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Avicultura Postura

Profissional dá dicas para avicultor ter programa de postura de sucesso

Estar atento a diversos pontos desde o início da produção garantem bons resultados ao produtor

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Arquivo/OP Rural

Uma galinha de boa rentabilidade inicia com uma franga de boa rentabilidade. Possui o tipo e peso corporal corretos no início do ciclo de produção, permite que a ave alcance todo o potencial genético esperado. Quando se fala em avicultura de postura é importante que o avicultor tenha em mente que problemas que ocorrem durante o período de crescimento não podem ser corrigidos depois do início da produção dos ovos.

 Estar atento a diversos pontos desde o início da produção garantem bons resultados ao produtor. “O galpão de cria e pinteiro devem ser bem limpos e desinfetados antes da chegada das pintainhas. É preciso programar um vazio sanitário do galpão de no mínimo três semanas três os lotes. Antes da limpeza e desinfecção é preciso remover todo o alimento e esterco, e é preciso iniciar um programa de controle de roedores. Este é também o momento ideal para fazer as reformas necessárias de equipamentos e galpão. É preciso ainda limpar o galpão com jato de água sob pressão, utilizando detergente para eliminar a matéria orgânica e depois de ter limpado tudo, o galpão deverá ser desinfetado com pulverização ou espuma, utilizando um detergente aprovado”, aconselha o zootecnista e gerente de Serviços Técnicos da Hy-Line do Brasil, Marcelo Surian Checco. Ele falou sobre os principais manejos de poedeiras comerciais durante o crescimento em um dos podcasts da FACTA (Fundação APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas).

Outro conselho repassado pelo profissional foi quanto a temperatura do galpão, que ajuda a melhorar a efetividade do desinfetante utilizado na limpeza do local. “Adicionalmente, é preciso pulverizar o galpão cinco dias antes da chegada das aves, para assegurar as condições sanitárias”, informa. Ele acrescenta que o tempo para terminar a preparação do galpão para a chegada das pintainhas deve ser de no mínimo 48 horas. “Permita um tempo suficiente para que a temperatura do ar e do equipamento estejam apropriadas para as aves”, diz.

De acordo com Checco, é preciso que o produtor encha os comedouros ao nível máximo de ração inicial ou pré-inicial de boa qualidade, de preferência na forma moída ou peletizada. “Lembre de ajustar os comedouros e as guias para permitir que as aves tenham acesso desde o primeiro dia. Assegure-se que todos os bebedouros estejam funcionamento apropriadamente e ajuste-os para que as pintainhas possam beber com facilidade”, alerta. O profissional diz que é preciso que a água de bebida precisa contar vitaminas e eletrodos para que as aves recuperem a perda de peso ocorrida durante a viagem. “Coloque o alimento sob o papel antes da chegada das pintainhas ou logo após o alojamento nas gaiolas. Aves criadas no piso devem ter pratos ou bandejas extras com alimento ou o avicultor podem colocar o alimento sob o papel”, aconselha.

Outra dica dada pelo zootecnista foi que as pintainhas e poedeiras devem vir de lotes e matrizes sãs e livres de doenças transmitidas verticalmente, o que é muito importante para a saúde humana e das aves. “As aves devem ainda possuir níveis adequados de anticorpos maternais para uma proteção precoce, contra desafios de várias doenças. As pintainhas devem ter peso corporal adequado, umbigo bem cicatrizado e devem ser livres de defeitos físicos. Além disso, todas as pintainhas devem ser vacinadas no incubatório, de acordo com o programa eleito pelo produtor”, diz.

Temperatura ideal 

Checco explica que é preciso que o avicultor siga as recomendações de temperaturas dos guias de manejo para linhas, uma vez que a criação em gaiola e em piso possuem diferenças. “A pintainha recém-nascida não pode regular a própria temperatura corporal e, portanto, o produtor deve conceder condições ambientais apropriadas. A umidade do ar na primeira semana deve ser de no mínimo 40 a 60% para prevenir desidratação”, informa.

O profissional conta que aves criadas em gaiolas requerem um manejo mais cuidadoso da temperatura e da umidade, já que elas não podem buscar por uma área cômoda tão facilmente como as aves criadas no piso. “As aves criadas no piso, em galpões com aquecedores ou calefação, é preciso que o avicultor observe o comportamento delas, para garantir que a temperatura está correta”, diz.

De acordo com ele, as aves devem estar distribuídas uniformemente nas áreas de criação. “Quando as aves se agrupam nos indica que a temperatura está baixa ou há corrente de ar excessiva. Em um ambiente frio, as aves piam com um tom angustiante, quando elas tem muito calor, se mostram letárgicas e tratam de se afastar da fonte de calor”, explica. Checco comenta que aves estressadas tanto por frio quanto por calor podem ter a cloaca pastosa ou emplastrada. “Verifique no guia de manejo sobre as regras locais e legislações para cada tipo de criação e produção”, aconselha.

Consumo de ração e água 

O zootecnista explica que para aves criadas em gaiolas o produtor pode colocar um papel do fundo delas, por sete a 10 dias, uma vez que isso ajuda as aves a caminhar nas gaiolas, controlar a temperatura, prevenir correntes de ar e permite colocar alimentos suplementar sob o papel. “É preciso colocar alimento na frente do comedouro, para treinar as aves a mover-se para os comedouros permanentes”, afirma.

Já para estimular o consumo de água, o profissional diz que é preciso manter os comedouros tipo copo cheios durante os três primeiros dias ou ajustar a pressão da água para que o comedouro tipo nipple tenha sempre uma gota aparente. Já para as aves criadas em pisos, o avicultor pode utilizar comedouros tipo prato ou de corrente. “Para ambos os sistemas é importante começar a alimentar as aves pondo o alimento sob o papel, papelão ou bandeja perto das linhas de comedouro”, aconselha.

Checco explica que quando o produtor utiliza círculo de criação, o acesso a água pode não ser suficiente. “É preciso promover água com bebedouro suplementar durante a primeira e segunda semanas. Ou até que se abram os círculos para que as aves tenham acesso total a água”, explica.

Alcançando o potencial genético

Segundo o zootecnista, a franga se desenvolve de acordo com a sequência fisiológica. “As frangas que alcançam ou excedem as metas de peso corporal durante a fase de desenvolvimento tem melhor oportunidade de alcançar seu potencial genético como poderia. O crescimento interrompido durante uma das fases de desenvolvimento resultará em aves que carecem de reserva corporal e função dos órgãos para manter uma boa e alta produção como poedeiras adultas”, conta.

Checco explica que o período de crescimento pode ser dividido em períodos, sendo de zero a seis semanas de idade, que é durante esse período em que ocorre a maior parte do desenvolvimento de órgãos do trato digestório e sistema imunológico. “Os problemas que ocorrem nesse período podem ter dificuldade na digestão e absorção de nutrientes ao longo da vida. Pode acontecer também a imunossupressão, por causa de problemas durante esse período, deixando a ave mais sensível as doenças e com menor resposta a vacinação”, conta.

Tem também de seis a 12 semanas, que é o período de crescimento rápido, sendo quando a ave obtém a maior parte dos componentes estruturais adultos, ou seja, ossos, músculos e penas. “As deficiências de crescimento durante esse período evitarão que a ave obtenha suficiente reserva nos ossos e músculos, as quais são necessárias para sustentar um alto nível de produção e para manter uma boa qualidade de casca de ovo. Em torno de 95% do esqueleto está desenvolvido até o final da 13° semana, mais ou menos”, conta. Ele explica que qualquer crescimento compensatório que ocorrerá após esse período não aumentará o tamanho do esqueleto. “A quantidade de reserva mineral disponível para formação da casca do ovo está diretamente relacionada com o tamanho do esqueleto da ave. Reações vacinais, debicagem, manipulação e outras práticas de manejo estressantes podem atrasar o desenvolvimento durante esse período de crescimento rápido”, informa.

Por último há a fase de 12ª 18 semanas, que, de acordo com Checco, é durante este período que a taxa de crescimento diminui, o trato reprodutivo amadurece e se prepara para a produção de ovos. “O desenvolvimento muscular continua e a proliferação das células de gordura ocorrem nesse período. O ganho excessivo nesse tempo pode resultar em uma quantidade exagerada de gordura abdominal, peso corporal baixo e eventos estressantes podem atrasar o início da produção de ovos”, explica.

Uniformidade e peso corporal

De acordo com Checco, a uniformidade e o peso corporal são outros itens que o avicultor precisa prestar muita atenção. “A uniformidade dos pesos corporais de um lote é tão importante quanto alcançar a meta do peso corporal. A meta de uniformidade é de 85% em média durante o período de crescimento. Outro desafio que resulta na baixa uniformidade é que as franjas começam a produzir o ciclo em diferentes tempos e as aves de menor peso produzirão ovos menores que o normal”, conta.

O profissional explica que as causas de baixa uniformidade podem ser enfermidades, amontoamento que conduz em competição por comedouros e bebedouros, nutrição inadequada, rejeição do alimento devido a má qualidade, manejo do alimento ou do tratador, manejos estressantes, erro de debicagem e qualquer restrição de água ou alimento.

“Para corrigir essa uniformidade é preciso um correto manejo. É preciso iniciar com um programa de monitoramento de peso desde a primeira semana de idade. Deve-se pesar individualmente pelo menos 100 aves semanalmente. Continue pesando todas as semanas até que as aves alcancem o tamanho corporal maduro das 32 semanas. Depois, pelo menos a cada cinco semanas, durante o resto do período de produção”, aconselha.

Já para lotes criados em gaiolas, as gaiolas de todos os níveis e locais devem ser selecionadas. “Todas as aves de dentro das gaiolas devem ser pesadas separadamente. E as mesmas gaiolas selecionadas devem ser pesadas todas as semanas. Selecione gaiolas no início e ao final da linha dos comedouros e nos níveis altos e baixos”, diz. Os lotes criados em piso, explica o zootecnista, devem ser pesadas somente ao acaso. “Mas o avicultor pode escolher aves de diferentes lados do galpão. É preferível monitorar o peso do animal semanalmente, já que dessa forma o produtor pode identificar rapidamente os problemas de crescimento. O problema deve estar associado a uma troca de alimento ou uma prática de manejo estressante, permitindo que se tome uma ação corretiva”, afirma.

O profissional orienta que o avicultor pese as aves antes de uma troca de ração programada. “As trocas programas na formação de alimento sempre devem se basear no alcance das metas de peso corporais e não idade do lote. Os lotes com aves de baixo peso ou com uniformidade baixa devem permanecer com uma formulação mais rica em nutrientes”, diz. Além disso, ele explica que lotes que irão receber alguma vacinação injetável ou durante ondes de calor ou estresse calórico devem ser colocados novamente formulações mais concentradas para compensar a perda de apetite.

Checco afirma que é essencial que o avicultor preste muita atenção aos primeiros manejos das aves para obter sucesso e melhores resultados em lotes de poedeiras. “O crescimento de um lote com peso corporal e conformação corporal adequados irá permitir um período de postura bem-sucedido. Problemas como baixo número de ovos e má qualidade da casca durante a postura frequentemente estão relacionados com problemas ocorridos durante o período de crescimento”, conclui.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mercado

Venda antecipada dos grãos acende alerta de produtores de proteínas animais

Lideranças do setor têm trabalhado para que não haja desabastecimento, principalmente de milho, devido ao grande volume de vendas antecipadas que ocorre em razão da alta do dólar

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Arquivo/OP Rural

O mercado tem sido cheio de surpresas para o agronegócio brasileiro. Uma delas foi quanto a valorização do dólar, que deixou o preço das commodities bem atrativas para os produtores venderem seus produtos ao mercado externo. Isso tem feito com que muitos produtores, inclusive, já fizessem contratos para a venda de suas safras de soja e milho de 2022. Mas esta euforia em vender a bons preços pode não ser tão positiva para o setor de proteína animal nacional, que vem crescendo e assim demandando cada vez mais milho e farelo de soja para ração animal.

 Segundo a analista de Grãos da StoneX, Ana Luiza Lodi, o momento de Real desvalorizado tem incentivado muito o adiantamento das vendas de grãos, além dos preços domésticos muito elevados. “Para o mercado nacional, o que tem acontecido atualmente é uma restrição de oferta, uma vez que a soja da safra 2019/20 está praticamente toda comercializada e as vendas do milho também estão adiantadas”, comenta. O destino dos grãos é bastante variado, avalia a analista. “A China predomina como principal destino da soja. Enquanto para o milho, os destinos são bem diversificados, lembrando que a maior parte do milho fica no mercado interno”, diz.

Ana Luiza lembra que atualmente existe a preocupação com a oferta mais restrita do milho para o mercado doméstico. De acordo com ela, é um conjunto de fatores que tem sustentado os preços do milho, incluindo o maior uso para fabricação de etanol, impactando os custos de produção de carnes. “Não há uma “falta” de milho, uma vez que, apesar das vendas adiantadas, ainda há cereal para ser negociado, só que os preços estão muito altos. De qualquer forma, o crescimento do uso de milho para etanol é um ponto que deve ganhar cada vez mais relevância, pois está reforçando o consumo interno de milho, principalmente no Mato Grosso, afetando inclusive a dinâmica de preços do Estado”, informa.

A analista explica que podem existir riscos desta venda antecipada tanto para os produtores de proteína animal quanto para os produtores de grãos. “Para os produtores de grãos, o risco de se vender uma parte grande da safra antes do plantio, em meio aos preços elevados, é ocorrer uma quebra de safra e ele não conseguir entregar os volumes acordados, precisando renegociar os contratos. No caso do setor de proteínas, o risco é enfrentar uma oferta restrita de grãos e preços muito elevados para originar, mas o setor de carnes também pode se antecipar mais nas compras de grãos para minorar o risco de enfrentar dificuldades na originação por falta de produto, principalmente em momentos quando as vendas estão muito antecipadas”, avalia.

Como o setor tem reagido

A venda das safras futuras não passou despercebida pelos produtores de proteína animal. Lideranças e associações estão atentas ao comportamento do mercado. Mas, segundo o presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav), José Antônio Ribas Junior, as disponibilidade e cotações dos grãos são sempre temas impactantes para o setor de produção de proteínas. “Esta reorganização do “modus operandi” deste mercado trouxe novos desafios e aprendizados ao nosso setor. Embora a afirmação de que as safras futuras estejam comercializadas não expressa todo contexto deste mercado. Estamos monitorando e há oportunidades de negócio para aproveitarmos”, comenta.

Mesmo com esta venda antecipada, Ribas não acredita que poderá ocorrer uma falta de abastecimento para o setor de proteína animal. “Há alternativas que estão sendo trabalhadas. Entre elas, por exemplo, a redução de taxas de importação. Ações que ajudam a reequilibrar a conta em relação à oferta e demanda”, diz. Ele explica que outro aspecto importante que vem sendo trabalhado é a participação do setor nestes contratos futuros. “Há muitas frentes sendo debatidas e trabalhadas pelo setor. Lembrando que por se tratar de um setor relevante na geração de valor agregado ao país, gerando emprego e riquezas aos brasileiros, faz todo o sentido que sejam investidos esforços para evitarmos uma “crise”. Os efeitos disso seriam desastrosos para economia e a balança comercial do Brasil”, afirma. Ribas complementa que neste sentido, haverá dias desafiadores à frente, que demandarão esforços conjuntos para evitar os cenários mais críticos.

Mesmo com esta confiança, o presidente da Acav comenta que o aumento dos custos de produção já é real. “O ano de 2020 está sendo um dos grandes ofensores dos resultados do setor. O complexo grãos é um dos maiores custos na produção de aves e suínos, pois a alimentação dos planteis representa algo entre 60 a 70% do custo total. Pelos números citados podemos concluir o tamanho do impacto. Soma-se a isso o momento de crise que a pandemia trouxe às economias de todos os países e aqui no Brasil, fato que dificulta o repasse de custos nas vendas. Todos estes aspectos desafiam o setor. Parte destes cenários é compensado com exportações. Mas não podemos deixar de citar que a maior parte das aves e suínos produzidos são para o mercado interno”, diz.

Além disso, o presidente da Acav lembra que há muitas formas desta venda antecipada prejudicar as proteínas animais. “Afora a elevação de custos já citadas, podemos ter dificuldades qualitativas também. Se a priorização for de atender o mercado exportador, podemos enfrentar este tipo de situação. Também podemos ter desabastecimentos pontuais e locais. Todas estas variáveis, entretanto, estão na agenda de todo o setor e estamos trabalhando na construção de estratégias e alternativas. A elevação de custos pode trazer reduções de produção e consequentemente a redução de postos de trabalho. Já assistimos a este filme e não queremos repetir a história”, afirma.

Lideranças estão atentas ao movimento

De acordo com Ribas, o que vem sendo trabalhado por todas as lideranças do setor é evitar que haja uma crise de desabastecimento, assim como aconteceu em 2016. “Esperamos e trabalhamos para evitar este cenário. É importante compreender que o mundo está se reorganizando quanto ao abastecimento e movimentações de alimentos. Quaisquer prognósticos podem sofrer ainda impactos desconhecidos da crise da Covid e suas consequências – até no comportamento das pessoas. Dito isso, reforço que os debates junto ao governo e estratégias do setor estão sendo trabalhados para estabilizar este contexto”, conta.

A liderança acredita que o setor irá superar este desafio pela sua grandeza. “O agronegócio tem sido ora uma alavanca da recuperação e desenvolvimento econômico, ora a sustentação da economia diante de crises. Mas este patrimônio nacional, frequentemente, sofre ataques injustos. O trabalho feito por toda a cadeia de produção de aves e suínos do Brasil tem na sua base e essência muita responsabilidade ambiental, legal, social e econômica. Os números são ilustrativos disso. Maior gerador de empregos, geração de renda, qualidade de vida e preservação ambiental. Um orgulho aos brasileiros”, frisa.

Ribas acrescenta que este mercado e esta estratégia de negociação não são fatos novos, tampouco uma verdade única e absoluta. “Talvez a situação da economia global e seus reflexos nas economias locais, entre elas, as disparidades de moedas, geraram movimentos mais agressivos e antecipados. As entidades do setor estão atentas e trabalhando junto às empresas e governo. Há uma agenda de debates, onde precisamos reduzir exposição, criar políticas de abastecimento e armazenamento para nossas produções, investir em logística que coloque o grão onde está o consumo (nos últimos anos os investimentos logísticos foram para facilitar exportação), reduzir taxas de importação e ampliar parceiras com países produtores, reordenar os tributos estaduais, incentivar a produção, enfim, ações com impactos imediatos assim como ações de médio e longo prazos”, enumera a liderança.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

Melhores práticas na granja: o controle dos cascudinhos

Cascudinhos podem ser encontrados em aviários de frangos de corte em todo o mundo, pois o ambiente dos aviários é ideal para o seu crescimento e sobrevivência

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito pela equipe técnica Aviagen

Os cascudinhos podem ser encontrados em aviários de frangos de corte em todo o mundo, pois o ambiente dos aviários é ideal para o seu crescimento e sobrevivência. Eles são vetores comuns dos vírus de aves, como o da doença infecciosa da bursa (VDIB), mais conhecida como doença de gumboro, o vírus da doença de Marek (VDM) e o reovírus; bactérias, como a E. coli e a Salmonella spp., e protozoários, como o Histomonas meleagridis. As doenças podem ser transmitidas pelos cascudinhos, por contato direto, recontaminação do ambiente desinfetado pela reutilização da cama ou pela ingestão direta pelas aves. Eles também podem causar grandes danos aos aviários.

O ciclo de vida dos cascudinhos é de 40 – 100 dias, dependendo dos fatores ambientais. Depois dos primeiros 15 dias após o acasalamento, as fêmeas podem depositar de 200 – 400 ovos a cada 1 – 5 dias, e os ovos levam menos de 1 semana para eclodir na forma de larva. Portanto, a população pode se multiplicar consideravelmente se não houver um controle eficaz.

Melhor prática para o controle dos cascudinhos

1.Controlar ou eliminar a população de cascudinhos em uma granja pode ser difícil.

  • Eles se reproduzem melhor nos aviários em condições de 21-35°C e com a umidade da cama de pelo menos 10%.

2. Identificar os locais comuns para as populações de cascudinhos no aviário é fundamental para o seu controle. Os cascudinhos podem ser encontrados:

  • Na cama.
  • Nas laterais dos pilares.
  • Nas cortinas.
  • Nos ninhos.
  • Nos slats, comedouros, bebedouros e outros equipamentos.
  • Nos vãos, orifícios ou rachaduras na parede.
  • Nos depósitos e áreas de estoque de ovos.

3. Métodos químicos e físicos funcionam melhor para o controle dos cascudinhos.

  • A aplicação de inseticidas e um programa minucioso de limpeza e desinfecção são fundamentais para o seu controle.

Presença de cascudinhos na granja

A avaliação da população de cascudinhos no aviário é subjetiva; no entanto, a gravidade da infestação pode ser estimada.

  • Verifique se há cascudinhos no ambiente antes que os pintos sejam alojados e, depois, uma vez ao mês até o abate.
  • Os pontos de observação devem ser os mesmos descritos na seção anterior, mas deve-se verificar não menos que 20 pontos no aviário.
  • Conte os besouros em um espaço de 0,10 m2 (1 pé2) (sob uma bandeja de alimentação, por exemplo).
    • População baixa: 1-10 besouros
    • População média: 11-50 besouros
    • População alta: > 51 besouros

Controle químico dos cascudinhos

1.O controle químico com a aplicação de inseticidas terá como alvo os besouros adultos e as larvas.

É importante assegurar a cobertura adequada dos inseticidas, principalmente em lugares de difícil alcance ou atrás de painéis elétricos. Os inseticidas devem:

  • Ser aplicados imediatamente após o despovoamento.
    • Os inseticidas devem ser aplicados dentro e fora do aviário. Assim que a temperatura do aviário baixar, os cascudinhos começarão a migrar para um local mais quente. A área externa do aviário deve ser pulverizada para impedir a migração para outros aviários na granja.
  • Ser utilizados antes do alojamento dos pintos.
  • Aplique um inseticida aprovado e monitore a área do aviário até que os besouros tenham desaparecido.
  • A aplicação deve ser feita durante o período de produção.
    • O inseticida deve ser aplicado mensalmente.
    • Verifique se o inseticida pode ser aplicado nas aves vivas do aviário.

2. Siga as orientações do fabricante relativas à segurança e mistura adequada dos inseticidas, e faça a utilização alternada de acordo com o ciclo recomendado.

  • Certifique-se de que a água utilizada para misturar o inseticida tenha pH neutro e siga sempre as instruções do inseticida para acidificar a água antes de usá-la. Lave o equipamento do pulverizador antes de usá-lo, para evitar contaminação.
  • Alterne os inseticidas pelo menos a cada 2-3 plantéis, para obter os melhores resultados. Isso reduzirá as chances de que os cascudinhos desenvolvam resistência química.
  • Um plano comum de alternância de inseticidas deve incluir grupos químicos diferentes.
  • A aplicação do ácido bórico na cama é comumente usada na indústria e mostrou-se eficaz e economicamente viável. Calafetação, fita adesiva espuma isolante saturada com ácido com ácido bórico também podem ser utilizados para evitar a nidificação dos cascudinhos.
  • A fita de alumínio com adesivo utilizada para vedar os vãos ou orifícios das cortinas é eficaz para impedir que os besouros entrem no aviário.

3. Há muitos fatores que influenciam o sucesso do controle químico

  • A qualidade dos produtos químicos utilizados com concentração mais baixa ou pouca estabilidade pode não ser capaz de controlar a população de besouros com eficácia.
  • O uso do mesmo grupo químico por longos períodos pode causar resistência.
  • Condição da cama – as condições alcalinas da cama reduzirão a eficácia do inseticida.
  • Grau de infestação – infestações graves podem necessitar de vários tratamentos.
  • Aplicação de inseticida antes do alojamento dos pintos – a cama deve ser tratada com inseticida, como medida de controle.

Controle físico dos cascudinhos

1.A implantação de um bom programa de limpeza e de desinfecção do aviário pode controlar consideravelmente as populações de cascudinhos

  • Os cascudinhos vivos devem ser erradicados ao preparar o aviário para limpeza e desinfecção, antes de sua lavagem e desinfecção.
  • Ao retirar o equipamento do aviário, na preparação para a limpeza, verifique se há sinais dos cascudinhos nos equipamentos removíveis e fixos do aviário, debaixo dos comedouros e bebedouros, ao longo das paredes e cortinas, vãos e no interior dos ninhos.
  • Seguir criteriosamente os procedimentos de limpeza e desinfecção garantirá que os resíduos dos cascudinhos e qualquer contaminação bacteriana por eles deixados sejam removidos.

2. A estrutura do aviário desempenha um papel importante no controle dos cascudinhos.

  • Os aviários fechados, com boa drenagem de água e um piso de cimento liso, reduzirão as populações de cascudinhos.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

O porquê de selênio levedura em aves?

Fonte de selênio levedura se caracteriza como uma excelente opção, sendo única fonte orgânica a proporcionar diferentes tipos de selenoproteínas necessárias para os animais

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Fernando Augusto de Araujo, médico veterinário e gerente técnico Aves Latam da Phileo; e Marcos Aronovich, zootecnista PhD e gerente de serviços técnicos Brasil da Phileo

Em 1817, o selênio (Se) foi isolado pela primeira vez por Berzelius. O selênio passou a ser um elemento conhecido, porém, sem utilidades fisiológicas. Apenas sua importância toxicológica era motivo de interesse, uma vez que atuava como o principal causador de envenenamentos de animais de fazenda. Estes apresentavam emagrecimento, perda de pelos e anemia. Naquela época pouco se sabia sobre a sua função biológica, até que a exigência nutricional foi revelada cerca de 140 anos mais tarde por Schwarz e Foltz em 1957. Desde então, o Se tem sido reconhecido como um elemento traço essencial e a suplementação deste aos animais de produção tornou-se uma prática comum em todo o mundo, a deficiência de Se aumenta a susceptibilidade a várias doenças e diminui os desempenhos produtivos e reprodutivos dos animais de produção.

Funções e Metabolismo

O selênio desempenha um papel fundamental para a resistência da ave ao estresse oxidativo. A essência do Se em exercer os respectivos efeitos positivos, reside na construção do 21º aminoácido, a selenocisteína (SeCys). A SeCys pode ser encontrado no local ativo de uma vasta gama de proteínas, também chamadas selenoproteínas, que desempenham papéis importantes na defesa antioxidante e na função imunológica. Uma das mais importantes enzimas produzidas através da selenoproteínas é a glutationa peroxidase (GPx), que funciona como que transformando diretamente os peróxidos de hidrogênio (H2O2) e, portanto, reduzindo do nível de oxidação de lipídios e proteínas na célula.

Hoje em dia, os animais de produção podem ser suplementados com Se sob forma inorgânica ou orgânica. Estas formas inorgânicas são principalmente sais minerais, como o selenito de sódio (SS) ou selenato, enquanto formas orgânicas podem ser encontradas como selenometionina sintética (SeMet) ou como leveduras selenizadas ricas em componentes naturais do Se. As leveduras selenizadas também chamadas de selenoleveduras, são submetidas a diferentes processos de produção no qual, como resultado pode-se observar produtos de diferentes concentrações e características.

As selenoleveduras de alta qualidade são obtidas a partir cultivo específico de cepas exclusivas de Saccharomyces cerevisiae num processo totalmente padronizado e controlado o que lhe garante um produto final estável (figura1). Durante o crescimento da levedura, o selenito de sódio (SS) será transformado em seleneto de hidrogênio (H2Se) que será  utilizado pela levedura para sintetizar diferentes selenomoléculas orgânicas, tais como como a selenometionina (SeMet) e  a selenocisteína (SeCys), mas também muitos outros componentes seleno-ativos.

A absorção de selenito ocorre por difusão passiva e, portanto, proporcional à quantidade presente no lúmen intestinal em comparação a esta fonte, a absorção da fonte orgânica de selenolevedura ocorre por transporte ativo. Pouco do Se elementar é absorvido no intestino devido a sua baixa solubilidade e, portanto, passa a ser excretado nessa forma pelas fezes.

As selenoleveduras também apresentam em sua constituição uma fonte de selenocisteína, que não é reconhecida pelo metabolismo como um aminoácido, ao contrário da selenometionina. Esta propriedade confere uma disponibilidade imediata para uma nova síntese de selenocisteína no metabolismo animal e um efeito rápido no caso de estresse. Ela é realmente necessária no local ativo da enzima antioxidante mais importante, a glutationa peroxidase.

O primeiro benefício deste fato é uma melhoria significativa do desempenho animal. Estudos recentes comparando o desempenho de diferentes fontes de selênio têm mostrado bons resultados no caso da selenolevedura apresentando um aumento da produção de ovos em galinhas de postura, assim como melhoria na intensidade e na taxa de sobrevivência (figura 2).

Outras publicações recentes confirmam o segundo benefício na qualidade nutricional e sensorial dos alimentos. A suplementação com selenolevedura na dieta dos animais possibilitou o enriquecimento em ovos e carne com selênio, melhorando a maciez e a qualidade visual de carne exposta ao consumidor através de uma menor oxidação lipídica que possibilita um tempo maior de prateleira destes alimentos.

Em um ensaio, as poedeiras foram suplementadas durante 32 semanas (de 18 a 50 semanas de idade) com diferentes fontes de Se: Os resultados mostram claramente que a fonte de selenolevedura foi capaz de reduzir a mortalidade (A) das poedeiras, melhorando simultaneamente a frequência de postura (B) e a taxa de conversão alimentar (FCR) por ovo (C), em comparação com as outras fontes de Se.

Em um segundo ensaio feito em frangos de corte, evidências adicionais comprovaram que a fonte de selenolevedura é mais eficiente em melhorar o desempenho de frangos de corte em comparação com outras fontes de Se, tal como demonstrado pelo peso corporal final aos 42 dias de idade (Fig. 3).

O selênio em humanos, da mesma forma como descrito acima em animais, tem papel muito importante na imunidade e defesas antioxidantes. A deficiência de Se está associada a vários distúrbios, como diabetes, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer e baixa fertilidade. A incidência de doenças, como câncer de próstata, câncer de mama e câncer colorretal, está frequentemente relacionada ao baixo nível de selênio presente nos alimentos consumidos, resultando em baixa selenemia em humanos. 

Tendo em vista todos os aspectos discutidos fica claro a importância de mineral para melhora da manutenção da saúde mantendo equilibrado o sistema antioxidante dos animais sendo refletido na melhoria de índices produtivos assim como benefício para melhoria de frescor de tempo de prateleira dos alimentos. A fonte de selênio levedura, neste contexto se caracteriza como uma excelente opção, sendo a única fonte orgânica a proporcionar diferentes tipos de selenoproteínas necessárias para os animais.

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Fonte: O Presente Rural
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