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Suínos e Peixes – Maio

Suínos / Peixes Expectativa positiva

Reflexos da PSA no mercado externo podem ser positivos para suinocultura brasileira

Com a retomada do mercado russo e o provável aumento de demanda da China ao longo do ano, ainda se projeta que 2019 feche com volumes exportados superiores a 2018

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Arquivo/OP Rural

A cadeia suinícola já encontra novos desafios a serem enfrentados durante este ano. Uma das questões atuais de maior preocupação para o mercado mundial de proteína animal é o surto de Peste Suína Africana (PSA) que assola a China. A PSA provocou mudanças no volume e nos preços do mercado internacional. Mas, apesar da redução das exportações de carne suína brasileira para o país no primeiro trimestre deste ano, os volumes totais exportados estão ligeiramente maiores que o mesmo período do ano passado. Com a retomada do mercado russo e o provável aumento de demanda da China ao longo do ano, ainda se projeta que 2019 feche com volumes exportados superiores a 2018.

China tem queda, mas Rússia compensa as exportações

Com o abate de grande número de suínos na China, em função dos focos de PSA, a oferta de carne suína aumentou muito em um curto período, determinando queda nos preços dos suínos no país. Mas, ao contrário do que se esperava, ainda não houve aumento significativo das exportações de carne suína brasileira para a China. Analisando as exportações do produto in natura, segundo dados do MDIC, no primeiro trimestre de 2019, houve uma redução de quase 18% nas quantidades exportadas para a China e uma queda de 21,6 % na receita, quando comparado com o mesmo período de 2018.

Se por um lado, a carne suína brasileira ainda não atingiu os mesmos volumes de 2018 no mercado Chinês, por outro, a Rússia voltou a ser um grande comprador. No primeiro trimestre de 2019, a Rússia assumiu a terceira colocação dos destinos da carne suína brasileira (atrás de China, com 24,9% e Hong Kong, com 15,7%) e já representa quase 13% dos embarques de carne suína in natura, totalizando mais de 17 mil toneladas de janeiro a março (tabela 1).

Tabela 1 – Exportação de carne suína brasileira in natura no primeiro trimestre de 2019 e comparação com o mesmo período de 2018 (diferença em mil toneladas e percentual). Fonte: MDIC

Esta retomada do mercado russo, mesmo que em quantidades menores do que em 2017, por exemplo, fez com que houvesse uma compensação da redução dos volumes exportados para a China, pois na somatória dos três destinos, manteve-se praticamente o mesmo volume de um ano para o outro (ao redor de 73 mil toneladas de carne in natura).

Mercado interno aquecido

O mercado interno de suínos está bastante demandado, com os preços pagos ao produtor voltando a patamares que não eram atingidos desde o segundo semestre de 2017 (gráfico 1). Além da regularidade da exportação, o preço crescente das carnes bovina e de frango também contribui para elevar o valor pago pelo suíno.

Gráfico 1 – Evolução dos preços do suíno vivo em vários estados (MG, PR, RS, SC e SP) nos últimos 2 anos, mostrando crescimento consistente em 2019 e valores de março e abril superiores a todas as médias mensais do ano passado. Fonte: CEPEA

Há uma percepção na diminuição da retenção de animais e do peso de abate em muitas regiões, indicando que esta relativa baixa oferta de suínos deve se manter para os próximos meses. “Com a perspectiva de aumento das exportações ao longo do ano, especialmente para a China, parece que, finalmente, depois de muitos meses de dificuldades, o suinocultor voltará a trabalhar com margens positivas. Resta saber até que ponto os indicadores socioeconômicos negativos do país, como alto desemprego e redução de renda, vão limitar esta subida dos preços”, avalia o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, alertando que o atual cenário deve ser acompanhado com atenção por todos os integrantes da cadeia suinícola.

Custo de produção estável, com tendência de queda

Apesar de uma pequena quebra na safra brasileira em final de colheita, o preço da soja e seus derivados (farelo) tem se mantido estável, por enquanto, sem tendência de alta, ao contrário do que ocorreu no ano passado (gráficos 2 e 3).

 

Gráfico 2 e 3 – Preço da soja no Paraná nos últimos 2 anos e nos últimos 12 meses, respectivamente. Observa-se queda acentuada iniciada antes do início da colheita da primeira safra e preços estáveis no primeiro semestre de 2019, sem tendência de alta. Fonte: CEPEA

Com relação ao imbróglio tarifário entre China e Estados Unidos que fez com que o Brasil ganhasse grande espaço nas exportações desta oleaginosa para os chineses em 2018, permanece a expectativa da definição das negociações entre os dois gigantes. No primeiro trimestre de 2019 o Brasil exportou 28% a mais e os EUA 30% a menos que o ano passado para a China em relação ao mesmo período do ano passado.

O preço da soja no Brasil vai depender em grande parte desse movimento entre EUA e China e do próprio consumo chinês. A eventual redução de tarifas da China em relação a soja norte-americana pode determinar uma reconquista de percentuais perdidos para o Brasil no país asiático. Por outro lado, a redução significativa do rebanho suíno, pela PSA, pode determinar redução expressiva da demanda de grãos pela China. Ambas ocorrências, aliadas à esperada grande safra argentina, podem reduzir significativamente os embarques de soja do Brasil, determinando preços mais baixos no mercado interno.

Embora o milho continue em patamar de preço relativamente elevado para as atividades de produção de proteína animal (gráfico 4), o comportamento do clima com chuvas regulares nas principais regiões produtoras do Brasil indica que, de fato, a segunda safra, prevista para metade do ano, determinará volume recorde deste grão na safra 2018/19. Mantém-se a previsão de colher ao redor de 15% mais que na safra 2017/18, o que deve determinar a queda dos preços deste grão.

Gráfico 4 – Preço do milho (Campinas/SP) ao longo dos últimos 2 anos. Patamares de preço elevados desde o início de 2018. Fonte: CEPEA Gráfico 4 – Preço do milho (Campinas/SP) ao longo dos últimos 2 anos. Patamares de preço elevados desde o início de 2018. Fonte: CEPEA

O que esperar?

Com o mercado interno e externo de carnes aquecido, a previsão é de boa colheita da segunda safra de milho e estabilidade do mercado de soja, espera-se uma recuperação das margens da atividade suinícola ao longo do ano. Porém, é preciso ficar atento às condições climáticas aqui e nos EUA e às negociações tarifárias da soja e da carne suína entre China e EUA. Além disso, com o crescimento das exportações de carne bovina e de frango, é esperada uma pressão para o aumento dos preços pagos ao suinocultor brasileiro.

Fonte: ABCS
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Suínos / Peixes Inverno

Fatores ambientais e de manejo que influenciam nos problemas respiratórios de suínos

São vários os fatores que influenciam a predisposição e/ou desencadeamento das doenças respiratórias em suínos

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Luis Gustavo Schütz, médico veterinário e consultor Técnico – Aves e Suínos para a Bayer

As doenças respiratórias são as principais causas de perdas econômicas relacionadas à sanidade na suinocultura atual. Perdas representadas pelo aumento no gasto de medicamento, perda de desempenho na conversão alimentar, no ganho de peso diário, na mortalidade e na condenação de carcaça no abatedouro. Os suínos possuem no pulmão a pleura visceral relativamente espessa e poucos bronquíolos respiratórios, assim reduz a efetividade da eliminação de partículas das vias aéreas distais, o que favorece ao desenvolvimento de pneumonias. E o segundo fator envolvido é a forma de criação, grandes grupos de suínos em espaços confinados, o que favorece a manutenção e proliferação dos agentes infecciosos.

A etiologia dos problemas respiratórios em suínos é complexa, por isso o termo “complexo de doenças respiratórias dos suínos” (CDRS) ou em inglês “Swine Respiratory disease” (SRD) tem sido muito utilizado para referencias os quadros clínicos respiratórios causados por infecções mistas com dois ou mais agentes infecciosos nas fases de crescimento e terminação.

São vários os fatores que influenciam a predisposição e/ou desencadeamento das doenças respiratórias em suínos, logo temos que observar quais os fatores ambientais e de manejo que mais estão influenciando e montar um plano estratégico para minimizar os fatores de risco.

Os quadros clínicos de problema respiratórios suínos têm ocorrido nas fases de creche, crescimento e terminação. A taxa de morbidade fica entre 15 e 40% e a Mortalidade entre 2% e 10%. Assim, analisando-se os resultados dos estudos no Brasil, os agentes primários mais importantes nos surtos de são o Mycoplasma hyopneumoniae e o vírus da Influenza, porém com maior frequência de infecção mista entre os dois. Entre os agentes oportunistas destacam-se a Pasteurella multocida, o Streptococcus suis e o Haemophilus parasuis.

Estudos americanos mostram que suínos positivos para Mycoplasma hyopnuemoniae, a uma redução de ganho de peso diário de 50 gramas comparando com animais negativos, uma piora na conversão alimentar de 80 gramas e o percentual de mortalidade foi de 2,3% pior em relação a rebanhos negativos.

Fatores

Tipo de rebanho e fluxo de animais é um fator comum na suinocultura, granjas com ciclo completo apresentam menos problemas respiratórios do que sistemas de múltiplos sítios. Comparando granjas com diferentes estruturas, pesquisadores apontam uma chance maior de 2,38 vezes para uma prevalência de 10% de doenças respiratórias em granjas de múltiplos sítios em comparação com granjas de sítio único. Logo quanto mais origens nas creches e/ou terminações maior o chance de problemas respiratórios.

O número de animais alojados nos prédios influenciará na ocorrência de doenças respiratórias, pesquisadores identificaram um efeito negativo para a ocorrência de doenças respiratórias quando o número de animais no mesmo espaço aéreo ultrapassa 100 animais. Logo é agravado se o prédio possuir um baixo volume de ar para todos os animais, o que impactará no número de partículas em suspensão. Segundo estudo, o volume de ar superior a 3,5 mᶟ por animal pareceu prevenir pleurisias. Assim a ventilação é um mecanismo importante para movimentar e eliminar partículas de aerossóis suspensos no ar, o que proporcionará também um conforto térmico aos animais ajudando na dissipação do calor. O ajuste geralmente é feito pelo manejo de cortina que assim controla a temperatura e a troca de ar do prédio, o uso de tecnologia como o controle automático de cortina ajuda a melhorar as condições de ambiência. Estudos demostram que o movimento de ar superior a 60 mᶟ por hora por suíno tem um efeito de proteção em relação à pneumonia.

A umidade do ar e a temperatura são condições relacionadas entre si, estudos mostram que o calor e alta umidade são favoráveis ao suíno, mas influenciam outras variáveis como a sobrevivência de microrganismos e a concentração de gases e partículas em aerossóis. No Brasil as pneumonias são mais frequentes e severas nos meses frios, porem as instalações são mantidas mais fechadas, assim ocorre uma piora do ambiente, com excesso de gases, pó, bactérias em suspensão e endotoxinas. A flutuação de temperatura, comum nas fases frias e de transição estacional agravam o problema. Uma boa relação de umidade relativa do ar é de 60-80% o que permite um deslocamento adequado do tapete mucoso sobre os cílios do trato respiratório.

Na criação de suínos confinados são gerados basicamente três gases, a amônia, o sulfeto de hidrogênio e dióxido de carbono, sendo tóxicos para macrófagos e células produtoras de muco. Fatores que influenciam a produção de gases como a má circulação de ar, a superlotação e falta de higiene das instalações.

Outro problema para as defesas do trato respiratório é o excesso de pó, que em excesso gera problemas com o mecanismo de defesa alveolar, pois sobrecarrega a ação fagocítica dos macrófagos.  Fatores que aumentam o pó como a deficiência em ventilação, uso de ração com granulometria fina, alimentação à vontade, excesso de lotação e a falha em retirar esterco do piso das baias.

Pressão de infecção

Outro fator importante para os problemas respiratórios é a pressão de infecção, estudos avaliando a ocorrência de doenças respiratórias, encontraram uma maior relação de problemas em prédios com mais de 500 animais, espaço aéreo por animal inferior a 3mᶟ e menos de 0,7 m² de área de piso por animal. O conceito de pressão de infecção leva em conta a transmissão de doenças entre animais, baias, prédios e granjas regionais. A partir de granjas infectadas, agentes podem ser transferidos pelo ar, insetos, roedores, pássaros, animais silvestres, caminhões, pessoal, água, fômites, sêmen, etc…

As associações de doenças como PCV2 tem forte associação com patógenos bacterianos como Haemophilus parasuis, Mycoplasma hyopneumoniae e Pasteurella multocida. O aumento das rações contaminadas com micotoxinas imunodepressoras, afetar a resposta às infecções bacterianas e virais e assim reduz a eficácia do programa vacinal, predispondo a doenças respiratórias.

A higienização das baias é de importância fundamental para manter uma baixa pressão de infecção e proporcionar aos animais um ambiente com pequeno nível daqueles poluentes capazes de lesar os mecanismos de defesa do trato respiratório. Assim recomenda-se limpeza seca diária das baias, com a retirada das fezes acumuladas do piso usando raspadores ou vassouras. Bem como o sistema de alojamento “todos dentro – todos fora” indicam os melhores resultados para doenças respiratórias.

A aspersão de desinfetante tem um bom resultado para os problemas respiratórios como elementos integrantes da poeira em granjas de suínos são água (13,1%) e matéria seca (86,9%), cinzas (14,6%), proteína bruta (23,9%), gorduras (4,3%) e fibras (4,3%). Em um estudo medindo o nível de poeira depositado nas instalações, foram encontrados níveis diários médios de 2,61 g/m². Avaliando o efeito da aspersão de desinfetante em terminações em relação à ocorrência de sinais clínicos de doenças respiratórias (tosse e espirros), a uma eficiência utilizando diluição de 1:500 a cada 24 ou 48 horas para controle de espiro e de  diluições de 1:500 a cada 24 ou 1:250 a cada 48 horas para tosse. Estudo realizado com bomba costal e desinfetante a base de digluconato de clorhexidina minimizando níveis de poeira e, eventuais patógenos no ar, não tendo efeito a níveis de bronquíolos pelo sistema de aspersão fazer uma gota maior que 10 micras.

Nos últimos anos tivemos um aumento na prevalência e maior dificuldade no controle dos problemas respiratórios em suínos no Brasil, este fato com a evolução nas tecnologias de produção de vacinas, com instalações mais modernas e maiores cuidados de biossegurança. Porém, neste mesmo período com o uso restrito de alguns antibióticos via ração fica indispensável à importância de conhecer e corrigir os fatores ambientais e de manejo que favorecem as doenças respiratórias.  Um ponto importante que precisamos considerado é que o Brasil ainda é livre do vírus da síndrome reprodutiva e respiratória dos suínos (PRRS), doença que causa ainda mais perdas relacionadas ao complexo de doenças respiratórias dos suínos.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Produção

Quanto perdemos em produção animal por fornecer água de má qualidade?

Impacto da qualidade da água reflete mais na produção e saúde animal do que na manutenção econômica da atividade

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Eder S. Brandeburgo, doutor médico-veterinário e gerente Técnico da MS Schippers

Estamos vivendo um forte apelo mundial para a redução imediata dos níveis do uso de antibióticos na produção animal, levando-nos a uma busca da excelência na biosseguridade e administração frequente de aditivos zootécnicos, tais como: ácidos orgânicos, óleos essenciais e probióticos, nas granjas de suínos e aves, no entanto tem-se negligenciado a água de bebida como um dos potenciais pilares de melhoria neste importante processo de segurança alimentar e ambiental.

Dos nutrientes ingeridos diariamente pelos animais em uma granja de suínos 70% é água e 30% ração. Para termos uma ideia de volume hídrico, uma suinocultura com 100 matrizes em sistema de criação de ciclo completo, portanto maternidade, creche e terminação, ao longo do ano consomem cerca de 260.000 litros de água de bebida. No entanto quando consideramos o aspecto financeiro, este volume de água consumida representa menos de 1% do custo total de produção, contra 70% da ração, por tanto o impacto da qualidade deste importante nutriente reflete mais na produção e saúde animal do que na manutenção econômica da atividade.

Diversos são os fatores que podem afetar o consumo adequado de água pelos animais, os quais podemos destacar: qualidade da água, quantidade de ração ingerida, vazão e pressão do sistema hidráulico, temperatura de ambiente, ocorrência de doenças, entre outros.

No tocante á qualidade de água de bebida, duas ações de monitoramento são as bases para um programa eficiente, sendo a primeira a realização de análises laboratoriais, e a outra, o acompanhamento do nível de limpeza da tubulação.

Quando avaliamos o sistema de abastecimento de água de uma granja precisamos observar diversos pontos, onde podemos destacar: o uso de aditivos, principalmente os antibióticos, fundos cegos, diâmetros e materiais do encanamento, pois estes pontos favorecem o acumulo de matéria orgânica e a elevação da temperatura da água. Estes elementos são fundamentais para a formação e aumento do biofilme microbiológico nas paredes da tubulação, com presença de bactérias altamente patogênica, tais como: Escherichia coli, Salmonella typhimurium, Staphylococcus aureus, Vibrio cholerae, entre outras, no entanto também estão presentes fungos (ex.: Aspergillus SPP e Penicillium SPP), leveduras e protozoários.

Problemas

Temos observado com frequência no Brasil, que as granjas têm utilizado fontes naturais de água para o consumo animal com excelente qualidade físico-química e microbiológica, comprovadas através de análise laboratorial, no entanto as amostras de água coletadas nos bebedouros dos animais apresentam-se comprometidas na qualidade microbiológica com presença ou aumento na contagem de bactérias heterotróficas, coliformes totais e Escherichia coli, quando comparada a fonte.

A literatura vem demostrando exaustivamente que a E. coli está entre os dois principais problemas patológicos da produção animal, com o agravante de apresentar de cepas multirresistência aos antimicrobianos.

A água contaminada pode levar, além da diminuição do seu consumo, a menor ingesta de alimento, causar redução da resistência imunológica, perda de produtividade, ineficiência de vacinas, medicamentos e suplementos, e formação de biofilme na tubulação.

Inimigo silencioso

Podemos notar em algumas situações, a alta formação de biofilme na tubulação de fornecimento de água de bebida aos animais, principalmente na de uso exclusivo para administração de antibióticos.

Em muitos aspectos o biofilme é um inimigo silencioso, pois não é diretamente visível, pode inativar aditivos zootécnicos, tem crescimento microbiológico rápido e descontrolado, contaminando a água de bebida, consequentemente aumentando a carga de microrganismos patogênico no trato gastrointestinal dos animais que a consumem. Estudos tem apontado a má qualidade da água como o fator determinante de altas incidências de problemas patológicos, mas principalmente: diarreias na maternidade e creche, cistites, nefrites, disfunções reprodutivas e síndrome MMA.

Podemos concluir que existe uma alta relação da qualidade da água, com a limpeza da tubulação, índice de doenças patogênicas e, consequentemente, ao uso de antibióticos na produção animal. Estamos certos que ferramentas como o Dióxido de cloro, que realiza a remoção do biofilme da tubulação e eliminação dos patógenos da água de bebida, fornecem condição favorável ao melhor desempenho zootécnico e saúde animal, e consequentemente retorno econômico para a atividade e segurança alimentar ao consumo.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Utilização eficiente dos óleos e gorduras pelo suíno

Desafio do nutricionista é atender os requerimentos utilizando matérias primas com variabilidades na composição química

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Mara Costa, doutora em Medicina Veterinária e gerente de Serviços Técnicos em Suinocultura da Kemin

Um dos fatores para a máxima performance é o uso eficiente dos nutrientes pelo animal, obtido com rações balanceadas. O desafio do nutricionista é atender os requerimentos utilizando matérias primas com variabilidades na sua composição química.

Utilizar fontes de lipídeos nas dietas permite aumentar a densidade energética e, consequentemente, promover performance zootécnica, principalmente em fases com alto requerimento nutricional ou consumo limitado. Incluir óleos/gorduras nas rações permite o fornecimento de ácidos graxos essenciais e vitaminas lipossolúveis e o aumento do consumo ocorre pela melhora na palatabilidade. A diminuição na formação de pó e melhora do processo de peletização são outros benefícios no uso.

A maioria dos óleos/gorduras utilizados na nutrição animal são coprodutos de indústrias e classificados apenas pela sua origem (ex. óleo de soja e gordura suína). A origem, processamentos, qualidade e características químicas são responsáveis pela variabilidade do valor energético.

A escolha da fonte, muitas vezes, se limita à disponibilidade e ao custo. A referência do valor de energia vem de tabelas, e geralmente, é a média de um número pequeno de amostras analisadas.

Digestibilidade e valor energético

A digestão dos lipídeos ocorre efetivamente no duodeno. Os lipídeos na forma de triglicerídeos são emulsificados pelos sais biliares e hidrolisados em monoglicerídeos e ácidos graxos livres pela lipase. Os monoglicerídeos formarão as micelas que serão absorvidas e convertidas em energia.

Diversos fatores podem atuar na efetividade e velocidade do processo. O fator inerente ao animal é sua idade, leitões na fase de creche (jovens) produzem menos sais biliares e lipase e, com isso, a digestibilidade dos lipídeos é menor.

Os fatores relacionados à composição química são grau de saturação, tamanho da cadeia e quantidade de ácidos graxos livres. Em relação à origem e processamento, tem-se o grau de oxidação e quantidade de impurezas.

Os ácidos graxos insaturados são mais digestíveis que os saturados, as cadeias polares são mais solúveis e facilmente incorporadas às micelas. Ao aumentar o grau de insaturação, a relação de ácido graxo insaturado/saturado aumenta com aumento da digestibilidade, entretando esse aumento não é linear.

Os triglicérideos têm valor energético superior aos ácidos graxos livres. Ao aumentar a proporção de ácidos graxos livres tem-se redução linear no valor.

O perfil de ácidos graxos permite qualificar e quantificar as diferentes cadeias presentes no óleo/gordura. As cadeias possuem diferentes rotas metabólicas e diferentes valores de digestibilidade.

Os fatores de diluição diminuem o valor energético e eles podem ser gerados durante o processamento. Os diluentes utilizados na extração e purificação são considerados contaminantes quando presentes.

Grande parte dos processos para obtenção dos óleos/gorduras são com tratamento quente e presença do oxigênio. Os radicais lipídicos são instáveis, principalmente quanto mais insaturado e propensos à oxidação. A oxidação lipídica pode oxidar vitaminas e produzir substâncias toxicas com comprometimento da integridade intestinal. O uso de antioxidantes quanto mais cedo possível é indicado para proteção.

Diante da variabilidade das fontes, analisar esses fatores permite calcular a digestibilidade e estimar o valor energético. Essa avaliação auxilia na escolha, permitindo formulações mais balanceadas e precisas.

Benefícios do uso na suinocultura

Com linhagens prolíferas e alta capacidade de ganho de peso, a exigência nutricional aumentou. Fêmeas em lactação necessitam de alto nível de energia para manutenção e produção de leite. O estresse calórico contribui para o baixo consumo, e o requerimento de energia/dia não é alcançado. O déficit de energia terá efeito na gestação seguinte, aumentando o intervalo desmame cobertura e diminuição da longevidade da fêmea. A produção de leite será afetada, diminuindo a performance dos leitões na maternidade.

O uso de óleo/gordura nesta fase é indicado para a alta produção de leite e menor desgaste corporal da fêmea. Antes do parto, o uso aumenta a porcentagem de gordura no colostro/leite, com repercussão na saúde e no desenvolvimento do leitão.

O desempenho dos leitões após o desmame é fundamental para sua performance futura. O estresse do desmame leva a baixa capacidade de ingestão, não permitindo o consumo ideal. A consequência é o baixo ganho de peso e aumento das diarreias. O uso de óleos/gorduras nas dietas é indicado para atender o requerimento.

Conforme se desenvolve, o animal estabiliza o consumo com os níveis de energia da dieta. Na fase de engorda, o uso permite níveis adequados de energia e a resposta é a melhor conversão alimentar e carcaça. Em estresse calórico, o consumo é comprometido, e aumentar a densidade energética é essencial.

Melhoradores de absorção

Produtos que aumentem a digestibilidade e aproveitamento dos lipídeos são indicados para aumentar a performance e rentabilidade, já que a energia é um dos itens de maior custo nas rações.

Os fosfolipídeos, classificados como emulsificantes, atuam apenas na emulsificação e a melhora da digestibilidade é a consequência deste processo. A indústria de emulsificantes tem evoluído e novos compostos, como os lisofosfolipídeos, comprovaram ser mais efetivos.

Estudos recentes demonstraram que ao incorporar outros componentes aos emulsificantes, a emulsificação se torna mais rápida e estável, e a ação direta destes no processo de hidrólise e absorção permitem absorção dos demais nutrientes. Devido a essas ações e o efeito positivo na integridade intestinal, a nova geração passa a ser conhecida como melhoradores de absorção.

Os melhoradores de absorção permitem aumentar a energia disponível na ração,  assim como o uso mais eficaz pelos animais com benefícios mensuráveis  de acordo com a  fase utilizada.

Na fase de lactação houve aumento da produção e qualidade do leite, com menor desgaste corporal das fêmeas ao final da lactação. O aumento da produção de leite foi comprovado com leitegadas mais uniformes e pesadas no desmame.

Em animais jovens, o efeito será sobre os níveis de sais biliares e lipase. Em dietas de creche, o benefício foi melhor conversão alimentar, devido ao aumento no ganho de peso com menor consumo de ração.

Em crescimento e terminação, o uso atende diversos cenários. Quando usado “on top”, os animais tiveram aumento da performance e melhor conversão alimentar. Com o benefício do aumento da digestibilidade, uma outra forma de uso é a substituição de parte do óleo/gordura, mantendo o resultado com menor custo de formulação através de valorização da matriz nutricional.

Melhorar a digestibilidade dos nutrientes permite promover saúde intestinal, uma estratégia essencial  diante do uso restrito de melhoradores de desempenho. Ao aumentar a absorção, diminui-se a oferta de nutrientes que quando em excesso são utilizados como substrato para as bactérias patogênicas.  A diminuição da excreção dos nutrientes em excesso também contribuem com o meio ambiente, promovendo uma produção mais sustentável.

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Fonte: O Presente Rural
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