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Pecuária 2023 terá confinamento estável, produção de leite positiva, mas recuperação total somente em 2025

Especialistas e empresas de nutrição animal reconhecem o momento de baixa por causa do ciclo pecuário, mas reforçam que custos menores de produção exigem tecnologia, gestão de risco, melhora das técnicas e decisão certa a cada momento.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

“O ano típico na Agropecuária é sempre um ano atípico. Não há moleza”. A expressão bem humorada do agrônomo e comandante da Scot Consultoria, Alcides Torres, resume bem o ano desafiador enfrentado pela carne bovina brasileira.

Depois de cinco meses, o mercado nacional e internacional aponta dados complexos. O pecuarista brasileiro precisa hoje do dobro de arrobas para comprar um bezerro, sofrendo com mais um tradicional ciclo da atividade. O preço do boi gordo está baixo assim como o consumo da proteína no mercado interno.

Agrônomo e comandante da Scot Consultoria, Alcides Torres: “No confinamento, o custo de produção caiu mais do que o preço final. Por isso, a conta ainda fecha e a atividade deve manter-se bem” – Fotos: Divulgação/Asbram

E o embargo da China imposto pelo caso de mal da vaca louca já ficou para trás, mas não trouxe ainda aumento das vendas externas e prêmios mais robustos pelas melhores carcaças.

Por outro lado, os valores de soja e milho caíram bastante, assim como outros insumos importados devido à baixa do dólar. “No confinamento, o custo de produção caiu mais do que o preço final. Por isso, a conta ainda fecha e a atividade deve manter-se bem. Basta usar a gestão de risco para garantir resultados. Nas outras áreas, contamos com exportações em torno de três milhões de toneladas, o que ajuda bastante no estoque, mas o produtor precisa ser rápido na decisão. É a lógica do mundo capitalista. Não adianta ficar torcendo pelo preço. É um índice ditado pelo mercado”, analisou o tarimbado consultor.

“A melhora no poder de compra dos brasileiros, com recuperação nas vendas de carne bovina no país, é necessária para um aumento do consumo. O que, por tabela, alavancaria os investimentos das fazendas na nutrição mais qualificada dos animais. Já a pecuária leiteira vem tendo uma boa performance, com preços sustentados ao longo dos últimos meses”, analisou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), Juliano Sabella.

Presidente da Asbram, Juliano Sabella: “A melhora no poder de compra dos brasileiros, com recuperação nas vendas de carne bovina no país, é necessária para um aumento do consumo”

Os dois profissionais comandaram um dia de debates sobre as perspectivas do mercado, durante a última reunião da entidade que representa o segmento de suplementação mineral dos rebanhos brasileiros. No encontro, Torres afirmou que o pecuarista brasileiro precisa enfrentar a realidade de que atualmente terminamos bem o boi, mas tratamos mal a cria, com taxas de prenhez muito baixas. “Temos muito o que avançar em níveis de reprodução e técnicas de produção. O bezerro está aumentando de preço e peso. Temos que alterar a forma de comercialização. Vender bezerro por quilo, como é feito em alguns locais dos estados do Sul do Brasil. Se não for possível, usar a recria para valorizar os investimentos. Tem gente que paga mais pelo bezerro de qualidade. E a venda de sêmen explodiu, o que vem melhorando a qualidade do gado. Temos um mercado a explorar nesse sentido”, aconselhou.

Todos são unânimes em enxergar a atualidade como um dos momentos mais desafiadores da pecuária nos últimos quinze anos. O Brasil é um país pecuário há mais de um século, trouxe o Zebu da Índia, cultivou os capins africanos e adotou a suplementação alimentar moderna. Fez o setor progredir e tornar-se o maior exportador de carne vermelha do planeta. Mas não pode temer as grandes revoluções que tem pela frente. “O ciclo pecuário é o mesmo. Quando há abate de fêmeas, o preço da carne cai. Quando há retenção das matrizes, o preço da carne sobe. Logo, os preços só devem reagir bem em 2024 e 2025. Logo, é o momento exato de usar tecnologia. Investir. Veja, a última grande revolução do nosso boi foi a China pedindo animais de 30 meses. Provocou a produção de animais precoces. E o que salvou a pátria nesses anos todos foi a exportação. E a China, que, sozinha, ficou com um quinto da nossa produção em 2022. E em 2023 já é responsável por 17% de nossos embarques, mesmo com embargo”, apontou Torres.

Diretor de Negócios da Trouw Nutrition, Francisco Olbrich: “Acredito em uma  estabilização do confinamento neste ano, e, ao mesmo tempo, que o ciclo tradicional da pecuária deva ficar mais curto devido aos investimentos realizados pelos pecuaristas ao longo do tempo”

Uma postura apoiada pelo diretor de Negócios da Trouw Nutrition, Francisco Olbrich. “Acredito nessa estabilização do confinamento neste ano, e, ao mesmo tempo, que o ciclo tradicional da pecuária deva ficar mais curto devido aos investimentos realizados pelos pecuaristas ao longo do tempo. Agora, ficar assustado com variações tão bruscas como vêm ocorrendo no mercado é até normal. Mas precisa gerar boas decisões e controle total dos custos”, indicou.

Realmente, instabilidade parece ser uma palavra que chegou de vez ao mundo das carnes. Após um surto internacional de Peste Suína Africana, agora é a vez da gripe aviária, que atinge as granjas de carne de frango e ovos de dezenas de países. Se chegar ao Brasil, pode deprimir ainda mais o preço do milho. Mesmo com a voracidade das usinas de etanol e óleo pelo grão. “Não tem navios buscando milho brasileiro. Não tem exportação programada para o grão. E a supersafra não tem armazéns suficientes para guardar a colheita. Eu tenho silos, mas uso pouco por causa da diferença entre os custos e os juros atuais, de mais de 13%”, apontou o presidente da Vaccinar, Nelson Lopes.

O brasileiríssimo frigorífico JBS, o maior do planeta, informa que o nosso boi representa hoje apenas 16% de seus negócios mundiais. “Já os norte-americanos podem ter problemas para alimentar o gado. Por causa de milho e feno. E, atualmente, estão vendendo muitas vacas”, acrescentou o mentor na Matsuda Group, Fernando Carvalho.

Presidente da Vaccinar, Nelson Lopes: “Não tem navios buscando milho brasileiro. Não tem exportação programada para o grão. E a supersafra não tem armazéns suficientes para guardar a colheit”

Outro movimento que ganha corpo é a habilitação de mais frigoríficos brasileiros para vender à China, o que pode redundar no fim dos prêmios pagos por animais precoces. “De qualquer maneira, o Brasil permanece, e será assim nas próximas décadas, como elemento chave no fornecimento de alimentos ao planeta. O déficit de até 40% na armazenagem de grãos é um problema. Mas já existem inúmeros grupos do exterior anunciando a construção de unidades por aqui. Sem falar que soja e milho baratos é ruim para quem vende, mas é bom para quem compra. O empresário rural precisa de velocidade na decisão depois de analisar o panorama e fazer as previsões. Tudo muda de forma muito rápida. Não dá para tirar os olhos do clima e das safras agrícolas do Brasil, da Argentina e dos Estados Unidos. A reposição e o boi gordo devem seguir com cotações em queda. Porém, os custos da safra 2023 – 2024 devem ficar relativamente acomodados e a exportação de carne bovina deverá ter bom desempenho. Com gestão de risco, é possível ter bons resultados neste ano”, concluiu Torres.

“Nosso cenário econômico está meio turbulento, com índices inconsistentes. Não estamos bem, mas poderíamos estar pior. De qualquer maneira, o agronegócio tem previsão de avançar no mínimo 8% em 2023. Pode ser um bom sinal para as indústrias de suplementos minerais recuperarem parte do recuo que ocorreu depois do período histórico de 2021 até metade do ano passado”, completou Felippe Cauê Serigatti, professor de Economia na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, pesquisador do Centro de Agronegócios da FGV (GV Agro) e coordenador do Painel de Estatísticas da Asbram.

Fonte: Assessoria Asbram

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Super El Niño tem formação captada por satélites espaciais; veja o vídeo

Vídeo divulgado pela Agência Espacial Europeia mostra as primeiras anomalias de temperatura no Oceano Pacífico e revela como pequenas mudanças podem desencadear impactos climáticos em escala global.

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Reprodução/ESA

Pela primeira vez, o surgimento de um novo episódio de Super El Niño pode ser acompanhado em detalhes a partir do espaço. Um vídeo divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA) revela as primeiras alterações na temperatura da superfície do Oceano Pacífico e mostra como um dos fenômenos climáticos mais influentes do planeta começa a se formar.

As imagens foram produzidas a partir de dados coletados por satélites entre os dias 1º e 07 de junho. O material destaca anomalias térmicas, diferenças entre as temperaturas registradas atualmente e a média observada entre 1991 e 2020, consideradas pelos cientistas um dos primeiros sinais do fenômeno.

Embora as variações de temperatura pareçam discretas, elas têm grande relevância para o equilíbrio climático global. Isso porque os oceanos armazenam enormes quantidades de calor e pequenas mudanças podem alterar significativamente a troca de energia entre o mar e a atmosfera.

Segundo a ESA, o uso das anomalias permite identificar com maior precisão as fases iniciais do El Niño. “O fenômeno geralmente começa como uma mudança sutil em relação ao que é considerado normal”, explica a agência. Por isso, a comparação com uma média histórica ajuda a evidenciar transformações que, à primeira vista, passariam despercebidas.

O El Niño ocorre quando os ventos alísios, que normalmente empurram as águas superficiais do Pacífico para Oeste,  enfraquecem. Com isso, águas mais quentes se deslocam em direção à costa oeste da América do Sul, modificando a circulação atmosférica e alterando os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.

Os efeitos costumam ser sentidos em diferentes continentes. Dependendo da intensidade do fenômeno, podem ocorrer ondas de calor mais severas, secas prolongadas, chuvas excessivas e tempestades mais intensas, com impactos sobre a agricultura, a disponibilidade de água, a geração de energia e a economia.

Pesquisadores também alertam que o aquecimento global pode influenciar a frequência e a intensidade desses eventos, ampliando seus efeitos e tornando os extremos climáticos ainda mais pronunciados.

Fonte: O Presente Rural
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NOAA vê risco de super El Niño e mercado acompanha impactos sobre as safras

Fenômeno climático pode elevar temperaturas e alterar o regime de chuvas em diversas regiões produtoras do mundo, com reflexos sobre culturas tropicais e preços das commodities agrícolas.

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Foto: Divulgação

A possibilidade de um novo e intenso episódio de El Niño voltou ao radar dos produtores rurais e dos mercados agrícolas internacionais. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do fenômeno e indicou que há 63% de probabilidade de ele atingir forte intensidade, no chamado “super El Niño”, até 2027.

Foto: Divulgação

Caso a projeção se confirme, o fenômeno poderá alterar o regime de chuvas e elevar as temperaturas em importantes regiões produtoras do mundo, influenciando a oferta global de alimentos e o comportamento dos preços agrícolas.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial Oriental, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. O fenômeno ocorre naturalmente a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove e 12 meses.

Mudanças no clima afetam produção agrícola

Os efeitos do El Niño não se distribuem de forma uniforme pelo planeta. Historicamente, o fenômeno está associado a períodos de seca em regiões do Sul e Sudeste da Ásia, Austrália e África Austral, ao mesmo tempo em que favorece chuvas acima da média em áreas do sul da América do Sul e dos Estados Unidos.

Essas alterações climáticas têm impacto direto sobre a agricultura, especialmente em culturas tropicais, conhecidas

Foto: Jose Fernando

no mercado internacional como “soft commodities”. Nesse grupo estão produtos como café, açúcar, cacau, algodão e suco de laranja, cujas produtividades são altamente sensíveis a mudanças de temperatura e disponibilidade de água.

Secas prolongadas, ondas de calor ou excesso de chuvas podem comprometer a produtividade, atrasar colheitas e alterar a qualidade dos produtos, reduzindo a oferta global.

Mercado acompanha riscos para as commodities

Além dos efeitos sobre a produção, episódios anteriores de El Niño costumam influenciar os preços agrícolas.

Foto: Divulgação

Historicamente, os mercados registraram valorização de diversas commodities em períodos marcados pelo fenômeno, especialmente quando eventos climáticos extremos afetaram grandes países produtores.

A preocupação atual é ampliada pelo ambiente já desafiador enfrentado pelos agricultores em várias regiões do mundo. Custos elevados de produção, oscilações nos preços dos fertilizantes e do diesel e as tensões geopolíticas recentes aumentam a sensibilidade do mercado a qualquer risco climático adicional.

Especialistas observam que ainda é cedo para estimar a intensidade dos impactos sobre cada cultura. No entanto, a confirmação do fenômeno pela NOAA e a possibilidade de um episódio mais intenso colocam novamente o clima entre os principais fatores de atenção para produtores, tradings e investidores.

Se o El Niño ganhar força nos próximos meses, as consequências poderão ir além das lavouras, influenciando preços de alimentos, fluxos de comércio internacional e a rentabilidade de diversas cadeias do agronegócio.

Fonte: O Presente Rural
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Cooperativas passam a ter acesso a fundos regionais e ganham reconhecimento como patrimônio cultural do Brasil

Novas leis ampliam as fontes de financiamento para projetos no Norte, Nordeste e Centro-Oeste e reconhecem oficialmente a contribuição histórica do cooperativismo para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

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O cooperativismo brasileiro ganhou duas novas legislações a partir desta quarta-feira (17). Publicadas no Diário Oficial da União, a Lei Complementar nº 231 e a Lei nº 15.433 ampliam o acesso das cooperativas a recursos de fundos regionais de desenvolvimento e reconhecem oficialmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional.

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A Lei Complementar nº 231 inclui as cooperativas entre os beneficiários do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Já a Lei nº 15.433 estabelece que o cooperativismo integra o patrimônio cultural brasileiro e determina que o Estado garanta a livre atividade das cooperativas e apoie seu desenvolvimento, conforme previsto na Constituição Federal.

As duas medidas têm potencial para ampliar investimentos em setores estratégicos, especialmente no agronegócio, agroindústria e infraestrutura, além de reforçar o papel econômico e social desempenhado pelas cooperativas em diferentes regiões do país.

Acesso a recursos

A principal mudança econômica vem com a Lei Complementar nº 231. Com a nova regra, as cooperativas organizadas de acordo com a legislação específica do setor passam a poder acessar recursos dos fundos regionais para financiar projetos produtivos.

Na prática, a medida amplia as fontes de financiamento para investimentos em agroindústria, armazenagem,

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infraestrutura, logística e outras iniciativas com potencial de gerar emprego e renda.

Os fundos regionais têm justamente a função de estimular atividades produtivas e reduzir desigualdades econômicas, com foco nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Para o cooperativismo agropecuário, a mudança abre novas possibilidades de investimentos em cadeias produtivas que já têm forte presença nessas regiões.

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Reconhecimento cultural

A segunda medida publicada é a Lei nº 15.433, que reconhece oficialmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional.

O texto destaca a contribuição histórica do modelo para a formação econômica e social do país e associa o cooperativismo a valores como colaboração, ajuda mútua, participação democrática e gestão coletiva.

Além do reconhecimento simbólico, a lei determina que o Estado assegure a livre atuação das cooperativas e incentive seu desenvolvimento, em consonância com os princípios previstos na Constituição Federal.

Importância econômica

O reconhecimento institucional ocorre em um momento de expansão do cooperativismo brasileiro.

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No agronegócio, as cooperativas respondem por parcela expressiva da produção e exportação de grãos, carnes, leite e diversos outros produtos. Também desempenham papel relevante na assistência técnica aos produtores, no fornecimento de insumos e no acesso ao crédito.

Com maior acesso a recursos e respaldo legal ampliado, o setor ganha novos instrumentos para investir e ampliar sua participação no desenvolvimento econômico regional e nacional.

Fonte: O Presente Rural
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