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Resposta imune induzida pelo alimento: conectando (mais uma vez) nutrição e imunidade

O sistema imune é uma das mais complexas áreas de estudo dentro da biologia, desafiando desde os profissionais da saúde/nutrição até os pesquisadores da biologia evolutiva. Porém, a necessidade de conhecer mais profundamente as interações entre nutrição e resposta imune é consenso, pois permitirá o refinamento das estratégias que, em última análise, podem melhorar o bem-estar e o desempenho dos animais.

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Fotos: Divulgação/Elanco

É tarefa do sistema imunológico identificar o que é próprio ou não do organismo animal para protegê-lo através de ações deflagradas por uma complexa rede de órgãos, células e moléculas. Imunologia é uma área bastante complexa e seu estudo aprofundado pode requerer longos anos. O mesmo acontece com aqueles que se dedicam a estudar os mecanismos necessários para a correta nutrição dos animais. Por isso, compreender profundamente as duas  áreas (imunologia e nutrição) é tarefa para poucos… Mas, afinal, por que o nutricionista precisa  entender sobre resposta imune? O que há por trás dos “soldadinhos que nos defendem das doenças”?

Reconhecendo o inimigo

Vários mecanismos são utilizados pelo sistema imune para cumprir sua função primordial de defesa, com respostas iniciais da imunidade inata, seguidas pelas reações tardias da imunidade adquirida. Trabalhar com dois níveis diferentes de resposta imune é uma forma de contornar a diferença nas taxas de evolução entre os patógenos e seus hospedeiros. Aves e suínos se reproduzem apenas algumas vezes ao ano, especialmente no ambiente natural, onde grande parte da evolução destas espécies ocorreu. Por outro lado, a evolução dos patógenos é muito mais rápida, uma vez que parasitas, bactérias e vírus podem se multiplicar em questão de dias, horas ou minutos.

A primeira linha de defesa é chamada de imunidade inata, natural ou nativa. Este componente do sistema imune é filogeneticamente muito antigo e está presente mesmo em plantas e insetos, inclusive nos indivíduos saudáveis. A imunidade inata é responsável por bloquear a entrada de microrganismos e eliminar rapidamente aqueles que conseguem chegar aos tecidos do hospedeiro. Seus mecanismos compreendem barreiras físicas, químicas e biológicas, além de componentes celulares e moléculas solúveis.

A resposta imune adquirida possui especificidade e diversidade de reconhecimento, memória, especialização de resposta, autolimitação e tolerância a componentes do próprio organismo. Por outro lado, a ação do sistema imunológico inato independe de estímulo prévio e normalmente sua resposta será a mesma em encontros repetidos com um patógeno (sem memória). Isso acontece por que o sistema reconhece estruturas que são comuns a diversas classes de microrganismos e que não estão presentes nas células normais do hospedeiro. Este reconhecimento é realizado pelos ‘receptores de reconhecimento de padrões’ localizados nas membranas e no interior das células (Figura 1).

Figura 1 – Processo de reconhecimento de padrões pelo sistema imune inato

As moléculas capazes de ativar a imunidade inata são chamadas de ‘padrões moleculares associados ao patógeno’ (PAMP, do inglês, pathogen-associated molecular patterns). Além delas, moléculas expressas por células danificadas do hospedeiro (DAMP) também podem ser reconhecidas pelo sistema inato. Neste último caso, conteúdo mitocondrial ou fragmentos de DNA e RNA podem ser reconhecidos como indicativos de que houve danos às células do indivíduo.

A interação entre receptores e PAMP guarda semelhança com a complementaridade entre antígeno e anticorpo (imunidade adquirida). Porém, no caso das respostas inatas, não há diversidade nem capacidade adaptativa para novos receptores ou novos padrões moleculares além daqueles já programados no código genético.

No caso dos PAMP, os receptores de reconhecimento de padrões evoluíram para identificar estruturas que são geralmente essenciais para a sobrevivência e infectividade dos microrganismos, ou seja, que normalmente são conservadas evolutivamente. Dessa forma, os patógenos seguem sendo reconhecidos mesmo após mutações ou quando não expressam seus alvos de reconhecimento.

Amigo ou inimigo?

A resposta imune inata é muito rápida, mas relativamente inespecífica. Na prática, uma ampla gama de substâncias (ácidos nucleicos, lipídios da parede celular, proteínas e carboidratos) pode atuar como PAMP. A regra geral é ser algo não encontrado no organismo do hospedeiro, mas que é componente comum em patógenos. Porém, isso não significa que os compostos que atuam como PAMP sejam encontrados exclusivamente em organismos patogênicos.

Embora a função fisiológica do sistema imune seja a vigilância e a defesa contra microrganismos infecciosos, outras substâncias estranhas podem gerar respostas imunes, mesmo que não infecciosas. Assim, uma definição mais inclusiva da resposta imune deveria citar que esta é uma reação aos componentes de microrganismos e pequenos agentes químicos que são reconhecidos como estranhos, independente da sua consequência fisiológica ou patológica.

Exemplos de fontes não patogênicas de PAMP são as paredes celulares de diversas plantas e leveduras, que frequentemente são utilizadas para alimentação de humanos e animais. Além de desnecessária, esta ativação da resposta imune inata demanda o consumo de energia que poderia ser utilizada para outras atividades metabólicas, como crescimento ou produção.

Resposta imune induzida pelo alimento

Os beta-mannanos, também conhecidos como beta-galactomananos, são polissacarídeos não amiláceos solúveis em água. Os beta-mannanos não são digeridos por animais não-ruminantes e estão entre os principais fatores anti-nutricionais para estas espécies, sendo frequentemente associados ao aumento na viscosidade da digesta e redução no aproveitamento dos nutrientes das rações.

Os beta-mannanos podem ser encontrados na superfície de diversos microrganismo patogênicos e, por isso, sua presença no lúmen intestinal é identificada pelo sistema imune inato animal (PAMP).

Um exemplo está na Figura 2, onde a estrutura da parede celular da Candida albicans é apresentada.

Figura 2. Estrutura da parede celular da Candida albicans, onde o β-1,4 manano é encontrado

Porém, por compor a parede celular vegetal, especificamente a fração de hemicelulose (Figura 3), esta substância também está presente em vários ingredientes utilizados para fabricação de ração, em especial nos grãos de soja. Nestes grãos, os beta-mannanos estão principalmente associadas com a casca e a fração fibrosa do farelo. Palmiste e goma de guar também são fontes ricas deste polissacarídeo, embora sem uso frequente no Brasil. A concentração de beta-mannanos em outros ingredientes é apresentada na Tabela 1.

Quando os alimentos são ingeridos eles passam pelo processo de digestão e, nesse ponto, os beta-mannanos e outras substâncias que podem atuar como PAMP são liberadas. Esses elementos livres entram em contato com células do sistema imune presentes no trato digestório e provocam sua ativação.

Figura 3. Estrutura da parede celular do grão de soja, onde o β-1,4 manano é encontrado

O acionamento dos macrófagos se dá tanto pela fagocitose dos PAMP quanto por contato com receptores de superfície, causando exacerbada sintomatologia inflamatória nos animais. Uma das hipóteses de atuação dos PAMP é através da estimulação do fator NF-kappa B. O efeito de um extrato contendo altos níveis de beta-mannanos e de uma solução de LPS foi testada (in vitro) sobre monócitos humanos. Foi verificado que os beta-mannanos ativam o fator NF-kappa B pela mesma via de ativação que os LPS. Esse fator é responsável pela expressão de vários genes em células de defesa do organismo, em especial nos monócitos e macrófagos ativados. Dentre os principais genes regulados pelo fator NF-kappa B estão: citocinas pró-inflamatórias, quimiocinas, enzimas inflamatórias, moléculas de adesão, receptores e inibidores de apoptose.

Para a completa sensibilização dos macrófagos são necessários no mínimo dois sinais, como por exemplo, a exposição a interferon-gama e a beta-mannanos ou LPS. No entanto, uma previa exposição dos macrófagos ao beta-mannanos pode torná-los mais reativos ao segundo sinal. Estudos apontam que o interferon-gama e beta-mannanos possuem sinergismo bilateral levando a uma ativação de macrófagos mais forte em comparação com outros mecanismos.

Em última análise, a ativação do sistema imune induz repartição de recursos, onde parte da energia que seria utilizada para crescimento do animal é desviada para proliferação de células de defesa. O processo interfere, portanto no potencial de desempenho dos animais.

Tabela 1. Conteúdo de β-mananos nos principais ingredientes utilizados em dietas para aves e suínos.

INGREDIENTES                     MÉDIA, %        MÍNIMO, %        MÁXIMO, %

Aveia                                                    0,31                       –                              –

Canola                                                 0,08                       0,07                       0,09

Canola, bagaço                                 0,13                       –                              –

Canola, farinha                                 0,18                       0,13                       0,37

Cevada                                                0,42                       0,37                       0,46

DDGS                                                   0,57                       0,23                       1,09

Girassol, farinha com casca            0,62                       0,53                       0,69

Girassol, farinha sem casca             0,57                       0,42                       0,75

Milho                                                   0,14                       0,09                       0,22

Milho, farinha de glúten                 0,17                       0,10                       0,24

Palmiste, farinha                              7,24                       5,34                       10,90

Soja, cascas                                        6,67                       6,43                       6,91

Soja, farelo 44% PB                         0,79                       0,38                       1,30

Soja, farelo 46% PB                         0,69                       0,33                       1,15

Soja, farelo 48% PB                         0,59                       0,28                       1,00

Soja, farinha fermentada                0,59                       0,58                       0,59

Soja, Full Fat                                      0,71                       0,42                       1,05

Trigo                                                     0,27                       0,11                       0,42

Trigo, farelo                                       0,25                       0,21                       0,34

Custos nutricionais da resposta imune

Muitas evidências científicas estão validando a estreita relação entre a nutrição, a saúde intestinal e a imunidade dos animais. Além da função crítica na digestão e absorção dos nutrientes, o intestino também pode ser considerado o maior órgão imune do organismo. Por conta desta forte relação entre os sistemas, a nutrição dos animais pode influenciar a imunidade através de vários mecanismos.

Uma das vias mais evidentes desta relação é o alto “custo” nutricional associado com o desenvolvimento e a ativação do sistema imune. As células do sistema imune, assim como qualquer célula do organismo, demandam nutrientes para sua manutenção e multiplicação. Além disso, os nutrientes também são necessários para a produção de outras proteínas acessórias na resposta imune.

Os custos nutricionais da ativação e manutenção da resposta imune são difíceis de serem estimados uma vez que variam com inúmeros fatores, tanto do animal (ex: espécie e genética), como do patógeno (ex: virulência e período de exposição). Em geral, o sistema imune adaptativo é caro para ser desenvolvido, mas barato para ser utilizado.

Por outro lado, o custo para o desenvolvimento da imunidade inata é bastante baixo, porém, os custos para sua ativação são altos e repetidos a cada encontro com o “patógeno em potencial”.

Experimentos com alimentação pareada para simular o impacto da redução de consumo (frequentemente observada na fase aguda da resposta) indicaram que o sistema imune responde por 9% do uso de nutrientes em frangos de corte. De modo bastante particular, os custos energéticos são frequentemente relacionados com o desenvolvimento e ativação da resposta imune, sendo induzidos tanto na fase aguda quanto para proliferação de leucócitos e anticorpos.

Além dos custos diretos da ativação da resposta imune, existem outras demandas que podem ser consideradas a longo prazo. Por exemplo, quando os processos pró-inflamatórios são mantidos, as consequências de comprometimento de tecidos e uso de nutrientes podem se prolongar por mais tempo. O estresse oxidativo é outra forma de indução de custos a longo prazo, embora os estudos nessa área ainda sejam bastante empíricos e a quantificação deste impacto seja complexa.

A proteção do organismo por um sistema imune eficiente é certamente necessária e positiva. Porém, os investimentos na imuno-competência podem afetar negativamente outras funções biológicas, como o crescimento dos animais, por conta dos custos nutricionais envolvidos. Essa relação é especialmente válida quando a resposta imune é gerada por alimentos (FIIR), ou seja, por PAMP sem consequência fisiológica grave ou patogenia associada. Nestes casos, o custo da ativação virá sem benefícios. Nesses casos, as consequências nutricionais e econômicas de gerar uma resposta inflamatória são relacionadas inversamente com o desempenho dos animais.

Outros “custos” da Fiir e dos beta-mannanos

As consequências positivas da ativação do sistema imune são indiscutíveis e incluem a defesa do organismo e a promoção de respostas vacinais. Porém, também existem consequências negativas, especialmente nos casos em que a resposta imune é gerada sem a presença efetiva de um patógeno (como na FIIR).

Muitas dessas  consequências  são compartilhadas com doenças entéricas ou outras reações inflamatórias exageradas, como a redução na absorção de nutrientes, perda de fluídos e disbiose. Algumas dessas consequências negativas são listadas na Figura 4 e detalhadas a seguir.

Figura 4. Consequências negativas associadas aos beta-mannanos

A inflamação é uma resposta genérica e, por isso, é considerada um mecanismo da imunidade inata. Esses processos são parte de uma resposta biológica complexa do intestino a uma possível ameaça. Além dos sinais clássicos, perda de integridade intestinal e de função absortiva também são frequentemente observados após a inflamação.

O prejuízo no aproveitamento dos nutrientes pode ser agravado ainda mais no caso específico da ativação de resposta imune por beta-mannanos, pois estas substancias atuam diretamente sobre a absorção de nutrientes. Os beta-mannanos são considerados fatores antinutricionais importantes, frequentemente relacionados com piora na viscosidade e aproveitamento nos nutrientes.

Os beta-mannanos são fortemente hidrofílicos, o que representa uma função importante durante o processo germinativo das plantas, auxiliando na disponibilização de reservas de água para o embrião. A mesma propriedade que é útil para as plantas pode ser prejudicial para os animais. Alimentos ricos em beta-mannanos aumentam a viscosidade da digesta, o que interfere no tempo de trânsito intestinal e o aproveitamento de nutrientes. O consumo de dietas com alta viscosidade pode levar ao aumentar do trato digestório dos animais, provavelmente para compensar a alteração na taxa de passagem da digesta. Como o trato digestório representa um custo metabólico relevante para o animal, essa alteração de tamanho pode impactar nas exigências nutricionais para mantença.

Por outro lado, o prejuízo absortivo associado aos beta-mannanos ocorre provavelmente devido sua interação com a glicocálix que leva ao espessamento da camada de muco e impede fisicamente a absorção. Alterações na liberação de hormônios e modificação no tempo de trânsito intestinal também foram observadas em decorrência da ação dos beta-mannanos.

Animais alimentados com dietas contendo ingredientes com altos níveis de beta-mannanos têm menor absorção de glicose e ácido pirúvico. Além disso, esses mesmos animais apresentam menor liberação de insulina, glucagon e peptídeo insulinotrópico dependente de glicose. Os carboidratos no trato gastrointestinal superior estimulam a liberação de peptídeo insulinotrópico dependente de glicose, porém com a presença de beta-mannanos sua liberação é reduzida proporcionando uma menor absorção de glicose. Com baixa glicemia, a insulina tende a ser secretada em menor quantidade podendo levar a menor absorção de amino ácidos estimulada pela insulina. Aumento no consumo de água em frangos de corte também foi associado a dietas com alta concentração de beta-mannanos, assim como existem relatos de aumento na umidade de cama.

Uma maior disponibilidade de nutrientes não absorvidos dentro do lúmen intestinal cria um ambiente favorável para a proliferação de microrganismo patogênicos ou não. Dentre os não patogênicos, pode ocorrer a multiplicação de organismos que degradam sais biliares, levando a redução na taxa de absorção de gordura e aminoácidos. Em frangos de corte criados sobre camas, o acréscimo no percentual de água da excreta (devido a maior viscosidade) causa aumento na ocorrência de calos de patas. Todos estes fatores combinados levam a obtenção de lotes desuniformes, especialmente se os animais enfrentarem algum desafio sanitário concomitante.

As partículas de alimento não digeridas no lúmen intestinal também servem de substrato para o crescimento bacteriano indesejável. Os processos inflamatórios colaboram para a disbiose, pois também alteram o ambiente oxidativo e metabolômico do intestino.

Em casos assim, a microbiota comensal benéfica e diversa pode ser alterada para uma população com diversidade reduzida e desenvolvimento de populações ruins para a saúde intestinal.

A perturbação da integridade intestinal também é frequentemente acompanhada de aumento na permeabilidade, que pode colaborar para a perda de digestibilidade e absorção dos nutrientes, além de favorecer a passagem de toxinas e ou patógenos. Esta via de transporte pode permitir que fatores pró-inflamatórios locais adquiram efeito sistêmico, alcançando outros órgãos e ativando proteínas de fase aguda. Citocinas e proteínas de fase aguda podem induzir reações antagônicas aos processos produtivos com redirecionamento dos nutrientes (inicialmente destinados para crescimento) para funções de defesa do organismo.

São reações negativas em cascata, cuja gravidade depende da extensão na ativação do sistema imune e também da coparticipação de outros desafios (sanitários, por exemplo). Entretanto, é importante que o nutricionista conheça e considere estes pontos na escolha dos ingredientes que irão compor as dietas dos animais, tanto aqueles que colaboram como fontes de beta-mannanos, como no uso da beta-mananase como ferramenta para contornar este desafio.

Conclusão

O sistema imune é uma das mais complexas áreas de estudo dentro da biologia, desafiando desde os profissionais da saúde/nutrição até os pesquisadores da biologia evolutiva. Porém, a necessidade de conhecer mais profundamente as interações entre nutrição e resposta imune é consenso, pois permitirá o refinamento das estratégias que, em última análise, podem melhorar o bem-estar e o desempenho dos animais.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato via: marcos.silva@elancoah.com.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

 

Fonte: Por Marcos Kipper da Silva, consultor técnico saúde nutricional da Elanco.

Suínos

Suinocultura mineira atualiza custos de produção com novo levantamento

Projeto conduzido pela ASEMG entra em nova etapa e amplia base de dados para produtores.

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Foto: Divulgação/ASEMG

A Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais segue com a atualização do levantamento de custos de produção da suinocultura independente em Minas Gerais. A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Embrapa e a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, e integra a Central de Inteligência de Aves e Suínos.

O projeto está em execução desde 2023 e entra agora em uma nova etapa de atualização dos dados. O objetivo é oferecer aos produtores uma referência técnica sobre os custos da atividade, auxiliando no planejamento e na tomada de decisão nas propriedades.

Foto: Shutterstock

As informações são atualizadas trimestralmente e seguem metodologia que considera custos operacionais, depreciação e capital investido. A construção do índice envolve equipes técnicas da ASEMG, produtores e especialistas das instituições parceiras.

Segundo o presidente da ASEMG, Donizetti Ferreira Couto, a proposta é manter um instrumento alinhado à realidade da atividade e com informações confiáveis para o produtor.

A atualização contínua do levantamento busca ampliar o acesso a dados técnicos e contribuir para a competitividade e sustentabilidade da suinocultura em Minas Gerais.

Fonte: Assessoria ASEMG
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Suínos

Após décadas produzindo suínos, grupos tradicionais do Rio Grande do Sul estreiam no abate

Suinocultura Acadrolli e Suinocultura Gobbi assumem planta em Frederico Westphalen para dar destino a parte da produção própria e enfrentar o aperto no mercado de terminados.

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Foto: Ari Dias/AEN

A compra de um frigorífico em Frederico Westphalen marca uma mudança estratégica para dois grupos tradicionais da produção suinícola gaúcha. Depois de décadas concentradas na base da cadeia, com matrizes, leitões, fabricação de ração e redes de integrados na terminação, a Suinocultura Acadrolli e a Suinocultura Gobbi passam a atuar também no abate, abrindo um novo capítulo na trajetória das duas empresas. Os dois grupos gaúchos se somam ao grupo paranaense Agro Dalla Costa, que já operava a planta.

A Suinocultura Acadrolli tem 78 anos. A Suinocultura Gobbi, 62. Ao longo desse período, ambas construíram operações robustas na produção de suínos e na integração, fornecendo animais prontos para o abate a frigoríficos terceiros. Agora, dão um passo além e assumem diretamente a operação industrial, em um movimento que busca reduzir a dependência de compradores externos e dar mais previsibilidade ao negócio.

Em entrevista ao O Presente Rural, Mauro Gobbi resumiu o cenário que levou à decisão. “A situação vem apertando para o produtor de suínos terminados. O mercado muda muito rapidamente e nós precisamos dar segurança para o nosso negócio, dar segurança para nossos produtores. Por isso decidimos pela aquisição do frigorífico”, afirmou.

Suinocultor Mauro Gobbi: “O mercado muda muito rapidamente e nós precisamos dar segurança para o nosso negócio” – Foto: O Presente Rural

A planta atualmente abate 2.050 animais por dia, de segunda a sexta-feira. Segundo Gobbi, a unidade passará a absorver metade da produção da Suinocultura Gobbi e um pouco menos da metade da Suinocultura Acadrolli. O volume ajuda a dimensionar o porte das duas estruturas produtivas e o peso da operação dentro da cadeia estadual.

A aquisição também ocorreu em um momento de pressão comercial e para ajudar a manter 550 empregos diretos. “A planta iria ser fechada e a gente está cada dia mais com dificuldade de colocar suíno no mercado. Além disso, vamos manter os empregos”, disse Gobbi. A operação, portanto, combina oportunidade industrial, manutenção de postos de trabalho e necessidade de garantir vazão a uma produção já estabelecida no campo.

Mudança de posição na cadeia

A relevância do negócio está menos na compra de um ativo e mais no reposicionamento dos grupos dentro da cadeia da carne suína. Acadrolli e Gobbi já tinham presença consolidada na produção, na nutrição e na integração de terminadores. Faltava o elo industrial. Com a entrada no abate, passam a participar de uma etapa que até então estava fora do alcance direto das duas empresas.

Foto: Google Maps

Esse deslocamento altera a lógica do negócio. Em vez de depender apenas da venda do suíno vivo para frigoríficos terceiros, os grupos passam a ter participação direta no processamento de parte da produção. Segundo Gobbi, isso dá mais controle sobre fluxo de animais, programação de abate e destino comercial, em uma atividade marcada por margens apertadas e mudanças rápidas no mercado.

No caso de empresas com dezenas de anos de atuação, a estreia no abate ganha peso ainda maior. Não se trata de grupos em formação nem de um projeto experimental. São estruturas amadurecidas ao longo de décadas, com forte presença na produção e base integrada consolidada, que decidiram ocupar um novo espaço dentro da cadeia.

Planta segue ativa e pode ampliar ritmo

A unidade de Frederico Westphalen já opera com perfil exportador. Hoje, 60% do total produzido segue para o mercado externo. O restante é composto por cortes vendidos no mercado interno. A manutenção dessa estrutura evita o fechamento da planta e preserva uma operação relevante para a economia regional.

Os novos controladores também estudam ampliar o ritmo de funcionamento. “Agora vamos fazer estudos para ver a possibilidade de ampliação, talvez abatendo aos sábados”, afirmou Gobbi. A hipótese ainda depende de avaliação técnica e econômica, mas sinaliza que a planta poderá ganhar novo fôlego caso o cenário permita aumento da capacidade.

Segurança para o negócio e para os integrados

A operação também tem reflexo direto sobre os produtores ligados às duas empresas. Ao citar a necessidade de dar segurança ao negócio e aos produtores, Gobbi expõe uma preocupação que vai além da empresa compradora. Na integração, a estabilidade do sistema depende de fluxo contínuo, previsibilidade e capacidade de absorção dos animais terminados.

Quando esse encaixe falha, o impacto recai sobre toda a engrenagem: granjas, programação, custos e negociação. Ao assumir uma planta frigorífica, Acadrolli e Gobbi tentam reforçar justamente esse ponto crítico. Em vez de atuar apenas como fornecedoras de suínos terminados, passam a controlar uma parte do destino desses animais.

A estreia no abate, depois de 78 e 62 anos de história, mostra que até grupos tradicionais da suinocultura gaúcha vêm sendo empurrados a rever sua posição no mercado. Em Frederico Westphalen, a mudança ganha forma concreta: duas empresas consolidadas na produção deixam de olhar a indústria apenas como compradora e passam a integrar, elas próprias, esse elo da cadeia.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Especialista aponta como a nutrição pode modular as defesas dos suínos

Klara Schmitz destaca que a nutrição estratégica é essencial para fortalecer o sistema imunológico dos suínos, especialmente diante de desafios sanitários e da redução no uso de antibióticos.

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Foto: Shutterstock

O sistema imunológico dos suínos é uma estrutura complexa, distribuída por todo o organismo, responsável por proteger os animais contra patógenos e outras substâncias potencialmente nocivas. Seu bom funcionamento é determinante não apenas para o desempenho produtivo, mas também para a longevidade das matrizes, especialmente em um contexto de alta genética, marcada por animais hiperprolíficos e mais sensíveis a desafios sanitários.

De acordo com a doutora em Nutrição Animal e especialista em Economia Agrícola, Klara Schmitz, o cenário atual exige uma abordagem mais estratégica. “Hoje temos matrizes com altíssimo potencial produtivo, mas também mais suscetíveis a desafios. Ao mesmo tempo, há uma redução no uso de soluções tradicionais, como antibióticos, o que torna o suporte nutricional ainda mais relevante”, destacou durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro, em Belo Horizonte (MG).

Doutora em Nutrição Animal e especialista em Economia Agrícola, Klara Schmitz: “A alimentação não apenas fornece nutrientes, mas também pode ser utilizada de forma direcionada para apoiar as defesas do organismo” – Foto: Divulgação/Abraves

A relação entre nutrição e sistema imunológico começa no trato gastrointestinal. Além de sua função digestiva, o intestino atua como uma das principais barreiras imunológicas do organismo. É ali que se concentra grande parte das células de defesa, formando o chamado tecido linfoide associado ao intestino.

Essa sobreposição entre digestão e imunidade torna o intestino uma interface crítica entre a ração e a resposta imunológica. “O sistema imunológico intestinal funciona como um filtro, capaz de reconhecer e neutralizar substâncias nocivas ingeridas pelos animais”, explica Klara, enfatizando: “Por isso, a alimentação não apenas fornece nutrientes, mas também pode ser utilizada de forma direcionada para apoiar as defesas do organismo”.

Suporte direto e indireto pela dieta

O suporte nutricional ao sistema imunológico pode ocorrer de duas formas. De maneira direta, por meio da inclusão de aditivos específicos na dieta, como determinados ácidos graxos, prebióticos e probióticos, capazes de estimular a produção de imunoglobulinas, especialmente durante a formação do colostro. “Aminoácidos específicos também desempenham papel fundamental ao favorecer a síntese de peptídeos antimicrobianos e de IgA”, relatou.

De forma indireta, o suporte ocorre pela manutenção de um estado nutricional adequado, capaz de atender às maiores demandas metabólicas durante períodos de estresse fisiológico ou produtivo. “Quando o animal não está bem nutrido, o sistema imunológico tende a falhar, abrindo espaço para doenças e queda de desempenho”, ressaltou a especialista.

Outro ponto central é a qualidade dos ingredientes utilizados na formulação das rações. “A presença de fungos, micotoxinas ou gorduras oxidadas aumenta a carga sobre o sistema imunológico, especialmente em leitões e matrizes”, reforçou, acrescentando: “Quando isso não é viável, o uso de aditivos como sequestrantes de micotoxinas, antioxidantes tecnológicos ou acidificantes pode ajudar a reduzir o impacto desses agentes, preservando a integridade intestinal e evitando respostas inflamatórias desnecessárias”.

Proteína e fibra exigem equilíbrio

A especialista explica que o excesso de proteína pode resultar em maior quantidade de nutrientes não digeridos no intestino grosso, favorecendo a fermentação e a produção de metabólitos tóxicos, como amônia e sulfeto de hidrogênio. “Esses compostos induzem respostas inflamatórias e aumentam o risco de distúrbios intestinais, como a diarreia pós-desmame. Dietas muito proteicas podem facilitar a proliferação de bactérias como a Escherichia coli, especialmente em leitões”, salientou.

Em contrapartida, níveis muito baixos de proteína também não são ideais. O equilíbrio, segundo ela, está em um perfil adequado de aminoácidos, aliado à inclusão estratégica de fibras.

As fibras, apesar de reduzirem a densidade energética da dieta, exercem efeitos positivos ao servirem de substrato para bactérias benéficas. “A fermentação da fibra gera ácidos graxos de cadeia curta, que fortalecem a mucosa intestinal, inibem patógenos e fornecem energia ao organismo”, mencionou a doutora em Nutrição Animal.

Demandas mudam durante desafios sanitários

Em situações de desafio imunológico, como infecções ou estresse, o metabolismo dos animais se altera. Há redução do crescimento e da atividade, enquanto a degradação proteica aumenta para suprir a síntese de proteínas de defesa. “As exigências de aminoácidos do sistema imunológico são diferentes daquelas voltadas ao crescimento”, expõe Klara, destacando que durante o estresse aminoácidos sulfurados, treonina, triptofano e glutamina ganham importância, enquanto a necessidade de lisina tende a diminuir.

Além dos aminoácidos, o sistema imunológico depende de um fornecimento adequado de vitaminas e minerais. Vitaminas A, C, E, do complexo B, ácido fólico, β-caroteno e minerais como zinco, cobre, ferro, selênio e manganês desempenham funções-chave na resposta imune e na proteção contra o estresse oxidativo.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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