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Qual o futuro do agronegócio no governo Bolsonaro?

Acredito que o governo Bolsonaro colocará efetivamente o pé no mato, sem medo de levar picadas de cobras, por mais venenosas que elas sejam

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Artigo escrito por Rodrigo Capella, jornalista com atuação no agronegócio desde 2004, palestrante e diretor geral da Ação Estratégica – Comunicação e Marketing

Três pontos são fundamentais para a análise do futuro do agronegócio no governo Bolsonaro: o homem do campo, o mercado e o consumidor final.

O homem do campo, representado por perfis diversos, desde o agricultor familiar até os grandes agropecuaristas, está cada vez mais engajado em práticas sustentáveis e muito mais consciente destas necessidades. Como prática, visito fazendas e é comum o homem do campo me sinalizar a sua preocupação com o meio ambiente.

Já o mercado está – e cada vez mais estará – centralizado na Agricultura 4.0, que alia elementos fortemente comerciais, saudáveis e sustentáveis, como conectividade, produtividade, meio ambiente, saúde pública e tecnologia.

Assim como o homem do campo e o mercado, o consumidor final está conectado com questões sustentáveis. Reforça-se, então, conceitos como a rastreabilidade. Com um QR Code impresso em uma embalagem, pode-se rastrear a origem do produto e informações diversas, como práticas ambientais de determinada propriedade.

O agronegócio será, então, fortalecido no próximo mandato presidencial se estes três elementos (homem do campo, o mercado e o consumidor final) forem prioritários. Com base no plano de governo, podemos verificar esta viabilidade.

Um dos pontos expostos é a Nova Estrutura Agropecuária, representada por elementos como desenvolvimento rural sustentável, inovação tecnológica, segurança alimentar e meio ambiente rural. Estes aspectos são desejados pelos consumidores e representados na Agricultura 4.0, principalmente, pela saúde pública, tecnologia e meio ambiente.

Outra proposta do plano é contribuir efetivamente para que o agricultor seja cada vez mais um gestor do campo. A palavra “gestor” nos remete a empresário, a conhecedor do ecossistema, incluindo o meio ambiente e soluções tecnológicas.

Este perfil é cada vez mais importante dentro de um cenário de produtividade e de rentabilidade, fundamentais para o Brasil ser cada vez mais destaque no mercado mundial.

A FAO estima, por exemplo, que teremos mais de 9 bilhões de habitantes em 2050. Precisaremos, então, de processo estratégico de transporte, de tecnologia adequada e defesa da propriedade rural, que estão previstos no plano de governo do futuro presidente em temas como logística, segurança no campo e abertura de mercado.

Para ter efetividade, esta desejada abertura terá que ser comercial e tecnológica. Israel, Peru e Espanha poderão contribuir neste contexto, ajudando o agronegócio brasileiro a ser ainda mais produtivo. Com condições adversas, estes países destacam-se por produzir no deserto (Israel), pelo adensamento de plantio (Peru) e pela eficiência em frutas (Espanha).

Já a estrutura de transporte – poderemos nos inspirar nos Estados Unidos -, deverá contemplar nitidamente as rodovias para entregas de curtas distâncias, e hidrovias e ferrovias para escoamento de longas distâncias.

Diante deste cenário, minhas expectativas são extremamente positivas. Acredito que o governo Bolsonaro colocará efetivamente o pé no mato, sem medo de levar picadas de cobras, por mais venenosas que elas sejam.

Fonte: Assessoria

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José Zeferino Pedrozo Opinião

Prioridade para a mulher rural

Capital humano representado pelas mulheres do campo é de extraordinária importância para as famílias, as comunidades, os estabelecimentos rurais e as empresas

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

O público feminino tem sido alvo e prioridade das ações das entidades do agronegócio, em especial, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). As ações estão orientadas para duas direções: a saúde e a capacitação profissional.

Levar serviços de assistência à saúde da mulher rural é um desafio muito grande. A Organização Mundial de Saúde definiu que a saúde reprodutiva compreende não só o planejamento familiar, mas também a educação sexual, a maternidade sem risco, o controle das doenças sexualmente transmissíveis, a atenção a complicações do aborto, tendo, portanto, uma abrangência e um impacto muito mais amplo na vida familiar e no desenvolvimento humano do que apenas a concepção.

A assistência à saúde das mulheres brasileiras vem apresentando avanços nas últimas décadas. Mas, ainda são necessários investimentos e decisão política para enfrentar os inaceitáveis coeficientes de mortalidade materna, do câncer de colo uterino e de mama, a violência doméstica e sexual, as elevadas taxas de gravidez na adolescência, o crescente número de mulheres com AIDS e o aborto em condições inseguras.

Para mudar este cenário, o Senar criou o programa Útero é Vida para prevenção do câncer do colo do útero que funcionou com muito sucesso até 2016, ano em que foi aperfeiçoado e passou a ser chamar Programa Especial Saúde da Mulher Rural. A diretriz é promover a diminuição de fatores que afetam diretamente a saúde sexual e reprodutiva da mulher rural, numa perspectiva de educação, focalizando a prevenção e o diagnóstico do câncer do colo do útero, contribuindo para o aumento da autoestima e qualidade de vida. O programa vem sendo promovido em todas as regiões rurais catarinenses na forma de um dia de atividades que inclui palestras, orientações, serviços gratuitos e o exame laboratorial Papanicolau. O objetivo é estimular o aumento da autoestima e os cuidados com a saúde das mulheres do meio rural.  Para isso, é necessário alertá-las com relação ao diagnóstico precoce das doenças uma vez que, quanto antes for identificado, mais tranquilo e exitoso é o tratamento. Enfim, busca gerar oportunidades de educação e prevenção, levando conhecimentos que possibilitem a mudança de atitudes favorecendo melhor qualidade de vida.

Em outra direção igualmente importante surgiu o programa Mulheres em Campo voltado para a capacitação profissional e empresarial. Organizado didaticamente em cinco módulos, o programa qualifica para as situações vivenciadas no dia a dia das mulheres no campo. Estimula as mulheres a acreditar em si, tornarem-se grandes líderes rurais e desenvolver as habilidades femininas capacitando-as na gestão de negócios agropecuários. Elas têm acesso a conteúdos teóricos e práticos com o objetivo de demonstrar as inúmeras possibilidades de empreendedorismo no campo. É uma iniciativa que faz com que as mulheres pensem além e vejam o quão inovadoras podem ser dentro de suas propriedades.

O capital humano representado pelas mulheres do campo é de extraordinária importância para as famílias, as comunidades, os estabelecimentos rurais e as empresas. Protegê-lo, preservá-lo e capacitá-lo é nosso compromisso.

Fonte: Assessoria
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Rodrigo Capella Opinião

Agronegócio não pode ser vítima de tributação

Quem prejudica o agronegócio, prejudica o futuro de um país

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Artigo escrito por Rodrigo Capella, influenciador digital do agronegócio, palestrante, consultor e diretor geral da Ação Estratégica – Comunicação e Marketing

Ventila-se, com cada vez mais força, nos bastidores do agronegócio, a possibilidade do fim da Lei Kandir, que assegura a não cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, conhecido pela sigla ICMS, das exportações de minérios e grãos, entre outras matérias-primas.

De um lado, governadores de vários Estados alegam problemas fiscais, muitos deles atribuídos ao não repasse do Governo Federal, em decorrência da Lei Kandir.

Do outro lado, o setor do agronegócio sinaliza as possíveis consequências do fim da isenção do ICMS. Desemprego, esfriamento da economia e – sem dúvida – a volta de uma crise com grande força.

Outro ponto crucial: o ressurgimento do ICMS sinalizará um grande e infundado retrocesso. Enquanto iniciativas como a do governador do Estado de São Paulo, João Doria, tiraram recentemente este imposto de produtos hortifrúti (hortaliças e frutas) minimamente processados, por que outras estariam pleiteando a volta de tributação? Não faz sentido.

Recentemente, conversei com a senadora Mara Gabrilli e ela me disse duas frases que qualquer cidadão brasileiro deveria refletir: “O agronegócio tem sido a resiliência brasileira” e “Se não fosse o agronegócio, a nossa situação estaria bem complicada”.

Concordo com as duas afirmações. O empenho e coragem dos produtores rurais contribuem para não sairmos dos trilhos e para termos constante otimismo em relação ao nosso país.

Com frequência, percorro fazendas e é comum os produtores dizerem, com orgulho, que não simplesmente produzem, mas que alimentam o mundo. E de fato isso é verdade.

Apesar das dificuldades – somente quem se engaja no setor as percebe com clareza -, cumprem a rotina com dedicação. Sol em excesso, falta de água, pragas diversas, perdas de safra. Já são tantos os obstáculos. Por que aumentá-los, com tributação desnecessária?

Esta pergunta me direciona a um alerta que o deputado federal Alexis Fonteyne fez durante nossa conversa: “precisamos deixar o agronegócio trabalhar em paz”.

É isso aí. Quem prejudica o agronegócio, prejudica o futuro de um país. Os esforços devem ser destinados para a liberação de crédito agrícola, para o fomento de startups, para a consolidação de hubs digitais, para a liberação de produtos necessários para combater pragas e para a constante e necessária atualização do setor.

Sim, é preciso fornecer sempre subsídios para o nosso agronegócio, que não mede esforços para tornar o Brasil uma das maiores economias do mundo, apesar de frequentemente criarem obstáculos.

Fonte: Assessoria
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Roberta Züge Opinião

As novas legislações para produção de leite: estamos prontos?

Programas de autocontrole irão demandar mais profissionais atuando nas propriedades rurais, como forma de garantir a sanidade dos animais

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Artigo escrito por Roberta Züge, diretora administrativa do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS); Vice-Presidente do Sindicato dos Médicos Veterinários do Paraná (SINDIVET); Médica Veterinária Doutora pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP).

Seguindo as tendências mundiais, as instruções normativas, pertinentes à produção e comercialização de leite, que devem estar vigentes já no início de junho de 2019, estão exigindo controles e evidências de cumprimento de procedimentos, desde a unidade de produção, ou seja, já na propriedade rural.

A Instrução normativa 76 que determina os critérios e procedimentos para a produção, acondicionamento, conservação, transporte, seleção e recepção do leite cru em estabelecimentos registrados no serviço de inspeção oficial, estabelece, entre vários outros requisitos, um real monitoramento no campo.

Nesta normativa, há a clara exigência de evidenciar a sanidade dos rebanhos leiteiros, pois, ela cobra que todos os rebanhos, que forneçam leite, tenham um médico veterinário responsável, e os processos de acompanhamento devem constar em programas de autocontrole dos estabelecimentos. Este profissional precisa evidenciar o cumprimento dos programas para controle sistemático de parasitoses e mastite assim como, controle de brucelose (Brucella abortus) e tuberculose (Mycobacterium bovis). Desta forma, há ampliação da ação das indústrias dentro das unidades de produção. Com ela, um arcabouço documental para comprovar que as práticas solicitadas estejam sendo realizadas sistematicamente.

Como exemplo, o artigo sétimo da IN 76, determina que os estabelecimentos devam ter em seus planos de autocontrole, no item qualificação de fornecedores, os requisitos para a garantia do emprego das boas práticas agropecuárias, como um dos pilares para o programa de autocontrole da matéria-prima. Assim, a ação de monitoramento deve se capilarizar no campo, indo além de apenas retirar o leite resfriado na temperatura adequada e atendendo aos requisitos pertinentes à matéria-prima em si. Esta IN, claramente, descreve que o estabelecimento deve manter um plano de qualificação de fornecedores de leite, o qual precisa contemplar a assistência técnica e gerencial, bem como, a capacitação de todos os seus fornecedores, com foco em gestão da propriedade e implementação das boas práticas agropecuárias.

Outro item, que pode causar certo desconforto a muitos produtores, é a exigência de interrupção de coleta de leite, pelo estabelecimento, quando o leite apresentar, por três meses consecutivos, resultado de média geométrica fora do padrão estabelecido no Regulamento (Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade do leite cru refrigerado para Contagem Padrão em Placas – CPP).

Além dos estabelecimentos serem obrigados a realizar e manter atualizado o cadastramento de seus fornecedores em sistema do MAPA, eles devem incluir nos planos de autocontrole, hoje apenas focados na indústria, itens pertinentes ao campo, como cadastro atualizado dos produtores rurais (nome, CPF, endereço) deve especificar volume diário, capacidade, tipo e localização georreferenciada do tanque, linhas, horários e frequências de coleta. Na mesma premissa, os estabelecimentos deem manter cadastro dos transportadores de leite (nome, CPF ou CNPJ, endereço) acrescidos de identificação do veículo, identificação dos motoristas, capacidade do tanque, linhas e horários de coleta. Um maior detalhamento dos responsáveis pela coleta do leite será necessário. Estes planos devem contemplar procedimentos de coleta do leite e das análises de seleção, procedimentos da coleta, conservação e transporte de amostras individuais, procedimentos de higienização dos veículos transportadores de leite, informações sobre o procedimento de transvase, local intermediário, rotas e horários e comprovação de que o procedimento não interfere na qualidade do leite.

Entre os requisitos estabelecidos há a higienização dos caminhões antes da entrega do leite nos estabelecimentos, que deve estar descrito no procedimento pertinente.

Item também que irá impactar é a exigência de educação continuada dos produtores rurais. Estes programas devem versar sobre os padrões mínimos para instalações e equipamentos de ordenha e refrigeração preconizados pela empresa, manejo de ordenha, qualidade de água da propriedade rural, controle sanitário do rebanho, assim como adoção de ações corretivas em relação ao leite dos produtores rurais que não atenda as exigências legais, incluindo o estabelecimento de metas para melhoria dos índices da qualidade do leite recebido. Com isto, percebe-se que o MAPA buscar criar meios de verificação, por meio documental, de ações que chegam às unidades produtivas.

Com a citação de apenas alguns itens das INs, pode-se evidenciar que há uma clara exigência em ampliar os meios de verificação de cumprimentos de requisitos, um meio de demonstrar transparência do processo de produção de leite. Os programas de autocontrole irão demandar mais profissionais atuando nas propriedades rurais, como forma de garantir a sanidade dos animais, além de incluir a concepção e cumprimento de procedimentos que garantam as boas práticas agropecuárias, algo que também incluí o bem-estar animal, premissa que tem sido crescente entre os consumidores.

Fonte: Assessoria
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