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Avicultura

Receita acumulada das exportações avícolas cresce 5,2%

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A União Brasileira de Avicultura (Ubabef) informa que as exportações brasileiras de carne de frango totalizaram 3,567 milhões de toneladas entre janeiro e novembro de 2013, com leve queda de 0,3% em relação ao mesmo período do ano passado.  Já a receita cresceu 5,2%, com US$ 7,349 bilhões.
Considerando apenas o mês de novembro, os embarques de carne de frango atingiram 347,7 mil toneladas neste ano, resultado 11,4% maior em relação ao décimo primeiro mês de 2012.  Houve, também, crescimento na receita mensal, de 3,9% na comparação com o ano anterior, com US$ 678,7 milhões em novembro de 2013. “Esse resultado foi influenciado pelo tradicional aumento dos embarques no segundo semestre, bem como por resquícios de dificuldades enfrentadas pelas exportações brasileiras há dois meses, quando produtos tiveram os embarques postergados devido aos problemas climáticos nos portos, que dificultaram os processos de exportação”, destaca o presidente da Ubabef, Francisco Turra.
De acordo com Turra, diante desse cenário, a Ubabef prevê que as exportações de carne de frango em 2013 devam atingir resultado equivalente em volume ao total exportado em 2012, totalizando 3,9 milhões de toneladas.  Em receita, é esperado um crescimento de 4%, chegando a US$ 8 bilhões.
Já a produção de carne de frango deverá atingir resultado em torno de 12,3 milhões de toneladas, um percentual aproximadamente 3% menor em relação ao total produzido pela avicultura nacional em 2012.
Para 2014, a Ubabef estima um crescimento de 4% no volume total da produção nacional em relação ao resultado deste ano.  Sobre as exportações, espera-se para o próximo ano um crescimento entre 2% e 2,5% sobre os volumes embarcados de 2013.
“O crescimento da produção deverá se descolar das exportações, diante da possibilidade de um aquecimento do mercado interno com os grandes eventos internacionais. A expectativa é que políticas de governo voltadas para o abastecimento interno durante a Copa favoreçam o consumo de produtos avícolas dentro do Brasil, recuperando níveis de produção equivalentes ao de 2012. Devemos ter um crescimento constante, seguro, mas sem otimismo excessivo”, arremata Turra.

Fonte: Ubabef

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Avicultura Alternativas eficientes

Especialista orienta sobre como manter a saúde das aves sem o uso de antibióticos como promotores de crescimento

Coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, Mariano Fernández Miyakawa, diz que existem muitas alternativas em uso e em outras em desenvolvimento que vão em encontro a substituição desse medicamentos.

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Fotos: Arquivo/OP Rural

Usados na avicultura, principalmente, para gerar benefícios na produção, como melhorar o ganho em peso, a conversão alimentar e reduzir a mortalidade, os antibióticos são aplicados na avicultura, porém o uso desses medicamentos vem sendo reduzido gradualmente na produção brasileira. A redução se deve às mudanças na legislação, em razão da resistência antimicrobiana que pode interferir também na saúde humana.

Coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, Mariano Fernández Miyakawa: “A recomendação é usar antibióticos com prudência e apenas medicar animais doentes ou lotes onde a percentagem de animais doentes o justifique, sempre sob a supervisão de um veterinário e com um diagnóstico preciso” – Foto: Divulgação

No entanto, os problemas causados pelo uso excessivo de antibióticos como promotores de crescimento não ser restringem aos humanos. “O desenvolvimento e disseminação da resistência antimicrobiana também terá um impacto negativo na produção animal e na economia mundial”, é o que aponta Mariano Fernández Miyakawa, coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina. O profissional fala sobre as novidades desse tema durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, que aconteceu em abril, em Chapecó (SC).

A prática, segundo Fernández, é totalmente desaconselhada, pois os antibióticos devem ser usados apenas para tratar animais doentes. “Sob essa perspectiva, cada vez mais países estão restringindo seu uso, somado à pressão dos consumidores para poder acessar a carne produzida sem antibióticos, incluindo, sobretudo, os promotores”, relata.

Portanto, reduzir seu uso é considerado fundamental para minimizar o impacto do problema e se adequar à legislação brasileira. Desta forma, a retirada dos antibióticos deu origem à alternativas para como estratégias para substituir os promotores de crescimento.

De acordo com Mariano, a retirada dos antibióticos como promotores de crescimento não causa nenhum problema às aves, “pois há conhecimento, ferramentas e aditivos (alternativas) que em seu resultado global podem até ser superiores ao uso de antibióticos”, afirma.

Para ele, saúde intestinal, como parte da saúde das aves, deve ser mantida com medidas que incluem vacinação eficaz, medidas de biossegurança, densidade adequada do lote e a escolha correta de aditivos. “Muitas vezes essas medidas são difíceis de abordar, ou devido a questões culturais, econômicas ou de gestão/conhecimento. Mas devemos dizer que a saúde intestinal das aves não foi garantida pelos antibióticos promotores”, pois segundo Fernández, há evidências de que os antibióticos poderiam agravar o aparecimento de patógenos cada vez mais virulentos e aumentar sua dispersão e manutenção dentro do sistema. “Portanto, essa mudança de paradigma no uso de alternativas deve ser vista como uma oportunidade para aumentar a eficiência do nosso sistema produtivo a médio e longo prazos”, afirma Fernández.

A saúde intestinal das aves é fundamental, pois é o que permite manter a absorção adequada de nutrientes e uma barreira contra muitos patógenos, um ponto-chave para a eficiência econômica. De acordo com Mariano, também é importante ter um ambiente saudável e manter um desenvolvimento adequado do animal. “Assim, evitamos complicações gerais de saúde, bem como alterações fisiológicas e comportamentais da ave que possam impactar negativamente nessa busca pela eficiência e bem-estar do animal”, ressalta.

Alternativas

Existem muitas alternativas em uso e em outras em desenvolvimento que vão em encontro a substituição desse medicamentos e que podem ser classificados de várias maneiras, mas em geral estão associados a produtos derivados de microrganismos (probióticos, pós-bióticos, peptídeos, etc.); medicamentos, produtos químicos (prebióticos, ácidos, etc.) e enzimas; fitoquímicos (extratos vegetais, óleos essenciais, saponinas, taninos, etc.) e produtos derivados relacionados ao sistema imunológico.

Conforme Fernández, cada um possui características específicas e, embora os mecanismos de ação propostos variem, mesmo entre produtos semelhantes (por exemplo, dois fitoquímicos semelhantes), em geral estão relacionados à modulação da microbiota, efeitos diretos no trato intestinal e na fisiologia do hospedeiro, incluindo o sistema imunológico. “Em algumas alternativas, um mecanismo pode ser mais preponderante que outro, porém temos que considerar que estamos falando de um sistema complexo, que se estabelece entre a microbiota intestinal e a ave, de modo que cada efeito de um lado influenciará o outro”, explica.

Processo de transição

A transição dentro da granja pode ocorrer de maneira rápida e segura, desde que se escolher corretamente as alternativas indicadas para cada sistema produção. No entanto, de acordo com Fernández, o maior desafio muitas vezes está nas pessoas encarregadas de aplicar a mudança, pois ainda existe receio e resistência a essa substituição. “Este medo leva a crer que qualquer situação negativa que surja no sistema de produção é rapidamente associada à substituição, o que pode ameaçar a mudança realizada”, aponta Fernández.

Custo

Considerado o principal “vilão” na produção brasileira de proteína animal, o custo de produção é extremamente debatido e os processos produtivos ajustados para que sejam minimizdos, sem comprometer a produtividade.

Dentro desse atual contexto, qualquer mudança pode ser vista com preocupação pelos produtores, em razão de possíveis encarecimentos do custo de produção.

Entretanto, as alternativas aos promotores de crescimento convencionais não acarretam aumento aos avicultores, segundo Fernández. “Com a oferta de alternativas disponíveis, não deve ser mais caro se a escolha for adequada ao meu sistema”, afirma.

No entanto, conforme Mariano, devemos ter em mente que muitas vezes diferentes alternativas são adicionadas aos alimentos, por diferentes motivos, como cobrir possíveis problemas, que muitas vezes não são necessários. “Isso acaba aumentando o custo do uso dessas alternativas”, menciona.

Por outro lado, o impacto ao longo do tempo, o uso dessas alternativas nos sistemas de produção, acompanhado de outras medidas como vacinação, biossegurança e densidade, devem gerar um sistema mais estável e previsível. “E portanto, menor custo de produção associado a problemas de saúde clínicos e subclínicos”, salienta Fernández.

Alternativas futuras

O desenvolvimento de alternativas vem evoluindo desde os anos 2000, com um forte impulso de pesquisa e desenvolvimento nos últimos anos.

Segundo Fernándes, no início, o foco era muito na capacidade antimicrobiana das alternativas, para depois incluir a ave como alvo de ação das alternativas e depois incluir ambas. “No futuro, talvez mais próximo do que esperamos, teremos alternativas que atuem diretamente nos principais mecanismos que nos permitem estimular o crescimento dos animais e teremos mais uma mudança de paradigma”, ressalta. Embora, conforme ele, a indústria ainda esteja tentando entender quais são esses mecanismos, muito desse conhecimento já se tem e o desafio está em juntar essas peças. “É muito provável que isso também afete a forma como prevenimos a adversidade das doenças infecciosas intestinais, favorecendo uma microbiota robusta e um sistema imunológico ativo”, salienta.

Mas para progredir ainda mais, de acordo com ele, é preciso descrever com mais detalhes a dinâmica das várias microbiotas sob diferentes condições, os metabólitos que são gerados e as vias de comunicação que se estabelecem entre a microbiota gastrointestinal e a ave. “Essas práticas começaram a entender graças ao custo cada vez mais acessível das técnicas de sequenciamento massivo, por exemplo”, sustenta.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Boas práticas de manejo

Jejum pré-abate causa problemas se for muito longo ou muito curto

Hirã Azevedo Gomes orienta sobre como fazer esse processo corretamente, destacando que o principal problema atribuído ao manejo inadequado do período de jejum pré-abate é a contaminação das carcaças durante o processo de abate no frigorífico.

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Fotos: Arquivo/OP Rural

Entre a chegada dos pintainhos na granja até o momento do abate das aves, existe um ciclo de alojamento que corresponde a aproximadamente 45 dias, na maioria dos casos, e as boas práticas de manejo nesse período são primordiais para determinar um desempenho satisfatório do lote até o envio para o frigorífico.

Hirã Azevedo Gomes, Assessor Técnico Latino América na empresa Ilender: “O manejo pré-abate ideal corresponde a aplicação das técnicas que garantam o máximo esvaziamento do trato digestivo das aves, sem afetar negativamente o desempenho, rendimento econômico e o bem-estar animal” – Foto: Divulgação

Embora o manejo pré-abate represente menos de 1% do tempo de vida da ave, segundo o assessor técnico Latino América na Ilender, Hirã Azevedo Gomes, quando não se dá a devida atenção nessa fase, todo o ciclo pode ser comprometido. “Isso impacta negativamente no rendimento e na qualidade física e microbiológica do produto final”, enfatiza.

Gomes fez palestra sobre o tema durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), realizado em abril, no município de Chapecó (SC), para atualizar profissionais do setor sobre temas de interesse atual da cadeia avícola.

Jejum

Conforme Hirã, o principal problema atribuído ao manejo inadequado do período de jejum pré-abate é a contaminação das carcaças durante o processo de abate no frigorífico. “Tanto um período curto demais ou longo demais geram problemas de contaminação”, aponta.

Hirã explica que isso acontece por conta das aves apresentarem intestinos cheios de excretas ou por apresentarem fragilidade intestinal, o que pode resultar no rompimento durante o processamento. Ele cita ainda a relação do jejum perdas zootécnicas e de bem-estar das aves. “Não podemos desconsiderar que o manejo inadequado do jejum gera perdas de peso e descumprimento das normas de bem-estar animal, menciona.

Se a retirada da ração acontecer prematuramente, ou seja, um longo período em jejum, a consequência será a perda de peso das aves e fragilização dos intestinos, devido ao excessivo esvaziamento, é o que explica Gomes. “Isso gera perdas econômicas, desconforto para a ave e elevação da contaminação na indústria por rompimento dos intestinos extravasando fezes durante o processo de abate”, ressalta o especialista.

A prática é regulamentada pela legislação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pelas normas de bem-estar animal, e determina que as aves não devem ser submetidas a período total acima de 12 horas de jejum, limite aceitável para não estar em desacordo a esta legislação. Sabe-se que a execução do correto manejo pré-abate possibilita o manejo com período total de jejum médio próximo a 08 horas. “Estas práticas nos garantem melhor bem-estar, menos perdas de qualidade e econômicas” destaca.

Condenadas

Segundo o Mapa, as carcaças ou partes com evidências de contaminação por fezes devem ser condenadas, ou seja, não serão consideradas aptas ao consumo e devem ser descartadas. Tal medida afeta diretamente o custo final do produto, pois acarretou todo o custo de produção até o final do processo e não pode ser comercializada.

Ainda, segundo o profissional, o jejum pré-abate não afeta somente a condenação por contaminação, mas também pode estar envolvido índices de contaminação microbiológica da indústria e seus produtos. Uma vez que a ave é submetida a período longo de jejum vai, sem dúvida, comer cama de aviário para saciar a fome, potencializando a carga bacteriana em seu sistema digestivo. “Na indústria, caso ocorra o rompimento do inglúvio e intestinos durante o processo, o conteúdo é exposto, incrementando a carga microbiológica do sistema”, salienta Gomes.

Jejum hídrico

As aves devem ter acesso a água de qualidade por todo o tempo que estiverem na granja e a retirada da água deve iniciar somente no momento que se inicia o carregamento das aves. “Esse tempo vai variar conforme o tempo de apanha, transporte e espera no frigorífico. Ideal que estas 3 etapas sejam executadas em menor tempo possível, para evitar perdas e desconforto as aves”, salienta.

Tecnologias a favor

O avanço tecnológico dos sistemas de climatização dos galpões nos últimos anos contribuiu de maneira contundente na cadeia produtiva da avicultura e se tornou uma das principais ferramentas para todo ciclo de produção, inclusive, para o processo de jejum. O fato de garantir o bem-estar dos animais permite que as aves estabeleçam um padrão de consumo de alimento e água durante toda sua vida e a padronização do manejo pré-abate.

De acordo com Gomes, as variações do ambiente são facilmente percebidas pelas aves e fazem com que elas alterem seu comportamento para adaptação ao ambiente inadequado. “Esta compensação na maioria das vezes é feita por alteração nos consumos para mais ou para menos”, explica Hirã.

Manejo da apanha

A expressão “comer com os olhos” na culinária representa o poder que uma boa apresentação dos pratos proporciona, e a visão é o primeiro sentido estimulado que aguça a vontade de degustar a refeição.

Apanha das aves é crucial para a aparência do produto final dentro do supermercado

Essa estratégia vale também para os alimentos expostos nas gôndolas dos supermercados. A aparência dos cortes é importante para atrair o consumidor, e de acordo com Gomes, o manejo da apanha está diretamente relacionado a qualidade visual do produto no supermercado, “o que realmente o cliente final observa e leva em consideração ao fidelizar-se com uma marca”, destaca Gomes.

Conforme ele, a etapa de carregamento se apresenta decisiva nesse contexto, uma vez que no Brasil este processo acontece de forma totalmente manual. “Nesse sentido, a gestão de pessoa passa a ser o maior desafio. Capacitação, melhoria das condições de trabalho e caminhões que facilitam o processo de carregamento passaram a ser o grande desafio no cenário atual”, aponta.

Material humano

Por mais que se tenha os melhores equipamentos e infraestrutura em uma granja, há uma peça indispensável que faz todas as outras se tornarem secundárias: as pessoas. São elas as responsáveis pelo refinamento das atividades cotidianas, e somente eles, os colaboradores, são capazes de detectar falhas para posteriormente corrigi-las.

A atenção, dedicação, conhecimento e principalmente o comprometimento das pessoas envolvidas no sistema de criação será um diferencial para alcançar a máxima produtividade do aviário.

Segundo Hirã, o conhecimento e comprometimento do produtor em realizar o correto manejo, no horaria definido, e manter o ambiente adequado até o último instante de permanência das aves em sua propriedade é fundamental. “100% das aves ao final do ciclo de criação literalmente passam pelas mãos de pessoas, uma por uma, sendo definido naquele curto momento o índice de qualidade visual do produto a chegar na mesa do consumidor”. E arremata: “a extensão rural e gestão de pessoas devem caminhar ao lado do avanço da tecnologia para que o sucesso seja garantido”.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Consumo de proteína animal

Osler Desouzart afirma que frango não perde mais posição de carne mais consumida no mundo

Para o especialista, a guerra na Ucrânia vai encarecer os preços dos alimentos, mas o consumo de proteína animal, encabeçado pelo frango, só vai aumentar nas próximas décadas. Polêmico, por vezes irônico, mas sempre cirúrgico, Osler faz uma ampla reflexão sobre o setor de carnes. Confira!

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Osler Desouzart, um dos grandes palestrantes do agronegócio brasileiro - Foto: Divulgação

O Presente Rural conversou com Osler Desouzart, que palestrou sobre o cenário de carnes no mundo durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, realizado em abril na cidade de Chapecó (SC). Osler é membro da Diretoria Consultiva do World Agricultural Forum, membro da equipe do The Sustainable Food Laboratory e CEO da OD Consulting. Para ele, a guerra na Ucrânia vai encarecer os preços dos alimentos, mas o consumo de proteína animal, encabeçado pelo frango, só vai aumentar nas próximas décadas. Polêmico, por vezes irônico, mas sempre cirúrgico, Osler faz uma ampla reflexão sobre o setor de carnes.

O Presente Rural – Fale sobre o atual mercado das carnes no mundo e como o senhor avalia esse cenário?

Osler Desouzart O agronegócio foi dos poucos setores que no meio dos lockdowns não deixou de fazer sua parte. Não faltou comida e as exportações da agropecuária brasileira cresceram. Além da pandemia, e a inevitável recessão econômica gerada pelos lockdowns, enfrentamos um outro tsunami – a FSA na China em agosto de 2018 – maior produtor e consumidor mundial de carne suína – de onde se expandiu para a Ásia e daí para a Europa.

A FSA na China obrigou ao sacrifício de cerca de 174 milhões de cabeças de um rebanho de 447 milhões. Isso gerou um déficit de 10 milhões de toneladas no abastecimento chinês de carnes e o país buscou diminuir o impacto através da importação de todos os tipos de carnes, incluindo o frango e a carne bovina.

O mercado mundial de carnes virou de cabeça para baixo. Como podemos observar na tabela 1, a produção de carnes, que crescia anualmente entre 6,5 e 7 milhões de toneladas, sofre queda em 2019, tem aumento pífio em 2020 e somente em 2021 ultrapassou o volume produzido em 2018.

Tabela 1 – Elaborado por ODConsulting com base em dados de FAO. 2021. Food Outlook – Biannual Report on Global Food Markets. Food Outlook, November 2021. Rome.

Verifiquem que a diminuição de produção se centra na carne de porco, com as demais carnes crescendo sendo que a de aves consolida uma liderança que não mais perderá.

Interessante observar que o comércio internacional de carnes conhece um crescimento sem precedentes e o eixo de demanda muda para a Ásia, que nos próximos 10 anos responderá por 62% do aumento da demanda por carnes.

O Presente Rural – Qual a produção e consumo da carne bovina, suína e de aves?

Osler Desouzart – A tabela 1 dá uma dimensão da produção das principais carnes no mundo, mas o mundo come vários tipos de carnes e o gráfico 1, onde verificamos quantos países produzem algum tipo de carne para consumo.

O Presente Rural – A guerra na Ucrânia pode interferir no cenário de produção e consumo de carnes no mundo?

Osler Desouzart – Mesmo que essa guerra não evolua para nível mundial, afetará os preços de uma forma impensável. Petróleo e seus derivados escalarão picos inéditos, fretes internacionais conhecerão níveis recorde, assim como alimentos. O Brasil é o 3º maior produtor mundial de alimentos, 2º maior exportador e 4º maior consumidor. Somos autossuficientes, mas somos inteiramente dependentes da importação de fertilizantes, que representam um dos principais custos de produção até na carne.

Acrescentem a isso que Rússia é o 4º produtor e 2º maior exportador mundial de trigo. E a Ucrânia o 4º maior exportador. Breve, preparem-se para pagar mais pelo pãozinho do café da manhã, pela macarronada e pela amada pizza.

A Ucrânia é considerada a “food basket” da Europa. Prestei serviços a um grupo ucraniano por 18 meses, período em que fiz umas 10 viagens àquele país. Saindo de Kiev na direção sul as terras são negras e quando se apanha um punhado e a cheira verifica a quantidade de vida que ela embute.  A áreas planas dessas terras férteis permitem duas colheitas anuais (o inverno não é tão intenso quanto o da Rússia, mas é severo).

O país tem tradição de produzir trigo, milho, girassol e outros cereais grãos susceptíveis de serem usados em alimentação humana e animal. Com uma produção 42 MM t o país é o 6º maior produtor de milho e é o 4º maior exportador.

 

 

 

 

 

 

Em resumo, preparem-se para que o milho experimente novas altas. Petróleo, fretes nacionais e internacionais, alimentos subirão a ponto de provocar uma nova recessão econômica mundial, exatamente quando o mundo saia daquela do “fique em casa, o importante é salvar vidas, assim que 65% da população estiver vacinada a pandemia cessa, etc.” Por favor não me interpretem mal. Defendo ciência e estou com muita confiança que a 29ª dose da vacina resolverá o problema.

Breve, piores momentos para o mundo e com o peso sempre sendo arcado pelos menos favorecidos. Será que os filhos do Putin tinham que armar essa excreta justamente agora?

O candidato Ciro Gomes falou que a recente visita oficial do Bolsonaro à Rússia não passava de turismo. Talvez alguém possa informar a essa excelência que o Brasil – país potência do agronegócio que ele pretende presidir – consome em média 40 milhões de toneladas de fertilizantes, dos quais 85% são importados, sendo que a Rússia foi responsável por 22% de todo o fertilizantes importados pelo Brasil.

As figuras abaixo foram gentilmente cedidas por um dos papas em termos de fertilizantes, Paulo Junior, amigo e diretor da Timac Agro, no evento MT Beef, onde apresentamos conferências.

 

Citarei o professor Delfim Netto ao dizer que à luz desses dados e fatos “até os cegos bem-intencionados” conseguem ver a importância da Rússia para o agronegócio brasileiro. Em 11 de março, enquanto trabalhava nessa resposta, o governo, quando a Ministra Tereza Agricultura (como é bom ter na pasta da Agricultura alguém do ramo) e o Ministro Paulo Guedes anunciaram o Plano Nacional de Fertilizantes.

Como podem bem ver aquela excelência, palavra mui similar a excrescência, não conseguiu ver, mesmo não sendo cego, o que deixa a hipótese de não estar bem-intencionado.

O Presente Rural – A inflação no mundo causada pela pandemia e outros fatores pode interferir no consumo de carnes no Brasil e no mundo?

Osler Desouzart – Para desespero e horror dos novos evangelistas escreverei uma blasfêmia: + renda = + carnes.  Esse afirmação é válida até que a renda do indivíduo alcance o equivalente a US$ 54 por dia, o que em geral reduz os gastos de alimentação para menos de 20% do orçamento das despesas domésticas. A partir de então o indivíduo fica susceptível a comer conceitos.

Estudo dados de 204 países e tal ocorre em pelo menos 202 desses países. Mais dinheiro no bolso representa mais produtos de origem animal na dieta, principalmente carnes. Permitam-me que eu embase essa afirmação com dois slides de uma conferência que fiz em janeiro deste ano em Atlanta, no evento La Cumbre Latinoamericana de Avicultura – IPPE, organizado pelo USPoultry.

E perdoem-me que não busque as versões em português, pois tenho vários clientes querendo me crucificar com trabalhos “para ontem”. E aos novos evangelistas que pregam que o mundo caminha para comer menos carnes, pergunto: em qual mundo? Pois no que conheço mais renda é igual a mais carne na dieta. O aumento da ingesta de calorias a nível mundial tem como vetor do crescimento os produtos de origem animal e não os de origem de vegetal.

Ilustro como exemplo do Planeta China minha afirmação e poderiam trazer uma centena de exemplos semelhantes.

Isso exposto, não poderia ser diferente com a recessão provocada pela inépcia do dilmanomics (2015 e 2016) e pelos lockdowns em 2019 e 2020. E quando começamos a ver a luz do túnel em 2021 aparecem os filhos do Putin para lançar o mundo em uma nova e grave recessão.

O Presente Rural – Qual a tendência para o consumo de carnes no mundo e qual o papel do frango nesse contexto?

Osler Desouzart – Fácil. Vai crescer e seguirá crescendo, com a carne de frango ocupando uma liderança que não perderá mais. A razão é simples – a carne de frango é a que exige menos recursos naturais para sua produção, principalmente água e terra arável.

O Presente Rural – Em relação aos produtores, quais são seus desafios atuais e quais devem ser seus desafios futuros?

Osler Desouzart – Sobreviver e melhor logrará aquele que “caçar em manada e defender-se em manada”. Numa atividade em que não dominas 65% dos teus custos (grãos) a possibilidade de sobreviver como independente é quase nula. A manada moderna são as cooperativas, as empresas integradoras e as produções sob contrato. Aprendam a aprender e tragam aliados para sua trincheira. Num mundo global não dá mais para bancar o super-herói e lutar sozinho. Teus aliados são teus fornecedores que querem teu crescimento para que também eles possam crescer, assim como tua cooperativa, a agroindústria e teu contratante.

O Presente Rural – Ainda em relação aos produtores, quais são as oportunidades para o futuro?

Osler Desouzart – Fui contratado há muitos anos por uma empresa norte-americana de investimentos. Um de seus executivos disse que as empresas de carnes tinham um lucro operacional de 3% ou (eles adoram essa abreviatura) um ebitda de 9 a 13%. Em seguida me mostrou seu telefone celular e disse que aquele segmento apresentava ebitda duas a três vezes maiores. Pediu-me então um único argumento que justificasse investir em empresas de carnes. Pedi-lhe para ver seu telefone que naturalmente devia ser um Iphone moderníssimo. Não sei qual, pois como eles lançam um a cada 11 meses não consigo distinguir um do outro. Sou um primata que usa o celular para falar no telefone, enviar SMS, ver e-mails, mas por favor não me enviem estudos para serem lidos naquela telinha liliputiana e nem que eu responda usando aquele teclado menor ainda.

Fingi examinar o telefone com atenção e em seguida perguntei: Você acha que ainda se usará celulares em 2050? E respondeu que seguramente não. E aí comentei que “em 2050 as pessoas continuariam comendo carnes”? Respondeu-me que sim. Calei-me, pois, uma coisa que aprendi é que se lograste a venda, fique em silêncio ou acabas comprando de volta.

Aos produtores digo: vocês estão no negócio certo e no país certo para esse tipo de negócio. Sobrevivam, pois de tempos em tempos ele permite que se lave a égua.

O Presente Rural – O agronegócio está cada vez mais digital, usando tecnologia para produzir mais e melhor. Nesse cenário, para onde os produtores de carne devem mirar?

Osler Desouzart – Para frente. Aquela conversa do eu sempre fiz assim já provocou o fechamento de muita gente. Adoto o socrático “Sei que não sei” e me permito inclusive complementar que sei que o que sei não é suficiente. O que determina o futuro é a capacidade de cada um saber mais que seu concorrente e aplicar o conhecimento mais rápido que ele.

O Presente Rural – Fale a respeito do status sanitário para a produção de carnes e situe os principais produtores mundiais e o Brasil neste contexto.

Osler Desouzart – Fiz uma conferência recentemente sobre esse assunto, onde pediam-me que discutisse a questão: regulação global, regional e nacional, status sanitário etc.:  aplicabilidade ou restrição? Argumentei que há vários tipos de exigências.

1.    Autênticas, traduzindo a evolução das demandas dos consumidores ou valores de sustentabilidade;

2.    Sanitária, visando garantir a integridade da saúde dos rebanhos em uma realidade de mercado global que inclui a rua onde você mora;

3.    Pseudo-sanitário, formas de protecionismo vestidas com a pureza branca da defesa da saúde dos rebanhos ou dos consumidores;

4.    Restrições, consagrando o princípio secular eternamente novo de que “quem pode fazer mais, chora menos”.

A América Latina, capitaneada pelo Brasil, vem ganhando espaço na oferta global de carne de frango, deslocando sobretudo a Europa, que dominou o mercado internacional até a década de 1990. É óbvio que não estão felizes. Somos uma potência do agronegócio situada num país que não conta internacionalmente. Porque fazer concessões ao Brasil se não ameaçamos ninguém, se respeitamos o acordo de não proliferação de armas nucleares, se não invadimos ninguém e nos comportamos? Tenho uma colega que diz com muita razão: só te respeitam na proporção do mal que podes causar. Porque dar doces ao menino comportado já que ele se comporta? A todos, concessões; ao Brasil, acusações e restrições.

As exigências mudam, principalmente quando já foram cumpridas: livre de antibióticos (b.), livre de OGM (d.), ética (???), e a atual, em pleno vigor, a nobre defesa do meio ambiente.

Como sabem, o culpado da situação climática são os bovinos e o Brasil, já que a Europa está fazendo a sua parte, apesar de gerar sua energia a partir de matérias primas altamente poluentes, como o carvão. Por falar nisso, o preço internacional do carvão subiu desde que o Putin se colocou no papel de salvar a Ucrânia da nazificação, já que como Hitler, o presidente ucraniano invade seus vizinhos em guerras de conquista, não respeita tratados, faz ameaças se não fizerem o que ele quer, outras típicas de um ditador nazista e mente horrores como… Ia citar um mentiroso maior no Brasil, mas não consegui pensar em nenhum, pois aqui tem gente mais honesta que Jesus Cristo.

O Presente Rural – Veganismo, vegetarianismo, flexitarianismo, carne de laboratório, carne vegetal, entre outras situações. Como isso interfere no mercado mundial de carnes?

Osler Desouzart – Os “ismos” são os novos evangelistas, com um toque de Inquisição Espanhola. Não se conformam em comer suas alfaces e nos deixar comer nossos churrascos em paz. Querem que o mundo se conforme democraticamente ao que pensam.

A coisa que mais adoro é quando citam números. Num debate ouvi, “18% dos brasileiros são vegetarianos”. Imediatamente pedi a palavra e fingindo olhar um tablet disse: “há um erro na sua planilha que o fez chegar aos 18%. O resultado real é 12,6%”. Continuou e interrompi de novo: “perdão, mas encontrei novo erro na planilha, e o resultados é agora de um dígito”. Infelizmente ele não caiu na armadilha de dizer que os valores que citava não vinham de uma planilha.

Há um estudo que estima o número de “ativistas alimentares” em 3%. Esse percentual faz com que não sejam uma tendência maior. Não são o leito do rio principal que é o “mais renda igual a mais consumo de carnes”. São um pequeno afluente desse rio, assim como a dieta a base de insetos e outras coisitas mais.

A foto abaixo tirada num supermercado de país rico (+US$ 54/dia) durante um período de desabastecimento mostra o inegável êxito desses “ismos”.

Fontes alternativas em prateleira de supermercado durante desabastecimento de proteína animal – Foto: Arquivo/Divulgação

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Fonte: O Presente Rural
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