Suínos
Os obstáculos ao desenvolvimento da suinocultura no Nordeste pelos olhos de um grande produtor
Dentre eles estão concorrência com a região Sul do país, a cultura negativa sobre o consumo da carne suína e a falta de investimentos em tecnologia.

Há quase seis décadas na criação de animais, a família Malta acompanhou o desenvolvimento da pecuária na região Nordeste do Brasil. Com uma propriedade de 164 hectares na Zona da Mata, no município de Paudalho, PE, a cerca 30 km de Recife, iniciaram as atividades no campo em 1965 com a avicultura de postura, mais tarde ingressaram na pecuária de corte e em 1990 na suinocultura.
O patriarca da família, o médico-veterinário Lula Malta conta que acompanhou o crescimento do agronegócio no Agreste Pernambucano e busca constantemente, em conjunto com a esposa e também médica-veterinária, Margarete Malta, e os filhos Luis e Tiago, soluções para aprimorar sua produção de carne e ovos, com inovação e emprego de tecnologias, tendo hoje a Granja OvoMalta reconhecida entre as maiores e mais tecnificadas do estado de Pernambuco.

Médico-veterinário e produtor, Lula Malta
De sorriso largo, Malta fala com orgulho da sua produção de suínos, cadeia que atua há 33 anos e que hoje é tida como uma referência para os demais produtores ou para quem deseja expandir na atividade na região. Possui a produção em ciclo completo, desde a inseminação das matrizes até a terminação, com 10,2 mil animais distribuídos em 10 galpões de maternidade, um de gestação em gaiola, um de gestação em baias, seis de creche e sete de terminação. A unidade de produção da Fazenda Malta figura entre as maiores do Agreste Pernambucano. “Nossa granja é toda tecnificada, utilizamos inseminação artificial em que precisamos semanalmente enviar um relatório com os resultados para a Holanda e eles nos orientam sobre quais reprodutores inseminar determinadas fêmeas, o que nos gera excelentes resultados”, afirma Malta, que por mais de duas décadas esteve à frente da Associação dos Suinocultores de Pernambuco (Aspe).
Ele conta que no sistema de gaiolas são colocadas as matrizes somente para fazer a inseminação, após inseminadas são transferidas para as baias, visando que os animais tenham maior conforto e bem-estar. “Temos assistência ao parto 24 horas por dia. A cada oito horas tem uma equipe de assistência ao parto na granja, de domingo a domingo, isso garante maior segurança, cuidado e zelo com a saúde das matrizes e dos leitões, mas infelizmente os produtores nordestinos não querem investir nisso”, aponta Malta.
Cada ninhada gera aproximadamente 16 a 17 leitões, com uma média de sobrevivência de 13 animais. Os suínos são abatidos aos 150 dias de idade, com um peso médio entre 100 e 110 kg. A comercialização dos animais da Fazenda Malta é feita nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. “Vendemos em média 400 animais por semana, 60% é para Pernambuco”, expõe, enfatizando que no mercado nordestino a preferência é por suínos com peso médio de até 110 kg e a venda acontece em feiras livres. “Essa prática é muito comum no Nordeste, em que os animais são expostos e após sua comercialização são encaminhados para o abate em matadouros municipais”, relata o produtor.
Obstáculos ao desenvolvimento da suinocultura
Entre os grandes obstáculos para o desenvolvimento da suinocultura no Nordeste, Malta aponta concorrência com a região Sul do país, a cultura negativa sobre o consumo da carne suína e a falta de investimentos em tecnologia. De acordo com o produtor, existe uma cultura muito forte entre os nordestinos de que a carne suína faz mal à saúde. Ele relembra do caso dos ovos que, por muito tempo, também amargou essa reputação e só conseguiu que fosse revertida com o envolvimento maciço das entidades do setor de avicultura de postura e campanhas em massa para desmistificar essa imagem. “Conseguimos com muito esforço quebrar essa cultura de que o ovo fazia mal à saúde humana, quando na verdade só traz benefícios, agora precisamos fazer o mesmo com a carne suína, porque esse é um dos grandes empecilhos para o desenvolvimento maior da atividade na região Nordeste”, afirma.
Outros pontos que freiam o crescimento da atividade na região Nordeste estão relacionadas com as exportações do país e a competitividade com os suinocultores do Sul do Brasil. Malta relata que quando as vendas externas diminuem os animais são enviados ao Nordeste para serem comercializados a um preço bem abaixo do praticado do mercado, o que torna a concorrência com o produto produzido no Nordeste desleal. “Esse cenário tem assustado os produtores locais, que em sua maioria são de pequeno porte, e não conseguem competir com a maior região produtora do país. Razão essa que não motiva investimentos na suinocultura, porque uma que os recursos são escassos e outra que essa competição com os produtores sulistas têm assustado muito os produtores nordestinos, freando o desenvolvimento maior da suinocultura em Pernambuco e nos demais estados nordestinos”, avalia.
Por fim, Malta aponta o baixo nível tecnológico nas unidades de produção, que ainda em sua maioria trabalham de forma rústica e manual. “O emprego de tecnologias está evoluindo, mas em um ritmo lento. As grandes fazendas investem rapidamente, enquanto os pequenos produtores enfrentam dificuldades de recursos para acompanhar esse avanço tecnológico”, afirma.
Apesar dos desafios, Malta é otimista com o futuro da suinocultura no Nordeste. Ele acredita que a atividade tem grande potencial de crescimento na região, principalmente com o apoio do governo e da iniciativa privada. “A suinocultura tem mais de dois mil produtores em Pernambuco, gerando cerca de 120 mil empregos diretos e indiretos, e quando se tem uma associação ativa, como a Aspe, a cadeia tem acesso ao governo do estado, a imprensa, aos laboratórios de pesquisas e às universidades, ou seja, a associação é um cartão de visita para apresentar a nossa atividade para todos os setores. Isso é importantíssimo e faz com que possamos nos desenvolver de forma mais estruturada e organizada”, evidencia.
Perspectivas de crescimento

Patriarca da família Malta com a esposa e médica-veterinária Margarete, e os filhos Luis (Malta) e Tiago
Com a instalação há pouco mais de um ano da planta industrial frigorífica da Masterboi em Canhotinho, PE, considerada a maior unidade frigorífica do Nordeste, com capacidade de abater 700 cabeças de gado por dia, além de ovinos, caprinos e suínos, totalizando em torno de 300 toneladas de carne diariamente, Malta ressalta que trouxe um novo ânimo para os produtores do Agreste Pernambucano, que até então não contavam com uma estrutura de alta demanda de animais para abate, o que também pode trazer um impacto positivo na comercialização da carne suína da região. “É uma planta muito moderna, que já está processando em torno de 200 a 300 suínos/dia, números esses que não servem de parâmetro para a região Sul do país, que tem uma cultura muito forte de produção e consumo da carne suína. No entanto, esperamos que com esse frigorífico haja uma mudança de comportamento do comércio local em termos de abate, oferecendo uma melhor qualidade e apresentação do nosso produto final, e com isso vamos poder também ampliar o consumo da carne suína nesta região do país”, anseia Malta.
De acordo com o produtor, a expansão da suinocultura na sua propriedade está de maneira intrínseca ligada à ampliação do abate diário de suínos na unidade de processamento da Masterboi. “Vamos expandir se a implantação do frigorífico da Masterboi der certo, porque se for para ajudar a desenvolver a atividade aqui na região nós vamos crescer junto com eles, do contrário vamos manter a produção que temos hoje”, expõe.
Sustentabilidade
A família Malta mantém uma preocupação constante com a sustentabilidade da produção. Como parte de suas iniciativas para reduzir os impactos da atividade no meio ambiente, eles implementaram um biodigestor ao lado dos galpões de suínos há 12 anos. Esse biodigestor tem a função de captar os dejetos da granja e transformá-los em biofertilizante para uso na pastagem. “Faço fertirrigação de 40 hectares no sistema Voisin (método intensivo de manejo do pasto e do rebanho)”, aponta o produtor, que também cria gado de corte nos sistemas extensivos e de confinamento.
Alimentação
Primando pela qualidade da alimentação fornecida aos animais, na propriedade foi instalada desde o início da atividade uma fábrica de ração. “Adquirimos os insumos, como milho, soja, trigo, farinha de carne, aminoácidos e vitaminas para produzir a ração, desta forma conseguimos reduzir os custos e garantimos a qualidade do alimento que oferecemos aos animais, diferente de quando se faz a compra da ração pronta”, menciona.
Produção nordestina
Conforme levantamento da Pesquisa da Pecuária Municipal 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rebanho de matrizes da região é estimado em um milhão e o plantel total de suínos é de 6,1 milhões de cabeças, o que representa cerca de 13,8% do rebanho nacional. De acordo com informações da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), a produção de carne suína no Nordeste é de cerca de 200 mil toneladas por ano, o que corresponde a cerca de 10% da produção nacional. O faturamento da atividade é estimado em R$ 2 bilhões.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade
Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”
Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.
O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.
Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.
Uniformidade das carcaças segue como desafio
Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.
O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.
Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.
Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.
Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.
Congresso reforça protagonismo do produtor
Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato
Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.
Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.
Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.
Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.
Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.
Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.
Gestão baseada em dados
Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN
Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.
O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.
Espaço para discutir o futuro da atividade
Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.
Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Suinfair 2026 deve impulsionar economia regional e destacar força da suinocultura independente em Minas Gerais
Feira realizada no Vale do Piranga reunirá produtores, técnicos e empresas do setor, movimentando negócios e fortalecendo um dos principais polos suinícolas do país.

A realização da Suinfair 2026, nos dias 01º e 02 de julho, em Ponte Nova (MG), deve gerar impactos econômicos e técnicos para o Vale do Piranga, região reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do Brasil. A expectativa é de que a feira atraia produtores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes estados, ampliando as oportunidades de negócios e fortalecendo a cadeia produtiva regional.
Além de reunir os principais agentes ligados à atividade suinícola, o evento tende a impulsionar diversos segmentos da economia local. A maior circulação de visitantes durante os dois dias da feira deve beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio, tanto em Ponte Nova quanto em municípios vizinhos.

A programação da Suinfair também busca fortalecer a competitividade da produção regional por meio da difusão de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e promoção de conexões estratégicas entre produtores, fornecedores e demais participantes do setor. O ambiente de negócios criado pela feira favorece a troca de experiências e a identificação de oportunidades para ampliar a eficiência e a rentabilidade das granjas.
O evento ocorre em uma região que concentra aproximadamente 35% do rebanho suíno de Minas Gerais, fator que reforça a relevância do Vale do Piranga para a produção estadual. A expressiva participação da região na atividade coloca o território em posição estratégica dentro da suinocultura brasileira, especialmente no segmento independente.
Ao consolidar a aproximação entre produção, mercado e inovação, a Suinfair reforça o protagonismo do Vale do Piranga na cadeia suinícola nacional e amplia a visibilidade de uma atividade que desempenha papel importante no desenvolvimento econômico regional.



