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O agro familiar e seu papel na suinocultura

Pesquisador da Embrapa, Marcelo Miele, avalia a participação das famílias do campo no agronegócio brasileiro.

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Arquivo/OP Rural

O agronegócio sempre foi uma das principais molas propulsoras da economia brasileira e nos últimos anos evolui ao ponto de se tornar uma das grandes potências no cenário mundial. O setor foi responsável por 27,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2021, a maior participação desde 2004 (quando foi de 27,53%). O crescimento do PIB no mesmo ano foi de 8,36%, segundo cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), e da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Marcelo Miele: “A importante participação da agricultura de base familiar para o desenvolvimento rural sustentável e para a produção e preço dos alimentos no país é incontestável” – Foto: Divulgação

Muito desse ótimo desempenho do agronegócio brasileiro se deve a famílias de produtores rurais espalhadas por todo o Brasil, que utilizam a mão de obra familiar para gerar renda a si e para outras famílias de colaboradores, o que, consequentemente, ajuda a aquecer a economia dos municípios.

Em entrevista ao jornal O Presente Rural, o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Marcelo Miele, falou sobre as atividades desenvolvidas por essas famílias de produtores, em especial, dentro da suinocultura brasileira. Confira.

O Presente Rural – Como se caracteriza a agricultura familiar no Brasil?

Marcelo Miele – A produção agropecuária brasileira é caracterizada pela diversidade de atores, tanto em função do porte dos estabelecimentos, quanto em função do uso de mão de obra com laços de parentesco, ou das atividades econômicas desenvolvidas. De forma geral, os mais de 4,8 milhões de estabelecimentos do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017 se dividiam em quatro grandes grupos. Os grandes e médios produtores com mão de obra essencialmente contratada (não familiar) representavam 23% dos estabelecimentos e 33% do pessoal ocupado, mas concentravam 77% do valor da produção. Por sua vez, a agricultura familiar com mão de obra essencialmente com laços de parentesco abrangia 77% dos estabelecimentos e 67% do pessoal ocupado, mas concentrava 23% do valor da produção.

Esse grande agrupamento também é bastante heterogêneo, se subdividindo em agricultura familiar tecnificada, atuando em mercados e com tecnologias semelhantes a de grandes e médios produtores; agricultura familiar de pequeno porte, atuando em mercados locais e com baixo grau de intensificação tecnológica; e por fim a agricultura familiar voltada à subsistência e autoconsumo.

Importante destacar que a agricultura familiar encolheu entre os dois últimos Censos Agropecuários (2006 e 2017), com redução de 9,5% no número de estabelecimentos e perda de um contingente de 2,2 milhões de trabalhadores, enquanto que na agricultura não familiar houve um aumento de 35% no número de estabelecimentos e a criação de 702 mil postos de trabalho. Mesmo assim, é inegável o importante papel da agricultura de base familiar para o desenvolvimento rural sustentável e a produção e o preço dos alimentos no país.

O Presente Rural – Nesse cenário, como se situa a suinocultura?

Marcelo Miele – Na suinocultura também encontramos esses diferentes tipos de produtores e as tendências apontadas anteriormente. Podemos subdividir a suinocultura brasileira em dois grandes grupos, a suinocultura industrial e a de pequeno porte, atuando em mercados locais ou de nicho. De um lado, há a chamada suinocultura industrial, tecnificada e inserida nos mercados por meio de agroindústrias integradoras, cooperativas e vendas diretas aos frigoríficos no mercado independente. Estima-se que em 2017 era composta por 20 mil estabelecimentos agropecuários com rebanho suíno superior a 100 cabeças, que foi responsável por 93% de todos os suínos produzidos naquele ano (Tabela 1). A grande maioria dos estabelecimentos da suinocultura industrial é de base familiar (73%), mas os produtores com mão de obra contratada detêm a maior parte do rebanho (57%) e dos suínos produzidos (69%).

Em termos de porte, enquanto que o rebanho médio da suinocultura industrial de base familiar era de 844 cabeças, aqueles com mão de obra essencialmente contratada tinham um rebanho médio de 3.083 cabeças, uma escala quase quatro vezes maior. Por outro lado, há um conjunto significativo de 76 mil estabelecimentos agropecuários com rebanho entre 21 e 100 cabeças de suínos (média de 37 cabeças), que compõem o grupo de pequenos suinocultores atuando em mercados locais (Tabela 1), também predominantemente de base familiar (71% dos estabelecimentos e 69% do rebanho). Além desses dois grandes grupos, há mais de 1,3 milhão de estabelecimentos com rebanho de até 20 cabeças que criam suínos para subsistência ou autoconsumo.

Por fim, é importante destacar que entre os dois últimos Censos Agropecuários (2006 e 2017), ocorreu redução significativa no número de estabelecimentos da suinocultura industrial (-25%) e, sobretudo, da suinocultura de pequena escala atuando em mercados locais (-43%). Entretanto, enquanto que esta última pouco ampliou sua escala média, reduzindo o seu rebanho total de suínos (-34%), o segmento tecnificado quase duplicou a escala média de produção (+97% no rebanho médio por estabelecimento) e ampliou o rebanho total em 46% (Tabela 2).

O Presente Rural – Quantas pessoas estão envolvidas na suinocultura familiar no Brasil? Além da mão-de-obra familiar, essas famílias empregam mais pessoas? Essas famílias atuam em outras atividades agropecuárias?

Marcelo Miele – Estima-se que a suinocultura industrial tenha sido responsável em 2021 pelo abate de 50 milhões de cabeças (95% dos abates), ocupando cerca de 45 mil pessoas dentro da porteira, das quais 31 mil são pessoas contratadas (Rais) e 14 mil são produtores e seus familiares. Por outro lado, a suinocultura de pequena escala atuando em mercados locais foi responsável pelo abate de 3 milhões de cabeças, envolvendo aproximadamente 3 mil pessoas, sendo a quase totalidade da agricultura familiar.

De toda forma, nem todos os estabelecimentos da agricultura familiar operam apenas com pessoas com laços de parentesco. Segundo o Censo Agropecuário do IBGE, em 2017, 11% do pessoal ocupado na suinocultura de base familiar não tinha parentesco com o produtor. O inverso também se verifica, e de forma bastante contundente. Entre os suinocultores que não se enquadram no conceito de agricultura familiar, 57% das ocupações eram preenchidas pelo(a) próprio(a) responsável pelo estabelecimento agropecuário ou por pessoas com laços de parentesco com o(a) mesmo(a). Em ambos os casos, além da suinocultura, essas famílias atuam em outras atividades, com destaque para a bovinocultura de leite e grãos, em função das sinergias entre dejetos suínos e pastagens, mas também há consórcio com avicultura e piscicultura.

O Presente Rural – Quais os maiores desafios encontrados por esses suinocultores e quais os maiores benefícios em se trabalhar em família?

Marcelo Miele – Acredito que o maior desafio para os suinocultores de base familiar seja acompanhar o processo de incorporação tecnológica puxado pelos estabelecimentos de maior porte, sem que isso implique em desequilíbrios na disponibilidade de terra, capital e trabalho. Ou seja, 1) que consigam manter uma relação rebanho/área agrícola que permita o correto uso agronômico dos dejetos ou a sua exportação para lavouras de terceiros sem custos significativos de transporte; 2) que consigam repor a depreciação das instalações (25 anos) e dos equipamentos (12 anos), bem como incorporar novas tecnologias e atender exigências dos mercados e das normativas oficiais sem que isso implique em endividamento excessivo ou insolvência; e 3) que consigam atender as atividades de manejo e gestão com a mão de obra familiar disponível, de forma eficiente e não penosa com ajuda da automação, ou com apoio de mão de obra contratada, de forma legal e sem risco de acumular passivos trabalhistas.

Para os pequenos suinocultores atuando em mercados locais ou de nicho, acredito que outro grande desafio seja agregar valor a seus produtos e obter certificação a baixo custo. Isso é fundamental porque muitos dos diferenciais historicamente ligados à produção de base familiar passaram a ser adotados com eficiência por grandes produtores (economia circular com os dejetos, carbono neutro, qualidade do emprego formal, bem-estar animal, livres de antibióticos ou orgânicos).

Em relação aos benefícios, destaco a maior autonomia, a geração de renda agrícola (ou seja, o custo da mão de obra não sai do estabelecimento familiar com o pagamento de salários a terceiros) e a possibilidade de gerar sucessores, de forma a perpetuar um modo de vida que passa a ser cada vez mais identificado como a classe média rural brasileira.

O Presente Rural – Existem regiões específicas que concentram essas famílias de suinocultores?

Marcelo Miele – A região Sul concentrava 9 a cada 10 suinocultores com mão de obra familiar na suinocultura industrial (Tabela 3), com destaque para o Oeste catarinense (SC), o Noroeste rio-grandense (RS), o Oeste paranaense (PR) e o Centro Oriental rio-grandense (RS), que concentram três quartos da suinocultura industrial de base familiar.

Dentre as dez principais mesorregiões geográficas com suinocultura industrial, somente uma não é localizada na região Sul (Tabela 4).

Os pequenos suinocultores que atuam em mercados locais estão localizados sobretudo nas regiões Nordeste e Norte (Tabela 3). Apesar de haver um grande contingente disperso em todas as regiões do país, verifica-se que entre as dez principais mesorregiões geográficas com suinocultura de pequena escala voltada a mercados locais, somente uma está localizada na região Sul (Tabela 5).

O Presente Rural – Qual sua avaliação sobre a sucessão familiar nesses casos?

Marcelo Miele – Tanto em estabelecimentos de base familiar quanto nos demais, vejo uma grande diversidade de situações em relação à sucessão. Além dos aspectos culturais, há questões específicas de cada família. Mas os especialistas apontam para elementos importantes nos processos sucessórios, como o diálogo entre gerações, a delegação de tarefas, a autonomia, bem como a remuneração dos sucessores de forma condizente com o mercado de trabalho da sua região.

Apesar do elevado desemprego no país, há um mundo se abrindo para os jovens, sobretudo em atividades de tecnologia da informação (TI), e muitos optam por não permanecer no meio rural quando este não provê renda atrativa ou boa acessibilidade à internet e ao transporte para os serviços e as diversões da cidade (o meio urbano). Os relatos de negociações amparadas pela Lei da Integração (n. 13.288/2016) nas quais se preconiza valorar o custo da mão de obra familiar pelo salário-mínimo, e não pela remuneração média no mercado de trabalho da região, levantam dúvidas quanto à mensagem sendo passada para os filhos e filhas de suinocultores.

O Presente Rural – Considerando o atual cenário, qual é sua avaliação sobre o futuro da suinocultura desenvolvida com mão-de-obra familiar?

Marcelo Miele – Algumas tendências estão bem consolidadas, como o aumento de escala e da tecnificação na suinocultura industrial (Tabela 2), a capacidade da suinocultura de grande porte não familiar agregar valor e obter economia circular com o uso intensivo de tecnologias da agricultura 4.0, bem como a perda de espaço enfrentada pela agricultura de base familiar, acelerada pelo abandono de políticas públicas importantes como o programa de aquisição de alimentos.

E, apesar das grandes disparidades regionais, também é inegável a tendência à maior conectividade no campo e disponibilidade de infraestrutura de transporte, aproximando o campo da cidade. Nesse ambiente, um cenário futuro positivo para a suinocultura desenvolvida com mão de obra familiar ainda é cheio de incertezas e dependerá da capacidade desse segmento superar desafios. Há inúmeros, como reter talentos por meio da sucessão, fortalecer o associativismo e o cooperativismo entre os pequenos, acessar tecnologias de automação em pequena escala e de certificação a baixo custo que não impliquem em aumentos significativos do rebanho, obter apoio da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e de consultorias em gestão, bem como contratar mão de obra sem incorrer em passivos trabalhistas. À medida que a agricultura familiar conseguir avançar nessas pautas, melhores serão as perspectivas de um cenário de sustentabilidade da atividade no longo prazo.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Atualização técnica é fundamental para produzir suínos com mais segurança e rentabilidade, ressalta presidente da Copacol

Valter Pitol destaca que o Congresso de Suinocultores do Paraná oferece acesso a conhecimento, tecnologias e informações estratégicas para fortalecer os resultados das granjas.

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Foto: O Presente Rural

A busca por maior eficiência e rentabilidade na produção de suínos passa, cada vez mais, pelo acesso à informação e à atualização técnica. Em um setor marcado pela rápida evolução das tecnologias, exigências sanitárias e oscilações de mercado, acompanhar as transformações da atividade tornou-se um fator decisivo para a competitividade das granjas.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: ““Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”

Com esse objetivo, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná reunirá produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e especialistas no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). A Copacol está entre as cooperativas que apoiam a realização do evento, promovido pelo Jornal O Presente Rural em parceria com a Frimesa.

Para o presidente da Copacol, Valter Pitol, o Congresso representa uma oportunidade importante para que os produtores tenham acesso às informações mais recentes sobre a atividade. “Nós acreditamos que o Congresso é uma oportunidade para o suinocultor estar participando, tendo informações, acesso a tecnologias e informações completas da suinocultura”, afirma.

Segundo Pitol, o conhecimento compartilhado durante o evento contribui diretamente para a evolução técnica das propriedades e para a tomada de decisões mais assertivas dentro das granjas.

Conhecimento aplicado à produção

Fotos: Schutterstock

A suinocultura ocupa papel estratégico dentro das atividades desenvolvidas pela Copacol e por seus cooperados. Por isso, iniciativas voltadas à disseminação de conhecimento são consideradas fundamentais para fortalecer a cadeia produtiva. “Nós da Copacol temos a suinocultura, que é importante para nossos associados. A participação deles nesse Congresso é importante pelo conhecimento disseminado, pela informação e atualização técnica”, ressalta o presidente.

A programação do evento abordará temas ligados à sanidade, biosseguridade, nutrição, mercado, sucessão familiar, gestão de pessoas e regularização ambiental, assuntos que impactam diretamente o desempenho das propriedades.

Produção segura e rentável

De acordo com Pitol, o principal objetivo de toda a cadeia produtiva é garantir que o produtor tenha condições de produzir com eficiência e obter resultados econômicos sustentáveis. “Precisamos produzir suínos com mais segurança, mas acima de tudo garantir que a atividade tenha resultado econômico para o produtor”, enfatiza.

A expectativa é que o Congresso proporcione um ambiente de troca de experiências entre os diferentes elos da cadeia, aproximando produtores, cooperativas, agroindústrias e especialistas em torno dos principais desafios e oportunidades da suinocultura.

Ao concentrar em um único dia debates técnicos e estratégicos, o evento busca levar aos participantes informações práticas e aplicáveis à realidade das granjas, contribuindo para o fortalecimento de uma das atividades mais importantes do agronegócio paranaense.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade

Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

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A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”

Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.

O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.

Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.

Uniformidade das carcaças segue como desafio

Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.

O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.

Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.

Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.

Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.

Congresso reforça protagonismo do produtor

Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato

Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

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Foto: Shutterstock

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato

O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.

Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.

Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.

Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.

Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.

Gestão baseada em dados

Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN

Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.

O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.

Espaço para discutir o futuro da atividade

Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.

Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.

Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná

08h – Café de boas-vindas Sicredi

08h30 – Abertura

09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira

  • Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa

09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026

  • Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

10h10 – Coffee break

10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva

  • Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar

11h10Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade

  • Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR

11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias

  • Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale

12h10 – Almoço

13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras

  • Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep

14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo

  • Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios

14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura

  • Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL

15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor

  • Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural

15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios

  • Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
  • Moderação: Eliana Panty

16h20 – Encerramento

Somando forças com O Presente Rural 

Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.

O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.

Fonte: O Presente Rural
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