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O Brasil e os sonhos que Alysson Paolinelli não terminou de sonhar

O legado que ressignifica a missão, a causa e o papel dos povos tropicais no curso da humanidade.

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Diretor de Comunicação Estratégica do Instituto Fórum do Futuro, Fernando Barros - Foto: Divulgação

De forma inquestionável, o Brasil ofereceu à história da humanidade quatro grandes contribuições que marcaram a trajetória humana no último Século: o desenvolvimento do avião, por Santos Dumont; a Bossa Nova, de João Gilberto, Tom e Vinicius; a magia do futebol de Pelé; e a criação da agricultura tropical/revolução alimentar assinadas por Alysson Paolinelli.

Um ponto de conexão entre esses feitos sugere refletir: prevalece a narrativa global de que os irmãos Wright (EUA) decolaram o primeiro voo; para ouvir Bossa Nova fora do streaming, mais fácil linkar na Radio Swiss Jazz, situada em Basel; se nas “Bolhas” agrícola e cientifica Alysson é um Deus, fora delas é praticamente um desconhecido.

Pelé é a exceção que confirma a regra: nós brasileiros não aprendemos a respeitar, a ter orgulho, a defender interna e externamente o significado do patrimônio fático e simbólico deixado pelos heróis nacionais.

Mais fácil entender usando a lógica reversa: que Brasil teríamos hoje sem a Brasília, de Juscelino Kubtscheck; e sem a consolidação da interiorização do desenvolvimento referenciada em Ciência, de Alysson Paolinelli? Onde nossos jovens conseguem aprender sobre isto?

Uma das razões era o próprio Alysson. No lugar de protagonismo, o estadista preferiu – sempre – a união de interesses. Evaldo Vilela, um dos poucos que conseguiram dialogar com todas as almas que habitavam o vasto mundo de Paolinelli (do ser humano mineiro ao agrônomo; do visionário ao gestor científico e público, passando pelo empreendedor/agricultor…) abrevia o perfil: “era um homem que nunca batia no jogador; cuidava para bater somente na bola”. Conversa de cruzeirense para atleticano.

Paolinelli nos deixa aos 86 anos falando até o ultimo minuto sobre uma nova maneira de pensar o futuro. Uma energia juvenil, traduzida em estado de graça de inovação, de conciliação, de renovação permanente. Seu mote: ousar com sabedoria.
Amparado por uma humildade genuína, atávica, Alysson entrou no prédio do “Bolo de Noiva”, no Rio de Janeiro, na manhã do dia 09 de janeiro de 1974, onde seria sondado pelo Presidente indicado, Ernesto Geisel, para o cargo de Ministro da Agricultura.

Na sala, apenas ele, Geisel e Golbery do Couto e Silva. A primeira pergunta que lhe foi feita:

– O que o Sr. acha do nosso modelo de ocupação da Amazônia?
– O Sr. me desculpe, Presidente, mas eu tenho muito medo. Não conhecemos nada daquele Bioma. Porém, dos Cerrados, a gente já conhece um pouquinho…

Geisel referia-se ao quadro deixado pelo governo anterior, pautado pela lógica do “Integrar para não Entregar”. Paolinelli foi levado àquela sala à bordo das marcas credenciais que deixara no governo de Minas: a estruturação do PIPAEMG, protótipo que espelhou a criação e a implantação da Embrapa; e do PADAP, em São Gotardo, laboratório-modelo da colonização do Cerrado – não é por coincidência que o município registra até hoje a maior renda per capita do Agro nacional.

Da resposta singela, Alysson extraiu o Polocentro, o Prodecer, o acordo com o Japão, recursos para financiar as Universidades e instituições de Pesquisa, e para implantar a Embrapa. O seu jeito simplório escondia a visão de mundo gigante dos sertões de Graciliano. Um mundo ainda oculto para a grande maioria. Várias versões dessa mesma história foram sendo construídas sem ele jamais as contestasse. A prioridade sempre foi trazer todo mundo junto. Acreditava no esforço coletivo como alavanca dos processos.
E Alysson foi fazendo…

Onde havia o ermo, o nada, ergueu dezenas de cidades. E outras mais de duzentas que já existiam na região foram apresentadas ao desenvolvimento social e econômico. Hoje são dotadas em boa parte de Universidades, de sistema de saúde avançado e IDH superior à média brasileira. O curso de mecatrônica em Primavera do Leste fala por si.

Naquele março de 1974, a missão imediata era tirar o País do espectro da fome: o Brasil importava 30% dos alimentos que precisava; não dispunha de reservas; para piorar, criada um ano antes, a OPEP subira os preços do barril de petróleo de US$ 3 para US$ 11.

Sair daquele estrangulamento exigia primeiro fundamentar a base científica de utilização sustentável dos Cerrados. Foi buscar os pesquisadores para estruturar a Embrapa. Criou mil vagas com bons salários para descobrir que só havia 52 pós-graduados disponíveis em todo o Brasil, dois deles estrangeiros. O jeito foi apelar para a formação e a capacitação: obteve US$200 milhões na Fundação Fullbright e enviou primeira leva de 1530 jovens “para aprender Ciência em centros avançados, no mais alto nível, e voltar para desenvolver tecnologias aplicadas aos Cerrados brasileiros”.

Com o olhar atual – o de um país que forma 27 mil doutores a cada ano – fica difícil mesmo perceber com a grandeza dos obstáculos dos anos 1970.

Historiadores, essa crônica da invenção do Brasil moderno ainda não foi devidamente contada. Um micro exemplo, de amplas repercussões: em 1974, os brasileiros consumiam 3,5 Kg per capita/ano de frango; hoje, são 45Kgs. Inclusão alimentar estupenda, jamais mensurada dos ponto de vista social, nutricional e do seu impacto sobre a saúde dos brasileiros. Um produto direto do investimento em Pesquisa de melhoramento genético e da perspectiva científica aplicada na gestão pública e privada, que Alysson Paolinelli inaugurou no Brasil.

Daí para alimentar 800 milhões de pessoas em todo o mundo, em algumas décadas, foi um pulo. Aproveitem, jornalistas, sociólogos e cientistas políticos. É hora de inquirir os Paulos (Romano e Haddad), o Emiliano Botelho, o Embaixador Ronaldo Sardemberg – eles são testemunhas desse processo e grandes desenhistas de um cenário melhor de futuro para o País.

É hora de colher o testemunho do seu amigo-irmão na agenda do Agronegócio, Roberto Rodrigues. E, refletir sobre o mundo tropical sem o Alysson. José Scolforo saberá apontar os caminhos da associação entre o território, os recursos naturais, os desafios ambientais, o capital humano e capacidade empresarial. Marcio Miranda pode centralizar a articulação de parceiros internacionais. José Siqueira traz respostas práticas e poderosas, como a estratégias para enfrentamento imediato da fome. São todos conselheiros e dirigentes do Fórum do Futuro.

Em seu sonho mais recente, Alysson Paolinelli quis provar ao mundo (através de fatos mensuráveis e referenciados em Ciência, denominados “Polos Demonstrativos”) que o Brasil pode ser o grande motor da repactuação global com a racionalidade. Conseguiram pará-lo na quinta-feira, 29 de junho de 2023. Suas ideias, porém, não pararão.

De forma ao mesmo tempo doce, inquieta e instigante, e jamais impositiva, repetia nos últimos anos: “o patrimônio de gestão e de conhecimento instalado na Agricultura Tropical é capaz de reverter a direção das principais agendas críticas globais: fome, clima, desigualdade social, correntes migratórias Sul-Norte, produção de alimentos mais saudáveis e ausência de empregos dignos e sustentáveis via inclusão social e tecnológica”.

Há perto de uma década Alysson conclama pela construção de um pacto realista e sólido, aproximando interesses de Países ricos e do mundo tropical. Com um foco: “precisamos parar de enfatizar as consequências e mirar nos problemas”.

Como fazer migrar para a agenda sustentável os 4,5 milhões de endereços agrícolas brasileiros social e tecnologicamente excluídos? Como atrair os produtores já tecnificados para o roteiro de competitividade imposto por um mercado mais complexo, mais exigente? Como conseguir aterrissar conhecimento e tecnologia na realidade cultural, social, econômica e ambiental de quem luta pela sobrevivência na ponta das cadeias produtivas? Como harmonizar a percepção de que o Agro brasileiro precisa edificar respostas organizadas e sistêmicas para enfrentar às ameaças externas – normativas, comerciais e políticas -, com destaque para possíveis cancelamentos impostos pela sociedade civil organizada na Europa?

Alysson é civilizatório.

É a qualidade do futuro do Pais quem requisita a congregação de visões e de esforços.

Paolinelli denominava esse processo de “O 3º Grande Salto” (Norman Borlaug, o 1º; o Agro Tropical nos anos 1970, o 2º), desta vez incorporando a visão da Bioeconomia, espaço econômico social e ambiental que remete a 56% do PIB Nacional.

Pretendia colocar o Brasil inteiro numa mesma página: jovens urbanos, empresários do Agro; as Ciências “duras”; as Ciências   humanas… Incumbência reservada a prodígios, que humildemente o Fórum do Futuro incorpora, seguindo seu rastro de luz e de força.

Banco Mundial, FAO – parceiros históricos – e outras instituições de peso, já são sócios da mesma mensagem e do mesmo desafio.

Alysson era perfeito? Se olharmos de perto os grandes expoentes do itinerário humano vamos encontrar imperfeiçoes. A receita de humildade e perseverança que Alysson Paolinelli nos lega –  ouvir mais e impor menos – considera a relevância do outro em primeiro lugar.

É quando a colaboração substitui a competição. É quando ouvir o outro abre uma janela espaçosa que ilumina a visão prospectiva da humanidade. Resume, assim, o propósito do Dialogo Agro, Ciência e Sociedade.

Alysson Paolinelli é uma convocação ao equilíbrio, a sensatez.

Confesso que alcançar a dimensão e a complexidade deste ser humano diferenciado me exigiu algumas décadas, desde quando nos encontramos a primeira vez em 1974: eu com 21, ele com 36. Eu, o primeiro repórter especializado em meio ambiente da imprensa brasileira– um crítico severo; ele Ministro de Estado, cuidando de criar o Agro Tropical.

Nos reencontramos no dia 23 de novembro de 2012, na manhã modorrenta de uma sexta-feira na câmara dos deputados, onde Alysson agradecia a homenagem que lhe prestavam com um dos discursos mais potentes e visionários já feitos sobre o nosso futuro comum.

Conviver com um homem deste porte foi um privilégio desmedido. E, para nós do Instituto Fórum do Futuro, dar vida ao seu legado passa a ser uma colossal obrigação

Ainda no início da semana passada, Alysson confessava a Mariza: “e eu que acabei não conseguindo casar com você…”.

Mais de 30 anos depois de um amor intenso e de duas tentativas de realizar a cerimônia, Alysson foi embora sem cumprir esse desiderato. Mas, Mariza ganhou o respeito e a admiração de 1 milhão de amigos em todo o Brasil.

Nos resta empenhar o impossível para unificar os brasileiros dispostos a concluir os sonhos que Alysson não terminou de sonhar.

Fonte: Por Fernando Barros, diretor de Comunicação Estratégica do Instituto Fórum do Futuro 

Bovinos / Grãos / Máquinas

Qual o papel da tecnologia no desempenho do agronegócio?

Dentre os benefícios da utilização da tecnologia no campo incluem a mitigação e gestão de riscos operacionais, rastreabilidade, confiabilidade, redução de custos, integração da equipe, comunicação, entre outros ganhos que proporcionam um crescimento sustentável para o setor.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o agronegócio representou 24,8% do PIB do Brasil em 2023. E, não há como negar que a tecnologia se tornou uma grande aliada desse crescimento. Como prova disso, segundo dados da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP), cerca de 67% das propriedades agrícolas já aderiram ao uso de algum tipo de inovação tecnológica. Por sua vez, diante da atual era de transformação digital, que também acomete o segmento, é importante compreender como as novas tecnologias podem contribuir para o futuro do setor.

A utilização da tecnologia no campo já é uma realidade, uma vez que agrega benefícios que incluem a mitigação e gestão de riscos operacionais, rastreabilidade, confiabilidade, redução de custos, integração da equipe, comunicação, entre outros ganhos que proporcionam um crescimento sustentável para o setor. Tais vantagens favorecem que o setor mantenha sua posição de destaque na economia.

Atualmente, a aquisição de diversas tecnologias tem influenciado o desempenho do agro, como, por exemplo, a tão conhecida Inteligência Artificial (IA). Entretanto, é importante enfatizar que este recurso, em específico, para o agronegócio, deve ser considerado como um dos pilares na gestão do setor, que tem muito a ganhar com a sua aplicação na utilização conjunta com outras ferramentas vitais para o segmento do agro, como o diagnóstico e recomendações de ações através de aprendizagem de máquinas.

Portanto, dentre as tecnologias existentes, destacam-se: a Internet das Coisas (IoT), que, por meio de sensores, consegue fazer medições e gerar alertas; Machine Learning, a qual, através da IA, dá às máquinas a capacidade de realizar tarefas com base em padrões e tendências; robótica, substituindo trabalhos repetitivos e de riscos no campo; e aplicações de sistemas mobile ou nuvem, proporcionando a integração do setor com a disposição de dados a qualquer hora e lugar.

O uso dessas tecnologias tem como foco principal não apenas contribuir para maior eficiência, mas também favorecer para a consolidação de uma gestão assertiva. Ou seja, com o maior controle de informações e organização das funções, torna-se mais ágil o processo de tomadas de decisões, baseadas em indicadores reais que garantem a solidificação do setor independente do período em que esteja atravessando.

Paralelamente, ter uma gestão assertiva para o agronegócio também é fundamental, considerando a ampla responsabilidade do segmento em aplicar os princípios da agenda ESG nas operações. Deste modo, a tecnologia contribui em cada um destes pilares, em que, do ponto de vista ambiental, proporciona um consumo mais sustentável dos recursos: na esfera social, traz um diferencial nas condições de trabalho e no desenvolvimento comunitário e regional; e no viés corporativo, reflete a integridade das operações com a transparência das movimentações para toda rede de clientes, fornecedores e colaboradores.

No entanto, assim como os outros setores, o agronegócio também é exposto a uma gama de desafios diariamente, que acometem, principalmente, os negócios familiares. Na prática, uma decisão tomada baseada em dados errados pode gerar impactos financeiros altamente significativos à operação da empresa. E, embora sempre seja enfatizado a vital importância da tecnologia para a garantia de crescimento e desempenho, ainda assim, não é incomum encontrarmos nesse meio posições resistentes quanto sua adesão.

Deste modo, precisamos reforçar que, mesmo o agro sendo um setor promissor, cenários de instabilidades causados pelas mudanças climáticas ou baixa de safras também podem afetar seu desempenho. Quanto a isso, não existe fórmula mágica, mas sim preparo, que pode ser feito a partir da utilização de sistemas de gestão que apoiem na realização de análises preditivas, antecipando movimentos a partir da obtenção de dados lapidados.

Outro aspecto importante é que a tecnologia, por si só, não tem o poder de provocar uma transformação. Ou seja, adotar algum dos recursos descritos anteriormente sem nenhuma base ou estrutura, dificulta o alcance do resultado esperado. Sendo assim, ter o apoio de uma consultoria especializada nessa abordagem é uma estratégia vital, uma vez que a equipe irá guiar em toda essa jornada, ajudando a identificar e traçar metas alcançáveis.

Em suma, o papel da tecnologia é acelerar de forma segura o crescimento do agronegócio. Ao olharmos para 2024, o setor terá pela frente uma série de desafios, os quais podem ser desburocratizados com a utilização correta dos recursos tecnológicos, auxiliando para uma maior acessibilidade e controle operacional. Todavia, para que esse resultado seja alcançado, é fundamental que aqueles que ainda não têm essa compreensão a obtenham o quanto antes, já que o tempo não espera, e ficarão à frente só os que estiverem preparados.

Fonte: Por Alêssa Ramos, gerente de negócios da SPS Group.
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Cinco principais erros em cibersegurança no agronegócio: o que fazer?

Especialista destaca os riscos aos quais organizações do setor estão expostas.

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O agronegócio brasileiro encerrou 2023 com superávit acumulado de US$ 148,58 bilhões, um crescimento de 4,9% em relação a 2022, de acordo com dados apurados pelo Ipea. “O montante mantém o setor como uma das principais atividades econômicas do Brasil, inclusive com destaque no PIB do País. O grande problema é que essa importante representatividade têm atraído a atenção dos cibercriminosos. Os ataques têm sido dos mais variados, de simples a sofisticados”, conta Adriano Galbiati, diretor de operações da NovaRed.

Diretor de operações da NovaRed, Adriano Galbiati: “Quando o assunto é agronegócio, é preciso considerar que o potencial de um ataque bem-sucedido é bastante amplo” – Foto: Divulgação/NovaRed

executivo explica que, para se estabelecer, operar e se desenvolver de maneira eficiente e competitiva, organizações de todos os portes na cadeira do setor agro têm investido muito em tecnologia. Algumas estão adotando sistemas bastante complexos, conectados intimamente com o negócio, controlando ativos como máquinas agrícolas, sensores diversos, drones, além de processos que incluem compartilhamento de dados e acessos com terceiros, ação que está no radar da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Quando o assunto é agronegócio, é preciso considerar que o potencial de um ataque bem-sucedido é bastante amplo. Um incidente pode deixar um sistema indisponível, restringir o acesso a infraestruturas críticas, alterar e/ou paralisar o funcionamento de equipamentos, roubar informações e interferir negativamente na produção de um item perecível, no cuidado com animais, no atendimento ao cliente, no contato com fornecedores e parceiros de negócio e, em casos mais extremos, causando danos físicos a pessoas envolvidas nos processos de produção”, alerta Galbiati.

Para auxiliar as organizações do setor agro a estabelecer ou elevar o nível da própria maturidade digital, Galbiati lista os cinco principais erros em cibersegurança:

Não classificar a cibersegurança como prioridade
Muitas vezes, na ânsia de implementar uma tecnologia para elevar a eficiência do negócio, empresas de diferentes setores, incluindo o agronegócio, adotam soluções considerando apenas a popularidade, o preço e a funcionalidade, porém sem se atentar para a necessidade de avaliar se o software foi desenvolvido para, também, ser seguro. Vale destacar que, ao priorizar a cibersegurança, merece atenção tanto as tecnologias quanto as ações de conscientização e treinamento da equipe.

Não ter visibilidade dos dados e ativos
Não há como defender um ambiente digital sem conhecer a infraestrutura, os dados disponíveis e as vulnerabilidades dessa superfície de risco. Nesse quesito, é preciso considerar a existência da prejudicial prática do Shadow IT, em que diferentes áreas do negócio implementam novas ferramentas de tecnologia sem que essa ação passe por aprovação e supervisão das áreas de tecnologia e segurança da informação. Sem visibilidade, sem proteção.

Não incluir a opinião de profissionais de TI e SI nas decisões estratégicas
Ter profissionais especializados em tecnologia e segurança da informação participando da tomada de decisões estratégicas do negócio faz toda a diferença para que exista um direcionamento mais certeiro tanto com relação ao melhor uso das soluções de tecnologia existentes quanto da adequada segurança das informações. O assunto cyber segurança deve estar no board de todas as empresas.

Não estabelecer alianças com profissionais especializados em segurança da informação 
Devido à complexidade da área de cibersegurança, é útil que as empresas contem com especialistas qualificados, certificados e atualizados. O objetivo é proteger o ambiente de novas ameaças cibernéticas do mercado e evitar novos pontos de vulnerabilidade. Esse profissional pode integrar a equipe interna, mas, diante da escassez de mão de obra qualificada e do alto turnover nas áreas de TI e SI, é estratégico contratar os serviços de um parceiro externo especializado.

Pagar pelo resgate de dados
Um estudo da Cybersecurity Ventures constatou que o Cibercrime irá faturar US$ 10,5 trilhões por ano até 2025, em um crescimento anual de 15% no mundo todo. No momento de pressão, o pagamento pelo resgate dos dados roubados pode parecer a solução mais rápida para resolver o problema da organização.

Porém, é preciso considerar que as informações retornarão em um ambiente infectado e propenso a novos ataques. Ceder a essa chantagem também reforça no criminoso a certeza de que o crime compensa. “Com o aumento de ciberataques, a prevenção deve ser trabalhada para minimizar as vulnerabilidades. O início dessa jornada deve ser trilhado com um Centro de Operações de Segurança (SOC) e um Plano de Resposta a Incidentes de Segurança Cibernética (IRP). Essa estratégia, além de mitigar riscos, torna o processo de recuperação de dados menos danoso em termos financeiros, legais, reputacionais e físicos”, detalha Galbiati. “Em caso de incidentes cibernéticos, a falta de preparo e de apoio adequados pode resultar em medidas precipitadas que agravam o evento”, finaliza.

Fonte: Assessoria NovaRed
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Colunistas Mercado de carbono em 2024

O que esperar do ano que promete ser o mais quente da história

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Não dá pra falar sobre a importância das Soluções Baseadas na Natureza, como os projetos de carbono, sem avaliar as consequências das mudanças que o planeta vem sofrendo. O ano de 2023 foi, de longe, o ano mais quente da história conforme divulgado no relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Chegamos ao marco de 1,45°C acima dos níveis pré-industriais, o que é muito próximo do limite de 1,5°C estabelecido no Acordo de Paris.

E a expectativa para 2024 é que a temperatura suba ainda mais, isso porque o mundo vem sofrendo com o fenômeno meteorológico do El Niño combinado com um planeta e oceanos mais quentes. Essas mudanças climáticas não afetam somente a sensação térmica da população, mas é também responsável por temporais e má distribuição de chuvas na Terra, causando secas e inundações em diversas partes do globo e inúmeros prejuízos.

Durante a COP28, em 2023, o mercado de carbono foi amplamente discutido por ser uma das Soluções Baseadas na Natureza para combater as mudanças climáticas. Apesar de alguns desafios que o mercado de carbono enfrentou em 2023 – aqui posso citar a queda no valor dos créditos devido a fatores externos, como as guerras da Ucrânia e Gaza, e uma desconfiança gerada por algumas narrativas – mudanças positivas ocorreram e trazem boas perspectivas para o ano de 2024. Um exemplo é a aprimoração da metodologia de verificação dos créditos pelo órgão responsável, que está mais robusta e passou a inibir projetos não consistentes e condizentes com a seriedade exigida pelo mercado, fortalecendo a credibilidade de empresas sérias.

Uma tendência que já se apresentava em 2023, e acredito que ficará ainda mais evidente em 2024, é a procura por créditos gerados por meio de projetos de reflorestamento. Esses créditos, além de mais valorizados pelo mercado, ainda são responsáveis pela regeneração de biomas importantes como o Cerrado, onde há nascentes que abastecem seis das oito grandes bacias hidrográficas do Brasil e corredores de chuva formados, tão importantes para a atividade rural.

Apesar de 2024 ser um ano climaticamente desafiador, e também por isso, ele acaba sendo um ano de grandes oportunidades para o mercado de carbono que oferece uma solução sólida tanto para quem busca compensar suas emissões de carbono quanto para o proprietário rural que lucra com a conservação e regeneração da floresta.

Fonte: Por Diego Serrano, COO e diretor de ARR da brCarbon.
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