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Pontos de atenção da bronquite infecciosa das aves

Bronquite infecciosa aviária é conhecida por ser altamente contagiosa e gerar elevados prejuízos econômicos ao setor avícola

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Bianca Vieira Costa, médica veterinária, mestre em Zootecnia e MBA em Gestão de Negócios

A Bronquite Infecciosa das Galinhas (BIG) é caracterizada por ser uma doença aguda e altamente infecciosa, o vírus causador pertence ao gênero Coronavirus, família Coronaviridae e ordem Nidovirales. Este nome se dá devido às projeções pedunculadas que revestem o envoltório do vírion, essas são conhecidas como espículas ou peplômeros. O gênero é separado de acordo com suas características genéticas e antigênicas, ele pertence ao grupo 3. Os patógenos pertencentes a esse grupo acometem apenas aves. O nome da doença provém de um dos seus sintomas, observado quando ela foi descrita: inflamação dos brônquios.

É encontrada em praticamente todas as regiões produtoras avícolas do mundo, afeta aves de ambos os sexos em diferentes idades. Acomete frangos de corte, poedeiras, matrizes leves e pesadas. Essa doença acomete a parte respiratória e geniturinária, causando um grande impacto tanto na cadeia de carnes quanto de ovos.

A transmissão da BIG nas granjas ocorre principalmente pela via horizontal, através de aerossóis respiratórios e fezes, e se espalha rapidamente por contato, objetos contaminados ou pelo ar. O vírus entra no organismo por inalação ou via conjuntival, se multiplicando rapidamente no trato respiratório, que é o local de predileção dele. Sua replicação ocorre nas células epiteliais, células secretoras de muco, células epiteliais dos pulmões e sacos aéreos. Além de lesões no trato respiratório, causa lesões no trato reprodutivo, digestivo e urinário. Tem um período de incubação de 48 a 96 horas, e a ave infectada tem a capacidade de transmitir o vírus por até duas semanas, e após a cura, ainda tem a possibilidade da mesma ave se infectar por uma cepa viral diferente. Algumas aves/cepas virais podem carregar a doença por um ano. O vírus pode sobreviver a 4 semanas no ambiente, e é sensível a solventes, calor acima de 56°C por pelo menos 15 minutos e desinfetantes a base de formal 1% durante 3 minutos. Uma ventilação inadequada e alta densidade são fatores predisponentes para esta doença. Por isso, a desinfecção, os processos de biosseguridade e vazio sanitário adequado são muito importantes no controle da doença.

As galinhas são animais sensíveis, a ponto de serem suscetíveis até a variações de temperatura. A produção avícola exige grande cuidado, principalmente quando se pensa em enfermidades, entre as quais, a bronquite infecciosa, que pode representar perdas significativas.

Os sinais clínicos variam de acordo com o sistema acometido. No sistema respiratório há dificuldade para respirar e a ave apresenta sinais como tosse, espirro, estertor traqueal, conjuntivite, descarga nasal e inflamações nos seios infraorbitários. Os animais se agrupam próximos à fonte de calor, ocorre queda no consumo de ração e, consequentemente, perda de peso. Em casos severos as aves apresentam forte diarreia, causando piora na qualidade da cama do aviário. Pode ocorrer aerossaculite por infecções secundárias (E. coli e micoplasma), fator que agrava o quadro clínico e eleva a morbidade e mortalidade.

O fato de não existir a observação clínica de infecção respiratória não significa a ausência do vírus da BIG. Pode ocorrer uma manifestação clínica não tradicional, ou seja, sem os sinais característicos. Estas situações estão ligadas a um bom programa de vacinação, bom manejo e boa biosseguridade.

Sistema reprodutivo

Apesar de causar problemas respiratórios, a bronquite infecciosa também atinge o sistema reprodutivo das aves. Com isso, poderá ocorrer queda variável da produção e perda (também variável) de qualidade da casca, chegando até a deformações, que prejudicam o valor do ovo para consumo ou a eclodibilidade deles. De forma geral, têm sua produtividade afetada de forma variável, dependendo do nível imunológico do lote ou também se o vírus que está desafiando é semelhante ou diferente do agente utilizado na vacinação.

Em matrizes pesadas são observadas quedas de produção significativas, causando um baixo número de pintos produzidos por ave alojada. São encontrados casos com queda na densidade de ovos, aumentando o número de ovos trincados e quebrados, além de liquefazer o albúmem, diminuindo a qualidade de pintos oriundos destes ovos. Em matrizes pesadas e aves de postura comercial observa-se um aumento significativo dos problemas de “cabeça inchada”, com recidivas das infecções secundárias como peritonites e salpingites. Em alguns quadros observa-se uma maior suscetibilidade aos quadros de enterite.

O acometimento da bronquite infecciosa na avicultura leva a uma perda média de 5,6 pintos por matriz alojada ou de 8 ovos por poedeira alojada. Em caso de frangos de corte podem ocorrer perdas por mortalidade ou condenação a nível de abatedouro. A doença ainda aumenta a chance de mortes no transporte. Isso porque a ave tem febre e sofre alterações sistêmicas importantes, como modificações fisiológicas e descompensação renal.

Ela pode afetar mais de 80% da criação por ser uma patologia endêmica. Por isso, o Banco Mundial destacou que essa é a segunda enfermidade de maior impacto econômico no mundo.

No Brasil, uma pesquisa de campo sinalizou prejuízos de 9,88 milhões de dólares em frangos de corte no Paraná e mais 1,6 milhão de dólares em galinhas reprodutoras. O único grupo variante presente no Brasil é o BR, que um percentual significativo das detecções.

O vírus abre espaço para a entrada de agentes oportunistas. Por isso, é preciso investir na prevenção. O recomendado é apostar em práticas sanitárias e medidas de biosseguridade. Junto a isso, é necessário adotar um programa vacinal. Somente dessa forma o animal estará realmente protegido da bronquite infecciosa. Como a doença exige que o sistema imunológico esteja em constante estímulo por um agente vivo, é preciso ter contato com a vacina viva atenuada na fase de recria. Após esse processo, a inativada oleosa é injetada e, com a memória do sistema imune, há uma imunidade mais plena e completa.

Portanto, fica claro que a bronquite infecciosa na avicultura é impedida somente pela prevenção. As vacinas são essenciais nesse processo, porque ajudam a proteger o animal e a evitar que a doença se espalhe pela granja.

Preocupação no mundo

A possibilidade da ocorrência de variantes de BIG continua sendo uma grande preocupação em todas as partes do mundo. A existência de variantes está relacionada com a capacidade de variação antigênica do vírus da BIG. Isso ocorre em virtude da existência dos genes da região S, que é responsável por determinar os sorotipos dos vírus e induzir a resposta imune. Devido à existência de diferentes sorotipos e o fato da imunidade poder ser específica a um sorotipo, pode não existir proteção cruzada total, dificultando o controle da BIG.

Imunidade

Diferentes tipos de imunidade protegem contra o vírus da bronquite. Existe a imunidade de origem materna, imunidade local ou de mucosa, mediada por células e humoral. A imunidade materna protege aves contra infecções precoces, mas sua duração é baixa; na imunidade local há proteção em combate à infecção respiratória primária; a imunidade mediada por célula tem papel fundamental na resposta contra a infecção, já que a imunidade humoral não tem correlação com a proteção. Existem três classes de imunoglobulinas envolvidas na resposta imune, IgM, IgG e IgA. IgM é o primeiro anticorpo a aparecer após a infecção, pode ser detectado entre 6 e 9 dias, sua presença é indicativa de infecção recente ou de vacinação. IgG está em maior número no soro após a infecção, por isso é utilizada na sorologia para diagnóstico da doença. A IgA por ser produzida em secreção salivar e lacrimal, age como primeiro combate em defesa do organismo.

O diagnóstico provisório baseia-se em sinais clínicos, lesões macroscopicas e sorologia. O diagnóstico definitivo é baseado no isolamento viral nos embriões da galinha, lesões típicas, imunofluorescência positiva e ciliostase em cultura de órgão traqueal. As doenças que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial são Mycoplasma gallisepticum, M. synoviae, Pneumovirose, Laringotraqueíte infecciosa, doença de Newcastle, Coriza Infecciosa e infecções por Escherichia coli. Os exames mais usados para detecção da BIG são Elisa e PCR-RT.

Não existe um tratamento específico para a doença. Alguns produtores costumam administrar antibióticos para evitar infecções secundárias, diminuindo assim as perdas na criação. Muitas vezes esse tratamento pode ficar muito caro. A melhor forma para evitar e/ou combater a bronquite infecciosa ainda é prevenindo a doença através da vacinação.

Considerações finais

A produção avícola brasileira vem aumentando sua produtividade e destaca-se nos cenários nacional e internacional do agronegócio. A demanda dos mercados (brasileiro e mundial) exige o aumento da produção, sendo que esse aumento deve estar associado ao avanço tecnológico e sanitário, e acaba por provocar o aumento no número de animais alojados por granja, e este fato eleva a pressão sanitária e pode favorecer o surgimento de doenças. Entre estas doenças, a bronquite infecciosa aviária é conhecida por ser altamente contagiosa e gerar elevados prejuízos econômicos ao setor avícola.

Várias ações são tomadas em conjunto para evitar que a doença afete os plantéis avícolas, como por exemplo: protocolos de vacinação conforme desafio da região, execução de programas de biosseguridade e monitorias sanitárias durante toda a vida do lote.

O país tem conquistado importantes avanços no requisito da saúde dos plantéis, e isto permite que as exportações brasileiras atinjam patamares acima das médias de crescimento mundial, consolidando o país entre os principais países produtores e exportadores de carne de frango e derivados na atualidade.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de julho/agosto de 2021 ou online.

 

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Mídias sociais como instrumento de comunicação e conexão com produtores rurais

Hoje os consumidores querem conteúdo que dialogue com suas experiências de vida. A tendência é que as empresas demonstrem cada vez menos conteúdos corporativos e estejam cada vez mais em sintonia com a realidade do seu público, por meio de histórias empáticas

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Foto: Arquivo/OP Rural

Com a popularização da internet a partir dos anos 2000, outro tipo de serviço de comunicação e entretenimento começou a ganhar força: as mídias sociais. No meio rural as mídias digitais já têm seu espaço no dia a dia e nos negócios das propriedades. É o que mostra a 8ª Pesquisa Hábitos do Produtor Rural, encomendada pela Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio (ABMR&A) e executada pela IHS Markit, que ouviu 3.048 produtores em 16 estados brasileiros. “Nunca o conteúdo foi tão importante nas mídias digitais”, aponta a pesquisa. O levantamento comprova a relevância do Whatsapp como meio de comunicação digital. Nada menos do que 76% dos produtores usam a plataforma para realizar negócios.

Segundo o relatório “Digital 2021: Global Overview” de outubro, produzido pela agência internacional We Are Social, em parceria com a Hootsuite, atualmente no Brasil o número total de usuários das mídias sociais é de 150 milhões de pessoas, ou seja, 70,3% da população total. Houve um acréscimo de 10% na população total quando comparado aos dados de 2020. O Brasil também ocupa o terceiro lugar no ranking de populações que passam mais tempo nas mídias sociais, com uma média diária de 3 horas e 31 minutos, atrás apenas de Filipinas (3h53) e Colômbia (3h45). Nesse quesito, a média mundial é de 2 horas e 24 minutos de uso por dia.

Com estes dados é inquestionável a relevância das mídias no dia a dia dos brasileiros. Dentro deste contexto as empresas também passaram a atuar com mais frequência, entendendo que internet aproxima as empresas dos consumidores e a comunicação se torna imediata. Para isso, alguns pontos precisam ser levados em consideração em relação a comunicação. Hoje os consumidores querem conteúdo que dialogue com suas experiências de vida. A tendência é que as empresas demonstrem cada vez menos conteúdos corporativos e estejam cada vez mais em sintonia com a realidade do seu público, por meio de histórias empáticas que tragam significado para os mesmos.

A internet segue evoluindo, e assim as mídias sociais buscam cada dia mais melhorar suas experiências com os usuários. Há uma forte tendência de aumento da adesão e tempo gasto nas redes sociais, mesmo no Brasil, onde temos um público muito conectado e atuante. Assim, as empresas precisam estar preparadas para criar conexão com o público do campo, que está cada vez mais aberto a ouvir através dos canais de mídias sociais.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: Por Larissa Spricigo, médica-veterinária e diretora da Comunica Agro
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Avicultura Avicultura

Estratégia nutricional reduz custos da ração e mantém desempenho animal

Estudos com uso do ácido guanidinoacético (GAA) na formulação de dietas para aves demonstraram redução dos custos da ração, mantendo o desempenho dos animais no campo, melhoraram o rendimento de carcaça e reduziram a incidência de miopatias nos abatedouros.

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Fotos: Divulgação/Evonik

Artigo escrito Por Patricia Tomazini Medeiros, médica-veterinária e gerente de Serviço Técnico na Evonik.

A combinação de preços já elevados dos grãos com a expectativa de novas altas tem tirado o sono do avicultor e levado a busca por estratégias nutricionais para reduzir o impacto destes aumentos nos custos de produção. Para se ter uma ideia, a nutrição já atinge cerca de 80% dos custos do frango. Então, o desafio é fornecer uma dieta equilibrada, com o menor custo, produzindo ovos e carne que atendam aos requerimentos do consumidor moderno, maximizando o lucro e atendendo às exigências ambientais e de bem-estar animal, defende a médica veterinária e gerente de Serviço Técnico da Evonik, Patrícia Tomazini Medeiros.

Ela destaca que a energia é responsável por aproximadamente 50% do custo da ração, o que significa que corresponde a um terço de todo o custo da produção de aves. Estudos conduzidos pela companhia apostam em medidas para reduzir os custos relacionados à energia da dieta, sem prejudicar o desempenho das aves, e assim aumentar consideravelmente a receita dos produtores. “A energia já é o nutriente mais caro na formulação de dietas de aves e isso é improvável de mudar dada a forte concorrência por fontes de energia disponíveis para alimentação humana”. E, neste cenário, diante de tantas alternativas disponíveis no mercado, quais delas têm se mostrado mais eficientes?

Uma estratégia nutricional com uso de ácido guanidinoacético (GAA) na formulação mostrou benefícios não apenas no campo, como também no abatedouro. Esta dieta contribuiu com uma importante redução dos custos da ração, manteve o desempenho das aves no campo, melhorou o rendimento de carcaça e reduziu a incidência de miopatias no frigorífico, anunciou Tomazini. “O GAA será transformado em creatina no metabolismo celular e terá um papel fundamental no transporte e doação do fósforo para a ADP, transformando-a em ATP. O GAA é estratégico porque atua no metabolismo energético dentro da célula, diferente do que ocorre com outras tecnologias, como as enzimas, por exemplo, que precisam de substrato para agir”, afirma a especialista.

De acordo com este levantamento, a redução no custo da ração pode ser entre R$ 30 e R$ 35 por tonelada de ração. No abatedouro, essa estratégia foi importante também para reduzir os escores graves de miopatias peitorais, reduzindo assim as condenações de carcaças. “Isso dá milhões de economia no acumulado do ano”, ressalta Tomazini explicando que o GAA é uma suplementação de creatina que permite também um outro uso desta tecnologia. “O uso on top é indicado para melhorar o desempenho. Então, o produtor pode escolher qual estratégia adotar: redução do custo ou aumento de performance”.

 

Para melhorar performance, a especialista menciona estudos que mostram melhoria de até cinco pontos na conversão alimentar em uma combinação de nutrição, manejo e ambiência adequados. “A Creatina é uma molécula essencial para o metabolismo de energia celular dos animais. Se a suplementação de creatina for limitada, a utilização da energia também será limitada. Com isso, a incorporação de aminoácidos (AA) na proteína muscular (para crescimento) e a eficiência da utilização de AA e energia é reduzida. E, se isso pode ser corrigido, espera-se um aumento do crescimento (muscular), redução da conversão alimentar e redução do custo de ração”, afirma.

GAA: O precursor da creatina
A executiva explica que a creatina desempenha um papel fundamental no equilíbrio energético das células musculares. “Ela (a creatina) é sintetizada a partir do ácido guanidinoacético no fígado, que por sua vez é sintetizado a partir da arginina e da glicina no rim. Como a creatina não é estável nas condições atuais de fabricação de rações, foi desenvolvido o precursor da creatina, o ácido guanidinoacético”, pontuou Tomazini.

Segundo ela, animais de crescimento rápido não tem toda a sua exigência de creatina satisfeita pela síntese de novo. “Estima-se que cerca de dois terços da necessidade diária de creatina seja suprida pela síntese endógena, enquanto o restante deve ser fornecido através da alimentação. A suplementação de GAA na ração compensa de forma prática a lacuna na exigência de creatina”.

Na estratégia defendida, o ácido guanidinoacético é formado enzimaticamente a partir dos aminoácidos glicina e arginina no rim ou absorvido a partir do intestino. Aí, é transportado pela corrente sanguínea para o fígado, onde é transformado em creatina através de outra reação enzimática. “A creatina é então transportada pela corrente sanguínea para as células-alvo. A maior proporção (> 95 %) do pool de creatina (fosfocreatina/creatina) é encontrada no musculo esquelético e o restante no coração e no cérebro”, afirmou.

Além disso, ela menciona um estudo, de 2018, realizado na Universidade da Carolina do Norte (EUA), que demonstrou que aves alimentadas com GAA apresentaram, além de melhoria em rendimento de peito, menor incidência e gravidade de peito amadeirado. “Então, o GAA é um aditivo nutricional estratégico que proporciona excelente retorno sobre o investimento em função da energia e arginina da sua matriz nutricional, além dos benefícios obtidos no abatedouro”.

Frangos de corte e Matrizes Pesadas
Melhora de cerca de 2,22% na eclodibilidade e 1,35% na fertilidade das aves são alguns dos benefícios do GAA em dietas de matrizes, especialmente falando após às 40 semanas de idade do lote, quando ocorre uma queda natural destes indicadores. Neste caso, Patrícia menciona uma inclusão de um quilo por tonelada de ração para dietas de matrizes pesadas. Em ração de frangos de corte, a indicação é de 600 gramas por tonelada.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: OP Rural com Evonik
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Avicultura Desafios e oportunidades

Conversão alimentar e ganho de peso pioram com retirada de antimicrobianos, mas biossegurança pode ser a solução

Doutora em zootecnia Ines Andretta garante que retirada pode até ser benéfica do ponto de vista econômico, já que muitos animais conseguem o mesmo desempenho (ou até melhor) sem que a indústria avícola gaste com a compra dos medicamentos.

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Animais alimentados com dietas sem APC apresentaram conversão alimentar em média 3.5% pior - Foto: Shutterstock

A professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, doutora em zootecnia Ines Andretta destaca em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural os desafios e oportunidades com a retirada de antimicrobianos promotores de crescimento da avicultura, oportunidade que em cita prejuízos já calculados em alguns estudos, mas garante que essa retirada pode até ser benéfica do ponto de vista econômico, já que muitos animais conseguem o mesmo desempenho (ou até melhor) sem que a indústria avícola gaste com a compra dos medicamentos. Confira.

O Presente Rural – Quais os desafios sanitários que podem ocorrer nas aves com a retirada de antimicrobianos promotores de crescimento (APC)?

Professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, médica-veterinária Ines Andretta: “Existem muitas alternativas disponíveis e é inegável que há produtos capazes de auxiliar muito nesse processo de retirada dos antimicrobianos” – Foto: Arquivo pessoal

Ines Andretta – Os animais expressam apenas 60-70% do seu potencial genético para desempenho, mesmo em sistemas modernos e tecnificados. Diversos fatores colaboram para isso, mas certamente os desafios sanitários são parte importante deste contexto. Os APC reduzem o impacto dos desafios à medida que minimizam a ocorrência de infecções, sobretudo aquelas que chamamos de subclínicas.

Os animais que mantêm uma melhor condição de saúde são mais eficientes no aproveitamento dos nutrientes presentes nos alimentos e na expressão do seu potencial de crescimento, ou seja, desempenham melhor.

O Presente Rural – Quais impactos a retirada dos APCs podem ocorrer na saúde dos animais?

Ines Andretta – Os desafios entéricos são os mais relevantes. Porém, a disbiose intestinal compromete a resposta imune e pode certamente gerar problemas em outros sistemas do animal. Cabe ressaltar que a perda de saúde (e de desempenho) depende sempre do sistema em que o animal está sendo criado.

A retirada dos APC em um sistema que investe em bioseguridade pode não gerar prejuízo. Porém, em uma condição de desafios sanitários frequentes, a retirada dos APC certamente será mais impactante.

O Presente Rural – Que impacto essa retirada pode causar na performance dos animais, como consumo de ração, GPD ou conversão alimentar?

Ines Andretta – Nossa equipe desenvolveu uma série de estudos neste tema e eu vou compartilhar alguns desses resultados no Simpósio Brasil Sul de Avicultura. Em um desses projetos, fizemos uma revisão sistemática da literatura científica disponível na área. Foram revisados 174 estudos publicados em periódicos científicos com o objetivo de encontrar um valor ‘médio’ para esse impacto.

A Dra. Kátia Maria Cardinal foi responsável por essa pesquisa, que foi publicada na revista Poultry Science. A primeira observação que fizemos é que esse impacto varia muito entre os estudos. Há trabalhos que associam a retirada dos APC a prejuízos de 30-40% no GPD (conforme a figura 1), enquanto outros estudos descrevem resultados semelhantes ou até aumento no GPD em tratamentos sem APC.

Quando os dados foram reanalisados (através de meta-análise), observamos que animais alimentados com dietas sem APC apresentaram conversão alimentar em média 3.5% pior que os animais que recebiam dietas com APC. Essa é uma redução bem expressiva e vale ressaltar que só consideramos estudos sem desafio sanitário nesse projeto.

Variações no ganho de peso associadas a retirada dos antibióticos promotores de crescimento nos estudos disponíveis na literatura científica

O Presente Rural – Nesse cenário, quais são os impactos econômicos causados com a retirada de APCs? Se possível, cite números.

Ines Andretta – Nós desenvolvemos um modelo bem simples que prevê o impacto da retirada dos APC no custo da produção das aves. Esse modelo considera que há perdas na eficiência alimentar nas aves que não recebem APC, mas também considera que essas dietas podem ser mais baratas (pois retira-se o custo do APC).

Nos cenários que estudamos, o impacto era em média de 3 centavos de US$ por animal. Mas é importante considerar que esse é um valor que muda muito de cenário para cenário. Cada indústria precisa conhecer seus próprios números.

O Presente Rural – Como a indústria tem encarado essa situação?

Ines Andretta – O uso dos antimicrobianos como promotores de crescimento é um tema muito amplo. Embora o impacto econômico seja extremamente relevante, nós estamos falando de um problema muito sério de saúde pública e não podemos ignorar isso. A avicultura tem um papel super relevante garantindo segurança alimentar (alimento disponível para uma população cada vez maior), mas é nossa responsabilidade entregar também alimento seguro e ambientalmente sustentável.

Claro que a resistência microbiana não é um problema apenas da produção animal. Muito pelo contrário, há muito a ser feito na medicina humana e, principalmente, na conscientização das pessoas para o uso correto e responsável dos antimicrobianos. As substâncias classificadas pela WHO no nível mais crítico para resistência não são usadas na produção animal.

Porém, já há registros de bactérias resistentes a estas moléculas na suinocultura, por exemplo. Acho que essa é uma prova importante de que precisamos desenvolver um trabalho de equipe. A ‘saúde única’ não tem esse nome à toa e nós devemos fazer a nossa parte.

De maneira geral, o uso de fármacos nas rações é muito bem regulado e fiscalizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Muitas empresas têm trabalhado reduções voluntárias como políticas de mercado. Acredito que já avançamos muito, tanto em ‘conscientização’, quanto em ‘ação’.

O Presente Rural – Quais as alternativas aos APCs? Essas alternativas são mais onerosas?

Ines Andretta – Existem muitas alternativas disponíveis e é inegável que há produtos capazes de auxiliar muito nesse processo de retirada dos antimicrobianos. Probióticos, prebióticos, simbióticos, enzimas, fitogênicos, acidificantes e tantos outros. Esses aditivos são ótimas ferramentas para manter a produtividade dos animais e, em algumas situações, podem até melhorar a performance.

Porém, não existe uma receita pronta. Cada cenário de produção é único e tem seus próprios desafios. O desempenho dos animais depende sempre de muitos fatores e, por isso, é fundamental validar as alternativas no cenário real de produção.

O Presente Rural – Como a biossegurança pode auxiliar na retirada desses APCs?

Ines Andretta – A biosseguridade, na minha opinião, é o ponto-chave para a retirada dos APC com o menor impacto produtivo e econômico possível. Sistemas de produção que se preocupam com biosseguridade podem ser beneficiados pela retirada dos APC. Afinal, eliminá-los representa menos custos e pode abrir mercados. Implantar um plano completo de biosseguridade não é uma tarefa fácil, mas é cada vez mais necessário.

O Presente Rural – Como a ambiência e as instalações podem contribuir para reduzir impactos da retirada dos APC?

Ines Andretta – Desempenho é uma condição multifatorial. Os animais expressam seu desempenho como resposta à genética, ambiente, nutrição ou condição sanitária em que são expostos. Cada fator explica uma parcela do desempenho e todos são associados. Se pioramos a condição sanitária dos animais, estamos desafiando esse animal e provavelmente reduzindo a chance de que ele entregue seu potencial genético máximo.

O mesmo acontece com cada um dos fatores envolvidos. Por isso, a retirada dos APC em condições ótimas de produção (boas instalações, boa ambiência, boa saúde, etc.) vai certamente representar um desafio menor em comparação com cenários produtivos em que outros desafios também estão presentes.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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