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Suínos / Peixes Nutrição

Pesquisas indicam benefícios de minerais orgânicos na nutrição de suínos

Minerais constituem parte importante do organismo animal, representando de 2,8 a 3,2% do peso vivo dos suínos

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito pela equipe técnica da Yes, Verônica Lisboa Santos, Juliana Bueno da Silva, Fabiana Golin Luiggi e Carlos Ronchi

A evolução das técnicas de criação tem possibilitado melhores índices de desempenhos produtivo e reprodutivo dos suínos, permitindo aos nutricionistas formularem dietas cada vez mais específicas, de modo a atender, com maior precisão, as exigências dos animais. Os minerais constituem parte importante do organismo animal, representando de 2,8 a 3,2% do peso vivo dos suínos. Entretanto, as variações na biodisponibilidade destes, as ações de sinergismo ou antagonismo existentes entre estes elementos e os problemas ambientais cada vez mais crescentes com o uso de fontes inorgânicas nas rações de suínos têm alertado pesquisadores a buscar alternativas que resultem em menor excreção pelos animais. A formulação de dietas com níveis de microminerais que excedem as recomendações nutricionais tem sido muito utilizada nas granjas de suínos. O excesso empregado, entretanto, acarreta maior excreção desses elementos devido ao mecanismo homeostático dos tecidos, além de poder causar efeitos prejudiciais, como diarreias e desequilíbrios, que podem levar a redução da biodisponibilidade de outros minerais, sem melhora em sua concentração.

Neste sentido, um aspecto a ser considerado sobre suplementação mineral diz respeito ao uso de minerais na forma orgânica, cuja estrutura molecular permite absorção diferenciada, garantindo o seu melhor aproveitamento.

Os minerais quelatados são íons metálicos ligados quimicamente a uma molécula orgânica, formando estruturas com características únicas de estabilidade e de alta biodisponibilidade mineral. Eles são mais facilmente absorvidos, mais passíveis de propiciar um melhor desempenho, qualidade de carcaça, além de serem altamente disponíveis aos animais. Foram estabelecidas as seguintes definições de elementos traços orgânicos.

  • Quelato metal-aminoácido: produto resultante da reação de um sal metálico solúvel com aminoácidos na proporção molar, isto é, um mol do metal para um a três moles (preferencialmente dois) de aminoácidos na forma de ligação covalente coordenada. O peso molecular médio dos aminoácidos hidrolisados pode ser, aproximadamente, de 150 dáltons e o peso molecular resultante do quelato não deve exceder a 800 dáltons;
  • Complexo aminoácido-metal: produto resultante da complexação de um sal metálico solúvel com aminoácido(s);
  • Complexo aminoácido específico-metal: produto resultante da complexação de um sal metálico solúvel com um aminoácido específico;
  • Metal proteinato: produto resultante da quelação de um sal solúvel com uma proteína parcialmente hidrolisada;
  • Complexo metal-polissacarídeo: produto resultante da complexação de um sal solúvel com polissacarídeo.

Interferências 

Na prática, não basta apenas realizar um aporte de minerais sem considerar os distintos fatores que vão influenciar sua absorção e, portanto, utilização no organismo. Existem diversas circunstâncias que vão atuar sobre a eficiência com a qual um mineral é absorvido:

Interações entre minerais

Formação de precipitados insolúveis quando dois ou mais cátions competem pelo mesmo ânion. Este é o caso do ácido fítico, pois quando um sal solúvel é ionizado no intestino, o cátion pode ser sequestrado por ele, formando fitatos, que são sais estáveis e insolúveis, o que os torna não absorvíveis. Esta reação ocorre, sobretudo, com Ca, Zn e Fe. Por outro lado, pode ocorrer que quando a molécula ligante não esteja presente em excesso, a suplementação de um elemento pode aumentar a disponibilidade de outro ao reduzir-se suas possibilidades para formar complexos.

Competição entre cátions pela mesma proteína de transporte, para passar a parede intestinal. Um exemplo deste fenômeno ocorre entre o Fe e Cu, que são antagonistas, competindo pela transferina (o Cu tem preferência de união, o que pode diminuir a absorção de Fe).

Os processos enzimáticos essenciais podem ser bloqueados pela troca de um co-fator metálico por um metal inativo.

Quando um metal que forma parte de uma metaloenzima é substituído por outro, a atividade enzimática pode bloquear, acelerar ou não variar.

Quando há um aporte excessivo de um metal, não somente há uma menor absorção intestinal sendo que também há uma re-excreção no lúmen intestinal do excesso de metal, o que pode acarretar excreção de outros metais durante o processo.

Mesmo que em termos teóricos estas interações sejam consideradas de forma isolada, geralmente se produzem simultânea ou consecutivamente mais de um processo no organismo animal.

Interações entre vitaminas e minerais

As vitaminas também podem interferir na absorção intestinal de minerais tal como o caso do aumento na absorção de Fe causado pela vitamina C, ou a necessidade de vitamina D para absorção do Ca através do intestino. Isto se complica mais se considerarmos as interações entre vitaminas (p. ex., um excesso de niacina pode deprimir a vitamina D e interferir, portanto, na assimilação e uso do Ca).

Interações entre minerais e gorduras

Estas interações podem influir na biodisponibilidade deste mineral no organismo. Um exemplo é a inter-relação existente entre os microminerais e os ácidos graxos, formando sabões insolúveis no trato digestivo

Interações entre fibras e minerais

Diversos estudos têm demonstrado que a presença de fibra não digestível interfere e diminui a absorção de grande parte dos minerais.

Interferência pH-Minerais

O pH intestinal tem grande influência sobre a absorção mineral já que, em geral, pHs alcalinos diminuem a absorção (exceto dos metais alcalinos) e os cátions tendem a formar precipitados insolúveis quando o pH é elevado.

Biodisponibilidade

A biodisponibilidade é definida como o grau que um nutriente ingerido é absorvido de maneira que possa ser utilizado no metabolismo do animal. Esta definição determina que o mineral deva estar disponível não somente em nível dietético, mas também em nível do tecido. O conhecimento sobre a biodisponibilidade dos minerais nos ingredientes e fontes suplementares é importante para a formulação econômica de uma ração para garantir ótimo desempenho animal. Devido a sua maior biodisponibilidade, os minerais quelatados podem substituir as fontes inorgânicas em níveis mais baixos, enquanto que o desempenho é mantido ou mesmo melhorado, possibilitando, ainda, redução nos índices de contaminação ambiental.

Pesquisas

Ferro orgânico na dieta de leitões durante o período de creche

Pesquisador responsável: Dr. Caio Abércio Silva – Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Local: Unidade Produtora de Leitões no estado do Paraná, Brasil.

Materiais e métodos: Com a finalidade de avaliar o efeito da inclusão de Ferro orgânico (quelato metal aminoácido) no desempenho produtivo de leitões na fase de creche, foram utilizadas 64 matrizes (a partir do último terço de gestação) e seus leitões (até a saída da creche, com 63 dias de idade), distribuídas em dois tratamentos, sendo:

T1: Matriz: ração com ferro inorgânico; Leitegada: ração com ferro inorgânico + ferro dextrano injetável

T2: Matriz com ferro inorgânico + ferro orgânico (1kg/tonelada); Leitegada: ração com ferro inorgânico + ferro dextrano injetável + ferro orgânico (1kg/tonelada).

Resultados e conclusão

A suplementação com Ferro orgânico (quelato metal aminoácido) proporcionou melhores índices de desempenho produtivo à leitegada, quando suplementados no período de creche em comparação à leitegada sem suplementação.

Ferro orgânico na alimentação de leitoas lactentes

Pesquisador Responsável: Dr. Caio Abércio Silva – Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Local: Unidade Produtora de Leitões no estado do Paraná, Brasil.

Materiais e métodos: Com a finalidade de avaliar o efeito da inclusão de Ferro orgânico (quelato metal aminoácido) na dieta de porcas em gestação, 64 fêmeas Topigs®, foram distribuídas em 2 tratamentos com 32 repetições (cada porca e sua leitegada foi considerada uma unidade experimental). Os leitões receberam ração pré-inicial dos 8 aos 21 dias de idade (desmame).

Tratamentos experimentais:

T1: Matrizes em gestação e lactação receberam dietas formuladas com sulfato ferroso (gestação: 551mg de ferro/kg de ração; lactação: 537mg/kg de ração) e os leitões receberam ferro dextrano injetável (200mg).

T2: Matrizes em gestação e lactação receberam dietas formuladas com sulfato ferroso (gestação: 551mg de ferro/kg de ração; lactação: 537mg/kg de ração) e os leitões receberam ferro dextrano injetável (200mg aos 3 dias de idade). Porcas em gestação (>84 dias) e os leitões receberam, ainda, ferro na forma orgânica (150mg/kg de ração).

Resultados e conclusão

Mais ferro no leite

O uso de ferro orgânico na dieta das porcas a partir do 84ª dia de gestação até o final da lactação aumentou o teor de ferro no leite.

O maior teor de ferro no leite e a dose adicional de ferro orgânico na dieta dos leitões, provavelmente, contribuíram para o seu melhor desempenho zootécnico.

Considerações finais

Os minerais orgânicos passaram a ser usados no Brasil na década de 70 e ainda são poucas as empresas que apresentam grande variedade destes em seu portfólio. Por terem absorção próxima aos 100%, os quelatos permitem reduzir os requerimentos dietéticos de minerais dos animais. As dietas com suplementação destes têm como intuito atender, de forma eficiente, às recomendações produtivas e reprodutivas dos lotes e transferir os efeitos positivos sobre a qualidade da progênie.

O suprimento das exigências de minerais associados ao fornecimento adequado de energia, proteína e vitaminas e boas práticas de manejo sanitário é fundamental para se conseguir o máximo desempenho animal. A suplementação mineral depende não somente do conteúdo de minerais em um suplemento, mas também da capacidade de absorção e utilização dos mesmos pelos animais, sendo este fato de suma importância para a manutenção do equilíbrio homeostático e para o aumento do desempenho zootécnico dos suínos. Neste contexto, os minerais orgânicos são mais eficientes quando comparados com os minerais inorgânicos por apresentarem maior absorção, maior capacidade de retenção no organismo e maior capacidade de promover efeitos na mineralização.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Para especialistas

Brasil precisa resolver problemas internos para ser grande player mundial de pescado

Opinião é de lideranças do setor

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Arquivo/OP Rural

Ainda são muitos os gargalos enfrentados pela aquicultura para se tornar uma atividade tão competitiva quanto outras proteínas animais. Durante o International Fish Congress (IFC), que aconteceu em setembro em Foz do Iguaçu, PR, lideranças do setor discutiram estratégias e políticas para transformar o Brasil em um player mundial do pescado.

Quando o assunto é produção, o Brasil tem um bom destaque, segundo o presidente executivo da Peixe BR, Francisco Medeiros. “Em 2018 a produção de pescado, falando principalmente de tilápia e tambaqui, foram 722 mil toneladas, um crescimento de 4,5% em relação a 2017”, introduz. Somente a tilápia, informa, teve um crescimento aproximado de 12% neste período. “Nos últimos dois anos houve um aumento de mais de 27%, sendo que o Paraná assumiu a liderança de produção”, diz.

Já quando o peixe é o tambaqui, a geografia muda. “Os principais polos produtores são as regiões Centro-Oeste e Norte, com Rondônia na liderança absoluta na produção”, conta. Medeiros diz que em 2018 houve uma queda na produção do tambaqui em decorrência de uma série de fatores. “Mas todos estão fazendo o dever de casa no sentido de retomar os níveis de crescimento”, conta. Isso, porque no Brasil foi observado nos últimos anos um aumento do consumo. “Não tivemos problemas quando a isso, principalmente da tilápia. Mas temos outros problemas para enfrentar”, avisa.

Medeiros informa que atualmente há dois modelos de produção no Brasil, que é de integração, das cooperativas e agroindústrias, e das empresas verticalizadas. “Acreditamos que a indústria de processamento deve estar onde se produz o peixe. Hoje, especificadamente a tilápia, o ideal é que a distância não passe de 50 km. A partir disso, passa a ter perdas”, diz. Para ele, as indústrias que estão foram do núcleo de produção devem ir para onde elas estão. “Sistemas integrados e verticalizadas já não são maios uma previsão, elas já fazem parte da realidade do setor produtivo. O setor precisa se organizar nesse sentido para que possamos ganhar competitividade, e essas empresas que hoje estão verticalizadas e fazem integração são as mais competitivas do mercado”, afirma.

Entre as estratégias e soluções apontadas por Medeiros estão a campanha de aumento do consumo de carne de peixe, encabeçada pela Peixe BR, as ações junto à Embrapa para aumento das exportações e as estratégias para aumentar a produção e segurança ao produtor. “Com a campanha, estamos trabalhando diretamente com o consumidor final para mostrar para ele que o nosso produto é bom, barato e fácil de fazer”, explica. “Implantamos ainda o drawback da tilápia este ano, que nos proporcionou um aumento significativo das exportações, por exemplo”, informa.

Mercado internacional merece atenção

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), Eduardo Lobo, US$ 163 milhões rodam no mercado mundial dos pescados. “Precisamos pensar o que vamos fazer para a gente participar desse mercado que é muito interessante. Porque se olharmos as condições e tamanhos dos países que são grandes players, nem sempre esses países vão ter o potencial que nós temos”, afirma. Ele mostra: “A Noruega tem uma troca comercial internacional de US$ 13,3 bilhões e é um país pequeno. Os EUA têm um troca comercial de US$ 28,6 bilhões”, diz.

De acordo com ele, algo interessante feito pela China e que deveria ser adotado pelo Brasil, é que a quantidade exportada de pescado pelo país asiático é similar à importada. “Precisamos de estratégia, planejamento, o governo intercedendo cada vez menos, que então a coisa acontece, não da noite para o dia, mas acontece com planejamento”, afirma.

Lobo reitera o planejamento deve acontecer, principalmente, porque segundo pesquisas a produção de captura e cultivo no Brasil vai aumentar 89% nos próximos 10 anos. “E se não tivermos planejamento e competitividade internacional, a gente vai colocar todo esse produto no mercado interno? O que vai acontecer com o preço do pescado capturado se de uma hora para outra aumentar intensamente essa captura? A gente vai colocar esse pescado por um preço inviável para o produtor”, diz. O presidente comenta que a cadeia precisa crescer e produzir, mas isso com cuidado e planejamento. “Se a gente aumentar a produção em 20% ou termos uma superprodução de peixes e não estivermos competitivos e preparados para exportar toda essa proteína, esse peixe vai ficar aqui dentro”, analisa.

Para Lobo, existem alguns pilares na cadeia que devem ser refletidos. O primeiro deles é o ordenamento inteligente. “Ou seja, estatísticas, entender que o mundo mudou, o clima também, que nem sempre as espécies migram onde migravam, reproduzem na época que reproduziam. Temos que entender que algumas espécies mudaram, mas nós por falta de informação ficamos no passado, em um modelo engessado”, comenta. Além disso, ele diz que existe uma grande preocupação em pensar no artefato da pesca. “Não é importante como vamos tirar o peixe da água. O que interessa é quanto vamos tirar”, afirma.

Outro pilar é o planejamento aquícola. “Que é o que acabei de comentar, de sabermos o quanto exatamente devemos ou podemos produzir nos próximos anos, onde produzir e processar, para quem vender e a que preços. Além de entender o preço internacional”, diz. Lobo acrescentou ser importante não pensar somente em aumentar a produção visando somente o mercado interno. “Nenhuma atividade se sustenta somente no mercado interno de larga escala. O fomento industrial, a industrialização é a espinha dorsal e que cria inovação e assegura qualidade para distribuir o produto ao mundo”, reitera.

Impasses do mercado interno

Neste mesmo painel, o presidente do Comitê de Aquicultura da CNA, Eduardo Ono, apresentou algumas estratégias e políticas que podem transformar o Brasil e fazê-lo ocupar a vaga que tenha condição de alcançar que é de grande player de mercado mundial do pescado. Para ele, o essencial a ser feito é aumentar a competitividade do pescado nacional. “Hoje a grande dificuldade que temos em transformar o pescado brasileiro em um grande player ou transformar o Brasil em um player internacional é justamente a falta de competitividade na nossa produção”, afirma.

Para ele, a primeira coisa a ser feita para acabar com esta falta de competitividade é combater o chamado custo Brasil. “Isso penaliza toda a cadeia de produção, não somente a aquicultura”, diz. “Temos problemas de infraestrutura para escoamento do grão, que encarece a produção. Nós somos, junto com outras proteínas, vítimas desse custo Brasil por questão de falta de infraestrutura, logística e custos processuais”, conta. Segundo Ono, esta é uma armadilha que foi criada pelo próprio setor produtivo.

Outro problema enfrentado pela cadeia é quanto a alta burocracia que existe no Brasil. “Nós temos um arcabouço legal gigantesco. A CNA fez um levantamento que mostrou que existem mais de 60 mil dispositivos que regulam a agropecuária brasileira. Se olharmos desde a década de 1950 até hoje esta é a quantidade que regulam nossa agropecuária”, mostra. Além desse grande número de dispositivos, Ono destaca que muitos deles são antagônicos. “Temos normas da década de 1960 que ainda são vigentes, mas que é contradita por uma outra norma que é da década de 1990. E as duas estão vigentes. Então, qual a segurança jurídica que tem o empresário quando entra nesse meio?”, questiona. Para ele, a falta de segurança jurídica para quem investe é um problema seríssimo para o setor e que precisa ser resolvido.

Outro ponto que merece atenção de todo o setor é quanto ao crédito no Brasil. “Precisamos desburocratizar isso, que ainda é muito caro e difícil”, afirma. Ono diz que a pergunta que deve ser feita é quanto custa o dinheiro lá fora e quanto custa no Brasil. “Lá fora as linhas de crédito são para 20 anos e para pagar 2% de juros ao ano. Como somos competitivos com o nosso crédito que tem que pagar bem mais rápido e caro? Isso tudo entra no contexto da competitividade”, reitera. Ele diz que outros países têm crédito de pagamento de longo prazo, sendo tempo de pagamento e retorno maiores torna a atividade viável. “Agora, no Brasil, dependendo da linha de crédito que é pega não há tempo, você precisa devolver o dinheiro antes do negócio se pagar”, conta.

Outro problema é quanto a área de tecnologia, segundo Ono. “Precisamos de mais foco e agilidade. A nossa pesquisa ainda é muito difusa, tem milhares de linhas de pesquisa diferentes que, muitas vezes, não se conversam e não chegam onde precisam chegar”, explica. Segundo ele, esta parte é importante porque o setor precisa de pessoas qualificadas no campo. “Com poucos locais de exceção, temos um problema sério de falta de conhecimento no campo, técnicas antigas sendo propagadas e assim muita coisa está sendo perdida”, diz.

Segundo Ono, um segundo eixo importante que deve ser feito é o aumento das exportações. “Claro, precisamos melhorar o consumo doméstico, o consumidor brasileiro ainda não sabe nem cozinhar ou fritar um peixe, temos o nosso dever de casa para fazer. Mas isso não anula as ações no mercado internacional. Não precisamos primeiro esgotar o mercado nacional para partir para o internacional”, esclarece. De acordo com ele, os dois mercados andam juntos. “No Brasil temos uma visão equivocada que só se exporta o que tem de excedente. Não é isso, nós temos que exportar, independente de ser excedente ou não. Temos que ser exportadores e importadores de pescado ao mesmo tempo, o mercado internacional funciona assim”, explica.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Segundo Cepea

Perspectiva para suinocultura é de que bom cenário de 2019 se repita em 2020

Espera-se que a produção brasileira cresça 5% de 2019 para 2020

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Arquivo/OP Rural

Agentes do setor suinícola nacional estão com expectativas de que o balanço positivo observado em 2019 se repita em 2020. Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o fundamento vem da redução na produção global de suínos, ocasionada pelos casos de Peste Suína Africana (PSA) na Ásia, o que deve continuar favorecendo o mercado brasileiro de carnes.

De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em 2020, prevê-se queda de 10% na produção mundial de suínos frente ao ano anterior, pincipalmente em função do declínio da oferta da China (de expressivos 25%), Filipinas (16%) e Vietnã (6%). Por outro lado, espera-se que a produção brasileira cresça 5% de 2019 para 2020. O USDA também estima aumento de 15% nas exportações brasileiras.

Nesse contexto, o bom relacionamento comercial com países asiáticos deve continuar beneficiando o Brasil. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume de carne suína brasileira escoado para a China aumentou 60% de 2018 para 2019. O país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil nesse mercado, sendo destino de 33,7% de toda a carne suína nacional exportada em 2019.

Sob a ótica do desempenho doméstico, partindo-se do pressuposto de que a agenda de reformas continue avançando, projeta-se um cenário macroeconômico favorável em 2020, o que pode beneficiar ou, ao menos, sustentar os atuais níveis de consumo. A projeção do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2020 está em 2,3% segundo Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) no encerramento de dezembro.

Outros fatores que podem corroborar para um possível aumento no consumo de carne suína são os elevados patamares de preços da carne bovina. Com a cotação dessa principal concorrente em alta, consumidores tendem a migrar para outras fontes de proteína animal que apresentem valores mais competitivos.

Apesar de as perspectivas, de modo geral, serem favoráveis para o setor, os diferentes cenários que o mercado de grãos pode assumir preocupam agentes do mercado. A demanda internacional incerta e as tensões ou mesmo possíveis acordos comerciais entre China e Estados Unidos podem gerar movimentos distintos nos preços dos principais insumos da atividade, milho e farelo de soja.

Além disso, a concentração das exportações brasileiras em países asiáticos também tem gerado apreensões. Ainda que no curto prazo o Brasil tenha se beneficiado do contexto da peste suína, há o receio de que, no médio prazo, a oferta chinesa de carne se normalize, o que reduziria expressivamente as exportações brasileiras, impactando negativamente todo o setor.

Fonte: Cepea
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Suínos / Peixes Mercado

“Dependência gera mais vantagens que desvantagens”, defende Piva

Para José Piva, da PIC, dos Estados Unidos, existem diversas vantagens em um mercado ser dependente de outro

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Arquivo/OP Rural

Um assunto que sempre causa muita discussão nos agentes da cadeia produtiva é quanto a dependência que pode existir sobre um único mercado. A suinocultura conhece bem isso, sendo que em 2017 o maior mercado brasileiro da proteína era a Rússia. Porém, em 2018 o país deixou de exportar do Brasil, o que, segundos muitas opiniões, foi um problema para o Brasil. Mesmo com este fato, para José Piva, da PIC, dos Estados Unidos, existem diversas vantagens em um mercado ser dependente de outro. E foi esta visão que ele mostrou para os participantes do 19º Congresso Nacional Abraves, que aconteceu em outubro, em Toledo, PR.

Segundo Piva, é normal que países sejam dependentes de outros mercados. “O que eu gostaria de frisar é que a dependência de mercado sozinha não pode causar uma interrupção de mercado. Existem outros aspectos que são importantes para nós nos preocuparmos”, afirma. Ele informa que outros países, como EUA, Canadá e Chile também tem dependência de outros mercados, seja japonês, coreano, chinês ou mexicano. “Cada mercado tem uma certa dependência de outros, mesmo que não seja total, mas tem. Quando isto acontece em longo prazo, tem mais efeitos positivos do que negativos na parte comercial”, avalia.

A dependência de mercado, como regra, deixa o comércio mais competitivo, comenta. “A dependência de longo prazo faz parte das relações globais. Na minha visão eu vejo como uma oportunidade de trazer mercados disponíveis, mesmo que haja uma certa dependência. Esta é uma estrada de duas vias, que tem seus aspectos positivos e negativos”, diz. “Mesmo com dependência, é melhor participar do mercado do que não estar presente”, afirma.

A primeira vantagem citada por Piva foi que as empresas que exportam sempre são mais valorizadas. “Sem dúvida participar do mercado internacional ajuda”, conta. Ele ainda acrescenta que estar participando do mercado, mesmo que seja com certa dependência, ajuda a agregar valor, elevar padrões de qualidade e ajuda na biosseguridade.

Para Piva, existem oportunidades diretas e indiretas para toda a cadeia. “Os desafios e as dificuldades fazem a cadeia se estruturar melhor. Ou seja, faz com que o sistema seja melhor, abre portas para novos mercados, como aconteceu com o chinês, nos dá suporte financeiro, ajuda a definir exigências de um mercado. E é também uma oportunidade para aprender e descobrir”, avalia. Segundo ele, certamente que o mercado externo, mesmo que tenha dependência, favorece na transparência, agrega valor aos produtos, dá visibilidade ao setor, estimula a criatividade e tira a cadeia do status quo. “Mesmo que estejamos em um mercado dependente ficamos pressionados a fazer com que as empresas, pessoas, universidades, todos saiam deste status quo. Todos são forçados a buscar melhorias, seja no transporte, indústria, frigoríficos”, diz.

Desvantagens

Mas, mesmo com todos os argumentos citados por Piva, ele admite que existem as desvantagens em ser dependente de um mercado. “Quando se está dependente, dificulta o planejamento. Em momento de suspensão de exportação por motivos sanitários, políticos ou econômicos culminam em uma oferta a mais, ou seja, não tem para onde enviar esta carne e isso faz com que haja queda de preço e perda de negócios”, comenta. Outro ponto negativo, é que gera expectativa. “Nem sempre elas são sustentáveis. São feitos investimento com base em uma situação de momento”, diz.

A dependência ainda faz com que o país perca o poder de barganha, tem que competir com outras empresas que também querem exportar para aquele mercado, se expõe a volatilidade do campo e não é um negócio fixo. Além disso, é ainda preciso seguir padrões de mercado, e, para Piva, nem sempre isso é 100% positivo. “Há uma exposição de regras do mercado, especialmente o regulatório, e a gente tem que abrir e ficamos expostos”, informa. Há ainda a limitação do uso de tecnologias, como por exemplo a ractopamina, produção confinada e, até mesmo, a edição de genes. “São coisas que alguns mercados e consumidores simplesmente não aceitam”, diz. Nisso, entra ainda a limitação do uso de certos produtos, e há os preços que nem sempre são competitivos quando se vive de dependência de mercado.

“Participar do mercado global, mesmo que seja com certa dependência, tem seu custo. Mas, sem dúvida, aprendemos muito mais quando estamos envolvidos. Não tenho dúvida que sobre o aspecto técnico e de negócio, estamos muito mais visíveis e temos mais oportunidades”, afirma. Segundo Piva, para mercado emergentes e competitivos, a dependência pode ser uma porta de entrada para novos mercados. “A não dependência de produto de um único cliente não significa ausência de desafio. Ou seja, mesmo que o mercado não seja dependente, existem os desafios”, comenta. Para ele, a dependência cria oportunidades e relações comerciais. “Todos os grandes exportadores têm uma certa dependência. Embora não favorável, a dependência gera mais vantagens que desvantagens”, reitera.

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Fonte: O Presente Rural
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