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Bovinos / Grãos / Máquinas Eficiência

Pastoreio Rotatínuo aumenta produtividade em fazendas leiteiras no Rio Grande do Sul

Manejo consiste na diminuição do tempo gasto pelas vacas na obtenção de seus requerimentos nutricionais via pastejo

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Foto: Divulgação/Sindilat

Consolidado ao longo de 16 anos de aplicação, o conceito do Pastoreio Rotatínuo tem devolvido esperança através do aumento na produção e, consequentemente, na renda para produtores leiteiros gaúchos. É o que atesta o zootecnista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Paulo César de Faccio Carvalho, responsável pelo desenvolvimento do conceito de manejo que consiste na diminuição do tempo gasto pelas vacas na obtenção de seus requerimentos nutricionais via pastejo. O sistema foi apresentado durante reunião do Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat/RS) aos associados. “O Rotatínuo permite uma equalização entre o tempo da vaca e o dos produtores. Com duas ordenhas e acesso ao pasto nas horas mais quentes, a chance de uma vaca conseguir, por exemplo, consumir os 19 kg de matéria seca de que precisa para produzir cerca de 30 litros/dia é pequena. Falta-lhe tempo. Desta forma, os produtores acabam tendo que suplementar em níveis elevados de silagem e concentrado, aumentando os custos. Costumo dizer que temos custo de primeiro mundo com produtividade de terceiro mundo pois, de forma geral, menos de 40% da dieta da vaca é constituída de pasto”, compara.

Segundo o professor, são feitas adaptações na forma de uso da pastagem com o objetivo de garantir que mais de 60% da dieta do animal venha do pasto. Para tanto, os animais precisam ter acesso ao pasto no início da manhã e no final da tarde e os horários de ordenha devem ser ajustados. Além disso, a estrutura do pasto tem que favorecer a máxima ingestão de nutrientes por minuto de pastejo, o que é conseguido pelo oferecimento do pasto em alturas especificamente designadas, economizando o tempo de alimentação das vacas. Esta é a essência do conceito do Pastoreio Rotatínuo: a exata estrutura do pasto para facilitar o consumo, minimizando o tempo necessário no processo de pastejo. “O ajuste da estrutura do pasto em cerca de um centímetro pode significar entre 90 kg a 150 kg de matéria seca (MS) por hectare. Esta diferença é crucial para animais de elevada demanda, como vacas lactantes. Pastos com estrutura ideal podem significar incrementos de ingestão de pasto superiores a 0,5 kg de MS/h de pastejo. E, este ritmo de ingestão, por sua vez, define se um animal pode se saciar do pasto ou se precisará ainda de muita silagem para complementar seus requerimentos”, detalha o professor.

Com relação às vacas, no Rotatínuo, ao permitir que se aumente o consumo de pasto por unidade de tempo em pastejo, consegue-se a inversão da dieta de 40:60 pasto:silagem para 60:40 pasto:silagem, fazendo cair os custos do leite produzido em mais de 30%. “Vamos a um exemplo de como o manejo sob Rotatínuo é diferente do usual. O azevém é um pasto frequentemente usado em sistemas com descansos de 30 dias, quatro pastoreios nesses intervalos, cujo tempo de descanso acarreta alturas de entrada superiores a 25 cm. Cada vez que as vacas entram, é comum se ter por objetivo aproveitar bem o pasto e não o desperdiçar, o que faz com que as alturas na retirada dos animais sejam inferiores a 10 cm. Já o conceito do Rotatínuo muda radicalmente a forma de conduzir esse manejo. Nossos experimentos demonstram que as vacas maximizam sua ingestão em pastos com azevém a 20 cm de altura, e que não se pode baixar o pasto abaixo de 12 cm. Ao respeitar essas condições, o pasto rebrota bem mais rápido e o descanso cai para algo em torno de 10 dias, o que faz com que o número de pastoreios aumente, chegando a 12 ou mais. Outra consequência é que a necessidade de piquetes diminui bastante, pois o período de descanso é bem pequeno. É muito comum termos mais de 30 piquetes antes de mudar para o Rotatínuo, e usarmos menos de 10 piquetes depois da transição. Diminuem, portanto, os custos com cerca, os problemas na distribuição de aguadas e o tempo que o produtor dedica na divisão dos piquetes”, explica o professor.

O manejo de pastagens sob o conceito do Pastoreio Rotatínuo faz parte das ações do programa Produção Integrada em Sistemas Agropecuários (PISA), oferecido como solução para os produtores através do Sebrae-RS em parceria com a Aliança SIPA. “O PISA é uma alternativa, uma terceira via àqueles que não querem, ou não podem, “fechar as vacas” em sistemas mais intensivos. Porém, ainda que a base de pasto, as adaptações sugeridas no PISA, com tecnologias de baixo custo e buscando a eficiência da produção, podem fazer mais que dobrar a produção de leite através do melhor aproveitamento dos recursos já instalados nas fazendas leiteiras, garantindo autonomia e mantendo os produtores na atividade”, destaca Carvalho.

O PISA já foi aplicado em cerca de três mil propriedades rurais nos estados de SC, PR e RS. Em 2023 eram mais de 700 propriedades ativas no programa. Com duração de quatro anos, o programa compreende ações individuais e coletivas de diagnóstico, treinamento, consultoria, planejamento integrado e monitoramento, dentre outros. O público atendido é composto majoritariamente por produtores que têm, em média, 18 vacas em lactação e rebanho médio de 32 animais, e que produzem menos de 400 litros/dia, perfil que corresponde a 84% das propriedades leiteiras gaúchas, conforme dados da Emater RS.

Fonte: Sindilat/RS

Bovinos / Grãos / Máquinas

Preços da arroba e da carne bovina seguem pressionados

Segundo pesquisadores do Cepea, alguns frigoríficos com escalas mais alongadas estiveram até mesmo fora das compras no início desta semana.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A demanda pós-carnaval não reagiu, e as cotações tanto dos animais quanto da carne seguem pressionadas.

Segundo pesquisadores do Cepea, alguns frigoríficos com escalas mais alongadas estiveram até mesmo fora das compras no início desta semana.

Nesse cenário, os preços maiores foram deixando de ser praticados, e as médias regionais foram sendo reajustadas negativamente.

No front externo, as exportações de carne bovina in natura registraram ritmo forte nos primeiros 10 dias úteis de fevereiro.

De acordo com dados da Secex, os embarques diários registram média de 10,49 mil toneladas, totalizando 104,91 mil toneladas já embarcadas em fevereiro.

No mesmo mês do ano passado, o volume diário foi de 7,02 mil toneladas, somando 126,39 mil toneladas no período.

Se mantido esse ritmo até o final do mês, as exportações podem se aproximar das 200 mil toneladas em fevereiro.

Fonte: Assessoria Cepea
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Exportações de 873 mil doses foram destaque do mercado de sêmen em 2023, aponta ASBIA

A venda total no mercado interno (corte e leite) foi de 22,496 milhões de doses

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Aron Sardela Ferro, Giovanni Penazzi, Cristiano Botelho, Ricardo Abreu, Ana Karla, Luis Adriano Teixeira, Eduardo Cavalin, Sérgio Saud e Thiago Carvalho.Foto e texto: Assessoria

Mais de 14 milhões de fêmeas de corte e 5 milhões de fêmeas leiteiras (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE) do rebanho bovino nacional foram inseminadas com genética melhoradora em 2023, aponta o Índex ASBIA, relatório da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA) sobre o desempenho do setor no ano passado.

O balanço de 2023 também destaca a consolidação do investimento em genética bovina no rebanho nacional, além das exportações crescentes de sêmen para corte e leite. Enquanto as exportações de corte atingiram 462.837 doses, a genética leiteira embarcou 410.837 doses do material genético para outros países. Ambos foram responsáveis pela venda externa de 873 mil doses, volume 70% maior do que o praticado antes de 2020.

“Esse crescimento sólido é ainda mais evidente se compararmos ano após ano. Em 2018, a exportação de doses de sêmen para leite não chegava a 200 mil; em 2019/20 não passaram de 235 mil. O mesmo para o corte, que de 2018 a 2020 exportou menos de 283 mil doses por ano. A partir de 2021, ambos os segmentos reagiram com comercialização externa superior a 400 mil doses por ano. Essa consolidação reforça o aumento do interesse internacional pela qualidade da nossa genética bovina”, explica Cristiano Botelho, executivo da ASBIA.

A venda total no mercado interno (corte e leite) foi de 22,496 milhões de doses – redução de 3% ante 23,141 milhões de doses de 2022.

Em vendas para cliente final – quando as empresas de genética comercializam o material diretamente para os pecuaristas –, mais de 17 milhões de doses para corte foram negociadas. Já as doses de sêmen com aptidão para leite obtiveram um aumento de 6% comparado a 2022 – totalizando 5,4 milhões.

A prestação de serviço de empresas para coletar e industrializar o sêmen de animais de fazendas gerou pouco mais de 1,7 milhão de doses de animais de leite e de corte.

“Em quatro anos, o mercado de sêmen no Brasil cresceu 6 milhões em volume vendido internamente. Isso evidencia a profissionalização do pecuarista e o compromisso de agregar genética melhoradora na produção de carne e de leite. De acordo com os dados levantados pelo Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), cerca de 23% das fêmeas de corte no Brasil foram inseminadas. Na pecuária leiteira, esse percentual é de 12%. Ou seja, temos grande potencial para otimizar ainda mais a produtividade e levar o Brasil ao patamar mais alto de fornecedor de alimentos para o mundo”, finaliza Botelho.

O executivo da ASBIA pontua que com “a divulgação do Index de forma gratuita no site (www.asbia.org.br) a entidade democratiza o acesso à informação e compartilha conhecimento para que cada vez mais pecuaristas invistam em genética para melhoria da produtividade e rentabilidade, fortalecendo de forma consistente a pecuária e proporcionando segurança alimentar para cada vez mais pessoas”.

O Index ASBIA está acessível de forma gratuita no site da Asbia: https://asbia.org.br/index-asbia/

Fonte: Assessoria
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Omã abre mercado para bovinos vivos do Brasil

Os animais poderão ser comercializados ao país do Oriente Médio para abate e engorda.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O Brasil conquistou o mercado de Omã para exportação de bovinos vivos para abate e engorda. A aprovação sanitária foi oficializada na quinta-feira (22), durante a missão do Ministério da Agricultura e Pecuária ao país do Oriente Médio. Essa conquista veio após uma reunião entre o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Roberto Perosa, e o subsecretário do Ministério da Agricultura de Omã.

Aprovação sanitária foi oficializada na quinta-feira (22), durante a missão do Ministério da Agricultura e Pecuária ao país do Oriente Médio – Foto: Divulgação/Mapa

Somente em 2023, o Brasil exportou ao mundo US$ 488 milhões em bovinos vivos, num total de 23 países. No ano passado, o agro brasileiro exportou cerca de US$ 330 milhões para Omã, um aumento de 70% em comparação com 2022.

As carnes foram o produto de maior destaque, representando 55% do total exportado, com a carne de frango correspondendo a 97% desse segmento. “Este novo mercado soma-se aos outros 14 abertos neste ano, totalizando 93 desde o início do ano passado, durante o terceiro mandato do presidente Lula. A pedido do ministro Carlos Fávaro seguimos com nossa missão no Oriente Médio visitando alguns países com o objetivo de ampliar o comércio agrícola brasileiro, abrir novos mercados, obter aprovações para plantas pelo sistema de pré-listagem (eliminando a necessidade de auditorias locais) e negociar a importação de fertilizantes nitrogenados”, destacou o secretário Roberto Perosa.

Tais resultados são fruto do trabalho conjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores.

Cooperação mútua

Ainda em Mascate, capital da Omã, com representantes dos Ministérios da Agricultura de ambos os países, os dois lados enfatizaram o interesse em ampliar a cooperação governamental e as parcerias comerciais. Foram identificadas sinergias entre o plano “Visão 2040” de Omã, que inclui a segurança alimentar, e o programa brasileiro de conversão de pastagens degradadas em áreas agricultáveis. Também foram discutidas possibilidades de parcerias nos setores de fertilizantes, açúcar, grãos para alimentação animal, animais vivos, carne de frango e pescados.

Outra importante reunião ocorreu com a subsecretária de Promoção de Investimentos do Ministério do Comércio, Indústria e Investimentos de Omã, Ibtisam Ahmed Said Al Farooji. Ela apresentou o programa omanita que visa ampliar os investimentos em Omã e no exterior, focando na segurança alimentar e no interesse do país em se tornar um hub para a região e, ainda, destacou a neutralidade e estabilidade de Omã, mencionando que o Brasil pode ser um grande parceiro.

Durante o encontro, Perosa também enfatizou as boas relações e a complementaridade entre os países, afirmando que o Brasil poderia contribuir ainda mais para a segurança alimentar de Omã e incentivar empresas brasileiras a processarem seus produtos no país, como é o caso das carnes de frango e bovina. Nesse contexto, mencionou que o programa de conversão de pastagens degradadas em áreas agricultáveis representa uma grande oportunidade para fortalecer essa parceria, incluindo também a possibilidade de aquisição de fertilizantes nitrogenados de Omã. O lado omani acolheu positivamente a ideia e disse que, conjuntamente com a Autoridade de Investimentos de Omã e o Nitaj, irá auxiliar na construção da estratégia de parceria entre os dois países.

Fonte: Assessoria Mapa
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