Suínos
Nutrição como ferramenta para enfrentar o banimento dos antimicrobianos
É notável o aumento de alternativas aos antimicrobianos, além de práticas para manter ou até mesmo melhorar os níveis de produtividade atuais
Como a indústria está preparando os suínos para a redução no uso de antimicrobianos? Conforme o zootecnista Éverton Daniel, ainda há uma série de fatores a serem ajustados, detalhes que envolvem, por exemplo, nutrição e manejo nas várias fases da produção. “Precisamos abordar de forma mais sistêmica o uso dos aditivos corretos na nutrição e no manejo. Isso tudo vai impactar na saúde e desempenho do animal”, argumenta.
Éverton Daniel palestrou durante a 11ª edição do Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, realizada em agosto, em Chapecó, SC. A palestra “Nutrição de leitões na fase de creche: oportunidades e desafios frente ao uso prudente de antimicrobianos” foi proferida por Éverton Daniel, que é zootecnista, mestre e doutor em Nutrição Animal. Atualmente é consultor em Nutrição de Suínos na área de Estratégia, Marketing e Tecnologia em uma multinacional.
As regras da suinocultura devem mudar com a crescente preocupação com relação ao uso excessivo de antimicrobianos. Essas moléculas sempre proporcionaram benefícios sobre a produtividade, como redução da mortalidade, melhor desempenho, diminuição da variabilidade, melhor retorno econômico. “Por isso, sempre representaram uma ferramenta importante na suinocultura”, pondera o especialista.
Com a necessidade de repensar a atividade, é notável o aumento de alternativas aos antimicrobianos, além de práticas para manter ou até mesmo melhorar os níveis de produtividade atuais. “Além de prevenir doenças, os antimicrobianos foram largamente utilizados como promotores de crescimento por décadas”, enfatiza.
O uso excessivo desses produtos contribuiu para o aumento da resistência bacteriana. Como já é realidade em outros países, o uso prudente de antimicrobianos deverá, em breve, virar rotina no Brasil. “Os antimicrobianos são utilizados com mais intensidade em animais jovens, por seu sistema imune ainda em desenvolvimento”, afirma Éverton Daniel.
A redução do uso de antimicrobianos a níveis baixos é mais preocupante em animais na fase de creche. “É a fase que apresenta mais desafios”. No entanto, práticas adotadas antes mesmo do nascimento dos leitões podem favorecer a imunidade dos animais, aponta.
O desmame é uma das etapas críticas na vida do suíno, devido às mudanças no ambiente, na fisiologia e na dieta. “Não contar com o leite materno e passar a alimentar-se de uma dieta sólida é um grande desafio”, comenta. Dietas de baixa digestibilidade, ambiente e tratos contaminados por microrganismos patogênicos, más condições de higiene/manejo e nutrição deficiente das porcas interferem diretamente na saúde dos animais. “Nestas situações, é prática comum o uso excessivo de drogas para mascarar problemas crônicos da granja, gerando resistência e desequilíbrio da microbiota intestinal dos leitões”.
Mudança de atitudes
Éverton Daniel afirma que, em um cenário de redução ou banimento de antimicrobianos, é essencial agir com excelências sobre diversos pontos. Inicia pela nutrição e manejo alimentar da matriz. A vitalidade dos leitões ao nascer e o crescimento durante a lactação repercute no desempenho na fase de creche. Para isso, o palestrante sugere programas alimentares específicos para a gestação, que atendam às necessidades de nutrição das fêmeas, especialmente com relação às sobras de energias. “Fêmeas sobrealimentadas tendem a ter edemas mamários e diminuir o consumo durante a lactação”, destaca. A nutrição da porca durante a lactação, com níveis corretos de lipídeos, melhora a qualidade do leite. Aditivos também atuam sobre a imunidade do leitão.
Após favorecer a produção suficiente de colostro pelas matrizes, através de uma nutrição adequada, é preciso garantir uma boa ingestão do mesmo. Além de uma fonte importante de nutrientes, o colostro é composto por imunoglobinas, que irão ajudar no desenvolvimento dos leitões, além de suportar os desafios sanitários futuros. “Esse trabalho é essencial em fêmeas com alto número de leitões nascidos, pois a produção de colostro não acompanha, na mesma proporção, o aumento do número de leitões”.
Everton Daniel também destacou a importância do fornecimento de ração de alta qualidade para os leitões na fase de maternidade. “O primeiro contato do leitão com dietas sólidas ainda na maternidade é importante para o amadurecimento do sistema digestivo”.
Conforme o zootecnista, várias são as ferramentas para blindar o sistema digestório do leitão dos vários agentes de risco após o desmame e, desta forma, possibilitar a redução do uso de antimicrobianos nesta fase. “Temos que abordar essas questões de uma forma sistêmica. Não existe uma receita de bolo, mas diversas atitudes na nutrição e no manejo que podem preparar o animal para enfrentar de forma mais tranquila esses desafios”.
Ainda conforme o especialista, muitas vezes é difícil conciliar algumas estratégias de nutrição com mudanças no manejo, sanidade e no ambiente. “É importante estar ciente disso, não é apenas um produto que vai fazer a diferença, mas um apanhado de práticas”, salienta. A grande questão a ser respondida, para Everton Daniel é: “Em quanto tempo você acha que as mudanças em relação ao uso de antimicrobianos vão impactar o seu negócio?”.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Dia do Suinocultor celebra protagonismo de quem impulsiona setor de R$ 63,1 bilhões
Com 5,6 milhões de toneladas produzidas e US$ 3,6 bilhões em exportações, cadeia reforça a importância dos produtores para a competitividade da proteína animal brasileira.

Celebrado nesta sexta-feira (24), o Dia Nacional do Suinocultor destaca o protagonismo dos produtores que, diariamente, sustentam a evolução de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.
Em 2025, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor chegou a R$ 63,1 bilhões, movimentando economias regionais, gerando renda e impulsionando uma ampla cadeia formada por produtores de grãos, empresas de genética, nutrição e saúde animal, transportadores, cooperativas, agroindústrias e outros segmentos.

Foto: Shutterstock
A presença internacional também ganhou força. No ano passado, o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países, gerando receita cambial de US$ 3,6 bilhões. Com esse desempenho, o país manteve-se como o terceiro maior exportador mundial. Do total produzido, 27,01% foi destinado ao mercado externo.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permaneceu como o principal destino da produção nacional. O consumo per capita atingiu 19,1 quilos por habitante em 2025, refletindo a crescente presença da carne suína na mesa dos brasileiros e a ampliação da variedade de cortes e produtos disponíveis no varejo e na alimentação fora do lar.
Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses resultados começam dentro das propriedades rurais. São os suinocultores que transformam avanços em genética, nutrição, manejo, sanidade, biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade em ganhos efetivos de produtividade, qualidade e segurança dos alimentos. “Cada tonelada

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Cada tonelada produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor” – Foto: Mario Castello
produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor. É dentro das granjas que os compromissos do setor com a sanidade, a eficiência, a qualidade e a sustentabilidade se transformam em prática. O suinocultor é o grande protagonista de uma cadeia que gera desenvolvimento para o Brasil e ajuda a garantir segurança alimentar para consumidores brasileiros e de dezenas de países”, destaca Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Presentes em diferentes modelos de produção, sejam integrados, cooperados ou independentes, os suinocultores também desempenham papel decisivo na geração de oportunidades no interior do país. A atividade fortalece municípios, mantém renda nas comunidades e estimula investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação profissional. “A competitividade da suinocultura brasileira não foi construída por acaso. Ela é resultado da capacidade de adaptação, do investimento e da dedicação de milhares de produtores. Celebrar o Dia do Suinocultor é reconhecer quem está na base de um setor que movimenta bilhões, abastece o mercado interno e leva a qualidade da proteína animal brasileira para o mundo”, conclui Santin.
Suínos
Mercado integrado paga mais pelo suíno vivo que o independente em julho
Cepea registra movimento atípico em algumas regiões do Sul, onde a elevada oferta e a demanda enfraquecida pressionam as cotações do mercado spot.
Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.





