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Suínos / Peixes Produção

Quanto perdemos em produção animal por fornecer água de má qualidade?

Impacto da qualidade da água reflete mais na produção e saúde animal do que na manutenção econômica da atividade

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Eder S. Brandeburgo, doutor, médico veterinário e gerente Técnico da MS Schippers

Estamos vivendo um forte apelo mundial para a redução imediata dos níveis do uso de antibióticos na produção animal, levando-nos a uma busca da excelência na biosseguridade e administração frequente de aditivos zootécnicos, tais como: ácidos orgânicos, óleos essenciais e probióticos, nas granjas de suínos e aves, no entanto tem-se negligenciado a água de bebida como um dos potenciais pilares de melhoria neste importante processo de segurança alimentar e ambiental.

Dos nutrientes ingeridos diariamente pelos animais em uma granja de suínos 70% é água e 30% ração. Para termos uma ideia de volume hídrico, uma suinocultura com 100 matrizes em sistema de criação de ciclo completo, portanto maternidade, creche e terminação, ao longo do ano consomem cerca de 260.000 litros de água de bebida. No entanto quando consideramos o aspecto financeiro, este volume de água consumida representa menos de 1% do custo total de produção, contra 70% da ração, por tanto o impacto da qualidade deste importante nutriente reflete mais na produção e saúde animal do que na manutenção econômica da atividade.

Diversos são os fatores que podem afetar o consumo adequado de água pelos animais, os quais podemos destacar: qualidade da água, quantidade de ração ingerida, vazão e pressão do sistema hidráulico, temperatura de ambiente, ocorrência de doenças, entre outros.

No tocante á qualidade de água de bebida, duas ações de monitoramento são as bases para um programa eficiente, sendo a primeira a realização de análises laboratoriais, e a outra, o acompanhamento do nível de limpeza da tubulação.

Quando avaliamos o sistema de abastecimento de água de uma granja precisamos observar diversos pontos, onde podemos destacar: o uso de aditivos, principalmente os antibióticos, fundos cegos, diâmetros e materiais do encanamento, pois estes pontos favorecem o acumulo de matéria orgânica e a elevação da temperatura da água. Estes elementos são fundamentais para a formação e aumento do biofilme microbiológico nas paredes da tubulação, com presença de bactérias altamente patogênica, tais como: Escherichia coli, Salmonella typhimurium, Staphylococcus aureus, Vibrio cholerae, entre outras, no entanto também estão presentes fungos (ex.: Aspergillus SPP e Penicillium SPP), leveduras e protozoários.

Figura 1: Ilustração de sistema de distribuição de água de bebida em granja de suínos

 

Problemas

Temos observado com frequência no Brasil, que as granjas têm utilizado fontes naturais de água para o consumo animal com excelente qualidade físico-química e microbiológica, comprovadas através de análise laboratorial, no entanto as amostras de água coletadas nos bebedouros dos animais apresentam-se comprometidas na qualidade microbiológica com presença ou aumento na contagem de bactérias heterotróficas, coliformes totais e Escherichia coli, quando comparada a fonte.

A literatura vem demostrando exaustivamente que a E. coli está entre os dois principais problemas patológicos da produção animal, com o agravante de apresentar de cepas multirresistência aos antimicrobianos.

A água contaminada pode levar, além da diminuição do seu consumo, a menor ingesta de alimento, causar redução da resistência imunológica, perda de produtividade, ineficiência de vacinas, medicamentos e suplementos, e formação de biofilme na tubulação.

Tubulação exclusiva para fornecimento de antibiótico via água de bebida com alta formação de biofilme

Tubulação para fornecimento de água de bebida com formação de biofilme

Tubulação limpa para fornecimento de água de bebida

 

Inimigo silencioso

Podemos notar em algumas situações, a alta formação de biofilme na tubulação de fornecimento de água de bebida aos animais, principalmente na de uso exclusivo para administração de antibióticos.

Em muitos aspectos o biofilme é um inimigo silencioso, pois não é diretamente visível, pode inativar aditivos zootécnicos, tem crescimento microbiológico rápido e descontrolado, contaminando a água de bebida, consequentemente aumentando a carga de microrganismos patogênico no trato gastrointestinal dos animais que a consumem. Estudos tem apontado a má qualidade da água como o fator determinante de altas incidências de problemas patológicos, mas principalmente: diarreias na maternidade e creche, cistites, nefrites, disfunções reprodutivas e síndrome MMA.

Podemos concluir que existe uma alta relação da qualidade da água, com a limpeza da tubulação, índice de doenças patogênicas e, consequentemente, ao uso de antibióticos na produção animal. Estamos certos que ferramentas como o Dióxido de cloro, que realiza a remoção do biofilme da tubulação e eliminação dos patógenos da água de bebida, fornecem condição favorável ao melhor desempenho zootécnico e saúde animal, e consequentemente retorno econômico para a atividade e segurança alimentar ao consumo.

Eder S. Brandeburgo

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Piscicultura

Intensificação na produção de peixes deve respeitar limite do ambiente

Apesar de ser uma tendência na piscicultura, é preciso que o produtor tenha muita atenção na produção para não ter problemas futuros

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Arquivo/OP Rural

A piscicultura é uma atividade que vem ganhando cada vez mais notoriedade. Cada vez mais produtores, empresas e cooperativas se interessam pela produção. Assim, a quantidade produzida ao longo dos anos vem crescendo no Brasil. Especialmente no Oeste do Paraná, principal polo produtor da tilápia no país, a piscicultura vem ganhando cada vez mais espaço nas propriedades rurais. Os bons resultados fazem com que os produtores busquem mais desempenho.

Com esta ânsia de melhores resultados, alinhada à boa genética e nutrição de qualidade, a piscicultura tem ido pelo mesmo caminho que outro setores, utilizando o mesmo espaço para a criação de mais animais. Porém, a intensificação nesta atividade pode causar muitos problemas para o produtor que não tomar todos os cuidados necessários ao longo de toda a produção. “Como medimos a intensificação? É a quantidade de animais por metro quadrado, quanto mais animais, mais intensificado, mas também maior o uso de ração e melhor deve ser a qualidade da água”, explica o engenheiro de pesca Arcangelo Augusto Signor, do Instituto Federal do Paraná (IFPR). O profissional falou sobre o assunto com piscicultores durante o 1° Fórum de Piscicultura das Cooperativas Paranaenses, que aconteceu em junho em Toledo, no Oeste do Estado.

Um dos pontos cruciais para uma boa produção, de acordo com o profissional, é a qualidade da água. “Vamos produzir peixe? Então precisamos cultivar água. Porque se a água não estiver boa, não vai ter um peixe bom. Eu posso ter a melhor tecnologia, melhor ração ou genética, mas se a minha água é ruim, eu vou ter um peixe ruim”, afirma. Porém destaca que o contrário é fato: o piscicultor pode ter uma água boa e um peixe ruim. “Isso porque o peixe pode ter problemas com doença ou outras diversas questões”, comenta.

Signor chama ainda a atenção do piscicultor quanto ao modelo e forma de produção que será feito. “As condições variam muito de uma propriedade para outra. Não adianta pegar o modelo de produção X porque ele funcionou em algum lugar, porque é algo que pode dar certo ou pode dar muito errado. Isso porque existe a variação de solo, de água e de conhecimento do produtor quanto à produção”, informa. “É o produtor que precisa conhecer as interações que acontecem dentro da sua propriedade e do sistema de criação, porque o técnico pode ser o mesmo nas duas produções, mas ele não está todo dia lá, como o produtor está”, completa.

Estes detalhes são importantes uma vez que a intensificação que está acontecendo nas propriedades pode trazer problemas ao piscicultor. Um dos problemas mais comuns, segundo Signor, é de sanidade. Ele destaca que é necessário lembrar que produtividade é diferente de lucratividade. “O custo de energia elétrica, por exemplo, sobe muito, porque quem usa bombeamento ou a areação tem os custos da energia lá em cima. Será que é viável continuar intensificando com o aumento dos custos? É preciso avaliar isso”, alerta.

Segundo o engenheiro de pesca, é preciso que o produtor estabeleça limites de produção, além de conhecer a capacidade de suporte da propriedade, do ambiente e do tanque. “Sabemos que a intensificação em determinado produtor pode ser de oito peixes por metro quadrado, mas em outro pode ser diferente, sendo menos ou mais. Além do mais, é muito importante ter conhecimento da disponibilidade de água na propriedade”, conta. O profissional alerta que o aumento da densidade acaba aumentando outros quesitos, como o uso de água, areação, descarga de efluentes, uso de medicamentos, a possibilidade de desencadear alguma doença e o aumento da conversão alimentar.

Estratégias de produção

A produção da piscicultura é como uma engrenagem, depende como o produtor atuar ela vai rodar para um lado ou para o outro, diz Signor. “Por isso, é preciso que o piscicultor tenha o conhecimento técnico mínimo para atuar, desenvolvendo uma estratégia de produção, e tenha infraestrutura”, afirma. Ele acrescenta que o que mais influencia no crescimento da produção é a qualidade da água, que está relacionada ao manejo. “Conforme o piscicultor vai tendo estratégias, a produção vai se encaminhando de determinada forma”, conta.

Algo essencial, de acordo com o engenheiro de pesca, é que o produtor precisa buscar o equilíbrio na propriedade. “Porque é isso que determina se ele terá lucro ou prejuízo”, avalia. E algo em que o piscicultor deve se atentar é na capacidade de suporte da sua propriedade. “E o que é isso? É o máximo que aquele ambiente pode suportar, e isso varia em relação a ração, quantidade e qualidade de água, manejo e equipamentos”, informa. O profissional ainda aconselha que seria adequado o piscicultor produzir um pouco abaixo da sua capacidade de suporte. “A capacidade é o máximo que aquele ambiente pode suportar. Quando eu atinjo essa capacidade, o crescimento passa a ser nulo. Por isso é muito importante conhecermos essa informação”, afirma.

Bom manejo é essencial

Segundo Signor, o grande desafio do produtor é entender as interações que acontecem na propriedade e tomar as decisões mais assertivas. “Em muitos locais temos produtores muito capacitados. Porém, tem muita gente entrando na piscicultura porque acha que é “moda”, que é fácil. Por isso entender da atividade e as capacitações são tão importantes”, comenta.

O profissional ainda acrescenta que dois pontos essenciais que o piscicultor não pode esquecer estão relacionados à sanidade e enfermidades. “Algo que devemos começar a fazer no ambiente aquático é o vazio sanitário. Porque, se não fizer, podemos levar o problema de um cultivo para o outro. Para não ter problemas com patógenos e doenças, a solução mais fácil é prevenir”, diz. Prevenir, cita Signor, é oferecer uma nutrição adequada e boa qualidade água. “Patógenos estão no meio, devemos aprender a conviver com eles. Mas, peixes saudáveis, alimentados com ração que atenda as exigências, em uma água de qualidade e que tem um manejo adequado, os impactos são bastante reduzidos”, expõe.

Outro ponto importante que o produtor deve fazer é ter o controle de seus viveiros. “É preciso controlar as séries históricas de cada um deles. Estamos fazendo isso? Por exemplo: meu viveiro um deu problema há dois anos, o viveiro três tem um comportamento diferente do dois. É preciso fazer estas anotações para sabermos o que acontece em cada um para saber como agir se acontecer algum problema, além de saber se prevenir”, alerta.

Signor destaca que é imprescindível que o piscicultor cultive primeiro a água para depois somente cultivar o peixe. “Precisamos saber tratar da água, porque ele é o bem mais precioso para o produtor. O peixe vive lá, por isso precisamos cultivá-la, porque se ela estiver ruim, eu vou ter um peixe ruim”, assegura.

Para o engenheiro de pesca, é preciso que o piscicultor mantenha o equilíbrio entre todas as questões que envolvem a atividade: qualidade de água e de produtividade, nutrição, atenção às doenças, boas práticas de manejo e bom planejamento no começo da produção. “São pontos fundamentais”, assegura. Outra boa estratégia que deve ser utilizada é uma análise sobre o que deu certo e o que não deu após a despesca de cada lote. “As vezes em um tanque aconteceu surtos de problemas. Analisando, o produtor entende o que aconteceu e busca as melhores soluções para não dar problema nos próximos”, diz.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Custo x benefício

Segregar leitões em categorias de peso pode ser injustificável, sustenta especialista

Até o momento, não há comprovações científicas de que alta homogeneidade de peso em baias ao alojamento resulte em baixa variação e/ou melhor performance nas fases de creche e terminação

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Acervo Pessoal

Segregar leitões por peso no alojamento de creche e terminação é uma prática amplamente utilizada na suinocultura global. O principal objetivo deste manejo é reduzir a variação de peso do lote de animais ao final de cada fase. Nas últimas duas décadas, a produção de suínos intensificou o foco em estratégias para aumentar a homogeneidade de peso final dos animais ao abate. Muito desse esforço em consequência de ganhos com um padrão de cortes e produtos, mas também com uma possível associação com melhoria de performance zootécnica. Neste cenário, o manejo de segregação de leitões por peso ao alojamento surgiu como uma prática que supostamente auxiliaria no atingimento de maior uniformidade e também melhor desempenho dos animais. No entanto, é importante considerar que este manejo demanda tempo e é exaustivo para os funcionários, especialmente em granjas que praticam mais de um desmame por semana. Até o momento, não há comprovações científicas de que alta homogeneidade de peso em baias ao alojamento resulte em baixa variação e/ou melhor performance nas fases de creche e terminação.

As afirmações são do médico veterinário Jamil Elias Ghiggi Faccin, mestre em estratégias de manejo para maximizar desempenho na fase de creche e doutorando da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade do Estado do Kansas, nos Estados Unidos. Faccin explicou em palestra os desafios e benefícios na segregação de leitões durante o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, que aconteceu em agosto, em Chapecó, SC.

“A tentativa de minimizar a variabilidade de peso de um lote de animais tem como base a melhoria de performance de uma fração de leitões com menor peso. Porém, dos raros estudos que comprovaram a possibilidade de se reduzir o coeficiente de variação de peso final de um lote, somente através do manejo de abate segregado a redução foi possível. Vale salientar que este manejo é realizado nas últimas três semanas de terminação. Diversos estudos foram realizados com o intuito de melhorar a performance de leitões de menor peso e, consequentemente, reduzir a variação de peso. Nesses trabalhos foram testadas diferentes estratégias nutricionais e/ou de manejo para esta classe de leitões na fase de creche. Na maioria dos trabalhos, os autores são categóricos em afirmar que enquanto o tratamento em questão esteve presente, por exemplo, uso de sucedâneo lácteo nas primeiras semanas pós-desmame, foi possível observar melhor performance dos leitões pequenos. No entanto, os autores enfatizam ainda que após o término do fornecimento do tratamento, a diferença de peso não se sustenta e, em poucas semanas, leitões pequenos expostos a um suplemento/manejo especial já não apresentam performance equivalente. Estudos similares utilizaram tratamentos relacionados ao uso de dietas complexas, antimicrobianos, densidade, espaço de comedouro, entre outros, com resultados se comportando de maneira semelhante ao discutido”, aponta o especialista.

“Devido à dificuldade de se reduzir a variação de peso final ou melhorar o desempenho de leitões leves, cabe salientar que todo investimento realizado na fase de creche, seja em estrutura, manejo ou nutrição, deve atingir o breakeven nesta mesma fase. Considerar que a multiplicação dos pesos ocorrerá na terminação para justificar tal investimento pode ser um equívoco. Diante disso, os sistemas têm dado cada vez mais importância à taxa de mortalidade e de leitões descarte, e não somente ao desempenho zootécnico. É neste contexto que a segregação de leitões por categorias de peso ao desmame e outras práticas devem ser avaliadas na creche, como ferramentas para melhoria da sobrevivência e não propriamente de aumento de ganho de peso e/ou redução da sua variação”, defende Faccin.

De acordo com ele, aprimorar os conhecimentos nesse tema é importante por vários motivos. “A variabilidade de peso de um grupo de animais é muito importante e pouco manipulável. Muito praticado nos EUA e pouco no Brasil, a remuneração por atingimento de “janelas” de peso ao abate faz com que o tema esteja sempre em voga. Porém, o manejo de segregar os leitões por peso, ao alojamento, seja em creche ou terminação, não reduz a variabilidade de peso final e em alguns estudos em granjas comerciais, até pioram a performance geral do lote. Especificamente na creche, os primeiros dias pós-desmame são bastante impactantes na vida do leitão. Portanto, uma segregação mínima de até 15% de leitões pequenos e que não apresentam sinais de consumo de ração/água é recomendada. No entanto, segregar todo o lote em categorias de peso tende a gerar mais brigas, não interferir na performance e variabilidade de peso final e, o que julgo como maior prejuízo, desperdício do tempo da mão-de-obra priorizando uma ação que não é imprescindível que ocorra ainda mais em um momento de alto estresse para o suíno”, sugere.

As práticas que, comprovadamente resultam em uma menor variação de peso ao abate, destaca o profissional, são o aumento a idade de desmame e o manejo de abate segregado, e não a segregação por peso ao alojamento.

Mas há benefícios?

Para o professor, a segregação proporciona “benefícios relacionados à logística de carregamento e envio dos leitões à terminação em situações específicas”. “Obviamente que em creches muito grandes que abastecem muitas terminações, o fato de os leitões mais pesados já estarem separados ajuda na transferência. Porém, cada sistema deve avaliar se realmente há vantagens avaliando o resultado como um todo, do desmame até o abate, e também avaliar como o sistema remunera o produtor de creche. O fato de reduzir a amplitude de idades no momento do desmame, aumentando o número de desmames semanais, tem ajudado a reduzir a variação de peso na entrada de creche.

Para o profissional, “o manejo de simplesmente segregar os leitões por peso com o objetivo de reduzir o coeficiente de variação do peso final ou melhorar performance já foi comprovado cientificamente que é um paradigma quebrado”. No entanto, emenda, “a indústria tem focado em segregar os leitões por peso e ofertar ou manejo ou suplemento adicional à classe de leitões leves. Matematicamente é a maneira mais cabível de se reduzir a variação de peso final, aumentando o peso dos mais leves. Porém, diversos estudos com intervenções de manejo, uso de antimicrobianos, aditivos ou maior complexidade da dieta para esta classe melhora o ganho de peso enquanto esta ação “extra” estiver presente, porém, ao cessar esta intervenção, os leitões leves atingem o mesmo peso de seus pares não submetidos a este manejo/suplemento. Com isso, podemos concluir que manejos especiais para leitões leves devem ser implementados somente se houver comprovação de redução de perdas por refugagem ou mortalidade”.

Usual

Ainda segundo o especialista, muitas empresas recomendam seus técnicos para difundir esse manejo à campo. “Algumas vezes, não só ao alojamento, mas também durante o lote. Geralmente formam-se baias de leitões pequenos, médios e grandes. O relato de empresas que pararam de recomendar esta prática é de que nada mudou em performance, logística e variabilidade de peso do lote”.

O manejo é constante, admite o palestrante. “Em creches grandes e/ou que recebem leitões mais de uma vez na semana, o foco dos funcionários reside em uniformizar as baias ao alojamento ou no dia seguinte”, define.

Em outros países

Para Faccin, o desafio de menor volume de mão de obra disponível obriga os sistemas a priorizarem manejos que realmente impactam performance, sanidade e lucro. “Nos EUA, a maioria das empresas deixou de praticar o manejo de segregação por peso ao alojar creche e terminação e passou a focar em ações como criar uma equipe de primeira semana que assiste os leitões mais necessitados. Também, em um check-list pré-alojamento, onde se avalia a qualidade da limpeza e desinfecção, é garantido que 100% da estrutura e fômites já secou, se programa o aquecimento da sala 12 horas antes do alojamento e se garante que todos os comedouros e tapetes tenham ração, assim como se todos os bebedouros estão funcionando. Algumas empresas no exterior ainda segregam os leitões por peso ao alojamento. Porém, é provável que com o tempo, somente a melhoria da logística não seja suficiente para justificar a execução deste manejo”, afirma.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Entrevista Exclusiva

Pesquisadores da Embrapa elencam riscos e práticas contra PSA, PSC e outras ameaças

Pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves fazem diagnóstico da biosseguridade brasileira e apontam o que precisa ser feito para conter o avanço de doenças que representam riscos à atividade

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Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, os pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves, Nelson Morés, Luizinho Caron, Virgínia Santiago Silva e Daniella Gava fazem um diagnóstico da biosseguridade brasileira e apontam o que precisa ser feito para conter o avanço de doenças que representam riscos à atividade. Confira.

O Presente Rural – O Brasil é livre de algumas doenças na suinocultura. Como é a biosseguridade nos sistemas de produção de suínos?

Nelson Morés – O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento possui alguns documentos norteadores com relação à biosseguridade, que compõem o Plano Nacional de Sanidade Suídea. Dentre eles podemos citar a IN 19/2002 que fala sobre as normas para granjas GRSC, a IN 54/2002 sobre os requisitos para importação de sêmen, a IN 63/2013 sobre a importação de animais destinados à reprodução, e vários outros documentos para enfermidades específicas. Além disto, a Embrapa, em consonância com o MAPA, disponibilizou no final de 2018 um documento norteador específico sobre biosseguridade mínima para granjas de suínos que produzem animais para o abate, sendo inclusive já implementados em alguns estados por meio de normativas estaduais.

OP Rural – Temos eventos internacionais de suinocultura que devem acontecer em breve com a presença de público das regiões afetadas pela PSA. Como você avalia esse cenário e que fazer para barrar esses riscos?

Nelson Morés – Alguns eventos técnicos são de mais riscos do que outros, sendo que os que envolvem animais e feiras já foram cancelados em diversos países. No Brasil, o cenário será de encontro de profissionais ligados à suinocultura oriundos de vários países, e a principal medida deverá ser focada na vigilância e controle. Para isto foi criado um Comitê de Biosseguridade, que já iniciou um trabalho de levantamento das vulnerabilidades do país e de setores de maior risco. A orientação é que não ocorram visitas, não apenas a granjas de suínos, mas em qualquer propriedade rural, assim como fábricas de ração e frigoríficos. Independente, ao retornarem ao país de origem, os participantes de eventos internacionais deverão aplicar vazio sanitário de no mínimo cinco dias. Somado a estas, já estão em andamento ações voltadas à educação sanitária para a população em geral, envolvendo principalmente o conhecimento da doença e suas formas de transmissão. O Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) instalou 88 painéis em aeroportos e portos complementados com avisos sonoros emitidos aos passageiros sobre os riscos de introdução do vírus da PSA. O órgão ainda intensificou a vistoria de bagagens e produtos, principalmente naqueles provenientes de países positivos para PSA, em consonância com a IN11/2019. Além disto, continua-se garantindo o descarte adequado de resíduos de alimentos de aeronaves e navios provenientes de países acometidos com a doença.

OP Rural – Até que ponto a Peste Suína Africana presente na Euroásia é um risco para o Brasil? Como se dá esse risco?

Luizinho Caron – O risco existe, embora muito baixo. Lembrando que a PSA já chegou ao Brasil em 1978, provavelmente devido a restos de alimentos contendo produtos derivados de suínos curados provenientes da Europa. Porém muitas medidas de biosseguridade para granjas e para a entrada de produtos derivados de suínos foram tomadas a fim de salvaguardar nossos rebanhos. Atualmente a PSA está presente em suínos domésticos e/ou asselvajados em países dos continentes Africano, Europeu e Asiático. As Américas são consideradas livres do vírus. Todavia, esta é uma doença animal transfronteiriça, na qual a principal via de transmissão é pelo contato direto entre suínos infectados e suscetíveis (domésticos ou asselvajados) ou através da ingestão de produtos de origem suína contaminados com o vírus (esta tem sido frequentemente a via pela qual o vírus se disseminou por longas distâncias). Além disto, fômites, como sapatos, roupas, veículos, equipamentos, dentre outros, podem disseminar o vírus, devido à alta resistência ambiental. A prevenção em países livres da doença depende da implementação de políticas apropriadas de importação e medidas de biossegurança, garantindo que nem os suínos vivos infectados nem os produtos suínos sejam introduzidos em áreas livres de PSA. Isso inclui garantir o descarte adequado de resíduos de alimentos de aeronaves e navios provenientes de países afetados e policiar as importações ilegais de suínos vivos e produtos suínos destes países afetados. Recentemente, o Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) publicou a IN11/2019, que estabelece o regulamento para ingresso, no território nacional, de produtos de origem animal presumivelmente não veiculadores de doenças contagiosas, em bagagem de viajantes, para consumo próprio e sem finalidade comercial. Além disto, a OIE e a FAO estão propondo um programa global no controle de PSA.

OP Rural – Que estragos doenças dessa natureza podem provocar nas esferas de desempenho, mercado e econômico? Há prospecções sobre uma eventual entrada de PSA, por exemplo, no Brasil?

Luizinho Caron – A PSA é uma doença de notificação obrigatória aos órgãos oficiais nacionais e internacionais de controle de saúde animal, com potencial para rápida disseminação e com significativas consequências socioeconômicas. O impacto da introdução da PSA nos Estados Unidos foi estimado em US$ 16,5 bilhões apenas no primeiro ano de surto. Uma avaliação superficial do prejuízo da introdução do vírus na população de suínos do Brasil, população esta que é cerca de dois terços menor que a americana, ficaria em torno de US$ 5,5 bilhões, baseado no número de suínos abatidos por ano. Porém, fica difícil estimar os custos para o cenário brasileiro, devido às particularidades da produção, diferenças nos sistemas de vigilância e monitoria, somado ao aprendizado recente dos Estados Unidos com os surtos de diarreia epidêmica suína (PED) e influenza aviária (IA), bem como o poder de negociação daquela economia. Ainda, a presença do vírus em um país tem impacto direto no comércio internacional de suínos e de produtos de origem animal. Além disso, na ocorrência de surtos de PSA, é obrigatório o abate sanitário dos animais e destinação adequada das carcaças, pois ainda não se dispõe de vacina eficiente contra a doença. Já doenças exóticas como a PRRS e a PED as consequências principais são para o setor produtivo em função das mortalidades, gastos para o controle e do aumento do custo de produção.

OP Rural – Recentemente tivemos casos de Peste Suína Clássica nos estados do Nordeste, na Zona não livre. Isso representa um perigo para a suinocultura industrial do restante do país?

Virgínia Santiago Silva – O risco existe, embora baixo, e está relacionado ao transporte irregular (contrabando) de suínos e subprodutos da zona infectada para estados da zona livre e ao movimento de suínos asselvajados entre estas regiões. A zona livre de PSC no Brasil compreende 16 estados brasileiros e o Distrito Federal (RS, SC, PR, MG, SP, MS, MT, GO, DF, RJ, ES, BA, SE, TO, PA, RO e AC), concentrando mais de 95% de toda a indústria suinícola brasileira e 100% de toda a exportação de suínos. Deste percentual, mais de 90% está localizado na região Sul/Sudeste do país. Caso ocorra um foco em estado da zona livre que faz divisa com o estado do Piauí, a certificação internacional da região acima de SC será afetada. Até o momento, os focos de PSC identificados no Nordeste estão a mais de 500 km de distância da divisa com a zona livre de PSC no Brasil. Rapidamente, o SVO da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri), com apoio do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa/DSA/PNSS), desenvolveu um trabalho de controle/erradicação da doença com base no plano de contingência para a PSC. As ações de vigilância (rastreabilidade, destruição oficial de produtos de origem animal, eliminação oficial de carcaças, subprodutos e resíduos, zoneamento e desinfecção) nas propriedades situadas no raio de 10 km em torno dos focos foram intensificadas conforme previsto no Plano de Contingência para PSC, bem como nos vínculos do foco. Além disto, conforme IN 25/2016, o trânsito de suínos, produtos e subprodutos entre a zona livre e a zona não livre está proibido. Outro aspecto fundamental para controle e erradicação da PSC é o conhecimento da população de suínos asselvajados na região. Desde 2015, o Mapa vem realizando monitoria sorológica em suínos asselvajados na região livre de PSC, e estes animais vem apresentado resultados negativos.

OP Rural – O produtor e a indústria estão cientes dos riscos?

Virgínia Santiago Silva – Várias ações vêm sendo feitas a fim de conscientizar os produtores e capacitar os veterinários de campo. O Mapa conjuntamente com a Embrapa Suínos e Aves, agroindústrias e universidades vem trabalhando nos pontos-chave para prevenção, conforme mencionados no questionamento acima. Uma ação muito importante dos órgãos de controle e pesquisa é trabalhar para informar os fatores de risco e medidas mitigatórias, não apenas para técnicos, mas também para o público leigo que viaja para as regiões endêmicas. Todavia ainda há um longo caminho a ser trilhado, principalmente com relação à atenção aos riscos por parte dos produtores. Apesar da mobilização da agroindústria, alguns riscos vêm sendo negligenciados, como os relacionados à população de risco (suínos de subsistência e asselvajados).

OP Rural – Quais são as doenças exóticas e emergentes a que a cadeia suinícola precisa ter mais atenção no momento?

Danielle Gava – Nas últimas décadas, vários vírus emergentes surgiram ou recrudesceram na população suína global. Os principais são o vírus da síndrome reprodutiva e respiratória porcina (PRRS), o circovírus suíno tipo 2 (PCV2), o Senecavirus A (SVA), o vírus da peste suína clássica (PSC) e da peste suína africana (PSA), causam doenças economicamente importantes em suínos, enquanto outros, como Torque teno sus vírus (TTSuV), bocavirus suíno (PBoV), parvovirus suíno 2 a 7 (PPV2 – PPV7) são, em sua maioria, de natureza subclínica em rebanhos e outros ainda, como o vírus Influenza A (SIV), possuem impacto também em humanos.

Além disto, alguns vírus, apesar de possuírem implicação clínica desconhecida na saúde suína, representam uma preocupação de saúde pública, como o vírus da hepatite E suína e o sapovírus suíno (SaV). As principais enfermidades presentes na lista da OIE que afetam os suínos são: PRRS, PSA, PSC, doença de Aujeszky, brucelose suína e a gastroenterite transmissível (TGE). A TGE, a diarreia epidêmica suína (PED) e a PRRS são enfermidades economicamente muito importantes, que nunca foram diagnosticadas no Brasil, sendo consideradas exóticas. A PSA encontra-se erradicada no país desde 1984.

OP Rural – Quais são as medidas necessárias para se preparar a esses desafios?

Danielle Gava – O Brasil, por sua importância na produção de suínos deve ter um bom sistema de alerta e um plano de contingência para todas as doenças, principalmente doenças exóticas. Os pontos-chave para prevenção são:

  • Possuir sistema de alerta eficaz
  • Fornecer treinamento e capacitação de veterinários e produtores
  • Conhecer as características das doenças e como evitá-las
  • Identificar os fatores de risco para cada doença
  • Adequar o sistema de vigilância baseado nos fatores de risco para cada doença
  • Possuir vários centros de diagnóstico oficial e rápido, pois a identificação precoce de uma doença, antes que se dissemine, é fundamental para tomada de decisão visando controle e erradicação
  • Garantir apoio legal e recursos (fundos indenizatórios, diagnóstico, entre outros) para a implementação de medidas de controle
  • Possuir plano de contingência para as doenças mais relevantes, em especial as exóticas
  • Aplicar medidas de biosseguridade rigorosas para prevenir a introdução e disseminação do vírus.

OP Rural – Quais os novos estudos que a Embrapa desenvolve sobre o tema?

Danielle Gava – A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio de sua Unidade Descentralizada Embrapa Suínos e Aves, tem o papel de fornecer informações sobre as doenças e os impactos na cadeia produtiva de suínos, subsidiando a tomada de decisão dos órgãos competentes. Conforme a necessidade, atende demandas oriundas do Mapa e das agroindústrias, de acordo com a relevância de cada enfermidade. Em função da sua localização e estrutura, a Embrapa Suínos e Aves não pode trabalhar diretamente com agentes de controle oficial como os vírus da PSA, PSC, PRRS e PED. Porém, possui pesquisas em monitoramento de javalis e suídeos asselvajados na zona livre de PSC, o que pode embasar estudos e análises de risco para a PSA e outras doenças. Além disto, possui projetos específicos para vários agentes já mencionados, como SVA, SIV, PCV2 e outros, desenvolvendo ferramentas de diagnóstico e controle.

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Fonte: O Presente Rural
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