Bovinos / Grãos / Máquinas
Pecuária de corte brasileira se mantém competitiva frente aos principais países concorrentes
A competitividade da pecuária brasileira no cenário internacional é um dos motores para a consolidação do país como grande exportador de proteína animal.

Conforme as estatísticas de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (COMEXSTAT – MDIC), as exportações brasileiras somaram 2,26 milhões de toneladas de carne bovina em 2022, volume 22,6% maior que o registrado no ano anterior.
O faturamento aumentou 40,8% no período analisado, o que se traduziu em quase 3,8 bilhões de dólares a mais na balança comercial brasileira na comparação com 2021. Dentre os principais destinos da carne bovina brasileira, destacaram-se: China, Estados Unidos, União Europeia, Chile e Egito.
Do volume total exportado em 2022, 87,9% correspondeu à categoria de carne in natura, seguida de miúdos (6,0%), industrializados (4,7%), e o restante na forma de tripas e salgados.
Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) apontam que, em 2021 (dados mais atuais disponíveis), as exportações de carne bovina brasileira representaram 16,1% do total mundial – o que nos coloca em 1º lugar em volume total exportado –, seguido pelos EUA, Austrália e Nova Zelândia.

Foto: Everton Queiroz
Além da competição com os principais produtores mundiais de carne, o Brasil disputa mercados com seus vizinhos sul-americanos que, a despeito da menor capacidade produtiva de carne bovina, possuem importante participação nas exportações mundiais para países que são nossos clientes-chave.
Os dados da FAO apontam ainda que a carne brasileira representou 32,2% das exportações para a China em 2021, enquanto que Argentina e Uruguai foram responsáveis por respectivos 16% e 13,6%. Ambos países se encontram no mesmo patamar, em termos de participação no mercado chinês, que Nova Zelândia (13,7%) e os EUA (10,5%).
No período, a Austrália apresentou patamar um pouco inferior, de 7,7%, porém, o menor volume foi vinculado com a redução no rebanho do país frente às intempéries climáticas ocorridas durante o ano.
Devido às relações diplomáticas entre China continental e Paraguai, o país sul-americano não é habilitado para exportar para o principal destino mundial de carne bovina – enviando carnes apenas a Taiwan e Hong Kong. No entanto, em 2021 o mesmo foi o principal fornecedor de carnes para o Chile, representando 44,8% do volume exportado.
Em contrapartida, o share brasileiro neste mercado foi de 36,5%, e o da Argentina de 11%.
Exportações em queda
As exportações brasileiras de carne bovina caminham para encerrar o ano em queda.
Na parcial de janeiro a outubro de 2023, observa-se um recuo de 4,7% no volume exportado e recuo de 21,5% no preço médio da carne exportada, em relação ao mesmo período de 2022 – resultando em um faturamento 25,2% menor este ano.
A queda está vinculada à suspensão temporária das exportações para o mercado chinês, que impactou especialmente o volume enviado entre os meses de fevereiro e março de 2023. Após o retorno das exportações, ocorreram novas negociações sobre o preço dos produtos exportados, o que levou a uma redução de 27% sobre o valor da tonelada enviada para o país asiático, considerando-se os valores de 2023 frente a 2022.

Foto: Shutterstock
Comparativo global
Buscando compreender as vantagens e desafios competitivos da pecuária brasileira frente aos principais players no mercado mundial, foram analisados os dados resultantes dos levantamentos da rede Agri Benchmark, da qual fazem parte a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).
Os valores aqui discutidos são referentes aos resultados obtidos durante o ano de 2022 pelas propriedades típicas dos países participantes e publicados em 2023. Foram realizadas comparações com os resultados obtidos pelas propriedades típicas brasileiras no período, com base nos dados mensais do Projeto Campo Futuro (CNA/Senar) convertidos para a cotação do dólar no período avaliado.
Sistemas à pasto
Ao analisarmos os resultados médios dos sistemas de terminação em pastagens avaliadas em cada país, observa- -se que a margem líquida (ML, que é resultado da subtração do COT na receita bruta) dos sistemas de produção brasileiros foi de US$ 116,70/ha de área útil em 2022.

Gráfico 1 – Valores médios nacionais do COT e da receita, por hectare de área útil, dos sistemas de terminação à pasto no ano de 2022. Fonte: Agri Benchmark (2023), Projeto Campo Futuro CNA/Senar (2023). Elaboração: Cepea- Esalq/USP, CNA.
Dentre os países analisados, o Uruguai foi o único que não foi capaz de pagar os custos com desembolsos anuais e depreciação de seus sistemas, com ML negativa em US$ 26,34/ha. O resultado indica dificuldade para as propriedades se manterem em médio e longo prazos, devido aos custos de produção que continuaram em alta no país.
Um fator que afetou o desempenho do país em questão foi a baixa capacidade de suporte das propriedades amostradas, o que levou à uma restrição em sua produtividade. O número de arrobas vendidas por hectare, na média das propriedades do Uruguai, foi a menor entre os países sul-americanos avaliados, sendo de seis @/ha.
Apesar da maior produtividade por área em sistemas de pastagem ter sido observada nos sistemas argentinos, de 14,9 arrobas vendidas por hectare, o melhor retorno foi observado nos resultados médios do Paraguai.

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR
Com produtividade média de 7,5 @/ha, as propriedades paraguaias avaliadas obtiveram uma margem líquida média de US$ 199,55/ha, contra US$ 45,75/ha para os sistemas argentinos à pasto.
As propriedades paraguaias foram favorecidas pelo período de bons preços de reposição e alta no valor da arroba. Esses fatores foram capazes de compensar a alta nos custos com a alimentação do rebanho durante o ano (somando dispêndios com a dieta, com o manejo de pastagens, e com a suplementação do rebanho).
Da mesma forma que os observados no Paraguai, os resultados dos sistemas australianos de produção em pasto foram beneficiados também pelo bom momento de valorização da arroba, assim como quedas nos custos com a dieta dos animais. Com isso, o país obteve margem líquida de US$ 55,94/ha, ficando acima dos resultados argentinos.
Apesar de apresentarem um nível de produtividade significativamente menor – na média das propriedades do país com terminação em pasto avaliadas, foram vendidas 3,10 arrobas por hectare.
De acordo com os resultados médios de 2022 para as propriedades típicas nacionais com sistemas de recria e engorda à pasto, foi observada uma margem líquida de US$ 116,68/ha, com produtividade de 10,24 arrobas vendidas/ha.
Em termos de distribuições de custos, observou-se que a participação da compra de animais nos custos de produção ficou entre 57% no Uruguai, e 68,7%, na Austrália.
Nestes dois extremos, é possível observar diferenças na distribuição de custos, sendo dois países que historicamente apresentam menor taxa de lotação – e produtividade por área – quando comparados aos demais.
Enquanto as propriedades uruguaias avaliadas arcaram com um alto custo com a aquisição de sementes para o plantio de pastagens anuais, as propriedades australianas mantiveram seus animais contando apenas com as pastagens disponíveis e adição de suplementos à dieta. Com isso, os gastos totais com a alimentação do rebanho foram equivalentes a 17,6% e 7,6% do COT, respectivamente.
Outro fator que contribui para a menor margem obtida nos sistemas de produção de bovinos em pasto avaliados no Uruguai foi a incidência de seca severa a partir do segundo semestre de 2022, que acabou afetando significativamente os preços recebidos pelos produtores devido à maior taxa de abates – consequência da menor capacidade de suporte de suas áreas de pastagem.
Confinamento
O custo para terminação em sistemas confinados apresentou maior variabilidade analisando o impacto da reposição quando comparada entre os países.
A média obtida pelo Brasil durante o ano de 2022, de US$ 21,55/@ vendida, foi a menor registrada nos participantes da análise, influenciada sobretudo pela queda nos preços do bezerro durante o segundo
semestre.
Os maiores custos de reposição foram observados na Austrália e na Argentina (Gráfico 2). O alto custo de reposição dos sistemas argentinos avaliados é vinculado à redução do rebanho de matrizes observado no país durante 2021/22, levando então a uma menor oferta de animais de reposição.
Além disso, a inflação tem se mostrado um fator de desestímulo à produção nacional, com produtores optando por reduzir suas escalas de confinamento e aumentando o percentual de animais terminados à pasto durante o período.
A inflação argentina levou, também, à uma redução no consumo per-capita de carne no país, reforçando o foco da produção no mercado externo durante o período.

Gráfico 2 – Valores médios nacionais do COT e da receita, por hectare de área útil, dos sistemas de terminação em confinamento no ano de 2022. Fonte: Agri Benchmark (2023), Projeto Campo Futuro CNA/Senar (2023). Elaboração: Cepea-Esalq/USP, CNA.
Os demais custos que compõem o COT dos sistemas de confinamento apontaram diferenças reduzidas entre os países. Os custos com a alimentação do rebanho variaram entre US$ 11,19/@ vendida no Uruguai, e US$ 18,24, nos EUA.
A seca nos EUA durante 2022 impactou a disponibilidade de pastagens em propriedades de cria – levando a um maior descarte de matrizes – e a produção da safra americana de milho. Isso resultou na elevação dos custos com reposição e dieta dos animais confinados no período.
Já o valor da venda de animais obtido pelos produtores variou entre US$ 48,16, no sistema brasileiro, e US$ 97,19 na Austrália. Em todos os países avaliados, foi reportado que o ano de 2022 trouxe valorização ao preço pago pela arroba dos animais terminados, em comparação a 2021. No entanto, para o período também se observou alta nos custos de produção.
Neste cenário, a despeito da alta nos preços do boi gordo, as propriedades da Argentina e dos EUA fecharam 2022 com margens líquidas negativas.
Comparando-se os resultados obtidos entre os países com margens líquidas positivas, a maior lucratividade (relação entre a ML e a receita bruta do sistema) foi observada no Uruguai, de 29% – reflexo do bom momento de valorização dos animais abatidos, juntamente com altas nos custos de dieta mais tímidas que nos demais países, e leve queda na reposição.
Ademais, as propriedades de confinamento amostradas no país possuem, historicamente, boas margens operacionais. Os confinamentos brasileiros, por sua vez, apresentaram em 2022 uma lucratividade próxima daquela observada pelos sistemas australianos, de respectivos 5% e 7%.
É importante destacar que os resultados nacionais, em um período onde queda nos valores da arroba do boi gordo foram registradas, apresentou resultados financeiros semelhantes a outro importante player do mercado em um momento em que o mesmo apresentava alta na receita de seus produtores.
Perspectiva para 2023/24
Com base nos resultados do ano de 2022, observa-se que a pecuária nacional se manteve competitiva frente a outros importantes players do mercado de carne bovina. Tal feito é resultado de custos de produção da arroba relativamente mais atraentes, em comparação a outros países, bem como a capacidade produtiva.
Resultados como o observado em sistemas confinados no Uruguai, quando comparados com o desempenho obtido pelas propriedades com terminação em pasto do mesmo país, demonstram que apesar do valor de venda dos animais ser um fator determinante para a obtenção de margens competitivas no mercado, o investimento em tecnologias para otimizar o manejo de propriedades, melhorando sua taxa de desfrute assim como sua capacidade de suporte, podem ser o ponto chave para o sucesso na atividade.
O ano de 2023 vai chegando ao fim marcado por desafios para a pecuária nacional. As margens operacionais das propriedades de cria, afetadas desde o final do ano de 2022, forçaram tais produtores descartarem um maior número de matrizes, como já observado pela alta no volume de fêmeas abatidas.
Segundo os dados da Pesquisa Trimestral de Abates, do IBGE, o Brasil abateu 21% mais fêmeas no primeiro semestre de 2023 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, os valores recebidos pela arroba do boi gordo se mostram em retração – especialmente no segundo semestre do ano.
Desde o início do ano até o fechamento de outubro o indicador do boi gordo Cepea/B3 acumulou queda superior a 17% em seu valor diário. O recuo é impulsionado pelas nas quedas observadas no valor sobre a tonelada exportada de carne, sobretudo ao mercado chinês, que passaram a ser negociadas em patamares menores após a interrupção às exportações durante o primeiro trimestre do ano.
Neste cenário, é importante compreender como os principais competidores internacionais têm se comportado.
No caso da Austrália, após anos de crise climática o país ainda passa por um período de reinvestimento em seu rebanho bovino. Já em 2023, segundo informações publicadas pela Meat & Livestock Australia (MLA), as escalas de abate seguem em ritmo crescente, assim como o volume do produto exportado. O mês de setembro de 2023 alcançou o maior volume exportado visto desde 2019. Assim, com a recuperação em ritmo acelerado, os custos de produção continuam sendo o principal fator atrelado à capacidade produtiva do setor.
Já o Paraguai, mesmo não competindo com o Brasil pelo principal mercado global, o chinês, mantém a pressão sobre o mercado chileno, disputando o espaço com os demais grandes players da América do Sul.
Dentre estes, a Argentina segue apostando no mercado internacional como ponto de escoamento da carne produzida no país, uma vez que sua inflação segue em patamares históricos e, com isso, a capacidade interna de consumo é afetada.
No entanto, as medidas de restrição às exportações impostas pelo governo reduzem o volume de carne argentina no mercado internacional, limitando o impacto ao market share brasileiro – no mercado chileno,
assim como nos envios para Israel, e, especialmente a China.
Segundo dados da Secex, entre janeiro e setembro de 2023 as exportações brasileiras apresentaram queda tanto em volume total exportado, quanto em faturamento – quando comparado com o mesmo período do ano anterior.
A retração vem do efeito do mercado chinês, que passou por redução de 5% em termos de volume e 31% no faturamento. No entanto, as exportações para o Chile no período geraram um faturamento 27% superior ao observado em 2022 – mantendo o país na posição de terceiro principal destino para a carne bovina nacional, ficando apenas atrás da China e dos EUA.
Um país que deve a cada ano se mostrar mais presente nas discussões sobre o mercado internacional de proteína animal é a Índia. Apesar das restrições que a religião Hindu impõe à grande parcela dos habitantes, a crescente população de muçulmanos e cristãos apresenta demanda por carne bovina.
Neste tópico, um ponto que necessita atenção no cenário global, seria o impacto não apenas da carne bovina proveniente deste país, mas também sua oferta de carne bubalina. O produto, apesar do menor teor de gordura, apresenta características de aparência e textura de muita semelhança ao da bovina, sendo muito demandada sobretudo em países com populações de menor poder aquisitivo.
Isso já é observado nas estatísticas de exportação para os países do Oriente Médio e Norte da África, segundo dados da FAO de 2021. Ao analisar-se exclusivamente a exportação de carne bovina para a região, o Brasil aparece em primeira posição, com um market share de 38,7% sobre o total exportado.
No entanto, ao se agregar à análise o volume de carne de búfalo exportada, a quantia total de carne bovina e bubalina enviada pela Índia durante o ano de 2021 perfaz um total de 499,2 mil toneladas – contra as 207,4 mil brasileiros.
A Índia possui, então, um market share de 42,2% do montante total, contra 20,1% do Brasil. Por fim, destaca-se que, sobretudo em uma conjuntura em que a pecuária brasileira se mostra altamente dependente no cenário internacional de um parceiro que absorveu até o mês de setembro 57% do total exportado no ano de 2023, o fomento pela expansão de mercados alternativos. Essa prática se mostra essencial para a manutenção da balança comercial do país.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Assistência técnica transforma produção de leite e amplia eficiência de propriedade em Santa Catarina
Com planejamento, manejo e gestão profissional, família de Seara elevou produção mensal de 6 mil para até 20 mil litros sem aumentar o número de animais.

A pecuária leiteira catarinense mantém uma trajetória de fortalecimento baseada em tecnologia, profissionalização e busca constante por eficiência. Presente principalmente em pequenas e médias propriedades rurais, a atividade tem papel estratégico na economia do Estado, contribuindo para a geração de renda, empregos e desenvolvimento regional.
O desempenho do setor, porém, ocorre em meio a desafios relacionados ao mercado, aos custos de produção e à necessidade de aprimorar continuamente os sistemas produtivos. Mesmo diante desse cenário, produtores catarinenses têm investido em gestão, genética, nutrição animal e assistência técnica para aumentar a produtividade e garantir a sustentabilidade da atividade.
A relevância da cadeia leiteira ganhou destaque em junho, período marcado por duas datas voltadas à valorização do produto: o Dia Mundial do Leite, celebrado em 1º de junho, e o Dia Internacional do Leite, em 24 de junho. As iniciativas reforçaram a importância dos produtores e abriram espaço para discussões sobre os avanços e desafios de uma das principais cadeias do agronegócio.
Santa Catarina mantém posição de destaque nacional

Jean, Jonas e Eloide ampliaram a produção de leite com ajuda da ATeG – Foto: Sara Bellaver/MB Comunicação
Segundo dados do Boletim Agropecuário da Epagri/Cepa, a produção brasileira de leite alcançou 27,51 bilhões de litros em 2025, crescimento de 8,4% em comparação com o ano anterior. O resultado representa uma recuperação mais consistente da oferta nacional após um período de expansão mais moderada.
Santa Catarina acompanhou esse movimento e manteve posição de destaque no cenário nacional. O Estado ocupa a quarta colocação no ranking brasileiro, com produção de 3,5 bilhões de litros em 2025, alta de 6,4% em relação a 2024 e participação próxima de 13% do volume nacional. Minas Gerais lidera a produção, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul.
Além da relevância produtiva, a atividade leiteira tem forte impacto social. A cadeia envolve milhares de famílias no campo e movimenta uma ampla rede de serviços, incluindo indústria, transporte, comércio, assistência técnica e fornecedores de insumos.
Para o presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, o avanço da atividade está relacionado à combinação entre dedicação dos produtores e adoção de ferramentas que qualificam a produção. “Esse processo envolve investimentos em tecnologia, melhoramento genético, alimentação adequada, sanidade animal e gestão profissional das propriedades. A Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faesc/Senar, em parceria com os Sindicatos Rurais, tem contribuído para transformar a realidade das propriedades, elevar o nível de gestão, ampliar o uso de tecnologia e melhorar a produtividade”, destaca.
Gestão muda realidade de propriedade no Oeste catarinense
No município de Seara, no Oeste de Santa Catarina, a família Hartmann é um exemplo de como o acompanhamento técnico pode modificar os resultados de uma propriedade leiteira.

Família Hartmann com técnicos do Sistema Faesc/Senar/SC – Foto: Sara Bellaver/MB Comunicação
Na Linha Ariranhazinha, Jonas Gustavo Hartmann conduz a atividade ao lado da esposa, Eloide, do irmão Jean e dos pais, Egon e Secy. A propriedade possui 36 animais no plantel leiteiro e também trabalha com ovinocultura como alternativa de renda.
A entrada da família no programa ATeG Leite ocorreu após uma experiência positiva na ATeG Ovinocultura de Corte. Os resultados obtidos nessa atividade motivaram os produtores a buscar o mesmo acompanhamento para a produção de leite. “Em uma visita técnica, o supervisor perguntou o que gostaríamos de melhorar. Falamos que queríamos essa mudança também na atividade leiteira, como já havia acontecido com os ovinos. Ele orientou a procurar o Sindicato Rural de Seara e fazer a inscrição em uma turma”, relata Jonas.
Antes do acompanhamento, a família enfrentava dificuldades principalmente relacionadas ao planejamento da atividade, nutrição dos animais, sanidade e organização do manejo. Com a orientação técnica, as mudanças começaram pela estruturação da rotina produtiva, divisão das pastagens, acompanhamento da produção e ajustes na alimentação do rebanho.
Produção triplica com mesmo número de animais
A evolução dos indicadores foi um dos principais resultados alcançados pela propriedade. Antes da implantação das melhorias, a produção mensal era de aproximadamente 6 mil litros de leite. Com a aplicação das orientações técnicas, o volume aumentou gradativamente para 14 mil, 16 mil e chegou a 18 mil litros em meses consecutivos. Em determinado período, a propriedade alcançou 20 mil litros mensais.
O crescimento ocorreu sem ampliação do número de animais. “Não aumentamos o plantel. Apenas colocamos em prática, mês a mês, aquilo que o técnico nos orientava. Com o mesmo número de animais, conseguimos melhorar muito a produção”, afirma Eloide.
Entre as medidas adotadas estiveram a adequação da dieta do rebanho, instalação de bebedouros próximos à sala de ordenha, divisão das áreas de pastagem em piquetes e melhoria no manejo de entrada dos animais.
Além dos avanços produtivos, a família também passou a controlar melhor a parte financeira da atividade. O acompanhamento dos custos permitiu maior clareza sobre receitas e despesas, facilitando o planejamento dos investimentos. “Hoje conseguimos acompanhar melhor os custos, saber o que entra e o que sai. Antes não tínhamos essa visão. Agora conseguimos entender melhor a propriedade e planejar o mês seguinte”, explica Jonas.
Com a organização financeira, a família conseguiu equilibrar as contas, formar reserva e investir com mais segurança. Entre os próximos objetivos estão melhorias genéticas no rebanho e a conclusão de estruturas voltadas ao conforto animal, como sombreamento e ampliação dos pontos de água.
Conhecimento técnico impulsiona resultados
O técnico de campo responsável pelo acompanhamento da propriedade, Cleverson Percio, destaca que os resultados foram consequência da aplicação das recomendações e do comprometimento da família. “Todas as orientações foram elaboradas e executadas com critérios técnicos. Tudo teve base técnica e, com as ações realizadas pela família, tivemos sucesso. Chegamos ao objetivo e fomos além do que esperávamos”, avalia.
Para o supervisor técnico da ATeG, Fernando da Silveira, o caso demonstra a importância da união entre assistência técnica, capacitação e gestão para fortalecer a atividade leiteira. “A produção de leite ganha força quando conhecimento técnico e gestão caminham juntos. Ao profissionalizar a propriedade, o produtor amplia sua eficiência, melhora os resultados e constrói uma atividade mais rentável e sustentável”, afirma.
O presidente do Sindicato Rural de Seara, Valdemar Zanluchi, ressalta que o desempenho da família Hartmann representa o impacto da organização e do acesso ao conhecimento no campo. “Esse é um dos grandes casos de sucesso da nossa região. Temos orgulho dos resultados alcançados pela família e do impacto positivo que a ATeG tem proporcionado às propriedades rurais”, destaca.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Arrecadação da pecuária cresce 4,7% e chega a R$ 744,9 milhões em Mato Grosso
Resultado reflete o desempenho da cadeia da bovinocultura, que reúne produção, indústria frigorífica, logística e exportações e respondeu por 2,89% de toda a arrecadação estadual de ICMS em 2025.

A cadeia da pecuária bovina de Mato Grosso arrecadou R$ 744,9 milhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 2025, alta de 4,7% em relação aos R$ 711,5 milhões registrados no ano anterior. Os dados são do Observatório de Mato Grosso, do Sistema Fiemt.
O resultado reflete a participação da bovinocultura na economia estadual, reunindo atividades que vão da criação de bovinos ao processamento da carne, além de segmentos como transporte, comércio, prestação de serviços e fornecimento de insumos.

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Em 2025, a cadeia pecuária respondeu por 2,89% de toda a arrecadação estadual de ICMS. Os frigoríficos bovinos lideraram o recolhimento de tributos, com R$ 363,36 milhões, enquanto a criação de bovinos de corte contribuiu com R$ 108,61 milhões.
Na comparação com 2024, a arrecadação total da cadeia aumentou R$ 33,46 milhões. Apenas a atividade de criação de bovinos de corte ampliou o recolhimento de ICMS de R$ 100,06 milhões para R$ 108,61 milhões, crescimento de 8,5%.
Maior rebanho bovino do país, Mato Grosso também ocupa posição de destaque nas exportações brasileiras de carne bovina, abastecendo o mercado interno e mais de 90 países. A atividade tem impacto direto sobre a geração de empregos, a movimentação da indústria frigorífica, a logística e a arrecadação tributária do estado.
Segundo o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, os números demonstram a importância da bovinocultura para além da produção nas fazendas. “Quando a pecuária cresce, toda a economia cresce junto. Estamos falando de uma cadeia que movimenta centenas de municípios, gera milhares de empregos, impulsiona a indústria, fortalece a logística, amplia as exportações e contribui diretamente para a arrecadação de impostos. Esses quase R$ 745 milhões em ICMS mostram que a bovinocultura não é importante apenas para o agronegócio, mas para toda a sociedade mato-grossense”, afirma.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Criar bem as bezerras custa menos do que corrigir problemas depois
Eficiência nas etapas de cria e recria reduz perdas, acelera o retorno do investimento e melhora os indicadores produtivos do rebanho.

Quando se fala em produtividade na pecuária leiteira, é comum que a atenção esteja voltada para as vacas em lactação. No entanto, boa parte dos resultados obtidos ao longo da vida produtiva dos animais começa a ser construída muito antes da primeira ordenha. As fases de cria e recria exercem influência direta sobre indicadores como idade ao primeiro parto, desempenho reprodutivo, produção de leite e longevidade do rebanho. Por esse motivo, decisões tomadas nos primeiros meses de vida das bezerras podem gerar reflexos econômicos durante vários anos.
O potencial produtivo de uma fêmea é definido desde a concepção, mas sua capacidade de expressar esse potencial depende das condições oferecidas ao longo do desenvolvimento. Nutrição adequada, manejo sanitário eficiente, instalações apropriadas e monitoramento constante formam a base para o crescimento saudável dos animais.

Foto: Divulgação
Entre os principais indicadores acompanhados pelos sistemas de criação estão a transferência de imunidade passiva, os índices de morbidade e mortalidade, o ganho de peso, a altura dos animais e a idade à inseminação. Esses parâmetros permitem identificar desvios e avaliar se as metas de desenvolvimento estão sendo alcançadas.
Apesar da ampla disponibilidade de conhecimento técnico sobre o tema, muitas propriedades ainda enfrentam dificuldades para transformar recomendações em resultados consistentes. Em grande parte dos casos, o desafio não está na falta de informação, mas na capacidade de implementar rotinas de monitoramento e manter a execução dos manejos ao longo do tempo.
Outro aspecto frequentemente subestimado é a relação entre cria e recria e os resultados financeiros da atividade. Estudos demonstram que sistemas mais eficientes nessas etapas conseguem reduzir o tempo necessário para recuperar os investimentos realizados na formação das novilhas, contribuindo para melhorar a rentabilidade da produção leiteira.
Nutrição e planejamento caminham juntos
O programa nutricional está entre os fatores que mais influenciam o desempenho de bezerras e novilhas. Sua construção deve levar em conta os objetivos da propriedade, a disponibilidade de alimentos, a infraestrutura existente e as condições de manejo.
Na fase de aleitamento, a definição das metas de crescimento orienta decisões relacionadas ao fornecimento de dieta líquida, à formulação da ração inicial e ao processo de desaleitamento. A transição para dietas sólidas exige atenção especial para evitar perdas de desempenho e garantir o desenvolvimento adequado do rúmen.

Foto: Eduardo Rocha
Nas etapas seguintes, o equilíbrio entre proteína e energia da dieta torna-se determinante para promover o crescimento muscular sem favorecer o acúmulo excessivo de gordura corporal. Da mesma forma, fatores como qualidade das forragens, condições climáticas e ocorrência de enfermidades podem alterar as exigências nutricionais dos animais e exigir ajustes no planejamento.
Por essa razão, programas de criação não devem ser encarados como modelos fixos. O acompanhamento dos indicadores permite adaptar estratégias de acordo com a realidade de cada propriedade e corrigir rapidamente possíveis desvios.
A busca por maior eficiência na pecuária leiteira passa, necessariamente, pelo fortalecimento das etapas de cria e recria. Investir no desenvolvimento das futuras matrizes não representa apenas um cuidado com os animais jovens, mas uma decisão que influencia diretamente a produtividade, a reprodução e a sustentabilidade econômica do sistema de produção.




