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Suínos / Peixes Piscicultura

Pesquisa desenvolve material de referência para fábricas de ração destinada a tilápia

O uso do material evita erros nos resultados das análises, o que poderia causar prejuízos aos produtores de ração e à nutrição de peixes

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Divulgação/Embrapa

Laboratórios de fábricas de ração para peixes estão adotando como padrão o material de referência desenvolvido por pesquisadores da Embrapa na análise de nutrientes e controle da qualidade do produto destinado à alimentação de tilápias. A tecnologia permite resultados analíticos seguros, evita prejuízos aos produtores e reduz custos no processo.

O químico Aparecido Matsuda, responsável pelos laboratórios da fábrica de rações Matsuda, atesta a aceitação da tecnologia pelo mercado. “Quando um cliente vem visitar nossa fábrica e questiona nossas análises da ração, mostramos a eles que utilizamos o material de referência da Embrapa. É um diferencial.”

Materiais de referência são produtos que contribuem para a segurança dos resultados de análise laboratorial feita por fábricas de ração e serviços de controle de qualidade.  São empregados na calibração de equipamentos de laboratório, avaliação de métodos analíticos, treinamento, acompanhamento e avaliação de operadores e no controle interno de qualidade e avaliação da qualidade externa dos resultados de análises laboratoriais.

“Eles têm importância para o setor produtivo por contribuir com a geração de resultados analíticos confiáveis no controle da qualidade de rações”, explica a pesquisadora Ana Rita Nogueira, da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), responsável pelo desenvolvimento do material.

A Matsuda produz rações para peixes em três unidades do Brasil: Cuiabá (MT), Fortaleza (CE) e São Sebastião do Paraíso (MG). A matriz da empresa fica em Álvares Machado, no interior de São Paulo. “Nós utilizamos muito esse material da Embrapa em nossos laboratórios porque ele dá mais confiabilidade às nossas amostras. Antes não havia esse material de referência e os resultados ficavam sem esse padrão. O mercado reconhece e valoriza esse diferencial”, afirma Matsuda.

Normas internacionais

Ana Rita explica que a pesquisa gerou o material de referência de nutrientes em ração, a ser usado como padrão de análises em diferentes laboratórios de controle de qualidade e de alimentação animal, seguindo normas internacionais. Inicialmente cerca de 65 quilos de amostra de ração comercial foram fornecidos pela própria Matsuda para a pesquisa. As amostras tinham como característica principal a constituição típica daquelas comercializadas aos produtores, com aproximadamente 32% de proteína bruta.

De acordo com Ana Rita, todos os valores foram avaliados com programas estatísticos. Os resultados geraram uma carta com os valores previstos e suas incertezas associadas. O material de referência produzido foi disponibilizado no site da Embrapa e enviado gratuitamente aos laboratórios interessados.

“As amostras estão sendo empregadas no treinamento de técnicos dos laboratórios, na calibração de equipamentos, na construção de cartas-controle (para verificar se os resultados emitidos estão certos) e na verificação dos resultados de rotina.”

O uso do material de referência possibilita a diminuição de retrabalho, pois é possível verificar problemas pontuais e corrigi-los antes de fornecer um resultado errado aos clientes, o que poderia causar grandes prejuízos aos produtores de ração e à nutrição de peixes.

‘Padrão ouro’

Levantamento feito em março de 2020 pela Embrapa Pecuária Sudeste procurou verificar como os laboratórios estão utilizando o material de referência de ração para peixes em suas análises. As respostas indicaram uso para o controle de qualidade em seus laboratórios, tanto na calibração de instrumentos quanto para diagnosticar problemas com os métodos utilizados. Esse seria o primeiro passo para que a indústria do pescado pudesse se beneficiar do material.

O material de referência foi desenvolvido pela Embrapa a partir de amostra de ração comercial que é direcionada à alimentação de peixes produzidos em cativeiro. Ele contém quantidades conhecidas de nutrientes e ajuda os laboratórios a fornecerem dados confiáveis, como os valores de proteína, fibras e minerais.

De acordo com a pesquisadora Ana Rita Nogueira, a maioria dos laboratórios que respondeu à sondagem está localizada em indústrias de ração ou presta serviços para diversos segmentos, incluindo as fábricas do alimento para peixe e usuários.

“Considerando que os laboratórios que realizam a avaliação da qualidade das rações têm um balizador, o tal ‘padrão ouro’, para saber se os seus resultados estão corretos, os produtores têm à disposição rações com a qualidade comprovada por resultados confiáveis”, justifica.

Os laboratórios que responderam ao questionário indicaram o controle interno da qualidade como o principal uso do material. Outro emprego bastante frequente é na avaliação de métodos. Segundo a pesquisadora da Embrapa, isso significa que é possível saber se uma alteração feita no método de análise é adequada e segue gerando resultados confiáveis.

Tecido de peixe 

A pesquisa que resultou na criação do material de referência para ração de peixe também desenvolveu material de referência para laboratórios utilizarem na análise de tecido de peixe. O estudo foi tema da tese de doutorado em química analítica de Mayumi Silva Kawamoto, defendida na Universidade de São Paulo (USP). Ela foi orientada pela pesquisadora Ana Rita.

Tanto a ração quanto o tecido de peixe foram fornecidos por produtores comerciais, graças a uma intermediação da Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR). Ana Rita explica que o trabalho não envolve a identificação de resíduos de medicamentos nos peixes – essa ação exigiria outro processo, que já vem sendo conduzido por outro centro de pesquisa da Embrapa.

Custo e independência são vantagens para laboratórios 

Antes de a Embrapa desenvolver e disponibilizar o material de referência para rações de peixe, alguns laboratórios brasileiros tinham que importá-lo de outros países, o que encarecia a prestação de serviços e não garantia a matriz dentro da realidade do País. Com a entrega ao setor desse material, os laboratórios nacionais conseguiram reduzir o custo.

“Ficamos muito contentes com os resultados do trabalho realizado pela Embrapa. A meu ver, ele servirá como o início de uma independência na aquisição de materiais”, diz Oneida Vasconcelos Vieira, diretora-técnica e comercial do laboratório C.B.O. Análises Laboratoriais, sediado em Valinhos (SP).

Segundo Oneida, o laboratório C.B.O. sempre adquiriu material de referência internacional, mas o custo é muito alto e nem sempre a matriz é adequada. “Com esse material, tivemos um ganho bastante grande. Por se tratar de um material com analitos (elementos que são analisados) de interesse na área de alimentação animal, temos a vantagem da utilização para a garantia da qualidade, visto que, nele, se encontram as substâncias numa mesma amostra.”

A diretora conta que começou a utilizar o material de referência de ração de peixe no fim de 2019. “Nosso interesse na utilização desse material se deu em função do trabalho sério desenvolvido pela Embrapa nos ensaios colaborativos realizados por vários laboratórios conceituados, dos quais também fizemos parte.  E além dos analitos de interesse, outros que não encontramos disponibilidade no mercado numa matriz equivalente foram analisados”, afirma.

Segundo ela, o C.B.O. tem vários clientes que produzem ração, dos quais alguns deles que têm laboratório se interessariam pelo material. “Aqueles que não têm laboratório próprio ficam bem confortáveis pela prestação de serviço da C.B.O. sabendo da utilização desse material de referência”, conclui.

Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste
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Suínos / Peixes Suinocultura

Otimização no manejo de fêmeas merece mais atenção do suinocultor

Os custos na suinocultura foram aumentando ao longo dos anos. Porém, graças a tecnologia foi possível também otimizar alguns processos desenvolvidos na granja, permitindo que o suinocultor tivesse economia.

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Arquivo / OP Rural

Os custos na suinocultura foram aumentando ao longo dos anos. Porém, graças a tecnologia foi possível também otimizar alguns processos desenvolvidos na granja, permitindo que o suinocultor tivesse economia. Durante o 13° Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que aconteceu pela primeira vez de forma totalmente on-line, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fernando Bortolozzo, falou para onde vai a otimização na suinocultura, focando no manejo reprodutivo dos suínos.

De acordo com ele, é sabido que há inúmeras maneiras de mensurar o manejo reprodutivo do plantel. “Se pegarmos a linha do tempo desde o nascimento da futura leitoa reprodutiva até a estabilidade dela no plante, há uma série de etapas que envolvem toda a parte do desenvolvimento pré-puberdade, gestação, lactação, cuidados nos primeiros dias, longevidade e retenção delas no plantel”, comenta. As formas de manejo de todas estas etapas melhoraram bastante nos últimos anos. “Detalhes como as instalações, genética, nutrição, manejos e equipe”, diz.

Mas, mesmo frente a todos estes índices alcançados, é possível melhorar? Para Bortolozzo, sim. “A primeira resposta, o grande desafio é manter resultados racionalizando processos. Nem sempre a redução do desempenho zootécnico deve ser desprezada, principalmente quando vem associada ao maior ganho econômico”, menciona. Dessa forma, ele cita alguns pontos que devem ser ponderados e considerados pelo suinocultor.

O primeiro delas é o nascimento dessa futura reprodutora. “Sabemos que inúmeros fatores são importantes, como peso ao nascer quando inferior a um quilo compromete o desempenho subsequente. Temos dados de estudos canadenses que mostram que fenótipos de baixo peso ao nascer, independente do tamanho da leitegada o peso médio ao nascer é baixo. Eles encontraram 20% de fêmeas nesse grupo”, comenta.

O desenvolvimento do desmame até a seleção é outro ponto crucial. “Temos alvos de saída da creche, peso para evitar animais muito pesados na recria. Falhas podem ocorrer no desenvolvimento das leitoas se tivermos animais muito pesados que dificilmente conseguimos concertar depois”, alerta.

A puberdade é outro detalhe. “Claro que temos a definição rápida em 30 dias, que chega é bem importante. O foco é definir isso em 30 dias, para a gente não ficar com retenção de leitoas. Há fêmeas que não dão fluxo na produção e, às vezes, acabamos retendo-as além do necessário”, comenta.

Para Bortolozzo, outro ponto bem importante é o produtor fazer Flushing e checklist de avaliação. “Porque o que não é medido não é gerenciado”, afirma. Ele explica que é preciso ter um checklist para auxiliar nos procedimentos, “Independente de genética, vamos acabar tendo metas para inseminar leitoas. Todos os procedimentos que conhecemos, sabemos o que deve ser feito e muitas vezes o que nos falta é objetividade em ter um plano operacional para implementar corretamente estas ações”, diz.

O professor comenta que o desenvolvimento corporal até o desmame também merece atenção. “Somente alvo de peso na inseminação da leitoa não é suficiente. Temos que falar de desempenho e desenvolvimento corporal da matriz, principalmente até o primeiro desmame dela”, informa. Ele explica que falhas no ganho de peso gestacional também pode ser um problema. “Às vezes a matriz com problemas sanitários individuais e em outras vezes temos que pensar que nem sempre elas estão recebendo a quantidade de alimentos que deveriam receber”, menciona.

O excesso de catabolismo na primeira lactação também pode ser uma dor de cabeça, afirma o professor. “Quando falamos em desenvolvimento corporal dessa leitoa, não falamos somente de um alvo de peso na primeira inseminação. Vai desde o desmame, peso de parto e ao primeiro desmame. Ou seja, temos que ter um bom desenvolvimento dessas matrizes”, afirma.

Botolozzo informa que o intervalo desmame-estro é outro ponto de atenção. “É um período curto, mas extremamente importante. Na nossa meta de cobertura devemos observar que em IDE muito curtos, inferiores a dois dias, realmente comprometem o desempenho reprodutivo dessa fêmea”, adverte.

A inseminação artificial também merece uma atenção especial, destaca o professor. “Temos algumas oportunidades que vem desde o controle de qualidade de produção saindo da UDG até o processo que nós otimizamos na granja, desde o transporte, armazenamento de doses, conservadores ideias, cuidados com homogeneizar ou não. São tecnologias estabelecidas, mas que temos que implementar”, comenta.

Além disso, as tecnologias estão ajudando muito o suinocultor nos últimos anos. “A redução de espermatozoides por fêmea/ano. O número de inseminações por fêmea vão ser mais específicos, por IATF. Estamos mais para o lado não ter próximos anos a implementação pesada dessa tecnologia”, especula.

Já quando o assunto é gestação, Bortolozzo dá destaque para os ajustes nutricionais. “É preciso levar em conta aspectos genéticos e as recomendações da genética que é utilizada na granja. Quando reduzimos a quantidade de alimento, temos que pensar nas questões dos micronutrientes, se com as quantidades reduzidas vamos atender as exigências dessas fêmeas”, comenta. Ele diz que a recuperação de escore corporal nos primeiros 30 dias após a inseminação também merece atenção. “Este é um assunto que ainda tem algumas coisas para discutir na área, ainda temos espaço para essa falar sobre a recuperação da fêmea após a inseminação, principalmente das fêmeas jovens”, afirma.

O professor ainda destaca que um ponto bem importante e que é preciso dar atenção é quando se fala nos cuidados que essa fêmea merece no dia 1, logo após o parto. “São ações importantes. A grande maioria está consolidada, mas temos que colocar em prática nas granjas e não temos como economizar na mão de obra. Ações como secar o leitão, aquecer, ingerir colostro, são ações extremamente importantes nesse dia 1”, diz.

Na lactação, Bortolozzo comenta que o grande foco é evitar o catabolismo. “Precisamos evitar manejos dentro da maternidade que vão afetar o IDE. E um ingrediente, de certa forma esquecido, é a água em quantidade e qualidade. Muitas vezes isso é deixado em um segundo plano e acaba comprometendo o desempenho da matriz em termos de produção de leite”, comenta.

Já para manter a longevidade dessa fêmea, o professor destaca dois pontos. “O desenvolvimento corporal desde o nascimento até o primeiro desmame e a mortalidade. Precisamos enfrentar esse problema e não aceitar dois dígitos de mortalidade dentro das granjas”, afirma.

Para Bortolozzo, é preciso ter coragem para mudar e quebrar paradigmas que ainda existem de pontos importantes. “Precisamos ter controle de qualidade nos procedimentos para trabalhar no limite definido. É importante empregar dados e experimentos confiáveis na tomada de decisões, e não simplesmente ter desafios sem fundamento”, diz.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Profissionais são orientados sobre como mitigar riscos da entrada de PSA no Brasil

Médico veterinário e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Diogo Magnabosco, explica que a doença é viral com um alto poder de disseminação e que é importante diminuir ao máximo a potencialidade de risco da entrada da doença no Brasil, investindo pesado na biosseguridade.

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Reprodução/Divulgação

Com alto poder destrutivo e índice de mortalidade a PSA se tornou uma dor de cabeça para muitos países e um grande medo para outros. Diversos protocolos e planos já foram desenvolvidos por países para evitar que a doença entre e dissemine seus rebanhos de suínos, assim como aconteceu na China. Durante o 13° Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que pela primeira vez aconteceu de forma totalmente on-line, o médico veterinário e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Diogo Magnabosco, falou sobre como mitigar o risco da entrada da doença na América Latina.

Ele explica que a doença é viral com um alto poder de disseminação que assolou em 2018 e 2019 boa parte do rebanho de suínos da China, eliminando praticamente metade dos animais daquele país e de outros países da Ásia. “Isso gerou uma crise intensa e foi possível ver o impacto econômico causado por ela e gerou preocupações desse vírus, que já é pandêmico, poder se espalhar para outros continentes, como a América Latina”, comenta.

Para ele, quando se fala nesta doença é importante falar sobre a transmissão dela, que acontece principalmente em forma de contato com secreções de animais contaminados. “As vias comuns de contato são direto entre os animais, mas também através de materiais que podem carregar o vírus através do sêmen de animais e a alimentação, ou mesmo da carcaça desse animal, quando falamos dos asselvajados”, informa. Dessa maneira, diz, há o suíno selvagem e também o doméstico como sendo possíveis representantes da disseminação da doença. “Como potencial risco a gente tem algumas formas que possam vir a acontecer em animais vivos, insumos, alimentos e pessoas”, explica.

Magnabosco conta que se tratando de animais vivos é importante falar sobre os animais de vida livre e selvagem, especialmente quando se vê as ocorrências que vem acontecendo na Europa. “Esse perfil de transmissão de animais vivos, que são os causadores dos surtos na Europa, e vemos ao longo dos anos aumentando as ocorrências principalmente na Alemanha, mas também está presente em outros países do leste europeu. Dessa forma, a doença se mostra com um grande potencial de risco e um problema grave”, avalia.

Dessa forma, explica o médico veterinário, é preciso que aqui no Brasil o produtor também fique atento, visto que estes animais de vida livre também estão espalhados por todo o território nacional. “Dessa maneira, devemos ficar alertas com a possibilidade destes animais serem aqueles que possam vir a disseminar a doença. Não temos casos no Brasil, há alguns anos já não temos a PSA aqui, mas o grande problema está relacionado a entrada e permanência em animais selvagens”, diz.

Quando se fala de animais voltados a suinocultura industrial, há a importação de animais, que podem ser um potencial transmissor ou gerador de ocorrência no Brasil, explica Magnabosco. “Animais que venham vivos, temos um controle intenso, mas são potenciais riscos que devem ser levados em consideração”, afirma.

Além disso, insumos ligados a alimentação animal também merecem atenção. “Pode acontecer a sobrevivência de alguns patógenos em aditivos alimentares. O vírus da PSA tem uma potencial chance de sobreviver em alguns dos principais insumos utilizados na suinocultura”, diz. Da mesma maneira, menciona, é importante entender que parte dos insumos utilizados em nutrição animal são oriundos da China e da Europa, países que estão acometidos pelo surto. “É muito difícil controlar, porque as grandes fábricas estão nestes locais”, comenta. O médico veterinário diz que os insumos usados na indústria pode ser um risco, uma vez que o Brasil é um grande importador de produtos para a indústria de alimentos. “É importante se atentar que este também é um fator considerado para mitigação da doença”, comenta.

E ainda, alimentos trazidos por pessoas transportados via aeroporto, navio ou via terrestre também representam riscos. “Alimentos trazidos por viajantes tem um potencial grande de risco da entrada da doença. Há um grande potencial de risco de entrada via aeroporto. Outra fonte é o descarte de alimentos e transporte que vem de forma marítima. São todos riscos de alimentos que podem entrar no país, ser usados para alimentação de animais de subsistência e gerar um potencial causador da doença”, afirma. Segundo o profissional, as fronteiras terrestres secas são o grande desafio. “Precisamos ter cuidado e entender que há a possibilidade de isso se arrastrar por fronteira seca”, diz.

De acordo com Magnabosco, quando se fala em pessoas, são viajantes regulares que trazem consigo alimentos ou profissionais que fazem visitas a suinoculturas fora do Brasil e possam trazer consigo a doença e depois podem causar um grande problema. “Todos os cuidados devem ser tomados”, reitera.

Como mitigar o risco? 

Para o médico veterinário, é importante diminuir ao máximo a potencialidade de risco da entrada da doença e para isso é preciso investir pesado na biosseguridade. “É o principal elemento. Pode ser voltada aos elementos internos e externos. É o principal agente para limitar ou tentar reduzir o risco de entrada do problema”, menciona.

Segundo ele, é importante ressaltar que hoje existe uma comissão técnica consultiva no Brasil para este assunto. “São várias entidades interessadas, como Mapa e produtores, de todas as áreas buscando trabalhar de maneira conjunta a fim de achar soluções para ajudar na mitigação da doença”, conta. Ele explica que é importante levar em consideração os elementos de risco que podem ser melhorados. “São ações que são feitas. Animais vivos para importação da suinocultura industrial vão para quarentena de forma adequada; animais vivos de vida libre selvagem são monitorados com frequência, limitar estes animais é difícil, mas de qualquer forma o monitoramento é importante. Hoje temos a regulamentação para que sejam comprados animais livres de países de PSA”, informa.

Já quando o assunto é a biosseguridade externa, Magnabosco reitera que é preciso ter cuidado com alimentos de descarte e transporte. “Alimentos que vem em voos comerciais e navios que podem ser utilizados de maneira inadequada e causar problemas. É preciso dar um descarte adequado e não usar e na alimentação animal”, afirma. Para ele, é preciso intensificar a vigilância em aeroportos e fazer ações de informação ao viajante, que pode trazer consigo um problema grave para o sistema de produção como um todo. “Já temos a vigilância agropecuária nacional com cães para identificar em malas a presença de alimentos de origem animal, o que é um grande benefício que evita a entrada desses alimentos no Brasil”, diz.

Sobre os insumos citados anteriormente pelo médico veterinário, ele reitera ser importante conhecer o fornecedor. “É importante ter bons fornecedores quando se trata de alimentação animal. Não é preciso banir, mas controlar”, comenta.

O médico veterinário comenta que é importante estar preparado para o pior. “Ter um plano de contingência. Temos uma equipe que trabalha nisso, com técnicos, laboratório oficial para diagnóstico. Temos que estar prontos e preparados para sermos rápidos”, afirma.

Magnabosco comenta que as medidas tomadas para o enfrentamento da Covid são um bom exemplo de como mitigar uma doença. “Se reduziram os voos comerciais e assim facilitou a possiblidade de mitigar o problema quando estava mais intenso. Além da conscientização da população por problemas sanitários. É preciso implementar medidas preventivas em todos os níveis de biosseguridade, trabalhando em união com todos os elos da cadeia produtiva”, comenta.

Fonte: OP Rural
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Notícias Suinocultura

Leitão com baixo peso não pode ser sinônimo de perda para o suinocultor

Se bem manejado, animal pode trazer ganhos para a granja.

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Um dos grandes desafios que suinocultores ainda enfrentam na maternidade são os leitões com baixo peso ao nascimento. É preciso adotar estratégias inteligentes para fazer com que estes leitões não sejam uma perca para o produtor, mas se tornem uma oportunidade para gerar lucros.

São considerados leitões de baixo peso ao nascimento aqueles com o peso inferior a um quilo. “Eles também podem ser considerados leitões de risco, junto com aqueles com nascimento tardio”, explica o médico veterinário, Iuri Pinheiro Machado, no entanto, estes animais podem ser chamados de leitões de oportunidade. “Justamente porque esse percentual de leitões nascidos pequenos muitas vezes são bastante expressivos em granjas de alta produtividade. Por isso, também pode ser uma oportunidade para ganhos se a gente conseguir salvar esse leitão e levar ele até o abate”, comenta.

O médico veterinário diz que diversos trabalhos demonstram que quanto mais baixa a faixa de peso, menor é o índice de sobrevivência ao longo dos dias e no desmame. “Demostrando assim que realmente abaixo de um quilo é o momento crítico e quanto mais baixo o peso menor é o índice de sobrevivência destes animais”, afirma.

De acordo com Machado, é importante entender que é fundamental a gestão dos índices de controle na propriedade, especialmente quanto a confiabilidade do registro. “É preciso que a gente treine as equipes, que tenhamos auditorias internas. Tudo que possibilita que tenhamos confiabilidade nos dados”, comenta. Entre os dados citados pelo profissional estão, por exemplo, o apontamento do horário do nascimento de cada leitão e a causa mortis primária correta. “A correta é aquela que realmente foi a causa da morte do leitão. Muitas vezes o leitão é esmagado, mas ele estava com o estomago vazio. Ele já estava moribundo, acabou morrendo de inanição e aí foi esmagado pela fêmea. É importante a gente identificar essas questões, saber a causa real primária, o dia e o horário que essas mortes aconteceram para a gente poder gerir esses números e atuar nas causas reais e que possam trazer benefícios”, diz.

Outro ponto destacado pelo profissional foi que é importante que não se confunda refugos com leitão pequeno. “O leitão pode nascer pequeno, mas o refugo não nasce refugo. Este é a gente quem fabrica, seja por manejo inadequado ou por falta de manejo. É importante a gente diferenciar esse animal também”, pontua.

Machado ainda ressalta que a pesagem individual dos animais é fundamental. “Na ficha de apontamento de parte vai ter o horário do nascimento, o apontamento do peso individual daquele leitão para que a gente possa definir dentro da nossa granja quais são as faixas críticas e como isso vai evoluindo ao longo do tempo com as medidas que a gente toma para reduzir o percentual de leitões nascidos de baixo peso. É importante que a gente defina as faixas dentro da granja e que atualize essas definições ao longo do tempo”, afirma.

Estratégias para reduzir a mortalidade do leitão
De acordo com Machado, é preciso que o produtor entende que, muitas vezes, o “cobertor é curto”. “Existem fatores que são antagônicos, como é o fato de às vezes a gente fazer uma indução de parto e essa indução trazer prematuridade em função de que eu apliquei o produtor em um momento inadequado, muito cedo”, diz. Do mesmo modo, em leitegadas numerosas é sabido que haverá um percentual maior de leitões de baixo peso. “A duração do parto vai ser maior, o número de tetos muitas vezes vai ser insuficiente para absorver o número de leitões e daí entra a questão das mães deleite, transferência e a questão da produção de colostro, que é fundamental”, comenta.

Além disso, Machado ainda diz que existem intervenções que podem ser feitas para acelerar o parto e ter assim um atendimento melhor. “Mas que muitas vezes, quando feito de forma exagerada elas podem comprometer a saúde da matriz para aquela lactação e, até mesmo, para a vida reprodutiva subsequente dessa fêmea”, afirma.

O médico veterinário ressalta ser importante o suinocultor entender que muitas vezes é preciso fazer escolhas em relação a estas questões levantadas por ele. “Induzir ou não o parto? Preciso induzir porque não tenho um funcionário noturno e muitos partos acontecem a noite e isso prejudica o meu acompanhamento do parto. Mas eu induzindo eu tenho um risco maior de prematuridade. Então, tudo isso deve ser avaliado”, destaca.

Machado diz que o manejo indicado para uma granja nem sempre é o mais adequado para outra. “Cada caso é um caso. Então isso vai do consultor, do assistente de analisar qual prática adotar. Dai entra a questão da mensuração dos índices para fechar toda uma estratégia de como trabalhar melhor a redução da mortalidade desses leitões de baixo peso”, diz.

Além destes pontos, o produtor também deve trabalhar no sentindo de diminuir o percentual de leitões nascidos em baixo peso. “Nesse sentido a gente pode adotar estratégias nutricionais na gestão, que vem desde o bump feeding, que é a quantidade de ração no final da gestação com ajustes individuais, conforme o histórico de produtividade por porca. Ou seja, aquelas mais produtivas podem receber uma quantidade maior de ração, enquanto aquelas menos produtivas em menor quantidade. São ajustes que podem ser feitos também controlando o peso dos nascidos vivos e obtendo resultados quase que imediatos”, explica.

Algumas estratégias podem ainda ser adotadas antes mesmo do parto. “É importante que a gente entenda que a duração do parto é um fator importante na questão da viabilidade e vigor dos leitões. Nesse sentido é importante que a gente entenda que existe uma correlação entre os níveis de glicose sanguínea da fêmea no momento do parto e a duração dele. Assim, quanto maior o período de jejum, maior vai ser a duração do parto. Alguns trabalhos desenvolvidos na Dinamarca demonstram isso. E, claro, quanto menor a duração do parto, maior vai ser a vitalidade do leitão e mais rapidamente eu consigo dar encaminhamento dos manejos que preciso fazer com todos eles”, comenta Machado.

Em termos práticos, explica o médico veterinário, o que se recomenda hoje é que a fêmea não tenha um jejum muito prolongado. “A quantidade que ela precisa no pré-parto é importante que ela seja dividida em várias refeições, pelo menos três, e que a última refeição ocorra preferencialmente três horas antes do início do parto, para que ela possa ter uma glicemia adequada para que tenha energia suficiente para ter um parto menos prolongado e, consequentemente, menos perdas em termos de nascidos mortos e leitões com menos vigor que, eventualmente, podem contribuir com a mortalidade e perdas tanto de leitões normais quanto de baixo peso”, esclarece.

Toda a importância para a parto
Já com relação ao atendimento ao parto, Machado diz que entra então a questão da indução, data adequada e o acompanhamento. “É importante que a gente tenha uma estratégia para aqueles partos que ocorrem fora do horário de expediente da granja. As manobras obstétricas, quais vamos fazer? Existem manobras menos invasivas, como é o caso da mudança de decúbito e massagem. Existem manobras mais invasivas, como é o caso do toque. Então tudo isso tem que ser analisado para que a gente tenha um maior salvamento de leitões e um encaminhamento logo para os manejos pós-parto”, expõe.

O profissional alerta que falta de atendimento ao parto tem consequências que muitas vezes são irreversíveis, relacionadas ao leitão que não foi secado e aquecido rapidamente, que não teve acesso ao colostro, entre outros. “É muito importante que os partos sejam atendidos. É um ponto fundamental. Então, a duração do parto é importante, mas mais importante ainda é a questão do acompanhamento do atendimento imediato dos leitões no parto”, reitera Machado.

O médico veterinário frisa que um dos primeiros pontos de atendimento ao parto é o conforto térmico dos leitões, especialmente os menores. “Todos os leitões ao nascer tem uma reserva menor de glicose e de gordura corporal. Isso faz com que eles percam calor muito rápido. Mas leitões menores tem uma relação entre a superfície e a massa desfavorável: quanto menor o leitão maior proporcionalmente a superfície em relação e esse volume. Nesse sentido o leitão menor perde calor mais rápido do que aqueles maiores. Por isso a importância da secagem e o uso de aquecimento durante os primeiros minutos, para que o leitão perca o mínimo de calor e já comece a mamar o mais rápido possível”, comenta.

Outro fator importante neste sentido é o colostro, que é uma fonte de energia, imunidade e fatores de crescimento para o leitão. “O colostro é uma luta contra o tempo, porque a medida que o tempo vai passando esse colostro vai perdendo em termos de concentração de anticorpos e da capacidade de absorção do leitão. É muito importante que o colostro seja ingerido o mais rápido possível”, diz.

Além disso, a quantidade ingerida deve ser uniformizada e, segundo Machado, isso depende do manejo, porque o leitão com baixo peso vai consumir menos colostros. “Temos essa situação: os leitões de baixo peso consomem menos colostro, em condições naturais, e os últimos leitões ao nascer, independente do tamanho, também consomem menos colostro. Isso nos leva muitas vezes a manejar os leitões de baixo peso da mesma forma que esses últimos leitões ao nascer, especialmente a suplementação de colostro”, observa.

O médico veterinário explica que a produção de colostro gira em uma média de 3.8 quilos por matrizes. “Um volume suficiente quando pensamos que o consumo ideal do leitão é de 200 a 250 gramas nas primeiras 24 horas de vida”, diz. Nesse sentido, continua, já existem hoje algumas granjas com 17 nascidos vivos de média, tendo assim colostro suficiente para todos os leitões. “A questão é como se distribui esse colostro. Esse é o nosso desafio. A produção é suficiente, mas o desafio é distribuir e aí entra o manejo”, afirma.

De acordo com Machado, as estratégias começam justamente no início da vida do leitão. “Após a secagem a gente tem que conduzir o leitão para mamar. Se a gente deixar ele procurar por si mesmo ele vai demandar muito tempo e muita energia até encontrar o teto e fazer a mamada correta. Então é possível a gente conduzir a mamada, mantendo os animais aquecidos e acompanhando as mamadas. Esse é um ponto fundamental”, destaca.

Outro ponto importante mencionado pelo profissional foi quanto a uniformização do consumo desse colostro. “A gente faz a escala de mamada, ou o que a gente chama de revezamento. Então, a gente vai marcando os leitões a medida que eles forem nascendo e daí prendendo e soltando do escamoteador para que todos tenham o consumo mais ou menos uniforme”, diz.

É importante ainda, principalmente para os leitões pequenos, a suplementação manual através do uso de sonda. “Principalmente com os pequenos e os últimos que nasceram, porque eles tem uma desvantagem aos que nasceram primeiro”, comenta Machado. Segundo ele, o uso da sonda é mais eficiente que o uso da mamadeira. “Não recomendamos a mamadeira para o leitão não ficar viciado, mas é uma forma também de utilização quando não dispõe de sonda. Outra vantagem da sonda é justamente que o leitão não fica viciado ao ver o funcionário ou procurando a mamadeira e não indo até o teto da fêmea”, comenta. O profissional explica que o ideal da aplicação é que seja feita de 15 a 20 ml por leitão com um intervalo de uma hora. “Além disso, é importante que os leitões mamem na mãe biológica, porque parte da imunidade celular é transmitida somente da mãe biológica para o seu filho”, menciona.

Machado reitera que leitões de baixo peso mais do que um problema são uma oportunidade. “A abordagem não se restringe ao manejo na maternidade, também envolve nutrição na gestação e critérios de seleção e descarte de matrizes. Dois fatores são imprescindíveis e insubstituíveis neste processo: colostro e mão de obra de qualidade”, conclui.

Fonte: OP Rural
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CONBRASUL/ASGAV

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