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Novo presidente da Copagril fala dos planos, desafios e oportunidades para a coooperativa
O Presente Rural entrevistou, no início de fevereiro, o novo presidente da Copagril, Eloi Podkowa, que assumiu no lugar de Ricardo Chapla o comando da cooperativa.

Criada em 09 de agosto de 1970, por um grupo de produtores rurais, durante uma Assembleia Geral de Constituição, a Cooperativa Agrícola Mista Rondon Ltda (Copagril) atua há mais de 50 anos, na região oeste do Paraná. Atualmente os funcionários da cooperativa trabalham com a missão de Interagir tecnologia e eficiência produtiva, industrializar e comercializar produtos com excelência para satisfazer as necessidades das pessoas. Depois de ter sido comandanda por um longo período pelo presidente Ricardo Chapla, no início deste ano, a cooperativa passou a ser liderada pelo novo presidente, Eloi Podkowa.
Eloi esteve no O Presente Rural onde participou de uma entrevista exclusiva.
O Presente Rural – O senhor imaginava um dia se tornar o presidente da Copagril?
Eloi Podkowa – Sinceramente, eu nunca pensei. Só que sempre tive na minha cabeça estar me preparando, porque poderia acontecer um dia. O Ricardo (Chapla) falou eu vou parar e quero que você continue. Eu só ia continuar se tivesse o aval dele, da diretoria, para a gente ter que continuar com os negócios da cooperativa. Sendo tantos anos vice presidente, eu estou por dentro de todos os assuntos e negócios da cooperativa. Ele tem um perfil, eu tenho outro e a gente vai buscando sempre o melhor para a cooperativa, trazendo oportunidades e novos negócios. Uma visão diferente, talvez na gestão, mas sempre primando pela segurança, credibilidade, enfim, fazendo tudo com os pés no chão.
O Presente Rural – Conte um pouco da história do senhor na Copagril.
Eloi Podkowa – Eu vou contar um pouco no sistema cooperativo. Comecei nos clubes de jovens aos 14 anos. Foram as primeiras vezes que tive contato com a filosofia cooperativista. Passamos depois aos comitês educativos e depois também fui durante três anos conselheiro fiscal da Copagril. Aí fiquei um tempo sem nenhuma atividade. Em 2000 fui convidado para participar no conselho de administração. Aí participamos e fomos eleitos. Então, em 2000, quando o Ricardo assumiu, eu também assumi como conselheiro de administração. Em 2006 assumi por um ano como diretor secretário e em 2007 nós tivemos eleições gerais para administração e eu fiquei vice. Até então, eu estava como vice presidente, agora como presidente.
Então, graças a Deus, eu, dentro desse período eu tive essa preparação, fui buscando informações. Também me formei em parapsicologia, (que ajuda na) gestão de pessoas, onde você consegue transmitir esse equilíbrio para as pessoas. E a gente sempre foi muito otimista, muito perfeccionista, até em certos momentos, para a gente sempre é fazer bem feito. E a gente, durante a vida, sabia essa coisas boas. Então a gente está colhendo agora os frutos daquilo que a gente foi durante a vida. Estou muito convicto, muito otimista, muito certo daquilo que eu quero, naquilo que eu acredito. Eu tenho nos diretores um conselho também que está me apoiando e apoiou e está junto. Nós estamos muito bem alinhados e também eu tenho um feedback muito bom dos associados, que a gente também sempre buscou isso.
O Presente Rural – Todo gestor tem uma marca. Qual deve ser a marca do Eloi como presidente da Copagril?
Eloi Podkowa – A minha marca quero registrar com muito trabalho, estou ali para servir a sociedade. Tenho um propósito muito forte de que aquilo que eu quero pra mim eu quero para os outros. Eu quero fazer com que a cooperativa possa ter um crescimento exponencial e que eu possa ter uma conectividade maior com o associado para que nós possamos ouvir mais e trazer para a estratégia da cooperativa. A minha disposição, minha vontade é que eu possa realmente cumprir aquilo tudo o que eu tenho em mente e que possa deixar essa cooperativa melhor que ela está hoje.
O Presente Rural – O senhor falou em mudar um pouco a gestão e ter um relacionamento mais próximo com o associado. O senhor tem uma ideia de como vai ser a sua gestão? O que muda?
Eloi Podkowa – Dentro do nosso plano estratégico, já para cinco anos, temos já praticamente definido o que nós queremos nas linhas principais. Mas eu peço uma gestão mais compartilhada, com gestão um pouco mais junto ao nosso produtor, junto ao nosso funcionário, para que nós possamos trabalhar de uma forma mais unida, de uma forma mais otimizada. Trabalhando de uma forma mais compartilhada, ouvindo mais, escutando um pouco mais sugestões, temos muita gente, muitos funcionários que têm uma capacidade boa, pessoas que já estão muitas na cooperativa e que querem também participar. Vamos fazer de uma forma compartilhada para que nós possamos ter mais ideias, mais sugestões e, com isso, sermos mais assertivos naquilo que vamos fazendo.
O Presente Rural – Alguma mudança o senhor já pretende fazer a partir de agora ou segue a mesma linha?
Eloi Podkowa – Não temos grandes mudanças, a gente já tem um caminho para andar. Mas têm alguns processos que vamos tentar mudar. Por exemplo, as vezes os funcionários têm algumas oportunidade e eles deixam de trazer isso para a Diretoria. A gente quer diminuir essa diferença, essa distância para que eles possam trazer para nós, traçando um objetivo que seja bom para a cooperativa e também para os associados.
O Presente Rural – A Copagril tem investido muito em inovação. O que tem de novo por vir?
Eloi Podkowa – Nós temos diversas ideias e inclusive nós temos um departamento com várias pessoas que estão juntando ideias. Nós temos vários aplicativos que estão em andamento e que a gente vai estar disponibilizando. O aplicativo a gente vai trabalhando para que o produtor possa fazer os negócios já diretamente com a cooperativa. Como temos alguns lançamentos que a gente vai estar divulgando nas próximas etapas.
Eu vejo que a inovação não é uma questão diferente, é uma necessidade hoje das grandes empresas. Temos buscado inovação até na fábrica de ração. Nós temos alguns processos dentro da indústria sendo trabalhados. O que a gente quer que não seja um departamento, mas seja uma cultura da cooperativa, buscando a inovação. E não precisa ser algo grande, podem ser coisas pequenas que vão acrescentar no final grandes resultados para a cooperativa.
O Presente Rural – O ano de 2022 foi bem desafiador para o agronegócio. Como foi para a Copagril? E o que a cooperativa espera para 2023?
Eloi Podkowa – Para nós, como para todas as empresas, foi um ano desafiador. Foi bastante complicado, porque para começar nós não tivemos a safra de verão. Nós tínhamos a expectativa e colhemos basicamente um pouco e ainda de qualidade muito inferior. Qualidade ruim para nós, que tínhamos uma indústria de óleo aguardando para fazer tanto farelo como óleo. A qualidade era muito ruim. Ainda vindo de uma pandemia também, que também atrapalhou bastante, como falta de produtos porque as empresas não conseguiam mandar, dificuldade de estar buscando esses produtos, as pessoas com medo. Então foi um ano difícil, porém foi superado.
Eu vejo o ano de 2013 com otimismo, porque nós temos uma safra agora chegando. Nós não vamos ter aquela supersafra, mas vamos ter uma safra boa. Têm produtos que vão colher bem, tem outros que vão colher menos e têm produtores que já estão encaminhando até seguro com as chuvas regulares. Porém, no geral, vamos ter uma safra de razoável para boa. Então acredito que o ano já começa melhor. Nós temos a pandemia não superada, mas bem encaminhado nessa questão com as vacinas. Enfim, tudo hoje já está mais tranquilo. Eu vejo que o otimismo existe porque existe uma safra. Ela sempre traz motivação e traz mais expectativa de que o ano seja melhor. E também nós temos vários setores que ainda estamos trabalhando.
Estamos mudança de governo. A gente precisa ainda aguardar um pouco para ver como que vai ser que as coisas vão andar para a gente. Mas, em termos gerais, vejo com otimismo.
O Presente Rural – O preço dos grãos está em patamares elevados. Por um lado é bom para quem planta. Por outro lado, para quem produz proteína animal, como a Copagril, encarece os custos. Como o senhor analisa o cenário da pecuária?
Eloi Podkowa – Nós temos os preços das commodities ainda um pouco alto para quem é da área da pecuária. Para quem é dos grãos, está achando que está bom. Cada um tem seu lado e é assim. Agora os preços deram uma recuada. Tínhamos preços de soja na faixa de 180. Hoje está em 150. O desafio nosso é ter os custos compatíveis com a atividade. Nós temos hoje a atividade pecuária, que já vem de vários anos com dificuldade devido ao preço alto das commodities.
Com a safra vindo, vejo que é um ano para estar equilibrando as contas, porque recuando um pouco (o custo), o produtor pode ter um resultado, apesar que os insumos também subiram bastante para quem produz soja e milho. O que a gente espera é não ter uma atividade muito distorcida da outra, temos que ter um equilíbrio entre as partes para que possa ter o consumo. Se nós começarmos a matar demais uma atividade a outra também vai ter problemas. O produtor tem que ver também um momento melhor de ele negociar. E nós, da pecuária, vamos ter que estar fazendo mais com menos.
O Presente Rural – A Copagril tem um planejamento de atingir um faturamento de R$ 5 bilhões em cinco anos. Fale sobre esse planejamento.
Eloi Podkowa – Nós vínhamos trabalhando praticamente todo o ano passado para ter um planejamento para mais cinco anos. Dentro desses cinco anos temos projetados R$ 5 bilhões com a rentabilidade de 5% em nossos negócios. A gente teria assim uma liquidez muito boa, um resultado muito bom.
Hoje se faz um faturamento alto, porém o resultado não é tão interessante como a gente gostaria que fosse. Estamos avaliando e verificando que alguns processos podem ter melhorias. Todo ano vai estar reestruturando (o planejamento) e vendo as melhorias, as oportunidades. Pode ser R$ 5 bilhões, pode ser mais, dependendo de como nós vamos estar trabalhando e conforme a economia. Enfim, as safras vão vindo, a gente vai estar buscando, sempre atualizando, mas buscando sempre faturamento e um resultado que seja também compatível com o que cada um dos setores possa trazer para a cooperativa.
O Presente Rural – E de onde virá esse faturamento de R$ 5 bilhões? Qual é o peso de cada atividade da Copagril hoje e no futuro para o faturamento?
Eloi Podkowa – Hoje o maior peso é a atividade pecuária. Esse ano (2022), foi R$ 1,1 bilhão só da atividade pecuária. Hoje o maior faturamento é a pecuária e depois vem a indústria e os grãos, supermercados e serviços. Mas a fatia maior hoje ainda é o suíno, frango, leite e peixes.
O Presente Rural – Algum grande projeto nesse planejamento de cinco anos?
Eloi Podkowa – Temos várias ideias, algumas estudo, mas cada qual no seu devido tempo. Temos ideia de abrir novas unidades e ampliar o mercado. Temos vários negócios que a gente está engatando, mas tudo depende de boas safras, da economia. E hoje até as taxas de juro também são bastante altas, é preciso também ver o momento certo de investir.
O Presente Rural – Um desafio e uma oportunidade para 2023?
Eloi Podkowa – O desafio é nós conseguirmos atividades que ofereçam resultados e renda. Oportunidade eu vejo que nós temos condições de estar traduzindo isso de uma maneira que as vezes você não visualiza, mas através da inovação e busca de processos a gente encontra oportunidades, as vezes onde você nem espera. As oportunidades estão por tudo, desde que você consiga visualizar, enxergar elas.
O Presente Rural – Na sua opinião, como o novo governo deve se relacionar com o agronegócio?
Eloi Podkowa – O agronegócio não precisa estar sendo muito ajudado. Ele precisa, sim, taxas de juros compatíveis para que possamos investir para custear nossas safras, os investimentos. O que nós precisamos são recursos para fazer as nossas atividades andarem. Hoje nós temos tanto pequenos como grandes produtores. Todos pensam e fazem com que o negócio seja rentável para ele. Temos muitas propriedades que hoje são verdadeiras indústrias, têm duas, três atividades, são potenciais grandes. Porém, nós temos algumas dificuldades.
Às vezes, quando o produtor precisa de um recurso, esse recurso não está disponível ou, de repente, até uma outorga de água há dificuldade de você ter. Às vezes, por algum processo, uma licença é demorada. Eu acho que tudo tem que ser fiscalizado, tem que ser certinho dentro daquilo que a lei permita e exige, mas que as ações sejam mais ágeis, mais eficazes para que tudo aquilo que está sendo projetado ele possa ser executado em tempo que é programado. Alguma agilização que foi feita, temos até conseguido (mais rápido), mas passamos por isso. Acho que o governo tem essas políticas que possam estar dificultando.
A gente espera que haja um entrosamento, temos que trabalhar unidos, só assim nós venceremos e é assim que o Brasil vai prosperar. Eu vejo que o Brasil tem um potencial muito grande e tem uma atribuição muito grande também em termos de produção de alimentos. O mundo depende hoje do Brasil e nós temos que fazer da forma certa, correta, dentro da legislação e cada um fazendo o melhor.
O Presente Rural – Um recado final aos cooperados.
Eloi Podkowa – Como presidente, eu posso dizer que os associados podem ter certeza que trabalho, determinação, vontade de fazer essa cooperativa crescer não vai faltar. Podem ter certeza que a gente vai estar trabalhando com firmeza, com segurança, dando toda a credibilidade para a cooperativa.
Estamos assumindo uma nova direção, com novas pessoas, o novo conselho, mas que a gente tem uma bagagem bastante grande de conhecimento. Vamos fazer tudo aquilo que realmente for bom para a cooperativa e for para a sociedade. O cooperado pode ficar tranquilo, sossegado, que tudo aquilo que ele fizer com a cooperativa com certeza ele está fazendo e vai estar em boas mãos.
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Geopolítica, clima e logística entram no centro do debate da cadeia da soja
Seminário em Londrina (PR) vai reunir especialistas para discutir os desafios que podem definir a competitividade da soja brasileira nos próximos anos. As inscrições são gratuitas.

A relação comercial entre Brasil e China, os impactos das mudanças climáticas, os gargalos logísticos e a descarbonização da produção estarão entre os principais temas do 8º Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que será realizado nos dias 04 e 05 de agosto, na Embrapa Soja, em Londrina (PR).

Foto: R.R.Rufino/Embrapa Soja
O evento vai reunir cerca de 150 participantes, entre pesquisadores, técnicos, representantes da indústria, produtores rurais e especialistas da cadeia da soja. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site do seminário, enquanto houver vagas.
Segundo o pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja, a programação foi estruturada para discutir fatores que influenciam diretamente a competitividade do setor. “Vamos debater a geopolítica e a relação comercial entre Brasil e China, além dos desafios e oportunidades da cadeia da soja brasileira. Também teremos discussões sobre cultivares adaptadas às mudanças climáticas, logística, descarbonização e o papel do biodiesel na sustentabilidade da produção”, afirma.
Para Daniel Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, manter a liderança brasileira no mercado internacional depende não apenas do volume produzido, mas também da qualidade do produto.”Preservar nossa liderança exige um debate técnico constante sobre a qualidade da soja brasileira. Garantir um produto de alto

Foto: Shutterstock
padrão para as indústrias nacional e internacional de óleos e farelos é o que realmente define a competitividade do setor”, destaca.
O seminário é promovido pela Embrapa Soja em parceria com entidades representativas da produção, da indústria e da exportação de grãos, entre elas Abiove, Anec, Aprosoja Brasil, CNA, Sistema OCB e Sindirações.
Brasil amplia liderança
O encontro ocorre em um momento de expansão da produção brasileira. Na safra 2025/26, o país colheu 180 milhões de toneladas de soja, em uma área próxima de 48 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No mesmo período, os Estados Unidos produziram 116 milhões de toneladas.
Além da produção recorde, o processamento industrial também segue em crescimento. A Abiove estima que o Brasil processe 63 milhões de toneladas de soja em 2026, com produção de 48,6 milhões de toneladas de farelo e 12,65 milhões de toneladas de óleo de soja.
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El Niño pode encher os silos e esvaziar as margens
Pesquisa aponta que o clima deve favorecer a produção agrícola, enquanto a maior oferta tende a pressionar as cotações das commodities.

O El Niño previsto para o ciclo 2026/2027 tem potencial para se tornar um dos eventos climáticos mais intensos da última década. Para a agricultura da América Latina, especialmente no Brasil e na Argentina, o fenômeno pode favorecer a produção de grãos e oleaginosas, mas também trazer um efeito colateral: mais oferta no mercado e menor rentabilidade para o produtor.

Foto: Fernando Dias
A avaliação é da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, que analisou os impactos econômicos do fenômeno climático sobre diferentes regiões do mundo. Confira aqui o estudo completo.
Com base em episódios anteriores de El Niño, o estudo mostra que a produção agrícola brasileira tende a superar a média histórica. Em 2015, por exemplo, a safra de soja ficou cerca de 4% acima da tendência dos cinco anos anteriores, enquanto a produção de café arábica registrou desempenho aproximadamente 5% superior ao esperado.
Segundo os pesquisadores, o aumento das chuvas no Sul da América do Sul favorece o desenvolvimento das lavouras e amplia a oferta de alimentos. No entanto, esse crescimento da produção pode pressionar as cotações das commodities agrícolas, reduzindo a margem dos produtores.
Outro desafio apontado pelo levantamento é a capacidade de armazenagem. Em anos de safra cheia, a oferta elevada

Foto: Shutterstock
tende a ocupar rapidamente os silos, elevando os custos de estocagem tanto para produtores quanto para tradings.
Efeitos diferentes dentro do Brasil
Embora o El Niño favoreça boa parte das áreas agrícolas do Centro-Sul, seus efeitos não são uniformes. O estudo destaca que a Região Norte e a Amazônia podem enfrentar períodos de seca mais severos, com reflexos sobre a navegação fluvial, a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de alimentos.
Esse cenário também pode exercer pressão sobre a inflação em países como Brasil, Colômbia e Peru, principalmente por impactos na logística e nos custos de produção.
Oferta maior e preços menores
No mercado internacional, a expectativa é que o aumento da produção de soja e milho na América Latina contribua para ampliar a oferta global de alimentos e aliviar parte das pressões inflacionárias observadas em outras regiões.
Por outro lado, exportadores brasileiros podem se beneficiar do maior volume embarcado, enquanto indústrias processadoras e empresas expostas à volatilidade das commodities agrícolas tendem a enfrentar um ambiente mais desafiador diante da possibilidade de queda nos preços.
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Frete rodoviário terá novas regras, mas sem piso nacional para caminhoneiros
Proposta amplia as penalidades para quem descumprir o piso do frete, altera as regras de fiscalização e prevê atualização semestral da tabela de preços.

O piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros de longa distância ficou fora da versão final da Medida Provisória nº 1343/2026 que atualiza as regras do frete rodoviário. Aprovado pelo Senado, o texto segue para sanção presidencial com mudanças no cálculo do piso mínimo do frete, na fiscalização do transporte de cargas e nas penalidades aplicadas ao setor.

Foto: Geraldo Bubniak
A previsão de uma remuneração mínima mensal não fazia parte da proposta original do governo. O dispositivo foi incluído durante a tramitação na Câmara dos Deputados, mas acabou retirado pelo Senado sob o entendimento de que o tema não tinha relação direta com o conteúdo da medida provisória.
Com isso, a remuneração dos motoristas profissionais de longa distância continuará sendo definida por acordos e convenções coletivas de trabalho.
Anistia a multas
Além das mudanças nas regras do frete, a proposta concede anistia a caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias durante as manifestações de 2022. O perdão das penalidades foi incluído durante a tramitação da medida provisória no Congresso.
O texto também transforma em advertência as multas aplicadas até a publicação da futura lei por descumprimento

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das regras do piso mínimo do frete, como o pagamento abaixo dos valores previstos na Lei nº 13.703/2018. A medida vale para processos ainda em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas que ainda não foram quitadas.
A conversão não se aplica a casos de fraude, uso de documentos falsos ou omissão deliberada de informações. Também não haverá devolução de valores já pagos. O direito dos transportadores de cobrar diferenças de frete e indenizações previstas em lei permanece assegurado.
Além das anistias, a proposta promove uma ampla atualização da legislação do transporte rodoviário de cargas. Entre as principais mudanças estão novos critérios para o cálculo do piso mínimo do frete, atualização semestral da tabela de referência, reforço da fiscalização, endurecimento das penalidades para quem pagar abaixo do piso, novas regras para o cadastro de transportadores e alterações na fiscalização do peso dos caminhões.

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Frete mínimo
O projeto altera as regras de cálculo dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas. A tabela deverá considerar os custos operacionais da atividade, como os relacionados a combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários e tempo de carga e descarga.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá firmar parceria com a Infra S.A. para elaborar os cálculos dos pisos. O texto também atualiza conceitos da legislação e cria a definição de veículo de carga de pequeno porte (com capacidade útil superior a 500 quilos e peso bruto total de até 3,5 toneladas) e a de carga a granel pressurizada (categoria utilizada para determinados tipos de transporte especializado).
A atualização da tabela de frete deverá ser semestral. Quando houver variação igual ou superior a 5% no preço dos combustíveis, a ANTT deverá publicar os novos valores em até três dias úteis.
Fiscalização
O texto aprovado também altera regras de fiscalização, cadastro e penalidades no transporte de cargas. Empresas que

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pagarem frete abaixo do piso mínimo poderão ter o registro suspenso em caso de descumprimento reiterado (com mais de quatro infrações em seis meses). As multas para reincidentes poderão variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão e, em caso de nova reincidência, poderão ser aplicadas em dobro. Nos casos mais graves, o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) poderá ser cancelado por até 24 meses.
A proposta mantém a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), estabelece prazo de até 30 dias úteis para pagamento do frete e prevê adiantamento mínimo de 70% para transportadores autônomos. O texto também determina a revalidação anual do RNTRC e permite que inscrição, atualização e manutenção do cadastro sejam feitas gratuitamente por plataforma digital do governo federal.

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A medida também altera as regras de fiscalização do peso dos veículos de carga. Para caminhões com peso bruto total regulamentar (definido pela regulamentação) de até 74 toneladas, a verificação deverá considerar inicialmente apenas o peso total do veículo. A medição por eixo será feita quando houver excesso acima da tolerância de 5% no peso bruto total ou em situações específicas definidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O limite de tolerância para o peso por eixo permanece em 12,5% acima do permitido.
Segundo o texto, a regra busca adequar a verificação às características das operações de transporte, preservando a segurança nas rodovias e a conservação do pavimento. A proposta também prevê inspeções periódicas dos registradores de velocidade e tempo, e permite o uso dos dados do tacógrafo como prova de infrações por excesso de velocidade.
Além disso, o texto transforma em advertência as infrações administrativas relacionadas ao excesso de peso por eixo cometidas até a publicação da lei resultante da proposta. A medida alcança processos em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas aplicadas que ainda não tenham sido pagas. Valores já quitados não serão devolvidos.
Outros pontos
Na área previdenciária, o transportador autônomo poderá optar por recolher diretamente sua contribuição ao

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Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), desde que formalize a escolha. Com a adesão ao modelo, o próprio profissional passa a ser responsável pelo recolhimento, sem alteração das demais obrigações previdenciárias das empresas contratantes.
A MP amplia os objetivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), que poderá apoiar iniciativas de renovação de caminhões e implementos rodoviários, capacitação de motoristas, adoção de tecnologias e ações de saúde e segurança. O texto também cria uma Política Nacional Permanente de Renovação da Frota, com prioridade para transportadores autônomos e cooperativas.
As novas regras terão período de transição. Sistemas, registros e autorizações atuais continuarão válidos até a regulamentação das mudanças, que deverá ser feita em até 180 dias. Empresas e transportadores terão prazo mínimo de 60 dias para adaptação às novas obrigações.




