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O Brasil e a nobre missão de alimentar o mundo

O mundo precisará produzir 70% mais alimentos para atender a demanda; cerca de 90% do aumento da produção de alimentos virão dos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil

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Por Stefan Mihailov, presidente da Trouw Nutrition para a América Latina

Alimentar a crescente população mundial de forma sustentável é o maior desafio de países com vocação para produção, como o Brasil. Mas não basta ter oferta suficiente. É preciso produzir mais com menos, garantindo a segurança alimentar. Segundo a FAO, órgão da ONU para a alimentação, o número de pessoas atingidas pela fome em nível mundial diminuiu em mais de 100 milhões na última década, mas há ainda cerca de 805 milhões famintas – ou seja, um de cada nove habitantes do planeta não tem alimentos suficientes. Não podem existir fronteiras para os alimentos e temos que atacar o desperdício de frente.

O desafio é real e imediato. Há 10 mil anos, éramos 1 milhão de habitantes no planeta. Em 1800, ou seja, há pouco mais de 200 anos, chegamos a 1 bilhão de pessoas. Em 1970, 50 anos atrás, portanto, atingimos 3 bilhões de bocas. Agora, somos mais de 7 bilhões de pessoas, e em 2050, nossos filhos e netos estarão em um planeta com outras 9,8 bilhões de pessoas.

A população mundial cresce atualmente à taxa de 2,5 pessoas a cada segundo. Serão 2,2 bilhões de pessoas a mais daqui a três décadas. E com características específicas. A população idosa (mais de 60 anos) representará 22% do total (hoje é de 10%) e a população urbana chegará a 6,3 bilhões de pessoas – no ritmo atual, a cada semana 1,5 milhão de pessoas passam a viver nas cidades. A classe média deverá atingir 4,9 bilhões de pessoas até 2030: aumento de 172%. Projetando para 2050, o consumo per capita de leite e derivados crescerá 53% e o de carnes, mais de 75%.

A combinação de crescimento populacional, urbanização e aumento do poder aquisitivo provocará crescimento exponencial na demanda por alimentos. Os números são impressionantes mesmo. Os últimos 8.000 anos equivalem aos próximos 35 anos em termos de volume necessário de alimentos.

Assim, o mundo precisará produzir 70% mais alimentos para atender essa demanda. E cerca de 90% do aumento da produção de alimentos virão dos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil.

Nosso país, aliás, é um agente fundamental nesse desafio. De acordo com estimativas da FAO, o Brasil precisará aumentar sua produção em 40% para suprir a demanda mundial em 2050.

Condições para isso temos de sobra. O Brasil é essencialmente agrícola. O agronegócio representa 22% do PIB brasileiro. Entre 1997 e 2017, a produção de carne suína saltou de 1,5 para mais de 3,8 milhões toneladas: mais que dobrou. A carne bovina também cresceu de forma significativa: de 6 para 9,5 milhões de toneladas. E a produção de carne de aves saiu de 4,4 para 14 milhões de toneladas. Triplicou em apenas 20 anos.

Em grãos, a produtividade do Brasil no final da década de 1970 era de cerca de 600 kg por hectare. Nos últimos dois anos, superamos a marca de 3,5 toneladas por hectare plantado. E sem subsídios.

Há no mundo apenas três países (Estados Unidos, China e Brasil) com área total acima de 5 milhões de km2, PIB anual maior que US$ 1 trilhão e população superior a 150 milhões de habitantes. Estados Unidos e China estão localizados no hemisfério norte, com limitações climáticas para a agricultura durante vários meses no ano. A temperatura anual média na China é de 7°C e nos Estados Unidos, 8,5°C.

O Brasil, ao contrário, com temperatura média de 25°C, tem disponibilidade de água e sol, o que nos dá condição única para maximizar o uso da terra na produção de alimentos.

Já somos fortes em termos globais e nos tornaremos ainda mais relevantes. Somos número 1 em produção e exportação de suco de laranja, café e açúcar; na soja e no milho ocupamos a 2ª posição mundial em exportação e o 2º e o 3º lugares, respectivamente, entre os maiores produtores. Em breve, seremos o maior produtor mundial de soja, ultrapassando os Estados Unidos.

No complexo carnes não é diferente. O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e carne de frango e o segundo maior produtor em ambas as atividades. Em carne suína, estamos conquistando mercados de forma acelerada. Já somos o 4º em produção e em exportação, com muito espaço ainda para crescer. Em ovos e leite, ainda não temos participação relevante no mercado mundial, mas somos o 7º maior produtor mundial de ovos e o 4º maior de leite.

No mercado interno, temos o terceiro maior consumo anual per capita de carnes (87 kg por habitante), atrás somente dos Estados Unidos, que alcança 114 kg/habitante/ano, e da Argentina, com 107 kg.

Em 2018, o Brasil deverá atingir o extraordinário patamar de US$ 100 bilhões em exportações de alimentos. Os principais mercados importadores são União Europeia, Estados Unidos e China. De um total de US$ 1,1 trilhão negociados no mundo, o Brasil detém 9%.

Mas cada vez será mais difícil crescer, seja por barreiras comerciais protecionistas ou mesmo sanitárias. A sanidade, aliás, é outra vantagem competitiva do Brasil, um país sem vaca louca e sem influenza aviária, mas que deve redobrar a atenção para que não sejamos impactados por ocorrências que podem ser prevenidas.

Outra característica fantástica do nosso país é a produção sustentável. Grande produtor de alimentos, energia e fibras, o Brasil é uma potência também em preservação ambiental, com mais de 66% de seu território recobertos por vegetação nativa. E esse percentual sobe para quase 75% quando agregadas as áreas de pastagem nativa do Pantanal, Pampa, Caatinga e Cerrados, somando 631 milhões de hectares: área equivalente a 28 países da Europa somados.

Toda a produção brasileira de grãos (milho, arroz, soja, feijão etc), fibras (algodão, celulose etc) e agroenergia (cana-de-açúcar, florestas energéticas etc) ocupa apenas 9% do país. As pastagens plantadas representam 13,2% do nosso território.

Assim, estamos entre os maiores fornecedores de alimentos do mundo destinando 22,2% da área territorial para a produção. Os dados são da Embrapa Territorial, que também mostra que a área total destinada à preservação, manutenção e proteção da vegetação nativa representa 2/3 de todo o território brasileiro.

Isso não é tudo. Os produtores rurais brasileiros são responsáveis pela preservação de mais de 218 milhões de hectares de vegetação nativa, o equivalente a um quarto do território nacional (25,6%). Os agricultores preservam mais vegetação nativa no interior de suas propriedades que todas as unidades de conservação juntas. Ainda segundo a Embrapa, o valor do patrimônio fundiário imobilizado em preservação ambiental chega a R$ 3,1 trilhões. Esse compromisso exige custo de manutenção superior a R$ 20 bilhões anuais. Esta área preservada pelos agricultores e pecuaristas equivale a todo o território somado da Alemanha, Áustria, Itália, Espanha, Portugal, Benelux, Reino Unido e França.

Importante destacar que o Brasil, que já é campeão da preservação territorial, exige por lei que os agricultores e pecuaristas assumam o ônus de preservar porções significativas de seus imóveis rurais, partindo de 20% num crescendo que chega a 80% da área da propriedade na Amazônia.

Números do Banco Mundial referentes ao percentual de áreas preservadas em diferentes países em relação ao território total mostram que o Brasil preserva 4 vezes mais que os Estados Unidos, Rússia e Austrália, por exemplo. Produzir sempre mais com menos. De forma sustentável. Esse é o principal destaque do currículo do Brasil, líder entre os grandes produtores mundiais de alimentos. Esse desafio está sendo vencido. E com sustentabilidade.

 

Fonte: Assessoria

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Notícias Opinião publica

Frente Parlamentar Mista do Biodiesel refuta críticas relacionadas à mistura do biodiesel

A Frente Parlamentar Mista do Biodiesel (FPBio) considera leviano o posicionamento publicado por algumas entidades que se manifestaram contrárias à progressão da mistura do biodiesel

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Arquivo / OP Rural

O biodiesel brasileiro está entre os melhores do mundo em qualidade, com parâmetros muito mais rigorosos do que os utilizados na Europa atualmente. A produção de biodiesel no Brasil contribui para o crescimento do PIB, gera empregos na indústria e renda no campo, valoriza a agricultura familiar e reduz as emissões de carbono. Além disso, a utilização do biodiesel é significativamente mais econômica do que outros biocombustíveis que possam substituir o diesel mineral.

As informações contidas no manifesto são equivocadas. A qualidade do biodiesel foi testada em ensaios extensos, conduzidos pelo MME, MCT e ANP, com a participação dos fabricantes de automóveis, academia, produtores de biodiesel, diesel e aditivos. Foi o maior programa de testes do mundo, resultando no rigoroso padrão de qualidade dos biocombustíveis disponibilizado pelas usinas hoje.

O setor de biodiesel fez os investimentos necessários que permitiram aprimorar as especificações do biodiesel e atender à solicitação dos representantes do setor automotivo, o que garantiu o caminho à ampliação prevista da mistura até B15. Essa cadeia de produção sustentável não pode ser prejudicada por más práticas de limpeza dos tanques de distribuição e armazenagem do combustível.

A defesa de uma redução no percentual na mistura do biodiesel significa um retrocesso e reflete o desconhecimento sobre o setor, que trabalha com excelência internacional de qualidade e tem pleno controle sobre a produção.

Em ofício recente à ANP, as entidades produtoras de biodiesel requereram a abertura de consulta pública para discussão da especificação do biodiesel e do diesel conforme os novos padrões de emissões do Proconve. Portanto, o setor está na vanguarda e propõe início dos debates técnicos na agência regulatória competente para que seja aferida a qualidade de todos os produtos que compõem o diesel comercial.

Fonte: Assessoria
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Notícias Triticultura

14ª Reunião de trigo e triticale aprova novas recomendações e cultivares

Mais de 300 pesquisadores participaram do evento realizado on-line pela primeira vez na história. Comissão aprovou 13 novas cultivares de trigo e triticale

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Arquivo / OP Rural

Pela primeira vez em mais de 50 anos de história, a Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (RCBPTT) aconteceu de forma on-line. Entre os dias 27 e 29 de julho foram realizadas as plenárias que discutiram os avanços nas pesquisas, receberam novas demandas e atualizaram as recomendações para as culturas. O evento foi gratuito e com transmissão pelo YouTube. Ao todo, foram aprovadas 13 novas cultivares e quatro extensões.

No ano passado a reunião foi cancelada por conta da pandemia. Para André Cunha Rosa, presidente da edição anterior e melhorista da Biotrigo Genética, o evento é importante para atualizar as informações de pesquisa e indicações para o agricultor. “Foi uma lástima não podermos fazer isso no ano passado. Neste ano, para que os produtores não ficassem sem essas informações por mais tempo decidimos fazer on-line”. Durante a abertura, André contou um histórico das reuniões, que ocorrem desde 1969 e passou a gestão para o novo presidente: Luis Henrique Penckowski, Gerente Técnico de Pesquisa da Fundação ABC.

Também durante a abertura foi apresentada a proposta para a atualização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Entre as mudanças, estão o maior detalhamento no cultivo de trigo tropical, avaliação de risco de frustrações pelo excesso de chuva no final de ciclo, além da inserção de diferentes tipos de solo e ciclo de cultivares na base de dados. A apresentação foi feita pelo agrometeorologista da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha.

Na avaliação final do evento, o presidente da 14ª RCBPTT, Luis Henrique Penckowski destacou que os objetivos de discutir os avanços nas culturas de trigo e triticale foram cumpridos. “A nossa expectativa era bem grande. A gente tinha um pouco de receio de como ia ser porque sempre foi presencial. A reunião se desenvolveu de uma forma tão boa e ficou claro que todas as comissões trabalharam de forma muito produtiva para atualizar as recomendações”.

Durante o evento, um grupo foi formado para discutir o manejo de plantas daninhas na cultura do trigo, com uma especificidade maior para o azevém. Outro destaque é que as subcomissões reuniram características técnicas para avançar num estudo de viabilidade e gestão financeira na cultura do trigo, um tema discutido recorrentemente. “Propor um modelo de avaliação da gestão financeira da cultura do trigo reforça que o trigo se for bem gerido traz rentabilidade além de agronômica, também financeira. Subimos a régua do ponto de vista das discussões. Foi uma reunião focada e produtiva. Obviamente gostaríamos de estar todos juntos de forma presencial, mas não deixamos nada a desejar nesse formato virtual”, avalia o presidente.

A 14ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (RCBPTT) foi promovida pela Fundação ABC e Biotrigo Genética, com apoio da Embrapa Trigo e contou com o patrocínio das empresas Adama, Agrária, Apasem, Apassul, Bayer, Basf, Coamo, Cocamar, FMC, Helm, Ihara, Integrada Cooperativa, Syngenta, Unium e UPL. As transmissões das plenárias estão disponíveis na página da Reunião de Trigo no YouTube . A próxima edição, a 15ª RCBPTT, que acontece no início de julho de 2022, a Embrapa Trigo será a realizadora e contará com o apoio da Biotrigo Genética.

Cultivares aprovadas

Ao todo, foram apresentadas 13 novas cultivares. A Biotrigo Genética lançou três variedades: TBIO Blanc (ciclo médio-tardio, branqueador), TBIO Trunfo (ciclo precoce, trigo pão) e TBIO Calibre (ciclo superprecoce, trigo pão). A Embrapa Trigo apresentou uma cultivar de trigo para pastejo BRS Tarumaxi (ciclo tardio, classe outros usos) e uma cultivar de triticale BRS Zênite (ciclo precoce). Já a Tamona Agropecuária, lançou três variedades de trigos: RBO Crescente (ciclo precoce, melhorador); RBO Chimoio (ciclo médio, melhorador); RBO Combatente (ciclo médio, melhorador). As outras cultivares aprovadas foram: FPS Luminus (ciclo precoce, branqueador) da Fundação Pró-Sementes; ORSFeroz (ciclo precoce, melhorador); ORSSenna (ciclo superprecoce, melhorador); ORS Destak (ciclo médio precoce, trigo pão) e ORS Guardião (ciclo médio precoce, trigo pão), da OR Sementes.

Outras quatro cultivares tiveram aprovação para extensão de uso: ORS Madrepérola – extensão de cultivo irrigado para a região 3 do Mato Grosso do Sul; ORS Agile para os estados de SP, MS, MG, GO e PR; ORS 1403 na macrorregião 3 do estado de Mato Grosso do Sul e BRS Pastoreio: extensão de indicação de cultivo para Santa Catarina.

Trabalhos destaque

No total, foram inscritos 118 trabalhos e seis deles foram escolhidos como os melhores pelas subcomissões. São eles: Subcomissão de Ecologia, Fisiologia e Práticas Culturais: Rotação e sucessão de culturas: impacto da prática cultural sobre o trigo, por Salathiel Antunes Teixeira. Subcomissão de Entomologia: Oscilação populacional e risco de surtos de afídeos em diferentes localidades sul-brasileiras, por Eduardo Engel. Subcomissão de Fitopatologia: Caracterização molecular do vírus da espiga branca do trigo no Brasil, por Fernando Sartori Pereira. Subcomissão de Melhoramento, Aptidão Industrial e Sementes: Tamanho amostral para determinação da classe comercial indicativa de cultivares de trigo – período amostrado 2011-2020, por Eliana Maria Guarienti. Subcomissão de Solos e Nutrição Vegetal: Modelo para aplicação de Nitrogênio em taxa variável na cultura do trigo baseado em NDVI, por Maicon Andreo Drum. Subcomissão de Transferência de Tecnologia: Lacunas do rendimento de grãos de trigo na área de atuação de cooperativas do Brasil, por Adão Acosta.

Livro de recomendações

Todas as recomendações serão unidas e publicadas no livro “Indicações técnicas para trigo e triticale – safra 2022. A publicação, que será distribuída gratuitamente na forma impressa e disponibilizada também no site da Reunião de Trigo, terá informações técnicas desde a semeadura até a colheita, com dados atualizados sobre quantidade de sementes, adubação, controle de pragas e doenças, manejo de plantas daninhas, entre outros. A previsão é que a publicação esteja disponível para o setor produtivo até o final de 2021.

Homenageado

Neste ano, a Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale homenageou o engenheiro agrônomo e doutor em Ciência e Tecnologia de Sementes, Ivo Marcos Carraro. O pesquisador reconhecido como referência técnica no setor sementeiro e no cooperativismo, faleceu no último dia 10 de julho, vítima de câncer. A homenagem aconteceu durante a transmissão da plenária final da 14ª Reunião de Trigo com a presença virtual dos familiares. Diversos depoimentos lembraram sua incansável dedicação e incentivo à pesquisa, à evolução da produtividade e ao fortalecimento do agronegócio. Os relatos também ressaltaram que Carraro era uma referência não apenas técnica, mas de uma pessoa generosa, de bom convívio e respeito na sua vida familiar, como nas relações amizade e de trabalho.

Carraro foi diretor executivo da extinta Coodetec (Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola) por 39 anos. Participou ativamente das reuniões da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale e ocupou diversos cargos em importantes entidades ligadas à pesquisa e produção de sementes do país. Foi diretor da Abrasem (Associação Brasileira de Sementes e Mudas e do Centro de Pesquisas) e da Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná) e, ainda, presidiu a Braspov (Associação Brasileira de Obtentores Vegetais).

Fórum Nacional do Trigo 2021

No Fórum Nacional do Trigo , realizado na véspera da 14ª RCBPTT, as temáticas das palestras trouxeram uma visão ampla sobre o consumo do trigo num cenário pós-pandemia, contemplando desde os desafios e oportunidades para o setor produtivo até o consumidor final. O evento foi promovido pela Embrapa Trigo com o apoio da Biotrigo Genética e Fundação ABC.

Durante os 3 dias de evento, os participantes participaram de plenárias e reuniões pelo YouTube e salas do Zoom.

Fonte: Assessoria
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Notícias Paraná

Tecnologia amplia eficiência e faz de Castro referência nacional na produção de leite

Cidade dos Campos Gerais produziu 323 milhões de litros, o equivalente a quase 1 milhão de litros por dia em 2019

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Divulgação/AENPr

A cena chama a atenção. Vacas aguardam em fila indiana o momento de o robô dar os comandos e o portão abrir para iniciar uma das três ordenhas do dia. O processo se repete 24 horas por dia na propriedade dos Rabbers em Castro, nos Campos Gerais, dá a dimensão da automação que tomou conta da produção de leite no Paraná.

Mais tecnologia e menos desperdício. Equação que ajudou a recolocar o Estado no segundo lugar na produção nacional. Foram 4,4 bilhões de litros produzidos em 2018, de acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Minas Gerais lidera com 8,9 bilhões de litros e, em terceiro lugar, está o Rio Grande do Sul, com 4,2 bilhões de litros.

Ascensão que passa necessariamente pela cidade de aproximadamente 72 mil habitantes. Castro lidera a produção brasileira. O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) apontou que o leite responde por 25% da produção do município. Em 2019 foram 323 milhões de litros ou quase 1 milhão de litros por dia.

Desempenho baseado na eficiência e precisão que valeu à cidade o título de capital nacional do leite. “A região de Castro é a mais eficiente do Brasil quando falamos de leite. Só não é a maior em volume por causa do tamanho geográfico”, afirmou o secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara.

“Uma região de alta relevância, padrão elevado de tecnologia, genética, conforto animal, técnicas de manejo e normais sanitárias”, acrescentou.

Geração em geração

Armando Rabbers costuma dizer que a paixão pela pecuária leiteira veio do berço. O pai, um típico holandês, trouxe as primeiras sete vacas holandesas junto no navio em que atravessou o Atlântico para fazer a vida no Brasil.

Clima, pastagem e força de vontade colaboraram para que o negócio desse muito certo. Hoje, Armando comanda um complexo com 154 vacas leiteiras e dois robôs, tecnologia que faz toda a diferença e faria o velho Rabbers corar de tanto orgulho. São 5.700 litros por dia, uma média de 41 litros por animal, encaminhados para a Cooperativa Castrolanda, outro ingrediente para o sucesso do leite na região.

Diante de dois monitores, Armando dá as coordenadas do processo. Com poucos cliques, controla a fazenda na palma da mão. “São três ordenhas voluntárias por dia. As vacas entram na máquina quando têm vontade. O robô é só uma peça a mais”, contou o pecuarista.

O empresário Armando Carvalho é outro a fazer da tecnologia a principal aliada. A esteira com capacidade para abrigar 60 vacas por vez é quem comanda o plantel de 900 animais, responsável pela produção de 35 mil litros de leite por dia. Tudo comandado por máquinas, nos mesmos moldes de Rabbers.

“É como uma linha de montagem. A vaca se desloca enquanto o ordenhador fica parado, como apoio ao processo. Isso nos permitiu otimizar melhor o tempo e expandir”, destacou.

A estrutura, inaugurada em novembro do ano passado, já foi pensada para ser expandida. Tem capacidade de abrigar até 2.500 vacas, o que quase triplicaria a produção da fazenda. “Vamos aumentando devagar”, disse.

Sistema 

O sistema de ordenha voluntária (VMS) consiste em um braço hidráulico que executa todo procedimento de ordenha sozinho, de forma automática. Identifica a vaca, alimenta, faz a limpeza dos tetos (através de fluxo de água e ar), estimula, tira os primeiros jatos e seca. Feita essa preparação inicia a ordenha. As teteiras são colocadas após o laser identificar o posicionamento dos tetos. Todas as informações vão direto para o computador.

As vacas que saem do VMS são separadas automaticamente. Seguem para pista de alimentação, onde têm acesso à comida, água; ou para área de suplementação, onde se conseguem individualizar o fornecimento de concentrado. Esses caminhos são percorridos a partir de dois portões de seleção, que direcionam os animais, a partir da orientação vinda do robô, que ajuda no gerenciamento em relação à qual precisa ser ordenhada.

Treinamento

A região de Castro se transformou tanto em referência na produção de leite que existe na cidade até um local especializado para treinamentos, o Centro de Treinamentos para Pecuaristas (CTP). Comandado com mão de ferro pelo diretor executivo Enio Karkow, o complexo de 15 hectares oferece cerca de 25 cursos gratuitos por ano, divididos em duas modalidades: um voltado para produtores, estudantes e técnicos e outro para funcionários.

O aluno se hospeda e passa a semana na fazenda, aprendendo as nuances do trabalho. O local conta com aproximadamente 380 vacas e produz 11,2 mil litros de leite por dia. Tudo encaminhado para a Castrolanda, o que permite subsidiar os cursos. Por causa da pandemia, a expectativa é reabrir o centro de treinamento para os alunos em agosto.

“É uma base no Paraná procurada por uma infinidade de pessoas do Brasil inteiro. De maneira muito prática, ensinamos e ajudamos a melhorar a produção de leite”, explicou Karkow.

Fonte: AEN/Pr
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IPVS LATERAL 2022

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