Avicultura
Problemas respiratórios desafiam biosseguridade da avicultura brasileira
Para prevenir e impedir a disseminação de doenças respiratórias em aviários várias medidas podem ser adotadas, entre elas ações de biosseguridade e monitoramento constante dos agentes infecciosos associados às doenças respiratórias, que podem contribuir na identificação da origem do problema quando detectado na granja.

Responsáveis por grandes perdas econômicas, as doenças do sistema respiratório em frango de corte podem atingir toda a cadeia produtiva da granja, levando, inclusive, a condenação do lote a nível de abate. Dado a sua importância, o médico-veterinário e diretor técnico do MercoLab, Alberto Back, foi um dos convidados do 22º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) para tratar sobre o assunto, que fez parte da programação do Bloco Nutrição e Manejo do evento realizado pelo Núcleo de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), de 05 a 07 de abril, em Chapecó, SC.

Médico-veterinário e diretor técnico do MercoLab, Alberto Back: “Se soubermos identificar a causa do problema respiratório, vamos atacar e resolvê-lo”
Dentre as doenças respiratórias mais recorrentes em aves nas criações comerciais, citadas por Back, estão Mycoplasma gallisepticum, Pneumovírus aviário (PVA), Newcastle, Coriza Infecciosa (Gôgo), Colibacilose, além de Bronquite infecciosa e a Escherichia coli que especialmente foram tratadas pelo profissional no SBSA.
Normalmente os problemas respiratórios são resultantes de causas multifatoriais, que incluem agentes infecciosos, problemas de ambiência e falhas de manejo. “As doenças respiratórias sempre existiram em maior ou menor grau e vão continuar existindo pelas próprias condições dos modelos de criação de aves no país”, sentencia Back em entrevista ao Jornal O Presente Rural.
Para prevenir e impedir a disseminação de doenças respiratórias em aviários várias medidas podem ser adotadas, entre elas ações de biosseguridade e monitoramento constante dos agentes infecciosos associados às doenças respiratórias, que podem contribuir na identificação da origem do problema quando detectado na granja.
Um bom programa de biosseguridade inclui alojamento de aves de idade única e procedentes de um mesmo estabelecimento, certificado em relação ao controle de doenças, boas práticas de conservação e uso das vacinas, boas práticas de produção e conservação da ração, tratamento da água com cloro, restrição de acesso de pessoas e veículos não relacionados ao trabalho nas propriedades, com sistema de desinfecção para calçados e veículos que necessitam acessar o local, impedir a entrada de outros animais na granja, manter um programa de controle de pragas, fazer correto manejo ambiental (temperatura, umidade, ventilação), fazer correto manejo das excretas/cama, assim como de aves mortas e de ovos descartados, ter um programa de limpeza e desinfecção, além de fazer a nebulização dos galpões.
“Se soubermos identificar a causa do problema respiratório, vamos atacar e resolvê-lo. É muito importante fazer o monitoramento dos agentes infecciosos associados com os problemas respiratórios, tanto de ambiência quanto de nutrição e da capacidade imunitária dos animais. O trabalho deve começar na matriz, seguir para os intervalos entre lotes, na densidade de aves por metro quadrado, no manejo, na ambiência, no controle do ar que as aves respiram, na ventilação interna, nos gases produzidos pelas excreções das aves, entre outros. A palavra-chave é monitoramento”, pontua Back.
Controle e tratamento
Conforme Back, a maior parte do controle é feito antes da doença aparecer. “O controle é feito em toda cadeia, desde o material genético até o intervalo entre os lotes, atribuídos de duas a três semanas justamente para reduzir a incidência de problemas respiratórios. Quando se faz um bom manejo e oferece uma boa ambiência as chances de ter um problema respiratório diminuem”, reforça.
O tratamento é variável, existe em determinadas circunstâncias que o uso de produtos específicos para controle da Bronquite infecciosa e da Escherichia coli funcionam, no entanto apenas ajudam a contribuir para reduzir o problema, mas não são uma solução, aponta Back. “Não há um tratamento que resolva todo o problema, tem que identificar a causa para reduzir a incidência”, reforça.
Sinais clínicos e consequências
Entre os principais sinais clínicos de doenças respiratórias nas aves estão espirro, secreção nasal e ocular, edema facial, dificuldade respiratória e estertores. E as lesões mais comuns provocadas incluem sinusite, traqueíte, bronquite, pneumonia e aerossaculite. De maneira geral, doenças no sistema respiratório em aves reflete em desempenho baixo, perda de peso e piora da conversão alimentar, o que resulta em aumento de custos com medicações e nos índices de mortalidade. “Os problemas respiratórios podem acontecer em qualquer idade, inclusive ao nascimento, se estender por toda vida da ave, gerando necessidade de medicamento, além de poder provocar mortalidade”, menciona Back.
A região Sul do país e mais especificamente o Estado do Paraná apresentou em 2021 um aumento exponencial de mortalidade em frangos de corte, com as primeiras ocorrências de doenças respiratórias identificadas em abril, com seu pico atingido entre os meses de junho a agosto.
Através de exames laboratoriais constatou-se que os casos nos planteis paranaenses tinham em comum duas características: estavam associados com a Escherichia coli – agente causador da Colibacilose aviária, identificada nas três primeiras semanas de vida dos frangos, elevando a mortalidade das aves em idade jovem; e a um quadro de Aerosaculite, não evidente durante a criação do frango, mas sendo detectado no momento do abate, gerando condenação do lote, criando uma restrição de velocidade da linha de abate e um impacto econômico muito grande para a indústria.
De acordo com Back, diversos estudos foram e continuam sendo realizados, mas ainda não se chegou à origem do agente causador que pode ter afetado os aviários paranaenses.
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Avicultura
Após ações de vigilância, Rio Grande do Sul declara fim de foco de gripe aviária
Equipes realizaram inspeções em propriedades e granjas, além de atividades educativas com produtores.

Após 28 dias sem aves mortas, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) encerrou na quinta-feira (16) o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) registrado em 28 de fevereiro, em Santa Vitória do Palmar. Na ocasião, foi constatada a morte de aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba, na Estação Ecológica do Taim.
A partir da confirmação do foco, a Seapi mobilizou equipes para a região de Santa Vitória do Palmar, conduzindo ações de vigilância ativa e educação sanitária em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
As equipes designadas utilizaram barcos e drones para o monitoramento de aves silvestres na Estação Ecológica do Taim, procurando por sinais clínicos nos animais ou aves mortas. Foram realizadas 95 atividades de vigilância em propriedades, localizadas no raio de 10 quilômetros a partir do foco, que contam com criações de aves de subsistência. Adicionalmente, foram feitas 22 fiscalizações em granjas avícolas localizadas em municípios da região, para verificação das medidas de biosseguridade adotadas.
Ações de educação sanitária junto a produtores rurais, autoridades locais e agentes comunitários de saúde e de controle de endemias também integraram o plano de atuação da Secretaria na área do foco. Foram conduzidas 143 atividades educativas.
“Por se tratar de área de risco permanente, continuamos com o monitoramento de ocorrências na Estação Ecológica do Taim, em conjunto com o ICMBio”, complementa o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Alta nas exportações ameniza impacto da desvalorização do frango
Mesmo com preços mais baixos, demanda externa segura o ritmo do setor.

O mercado de frango registrou queda de preços em março, mas manteve equilíbrio impulsionado pelo desempenho das exportações. Em São Paulo, o frango inteiro congelado recuou para R$ 7/kg, 2,4% abaixo de fevereiro e 17% inferior ao registrado há um ano. Já no início de abril, houve reação nas cotações, que voltaram a R$ 7,25/kg.

Com a desvalorização da proteína ao longo do ano e a alta da carne bovina, o frango ganhou competitividade. A relação de troca superou 3 kg de frango por kg de dianteiro bovino, nível cerca de 30% acima da média histórica para março e acima do pico dos últimos cinco anos, registrado em 2021. Em comparação com a carne suína, que também teve queda de preços, a relação se manteve próxima da média, em torno de 1,3 kg de frango por kg de suíno.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, março também foi positivo para as exportações brasileiras de carne de frango, mesmo diante das dificuldades logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Os embarques somaram 431 mil toneladas in natura, alta de 5,6% em relação a março de 2025 e de 4,9% no acumulado do primeiro trimestre.

Foto: Ari Dias
O preço médio de exportação, por outro lado, recuou 2,7% frente ao mês anterior, movimento associado ao redirecionamento de cargas que antes tinham como destino países do Oriente Médio, especialmente os Emirados Árabes. Ainda assim, o bom desempenho de mercados como Japão, China, Filipinas e África do Sul compensou as perdas na região.
No lado da oferta, os abates de frango cresceram cerca de 3% em março na comparação anual e 2% no acumulado do primeiro trimestre. Apesar disso, o aumento das exportações, que avançaram 5,4% no período, contribuiu para evitar sinais de sobreoferta no mercado interno.
Avicultura
Por que a vacina não resolve sozinha o controle da Salmonella na avicultura
Imunização reduz multiplicação do agente, mas não impede infecção nas granjas brasileiras.

A utilização de vacinas no controle da Salmonella na avicultura ainda enfrenta um problema recorrente: expectativa equivocada sobre o que, de fato, elas entregam no campo. A avaliação foi apresentada durante o Seminário Facta sobre Salmonelas, realizado em 19 de março, em Toledo (PR), ao discutir o papel real da imunização dentro dos programas sanitários.
Segundo a palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka, o primeiro ponto que precisa ser ajustado é conceitual: a Salmonella não é eliminada – é controlada. “A gente não vai eliminar Salmonella. A gente tem que controlar Salmonella, que é bem diferente”, afirmou.
A explicação está na própria biologia do agente. A bactéria possui múltiplos hospedeiros e capacidade de permanência no ambiente produtivo, o que inviabiliza a erradicação completa dentro dos sistemas intensivos.
Vacina não impede infecção

Fotos: Giuliano De Luca/OP Rural
Um dos pontos centrais da apresentação foi a limitação funcional das vacinas. Diferentemente do que parte do setor ainda presume, elas não atuam como barreira absoluta contra a entrada do agente. “A vacina não é um campo de força. Ela não protege contra a infecção”, destacou.
Na prática, o efeito esperado é outro: reduzir a multiplicação da bactéria no organismo e, com isso, diminuir a pressão de infecção ao longo do sistema. “A vacina diminui a taxa de multiplicação do agente, melhora a defesa do organismo”, explicou. Esse efeito é suficiente para reduzir a ocorrência de sinais clínicos e contribuir para manter a bactéria em níveis baixos – muitas vezes não detectáveis -, mas não impede que a ave entre em contato com o patógeno.
Ferramenta dentro de um sistema, não solução isolada
A consequência direta dessa limitação é clara: a vacina não pode ser tratada como solução única. “Ela não deve ser usada sozinha. É mais uma ferramenta dentro de um programa de controle”, afirmou. Para a palestrante, o controle efetivo depende da combinação de fatores: biosseguridade, manejo, controle ambiental, qualidade intestinal e capacitação das equipes.
A vacina atua sobre um ponto específico: a dinâmica de multiplicação da bactéria dentro do hospedeiro.
Quebra-cabeça sanitário exige integração

Palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka: “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”
Durante a apresentação, o controle da Salmonella foi descrito como um sistema de múltiplas camadas, em que cada ferramenta cumpre uma função distinta. “A gente tem um quebra-cabeça. Não é uma bala de prata, não é milagre”, afirmou. Nesse modelo, o manejo reduz a pressão ambiental, a biosseguridade controla a entrada, a vacinação reduz a multiplicação e a microbiota intestinal atua na competição.
E há um elemento transversal: as pessoas. “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”, alertou. Mesmo com tecnologia disponível, falhas operacionais comprometem diretamente a eficácia das vacinas. “A vacina só funciona se for utilizada da maneira correta”, afirmou.
Entre os erros ainda comuns, Eva Hunka citou “dose inadequada, falhas de aplicação, manejo incorreto, uso fora do momento ideal”. A consequência é uma percepção equivocada de ineficiência, quando, na prática, o problema está na execução. “Qualquer produto para a saúde animal precisa respeitar momento de uso, dose, via de aplicação”, destacou.
Sanidade de precisão
Ao final, a especialista chamou atenção para uma lacuna recorrente no setor: enquanto áreas como nutrição e ambiência avançaram para modelos de precisão, a sanidade ainda opera, muitas vezes, de forma menos estruturada. No caso da Salmonella, isso significa abandonar soluções isoladas e trabalhar com estratégias coordenadas – em que a vacina é uma peça relevante, mas nunca suficiente sozinha.



