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Quais são os pontos-chave na hora da escolha de um adsorvente de micotoxina?

Conhecimento da composição do adsorvente e, sobretudo, seu modo de ação, devem ser verificados cuidadosamente em análises tanto in vitro quanto in vivo

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Kelen Zavarize, nutricionista e gerente Técnica de Aves da Kemin América do Sul

Os grãos, como o milho e a soja são os principais ingredientes utilizados para a alimentação das aves. Para a produção de um quilo de carne são necessários em média 1,8 kg de ração, que tem a composição aproximadamente 70% de milho e 20% de farelo de soja. Assim, grande parte dos custos de produção estão nos grãos utilizados na alimentação. Com isso, a qualidade dos grãos é de fundamental importância para o desempenho das aves, mas pode ser comprometida por ação dos fungos.

A contaminação por fungos e a deterioração dos grãos podem ocorrer ainda no campo, agravando-se durante as operações de colheita, transporte, secagem, beneficiamento e armazenamento. Dessa forma, todas as medidas que venham a controlar o crescimento fúngico e a produção de seus metabólitos são importantes para evitar perdas na qualidade da ração e saúde das aves.

O crescimento fúngico depende de diversos fatores, como umidade, temperatura, presença de oxigênio, contaminação por microrganismos, entre outros. Algumas espécies de fungos produzem metabólitos tóxicos secundários que são as micotoxinas. Uma das grandes questões relacionadas às micotoxinas é a periculosidade que apresentam à saúde, pois mesmo em baixas concentrações são capazes de provocar doenças, tornando-se um importante fator de risco para a segurança alimentar, o bem estar animal e o desempenho animal.

A ingestão de rações contaminadas por micotoxinas pode produzir toxicidades agudas (curto prazo) ou crônicas (a médio/longo prazo). A toxicidade aguda pode resultar em morte e efeitos clínicos diversos, já a toxidade crônica, que está relacionada com a exposição a longo prazo e baixos níveis de micotoxinas, causa uma variedade de sintomas que podem ser muito inespecíficos. Os efeitos dependem da dose e da duração da exposição, idade e estado de saúde dos animais, e interação com outros fatores de estresse. Mesmo sintomas secundários, tais como doenças oportunistas, podem ocorrer devido a supressão da imunidade.

O controle deve ser composto pela prevenção da contaminação e crescimento fúngico. As práticas com objetivo de melhorar a conservação dos grãos durante o armazenamento são capazes de eliminar os fungos, mas não são capazes de eliminar as micotoxinas. Portanto, a utilização dos adsorventes de micotoxinas como uma proteção dos efeitos adversos para as aves torna-se uma ferramenta indispensável atualmente.

Como funcionam os adsorventes

Os adsorventes são substâncias de alto peso molecular que, ao atingir o sistema gastrintestinal (meio aquoso), são capazes de se ligar às micotoxinas, evitando sua absorção e permitindo a excreção fecal deste complexo adsorvente-micotoxina. Desta forma, o processo de adsorção da micotoxina reduz o efeito tóxico para a ave, além de evitar a deposição nos produtos consumíveis (carne e ovos).

Existem no mercado diversos tipos de adsorventes de micotoxinas, que vão desde produtos à base de rochas vulcânicas até o uso de enzimas. Porém, mesmo entre os adsorventes de composição similar existem diferenças na eficiência de adsorção das micotoxinas.

A adsorção é essencialmente um fenômeno de superfície, sua eficácia é influenciada por diversas características físicas, como tamanho e distribuição dos poros, carga total e sua distribuição. Por outro lado, as propriedades relacionadas às micotoxinas também tem influência no processo de adsorção, como polaridade, forma, tamanho, baixa área superficial e solubilidade, bem como desacoplamento e distribuição de carga.

Vários estudos apontam que as argilas e seus derivados (sepiolita, aluminossilicato de sódio e cálcio hidratados, bentonitas e a diatomitas) são os adsorventes de micotoxinas mais versáteis e potentes. Por outro lado, as argilas com composição química semelhantes às vezes mostram atividades de ligação de toxinas completamente diferentes. Esta variação observada está na “ativação da estrutura” do material, portanto alguns processos químico, físico e térmico são necessários para alterar as propriedades físico-químicas e, assim, mudar a capacidade de ligação a diferentes micotoxinas.

O processo de ativação dos minerais de argila consiste em várias etapas, incluindo moagem, secagem e ativação química. Na prática, as camadas de sílica da argila são reduzidas a partículas menores, aumentando a área de superfície, modificando o tamanho dos poros entre as placas e afetando a distribuição das cargas (Figura 1). Este processo pode ser controlado para fornecer um produto com máxima adsorção de micotoxinas.

Figura 1. Modificação da estrutura da argila durante um processo de ativação

O mecanismo de adsorção que causa a ligação das micotoxinas à superfície dos minerais depende das cargas encontradas na superfície de ambos. Este mecanismo é comparável à atração de ímãs, no qual os polos opostos se atraem. O material mineral mostrará similar comportamento: áreas com carga positiva na superfície atrairão as regiões com carga negativa da molécula de micotoxina e vice-versa. As cargas idênticas se repelem e, por esse motivo, não resultam em adsorção (Figura 2).

Figura 2. Adsorção de micotoxinas em nível molecular

O processo de ativação pode ser controlado a fim de melhorar as propriedades de ligação entre as camadas de sílica e a micotoxina. Os íons que unem as camadas de sílica podem ser modificados, com a separação completa das camadas para aumentar a superfície ativa, tornando a superfície interna disponível. Além disso, alterar o tipo e a quantidade de íons entre as camadas pode criar o espaço para permitir a melhor adsorção das micotoxinas. Esse processo pode modificar as cargas na superfície, o que promove a reatividade para um amplo espectro de micotoxinas (Figura 3).

Figura 3. Adsorção de micotoxinas na camada intermediária, bordas e superfícies basais

É nessa polaridade que se baseia o principal modo de ação dos adsorventes minerais, ou seja, a troca de cargas entre o agente sequestrante e a molécula da micotoxina. A inclusão nas dietas do adsorvente depende da capacidade de ligação do adsorvente, além da concentração de micotoxina.

Critérios para escolha de um adsorvente

Para a escolha do adsorvente de micotoxina é importante verificar a eficiência de adsorção das micotoxinas, que leva em consideração a porcentagem de adsorção e dessorção no intestino das aves (Figura 4). Essa avaliação inclui a estabilidade da ligação adsorvente-micotoxina e sua eficácia em faixas de pH diferentes, uma vez que se espera que o produto atue em todo o trato gastrintestinal.

Os valores de pH variam ao longo do trato digestivo, desde condições ácidas (pH 3 ou 4) até básicas (pH 6 ou 7), portanto a capacidade de ligação dos produtos pode ser influenciada por mudanças de pH, levando ao risco de que as micotoxinas sejam adsorvidas em uma parte e liberadas (dessorvidas) em outra parte do trato digestivo. Neste contexto, os testes tanto in vitro e in vivo são necessários para comprovar a eficácia dos agentes desintoxicantes de micotoxinas.

Figura 4. Esquema da eficiência de adsorção de micotoxinas

Pensando nisso, os testes in vitro são o início para entendermos a eficiência de adsorção das micotoxinas. Em um trabalho realizado no Brasil (Instituto Samitec) com adsorvente de micotoxinas a base de minerais de argila (bentonita e sepiolita) foi determinado o valor de adsorção para aflatoxina e fumonisina em pH 3 e 6 conforme Tabela 1. Pode-se verificar que existe alto coeficiente de adsorção (>90%) para ambas as micotoxinas em ambos pHs, portanto é o primeiro fator para a escolha de um bom adsorvente de micotoxina.

No entanto, para determinar a eficácia real do adsorvente para aves é necessário a realização de alguns parâmetros in vivo. É importante ressaltar que em experimentos com adsorventes de micotoxinas são utilizadas dosagens altas, tanto do adsorvente quanto das micotoxinas testadas, para que ocorra o desafio para as aves.

Foi avaliado o efeito da inclusão de 0,5% de adsorvente a base minerais de argila (bentonita e sepiolita) sobre a conversão alimentar e consumo de ração de frangos de corte aos 21 dias. Os resultados demonstram que a adição dos minerais de argilas na ração contaminada com 100 ppm de fumonisina foi eficiente no controle da micotoxina como descritos na Figura 5. A conversão alimentar do grupo adsorvente mais micotoxina foi semelhante ao controle, mostrando a eficácia na adsorção. Lembrando que a fumonisina é uma das micotoxinas mais encontradas no Brasil e que sua ingestão por períodos longos e com baixos níveis, leva a modificações na morfologia do intestino, queda no desempenho produtivo e desuniformidade dos lotes das aves.

Figura 5. Resultados de Conversão Alimentar e Consumo de ração de frangos de corte aos 21 dias intoxicados com fumonisina e com a adição de adsorvente de micotoxina.

A ocorrência simultânea de duas ou mais micotoxinas podem ocasionar um efeito sinérgico, ou seja, a somatória e/ou potencialização dos efeitos tóxicos destas perante os animais. Muitas vezes quantidades não tóxicas de uma determinada micotoxina pode se tornar tóxica agindo concomitantemente com outras micotoxinas.

Pensando nesse cenário é importante verificar a eficácia do adsorvente quando existe a contaminação por mais que uma micotoxina. No estudo realizado com frangos de corte alimentados com ração contaminada com uma mistura de micotoxinas (aflatoxinas, ocratoxina A, toxina T-2 e citrinina) e usando um adsorvente a base de minerais de argila e hapatoprotetores (bentonita, sepiolita, betaína e silimarina) observa piora na conversão alimentar e no ganho de peso aos 35 dias para o tratamento apenas com a mistura de micotoxinas, sendo este efeito superado pela suplementação do adsorvente (Tabela 2). Os resultados também mostram que a adição do adsorvente não diminuiu o valor nutricional da ração por meio de ligação não específica, que é um parâmetro muito importante para ser analisado.

 

Outro indicador é o efeito das micotoxinas em órgãos internos, ocorrendo a mudança no tamanho, como o aumento do fígado, baço e rins e a diminuição da bursa e timo. Somando-se a alterações de tamanho, ocorrem alterações na coloração e textura dos órgãos. Por exemplo, o fígado de aves com aflatoxicose tem como característica a coloração amarelada e friável, com acentuada infiltração de gordura.

Em estudo com a mistura de micotoxinas e adição do adsorvente a base minerais de argila e hepatoprotetores foi verificado aumento significativo no grupo com micotoxinas de 40% do peso relativo do fígado em comparação ao controle (2,74 vs. 1,96%); o grupo com a adição do adsorvente teve o mesmo peso relativo do fígado em relação ao controle. Também houve uma clara influência negativa das micotoxinas nos rins. O tratamento incluindo apenas micotoxinas apresentou 0,85% do peso do rim, enquanto o peso do rim para o controle e o adsorvente foi de 0,62 e 0,63%, respectivamente (Tabela 3).

A avaliação visual do fígado (Figura 6) confirmou que o adsorvente eliminou com sucesso a micotoxicose, devido à ligação das diferentes micotoxinas, o que as torna indisponíveis para absorção através da parede intestinal.

Figura 6. Efeito do adsorvente na saúde do fígado.

Uma avaliação importante para os adsorventes é o poder de ligação com as micotoxinas. As informações sobre a atividade do adsorvente com as micotoxinas devem incluir também dados de excreção, para isso é necessário medir os níveis de micotoxinas nas excretas das aves.

Sendo assim, um estudo foi realizado para frangos de corte com a inclusão do adsorvente a base de minerais de argila (bentonita e sepiolita) e a contaminação da ração com uma mistura de micotoxinas (aflatoxina AfB1 e fumonisina FB1).  Como resultado foi verificado diferentes excreções de micotoxinas e, como esperado, nenhuma micotoxina foi encontrada no grupo de controle (Tabela 4). Os resultados demonstram que a concentração de AFB1 e FB1 nas excretas das aves alimentadas com ração contaminada e tratada com adsorvente foi maior do que no grupo micotoxina. Logo, o adsorvente administrado com uma mistura de micotoxinas demonstrou adsorver AFB1 e FB1, limitando assim sua biodisponibilidade para os animais e aumentando a excreção de micotoxinas.

Resumindo

Foram levantados diversos pontos importantes na escolha de um adsorvente de micotoxina. O conhecimento da composição do adsorvente e, sobretudo, seu modo de ação, devem ser verificados cuidadosamente em análises tanto in vitro quanto in vivo. Essas análises devem demonstrar a ação do adsorvente sobre a micotoxina, sendo apresentados dados de adsorção/dessorção, desempenho, morfometria de órgão e excreção de micotoxinas nas fezes.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Balanço de 2021 e Novas perspectivas

Com recordes históricos, ABPA analisa cenário de aves e prevê crescimento de 4% em 2022

Diante de várias adversidades para manter a rentabilidade da cadeia, os produtores e as agroindústrias arregaçaram as mangas e mostraram a força dos setores, contribuindo para o Brasil alcançar novos patamares em produção, consumo per capita e exportações.

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Fotos: Arquivo OP Rural

“Verás que um filho teu não foge à luta” é uma frase do hino nacional brasileiro que teve significado ainda maior para os avicultores e suinocultores do país no último ano. Diante de várias adversidades para manter a rentabilidade da cadeia, os produtores e as agroindústrias arregaçaram as mangas e mostraram a força dos setores, contribuindo para o Brasil alcançar novos patamares em produção, consumo per capita e exportações.

Em entrevista ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, comemorou o crescimento das atividades, que consolida ainda mais o país como uma potência na produção

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “Quebramos todos os recordes em exportação de aves, suínos e ovos” – Foto: Divulgação/ABPA

de alimentos, com projeções de recordes históricos para as atividades. “Quebramos todos os recordes em exportação de aves, suínos e ovos. As exportações de ovos só não foram maiores porque o ovo cresceu 120% e até o fim de 2021 cogita-se mais 80% de crescimento, porém essa proteína representa menos que 1% das vendas no mercado internacional e já teve exportação maior no passado. Por outro lado, quebramos paradigmas que não tinham sido alcançados, aumentando o consumo per capita para 255 ovos, de carne suína para 16 quilos e de carne de frango para 46 quilos, ou seja, números bastante expressivos. Nas exportações crescemos tanto em volume como em receita com a carne suína e a de frango, isso é um grande feito para o Brasil em um ano de pandemia, em um ano que a gente teve que ser resiliente para não deixar de produzir, para não parar as plantas e não faltar comida na mesa dos brasileiros”, enaltece Santin, e acrescenta: “Além de ofertar mais comida para os brasileiros, porque teve mais disponibilidade de alimento no mercado interno, também conseguimos cooperar com mais de 150 mercados no mundo complementando as indústrias locais para garantir a segurança alimentar desses países”.

Resultados x projeções

A produção da carne de frango deverá alcançar em 2021 até 14,35 milhões de toneladas, número 3,5% superior ao registrado no ano anterior, com 13,85 milhões de toneladas. Já o volume projetado para 2022 poderá chegar até 14,9 milhões de toneladas, volume 4% maior em relação ao ano passado. Com crescimento de 2% na oferta do mercado interno em relação ao ano anterior, 2021 deverá fechar com disponibilidade de 9,82 milhões de toneladas, projetando-se um aumento de produto interno em 5,5% nesse ano, podendo chegar a 10,25 milhões de toneladas.

A estimativa da ABPA é alcançar o consumo per capita de 46 quilos, número 2% maior que o registrado em 2020, com 45,27 quilos. Para esse ano, o consumo per capita está projetado em 48 quilos, 4% maior que o esperado para 2021.

Nos primeiros 11 meses do ano passado, as exportações cresceram 9,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, gerando uma receita 25,3% maior que a alcançada em 2020. “Isso mostra que o aumento do preço do frango nas prateleiras dos supermercados brasileiros também está acontecendo para as exportações, decorrente de uma pressão de custos de insumos de produção que precisam ser repassados tanto nos produtos do mercado interno quanto do mercado externo para dar mais equilíbrio à produção”, explica Santin.

E nas importações, a entidade cogita um crescimento de 23% com a compra de produtos para consumo interno em cinco principais países: Japão, China, México, União Europeia e Arábia Saudita. “Esse crescimento previsto para 2022 é com base na retomada da economia brasileira, reforçando que teve algumas substituições sobre a proteína por conta da pandemia e que devem agora se consolidar como hábito de consumo, levando ao aumento do consumo de carne suína e de aves no mercado interno em 2022”, almeja o presidente da ABPA.

A China detém 14% do share das exportações da avicultura brasileira, tendo sido embarcadas 589,71 mil toneladas de janeiro a novembro de 2021, acumulando uma queda de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas com número superior as exportações do Japão, que cresceram 8,8%, passando de 371 mil para 403,5 mil de toneladas até novembro; e dos Emirados Árabes, que aumentou em 26,4% suas exportações, saltando de 272,2 mil toneladas para 344 mil toneladas. Completam o ranking dos dez principais destinos da carne de frango Arábia Saudita, África do Sul, União Europeia, Filipinas, Iêmen, Coreia do Sul e México, que juntos representam 31% do volume exportado.

Principais Estados exportadores

Maior produtor de carne de frango, o Paraná se firma também como principal exportador da proteína, respondendo por 40% do produto enviado para fora do país. Até novembro, o Estado havia exportado 1,640 milhão de toneladas, 9% a mais que em 2020 (1,508). Compõe o ranking dos dez principais Estados exportadores Santa Catarina (23%), Rio Grande do Sul (16%), Goiás (5%), São Paulo (5%), Mato Grosso do Sul (4%), Minas Gerais (3%), Mato Grosso (2%), Distrito Federal (1,1%) e Espírito Santo (0,2%). Todos os Estados apresentaram crescimento no share das exportações brasileiras no ano passado. Tanto a produção quanto as exportações projetadas para 2021 e 2022 são recordes históricos.

Mercado Interno

A ABPA projeta um panorama um pouco mais otimista sobre o cenário atual do mercado interno para a carne de frango. De acordo com as estimativas da disponibilidade interna mensal no gráfico Brasil: Cenário Atual, é possível perceber que com a entrada do auxílio emergencial na economia no início da pandemia do Coronavírus gerou um aumento de consumo das proteínas, muitas delas elevadas como efeito de substituição.

No período em que não teve o auxílio emergencial, entre janeiro e abril de 2021, o consumo apresenta uma queda drástica, retomando seu crescimento a partir de maio de 2021 quando o governo federal liberou uma nova remessa do benefício. “Estima-se que 50% a 60% do dinheiro dos auxílios foram utilizados em consumo de alimentos, quando a população não teve esse benefício o consumo caiu”, analisa Santin, acrescentando: “E agora com a entrada do Auxílio Brasil prevemos que, apesar dos custos elevados continuarem no decorrer do ano de 2022, haverá uma sustentação do consumo esse ano, por conta da chegada do Auxílio Brasil, do aumento do salário mínimo e também da própria retomada do crescimento da economia do país. Esse é um panorama ocorrerá de maneira muito positiva para os setores de aves, suínos e ovos, consolidando um crescimento no consumo dessas proteínas principalmente no segundo semestre de 2022”, sugere Santin.

Panorama Global

Os Estado Unidos têm um custo de produção estável no nível atual, apesar da maior oferta de milho prevista para o ano safra 2021/2022. A estimativa é que a demanda deva continuar em alta.

Na Europa, a avicultura deve melhorar com a reabertura das economias impulsionada pelo avanço da vacinação contra a Covid-19, apesar dos custos de produção mais elevados, impactado principalmente pela mão de obra, energia e ração.

Com uma produção mais lenta neste ano, principalmente no primeiro semestre, os preços da carne suína devem permanecer estáveis na China, apresentado uma reação no segundo trimestre de 2022, cenário que impacta na produção local de carne de frango com chance de manutenção ou crescimento das exportações brasileiras da proteína para o país.

Com o fim do estado de emergência em virtude da pandemia, a expectativa é que o Japão aumente a demanda por produto importado, visto que o país está com os estoques locais ainda mais baixos do que historicamente, o gera uma grande oportunidade para o Brasil.

Produção de ovos cresce e estimativa para 2022 aumenta em 3% 

A produção de ovos deverá alcançar até 54,5 bilhões de unidades em 2021, número 1,8% superior ao registrado no ano anterior, com 53,5 bilhões de unidades. Já o volume projetado para 2022 poderá chegar até 56,2 bilhões de unidades, volume 3% maior em relação a 2021.

A estimativa é encerrar 2021 com o consumo per capita a 255 unidades, número 1,5% maior que o consumo registrado em 2020, com 251 unidades, contudo superior à média mundial que é de 230 ovos por habitante/ano. E em 2022, o consumo per capita projetado deve alcançar 262 unidades, número 2,5% maior que o esperado para 2021.

Em exportações, as projeções para 2021 apontam para embarques totais de 9,5 mil toneladas, número 52,9% superior ao alcançado em 2020, com 6,2 mil toneladas. Em 2022, as vendas internacionais poderão chegar a 10,2 mil toneladas, volume que supera em 6,5% as exportações projetadas para 2021. Tanto a produção quanto o consumo per capita projetados para 2021 e 2022 são recordes históricos.

De janeiro a novembro, as exportações de ovos atingiram 8,8 mil toneladas, o que representa um crescimento de 84,2%, gerando uma receita de R$ 14 milhões no período. “Esse crescimento se deu basicamente consolidando os Emirados Árabes como principal destino das exportações de ovos do Brasil, como também do Japão, do Catar, entre outros, demonstrando que o setor está crescendo”, considera Santin.

O principal Estado exportador é o Mato Grosso, com share de 45%, seguido de Rio Grande do Sul (19%), Minas Gerais (17%), São Paulo (11%) e outros com 8%. No entanto, o total das exportações de ovos do país é menor que 0,5%. “O ovo ainda tem seu foco principal no mercado interno”, evidencia o presidente da ABPA.

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

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Avicultura Protagonista

Na avicultura, Paraná tem crescimento acima da média e responde por 34% da produção nacional

Setor cresce mais de 6% no Estado e gera 89 mil postos de trabalho diretos em 2021, de acordo com Sindiavipar.

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Arquivo OP Rural

Responsável por um terço da produção avícola nacional, o Paraná se firma também como principal exportador da carne de frango, respondendo por 40% do produto enviado para fora do país. Até novembro, o Estado havia exportado 1,6 milhão toneladas do produto, 9% a mais em relação a 2020, movimentando no período mais de U$S 2 bilhões, segundo informações da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A proteína também é um dos principais contribuintes para o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) brasileira, gerando um faturamento de R$ 108,6 milhões, o que representa 9,75% do total da receita gerada, figurando em quarto lugar no ranking entre os principais contribuintes para a formação do índice. Maior produtor de carne de frango, o Paraná movimenta R$ 36 milhões em receita para o VBP do Estado, um crescimento e 19,27% em relação ao ano anterior.

No acumulado dos dez primeiros meses do ano passado, foram abatidas 1,6 bilhão de aves. A produção em solo paranaense está concentrada em cerca de 18,5 mil aviários, distribuídos em 8,7 mil propriedades rurais. A atividade gera 89 mil empregos diretos na indústria e estima-se que outros 12 a 17 postos de trabalho são gerados de forma indireta, impactando mais de um milhão de paranaenses no setor.

Presidente do Sindiavipar, Irineo da Costa Rodrigues: “Existe demanda para crescermos ainda mais e existe vontade de investir, mas se houver dificuldade em produzir milho e soja nós teremos impacto nos índices de crescimento da avicultura” – Foto: Divulgação

Elevação no custo da energia elétrica, falta de mão de obra, alta no preço dos insumos, embalagens e combustíveis foram algumas das dificuldades que precisaram ser superadas ao longo de 2021 pela cadeia produtiva. Mesmo com esses desafios, o setor apresentou um crescimento superior a 6% no último ano, segundo o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar). “A avicultura paranaense teve um desempenho positivo em 2021, apesar do forte impacto gerado pelo aumento dos grãos e dos custos para conseguir se manter na atividade, ainda assim, houve ampliação nos negócios, com novos produtores entrando na atividade e outros modernizando as instalações dos aviários, mas foi um ano de dificuldade, onde o setor se mostrou ser bem resiliente, aguentou firme, gerou mais empregos e cresceu”, afirma o presidente do Sindiavipar, Irineo da Costa Rodrigues.

Protagonista na produção avícola, o Estado representa 34% do que é produzido no país e ano após ano vem apresentando crescimento acima da média nacional. Para Rodrigues, essa evolução é reflexo da concentração da atividade pela agricultura familiar, característica fundamental para o desenvolvimento da avicultura na região Sul do país.  “A região Sul do país se destaca pela agricultura familiar, no entanto, Santa Catarina e Rio Grande do Sul não tem uma produção de grãos tão farta quanto o Paraná, que produz em grande quantidade e tem uma agricultura familiar muito forte, que possibilita o desenvolvimento da avicultura. Enquanto na região Centro-Oeste tem fartura de grãos, mas não tem a agricultura familiar que nós temos, então o Paraná tem as melhores condições para o setor crescer de forma contínua”, destaca Rodrigues.

Outra característica do Estado que fortalece a atividade é a integração produtor-cooperativa, o que contribuiu para que os avicultores não fossem tão afetados pela alta dos custos de produção, uma vez que neste modelo da cadeia produtiva, a empresa integradora oferta a ração e demais insumos para a produção e os produtores são responsáveis pela mão de obra e energia elétrica da propriedade.

De olho no presente com foco no futuro

Um dos grandes desafios do setor é com os custos da energia elétrica, item que mais pesa no bolso do produtor. Com o fim do subsídio do programa Tarifa Rural Noturna (TRN), que será extinto em dezembro, o Sindiavipar busca junto as integradoras alternativas para oferecer aos avicultores, como a geração de energia solar ou a biogás. “A partir de janeiro de 2023 a conta de energia será mais cara, então é urgente a necessidade do produtor buscar novas fontes de energia a fim de minimizar seus custos e a energia solar ou a biogás são duas alternativas para isso”, salienta, exemplificando: “Um produtor que tem uma propriedade grande terá um impacto entre R$ 7 a R$ 8 mil mensal com a energia elétrica sem o subsídio, por outro lado, com a energia solar esse custo pode cair entre 60% a 90%, então é fundamental que o produtor encare a energia como um custo que pode mitigar com uma energia alternativa”.

Outra frente fomentada pelo sindicato é o Programa de Cereais de Inverno, que visa buscar outras culturas para a composição da ração em alternativa ao milho, principal componente da alimentação para aves. “Vivemos uma escassez de milho com novo patamar de preço. Pensando nisso, o Paraná tem cerca de 2.730 mil hectares que ficam em pousio (fase sem plantio) durante o inverno, área que pode ser plantada grãos como trigo, triticale, sorgo e aveia, culturas que podem substituir parte do milho na ração”, pontua.

Uma das grandes preocupações elencadas pelo presidente do Sindiavipar é em relação a sanidade avícola do plantel paranaense. “Não podemos em hipótese nenhuma correr o risco de uma enfermidade no plantel por um descuido, por isso é necessário que os produtores sigam à risca as recomendações de biosseguridade”, ressalta Rodrigues.

Otimismo

Apesar de não haver boas perspectivas para a safra de verão na região Sul, em razão da escassez hídrica que tem gerado períodos longos de estiagem, e já apresenta redução de produtividade em lavouras de milho, sobretudo no Rio Grande do Sul, Rodrigues é otimista quanto a safra de soja, plantada mais cedo, e o próximo ciclo da safra de milho, que deve ter melhores condições climáticas para o desenvolvimento da planta. “Não teremos uma safra de verão satisfatória em virtude dos problemas com a seca, mas como plantamos soja mais cedo, com perspectiva de colher no fim de janeiro acredito que teremos uma boa safra. Em seguida, vamos plantar uma grande safra de milho, em situações climáticas mais amenas, que vai beneficiar o cultivo do grão e vamos conseguir reduzir a médio prazo os custos na produção da ração, dando um fôlego para avicultura”, anseia Rodrigues.

Ele ainda diz que há muito espaço para o setor crescer em solo paranaense e que novos investimentos estão sendo projetados, no entanto a escassez de grão para produção de ração é um dos fatores que preocupa a cadeia produtiva. “Existe demanda para crescermos ainda mais e existe vontade de investir, mas se houver dificuldade em produzir milho e soja nós teremos impacto nos índices de crescimento da avicultura, tanto no Estado como no país”

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

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Avicultura Aves, suínos e bovinos

Moduladores biológicos para inibição competitiva de patógenos no ambiente de criação

Uma das principais vantagens da utilização de Bacillus spp. como moduladores biológicos durante a produção é a alta eficiência na esporulação quando os meios corretos e as condições de processo são usados.

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Arquivo/OP Rural

O gênero Bacillus são bactérias Gram-positivas, produtoras de catalase e em forma de bastonete, onipresentes no solo, ar e água. Sua principal vantagem sobre outras espécies é sua capacidade inerente de formar esporos que retomam a viabilidade em condições favoráveis.

Os produtos à base de Bacillus possuem diversas aplicações de trabalho na indústria, com aplicações em quase todos os setores de produção de aves, suínos, bovinos, peixes, caprinos, etc. Como resultado, esses microrganismos estão ganhando mais interesse para uso como moduladores biológicos em processos de criação de animais, auxiliando na melhora do bem-estar animal e consequentemente melhora no desempenho zootécnico.

As bactérias do grupo Bacillus são historicamente conhecidas por sua capacidade de esporular, e os endósporos são notavelmente estáveis ​​e resistentes a agressões externas, produzindo esporos que permanecem viáveis por um longo período. As espécies de Bacillus demonstraram possuir melhores propriedades atribuíveis à sua capacidade de produzir substâncias antimicrobianas que são efetivas contra muitos microrganismos e são não patogênicas e não tóxicas, juntamente com sua capacidade de esporulação (ou seja, que estender seu período de eficácia), dá-lhes uma vantagem dupla em termos de sobrevivência (tolerância ao calor e maior vida útil) em diversos ambientes.

Uma das principais vantagens da utilização de Bacillus spp. como moduladores biológicos durante a produção é a alta eficiência na esporulação quando os meios corretos e as condições de processo são usados. A forma do esporo é extremamente importante para a sobrevivência das cepas e por causa de sua capacidade de produzir metabólitos os Bacillus possuem ação contra microrganismos patogênicos (Escherichia coli, Salmonella spp., Clostridium spp.). Os Bacillus apresentam atividade antimicrobiana de amplo espectro de ação e têm sido amplamente utilizados como agentes para controlar a multiplicação dessas bactérias patogênicas que estão naturalmente presentes no ambiente de criação dos animais.

Exclusão competitiva

Uma maneira de controlar a multiplicação de patógenos no ambiente de criação é a exclusão competitiva, que está relacionada à exclusão de patógenos indesejáveis ​​por microrganismos que competem com os Bacillus no ambiente. Os mecanismos usados ​​pelos Bacillus para reduzir o crescimento de espécies patogênicas variam, incluindo competição por locais físicos de fixação e espaço, competição direta e indireta por nutrientes essenciais, produção de compostos antimicrobianos, regulação do microbioma e interações sinérgicas dos mencionados mecanismos.

A produção de compostos antimicrobianos é outro mecanismo de exclusão competitiva. Os Bacillus spp. são capazes de produzir muitos peptídeos antimicrobianos como lipopeptídeos, surfactinas, bacteriocinas e substâncias inibidoras. Os mecanismos comuns de morte mediada por bacteriocina incluem a destruição de células patogênicas pela formação de poros e/ou inibição da síntese da parede celular e interrupção do DNA, RNA e metabolismo de proteínas.

Quando aplicados no ambiente, os Bacillus spp. têm a capacidade de afetar positivamente o crescimento dos microrganismos nativos, por meio do consumo de oxigênio, desenvolvendo um ambiente micro-anaeróbio mais favorável, apoiando assim o crescimento de espécies necessárias proporcionando melhoras de ambiência e consequentemente o bem-estar animal.

Outro mecanismo de exclusão competitiva é a absorção competitiva de nutrientes essenciais necessários para o crescimento do patógeno. A absorção mais rápida de nutrientes como carbono, glicose e ferro permite que ocorra inibição do crescimento do patógeno. Sendo Bacillus spp. um heterotrófico e fastidioso que têm uma maior taxa de utilização de carbono orgânico e proteína que lhes permite vencer os microrganismos patogênicos. Além disso, algumas dessas bactérias produzem ácido láctico, facilitando a exclusão de patógenos sensíveis ao pH.

Contudo, quanto menor o número de bactérias patogênicas presentes no ambiente, menor é a ativação do sistema imunológico, enquanto mantém a tolerância aos antígenos de alimentos e bactérias comensais, promovendo ganhos nos indicadores zootécnicos como conversão alimentar e diminuição da mortalidade detalhados na Figura 1.

Os principais efeitos benéficos dos Bacillus spp. na ambiência e bem-estar animal, os mesmos apresentam vantagens auxiliares em relação ao tratamento de resíduos desses estabelecimentos, pois a natureza intensiva da produção tem gerado preocupações ambientais, enquanto os produtores estão sob intensa pressão para cumprir os regulamentos já que os principais resíduos provenientes da indústria avícola são compostos por esterco, efluentes e emissões de amônia.

A exposição prolongada às concentrações de amônia pode levar a uma diminuição na eficiência alimentar, aumento da suscetibilidade a doenças, perda e danos desses animais. Além disso, também representa um risco para a saúde dos trabalhadores agrícolas, sendo os Bacillus uma solução eficaz e segura a esses locais.

Na mesma via, o aumento nos estudos sobre Bacillus spp. parece indicar maior prova da adequação desse gênero como modulador biológico na fase de criação de animais para produção de alimentos para obter o melhor desempenho e rentabilidade na produção animal de aves, bovinos e suínos conforme pode ser observado na Figura 1.

Figura 1 – Índice de conversão e mortalidade de aves e suínos com a utilização de moduladores biológico.

Fonte: Por Paulo Cesar Guarnieri e Vinicius Badia, da Engenutri
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