Avicultura
Pontos importantes na aplicação de probióticos via spray em incubatórios de aves
A constante avaliação dos resultados, para os devidos ajustes e correções necessárias, também é fundamental para o sucesso da aplicação.

A indústria avícola tem buscado, cada vez mais, estratégias naturais para melhorar a saúde e o desempenho dos planteis desde os estágios iniciais de vida das aves. Neste contexto, os probióticos têm se destacado como uma alternativa promissora para promover o equilíbrio da microbiota intestinal, reduzir a inflamação das mucosas, aumentando os índices de produtividade e o bem-estar dos animais.
Entre as formas de administração de probióticos, a aplicação via spray em incubatórios tem ganhado atenção por sua praticidade e potencial efetivo, já que tem impactos positivos sobre a colonização precoce.

Paulo Martins, diretor técnico da Biocamp
A colonização precoce se refere ao estabelecimento inicial de uma microbiota benéfica no trato gastrointestinal das aves logo após o nascimento. Durante os primeiros dias de vida, este sistema está sujeito a uma rápida colonização por diferentes microrganismos, incluindo bactérias comensais, oportunistas e patogênicas. A colonização precoce, portanto, é um processo crucial, influenciando o desenvolvimento do sistema imunológico, a digestão e absorção de nutrientes, além de desempenhar um papel importante na competição e prevenção contra disbiose e consequente risco de superpopulação de bactérias patogênicas.
Neste artigo, discutiremos os pontos críticos a serem considerados ao aplicar probióticos via spray no incubatório.
A escolha do probiótico
A escolha do probiótico a ser utilizado é fundamental para obter os benefícios esperados. É importante selecionar cepas probióticas comprovadamente eficazes e seguras para aves, que tenham a capacidade de aderir e colonizar o trato gastrointestinal.
Aplicar probióticos de múltiplas cepas láticas ou de exclusão competitiva ainda no incubatório favorece a formação de uma microbiota benéfica e aumenta a proteção contra bactérias patogênicas.
Formulação, concentração e apresentação do probiótico
A formulação do probiótico para a aplicação via spray deve ser cuidadosamente desenvolvida. Fatores como a viabilidade das cepas, a compatibilidade entre as diferentes cepas presentes na formulação e a estabilidade do produto devem ser considerados. Além disso, a concentração adequada dos probióticos na solução de pulverização é crucial para garantir a eficácia do tratamento.
Por exemplo, para cada caixa com 100 pintinhos, o ideal é que o volume aplicado seja entre 15 e 21 mL da solução probiótica. Uma dica importante é incluir o uso de corantes, pois ele desperta a curiosidade das aves e favorece o consumo do probiótico e a visualização da qualidade da aplicação. O resultado é altamente positivo quando cerca de 95% dos pintinhos, ou mais, estão com a língua corada, provando a ingestão da solução.
Também é preciso ficar atento ao tamanho e uniformidade das gotas, que devem ter diâmetro aproximado de 200 micras, facilitando o consumo do probiótico pelos pintinhos. Para isso, o desenvolvimento de uma apresentação líquida do probiótico foi um passo fundamental para não alterar o tamanho e uniformidade das gotas.
Equipamentos e técnica de aplicação
A escolha dos equipamentos de aplicação e a técnica adequada são pontos críticos para o sucesso da administração de probióticos via spray. A pressão e o ângulo de pulverização devem ser ajustados de acordo com as características do ambiente e das aves, garantindo uma distribuição homogênea do probiótico sobre as aves. Um teste inicial pode ser realizado fazendo a aplicação apenas no fundo de papelão da caixa, onde pode ser avaliada a distribuição da solução em toda a superfície da mesma.
Momento e cuidados na aplicação
O momento e os cuidados de aplicação dos probióticos via spray são aspectos cruciais a serem considerados. O período pós-eclosão, ou seja, logo após o nascimento, é o mais recomendado para a administração dos probióticos. Para que o futuro não seja incerto, é preciso correr contra o tempo e colonizar o pintinho com uma microbiota benéfica o mais rápido possível.
Cuidados após a aplicação do probiótico
Após aplicação do probiótico, é importante que as caixas com os pintinhos sejam mantidas em local sem corrente de ar (longe de exautores ou ventiladores) para não acelerar a secagem das penugens, que deve ser de mínimo de 10 a 15 minutos, otimizando assim o consumo da solução através do bico.
Considerações finais
Por fim, a constante avaliação dos resultados, para os devidos ajustes e correções necessárias, também é fundamental para o sucesso da aplicação. Com a devida atenção a esses aspectos, podemos melhorar os índices de produtividade das aves, promovendo a saúde intestinal de maneira natural e reduzindo o uso de antimicrobianos na primeira semana de vida.
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Avicultura
Asgav encerra segunda etapa de campanha de biosseguridade com ampla mobilização no Rio Grande do Sul
Ação combinou rádio e mídias digitais para levar orientações técnicas a produtores, trabalhadores e à população, fortalecendo a cultura de prevenção sanitária na avicultura.

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) concluiu a segunda etapa de sua campanha de conscientização sobre biosseguridade com ampla repercussão no Rio Grande do Sul. A iniciativa combinou ações em rádio e plataformas digitais para disseminar orientações técnicas e ampliar o conhecimento sobre a importância da prevenção sanitária na avicultura, alcançando milhões de pessoas em diferentes regiões do Estado.
Ao longo da campanha, foram veiculados 12 boletins comerciais em 260 emissoras de rádio gaúchas. Segundo a entidade, cada material registrou média de 3,1 milhões de reproduções, levando informações sobre biosseguridade e sobre a relevância econômica e social da atividade avícola para dezenas de municípios.
A ação teve como principal objetivo reforçar a adoção de medidas preventivas consideradas essenciais para a proteção dos plantéis e para a manutenção do status sanitário que sustenta a competitividade da avicultura brasileira nos mercados nacional e internacional.
Além de orientar produtores e trabalhadores do setor, a campanha buscou aproximar o tema da população em geral, destacando que a prevenção de enfermidades depende do comprometimento de todos os elos da cadeia produtiva.
Como complemento às ações no rádio, a Asgav ampliou sua estratégia de comunicação digital. Em parceria com a médica-veterinária Caroline Freitas, foram produzidos nove vídeos técnicos com orientações práticas sobre procedimentos e dispositivos de biosseguridade utilizados nas granjas avícolas. Os conteúdos foram publicados semanalmente durante dois meses nas redes sociais da entidade e compartilhados por agroindústrias, instituições parceiras e grupos especializados do setor.
Para o presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, a campanha já se consolida como uma referência para a avicultura nacional. “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav

Presidente executivo da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades” – Foto: Divulgação/Asgav
sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades nesta mesma linha que ajudam muito o setor”, afirma.
Segundo Santos, o encerramento desta etapa não representa o fim das ações de conscientização. A entidade pretende manter o tema em evidência por meio de palestras, eventos, reuniões técnicas e iniciativas de mobilização junto a agroindústrias e produtores.
A Asgav também deverá atuar em conjunto com outras iniciativas voltadas à promoção da biosseguridade, entre elas a campanha lançada recentemente pela Associação Brasileira de Proteína Animal e pelo projeto Vida de Granja. As ações têm como foco ampliar a adoção de procedimentos preventivos nas propriedades avícolas por meio de uma comunicação acessível e direcionada ao público do campo.
Em um contexto de vigilância permanente sobre a sanidade animal, a entidade avalia que o investimento contínuo em informação e conscientização permanece entre as principais ferramentas para reduzir riscos sanitários, preservar mercados e fortalecer uma cadeia produtiva estratégica para a economia gaúcha. A avicultura está entre as atividades agropecuárias de maior relevância no Estado, gerando empregos, renda e movimentando diferentes segmentos econômicos ligados à produção de proteína animal.
Avicultura
Programa Ovos RS certifica 16 empresas e reforça foco em biosseguridade após caso de Influenza aviária
Encontro da cadeia produtiva gaúcha debateu mercado, auditorias técnicas, desafios de competitividade e estratégias para fortalecer a produção de ovos no Estado.

A cadeia produtiva de ovos do Rio Grande do Sul reuniu-se no último dia 28 de maio, em Garibaldi (RS), para avaliar os resultados do Programa Ovos RS, discutir os desafios do mercado e reforçar medidas de biosseguridade em um momento de atenção redobrada para a sanidade avícola.

Foto: Divulgação/Asgav
Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o encontro anual ocorreu no Vale dos Vinhedos e reuniu representantes de granjas, empresas apoiadoras, órgãos de fiscalização e autoridades sanitárias estaduais e federais.
Entre os principais temas debatidos estiveram o desempenho do setor em 2025, os resultados das auditorias realizadas nas propriedades participantes, o cenário econômico da atividade e as ações de prevenção sanitária após o registro de casos de influenza aviária no país neste ano.
Auditorias apontam evolução das granjas
Durante o encontro, o presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs) e coordenador do Programa Ovos RS, José Eduardo dos Santos, apresentou um panorama do mercado de ovos no Estado e no Brasil, além do balanço das atividades desenvolvidas pelo programa ao longo do último ciclo.
A coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas, detalhou os resultados das auditorias realizadas nas

Coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas – Foto: Divulgação/Asgav
granjas participantes em 2025. Segundo ela, as avaliações permitiram acompanhar a evolução dos estabelecimentos e monitorar indicadores técnicos relacionados às boas práticas de produção.
Criado há mais de uma década, o Programa Ovos RS atua na orientação técnica das empresas, no incentivo à adoção de protocolos de qualidade e no fortalecimento da conformidade sanitária das granjas gaúchas.
Biosseguridade ganha protagonismo
A biosseguridade foi um dos temas centrais da programação. O assunto ganhou relevância diante do cenário sanitário enfrentado pela avicultura brasileira em 2025 e das medidas adotadas para preservar a condição sanitária do plantel nacional. “Este encontro é fundamental para alinharmos estratégias, prestarmos contas, apresentarmos relatório de atividades e reforçarmos o compromisso do setor com a qualidade, a biosseguridade e a evolução contínua da indústria e produção de ovos no Rio Grande do Sul”, afirmou Santos.
Representando o Ministério da Agricultura e Pecuária, Marcos Paulo Damaren Borges, chefe do 10º Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), destacou o papel do Programa Ovos RS no fortalecimento da cadeia produtiva e ressaltou a importância das atividades de fiscalização e inspeção para garantir a segurança dos alimentos de origem animal.

Chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Rosane Collares – Foto: Divulgação/Asgav
Já Rosane Collares, chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, abordou a atuação da pasta durante o enfrentamento do foco de influenza aviária registrado no Estado neste ano e ressaltou a importância das ações preventivas adotadas pelo setor.
Mercado e competitividade
O encontro também abriu espaço para a discussão sobre o ambiente econômico da atividade. Representando o setor produtivo, Ivandro Pianegonda, gerente comercial da Granja Faria/Stragliotto, apresentou uma análise sobre o atual momento do mercado de ovos, abordando questões relacionadas à competitividade, custos de produção, consumo e perspectivas para as empresas.
Segundo ele, a coordenação entre os diferentes elos da cadeia será determinante para enfrentar os desafios do setor nos próximos anos.
Selo reconhece boas práticas
Ao final da programação, 16 estabelecimentos receberam certificação para utilizar o selo Ovos RS, reconhecimento concedido às empresas que atingiram índice superior a 80% de conformidade no checklist técnico de avaliação do programa.
Também foram homenageadas empresas apoiadoras que contribuem para a manutenção das atividades

Foto: Divulgação/Asgav
desenvolvidas pela iniciativa.
Com mais de dez anos de atuação, o Programa Ovos RS tornou-se uma das principais ferramentas de qualificação da cadeia produtiva de ovos do Estado, reunindo ações de assistência técnica, capacitação, promoção institucional e incentivo à adoção de boas práticas de produção.
Durante o encontro, a Asgav também informou que a capacitação técnica anual do Programa Ovos RS deverá ser incorporada à programação da Conbrasfran 2026, movimento que pode resultar, futuramente, na unificação dos dois eventos.
Avicultura
Ovos registram novas valorizações e alcançam até R$ 183,97 por caixa
Grande Belo Horizonte apresenta o maior preço entre as praças acompanhadas pelo Cepea.

Os preços dos ovos encerraram o mês de maio em alta na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O movimento foi mais intenso nas principais praças produtoras e consumidoras do país, com destaque para São Paulo, onde as cotações registraram os maiores avanços do período.
Em Bastos (SP), uma das principais referências da avicultura de postura nacional, o ovo branco foi comercializado a R$ 154,29 por caixa, alta diária de 4,95%. O ovo vermelho alcançou R$ 174,29 por caixa, com valorização de 2,99%.

Na Grande São Paulo, os preços também avançaram de forma expressiva. O ovo branco foi negociado a R$ 162,14 por caixa, aumento de 3,07%, enquanto o vermelho chegou a R$ 182,62 por caixa, com alta de 4,09%.
Em Minas Gerais, a região da Grande Belo Horizonte registrou valorização de 1,44% para o ovo branco, cotado a R$ 164,84 por caixa. O ovo vermelho teve aumento ainda maior, de 1,94%, alcançando R$ 183,97 por caixa, o maior valor entre as regiões monitoradas pelo Cepea.
No Espírito Santo, em Santa Maria de Jetibá, outro importante polo de produção, os preços também subiram. O ovo branco foi negociado a R$ 150,96 por caixa, avanço de 0,67%, enquanto o vermelho atingiu R$ 180,28 por caixa, alta de 1,58%.
A única exceção entre as praças analisadas foi Recife (PE). Na capital pernambucana, o ovo branco apresentou retração de 1,30%, sendo comercializado a R$ 151,72 por caixa. O ovo vermelho foi cotado a R$ 169,68 por caixa.
Os dados do Cepea mostram um cenário de valorização predominante no mercado de ovos ao final de maio, especialmente nas regiões do Sudeste, onde se concentram importantes polos de produção e consumo do produto.



