Peixes
Produção em escala do tambaqui e industrialização de coprodutos da tilápia podem tornar o Brasil mais competitivo na piscicultura
Pesquisador em Economia e Gestão da Inovação na Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Xavier Pedroza Filho afirma que o tambaqui está ganhando cada vez mais espaço nas exportações, no entanto, é necessário que o setor se estruture para oferecer esse produto com regularidade e em escala.

Existe uma variedade de peixes nas águas doce e salgada que contornam o vasto território brasileiro, mas a espécie que tem sido protagonista da produção nacional é a tilápia, um dos pescados mais cultivados no país e que vem conquistando cada vez mais o mercado, o paladar e o prato de muitos brasileiros e estrangeiros. De acordo com a Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), o Brasil é o quarto maior produtor mundial de tilápia, espécie que representa 65,3% da produção nacional.
A produção aquícola no Brasil tem testemunhado um crescimento expressivo ao longo dos últimos anos. Segundo dados da Peixe BR, o país registrou 638 toneladas de peixes produzidos em 2015, número que saltou para 887 toneladas em 2023, crescimento superior a 39% no período. “O cultivo de peixes em água doce representa 86% da produção nacional, camarão possui 13% e ostras, vieiras e mexilhões contribuem com apenas 1%”, expôs o doutor em Economia, mestre em Administração e Desenvolvimento Rural, engenheiro agrônomo, professor e pesquisador em Economia e Gestão da Inovação na Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Xavier Pedroza Filho, durante o Inovameat, um dos principais eventos de proteína animal do Paraná, realizado no início de abril, em Toledo, no Oeste do Paraná.

Doutor em Economia e pesquisador na Embrapa Pesca e Aquicultura, Manoel Xavier Pedroza Filho: “A maioria dos produtores no país operam de forma individual, sem estar organizada em cooperativas ou integrados a um sistema, sendo necessário que toda a cadeia adote esse modelo para alcançar maior competitividade” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Indústria em ascensão
A piscicultura brasileira tem se destacado como uma indústria em ascensão, com um aumento significativo na produção e nas exportações nos últimos anos. Mais de 20 espécies de peixes são cultivadas no país, com a tilápia liderando esse mercado, representando 65% da produção, seguida por tambaqui, tambacu, tambatinga e carpa, juntas somam 14%. Outras espécies, como pintado, cacharam, cachapira, pintachara, surubim, pacu e patinga compõem 1% cada, enquanto 13,7% são de outros peixes.
Entre 2015 e 2023, a produção da piscicultura registrou um crescimento superior a 39%, mantendo uma média anual de 4,87%. “Esse aumento reflete o compromisso e o investimento dos produtores brasileiros no setor”, pontua Pedroza Filho.
Os principais estados produtores de piscicultura no Brasil são Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rondônia, Santa Catarina, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Pernambuco. “A estrutura de governança na cadeia produtiva da piscicultura é caracterizada pelos sistemas de produção individual, verticalizado e integrado, com a predominância dos dois últimos, o que permite uma gestão mais eficiente e uma maior qualidade do produto final”, afirma.
Exportações
As exportações da piscicultura brasileira aumentaram 4% em valor, em 2023, totalizando U$S 24,7 milhões. Em toneladas, houve queda de 20% (6.815 toneladas), aponta a Embrapa Pesca e Aquicultura a partir de dados do ComexStat, do Ministério da Economia. Quando incluído os pescados nesta contagem, as exportações alcançaram 120.659 toneladas no último ano, resultando em uma receita de US$ 415 milhões.
O crescimento das exportações em dólar e a queda em toneladas são explicados pelo crescimento das vendas de itens de maior valor agregado, como filés frescos. O aumento dos embarques de filés frescos e a queda dos peixes inteiros congelados – que possuem menor preço – representam os principais fatores responsáveis pelo aumento do valor médio por kg do produto exportado. Entre o terceiro trimestre de 2021 até o último trimestre de 2023, o preço médio da tilápia inteira exportada aumentou 21,2%, passando de US$ 3,49/kg para US$ 4,23/kg. No mesmo período, o preço médio da tilápia no mercado interno aumentou 33,4%, passando de R$ 7,29/kg para R$ 9,73/kg.
No ano passado, as exportações de peixes por espécies revelaram um panorama diversificado no mercado internacional. A tilápia continuou a liderar como a maior espécie exportada, representando 94% das exportações totais. Este peixe gerou uma receita de US$ 23 milhões, registrando um modesto crescimento de 1% entre 2022 e 2023.
Por outro lado, o tambaqui aumentou sua participação no mercado em 809%, atingindo 3% das exportações e gerando uma receita de US$ 798 mil. O bagre e os surubins também contribuíram, representando cada um 1% das vendas externas, com receitas de US$ 234 mil e US$ 224 mil, respectivamente, embora os surubins tenham registrado uma queda de 16% em comparação com 2022. As curimatás e outras espécies ainda têm um volume inferior a 1%, mas movimentaram US$ 119 mil no último ano.

Foto: Shutterstock
O Paraná manteve a posição de maior exportador brasileiro de tilápia em 2023, com US$ 18,6 milhões, representando 80% do total. Na segunda posição aparece São Paulo, com US$ 2,7 milhões (12% do total), seguido pela Bahia, com US$ 1,3 milhão (6% do total). O Paraná foi o estado exportador que apresentou o maior crescimento nas exportações de tilápia em 2023, representando um aumento de 42%. “Esses estados desempenham um papel importante na oferta global da tilápia brasileira, atendendo à crescente demanda tanto dentro quanto fora do país”, enaltece o palestrante.
Do total exportado, 60% consistiu em filés frescos, 26% de tilápia inteira congelada, 5% de filés congelados, 7% foi composto por subprodutos impróprios para alimentação humana e 2% foram de tilápia inteira fresca. “Essa diversificação na oferta de produtos de tilápia ressalta a capacidade da indústria brasileira de adaptar-se às necessidades e preferências dos consumidores internacionais, consolidando a posição do Brasil como um dos principais fornecedores globais da tilápia”, exalta o profissional.
Principais destinos
O Estados Unidos seguiu como principal destino da tilápia brasileira, importando 91% do total, em 2023, totalizando US$ 21,2 milhões e crescimento de 13%. A China foi o segundo destino, com US$ 673 mil e crescimento de 168%, seguido pelo Japão, com US$ 493 mil e crescimento de 183% em relação a 2022. Além destes, outros países também figuram entre os principais importadores da tilápia brasileira: Taiwan com 334.7 toneladas, Canadá com 189.6 toneladas, México com 107.2 toneladas, Malásia com 60.9 toneladas, Libéria com 46,3 toneladas, Ilhas Marschall com 38.9 toneladas, Paraguai com 30.7 toneladas, além de outras nações que importaram juntas 162.8 toneladas. O Brasil manteve a sétima posição no ranking dos exportadores, com uma receita de US$ 20,9 milhões, e crescimento de 12%. “Esses números destacam a diversificação dos mercados de exportação da tilápia brasileira, demonstrando a sua relevância global e a capacidade do Brasil de atender à demanda de diversos países”, frisou o pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura.

Foto: Jonathan Campos
Drawback impulsiona competitividade
A tilápia foi o primeiro produto da aquicultura a ser inserido no sistema de Drawback para exportação, em meados de 2019. Conforme Pedroza Filho, essa iniciativa trouxe benefícios significativos às empresas exportadoras, permitindo a desoneração dos insumos utilizados no lote exportado, entre os quais ração, alevinos, vacinas e, mais recentemente, as embalagens para filé. “Essa medida visa reduzir os custos de produção e tornar a exportação de tilápia brasileira mais competitiva nos mercados internacionais”, expôs, evidenciando que os impactos econômicos dessa política resultaram em uma redução de cerca de 10% no custo de produção para os produtores da espécie.
Desafios e oportunidades
Pedroza Filho enumera alguns desafios enfrentados pela indústria de exportação de tilápia, que incluem a necessidade de adequação às exigências sanitárias e legais estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pelos países importadores, atrelado a complexidade das transações comerciais, logística, financeira e aduaneira, bem como aos padrões de qualidade e certificações exigidos pelos mercados internacionais, como as BAP, ASC, BRC e GlobalGap, além da criação de uma política nacional de biosseguridade para a piscicultura. “Cumprir esses padrões é fundamental para garantir a competitividade e a aceitação dos produtos brasileiros no exterior”, reforça, destacando que o padrão de qualidade para o corte de filé de tilápia fresco no mercado interno é shallow skinned (pele fina), enquanto para o mercado externo é deep skinned (pele espessa).
O pesquisador afirma que o tambaqui está ganhando cada vez mais espaço nas exportações, no entanto, é necessário que o setor se estruture para oferecer esse produto com regularidade e em escala. “Nas feiras em que se leva a costelinha de tambaqui esse produto tem uma boa aceitação”, enaltece.
No entanto, apesar dos desafios, existem diversas oportunidades que podem ser exploradas pelo setor. Pedroza Filho diz que a produção de subprodutos como farinha, óleo, gordura e pele, apresenta um grande potencial para agregar valor à indústria da tilápia. Além disso, abertura de novos mercados para os peixes nativos e a introdução de novos cortes da tilápia podem diversificar as opções de exportação e aumentar a presença dos produtos brasileiros mundo a fora. “Um exemplo do potencial dessas oportunidades é o crescimento expressivo na exportação de gordura e óleos de peixes, que registraram um aumento de 827% em 2023. A farinha de peixe também teve um crescimento significativo, com o preço variando acima de US$ 1,7 mil a tonelada entre fevereiro de 2023 a fevereiro de 2024, indicando uma demanda crescente por esses produtos no mercado internacional”, enfatizou, salientando: “O governo e o setor devem continuar a explorar o mercado europeu, que é vasto e ainda não foi completamente explorado, assim como focar no crescimento das exportações de peixes nativos”.
O pesquisador destaca a possibilidade de aumento das importações de tilápia, não apenas do Vietnã, que por ora segue suspensa, mas de outros países, representando um risco para o setor. Contudo, ele enfatiza que, se o país seguir as medidas sanitárias, não há impedimento para a exportação dessa tilápia para o Brasil. “O principal desafio que identifico é a necessidade de o setor se preparar e tornar-se competitivo, uma vez que, no ponto de venda, o consumidor tende a basear sua escolha no preço, independentemente da origem do produto”, avalia, apontando que o alto custo do filé de tilápia limita seu acesso a todas as camadas sociais, ressaltando a importância de adotar medidas de controle sanitário e de tornar o produto mais competitivo no mercado interno.
Como se tornar mais competitivo
O especialista diz que para tornar-se mais competitivo, o setor pode se inspirar na cadeia produtiva do Oeste do Paraná, que se destaca pelo modelo de integração e pela intensificação da atividade em viveiro escavado, alcançando uma produtividade superior a 30 quilos por metro quadrado. “Essa região é reconhecida por produzir a tilápia mais competitiva do Brasil. O desafio em outras regiões é que a maioria dos produtores opera de forma individual, sem estar organizada em cooperativas ou integrada a um sistema, sendo necessário que toda a cadeia adote esse modelo para alcançar maior competitividade”, reforça.
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Peixes
Embrapa conquista quatro prêmios na Aquishow com projetos que vão da merenda escolar à redução de custos na tilapicultura
Pesquisas premiadas incluem livro sobre consumo de pescado nas escolas, documentário sobre piscicultura familiar e tecnologia capaz de reduzir em até 7% os custos de produção de tilápia.

A Embrapa Pesca e Aquicultura teve quatro trabalhos premiados no Prêmio Inovação Aquícola 2026, durante a abertura da Aquishow Brasil 2026, realizada na última terça-feira (09), em Uberlândia (MG). O Centro de Pesquisa teve projetos reconhecidos nas três categorias da premiação: Sustentabilidade, Academia e Produção, com destaque para o primeiro lugar obtido pelo livro O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar.
O Prêmio Inovação Aquícola reconhece projetos e iniciativas que contribuem para o desenvolvimento da cadeia produtiva da aquicultura no Brasil. Os três primeiros colocados de cada categoria receberam troféu, certificado e ajuda de custo para participação no evento.
Além dos resultados no Prêmio Inovação Aquícola, o pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho esteve entre os finalistas do Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026, entregue na mesma solenidade. A Aquishow Brasil segue até 11 de junho.
Para Roberto Flores, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, o reconhecimento obtido na Aquishow Brasil 2026 demonstra que a pesquisa desenvolvida pela Unidade está conectada às necessidades da aquicultura brasileira. “Os prêmios mostram que estamos no caminho correto, atendendo às demandas que o setor precisa. São anos de desenvolvimento dessas inovações e de dedicação dos pesquisadores que resultam em reconhecimentos como esse”, destaca.
Livro sobre alimentação escolar vence categoria Sustentabilidade
O livro O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar foi o vencedor da categoria Sustentabilidade. A obra é resultado de uma parceria entre a Embrapa Pesca e Aquicultura e o curso de Nutrição da Universidade Federal do Tocantins (UFT), voltada à promoção da inserção do pescado na alimentação escolar por meio de ações de educação alimentar e nutricional.
A publicação reúne receitas à base de pescado desenvolvidas para o ambiente escolar com o uso da Carne Mecanicamente Separada (CMS), tecnologia que elimina o risco de consumo de espinhas e amplia as possibilidades de preparo para o cardápio das escolas.
O livro é um dos produtos do projeto Integração do pescado da piscicultura familiar nas políticas agroalimentares: estratégias de transferência de tecnologia para os atores envolvidos na alimentação escolar, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT), por meio da Rede de Desenvolvimento Regional do Tocantins (Rede Deser).
São autores da publicação Hellen Christina de Almeida Kato, Diego Neves de Sousa e Jefferson Cristiano Christofoletti, da Embrapa Pesca e Aquicultura, além de Caroline Roberta Freitas Pires e Rebeca Gomes Bruschi, da UFT. “O Prêmio Inovação Aquícola demonstra que os esforços desenvolvidos em pesquisa, transferência de tecnologia e articulação institucional têm gerado resultados concretos para a valorização da cadeia do pescado, contribuindo para a segurança alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento regional”, afirma Sousa.
Projeto de governança territorial conquista terceiro lugar
Também na categoria Sustentabilidade, o projeto Inovação em governança territorial para uma aquicultura de política de Estado alcançou o terceiro lugar. Desenvolvido em parceria com a Secretaria da Pesca e Aquicultura do Estado do Tocantins (Sepea) e coordenado pela pesquisadora Hellen Christina de Almeida Kato, o projeto apoia a elaboração de planos municipais de desenvolvimento da pesca e da aquicultura por meio de uma metodologia construída a partir das realidades locais.
Como parte da iniciativa, foram realizadas oficinas presenciais com representantes municipais, técnicos e lideranças comunitárias para identificar prioridades e definir estratégias de desenvolvimento adequadas a cada território.
Entre os resultados alcançados está a promulgação da Lei Estadual nº 4.508/2024, que instituiu o Programa Trilha da Pesca e Aquicultura no Tocantins. “Participamos da construção de um modelo que pode ser replicado para outros estados. Sistematizar essa experiência pode contribuir para o fortalecimento da governança da aquicultura para além dos limites do Tocantins”, afirma Hellen.
Documentário sobre piscicultura familiar
O documentário Entre Redes e Desafios foi reconhecido com o segundo lugar na categoria Academia. A produção é de autoria de Elizângela de França Carneiro Carvalho, Hellen Christina de Almeida Kato e Diego Neves de Sousa, da Embrapa Pesca e Aquicultura, e dos professores Carlos Franco e Keile Aparecida Beraldo, da Universidade Federal do Tocantins (UFT).
A produção foi realizada pela Embrapa, pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas (Gespol/UFT) e pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR/UFT), com apoio da Associação Bom Peixe, da Secretaria de Estado da Pesca e Aquicultura do Tocantins (Sepea) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/TO).
A obra retrata os desafios enfrentados por piscicultores familiares no acesso às políticas públicas, acompanhando a realidade da Associação Bom Peixe, localizada no Parque Aquícola de Sucupira, em Palmas (TO). “Receber esse prêmio na Aquishow, que é um evento de grande relevância para a aquicultura nacional, é muito significativo. O documentário Entre Redes e Desafios retrata a realidade da grande maioria dos piscicultores do Brasil. Estima-se que 99% deles são pequenos produtores e enfrentam dificuldades no acesso a políticas públicas”, pontua Elizângela.
Para a autora, a visibilidade proporcionada pela premiação pode contribuir para o avanço de ações conjuntas voltadas à implementação de políticas públicas capazes de atender às diferentes realidades dos piscicultores do país.
Soluções para redução de custos
O trabalho Eficiência produtiva da tilapicultura: soluções inovadoras para redução de custos e aumento do desempenho da produção de tilápia em tanques-rede no Tocantins obteve o segundo lugar na categoria Produção. O projeto foi conduzido pelos pesquisadores Ana Paula Oeda Rodrigues, Flávia Tavares de Matos, Giovanni Vitti Moro, Leandro Kanamaru Franco de Lima, Viviane Rodrigues Verdolin dos Santos e Manoel Xavier Pedroza Filho, da Embrapa Pesca e Aquicultura, com participação de Luiz Eduardo Lima de Freitas, da Embrapa Cerrados.
A pesquisa resultou em uma nova tabela de alimentação para tilápia em tanques-rede, com fornecimento de ração 10% inferior ao recomendado pela referência anterior. Como a ração responde por cerca de 70% dos custos da atividade, a nova tabela, associada a boas práticas de manejo, tem potencial para reduzir as despesas em até 7%.
Na prática, isso representa uma redução de R$ 7,00 para R$ 6,51 por quilo de peixe produzido. Os resultados foram obtidos em uma piscicultura comercial no reservatório de Lajeado, no Tocantins. “Esse prêmio é muito importante porque mostra que as pesquisas desenvolvidas pela Embrapa estão voltadas para a solução de problemas reais do produtor. O reconhecimento em um evento como a Aquishow demonstra que estamos no caminho certo para desenvolver tecnologias de aplicação prática. A adoção dessa tabela de alimentação pode gerar uma redução significativa nos custos de produção, aumentando a rentabilidade da tilapicultura no Tocantins”, destaca Moro.
Indicação ao Prêmio Personalidades
A Aquishow Brasil 2026 promoveu ainda a entrega do Prêmio Aline Brun e Geraldo Bernardino – Personalidades Brasileiras da Aquicultura 2026, homenagem anual a um homem e uma mulher que se destacaram no desenvolvimento da aquicultura brasileira. O pesquisador Manoel Xavier Pedroza Filho esteve entre os finalistas da categoria masculina, reconhecimento que reflete a relevância de sua atuação para o setor.
Entre as contribuições que embasaram a indicação estão a criação e manutenção do Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura (CIAQUI), plataforma online que reúne dados econômicos e estratégicos do setor; a publicação do Informe Trimestral de Comércio Exterior da Piscicultura, elaborado em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) desde 2019; e a realização de estudos de mercado e de cadeia de valor da aquicultura nos âmbitos nacional e internacional.
Também integra esse conjunto de contribuições sua atuação na implementação de um mecanismo federal de desoneração tributária para as exportações de tilápia, implantado em 2020. A medida reduziu a carga tributária incidente sobre os insumos utilizados na produção destinada ao mercado externo, ampliando a competitividade do produto brasileiro no cenário internacional.
Para Pedroza Filho, a indicação reforça a relevância de iniciativas desenvolvidas em apoio ao setor aquícola brasileiro. “Esse reconhecimento mostra a importância dos nossos trabalhos e serve como um indicador do impacto dessas ações. O CIAQUI e as iniciativas de apoio às exportações de tilápia estão entre os trabalhos reconhecidos, o que nos motiva a continuar dedicando esforços ao desenvolvimento da aquicultura no Brasil”, ressalta.
Peixes
Aquicultura brasileira busca lições em crise sanitária que transformou a produção de salmão no Chile
Especialistas de Brasil, Chile e Colômbia discutem durante Aquishow Brasil 2026 estratégias de biossegurança, uso responsável de antibióticos e gestão de doenças que impactaram algumas das principais cadeias aquícolas da América Latina.

Os riscos sanitários que desafiam a produção mundial de peixes estão no centro das discussões da Aquishow Brasil 2026. Considerado um dos principais eventos da aquicultura nacional, o encontro promoveu um seminário internacional voltado à prevenção de doenças, biossegurança e gestão de crises sanitárias que já provocaram impactos significativos em importantes polos produtores da América Latina.
Com o tema “Crises Sanitárias na Aquicultura: Lições do Salmão no Chile e da Tilapicultura Colombiana para o Brasil”, o seminário foi realizado na quarta-feira (10), em Uberlândia (MG), reunindo especialistas do Chile, Colômbia e Brasil.
O objetivo foi analisar experiências internacionais e discutir como elas podem contribuir para fortalecer a sanidade, a competitividade e a sustentabilidade da aquicultura brasileira.
O que a crise do vírus ISA ensinou ao mundo
Um dos destaques da programação foi a análise da crise provocada pelo vírus da Anemia Infecciosa do Salmão (ISA), considerada um dos episódios sanitários mais marcantes da história da salmonicultura mundial.

Foto: Divulgação/Aquishow
A doença atingiu fortemente a produção chilena e levou o setor a revisar práticas produtivas, protocolos de biossegurança e mecanismos de controle sanitário.
Durante o seminário, o médico-veterinário e diretor técnico do Laboratório Pathovet, Miguel Fernandez, apresentou os impactos da crise e as mudanças implementadas posteriormente pelo setor chileno, incluindo medidas relacionadas à regulação da atividade, monitoramento sanitário e bem-estar animal, bem como fez uma contextualização sobre o cenário sanitário da aquicultura brasileira e os desafios enfrentados historicamente por Chile e Colômbia.
Uso de antibióticos e novas tecnologias
Outro tema que ganhou espaço nas discussões foi o uso responsável de antibióticos na produção aquícola, assunto que vem recebendo atenção crescente de mercados consumidores, autoridades sanitárias e organismos internacionais.
A programação também abordou tecnologias naturais e alternativas não farmacológicas para prevenção e controle de doenças em peixes, estratégias que têm sido cada vez mais estudadas como forma de reduzir riscos sanitários e ampliar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.
Experiência colombiana com a tilápia

Foto: Pixabay
A experiência da Colômbia na gestão de riscos sanitários da tilapicultura foi apresentada pela patologista veterinária Paola Barato, especialista internacional em saúde de peixes e consultora global em aquicultura.
A proposta foi compartilhar experiências práticas relacionadas à prevenção de enfermidades, monitoramento sanitário e resposta a situações de emergência, temas que ganham importância à medida que a produção aquícola cresce em diferentes regiões do mundo.
Desafios para a aquicultura brasileira
O encerramento do seminário contou com um painel envolvendo representantes da cadeia produtiva brasileira, que discutirão os principais desafios sanitários enfrentados atualmente pelo setor.
Entre os temas debatidos estavam biossegurança, prevenção de doenças, sustentabilidade produtiva e os mecanismos necessários para fortalecer a competitividade da aquicultura nacional.
Segundo a diretora da Aquishow Brasil e secretária executiva da Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP), Marilsa Patrício, o debate ganha relevância diante do crescimento da atividade e da necessidade de antecipar riscos que já impactaram outros países. “O seminário internacional reforça o posicionamento da Aquishow Brasil como espaço estratégico para troca de conhecimento, atualização técnica e discussão de temas prioritários para o desenvolvimento sustentável da aquicultura brasileira”, afirma.
A Aquishow Brasil 2026 segue com programação até esta quinta-feira (11), em Uberlândia, reunindo produtores, empresas, pesquisadores, técnicos e representantes da cadeia aquícola de diferentes regiões do país.
Peixes
Piscicultura de Minas Gerais cresce acima da média nacional e ganha destaque em feira do setor
Aquishow reúne mais de 120 empresas e espera movimentar R$ 130 milhões em negócios.

A piscicultura de Minas Gerais vem consolidando sua posição entre os principais polos produtores do país. Com produção anual superior a 77 mil toneladas, o Estado ocupa atualmente o terceiro lugar no ranking nacional e registra crescimento acima da média brasileira, impulsionado pelas condições favoráveis ao cultivo e pela expansão da cadeia produtiva.
O potencial do setor está em evidência durante a Aquishow Brasil 2026, considerada a principal feira da aquicultura nacional, realizada em Uberlândia entre os dias 09 e 11 de junho. O evento reúne mais de 120 empresas ligadas aos diferentes segmentos da produção de peixes cultivados, com destaque para a tilapicultura, e deve atrair cerca de 7 mil visitantes do Brasil e do exterior.
A expectativa dos organizadores é movimentar mais de R$ 130 milhões em negócios ao longo da feira, fortalecendo oportunidades de investimento, comercialização e parcerias para o desenvolvimento da atividade.
Segundo a presidente da Aquishow Brasil 2026, Marilsa Patrício, Minas Gerais reúne características que favorecem a expansão da piscicultura e ainda possui regiões com potencial para ampliar a produção. De acordo com ela, o evento tem o papel de conectar os diferentes elos da cadeia produtiva, estimular investimentos e promover ações voltadas ao crescimento sustentável do setor.
Além da área de exposição comercial, a programação contempla uma série de palestras técnicas direcionadas aos produtores. Os temas abordam aspectos considerados estratégicos para a atividade, como sanidade aquícola, nutrição, manejo e gestão das propriedades.
A organização destaca que a disseminação de conhecimento é uma das principais funções da feira, especialmente diante dos desafios enfrentados pela cadeia produtiva, entre eles a prevenção e o controle de enfermidades que podem comprometer a produção.
A programação também inclui homenagens a profissionais que contribuem para o desenvolvimento da aquicultura brasileira. Entre os destaques está o Prêmio Personalidades Brasileiras da Aquicultura – Aline Brun e Geraldo Bernardino. Na edição deste ano, os reconhecimentos foram concedidos a Mayara Fernandes Olsen, da Dourada Piscicultura e Engenharia, e ao professor Ricardo Ribeiro, da Universidade Estadual de Maringá.



