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Avicultura

Prosperidade da avicultura não chega ao produtor

Mais uma vez, levantamento dos custos de produção revela que setor fechou no vermelho. Conjuntura deve fazer com que apenas médios e grandes prevaleçam

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Destaque absoluto no cenário nacional, a avicultura paranaense vem batendo recordes ano a ano. O Estado é líder absoluto na produção, respondendo por 34,5% dos abates – mais do que Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul, juntos. A importância também se reflete no mercado internacional, com a ampliação das vendas à China e abertura de mercado em Israel. Apesar do sucesso da porteira para fora, mais uma vez os custos de produção fizeram com que os avicultores paranaenses fechassem o ano no vermelho. Ou seja, se alguém está ganhando dinheiro no setor, não é o produtor.

Concluído em novembro, o mais recente levantamento dos custos de produção elaborado pelo Sistema Faep/Senar-PR mostra que o saldo sobre o custo total foi negativo em todas as regiões do Paraná. Em alguns polos produtivos, como Chopinzinho, no Sudoeste do Estado, os avicultores não conseguiram cobrir nem os custos variáveis – valores que o produtor dispõe para produzir o lote. De modo geral, energia elétrica e combustíveis foram os itens que mais pesaram sobre a atividade. Para complicar ainda mais a situação, o dinheiro obtido com a venda de cama aviária despencou, contribuindo para o desequilíbrio das contas.

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As dificuldades de quem mantém os aviários chegam a impressionar, se colocadas em perspectivas com a pujança da atividade. Entre janeiro e outubro deste ano, a avicultura paranaense movimentou mais de US$ 3,2 bilhões só com as exportações, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério de Desenvolvimento, Indústria,

Comércio e Serviços (MDIC). No mercado interno, o Paraná abateu mais de 3,5 bilhões de toneladas. Para o setor produtivo, a chave para a sustentabilidade da cadeia é a transparência. Hoje, os avicultores colocam seus custos na mesa, mas têm dificuldades de obter os dados da indústria. As exportações sobem, novos mercados internacionais se abrem e essa prosperidade não chega para o produtor, que acumula saldos negativos. O avicultor não está vendo esse dinheiro. Não estamos dizendo que a indústria é o vilão. Ela tem custos de estoque, armazenamento e beneficiamento. Mas é preciso ter transparência, para que se chegue a uma remuneração mais justa e que garanta a sustentabilidade da cadeia”, expõe Fábio Mezzadri, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep/Senar-PR.

Segundo Diener Santana, presidente da Comissão Técnica (CT) de Avicultura da FAEP, os números mostrados pela indústria são limitados e, portanto, não são suficientes para entender as condições de remuneração do setor produtivo. “A indústria simplesmente abre um valor quando o operacional está em prejuízo. Mas a cadeia em si, de onde vêm esses números, eles não abrem para os produtores. Na contramão, eles têm na ponta do lápis todo o nosso custo de produção”, relata. “As tentativas de negociação acabam sendo desgastantes para o produtor, que já está em dificuldades, com os custos subindo e as margens cada vez mais apertadas”, complementa Santana.

Mudança de perfil
A tendência é de que essa dinâmica acentue uma mudança na configuração da avicultura estadual, o que já é visível no campo. Com os custos altos e margens apertadas, apenas médios e grandes avicultores devem seguir na atividade, que passam a garantir a rentabilidade a partir do aumento da escala. Também devem se sobressair produtores que se dediquem à avicultura em consórcio com outras atividades – como o cultivo de grãos –, o que permite diluir os custos.

“O que temos visto é a concentração da atividade na mão dos grandes, que conseguem ganhar em escala, que reduzem os custos, por sistemas de energia alternativa ou cultivo das próprias florestas, e que têm condições de acessar financiamentos em melhores condições. O pequeno já está apavorado. Não consegue pôr sistema fotovoltaico, está preso a financiamentos e a essa condição de baixa rentabilidade. A tendência é que a avicultura se torne uma atividade de grandes produtores”, avalia Mezzadri.

Elivelton Antônio Bosi é filho de avicultores e se dedica à atividade em duas propriedades em Chopinzinho (PR) – Fotos: Arquivo pessoal

É o caso do produtor Elivelton Antônio Bosi, de Chopinzinho (PR). Filho de avicultores, o negócio da família está centrado em duas propriedades, com capacidade conjunta de alojar 150 mil aves por lote. Além disso, o negócio também contempla o cultivo de grãos. Mesmo com os custos em alta, Bosi se prepara para expandir os aviários, para ganhar em escala. Mas só os investimentos não bastam.

O avicultor profissionalizou a gestão das propriedades. Formado em Administração e com pós-graduações na área de agronegócio, Bosi embasa cada tomada de decisão em estudos do mercado. “Cada vez mais, o setor exige uma gestão apurada e tecnificada. Além da formação superior, eu fiz o Programa Empreendedor Rural [PER], tenho consultoria paga e estou antenado no mercado financeiro do setor”, diz Bosi, acrescentando: “Todas as decisões são tomadas em análises concretas. Não tem como aumentar escala ou gerir o negócio sem que se coloque tudo no papel. Tem que pensar nos aviários como uma empresa. Mesmo que as margens sejam apertadas, com porcentagens pequenas, temos que garantir que essa evolução seja constante”.

Círculo vicioso

Avicultor há 16 anos, Juarez Pompeu destaca um círculo vicioso. Com a defasagem na remuneração dos produtores ante a alta dos custos, os pequenos e/ou quem tem financiamento não conseguem reinvestir no negócio. Sem modernizar os aviários, os avicultores não atingem a eficiência exigida. “Sem os investimentos, as granjas não oferecem as condições que as aves necessitam. A conversão alimentar é menor. Aí, o produtor recebe menos. A indústria quer investimento constante, mas está impossível”, afirma.

Juarez Pompeu é avicultor há 16 anos e atualmente mantém dois aviários em Chopinzinho (PR)

Também em Chopinzinho, Pompeu mantém dois aviários, cada um com capacidade média para 13,5 mil aves. Além disso, destina 150 hectares ao cultivo de soja. O produtor diz que dificilmente conseguiria persistir caso se dedicasse apenas à avicultura. Ele menciona fatores que já evidenciam que produtores estão deixando a atividade.

“Já tem revendedores especializados em comprar aviários de produtores que não conseguiram fazer os investimentos e estão abandonando a produção. Compram os equipamentos e revendem”, conta Pompeu, ampliando: “A avicultura não é uma commodity. Ela se submete à integração. E as indústrias não estão observando as dificuldades dos avicultores. Os produtores que se dedicam só à avicultura dificilmente têm conseguido se manter na atividade. As margens são muito apertadas e os investimentos cobrados são muitos. No meu caso, eu planto soja. Estou colocando aqui e tirando dali. O investimento [na avicultura] está feito. Se eu sair, é pior”.

Para Santana, da CT de Avicultura, não é de hoje que o perfil da atividade vem se transformando. Ele explica que, com a exigência de mais tecnologia implantada nos aviários, modais cada vez maiores passaram a ser construídos para aumentar a capacidade de alojamento e diluir os custos – mas isso se aplica aos médios e grandes produtores. “Em um aviário pequeno, a implantação de tecnologia eleva muito o custo por ave, o que inviabiliza a produção. Chega num ponto que a reforma do aviário fica inviável. O produtor acaba apelando para a venda dos equipamentos e, eventualmente, se desliga da atividade”, aponta.

Componentes dos custos
Das oito regiões analisadas no levantamento realizado pelo Sistema Faep/Senar-PR, seis apresentaram altas no custo com energia elétrica. A média das regiões representou um aumento de cerca de 20% nesse item, em comparação com o levantamento anterior, realizado em maio.

De acordo com a análise do Sistema Faep/Senar-PR, a razão foi o acréscimo de 17% nas tarifas impostas sobre a classe rural e a redução de subsídios para produtores rurais. Como os gastos com energia elétrica na produção avícola são altos, podendo chegar a até 20% do custo de produção, esse aumento causa um impacto significativo nas contas da atividade.

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Por outro lado, a venda da cama de aviário, que representa uma alternativa para o equilíbrio das contas, sofreu variações alarmantes. Isso porque o preço da tonelada chegou a cair em mais de 50% em algumas localidades, caso de Cianorte, na região Noroeste do Estado. Em Toledo, no Oeste, a queda foi de 15,4%, e em Dois Vizinhos, no Sudoeste, 14,29%. Nestas regiões, a rentabilidade foi mais afetada.

Em Cianorte, por exemplo, que combinou a queda expressiva do preço da cama de aviário com a altas de mais de 20% na energia elétrica e no diesel, o saldo sobre o custo total despencou em quase todos os modais analisados. O único modal com saldo positivo teve seu lucro reduzido em mais de 40%. “A cama de aviário acompanha a venda de fertilizantes, cujos preços tiveram uma queda expressiva. É representativo, assim como a energia elétrica. Está entre os itens que determinam a renda nos aviários”, avalia Mezzadri, do DTE do Sistema Faep/Senar-PR. “A cama de frango costumava ser um lucro para o avicultor, depois virou necessidade para cobrir as contas. Agora com essa desvalorização no mercado, a situação se agravou”, constata Santana, que também é presidente do Sindicato Rural de Cianorte.

Já em relação à energia elétrica, a conclusão é que os produtores que investiram na geração de energia alternativa, como a fotovoltaica, obtiveram um diferencial na receita. Essa parcela é representada, sobretudo, por médios e grandes avicultores, que possuem condições financeiras de investir nesses sistemas, além de maior facilidade em acessar linhas de crédito com juros menores.

Outro fator que pesa nas contas dos avicultores envolve os gastos com aquecimento, que tem origem nos derivados de madeira. Diferentemente do levantamento anterior, que apontou esse item como os mais onerosos no custo de produção, os resultados de novembro mostraram estabilidade nos preços em algumas regiões, e até mesmo queda, em outras.

Além disso, com um inverno menos rigoroso, os produtores demandaram menos matéria-prima para o aquecimento dos aviários. As compras antecipadas também contribuíram para diminuir a demanda.

No entanto, este cenário não é generalizado. Mais uma vez, o Noroeste sofreu com os preços ainda altos dos derivados de madeira, por ser uma região onde a oferta é reduzida e o frete é caro. Apesar disso, a região, assim como o Sudoeste, é composta por grandes produtores, que possuem maior lastro financeiro e, assim, conseguem equilibrar melhor as contas e continuar realizando investimentos na atividade. “O pequeno produtor não está capitalizado o suficiente para ter recursos próprios e aumentar a produção. Fica difícil ter aumento de produtividade e rentabilidade na mesma proporção e que compensem os investimentos, que são de alto risco, para atender às exigências da indústria. O que estamos vendo é que o pequeno produtor está com seus dias contados”, afirma Diener Santana, presidente da CT de Avicultura do Sistema Faep/Senar-PR.

Painéis do levantamento
A partir de 2023, a rodada dos painéis de levantamento de custos de produção da avicultura passou a ser segmentada por Cadec.

Na pesquisa de novembro, participaram oito Cadecs distribuídas entre os mais importantes polos da avicultura nas regiões Sudoeste, Oeste, Centro-Oeste, Noroeste, Norte e Norte Pioneiro.

A pesquisa reuniu produtores rurais integrantes das Cadecs, profissionais das integradoras e outros agentes do setor.

União pelas Cadecs é fundamental
Diante do momento crítico, o presidente da CT de Avicultura da FAEP, Diener Santana, pede que os avicultores se mantenham unidos, principalmente por meio das Cadecs e da própria CT.

Ainda que o cenário possa parecer desanimador, o líder rural lembra das conquistas já alcançadas, que só foram possíveis graças à organização e ao fortalecimento da representatividade do setor. “A indústria está alinhada há muito mais tempo que a gente. É preciso que os produtores tragam suas pautas, façam petições, participem das reuniões, façam valer o suporte técnico e jurídico que temos com a Federação. A cadeira produtiva só terá a ganhar com isso. Só assim seremos ouvidos e teremos sucesso em negociações”, assegura.

Fonte: Assessoria Sistema Faep/Senar-PR

Avicultura

Nutrição de precisão reduz pegada de carbono e aumenta eficiência do sistema

Técnica envolve a formulação de dietas específicas e personalizadas para os animais com base em suas necessidades nutricionais individuais. Isso é alcançado através do uso de dados detalhados sobre o metabolismo, o comportamento alimentar e outros fatores biológicos dos animais.

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No contexto atual de preocupação crescente com as mudanças climáticas e a sustentabilidade ambiental, novas abordagens estão sendo exploradas em várias frentes para reduzir a pegada de carbono. Entre elas estão o uso do conceito de nutrição de precisão na agricultura, especialmente na produção de alimentos de origem animal.

Médico-veterinário, especialista em Qualidade de Alimentos, José Francisco Miranda: “É fundamental estabelecer métricas claras e realizar uma gestão eficiente das emissões de gases de efeito estufa, assim como se faz com qualquer outra área da propriedade” – Foto: Renato Lopes

A agricultura é uma das principais fontes de emissões de gases de efeito estufa, com a produção animal contribuindo de forma significativa para essa pegada ambiental. No entanto, o conceito de nutrição de precisão oferece uma solução promissora para mitigar essas emissões. “Nutrição de precisão significa usar todos os recursos relacionados ao conhecimento nutricional para que se alcance a máxima performance, segundo os parâmetros e objetivos estabelecidos. Ao empregar os recursos mais eficientes, o produtor reduzirá a utilização de recursos naturais, ao mesmo tempo em que aumentará a produção em comparação com os métodos anteriores que não faziam uso da nutrição de precisão. Essa abordagem resultará em uma pegada de carbono menor devido à redução das emissões de gases”, explica o médico-veterinário, especialista em Qualidade de Alimentos, José Francisco Miranda, que tratou desta temática durante o 21º Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos, realizado em meados de março, em Ribeirão Preto, SP.

A nutrição de precisão envolve a formulação de dietas específicas e personalizadas para os animais com base em suas necessidades nutricionais individuais. Isso é alcançado através do uso de dados detalhados sobre o metabolismo, o comportamento alimentar e outros fatores biológicos dos animais. “Ao otimizar a dieta de cada animal, é possível maximizar sua saúde e desempenho, ao mesmo tempo em que se reduz o desperdício de alimentos e se diminui a emissão de gases de efeito estufa”, afirma Miranda.

O profissional expõe ainda que dietas mais eficientes também resultam em uma produção animal mais saudável e sustentável, reduzindo a necessidade de antibióticos e outros insumos prejudiciais ao meio ambiente. “Além dos benefícios ambientais diretos, a nutrição de precisão também pode levar a melhorias significativas na eficiência da produção agrícola, resultando em custos reduzidos e uma operação mais lucrativa a longo prazo”, sustenta.

No entanto, é importante reconhecer que a implementação bem-sucedida da nutrição de precisão requer investimentos significativos em tecnologia e conhecimento especializado. “Os produtores precisam de acesso a dados precisos e confiáveis, bem como de ferramentas de formulação de dietas avançadas. Além disso, é necessário um compromisso contínuo com a pesquisa e o desenvolvimento para melhorar constantemente as práticas de nutrição de precisão e maximizar seus benefícios ambientais”, reforça.

O princípio fundamental da nutrição de precisão é buscar a otimização da performance ao menor custo de produção, ambos essenciais para a sustentabilidade. “A sustentabilidade na avicultura visa a utilização eficiente dos recursos, resultando na produção de alimentos de origem animal de alta qualidade, ao mesmo tempo em que se minimiza a geração de resíduos e reduz o impacto ambiental. É importante ressaltar que o impacto econômico está intrinsecamente ligado ao impacto ambiental”, ressalta Miranda.

Estratégias de formulação de ração

O médico-veterinário cita três estratégias de formulação de ração que podem ser adotadas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa na produção avícola, resultando em benefícios sustentáveis significativos.

A primeira delas é a redução do consumo de grãos, optando por formulações de ração que minimizem a quantidade de grãos utilizados e substituindo-os por ingredientes alternativos que tenham menor impacto ambiental.

Em seguida, a melhoria da conversão alimentar, aperfeiçoando a eficiência dessa conversão através de dietas balanceadas e ajustadas de acordo com as necessidades específicas de cada fase de crescimento das aves, resultando em menor desperdício de alimentos e menor produção de resíduos.

Por fim, o aprimoramento dos produtos comercializáveis, investindo em estratégias que promovam a qualidade dos produtos avícolas, como a seleção de ingredientes de alta qualidade, o uso de aditivos benéficos para a saúde das aves e a garantia de padrões elevados de higiene e segurança alimentar durante todo o processo de produção. “Ao adotar essas medidas é possível não apenas reduzir as emissões de gases de efeito estufa na produção avícola, mas também promover uma abordagem mais sustentável e responsável dentro do setor”, salienta.

Dieta personalizada

Personalizar a dieta das aves de acordo com suas necessidades nutricionais individuais pode desempenhar um papel significativo na redução do desperdício de alimentos e, por consequência, na diminuição da pegada de carbono.

O desperdício de alimentos é uma preocupação global e, na avicultura, isso pode ser minimizado através da formulação de dietas precisas que atendam exatamente aos requisitos nutricionais de cada ave. O especialista em Qualidade de Alimento diz que ao oferecer uma dieta personalizada é possível evitar o excesso de alimentação e garantir que cada nutriente seja utilizado de forma eficiente pelo animal, resultando em menor desperdício. Além disso, ao reduzir o desperdício de alimentos, também se reduz a quantidade de resíduos orgânicos que são produzidos, contribuindo para uma menor pegada de carbono. “Uso de vitaminas para ossos saudáveis, sistema imune ativo e uso de produtos para saúde das aves como os eubióticos permitem que os animais produzam com melhor eficiência, isto é, produtos vendáveis, saudáveis e seguros. Isto certamente traz benefícios ao planeta”, enfatiza.

Desafios na implementação

Fotos: Arquivo/OP Rural

O profissional aponta que o principal desafio para implementar uma nutrição de precisão na avicultura é dar o primeiro passo. “Apesar de existir muitos produtos e soluções de qualidade no mercado, e de contarmos com técnicos especializados capazes de auxiliar os produtores, é necessário começar a implementar de fato a nutrição de precisão. Isso envolve o uso dos produtos disponíveis e a medição dos resultados obtidos. Sem medição não é possível realizar uma gestão eficaz e, consequentemente, não se pode obter os benefícios da nutrição de precisão na redução da pegada de carbono”, evidencia.

Melhor aproveitamento dos grãos

Os benefícios mais significativos da nutrição de precisão em comparação com os métodos tradicionais de alimentação avícola estão relacionados ao melhor aproveitamento dos grãos. “Ao utilizar uma menor quantidade de grãos e ainda assim obter o mesmo resultado zootécnico ou até mesmo um resultado melhor, graças ao uso de aditivos e tecnologia na nutrição de precisão, é possível reduzir o impacto ambiental da produção avícola. Isso ocorre porque a nutrição de precisão permite uma formulação mais precisa das dietas, atendendo às necessidades nutricionais das aves de forma mais eficiente, o que resulta em uma menor produção de resíduos e emissões”, assegura.

Integração ente monitorização e tecnologia de precisão

A monitorização e a tecnologia de precisão exercem uma importância muito grande na gestão diária das granjas avícolas. Miranda diz que ao serem integradas aos sistemas de produção, essas ferramentas possibilitam uma gestão mais eficiente, permitindo evitar desperdícios e gerando dados que podem ser utilizados para medir e melhorar o desempenho ambiental. “Através da monitorização constante é possível identificar oportunidades de otimização da eficiência alimentar, ajustando as dietas das aves de acordo com suas necessidades específicas e reduzindo assim o impacto ambiental da produção avícola”, aponta.

Impactos econômicos positivos

A adoção da nutrição de precisão na avicultura pode ter impactos econômicos significativos, especialmente quando se consideram os benefícios ambientais esperados. Entre os principais impactos econômicos estão a redução do custo da ração, menor custo produtivo por quilo de produto vendável produzido, menor desperdício e menor custo para fazer a compensação de carbono, caso esta seja uma estratégia do produtor ou empresa. “A redução das emissões resultante da nutrição de precisão diminui a quantidade necessária de compensação, com isso o custo de compra de carbono para compensar também será menor”, informa.

Métricas

Atualmente, Miranda afirma que a métrica mais comum para avaliar o sucesso da implementação da nutrição de precisão na redução da pegada de carbono na avicultura é a quantidade de gases de efeito estufa equivalentes emitidos por quilo de produto produzido, expresso pela unidade de medida KgCO2eq/Kg. “Porém, muito em breve, veremos outras métricas sendo reclamadas ou trabalhadas, como a eutrofização de água doce ou água salgada, o uso da água e a quantidade de solo explorado”, relata.

Práticas de manejo ambiental

Miranda enfatiza que uma nutrição de precisão não apenas otimiza a eficiência alimentar das aves, mas também pode facilitar o tratamento de resíduos. “Ao utilizar uma dieta mais precisa e balanceada, os resíduos gerados tendem a ser mais homogêneos e mais fáceis de serem tratados. Isso permite que os produtores implementem sistemas de tratamento de resíduos mais eficientes, contribuindo ainda mais para a redução do impacto ambiental da produção avícola”.

O especialista em Qualidade de Alimentos frisa que é importante os produtores entendam que sustentabilidade é como qualquer outra área da sua propriedade. “É fundamental estabelecer métricas claras e realizar uma gestão eficiente das emissões de gases de efeito estufa, assim como se faz com qualquer outra área da propriedade. Medir as emissões por quilo de produto produzido e buscar de forma contínua sua redução são práticas essenciais. Essas medições não só confirmam as reduções alcançadas, mas também possibilitam uma comunicação clara e transparente dos benefícios e melhorias alcançados, tanto para os consumidores quanto para os órgãos reguladores”, expõe.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse a versão digital de Avicultura de Corte e Postura clicando aqui. Boa leitura

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Catástrofe no Rio Grande do Sul gera prejuízos de R$ 182,9 milhões na avicultura

Outros prejuízos incluem a inadimplência de clientes, como minimercados, mercados e supermercados, que perderam todo o estoque e, sem capacidade operacional, não conseguirão pagar as dívidas de curto prazo, impactando o faturamento das indústrias.

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Foto: Ricardo Stuckert/ PR

Nesta semana, a Organização Avícola do Rio Grande do Sul (O.A.RS) e suas entidades Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e o Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas no Estado do RS (Sipargs) divulgaram dados preliminares coletados entre 05 e 20 de maio sobre os prejuízos contabilizados na avicultura gaúcha em decorrência da catástrofe climática que atingiu o Rio Grande do Sul desde o fim de abril.

Após uma série de análises e avaliações, o diagnóstico inicial identificou perdas significativas. As perdas de aves de corte foram de 279 mil, resultando em um prejuízo de R$ 2,8 milhões. A avicultura de poedeiras sofreu a perda de 150 mil aves, com prejuízos avaliados em R$ 3,6 milhões. Em termos de genética e ovos férteis, as perdas incluem 644 mil pintos de corte, 722.530 ovos férteis, 120.210 matrizes, 2.800 avós, 300 mil pintos de corte caipira e 100 mil pintos de postura caipira, além de 258.863 na produção de ovos e 266.892 na eclosão de pintos, totalizando um prejuízo de R$ 13.612.488,80. O subtotal das perdas atinge R$ 20.012.488,20.

Os danos às estruturas também foram significativos, com perdas parciais avaliadas em R$ 30.599.000,00 e perdas totais de R$ 15.877.334,70. Outros prejuízos, incluindo inadimplência de clientes afetados diretamente pelas enchentes, perda de veículos, caminhões, estoques de embalagens e ração, totalizam R$ 116,4 milhões. O prejuízo total estimado chega a R$ 182,9 milhões até o dia 20 de maio de 2024.

As perdas de aves e genética são resultado direto das condições climáticas extremas, conforme relatado por empresas e produtores afetados. No que se refere às estruturas, as perdas incluem danos a aproximadamente 20 aviários, fábricas de rações inundadas, indústrias de processamento de alimentos com destruição de maquinário e equipamentos, e quatro frigoríficos com atividades paralisadas. Equipamentos de aviários, como comedouros, bebedouros e ninhos, também foram prejudicados, aumentando os prejuízos dos produtores.

Outros prejuízos

Outros prejuízos incluem a inadimplência de clientes, como minimercados, mercados e supermercados, que perderam todo o estoque e, sem capacidade operacional, não conseguirão pagar as dívidas de curto prazo, impactando o faturamento das indústrias. Houve também perdas de veículos, caminhões, estoques de embalagens e rações. Adicionalmente, os resultados zootécnicos no frango de corte foram afetados, com aumento da conversão alimentar e mortalidade.

Conforme as entidades, esta apuração parcial traz um cenário preocupante de prejuízos para produtores, cooperativas e indústrias. “Ainda estão em fase de avaliação os levantamentos dos prejuízos de algumas indústrias e produtores, que deverão ser atualizados o mais breve possível para complementar as informações gerais de destruição”,informa a nota divulgada à imprensa.

E complementa: “A situação requer máxima atenção das autoridades governamentais, bancos e instituições, pois produtores e indústrias necessitam urgentemente de recursos emergenciais com agilidade e sem burocracias excessivas, para evitar a inviabilização de muitas atividades rurais, empregos e produção de alimentos”.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Após oito anos

UFSM retoma tradicional Simpósio de Sanidade Avícola

Evento será realizado de forma on-line, entre os dias 05 e 07 de junho, permitindo a participação de estudantes e profissionais de diversas regiões do país.

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Foto: Julio Bittencourt

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) está em clima de celebração com o retorno do Simpósio de Sanidade Avícola, que volta a acontecer após um hiato de oito anos. Este evento, anteriormente coordenado pela professora doutora Maristela Lovato Flores, teve sua última edição em 2016 e agora ressurge graças aos esforços do Grupo de Estudos em Avicultura e Sanidade Avícola da UFSM (Geasa/UFSM). O Jornal O Presente Rural será parceiro de mídia da edição 2024 do evento.

Sob a nova liderança dos professores doutores Helton Fernandes dos Santos e Paulo Dilkin, o evento chega a 11ª edição e promete manter o alto padrão técnico-científico que sempre marcou suas edições anteriores. “Estamos imensamente satisfeitos e felizes em anunciar o retorno deste evento tão importante para a comunidade avícola”, declararam os coordenadores.

O Simpósio está marcado para os dias 05, 06 e 07 de junho e será realizado de forma on-line, permitindo a participação de estudantes e profissionais de diversas regiões do país. “Com um programa cuidadosamente planejado ao longo dos últimos meses, o evento pretende aprofundar os conhecimentos sobre sanidade avícola, abrangendo temas atuais e pertinentes à Medicina Veterinária, Agronomia e Zootecnia”, evidenciou o presidente do Geasa/UFSM, Matheus Pupp de Araujo Rosa.

Entre as novidades deste ano, destaca-se o caráter beneficente do evento. Em solidariedade às vítimas das recentes enchentes que atingiram o estado do Rio Grande do Sul, 50% do valor arrecadado com as inscrições será doado para ajudar aqueles que foram afetados por essa adversidade.

Os organizadores também garantem a presença de palestrantes de renome, que irão abordar as principais pautas relacionadas à sanidade nos diversos setores da avicultura. “Estamos empenhados em proporcionar um evento de alta qualidade, que contribua significativamente para o desenvolvimento profissional dos participantes”, afirmaram.

Em breve, mais detalhes sobre os palestrantes, temas específicos e informações sobre inscrições serão divulgados. Para acompanhar todas as atualizações, você pode também seguir  o perfil oficial do Geasa/UFSM pelo Instagram. “O Simpósio de Sanidade Avícola é uma excelente oportunidade para a comunidade acadêmica e profissional se reunir, trocar conhecimentos e contribuir para o avanço da avicultura, enquanto também apoia uma causa social de grande relevância”, ressalta Matheus.

Fonte: O Presente Rural
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