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Projeto de inovação em queijos finos impulsiona protagonismo do setor no Paraná

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Foto: Michael Juliano

Paixão, pesquisa e desenvolvimento regional estão por trás da história do Projeto de Queijos Finos do Biopark. O que no início era apenas um sonho, se tornou mais um dos propósitos de vida dos empreendedores Carmen e Luiz Donaduzzi, fundadores do Parque Tecnológico, localizado em Toledo, no Oeste do Paraná.

Com foco em promover a produção de queijos com maior valor agregado, o projeto leva tecnologia e inovação para o campo. “Nós conhecemos queijos finos na França, por termos morado e estudado lá e assim tivemos essa ideia para a Região que tem uma grande bacia leiteira. Criar vacas, tirar o leite e tratar os animais todos os dias exige muito sacrifício e com o Projeto de Queijos Finos do Biopark nós mudamos esse cenário; valorizamos e levamos inovação para as propriedades”, explica Carmen Donaduzzi.

Para constituir uma equipe para o laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) em Queijos Finos, o Biopark buscou referências internacionais, como a Universidade Laval, do Québec, Canadá. “Na época, já tínhamos uma tendência muito grande de trazer universidades de fora e assim conhecemos um professor do Canadá que contratamos e veio dar o start do Projeto. Ele nos ensinou a fazer queijos, ficou um tempo e assim começamos a desenvolver no laboratório”, conta Carmen, grande entusiasta e apoiadora do projeto.

Do início até hoje, o programa continua sendo gratuito para os produtores que recebem, além da tecnologia para a produção do queijo, um diagnóstico da propriedade, auxílio na parte documental para registro do produto, suporte para a estruturação da agroindústria, apoio para o desenvolvimento das embalagens, mentorias especializadas, entre outros.

Produzir queijos com alto valor agregado é um caminho que leva à novas histórias de conquistas e empreendedorismo. “Existe uma Márcia antes e outra depois do Projeto de Queijos Finos do Biopark. Eu era uma produtora rural, hoje, sou também uma empreendedora diferenciada; com duas marcas de queijo consolidadas. A minha propriedade evoluiu e ainda tenho passos maiores para dar com a minha agroindústria em construção; quando estiver finalizada desenvolverei mais tipos de queijos”, comemora a produtora Marcia Seibert Ludwig, de Sede Alvora (Cascavel), que produz os queijos finos tipo Gouda e Morbier Café.

Além dela, já comercializam queijos do Projeto as produtoras Cirlei Rossi dos Santos, de Toledo, com Morbier Café e Saint-Paulin, Elis Carla Colombi, de Diamante D’Oeste, com o queijo tipo Saint-Paulin, e Gelir Giombelli com o Tomme Negro D’Oeste. A Flor da Terra Queijos Finos, marca própria do Biopark, produz os queijos tipo Brie, Camembert, Petit Brie Triplo Creme, Creme de Brie e Cheddar D’Or. Ao todo, 13 produtores das cidades de Toledo, Cascavel, Assis Chateaubriand, Entre Rios D´ Oeste, Palotina, Nova Santa Rosa, Mercedes e Diamante D´Oeste, estão envolvidos com o Projeto – seja em fase de diagnóstico, adequações ou transferência de tecnologia.

O pesquisador do laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Queijos Finos, Kennidy de Bortoli, que está no Projeto desde o início, ressalta que além da valorização do leite, os produtores envolvidos continuam na propriedade com a certeza que podem ganhar mais com o produto do campo. “Tenho muito respeito com as produtoras e me emociono quando vejo tudo que foi construído em apenas três anos e todo o potencial que ainda temos”, enfatiza.

Permanecer na propriedade foi uma decisão da produtora Cirlei Rossi, que encontrou no Projeto uma motivação familiar. “É uma oportunidade de aprendizagem para a família inteira, fez com que eu, meu marido e meus filhos quiséssemos investir no campo”, ressalta.

Qualidade do laboratório à propriedade 

Atualmente, 36 tipos de queijos estão sendo desenvolvidos em Laboratório. De acordo com a analista de PDI, Pâmela Schneider, o laboratório se preocupa com a realidade de cada produtor. “A realidade do laboratório não é a mesma do produtor e nós adequamos tudo que precisar, toda a estrutura da agroindústria quando já existe e se não existe, nós ajudamos a estruturar. Esse é um grande diferencial”.

O Programa de Queijos Finos do Biopark atua nas propriedades com o suporte dos Responsáveis Técnicos (RT) que orientam os produtores na melhoria e padronização do produto para manter o sabor e a qualidade dos queijos. Para isso, o RT elabora, implanta e verifica a qualidade. A atenção ao prazo das licenças, relatórios de produção, comercialização e o acompanhamento das análises, validam a qualidade do produto.

O processo de implantação e verificação da qualidade faz a diferença no produto final. “Quando uma pessoa entra para o Projeto, não é apenas fazer o queijo, temos que pensar tudo que cerca a produção do leite, desde a raça do animal, a idade e a saúde por exemplo. Mostramos o lado sanitário e o que fazer para melhorar a qualidade e aumentar a produção de leite”, acrescenta Carmen Donaduzzi.

Todos os queijos, antes de serem comercializados, passam por análises microbiológicas, físico-químicas e sensoriais – esta última realizada por analistas treinados pelo Biopark. “Os queijos são liberados somente depois de passarem por todos os testes. Se não passar, o lote não vai para o mercado. Inclusive porque na embalagem, tem o Selo de Qualidade do Biopark; isso significa que foi analisado e que pode ser consumido com segurança”, explica Carmen.

De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), dados do último relatório do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), apontam que o Paraná produziu em 2020, 4,7 bilhões de litros de leite. O Estado é o segundo maior produtor do país, atrás apenas de Minas Gerais. Toledo é a segunda cidade que mais produziu, com 71.534.630 litros de leite, atrás de Marechal Cândido Rondon, com 74.944.350 litros. “Com relação à produção de queijos, é importante citar que uma matéria-prima de qualidade é a base para derivados de qualidade. Os indicadores microbiológicos e físico-químicos do leite no Paraná vêm melhorando ano após ano”, ressalta o médico veterinário do Deral/Seab, Thiago De Marchi.

Protagonismo no Oeste

Entre 2020 e 2021, o Projeto contou com o apoio do Sebrae no desenvolvimento de um check-list das agroindústrias para a adesão ao Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte do Paraná (Suasa/Susaf-PR), que possibilita a comercialização em todo o Estado. “A parceria com o Sebrae enriqueceu e complementou o trabalho. Por meio do acompanhamento realizado à campo, foi possível ter uma dimensão do estado que cada produtor está frente a adesão Suasa/Susaf-PR. Isso, retroalimentou o plano de ação que temos com cada um, sendo uma ótima ferramenta de diagnóstico”, ressalta a supervisora de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Biopark, Carolina Balera Trombini.

De acordo com o consultor do Sebrae/PR, Edson Braga, a parceria proporcionou ainda uma gestão de resultados nas propriedades dos produtores que fazem parte do Projeto. “No primeiro momento, nós entramos com a parte de gestão da propriedade e depois acrescentamos a parte do desenvolvimento do check-list para a adesão do Suasa/Susaf, mantendo a qualidade dentro das normas exigidas pelas entidades responsáveis. O Sebrae conheceu de perto os empresários rurais do Biopark e o comprometimento na entrega de produtos de qualidade”, finaliza.

Queijos premiados

Três queijos produzidos com a tecnologia do Projeto foram premiados no 2º Mundial do Queijo do Brasil. Os queijos tipo Camembert, da Queijaria Flor da Terra e o Tomme Negro D´Oeste, da produtora Gelir Giombelli, levaram medalha de prata e o queijo tipo Gouda, da produtora Marcia Ludwig, ficou com o bronze. Foram mais de 1.100 inscrições de 11 países que passaram por avaliações como textura, aspecto externo e interno, entre outras características sensoriais.

Gelir comemora a premiação. “Ainda não caiu a ficha, eu não esperava essa premiação e estou muito emocionada. É algo muito gratificante, fruto do trabalho de muitas pessoas, do meu esposo na ordenha, da minha mãe que iniciou a fábrica e do Biopark, com uma equipe muito competente, que executa um trabalho muito bem feito. É o mérito de todos que estão envolvidos, estou muito feliz”.

“Essa premiação reafirma o comprometimento da nossa equipe e dos produtos participantes com a excelência – desde o desenvolvimento dos produtos dentro da nossa área de Pesquisa e Inovação até a produção nas propriedades. Estamos conseguindo atingir o objetivo de desenvolver queijos com alta qualidade, realizar a transferência da tecnologia e gerar a transformação para os produtores que passam a comercializar um queijo com maior valor agregado”, comenta Carmen Donaduzzi.

Além do destaque em premiações, os queijos são apreciados por visitantes de várias partes do mundo. “Gosto muito do que desenvolvemos e conquistamos. Quando nós começamos a produzir, precisávamos quase que implorar para que as pessoas comprassem e experimentassem os queijos e hoje a realidade mudou. Tenho orgulho do processo para a produção dos queijos porque os produtos têm sido destaque, com elogios também de visitantes de outros países; que são conhecedores de queijo e experimentam nossos produtos”, finaliza Carmen.

Fonte: Ascom Biopark
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Renegociação de dívidas rurais terá até 10 anos de prazo e juros a partir de 5%

Nova medida provisória deve atender produtores e cooperativas afetados por perdas climáticas e pela queda dos preços agrícolas entre 2019 e 2025.

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Imagem criada por Jaqueline Galvão/ChatGPT/OP Rural

O governo federal e o Congresso Nacional fecharam nesta quarta-feira (15) um acordo para substituir o projeto de lei que tratava da renegociação de dívidas rurais por uma medida provisória (MP). O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, após reunião com ministros, parlamentares e representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Segundo o Ministério da Fazenda, a medida permitirá a renegociação de cerca de R$ 100 bilhões em dívidas de produtores rurais, com condições diferenciadas para agricultores afetados por perdas decorrentes de eventos climáticos e oscilações nos preços agrícolas.

Acordo

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Participaram da reunião os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e de Relações Institucionais, José Guimarães; o líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta; o deputado Arnaldo Jardim, e a senadora Tereza Cristina, ambos da FPA.

Hugo Motta ressaltou que o entendimento buscou conciliar o atendimento aos produtores com a responsabilidade fiscal. “Depois da aprovação no Senado, sem acordo com o governo, chamamos os atores para a mesa para tratar isso com equilíbrio e buscar uma resolução que coubesse nas contas do país e levasse em consideração esse momento de dificuldade dos nossos produtores”, disse o presidente da Câmara.

Adesão

A MP beneficiará produtores e cooperativas que registraram perdas entre 2019 e 2025.

Na regra geral, poderão renegociar as dívidas agricultores que tiveram:

  •     Perdas em duas ou mais safras;
  •     Redução mínima de 30% da renda bruta, causada por eventos climáticos ou queda dos preços agrícolas.

Os produtores com perdas mais severas deverão comprovar:

  •     Três ou mais safras afetadas;
  •     Redução de pelo menos 40% da renda bruta, especialmente em regiões atingidas por eventos climáticos, como o Rio Grande do Sul.

Condições

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a proposta foi construída para atender a maior parte dos produtores em dificuldades sem comprometer o equilíbrio das contas públicas. “O Banco do Brasil está pronto para receber os agricultores endividados, renegociar as dívidas, para que a gente vá adiante e para que o Plano Safra recém-anunciado comece a operar”, disse o ministro. As condições variam conforme o perfil do produtor.

Regra geral

Para produtores enquadrados nas regras gerais, a MP prevê:

  •     Prazo: até oito anos para pagamento;
  •     Carência: até dois anos para pagar a primeira parcela;
  •     Entrada não será exigida.

Juros anuais:

  •     6% para operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf);
  •     9% para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp);
  •     12% para os demais produtores.

Maiores perdas

Nos casos de perdas mais expressivas provocadas por eventos climáticos, as condições serão mais favoráveis:

  •     Prazo de até 10 anos;
  •     Carência de até dois anos; e
  •     Entrada dispensada.

Juros anuais:

  •    5% para o Pronaf;
  •     8% para o Pronamp;
  •     11% para grandes produtores.

Fundo garantidor

A medida provisória também criará um fundo similar ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para ampliar o acesso ao financiamento rural de médio e longo prazo.

Segundo Durigan, a União poderá aportar até R$ 2 bilhões no mecanismo, que também deverá contar com a participação de bancos, estados e municípios. “Vamos avançar, do ponto de vista da União, com um limite de até R$ 2 bilhões de aporte para esse fundo garantidor. Também vamos convocar bancos, estados e municípios que queiram contribuir”, informou.

Outras medidas

Além da renegociação das dívidas, a MP prevê:

  •     Suspensão por 30 dias das parcelas contempladas pelo acordo, inclusive das que venceriam imediatamente;
  •     Reaproveitamento das garantias já vinculadas aos financiamentos, sem exigência de novos bens;
  •     Possibilidade de os bancos prorrogarem automaticamente operações enquanto os pedidos de renegociação são analisados;
  •     Criação de mecanismos para facilitar o crédito rural e reduzir o custo das operações.

Com o acordo, o projeto de lei que tramita no Congresso será retirado de pauta e substituído pela medida provisória, cuja publicação, segundo o governo, ocorrerá ainda nesta quarta-feira.

Fonte: Agência Brasil
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Tecnologia brasileira cria fertilizante inteligente para regenerar solos e reduzir emissões

Patente desenvolvida por pesquisadores da USP tem potencial para recuperar 150 milhões de hectares degradados, reduzir em 70% o custo de produção da tecnologia e ampliar a produtividade de culturas como soja, café e cana-de-açúcar.

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Foto: Divulgação

Uma tecnologia baseada em estruturas metal-orgânicas (MOFs), reconhecidas com o Prêmio Nobel de Química de 2025, deu origem a uma patente inédita brasileira com potencial para alterar a forma como os solos tropicais são recuperados e manejados. Desenvolvida no Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa da Universidade de São Paulo (RCGI-USP), a inovação resultou em um fertilizante inteligente capaz de regenerar solos degradados, aumentar a produtividade das lavouras e capturar carbono.

Foto: Divulgação

O projeto reúne pesquisadores da USP e da Unesp, em parceria com a Shell Brasil, as deep techs MOF TECH e Quanticum e a Novamérica. O desenvolvimento foi financiado com recursos da Cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Segundo os pesquisadores, a tecnologia pode contribuir para a recuperação de cerca de 150 milhões de hectares de solos degradados no Brasil, permitindo elevar a produção agrícola sem a necessidade de abrir novas áreas de cultivo. O avanço está alinhado ao desafio de ampliar em 40% a produção nacional de alimentos até 2050, mantendo a atual área agrícola e sem avanço sobre áreas de vegetação nativa.

Além do ganho produtivo, a tecnologia poderá reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e criar oportunidades para geração de créditos de carbono.

Fertilizante imita mecanismos naturais do solo

Foto: Divulgação/SAA SP

O diferencial da tecnologia está no uso de estruturas metal-orgânicas (MOFs), materiais nanoestruturados capazes de controlar a retenção e a liberação de nutrientes no solo. “Somos pioneiros globais na utilização de estruturas metal-orgânicas (MOFs) para regenerar solos tropicais, produzidos por meio de uma rota mecanoquímica limpa, provando que o Brasil está na vanguarda da pesquisa dessa tecnologia”, afirma Liane Rossi, professora do Instituto de Química da USP, diretora do Programa de Captura e Utilização de Carbono (CCU) do RCGI e coordenadora do projeto.

Segundo ela, o desenvolvimento combina materiais avançados com ciência do solo tropical. “A inovação está em combinar química de materiais avançados com ciência do solo tropical. O material desenvolvido reproduz mecanismos naturais de retenção e liberação de nutrientes, mas com controle químico e ajustável para cada tipo de solo. É um fertilizante inteligente que regenera o solo e reduz emissões”, explica.

Resultados em campo

A tecnologia ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento voltada à viabilidade comercial, mas já foi validada em condições de laboratório, casa de vegetação e em lavouras comerciais de cana-de-açúcar, soja e café.

Fotos: Divulgação/Abisolo

De acordo com os pesquisadores, os testes indicaram aumento da produtividade das culturas, maior armazenamento de carbono no solo e redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂) associadas às atividades agrícolas. “Testamos o material em condições de casa de vegetação e campo nas principais culturas do agronegócio brasileiro e verificamos que a tecnologia entrega ganhos em produtividade, aumento do carbono no solo e redução de emissões de CO₂”, afirma Barbara Samartini, líder de projetos da Shell Brasil.

Ela destaca que outro avanço foi a redução do custo de fabricação. “Conseguimos avançar significativamente na redução de custos de produção do material, o que indica a viabilidade econômica. Estamos falando de uma solução com potencial concreto de impacto para o produtor e para o clima”, destaca.

Produção mais limpa e menor custo

O processo de fabricação segue princípios da química verde. Segundo a equipe, utiliza pouca água, não gera resíduos e incorpora integralmente o material produzido ao solo.

Foto: Shutterstock

Outro resultado apontado pela pesquisa foi a redução de aproximadamente 70% no custo de produção dos MOFs em comparação com os métodos convencionais, fator considerado essencial para tornar a tecnologia comercialmente viável.

Nos solos tropicais, caracterizados por acidez elevada, baixa retenção de nutrientes e perda de matéria orgânica, as nanopartículas funcionam como minerais sintéticos regenerativos. A tecnologia contribui para recuperar a estrutura física do solo, aumentar sua capacidade de armazenamento de carbono e restabelecer funções ambientais importantes, além de favorecer o desenvolvimento das plantas e aumentar sua resistência a doenças.

Próxima etapa é a escala industrial

Após a validação em escala de quilogramas, a pesquisa avança para a fase de ampliação industrial. O objetivo é produzir o material em toneladas e acelerar sua adoção em sistemas agrícolas comerciais.

Os pesquisadores avaliam que, caso a tecnologia alcance viabilidade comercial, ela poderá integrar estratégias de agricultura regenerativa voltadas ao aumento da produtividade, recuperação de áreas degradadas e redução das emissões de gases de efeito estufa no campo.

Fonte: Assessoria RCGI-USP
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Brasil diz que não há justificativas para tarifas impostas pelos EUA

Governo brasileiro diz que iniciará instrumentos de reciprocidade.

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Imagem criada pelo ChatGPT/Jaqueline Galvão/OP Rural

O governo brasileiro divulgou nota repudiando a decisão dos Estados Unidos (EUA), anunciada nesta quarta-feira (15), de impor tarifas de 25% sobre produtos vindos do Brasil. A medida estadunidense passa a valer a partir do próximo dia 22, com base em investigações feitas por Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

A nota, assinada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, destaca que o Brasil não reconhece a legitimidade dessas investigações, que não teriam amparo nas regras multilaterais de comércio. E acrescenta que não há justificativa para medidas unilaterais dos Estados Unidos contra o Brasil. “O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”.

A nota diz ainda que a Lei de Reciprocidade brasileira será acionada “imediatamente”, além de instrumentos para solução de conflitos no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”.

Alegações

A investigação iniciada há um ano pelo USTR concluiu que certas práticas brasileiras são descabidas e oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.

Entre as medidas citadas pelo USTR estão “práticas de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; interferência anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.

Fotos: Claudio Neves

Em sua defesa, no entanto, o governo brasileiro diz que as alegações contra o Pix e a regulação de plataformas digitais são descabidas. “Bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento. O Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas”, informa a nota.

Além disso, segue a nota, “a liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros”.

Foto: Divulgação

De acordo com a nota do governo brasileiro, nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, houve 78 intervenções de representantes do setor privado dos dois países, das quais 63 foram contrárias ao tarifaço estadunidense. “Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil. Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%”, diz a nota da Presidência.

A nota conclui informando que o Brasil continuará adotando medidas para reduzir os danos causados à economia do país e aos brasileiros e que seguirá buscando diversificar parceiros comerciais para abrir novos mercados para os produtos brasileiros.

“Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional”.

Fonte: Agência Brasil
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