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Avicultura

Receita das exportações da avicultura cresce 4,2% em 2013

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A União Brasileira de Avicultura (Ubabef) informa que as exportações do setor avícola nacional – que envolvem frango, ovos, perus, patos, marrecos, material genético, pintos e ovos férteis – acumularam queda de 2,1% no volume total embarcado entre janeiro e outubro deste ano em relação ao mesmo período de 2012, com 3,374 milhões de toneladas.  Já em receita houve crescimento de 4,2% segundo o mesmo comparativo, com US$ 7,160 bilhões.
De acordo com o presidente executivo da Ubabef, Francisco Turra, em praticamente todos os segmentos houve registro de queda nos volumes – exceto carne de frango e material genético, que garantiram o saldo positivo nos resultados das receitas somadas da avicultura nacional. “É notável uma leve recuperação no ritmo dos embarques de frangos no segundo semestre, o que favoreceu a redução do saldo negativo das exportações do primeiro semestre, que estava em quase 5%. Isto indica um início de ano menos trepidante em 2014. Em outros segmentos, como é o caso de ovos, as vendas para o mercado interno foram mais atraentes, o que impactou nas exportações”, destaca Turra.
Frango
As exportações brasileiras de carne de frango atingiram 355,4 mil toneladas em outubro, resultado recorde histórico para o mês e 3,5% maior em relação ao mesmo período de 2012.  Em receita, houve queda de 5,1%, com US$ 681,22 milhões. No acumulado do ano, os embarques de carne de frango totalizaram 3,22 milhões de toneladas, resultado 1,4% menor em relação aos dez primeiros meses do ano passado.  Em receita, houve aumento de 5,3%, com US$ 6,671 bilhões.
Na análise por produto, os cortes mantiveram-se como principal produto exportado no segmento em 2013 (janeiro a outubro), com 1,723 milhão de toneladas (-4,4%) e US$ 3,544 bilhões (-0,1%).  Em seguida, vieram os embarques de frango inteiro, com 1,219 milhão de toneladas (+4,9%) e US$ 2,339 bilhões (+18,9%).  Na terceira posição estão as carnes salgadas, com 146,1 mil toneladas (-1,1%) e US$ 418,2 milhões (+1,2%) e, em quarto, os industrializados 130,8 mil toneladas (-13,9%) e US$ 368,6 milhões (-8,7%).
Na avaliação por destino, o Oriente Médio manteve-se como maior importador de carne de frango brasileira em 2013 (janeiro a outubro), com 1,213 milhão de toneladas (+5,9%) e US$ 2,505 bilhões (+18,5%). Em segundo lugar, a Ásia importou 922 mil toneladas (-3%) e US$ 1,947 bilhão (-1,5%).  Na terceira posição em volumes e quarta em receita, a África foi responsável pelos embarques de 438,9 mil toneladas (-14,4%) e receita US$ 615,8 milhões (-11%). Quarta maior importadora em volume e terceira em receita, a União Europeia importou 346,3 mil toneladas (-8,6%), com receita de US$ 948,6 milhões (-5,3%). Por fim, os países da América importaram 216,5 mil toneladas (+23,3%), com receita de US$ 434,6 milhões (+30,8%); e as exportações para países da Europa que não fazem parte da União Europeia atingiram 80,3 mil toneladas (-19,7%) e US$ 215,1 milhões (+1,2%).
Ovos 
Os embarques de ovos (in natura e ovo produto) totalizaram 9,829 mil toneladas entre janeiro e outubro deste ano, resultado 54,8% menor em relação ao mesmo período de 2012.  Em receita também houve queda, de 48,7%, com US$ 17,5 milhões.
Na avaliação por produto, houve queda de 57,8% nos embarques in natura, com 8,684 mil toneladas; e de 2,6% nas exportações de processados, com 1,145 mil toneladas.  Em receita, a redução foi de 56,6%, com US$ 12,7 milhões para in natura; e de 1% para processados, com US$ 4,8 milhões. Verificado apenas o mês de outubro, foram registradas quedas tanto em volume, quanto em receita.  Em volume, a redução foi de 52,8%, com 1,287 mil toneladas de ovos in natura; e de 52,1% para processados, com 90,6 toneladas.  Em receita, a queda foi de 54,8%, para US$ 1,780 milhão em produtos in natura; e de 60,1% para processados, com US$ 317,2 mil.
Perus
As exportações de carne de peru totalizaram 136,1 mil toneladas entre janeiro e outubro de 2013, resultado 6% menor em relação ao mesmo período do ano passado.  A receita também decresceu em 4,3%, com total de US$ 388,5 milhões.
Considerando apenas o mês de outubro, houve queda de 8,17% no volume embarcado, com 16,8 mil toneladas.  Também houve redução na receita, de 9,27%, com US$ 47,7 milhões.
Patos, Gansos e outras aves
Os embarques de carne de gansos, patos e outras aves atingiram 1,168 mil toneladas entre janeiro e outubro deste ano, uma queda de 55,2% em relação ao mesmo período de 2012.  Também houve redução na receita, de 59%, com US$ 4,250 milhões.
As quedas também se repetiram na avaliação mensal.  Em volume, o decréscimo foi de 58,7%, com 135 toneladas. Em receita, a redução foi de 56,5%, com US$ 525,1 mil.
Ovos Férteis
Os embarques de ovos férteis apresentaram redução de 31,8% entre janeiro e outubro deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando 6,011 mil toneladas.    Em receita, a queda foi de 33,6%, com US$ 35,5 milhões.
Considerando apenas o mês de outubro, houve crescimento em volume de 16%, com 599,1 toneladas, e também em receita, de 12,8%, com US$ 3,578 milhões.
Material Genético
As exportações de material genético totalizaram 919,4 toneladas entre janeiro e outubro de 2013, resultado 4,7% maior na comparação com o mesmo período do ano passado.  Em receita, o crescimento foi de 20,5%, com US$ 43,5 milhões.
Na avaliação mensal, as exportações de material genético atingiram 90,4 toneladas em outubro, resultado 24,3% menor em relação ao mesmo mês de 2012.  Também houve queda na receita, de 26,1%, com US$ 3 milhões.

Fonte: Ubabef

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Avicultura Bem-estar animal

Produtor de ovos deve se orientar pelo consumidor, não por ONGs, alerta Santin

Bem-estar animal é importante fator na produção de ovos, e que vem sendo muito discutido. Entidades defendem que a forma de produção deve ser feita para atender ao que o consumidor está exigindo

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Arquivo/OP Rural

A produção de ovos no Brasil vem aumentando anualmente. Segundo dados divulgados em março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da pesquisa de Estatística da Produção Pecuária, em 2018 o país produziu 3,6 bilhões de dúzias de ovos de galinha, um aumento de 8,6% em relação a 2017. Para produzir tanto ovo são necessários dois itens importantes: demanda vindo do consumidor e trabalho duro do avicultor. Estes dois itens andam de mão dadas para atender a toda a cadeia produtiva.

Um ponto importante que vem sendo muito cobrado sobre mais informações do consumidor é quanto ao bem-estar animal, como estes ovos são produzidos. Dessa forma, para atender a todos os mercados, diferentes formas de produção vêm acontecendo: tradicional, cage-free, free-range, entre outras. “Nós respeitamos todas as formas de produção. São opções do consumidor, as alternativas e formas como ele quer que seu alimento seja produzido. Nós, como setor, apoiamos todas as formas. Porém, não existe uma que seja melhor que a outra”, opina o diretor executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e presidente do Conselho Diretivo do Instituto Ovos Brasil, Ricardo Santin.

Segundo o diretor, algo que o setor de produção de proteína animal vem enfrentando bastante, principalmente nos últimos anos, é quanto a grande exigência de bem-estar animal na produção da proteína, inclusive de ovos. “Existe uma opinião que às vezes vem do consumidor, às vezes de ONGs, no sentido de novas formas de produção que alguns entendem que são melhores formas de bem-estar. Porém, é importante entender que o bem-estar não se compõe somente de uma galinha estar ou não em determinada forma de criação, ou seja, ser livre ou não de gaiolas”, afirma.

Ele explica que é necessário que todos entendam que o bem-estar animal envolve diversos elementos, e não somente um único ponto. “BEA envolve também não faltar comida, estar em um ambiente com uma temperatura térmica adequada, ter cuidados sanitários, não deixar o animal ficar doente, e se ficar que não sofra. Tem uma série de itens e eles devem ser atendidos todos da mesma forma”, comenta.

Em relação à produção dos ovos, de acordo com Santin, isso varia bastante quanto ao mercado que está sendo atendido, ou seja, ao que o consumidor está buscando no momento da compra da proteína. “Há nichos de mercado em que os consumidores dizem querer ovo somente de galinhas de penas vermelhas, ou seja, o ovo vermelho. É sabido que o ovo vermelho e o branco têm absolutamente as mesmas características organolépticas e nutricionais, mas tem a cor diferente. Um é mais caro que o outro. Mas tem a ver com o que o consumidor quer”, comenta. Ele explica que o que a ABPA e o Instituto Ovos Brasil desejam mostrar é que as entidades respeitam todos os sistemas de produção. Porém, esta produção não pode ser determinada por um pequeno grupo de pessoas. “É o consumidor quem manda. Ele, quando compra e paga, muitas vezes mais pelo produto, é quem decide como vai ser. Então, se o consumidor não quer exercer esse pagamento a mais por conta deste tipo de produção, não é um pequeno grupo que vai determinar como o avicultor vai produzir ou como o consumidor vai consumir”, afirma.

Para Santin, este é o ponto principal que deve ser discutido na cadeia. “É importante frisar que não somos contra o bem-estar animal, bem o contrário disso. Não somos contra os protocolos de bem-estar. Nós buscamos atender ao máximo ao que é exigido. Mas é necessário ter atenção de que primeiro temos que pensar na eficiência disso, além da necessidade que temos em alimentar o Brasil e o mundo”, defende.

Consumidor decide

Ele justifica que atualmente o avicultor está produzindo uma proteína que é acessível a toda a população, essencial para o bom desenvolvimento das crianças e que ajuda na velhice. “E vem um pequeno grupo que exige que a proteína seja produzida de uma determina forma ou outra, fazendo assim com que o produto fique mais caro e as pessoas, principalmente de baixa renda, não consigam mais consumir”, afirma. Segundo ele, é este tipo de exigência que as entidades não irão permitir que sejam impostas sobre o produtor. Santin destaca que atender a determinadas exigências faz com que o custo de produção do avicultor aumente, e assim, consequentemente, também o custo que é repassado ao consumidor.

O diretor reitera que o avicultor está atendendo as normas mínimas de bem-estar animal. “Eu não estou falando que fazer cage-free ou free-range não é bem-estar. Mas temos que ver certos pontos que são importantes”, destaca. Entre os detalhes citados por ele estão, por exemplo, na utilização do free-range o produtor abrir mão da sanidade, uma que vez que ele perde o controle de contato com aves silvestres, doenças ou mesmo com algo que o frango pode vir a comer.

De acordo com Santin, o setor de produção da proteína deve entender que é necessário produzir aquilo que o consumidor quer comprar. “Nessa forma de produção, se vou fazer em gaiolas, cage-free, free-range ou orgânico, o importante é fazer da forma que o cliente irá comprar e da forma que ele está disposto a pagar. O setor como um todo vai produzir o que o consumidor quer, e não o que alguns poucos vão dizer como deve ser feito”, afirma.

O ovo no Brasil

Além do aumento de 8,6% na produção de ovos, o Brasil vem também aumentando anualmente o seu consumo per capita da proteína. “O crescimento do consumo nos últimos 10 anos foi bastante significativo. Há uma década o consumo era de aproximadamente 120 ovos per capita. Hoje esse número aumentou para 212 ovos per capita. Isso, principalmente, porque caiu o mito de que o ovo produz colesterol, de que é uma proteína que faz mal”, comenta. Santin afirma que existe algo chamado qualificação de consumo, e atualmente o consumo de ovo pelo brasileiro é bastante qualificado, já que as pessoas comem ovo porque sabem que faz bem.

O diretor informa que o objetivo é fazer com que o país melhore a exportação de ovo, seja in natura ou processado. “Porque hoje ele é menor que 1%”, diz. Este é um quesito que vem sendo muito trabalhado para acontecer, conta Santin. “O país tem esse potencial. O Brasil, quando se trata de produzir alimentos, sempre tem um potencial bastante impressionante, relevante e positivo. Na exportação de ovo, que ainda não é tão relevante, o país tem potencial de crescer. Vamos investir, buscando que isso aconteça”, finaliza.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura É preciso atenção

Impacto econômico do peito amadeirado em frangos de corte

Considerando as condenações na linha de abate, o tema tem sido desafiador para as indústrias produtoras de frangos pesados

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Rodrigo Braghim Slembarski, gerente de Mercado Aves de Corte da Auster Nutrição Animal

A avicultura de corte é uma das atividades do agronegócio que mais se desenvolve no mundo. A evolução em toda a cadeia produtiva é impulsionada pela alta demanda dos consumidores por produtos de qualidade e preços acessíveis às diferentes classes sociais. Isso só é possível devido à evolução dos processos de melhoramento genético, nutrição, sanidade e manejo, tornando o setor eficiente e competitivo em relação a outras fontes de proteína de origem animal.

Nas últimas décadas, é possível observar a evolução dos frangos de corte, que passaram a produzir carne com maior eficiência em menor tempo. Um outro ponto importante a destacar é que as aves passaram por intenso processo de melhoramento genético, que permitiu a seleção com maior deposição de musculo no peito. Nesse contexto, Zuidhof et al. (2014) relatam que em um período analisado de 48 anos o peso médio dos frangos aumentou mais de 400% e a taxa de conversão alimentar foi reduzida em 50%, observando ainda melhora no potencial de crescimento do peito, enquanto a gordura abdominal diminuiu devido à pressão da seleção genética. De 1957 a 2005, a musculatura peitoral maior aumentou 79% nos machos e 85% nas fêmeas.

Com o aumento da taxa de crescimento das aves também aumentou a incidência de miopatias no peito, como o peito amadeirado (Woody Breast – WB), principalmente no músculo peitoral maior. Filés com a condição de peito amadeirado mostram evidências de aumento de massa muscular, degeneração das fibras, necrose, variabilidade do tamanho das fibras, infiltração lipídica, aumento da fibrose e células inflamatórias, ocasionando dureza e rigidez anormais à palpação no filé e aspecto geral negativo na qualidade da carne.

A lesão do peito amadeirado pode ser observada facilmente e é classificada como normal, moderada e severa. É considerado peito normal aquele que tem boa aparência com coloração e textura característica, não causando restrição em termos de aquisição do produto pelos consumidores.

Na lesão moderada, observa-se coloração mais pálida e aumento moderado da rigidez das fibras musculares, devido à deposição de tecido conjuntivo fibroso, podendo ter partes do musculo peitoral superior bem mais rígidas, ocasionando a condenação parcial do peito. Nesse caso, as partes condenadas podem ser aproveitadas para produção de alimentos  termoprocessados.

Na lesão severa, o peito apresenta coloração esbranquiçada, rigidez devido à alta deposição de colágeno e, normalmente, a ave é condenada na linha de abate, já que os órgãos de inspeção identificam como aspecto repugnante e classificam como condenação total (descartando estas aves).

Considerando as condenações na linha de abate, o tema tem sido desafiador para as indústrias produtoras de frangos pesados, tendo em vista o descarte parcial e até total das carcaças.

Embora as taxas de incidência na indústria sejam difíceis de avaliar, estima-se que aproximadamente de 2 a 8% do filé de peito produzidos comercialmente apresentam lesões severas. Para estimar as perdas econômicas, fizemos simulação, considerando quatro faixas de condenações por lesão severa: 2%, 4%, 6% e 8% em um frigorifico que abate 100 mil aves/dia com peso médio das aves de 2,9 kg e rendimento de carcaça de 75%. Para o rendimento de peito foram considerados 23%, sendo aproximadamente 500 gramas de peito.

Com os dados simulados e considerando preço médio de venda do filé de peito de R$ 5,70, observamos que 2% de condenações por lesão severa acarretaram prejuízo de aproximadamente R$ 125.000 por mês e R$ 1.500.000 por ano, considerando somente volume de peito condenado. Ressaltamos que essa perda pode ser maior tendo em vista que em condenações por aspecto repugnante (lesão severa) o órgão de fiscalização descarta toda a carcaça, aumentando ainda mais o impacto econômico.

Existe correlação direta entre o aumento de peso e a incidência do Wood Breast. Isto se deve à baixa irrigação sanguínea nos tecidos periféricos, ocasionando estresse oxidativo e ocorrendo inflamação e necrose das fibras musculares, com posterior deposição de colágeno caracterizando assim a miopatia.

Tendo em vista o grande impacto no setor produtivo, o tema vem sendo tratado constantemente por pesquisadores, indústria e produtores na tentativa de minimizar os efeitos decorrentes dessa lesão. Os geneticistas têm trabalhado na seleção genética para desenvolver animais com menor propensão à miopatia, porém este é um processo lento e complexo. Paralelamente, a nutrição trabalha com o intuito de minimizar a incidência do peito amadeirado, realizando pesquisas com diferentes níveis nutricionais de aminoácidos, vitaminas, minerais e aditivos, como por exemplo o uso de altas doses de fitase.

Os resultados com superdosagem de fitase têm se destacado pelo fato de a enzima proporcionar melhoria na solubilidade de alguns microelementos envolvidos na produção de hemoglobinas, melhorando a oxigenação tecidual. Em estudo realizado por York et al. (2016), os autores concluíram que a melhor solubilidade dos minerais, como zinco (Zn), selênio (Se), ferro (Fe), cobre (Cu) e manganês (Mn), desempenham papéis importantes no crescimento, imunidade, saúde intestinal e status antioxidante das aves, bem como numerosos outros papéis no metabolismo, como redução da ocorrência de peito amadeirado.

É evidente que o tema é relevante para a cadeia de frangos de corte devido aos consistentes prejuízos no processo. Ao que tudo indica, teremos de conviver com o problema por mais alguns anos. A estratégia é utilizar ferramentas que nos auxiliam a reduzir a incidência e minimizar as perdas econômicas.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Uso de antibióticos na avicultura: tendência e futuro

Produtores precisam se preparar para iniciar um processo de redução do uso de antibióticos em suas granjas pensando também no mercado interno

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Fabricio Imperatori, gerente de Avicultura na Alltech

A redução ou até mesmo a proibição do uso de antibióticos na avicultura é um tema bastante relevante e que vem sendo discutido com muita ênfase. Uma série de fatores vêm contribuindo para que este cenário esteja cada vez mais presente em nossa realidade, especialmente devido às exigências do consumidor, que tem optado por uma alimentação cada vez mais saudável. Além disso, o uso, muitas vezes indiscriminado, dos antibióticos no setor produtivo pode ter contribuído para o surgimento de bactérias resistentes tornando o tratamento médico para humanos bastante complicado. Para atender a essa necessidade, as agroindústrias têm colocado na ponta do lápis a inclusão de tecnologias mais sustentáveis, sem abrir mão da qualidade dos produtos e da rentabilidade, especialmente quando seu objetivo é exportar para os mercados mais exigentes como, por exemplo, o mercado europeu e/ou para as grandes redes multinacionais de supermercados e fast food que são bastante rigorosos quanto à existência de resíduos de antibióticos nas carnes.

A crescente resistência bacteriana aos antibióticos acendeu um sinal vermelho fazendo com que os órgãos reguladores passem a ser mais rigorosos com relação ao uso de antibióticos na alimentação animal, uma vez que resíduos destes medicamentos presentes nas carnes podem ser transferidos para os humanos por meio da alimentação. Estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que a resistência aos antimicrobianos causa a morte de 700 mil pessoas por ano em todo mundo, sendo que, o uso em alta escala pode resultar em 10 milhões de óbitos até 2050. O assunto preocupa também a Organização Mundial da Saúde (OMS). Estima-se que se medidas importantes não forem tomadas para conter a situação, as superbactérias serão mais letais do que o câncer em 2050.

Países da União Europeia não utilizam antibióticos melhoradores de desempenho na nutrição dos animais desde 2006. Sendo a União Europeia um dos principais destinos das exportações do mercado de aves brasileiro, se faz necessária a adequação das empresas nacionais a essa nova demanda. Além disso, tendo a União Europeia como referência, outros mercados importantes estão também restringindo o consumo de produtos alimentícios de animais que receberam antibióticos em suas dietas. Assim, a adequação a este novo formato de produção se faz necessário visto que o Brasil é um dos principais exportadores de carne de frango do mundo, embarcando o produto para mais de 160 países. Em 2018, a receita brasileira obtida com os embarques foi de US$ 1,2 bilhão, apontou os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDCI). O Paraná é responsável por cerca de 38% de toda a carne que é produzida e exportada, conforme dados do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar).

No Brasil, normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), já proíbem a utilização de alguns tipos de antibióticos como promotores de crescimento e estabelecem regras dessa utilização para garantir a qualidade final do produto. Além disso, a instituição criou o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Resistência aos Antimicrobianos na Agropecuária (AgroPrevine), justamente para capacitar e conscientizar sobre a urgência em combater a Resistência aos Antimicrobianos (RAM).

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontam que a carne de frango é a proteína animal mais consumida no Brasil e está em constante crescimento. Por se tratar de uma carne com baixo teor de gordura, ser nutritiva e rica em proteínas, ela é apontada por especialistas como indispensável para uma alimentação saudável. Por isso, os produtores precisam se preparar para iniciar um processo de redução do uso de antibióticos em suas granjas pensando também no mercado interno.

Processo de redução do uso de antibióticos

Em um primeiro momento, o avicultor pode encontrar dificuldades para se adaptar a essa nova realidade. Inicialmente, para auxiliar nessa transição, os cuidados na forma de trabalho podem ser uma iniciativa preliminar. Também é eficiente buscar aprimorar o manejo, melhorar a ambiência, fazer uso de equipamentos de alta tecnologia nos aviários, bem como fazer uso de programas de vacinas eficientes e de alta qualidade, entre outros. Isso tudo contribuirá para que o uso de antibióticos se torne cada vez menos necessário.

Concomitantemente a estes cuidados, há no mercado um vasto número de alternativas naturais para tornar essa adequação possível. Pesquisadores têm trabalhado fortemente na busca de ferramentas que não são prejudiciais à saúde humana, mantendo a qualidade e produtividade esperada dos produtos de origem animal. Em parceria com empresas, universidades ao redor do mundo têm desenvolvido estudos em busca de soluções naturais que sejam alternativas ao uso de antibióticos.

Entre os focos das pesquisas estão os probióticos, que são microrganismos “benéficos” e que ajudam a manter saudável o intestino e o desenvolvimento das aves; os prebióticos, que dificultam a instalação das bactérias danosas ao animal; os minerais orgânicos, que são primordiais ao desenvolvimento geral dos animais; entre outros.

Estudo

Em um dos estudos recentes realizados pela Alltech, foi feita uma análise sobre dois grupos de criação de aves: um com uso de antibióticos em sua dieta, e, o outro, livre desses componentes e com uma dieta apenas com soluções naturais à base de leveduras. No segundo grupo, os resultados foram equivalentes aos encontrados no primeiro grupo. Além disso, as aves livres de antimicrobianos apresentaram um aumento significativo de peso, um melhor funcionamento intestinal e ainda uma menor taxa de mortalidade.

A inclusão dessas soluções naturais na alimentação dos animais mostrou que é possível reduzir o uso de antibióticos, mantendo a qualidade, a sanidade e até mesmo a produtividade e a rentabilidade do processo. É importante que o avicultor, ao optar pela não utilização de antibióticos como melhoradores de desempenho, realize um mapeamento de todas as variáveis de sua produção (ambiência, qualidade do ar, água, ração, programas de vacinas, entre outros), buscando sempre o auxílio de profissionais técnicos para obter o suporte necessário nesta transição, evitando qualquer problema sanitário em sua granja.

Esses resultados provam que é possível reduzir o uso de antibióticos na produção avícola e que isso pode ser benéfico para a produtividade do plantel. Os fatos mostram que essa não é mais uma mera tendência do mercado e sim uma mudança inevitável, que irá se tornar cada vez mais presente em nosso cotidiano. É fato que os avicultores precisam se adequar a esta nova realidade, sempre visando tornar seu produto ainda mais competitivo nos mercados interno e externo.

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Fonte: O Presente Rural
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