Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas

Pecuária de corte brasileira se mantém competitiva frente aos principais países concorrentes

A competitividade da pecuária brasileira no cenário internacional é um dos motores para a consolidação do país como grande exportador de proteína animal.

Publicado em

em

Foto: Everton Queiroz

Conforme as estatísticas de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (COMEXSTAT – MDIC), as exportações brasileiras somaram 2,26 milhões de toneladas de carne bovina em 2022, volume 22,6% maior que o registrado no ano anterior.

O faturamento aumentou 40,8% no período analisado, o que se traduziu em quase 3,8 bilhões de dólares a mais na balança comercial brasileira na comparação com 2021. Dentre os principais destinos da carne bovina brasileira, destacaram-se: China, Estados Unidos, União Europeia, Chile e Egito.

Do volume total exportado em 2022, 87,9% correspondeu à categoria de carne in natura, seguida de miúdos (6,0%), industrializados (4,7%), e o restante na forma de tripas e salgados.

Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) apontam que, em 2021 (dados mais atuais disponíveis), as exportações de carne bovina brasileira representaram 16,1% do total mundial – o que nos coloca em 1º lugar em volume total exportado –, seguido pelos EUA, Austrália e Nova Zelândia.

Foto: Everton Queiroz

Além da competição com os principais produtores mundiais de carne, o Brasil disputa mercados com seus vizinhos sul-americanos que, a despeito da menor capacidade produtiva de carne bovina, possuem importante participação nas exportações mundiais para países que são nossos clientes-chave.

Os dados da FAO apontam ainda que a carne brasileira representou 32,2% das exportações para a China em 2021, enquanto que Argentina e Uruguai foram responsáveis por respectivos 16% e 13,6%. Ambos países se encontram no mesmo patamar, em termos de participação no mercado chinês, que Nova Zelândia (13,7%) e os EUA (10,5%).

No período, a Austrália apresentou patamar um pouco inferior, de 7,7%, porém, o menor volume foi vinculado com a redução no rebanho do país frente às intempéries climáticas ocorridas durante o ano.

Devido às relações diplomáticas entre China continental e Paraguai, o país sul-americano não é habilitado para exportar para o principal destino mundial de carne bovina – enviando carnes apenas a Taiwan e Hong Kong. No entanto, em 2021 o mesmo foi o principal fornecedor de carnes para o Chile, representando 44,8% do volume exportado.

Em contrapartida, o share brasileiro neste mercado foi de 36,5%, e o da Argentina de 11%.

Exportações em queda

As exportações brasileiras de carne bovina caminham para encerrar o ano em queda.

Na parcial de janeiro a outubro de 2023, observa-se um recuo de 4,7% no volume exportado e recuo de 21,5% no preço médio da carne exportada, em relação ao mesmo período de 2022 – resultando em um faturamento 25,2% menor este ano.

A queda está vinculada à suspensão temporária das exportações para o mercado chinês, que impactou especialmente o volume enviado entre os meses de fevereiro e março de 2023. Após o retorno das exportações, ocorreram novas negociações sobre o preço dos produtos exportados, o que levou a uma redução de 27% sobre o valor da tonelada enviada para o país asiático, considerando-se os valores de 2023 frente a 2022.

Foto: Shutterstock

 

Comparativo global

Buscando compreender as vantagens e desafios competitivos da pecuária brasileira frente aos principais players no mercado mundial, foram analisados os dados resultantes dos levantamentos da rede Agri Benchmark, da qual fazem parte a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).

Os valores aqui discutidos são referentes aos resultados obtidos durante o ano de 2022 pelas propriedades típicas dos países participantes e publicados em 2023. Foram realizadas comparações com os resultados obtidos pelas propriedades típicas brasileiras no período, com base nos dados mensais do Projeto Campo Futuro (CNA/Senar) convertidos para a cotação do dólar no período avaliado.

Sistemas à pasto

Ao analisarmos os resultados médios dos sistemas de terminação em pastagens avaliadas em cada país, observa- -se que a margem líquida (ML, que é resultado da subtração do COT na receita bruta) dos sistemas de produção brasileiros foi de US$ 116,70/ha de área útil em 2022.

Gráfico 1 – Valores médios nacionais do COT e da receita, por hectare de área útil, dos sistemas de terminação à pasto no ano de 2022. Fonte: Agri Benchmark (2023), Projeto Campo Futuro CNA/Senar (2023). Elaboração: Cepea- Esalq/USP, CNA.

Dentre os países analisados, o Uruguai foi o único que não foi capaz de pagar os custos com desembolsos anuais e depreciação de seus sistemas, com ML negativa em US$ 26,34/ha. O resultado indica dificuldade para as propriedades se manterem em médio e longo prazos, devido aos custos de produção que continuaram em alta no país.

Um fator que afetou o desempenho do país em questão foi a baixa capacidade de suporte das propriedades amostradas, o que levou à uma restrição em sua produtividade. O número de arrobas vendidas por hectare, na média das propriedades do Uruguai, foi a menor entre os países sul-americanos avaliados, sendo de seis @/ha.

Apesar da maior produtividade por área em sistemas de pastagem ter sido observada nos sistemas argentinos, de 14,9 arrobas vendidas por hectare, o melhor retorno foi observado nos resultados médios do Paraguai.

Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

Com produtividade média de 7,5 @/ha, as propriedades paraguaias avaliadas obtiveram uma margem líquida média de US$ 199,55/ha, contra US$ 45,75/ha para os sistemas argentinos à pasto.

As propriedades paraguaias foram favorecidas pelo período de bons preços de reposição e alta no valor da arroba. Esses fatores foram capazes de compensar a alta nos custos com a alimentação do rebanho durante o ano (somando dispêndios com a dieta, com o manejo de pastagens, e com a suplementação do rebanho).

Da mesma forma que os observados no Paraguai, os resultados dos sistemas australianos de produção em pasto foram beneficiados também pelo bom momento de valorização da arroba, assim como quedas nos custos com a dieta dos animais. Com isso, o país obteve margem líquida de US$ 55,94/ha, ficando acima dos resultados argentinos.

Apesar de apresentarem um nível de produtividade significativamente menor – na média das propriedades do país com terminação em pasto avaliadas, foram vendidas 3,10 arrobas por hectare.

De acordo com os resultados médios de 2022 para as propriedades típicas nacionais com sistemas de recria e engorda à pasto, foi observada uma margem líquida de US$ 116,68/ha, com produtividade de 10,24 arrobas vendidas/ha.

Em termos de distribuições de custos, observou-se que a participação da compra de animais nos custos de produção ficou entre 57% no Uruguai, e 68,7%, na Austrália.

Nestes dois extremos, é possível observar diferenças na distribuição de custos, sendo dois países que historicamente apresentam menor taxa de lotação – e produtividade por área – quando comparados aos demais.

Enquanto as propriedades uruguaias avaliadas arcaram com um alto custo com a aquisição de sementes para o plantio de pastagens anuais, as propriedades australianas mantiveram seus animais contando apenas com as pastagens disponíveis e adição de suplementos à dieta. Com isso, os gastos totais com a alimentação do rebanho foram equivalentes a 17,6% e 7,6% do COT, respectivamente.

Outro fator que contribui para a menor margem obtida nos sistemas de produção de bovinos em pasto avaliados no Uruguai foi a incidência de seca severa a partir do segundo semestre de 2022, que acabou afetando significativamente os preços recebidos pelos produtores devido à maior taxa de abates – consequência da menor capacidade de suporte de suas áreas de pastagem.

Confinamento

O custo para terminação em sistemas confinados apresentou maior variabilidade analisando o impacto da reposição quando comparada entre os países.

A média obtida pelo Brasil durante o ano de 2022, de US$ 21,55/@ vendida, foi a menor registrada nos participantes da análise, influenciada sobretudo pela queda nos preços do bezerro durante o segundo semestre.

Os maiores  custos de reposição foram observados na Austrália e na Argentina (Gráfico 2). O alto custo de reposição dos sistemas argentinos avaliados é vinculado à redução do rebanho de matrizes observado no país durante 2021/22, levando então a uma menor oferta de animais de reposição.

Além disso, a inflação tem se mostrado um fator de desestímulo à produção nacional, com produtores optando por reduzir suas escalas de confinamento e aumentando o percentual de animais terminados à pasto durante o período.

A inflação argentina levou, também, à uma redução no consumo per-capita de carne no país, reforçando o foco da produção no mercado externo durante o período.

Gráfico 2 – Valores médios nacionais do COT e da receita, por hectare de área útil, dos sistemas de terminação em confinamento no ano de 2022. Fonte: Agri Benchmark (2023), Projeto Campo Futuro CNA/Senar (2023). Elaboração: Cepea-Esalq/USP, CNA.

 

Os demais custos que compõem o COT dos sistemas de confinamento apontaram diferenças reduzidas entre os países. Os custos com a alimentação do rebanho variaram entre US$ 11,19/@ vendida no Uruguai, e US$ 18,24, nos EUA.

A seca nos EUA durante 2022 impactou a disponibilidade de pastagens em propriedades de cria – levando a um maior descarte de matrizes – e a produção da safra americana de milho. Isso resultou na elevação dos custos com reposição e dieta dos animais confinados no período.

Já o valor da venda de animais obtido pelos produtores variou entre US$ 48,16, no sistema brasileiro, e US$ 97,19 na Austrália. Em todos os países avaliados, foi reportado que o ano de 2022 trouxe valorização ao preço pago pela arroba dos animais terminados, em comparação a 2021. No entanto, para o período também se observou alta nos custos de produção.

Neste cenário, a despeito da alta nos preços do boi gordo, as propriedades da Argentina e dos EUA fecharam 2022 com margens líquidas negativas.

Comparando-se os resultados obtidos entre os países com margens líquidas positivas, a maior lucratividade (relação entre a ML e a receita bruta do sistema) foi observada no Uruguai, de 29% – reflexo do bom momento de valorização dos animais abatidos, juntamente com altas nos custos de dieta mais tímidas que nos demais países, e leve queda na reposição.

Ademais, as propriedades de confinamento amostradas no país possuem, historicamente, boas margens operacionais. Os confinamentos brasileiros, por sua vez, apresentaram em 2022 uma lucratividade próxima daquela observada pelos sistemas australianos, de respectivos 5% e 7%.

É importante destacar que os resultados nacionais, em um período onde queda nos valores da arroba do boi gordo foram registradas, apresentou resultados financeiros semelhantes a outro importante player do mercado em um momento em que o mesmo apresentava alta na receita de seus produtores.

Perspectiva para 2023/24

Com base nos resultados do ano de 2022, observa-se que a pecuária nacional se manteve competitiva frente a outros importantes players do mercado de carne bovina. Tal feito é resultado de custos de produção da arroba relativamente mais atraentes, em comparação a outros países, bem como a capacidade produtiva.

Resultados como o observado em sistemas confinados no Uruguai, quando comparados com o desempenho obtido pelas propriedades com terminação em pasto do mesmo país, demonstram que apesar do valor de venda dos animais ser um fator determinante para a obtenção de margens competitivas no mercado, o investimento em tecnologias para otimizar o manejo de propriedades, melhorando sua taxa de desfrute assim como sua capacidade de suporte, podem ser o ponto chave para o sucesso na atividade.

O ano de 2023 vai chegando ao fim marcado por desafios para a pecuária nacional. As margens operacionais das propriedades de cria, afetadas desde o final do ano de 2022, forçaram tais produtores descartarem um maior número de matrizes, como já observado pela alta no volume de fêmeas abatidas.

Segundo os dados da Pesquisa Trimestral de Abates, do IBGE, o Brasil abateu 21% mais fêmeas no primeiro semestre de 2023 na comparação com o mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, os valores recebidos pela arroba do boi gordo se mostram em retração – especialmente no segundo semestre do ano.

Desde o início do ano até o fechamento de outubro o indicador do boi gordo Cepea/B3 acumulou queda superior a 17% em seu valor diário. O recuo é impulsionado pelas nas quedas observadas no valor sobre a tonelada exportada de carne, sobretudo ao mercado chinês, que passaram a ser negociadas em patamares menores após a interrupção às exportações durante o primeiro trimestre do ano.

Neste cenário, é importante compreender como os principais competidores internacionais têm se comportado.

No caso da Austrália, após anos de crise climática o país ainda passa por um período de reinvestimento em seu rebanho bovino. Já em 2023, segundo informações publicadas pela Meat & Livestock Australia (MLA), as escalas de abate seguem em ritmo crescente, assim como o volume do produto exportado. O mês de setembro de 2023 alcançou o maior volume exportado visto desde 2019. Assim, com a recuperação em ritmo acelerado, os custos de produção continuam sendo o principal fator atrelado à capacidade produtiva do setor.

Já o Paraguai, mesmo não competindo com o Brasil pelo principal mercado global, o chinês, mantém a pressão sobre o mercado chileno, disputando o espaço com os demais grandes players da América do Sul.

Dentre estes, a Argentina segue apostando no mercado internacional como ponto de escoamento da carne produzida no país, uma vez que sua inflação segue em patamares históricos e, com isso, a capacidade interna de consumo é afetada.

No entanto, as medidas de restrição às exportações impostas pelo governo reduzem o volume de carne argentina no mercado internacional, limitando o impacto ao market share brasileiro – no mercado chileno, assim como nos envios para Israel, e, especialmente a China.

Segundo dados da Secex, entre janeiro e setembro de 2023 as exportações brasileiras apresentaram queda tanto em volume total exportado, quanto em faturamento – quando comparado com o mesmo período do ano anterior.

A retração vem do efeito do mercado chinês, que passou por redução de 5% em termos de volume e 31% no faturamento. No entanto, as exportações para o Chile no período geraram um faturamento 27% superior ao observado em 2022 – mantendo o país na posição de terceiro principal destino para a carne bovina nacional, ficando apenas atrás da China e dos EUA.

Um país que deve a cada ano se mostrar mais presente nas discussões sobre o mercado internacional de proteína animal é a Índia. Apesar das restrições que a religião Hindu impõe à grande parcela dos habitantes, a crescente população de muçulmanos e cristãos apresenta demanda por carne bovina.

Neste tópico, um ponto que necessita atenção no cenário global, seria o impacto não apenas da carne bovina proveniente deste país, mas também sua oferta de carne bubalina. O produto, apesar do menor teor de gordura, apresenta características de aparência e textura de muita semelhança ao da bovina, sendo muito demandada sobretudo em países com populações de menor poder aquisitivo.

Isso já é observado nas estatísticas de exportação para os países do Oriente Médio e Norte da África, segundo dados da FAO de 2021. Ao analisar-se exclusivamente a exportação de carne bovina para a região, o Brasil aparece em primeira posição, com um market share de 38,7% sobre o total exportado.

No entanto, ao se agregar à análise o volume de carne de búfalo exportada, a quantia total de carne bovina e bubalina enviada pela Índia durante o ano de 2021 perfaz um total de 499,2 mil toneladas – contra as 207,4 mil brasileiros.

A Índia possui, então, um market share de 42,2% do montante total, contra 20,1% do Brasil. Por fim, destaca-se que, sobretudo em uma conjuntura em que a pecuária brasileira se mostra altamente dependente no cenário internacional de um parceiro que absorveu até o mês de setembro 57% do total exportado no ano de 2023, o fomento pela expansão de mercados alternativos. Essa prática se mostra essencial para a manutenção da balança comercial do país.

Fonte: Assessoria Cepea

Bovinos / Grãos / Máquinas

Financiamentos para pecuária leiteira ultrapassam R$ 164 milhões em um ano no Paraná

Recursos liberados pelo BRDE superam média histórica e reforçam modernização e expansão da cadeia leiteira no Estado.

Publicado em

em

Foto: Arquivo pessoal

Com linhas específicas e condições diferenciadas para o segmento, incluindo operações com juro subsidiado, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) direcionou R$ 164,5 milhões a 1.627 contratos de financiamento para a pecuária leiteira paranaense nos últimos 12 meses. O volume representa um patamar 84% superior à média anual registrada nos últimos cinco anos e reforça uma aceleração dos investimentos em criação e beneficiamento do leite no Estado. Desde 2021, as operações de crédito do BRDE para essa cadeia produtiva somam R$ 471,3 milhões.

O movimento acompanha a fase de expansão do setor no país. Em 2025, a produção brasileira registrou crescimento estimado de 7,2% em relação ao ano anterior, com impactos diretos sobre a oferta e sobre o ambiente de mercado para 2026, de acordo com análise da Embrapa. No recorte estadual, o Paraná detém a segunda posição no ranking nacional e responde por quase 13% do total produzido, conforme dados oficiais organizados a partir de estatísticas do IBGE.

Foto: Fernando Dias

Além das linhas tradicionais de financiamento, produtores e agroindústrias do setor também podem acessar operações por meio do Banco do Agricultor Paranaense, programa do Governo do Estado lançado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior em abril de 2021, com juros subsidiados para incentivar investimentos, modernização e ganho de competitividade no campo.

Para o diretor-presidente do BRDE, Renê Garcia Júnior, o avanço do crédito reflete uma mudança de perfil na atividade. Segundo ele, a pecuária leiteira do Paraná busca cada vez mais qualidade de gestão e de produto, mais tecnologia e uma preocupação crescente com eficiência e previsibilidade. “O papel do BRDE é dar escala a esse salto, com financiamento de longo prazo e foco em produtividade, sustentabilidade e renda no campo. Esses ganhos de produtividade ajudam a reduzir custos e ampliam a capacidade de competir, inclusive no mercado externo”, afirma.

Entre os produtores atendidos pelo BRDE está Marius Bronkhorst, de Arapoti, nos Campos Gerais. Ele iniciou a atividade leiteira em 1982 com 20 vacas e, ao longo de quatro décadas, ampliou a estrutura até alcançar 600 vacas em lactação e uma produção diária de 18 mil litros. Há cerca de 15 anos, acessou uma linha de crédito do BRDE, com juros de 2,5% ao ano, que possibilitou modernizar a propriedade, investir em confinamento total do rebanho e em tecnologias de ordenha e monitoramento. A produção saltou de 6 mil para 18 mil litros por dia, com expectativa de atingir 7 milhões de litros no ano.

“Antes do apoio do BRDE conseguíamos viver bem, mas era sem estrutura e perspectiva de crescimento. Com o crédito, passamos a crescer de forma gradativa e sustentável, com ganhos na produção e na satisfação dos funcionários”, diz Bronkhorst.

Além das operações voltadas à produção primária, o banco também fechou 25 contratos direcionados ao beneficiamento e à industrialização do leite nos últimos cinco anos, com R$ 59 milhões em recursos. A avaliação do BRDE é que essa segunda frente — agregação de valor, qualidade industrial e logística — é decisiva para sustentar o ciclo de investimentos na fazenda e melhorar a resiliência do setor em momentos de oscilação de preços.

Regiões

Foto: Shutterstock

Dentro do Estado, as mesorregiões Centro-Sul Paranaense e Sudoeste Paranaense concentram mais de 50% dos contratos firmados pela Agência Paraná do BRDE. A maior parte das operações é voltada à criação de bovinos para produção de leite, e 99,44% dos financiamentos têm como beneficiários produtores rurais.

O diretor-administrativo do BRDE, Heraldo Neves, observa que a capilaridade do crédito ajuda a explicar a consistência do avanço. “Não se trata apenas de financiar uma compra pontual. O que vemos é um ciclo de modernização. Quando o investimento chega na ponta com condições adequadas, ele vira produtividade e estabilidade para a propriedade”, afirma.

A série histórica recente indica dois momentos de maior aceleração no crédito para o setor leiteiro. O primeiro ocorreu entre 2022 e 2023, quando o volume contratado passou de R$ 51,8 milhões para R$ 94,9 milhões. Um novo avanço foi registrado entre 2024 e 2025, com alta de R$ 100 milhões para R$ 150,7 milhões, o maior valor anual do período de cinco anos. Em 2026, apenas nos dois primeiros meses, já foram formalizados 246 contratos, que somam R$ 24,8 milhões.

Foto: Pablo Aqsenen/Adapar

O superintendente da Agência do BRDE no Paraná, Paulo Starke, avalia que os números traduzem uma mudança de patamar. “O que observamos é um movimento consistente de profissionalização da atividade leiteira. O produtor está investindo em tecnologia, eficiência e escala”, disse Starke. “E o crédito é um instrumento para viabilizar essa transição, especialmente quando combinado a mecanismos de juro subsidiado, que reduzem o custo financeiro do investimento e aceleram a adoção de tecnologia, permitindo ganho de produtividade e maior estabilidade econômica para as propriedades”, afirma.

Produtores interessados em acessar os recursos do Banco do Agricultor Paranaense devem procurar uma das cooperativas de crédito conveniadas ao BRDE. A lista completa de instituições está disponível no site do BRDE:

Projetos com valor acima de R$ 800 mil podem ser submetidos diretamente pelo internet banking do BRDE.

Confira as linhas de financiamento:

– Pronaf Mulher: juro zero

– Cooperativas da agricultura familiar: juro zero

– Agroindústria familiar: juro zero

– Produção, captação e armazenamento de água: juro zero

– Erva-mate, pinhão, seda, café, orgânicos, apicultura e horticultura: juro zero

– Turismo rural: juro zero

– Pecuária de corte e leite: juros de 1% a 4%

– Piscicultura: juros de 1% a 4%

– Projetos de energia renovável: juro zero para projetos de até R$ 500 mil. Acima desse valor, juros variam de 2% a 5,5%

– Biogás: juro zero para projetos de até R$ 2 milhões para pessoas físicas e de até R$ 20 milhões para CNPJs. Acima desses valores, juros de 5%

– Projetos de irrigação: juro zero para projetos de até R$ 1 milhão para pessoa física e de até R$ 4,5 milhões para pessoa jurídica. Acima desses valores, os juros variam de 3% a 5,5%

– Demais linhas do Pronaf: redução de cinco pontos percentuais nos financiamentos, cujas taxas variam de 8,5% e 10,5%, devendo ficar entre 3,5% e 5,5%.

Fonte: AEN-PR
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Mulheres fortalecem a pecuária com gestão, técnica e inovação

Participação feminina amplia influência nas decisões das propriedades e em entidades ligadas ao setor.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

A presença feminina na pecuária de Mato Grosso tem se ampliado nos últimos anos, com mulheres assumindo funções de gestão, decisões técnicas e posições estratégicas dentro das propriedades rurais e das entidades do setor. Além de atuar na administração das fazendas, elas também estão presentes em áreas como medicina veterinária, zootecnia, agronomia, comercialização e gestão financeira.

Na propriedade onde atua em Diamantino, a cerca de 208 quilômetros de Cuiabá, a pecuarista e médica veterinária Mara Ferreira divide o tempo entre a rotina no campo e atividades técnicas ligadas à produção. O trabalho envolve manejo reprodutivo, inseminação artificial, atendimentos clínicos, cirurgias, além de orientação sobre sanidade, nutrição e questões ambientais do rebanho.

Pecuarista e médica veterinária, Mara Ferreira: “A mulher sempre esteve à frente dos negócios, sempre esteve ali no campo trabalhando. Eu acredito que ela só ficava ali de uma forma silenciosa” – Foto: Divulgação/Imac

Segundo Mara, o interesse pela atividade começou ainda na infância, quando acompanhava o trabalho da família no campo. “Eu atuo nessa parte reprodutiva, inseminação artificial, faço a parte clínica também, algumas cirurgias, trabalho muito na questão de orientação de sanidade, a parte nutricional também, a parte ambiental. Foi um sonho de infância que se concretizou”, relata.

A influência da atividade no campo também chega à nova geração da família. De acordo com ela, a filha se prepara para prestar vestibular para medicina veterinária.

Para a pecuarista, as mulheres sempre estiveram presentes na rotina das propriedades rurais, mas atualmente participam de forma mais ativa das decisões. “A mulher sempre esteve à frente dos negócios, sempre esteve ali no campo trabalhando. Eu acredito que ela só ficava ali de uma forma silenciosa”, afirma.

Ela também destaca que a participação feminina contribui com diferentes habilidades na condução das atividades no campo. “A gente tem muito a contribuir. Às vezes não tem aquela força física do homem, mas a gente entra com o lado delicado, social, de inovação, de uma opinião, com tarefas multidisciplinares que a gente encaixa perfeitamente bem. Então, com certeza a mulher é bem-vinda no meio rural e ela pode estar onde ela quiser”, enfatiza.

Na avaliação da diretora executiva do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Paula Sodré Queiroz, a presença feminina na pecuária do estado se tornou cada vez mais comum e passou a ocupar também espaços de liderança e decisão dentro da cadeia produtiva.

“A mulher sempre esteve na pecuária mato-grossense. O que mudou é que agora ela está sendo ouvida. Estamos ocupando espaços de decisão, de técnica, de liderança. É uma tendência clara e consistente, que tem trazido importantes transformações no campo”, destaca Paula.

Fonte: Assessoria Imac
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Prazo para vacinação contra raiva termina em 24 de março no Oeste do Paraná

Produtores de 30 municípios devem imunizar animais a partir de três meses, conforme determinação da Adapar.

Publicado em

em

Foto: Pablo Aqsenen/Adapar

O prazo para a regularização vacinal contra a raiva para animais de produção para 30 municípios do Oeste do Estado chega ao final em 24 de março. A decisão foi comunicada na portaria 368/2025 da Adapar, em setembro e previu um prazo de seis meses para os produtores vacinarem seus herbívoros domésticos com idade a partir de três meses.

O grupo de animais que deve ser imunizado inclui búfalos, bois, cavalos, asnos, mulas, ovelhas e cabras, com idade igual ou superior aos três meses. Animais que receberem forem vacinados pela primeira vez, devem tomar uma dose de reforço entre 21 e 30 dias e, posteriormente, de forma anual.

Foto: Shutterstock

Estão inclusos na obrigatoriedade os municípios de  Boa Vista da Aparecida, Braganey, Campo Bonito, Capanema, Capitão Leônidas Marques, Cascavel, Catanduvas, Céu Azul, Diamante D’Oeste, Foz do Iguaçu, Guaraniaçu, Ibema, Itaipulândia, Lindoeste, Matelândia, Medianeira, Missal, Planalto, Pérola D’Oeste, Quedas do Iguaçu, Ramilândia, Realeza, Rio Bonito do Iguaçu, Santa Lúcia, Santa Tereza do Oeste, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Serranópolis do Iguaçu, Três Barras do Paraná e Vera Cruz do Oeste.

A medida leva em conta a quantidade de focos registrados nos últimos anos, a proximidade com o Parque Nacional do Iguaçu, a ocorrência de áreas compartilhadas de transmissão e o número de pessoas que precisaram de tratamento após contato com animais suspeitos. A obrigatoriedade abrange apenas 30 municípios, mas a vacinação é aconselhada em todo o território paranaense.

A Raiva é considerada uma das doenças de maior importância em Saúde Pública, sendo uma das zoonoses mais letais, com grandes impactos econômicos, sociais e sanitários. Quando abordada à ótica da Saúde Única, que engloba a saúde humana, a saúde animal e o meio ambiente, o controle depende de uma atuação integrada entre diversos setores públicos. As ações constantes são uma forma importante de controle do vírus.

Segundo dados do Departamento de Saúde Animal (Desa) da Adapar, 218 casos de raiva foram confirmados no ano de 2025 até novembro. A doença circula tanto em territórios urbanos, onde cães e gatos são os principais transmissores, quanto no em ambientes rurais, territórios em que os morcegos hematófagos são os principais reservatórios e responsáveis pela transmissão aos animais de produção. O vírus é letal para animais e para humanos, caso não seja identificada a contaminação em tempo hábil para o tratamento.

Prevenção

A autarquia realiza o cadastramento e o monitoramento dos abrigos de morcegos hematófagos – controle da espécie Desmodus rotundus –, investiga casos suspeitos em herbívoros com coleta de material e executa ações em focos de raiva. Atividades de educação sanitária relacionadas à identificação dos morcegos hematófagos, ao reconhecimento dos sinais clínicos da doença nos animais e sobre como realizar uma notificação são ações desenvolvidas rotineiramente pelos servidores.

Praticidade

A vacina contra a raiva tem baixo custo, pode ser aplicada pelo próprio produtor e deve ser dada anualmente. A vacinação preventiva é a melhor forma de combate direto. Uma vez que o animal apresente sinais clínicos, não há tratamento.

Fonte: Assessoria Adapar
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.