevada

Foto: Shutterstock
tende a ocupar rapidamente os silos, elevando os custos de estocagem tanto para produtores quanto para tradings.
Efeitos diferentes dentro do Brasil
Embora o El Niño favoreça boa parte das áreas agrícolas do Centro-Sul, seus efeitos não são uniformes. O estudo destaca que a Região Norte e a Amazônia podem enfrentar períodos de seca mais severos, com reflexos sobre a navegação fluvial, a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de alimentos.
Esse cenário também pode exercer pressão sobre a inflação em países como Brasil, Colômbia e Peru, principalmente por impactos na logística e nos custos de produção.
Oferta maior e preços menores
No mercado internacional, a expectativa é que o aumento da produção de soja e milho na América Latina contribua para ampliar a oferta global de alimentos e aliviar parte das pressões inflacionárias observadas em outras regiões.
Por outro lado, exportadores brasileiros podem se beneficiar do maior volume embarcado, enquanto indústrias processadoras e empresas expostas à volatilidade das commodities agrícolas tendem a enfrentar um ambiente mais desafiador diante da possibilidade de queda nos preços.
Notícias
Frete rodoviário terá novas regras, mas sem piso nacional para caminhoneiros
Proposta amplia as penalidades para quem descumprir o piso do frete, altera as regras de fiscalização e prevê atualização semestral da tabela de preços.

O piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros de longa distância ficou fora da versão final da Medida Provisória nº 1343/2026 que atualiza as regras do frete rodoviário. Aprovado pelo Senado, o texto segue para sanção presidencial com mudanças no cálculo do piso mínimo do frete, na fiscalização do transporte de cargas e nas penalidades aplicadas ao setor.

Foto: Geraldo Bubniak
A previsão de uma remuneração mínima mensal não fazia parte da proposta original do governo. O dispositivo foi incluído durante a tramitação na Câmara dos Deputados, mas acabou retirado pelo Senado sob o entendimento de que o tema não tinha relação direta com o conteúdo da medida provisória.
Com isso, a remuneração dos motoristas profissionais de longa distância continuará sendo definida por acordos e convenções coletivas de trabalho.
Anistia a multas
Além das mudanças nas regras do frete, a proposta concede anistia a caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias durante as manifestações de 2022. O perdão das penalidades foi incluído durante a tramitação da medida provisória no Congresso.
O texto também transforma em advertência as multas aplicadas até a publicação da futura lei por descumprimento

Foto: Divulgação
das regras do piso mínimo do frete, como o pagamento abaixo dos valores previstos na Lei nº 13.703/2018. A medida vale para processos ainda em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas que ainda não foram quitadas.
A conversão não se aplica a casos de fraude, uso de documentos falsos ou omissão deliberada de informações. Também não haverá devolução de valores já pagos. O direito dos transportadores de cobrar diferenças de frete e indenizações previstas em lei permanece assegurado.
Além das anistias, a proposta promove uma ampla atualização da legislação do transporte rodoviário de cargas. Entre as principais mudanças estão novos critérios para o cálculo do piso mínimo do frete, atualização semestral da tabela de referência, reforço da fiscalização, endurecimento das penalidades para quem pagar abaixo do piso, novas regras para o cadastro de transportadores e alterações na fiscalização do peso dos caminhões.

Foto: Divulgação/Freepik
Frete mínimo
O projeto altera as regras de cálculo dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas. A tabela deverá considerar os custos operacionais da atividade, como os relacionados a combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários e tempo de carga e descarga.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá firmar parceria com a Infra S.A. para elaborar os cálculos dos pisos. O texto também atualiza conceitos da legislação e cria a definição de veículo de carga de pequeno porte (com capacidade útil superior a 500 quilos e peso bruto total de até 3,5 toneladas) e a de carga a granel pressurizada (categoria utilizada para determinados tipos de transporte especializado).
A atualização da tabela de frete deverá ser semestral. Quando houver variação igual ou superior a 5% no preço dos combustíveis, a ANTT deverá publicar os novos valores em até três dias úteis.
Fiscalização
O texto aprovado também altera regras de fiscalização, cadastro e penalidades no transporte de cargas. Empresas que

Foto: Divulgação
pagarem frete abaixo do piso mínimo poderão ter o registro suspenso em caso de descumprimento reiterado (com mais de quatro infrações em seis meses). As multas para reincidentes poderão variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão e, em caso de nova reincidência, poderão ser aplicadas em dobro. Nos casos mais graves, o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) poderá ser cancelado por até 24 meses.
A proposta mantém a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), estabelece prazo de até 30 dias úteis para pagamento do frete e prevê adiantamento mínimo de 70% para transportadores autônomos. O texto também determina a revalidação anual do RNTRC e permite que inscrição, atualização e manutenção do cadastro sejam feitas gratuitamente por plataforma digital do governo federal.

Foto: Divulgação
A medida também altera as regras de fiscalização do peso dos veículos de carga. Para caminhões com peso bruto total regulamentar (definido pela regulamentação) de até 74 toneladas, a verificação deverá considerar inicialmente apenas o peso total do veículo. A medição por eixo será feita quando houver excesso acima da tolerância de 5% no peso bruto total ou em situações específicas definidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O limite de tolerância para o peso por eixo permanece em 12,5% acima do permitido.
Segundo o texto, a regra busca adequar a verificação às características das operações de transporte, preservando a segurança nas rodovias e a conservação do pavimento. A proposta também prevê inspeções periódicas dos registradores de velocidade e tempo, e permite o uso dos dados do tacógrafo como prova de infrações por excesso de velocidade.
Além disso, o texto transforma em advertência as infrações administrativas relacionadas ao excesso de peso por eixo cometidas até a publicação da lei resultante da proposta. A medida alcança processos em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas aplicadas que ainda não tenham sido pagas. Valores já quitados não serão devolvidos.
Outros pontos
Na área previdenciária, o transportador autônomo poderá optar por recolher diretamente sua contribuição ao

Foto: Divulgação
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), desde que formalize a escolha. Com a adesão ao modelo, o próprio profissional passa a ser responsável pelo recolhimento, sem alteração das demais obrigações previdenciárias das empresas contratantes.
A MP amplia os objetivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), que poderá apoiar iniciativas de renovação de caminhões e implementos rodoviários, capacitação de motoristas, adoção de tecnologias e ações de saúde e segurança. O texto também cria uma Política Nacional Permanente de Renovação da Frota, com prioridade para transportadores autônomos e cooperativas.
As novas regras terão período de transição. Sistemas, registros e autorizações atuais continuarão válidos até a regulamentação das mudanças, que deverá ser feita em até 180 dias. Empresas e transportadores terão prazo mínimo de 60 dias para adaptação às novas obrigações.



