Conectado com
VOZ DO COOP

Colunistas

Nova guerra fiscal de ICMS traz insegurança jurídica ao agronegócio

A única certeza que se tem até o momento é que o tema está longe de uma pacificação, pois, mesmo após a extinção do ICMS em decorrência da reforma tributária, teremos muitas discussões envolvendo créditos acumulados do imposto e temos até abril deste ano para conferir a solução adotada pelos estados.

Publicado em

em

Advogada especialista em Direito Tributário, Leilaine Pereira - Foto: Divulgação

A questão envolvendo débitos e créditos de ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) é uma grande preocupação de longa data dos grandes contribuintes que atuam no agronegócio e que possuem filiais em vários estados da Federação, especialmente a partir da vigência da Lei Kandir (LC 87/1996).

Com o aumento de demandas no judiciário questionando a legalidade da tributação do ICMS nas operações de transferências interestaduais, o STJ tentou pacificar a questão ainda no ano de 1996 e declarou não haver incidência do imposto nas operações de transferência entre estabelecimentos situados em outros estados e do mesmo titular, editando a Súmula 166. No entanto, nada tratou acerca do reflexo do creditamento do imposto nessa mesma operação, ou seja, a orientação do judiciário acabou restrita ao “débito” do imposto (não destaque).

De lá para cá, dada a forte resistência dos Estados ao cumprimento da Súmula 166 (não exigir o destaque do ICMS nas transferências interestaduais), empresas ligadas ao agronegócio tiveram que recorrer ao judiciário, pois continuavam sem saber qual decisão acatar. Toda essa instabilidade jurídica (judicial e administrativa), exigiu o dispêndio de horas e um custo elevado na construção de um planejamento tributário adequado, vez que cada estado possui regramento próprio, tanto para o débito, concedendo inúmeros incentivos, quanto para o crédito do ICMS, o que na maioria das vezes, está condicionado à tributação efetiva da cadeia anterior. Aqui está o ponto mais sensível para o agronegócio que, historicamente, possui um tratamento especial na maioria dos estados, mediante a concessão de desonerações variadas, desde a produção rural, até a atividade da agroindústria.

Tamanha instabilidade jurídica desaguou no STF no ano de 2017, mediante a propositura da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 49, pelo estado do Rio Grande do Norte, que objetivou a declaração de constitucionalidade acerca da incidência do ICMS nas operações de transferência de mercadoria. Naquele período, o estado sustentou que estabelecimentos, ainda que do mesmo contribuinte, são considerados autônomos, o que justificaria a incidência do ICMS em transferência, inclusive em operações interestaduais, e inaugurou a discussão quanto ao destino do crédito apurado nessa mesma operação (operação anterior).

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou por unanimidade a improcedência do pedido formulado na ADC 49, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 11, §3º, II, 12, I, no trecho “ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular”, modulando os efeitos dessa decisão até 31/12/2023, restando delegado ao Congresso Nacional, a edição de Lei Complementar apta a regulamentar esses efeitos, tanto do débito, quanto do crédito.

Resumidamente, a ADC49 trouxe para a mesa do STF, após 27 anos da Lei Kandir,  a necessidade de decisão sobre o equilíbrio entre o crédito e benefícios concedidos nas aquisições desse contribuinte transferente, e uma transferência sem o destaque do imposto para outro estado.

Antecipando esse movimento, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) saiu na frente e publicou em novembro do ano passado o Convênio 174/23, que nasceu com inúmeras críticas em razão de pontos conflituosos com a ADC 49. O Convênio estabeleceu, a partir de 1º/01/2024, a obrigatoriedade do lançamento do débito do ICMS e da transferência do crédito da operação anterior para o estado de destino da mercadoria, além da previsão da manutenção de benefícios concedidos pelo estado de origem.

Face às críticas, por meio do Ato Declaratório 44/2023, o Confaz publicou a rejeição integral do Convênio 174/23, motivada pela quebra do acordo por parte de alguns estados, iniciada pelo Rio de Janeiro. O convênio 174/2023 foi substituído posteriormente pelo Convênio 178/2023 (1º/12/2023), que manteve as previsões anteriores via Confaz e inaugurou em definitivo uma nova guerra fiscal de ICMS. Dessa vez a discussão é sobre onde deverá ser mantido o crédito devido nas remessas em transferências interestaduais, como deverá ser calculado, e especialmente, o reforço à dúvida sobre eventuais efeitos colaterais, como a obrigação de estorno de benefícios concedidos pelo estado de origem.

Como o agronegócio atua diretamente com investimentos e operações interestaduais, essa insegurança provocada pelo Confaz mobilizou o setor e outras entidades de classe de tal modo que o assunto teve um desfecho acelerado em Brasília, resultando na sanção pelo Presidente Lula da Lei Complementar 204 no dia 28.12.23 (oriunda do Projeto de Lei Complementar 116/23), nas vésperas do recesso legislativo.

Com isso, enfim a Lei Kandir foi atualizada pela LC 204/23 e passou a prever que a partir de 1º/01/2024, além da não incidência do ICMS sobre as transferências de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte, fica assegurada a manutenção do crédito relativo às operações e prestações anteriores em favor do contribuinte, inclusive nas hipóteses de transferências interestaduais em que os créditos serão assegurados (i) pelo estado de destino, por meio de transferência de crédito, limitados aos percentuais estabelecidos para alíquotas interestaduais, (ii) pelo estado de origem, em caso de diferença positiva entre os créditos pertinentes às operações e prestações anteriores e o objeto de transferência.

Ocorre que alguns estados, a exemplo de São Paulo, iniciaram a internalização do Convênio 178/23 antes da publicação da LC 120/23, gerando incerteza quanto às regulamentações envolvendo o crédito. Enquanto que outros estados iniciaram a internalização mais recentemente, como o Paraná ( via Decreto 4.709/2024), contudo, desconsiderando as previsões da LC 204/23 e trazendo pontos duvidosos quanto à apuração do crédito, reflexos no ICMS ST e emissão da nota fiscal.

Por tal razão, na reta final de 2023, o Confaz publicou emergencialmente os Convênios de 225/2023 e 228/2023, além da Nota Orientativa 01/2024, tudo para acalmar os contribuintes e orientar que mantenham a tributação e emissão dos documentos fiscais conforme práticas adotadas em 2023, até que sobrevenham regulamentações mais precisas, com prazo limite em abril de 2024.

Para o agronegócio, resta uma insegurança jurídica extremamente preocupante, pois inúmeras cooperativas e agroindústrias realizaram nos últimos anos expressivos investimentos e forte expansão dos negócios, mediante abertura de filiais em outros estados, tudo isso considerando o destaque do ICMS nas transferências e sem a preocupação de efeitos colaterais nas desonerações anteriores concedidas pelos estados onde possuem matrizes e de ondem partem as mercadorias produzidas.

O receio está no risco de alguns estados se sentirem prejudicados (eventual queda na arrecadação do ICMS ou migração de negócios para outros estados) e adotarem práticas arbitrárias, mediante abertura de fiscalizações ou cobranças em face das grandes agroindústrias e cooperativas do país, em razão do cálculo do crédito que será objeto de transferência para os estados de destino, dos compromissos firmados previamente em regimes especiais, da aplicação de diferimento condicionado e demais incentivos previstos em regulamentos.

Exemplo maior está concentrado nos estados de Tocantins, Piauí e Maranhão, que estão em destaque na produção e escoamento de grãos para todo o Brasil.

Frente a todo esse impasse, é importante que as entidades de classe atuem fortemente em Brasília, seja no âmbito do Congresso Nacional que está concentrado na edição das Leis Complementares responsáveis pelas regras de transição e a nova carga tributária objeto da Reforma tributária aprovada em 2023, o que inclui a futura extinção do ICMS, como também a participação efetiva no atual debate e alinhamento no Confaz, entidade que tem a missão de equilibrar os interesses entre todos os 26 estados e DF e de criar uma regulamentação eficiente desse novo instituto (repasse dos créditos das operações de transferências interestaduais para o estado de destino).

O fato é que esse novo instituto pode infelizmente representar aumento na carga tributária estadual, aumento de custos com adequações fiscais, com novos litígios judiciais e administrativos e, ainda, num retrocesso social em face dos estados com baixa atividade agroindustrial.

Mas, a depender da espécie de mercadoria e estados envolvidos, o fim do destaque do ICMS e início da remessa do crédito para o estado de destino, pode representar também uma harmonização benéfica na carga tributária estadual do segmento, daí a importância de uma imediata revisitação do planejamento tributário adotado pela empresa (passado e futuro).

Nesse sentido, é essencial que as empresas contem com uma assessoria jurídica e fiscal adequada, pois o ano de 2024 deverá ser marcado pela multiplicação de litígios judiciais, o que requer muita cautela com “o que” será demandado no judiciário e “contra qual estado demandar”, sob pena de haver uma precariedade técnica nas decisões judiciais e a antecipação de problemas na esfera administrativa (fiscalização e tributação arbitrárias) com diversos estados.

A única certeza que se tem até o momento é que o tema está longe de uma pacificação, pois, mesmo após a extinção do ICMS em decorrência da reforma tributária, teremos muitas discussões envolvendo créditos acumulados do imposto e temos até abril deste ano para conferir a solução adotada pelos estados, via Confaz, em cumprimento da decisão do STF na ADC 49.

Fonte: Por Leilaine Pereira, advogada especialista em Direito Tributário.

Colunistas Editorial

Semeando a discórdia e a desordem

Neste momento crucial, conclamamos as autoridades competentes a agirem com firmeza e determinação para garantir o cumprimento da lei e a preservação da ordem pública.

Publicado em

em

Foto: Bing

Nos últimos dias, o Brasil testemunhou uma série de invasões de terras promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), uma prática que merece uma condenação veemente e inegociável. O país, reconhecido mundialmente como uma potência agrícola, tem sua reputação manchada por ações que atentam contra a segurança jurídica e a ordem pública.

O agronegócio brasileiro é um pilar essencial da economia, sustentado por milhões de produtores de diferentes escalas, desde pequenos agricultores até grandes empreendimentos, que dedicam suas vidas ao trabalho árduo no campo. São esses homens e mulheres que, ao longo de gerações, alimentam não só a população brasileira, mas também contribuem significativamente para a segurança alimentar global, fornecendo produtos de qualidade e competitivos nos mercados internacionais.

Entretanto, ações como as invasões promovidas pelo MST representam uma ameaça direta a esse setor vital da economia. Apesar de reconhecermos a importância da reforma agrária e a necessidade de garantir o acesso à terra para os brasileiros, é inaceitável que tais questões sejam abordadas por meio de invasões ilegais e truculentas.

É fundamental ressaltar que o MST não representa os verdadeiros agricultores do Brasil. Ao contrário, é composto por indivíduos que muitas vezes são utilizados como massa de manobra por interesses políticos que visam apenas semear a discórdia e a desordem. Esses atos de violência e desrespeito à propriedade privada só servem para atrasar o progresso e dificultar o desenvolvimento do nosso país.

Neste momento crucial, conclamamos as autoridades competentes a agirem com firmeza e determinação para garantir o cumprimento da lei e a preservação da ordem pública. É hora de reafirmarmos nosso compromisso com a legalidade, a justiça e o progresso do Brasil.

Fonte: Por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe do Jornal O Presente Rural
Continue Lendo

Colunistas

Recria acelerada potencializa a produção de bezerros para esportes equestres

Animais devem possuir uma boa conformação corporal, fortes e possuir agilidade visando avaliar o bom desempenho dos cavaleiros e cavalos

Publicado em

em

Guilherme Augusto Vieira[1]

O mercado de equinos é um segmento muito importante do agronegócio brasileiro, no qual os animais têm uma importância fundamental na lida (trabalho) diária nas fazendas brasileiras, onde também ocorre uma intensa comercialização de animais, visando principalmente as práticas de lazer e as competições (esportes equestres).

Segundo o Portal do Agronegócio (2023), o setor movimenta cerca de R$ 30 bilhões, emprega mais de três milhões de pessoas, contando ainda com um rebanho de 5,5 milhões de animais.

Diante desta perspectiva, vale destacar a movimentação financeira e econômica da Vaquejada, esporte praticado nas regiões norte e nordeste, no qual são utilizados cavalos Quarto de Milha. Segundo a ABVAQ[2], a associação chancelou mais de 300 eventos oficiais em 2022, movimentando algo em torno de R$800 milhões ao ano, números que evidenciam a importância econômica desta modalidade.

A cadeia produtiva da equinocultura além da lida, compra e venda de animais, congrega outros elos importantes como indústrias de rações, segmento de produtos veterinários, varejo agropecuário, ferrageamento, fazendas produtoras de feno, selarias, serviços veterinários, entre outros (VIEIRA, 2012).

As raças de equinos têm nas suas Associações de Criadores uma forte incentivadora na coordenação dos registros, comércio e venda de animais para lida, lazer e esportes, participação em feiras agropecuárias e elaboração de exposições especializadas das raças.

Outra atuação importante das associações é a realização de provas de esportes equestres (modalidades esportivas) que geralmente ocorrem nos ambientes das exposições especializadas das raças.

Dentre as competições envolvendo equinos destacam-se as provas de marcha (raças Mangalarga Marchador, Mangalarga Paulista, Campolina); as provas de funcionalidade, características de algumas raças como a raça Quarto de Milha[3] (Team Penning, Apartação, vaquejada, corridas), raça Cavalos Crioulo (Freio de Ouro[4]).

Vale destacar que as provas de funcionalidade destas raças necessitam da presença de bovinos, simulando a lida diária no campo (apartação, mangueira e Team Penning) ou práticas esportivas (no caso da vaquejada).

Geralmente, os animais utilizados nas provas de funcionalidade devem possuir características especiais que atendam as especificidades das provas, geralmente utilizam animais jovens, bem conformados e ágeis.

O presente artigo tem como objetivo descrever a produção destes animais utilizando o processo de recria acelerada, o preparo dos animais assim como recuperar os animais pós provas.

 

As modalidades esportivas e os animais utilizados

Neste item serão abordadas algumas provas de funcionalidade (modalidades esportivas) de algumas raças (cavalos Quarto de Milha e Crioulo), nas quais são utilizados bovinos com diversos pesos e idades, visando avaliar a habilidade dos cavaleiros e dos cavalos. Os bovinos utilizados devem possuir boa conformação, ótimo escore corporal (não podem ser magros e nem obesos), sadios, possuírem perfeito estado de saúde, além de serem ágeis e apresentarem vitalidade.

Segundo os praticantes consultados, membros das associações, as provas[5] descritas despertam enorme interesse por parte dos competidores, possui intensa movimentação financeira com a comercialização dos animais, transportes, premiações, shows etc.

Neste contexto, dentre as provas em que são utilizados os animais Quarto de Milha[6] , destacam-se a Apartação, Team Penning e Vaquejada:

  • Apartação: Essa prova coloca o cavalo Quarto de Milha contra uma rês, numa batalha de desejos. Cavalos de apartação devem possuir “Senso do Gado”, que é a habilidade de auto pensar e auto manobrar um boi. Cavalo e cavaleiro devem se mover calmamente para dentro do rebanho, apartar um animal do rebanho, dirigí-lo ao centro da arena e mantê-lo afastado do rebanho. O cavaleiro deve impedir que o boi, já apartado retorne ao resto do rebanho. O cavalo de apartação deve combinar os movimentos com o boi, antecipando todas as suas manobras. Geralmente são utilizados bezerros pesando entre sete a nove arrobas, mestiços de raças taurinas ou anelorados, com idade variando entre oito a dez meses.
  • Team Penning: A prova baseada nas tarefas originais dos cowboys da era Western. Realiza-se com um time de três cavaleiros que deve isolar (separar) três cabeças de gado especificamente identificados do rebanho e então colocá-las em um curral do lado oposto da arena em 120 segundos de tempo limite. Os cavaleiros devem separar o gado designado a eles, tomando cuidado, para não deixar que mais de quatro reses cruzem a linha de partida, causando a desclassificação. Originalmente os animais utilizados são taurinos, mas dependendo das regiões no Brasil, utilizam-se animais mestiços, anelorados, pesando entre oito e doze arrobas, variando na idade de oito a 14 meses. Não podem ser animais muito pequenos, pois podem passar por baixo dos cavalos e atrapalharem o seu desempenho.
  • Vaquejada: Conforme descrito anteriormente, essa modalidade é muito praticada nas regiões Norte e Nordeste do País, onde os vaqueiros participam em dupla formada pelo puxador e o esteira. A competição tem duas fases: classificatória e a disputa. O esteira terá que controlar o boi desde a saída do brete e passará o rabo da rês para o puxador que fará sua derrubada dentro de uma área estabelecida (entre duas faixas pintadas de cal com um vão de 10 metros). Este trabalho só será válido se o boi ao cair estiver com as quatro patas para cima e se levantar totalmente dentro das faixas sem tocá-las. Os animais utilizados nesta modalidade obedecem a dois critérios quanto ao seu peso e tamanho: Na fase inicial, a Classificatória, são utilizados animais pesando entre oito e quatorze arrobas, dependendo também da categoria dos participantes. Na fase decisiva denominada de Disputa, os animais utilizados são aqueles pesando acima de 14 arrobas.

Cabe aqui neste artigo um registro de outra modalidade de prova equina que movimenta os três estados da Região Sul do Brasil: A prova Freio de Ouro realizada com os Cavalos Crioulos[7], chancelada pela ABCCC[8].

Esta prova é dividida entre as fases de avaliação morfológica e funcional dos animais, culminando com as provas de Apartação-Mangueira (a prova testa a habilidade do conjunto para a lida no campo, com a apartação e a capacidade de manter o novilho apartado) e a Prova de Campo, que tem finalidades vaqueiras. Formam-se duplas, e o desafio consiste em perseguir o novilho até o final, onde os cavalos devem fechar a frente dos bezerros antes do final da raia, denominando este desafio de Freio de Ouro. Os animais utilizados devem possuir as mesmas características e pesos descritos anteriormente, e no sul do Brasil são utilizados animais taurinos ou mestiços.

 

A Recria Acelerada e a produção de animais melhor acabados

A fase de cria na produção de bovinos de corte corresponde a fase da gestação da vaca, nascimento até o desmame dos bezerros.

A recria compreende a fase entre a desmama até o momento que o animal é encaminhado para a reprodução ou terminação.

Segundo Vieira (2022) a recria no Brasil é comprometida devido as condições de clima e qualidade das pastagens, principalmente no período seco do ano, afeta o desenvolvimento dos bezerros no qual se observa o aparecimento de doenças (verminoses, problemas nutricionais etc) resultando no atraso dos bezerros tanto na desmama quanto pós-desmama o que contribui para alongamento do ciclo produtivo da pecuária de corte derivando animais tardios tanto para o abate quanto para a reprodução (cios e idade ao primeiro parto comprometidos).

Qual a consequência: longo tempo do período da recria, onde os animais permancem na fazenda provocando altos custos operacionais.

As fazendas de cria e recria[9] tem o desafio de inserir em seus processos produtivos, tecnologias nos manejos sanitários e nutricionais e com isso encurtar o período de recria e o tempo decorrente da pós-desmama (minimizar o stress pós desmama) ao início da engorda (machos) e o período reprodutivo precoce (fêmeas), melhorando a eficiência produtiva dos animais.

Reduzir o tempo de recria é importante para os animais aumentar o peso, elevar a sua taxa de crescimento e conseguir obter os resultados que vem a ser os novilhos e novilhas precoces.

Como e quando implantar? Em que consiste o programa de recria acelerada?

O programa de recria acelerada deve ser realizado o ano todo na fazenda, lógico que depende do fluxo produtivo. Se a fazenda faz cria e aparta os animais para recria, inicia-se o programa antes da desmama. Se a fazenda adquire bezerros desmamados, começa logo após a chegada dos animais, conforme será descrito a seguir.

O programa consiste em fornecer aos animais manejos nutricionais e sanitários diferenciados e qualificados com a finalidade de proporcionar aos animais um máximo desempenho e consequentemente uma boa produtividade e lucratividade, a se destacar (VIEIRA, 2022):

  1. Manejo nutricional
  • Pastos de qualidade (pastagens adubadas e com manutenção periódica). Na época seca oferecer suplementação com silagens de milho, sorgo ou de capim.
  • Logo após a desmama ou aquisição de bezerros desmamados, durante a primeira fase 6 a 8 arrobas, além das pasto e silagens, oferecer proteinados ou rações com alto teor de proteínas.
  • Após esta fase, começa propriamente a recria acelerada com o fornecimento de forragens mais ração, se possível em piquetes com pastagens diferidas e com uma boa taxa de lotação além de fornecimento de água de boa qualidade.

 

  1. Manejo sanitário
  • Vermifugação estratégica, pelo menos 03 (três) vermifugações durante o período da recria, podendo utilizar endectocidas ou vermífugos específicos;
  • Além das vacinas básicas (consultar o calendário regional), recomenda-se duas aplicações da vacina contra as clostridioses durante o período produtivo;
  • Controle e monitoramento da infestação dos ectoparasitos (carrapatos, moscas e berne);
  • Aplicação de suplementos injetáveis a base minerais, aminoácidos e vitaminas. Esses suplementos, a depender da idade e peso dos animais, e com indicação do Médico Veterinário, deve ter aplicações estratégicas no início da recria acelerada, durante o período produtivo visando potencializar o ganho de peso, desenvolvimento muscular e corpóreo. Também devem ser aplicados após os animais retornarem das provas visando a recuperação destes e reposição de nutrientes.

Ao analisar a produção de bezerros (as) para “Recria Acelerada”, todos os nutrientes (proteínas, lipídeos, carboidratos, minerais, vitaminas e aminoácidos) são importantes para chegar ao objetivo pretendido. Os nutrientes são obtidos a partir da ingestão dos alimentos ou por meio da suplementação oral ou injetável.

Os aminoácidos merecem atenção especial já que se pretende produzir animais jovens, precoces e com uma boa estrutura muscular.

Os aminoácidos são compostos de ligações peptídicas que desempenham papéis importantes no organismo, nos processos vitais como a síntese de proteínas, de hormônios e neurotransmissores, formação muscular, no desempenho físico e diminuição da perda muscular (ANDRIGUETO et al, 2002).

Alguns aminoácidos estão ligados diretamente a função muscular e formação dos tecidos, dentre outras funções, a se destacar (NEIVA,1996; ANDRIGUETO et al, 2002):

  • Metionina: desempenha um papel importante no metabolismo e na desintoxicação. Ela também é necessária para o crescimento de tecidos e a absorção de zinco e selênio, minerais vitais para a saúde;
  • Lisina: atua na síntese de proteínas, hormônios, enzimas e na absorção de cálcio. Ela também é importante para a produção de energia, função imunológica e produção de colágeno e elastina;
  • Arginina: atua na dilatação dos vasos sanguíneos, facilitando o funcionamento dos músculos, aumenta a resistência física durante esforços intensos e combate a sensação de fadiga.

Vale ressaltar que com a finalidade de citar o objetivo de usos específicos dos aminoácidos para atuação muscular, foram mencionados apenas três aminoácidos. Entretanto, são mais de vinte aminoácidos que atuam no organismo, que agem em conjunto e que desempenham diversas funções.

Nos ruminantes, a proteína bruta contida nos alimentos sofre degradação ruminal (por sua fração degradável) por meio da ação de enzimas secretadas pelos microrganismos ruminais que degradam a fração PDR[10], e utilizam peptídeos, aminoácidos e amônia para multiplicar suas células, sintetizando a proteína microbiana. Essa por sua vez é “encaminhada” ao abomaso onde é digerida, gerando uma determinada quantidade de aminoácidos passíveis de serem absorvidas pela mucosa intestinal, formando a proteína metabolizável (SANTOS & PEDROSO, 2010).

Entretanto, Neiva (1996) esclarece que um alto teor de proteína na dieta ingerida não garante que os animais terão um fornecimento adequado de aminoácidos no intestino delgado, lembrando que os bovinos requerem aminoácidos para o metabolismo nos mais diferentes tecidos do seu organismo, e essas necessidades são influenciadas pelas taxas de crescimento dos animais.

Logo se conclui que ao produzir animais em crescimento, no qual deseja-se um alto desenvolvimento muscular, deve-se analisar as dietas fornecidas, com teores de proteínas adequados, utilização de suplementos injetáveis ou por via oral (em pó).

Ao concluir o artigo assinalou-se a importância econômica da cadeia produtiva da equinocultura no Brasil onde ocorre uma intensiva movimentação financeira gerando uma grande quantidade de empregos e renda em todos os elos da cadeia, haja visto os valores movimentados com a vaquejada.

O artigo procurou contextualizar as modalidades esportivas equestres e a utilização dos bovinos, principalmente os animais desmamados e que para serem utilizados precisam atender certos requisitos de peso, idade, conformação, agilidade e outros atributos.

Diante desta necessidade, propôs a utilização de um programa de recria acelerada, com a utilização de manejos sanitários e nutricionais específicos, com a finalidade de produzir animais diferenciados em relação a recria tradicional. Ao abordar os nutrientes, foi dada atenção especial aos aminoácidos que possui atuação na formação e manutenção dos músculos, dentre outras funções fisiológicas.

Devido ao mercado descrito, acredita-se em uma ótima oportunidade de negócios para os pecuaristas em produzir animais diferenciados para atender esta demanda.

 

  • Referências bibliográficas com autor
  • Os estudos foram realizados em parceria com a Noxon Saúde Animal (Anabolic)
[1] Médico Veterinário.
[2] Associação Brasileira de Vaquejada. Disponível em: <https://www.abvaq.com.br/noticias/vaquejada-movimenta-mais-de-r–800-milhoes-por-ano–estima abvaq#:~:text=Um%20levantamento%20realizado%20pela%20ABQM,vez%2C%20mais%20a%20sua%20for%C3%A7a>.
[3] Segundo a ABQM (Associação Brasileira do Cavalo Quarto de Milha), a associação chancela mais de 22 (vinte e duas) modalidades esportivas.
[4] Vide: <https://www.cavalocrioulo.org.br/eventos>.
[5] Vale enfatizar outras competições de grande interesse econômico que utilizam bovinos como os Rodeios, provas de laço, etc…..
[6] Segundo a Associação de Cavalos Quarto de Milha disponível em: https://cavaloquartodemilha.com.br/modalidades/
[7] Disponível em: <https://7mboots.com.br/afinal-o-que-e-a-modalidade-freio-de-ouro/>.
[8] Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Crioulos.
Disponível em: <https://www.cavalocrioulo.org.br/>.
[9] Para entender a nova recria sugiro a leitura do Protocolo Cria & Recria Acelerada.
[10] Proteína Degradável no Rúmen.

Fonte: Guilherme Vieira
Continue Lendo

Colunistas

Parabéns Aurora Coop!

Estes 55 anos, comemorados neste dia 15 de abril de 2024 é a soma de muitos desafios superados e conquistas de uma gestão participativa e transparente.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Ter a Aurora Coop fazendo parte do nosso sistema cooperativo é uma alegria muito grande e motivo de orgulho participar dessa história de evolução. Estes 55 anos, comemorados neste dia 15 de abril de 2024 é a soma de muitos desafios superados e conquistas de uma gestão participativa e transparente. Começou do nada praticamente e hoje é a terceira maior empresa processadora de carnes suína e de frango do Brasil.

A Aurora Coop tem uma trajetória de crescimento e de valores que nos dá a segurança de poder continuarmos nessa parceria de intercooperação. Grande parte do desenvolvimento das suas cooperativas filiadas e seus integrados é mérito da Aurora Coop, responsável pela industrialização e projeção dos mais de 850 produtos para o mercado interno e mais de 80 países.

O sistema Aurora e sua essência cooperativista deve continuar se expandindo para que possa manter-se competitivo no mercado e dentro de um equilíbrio social, ambiental e econômico. Juntos, central e filiadas, somos uma só. Como filiada temos a obrigação de produzir dentro das normas e qualidade exigidas pelos mercados compradores, fomentando no campo as boas práticas de produção. E como central, o compromisso de continuar desbravando novos horizontes e perspectivas de futuro.

Como presidente da Cooperalfa e secretário do Conselho de Administração da Aurora Coop, reconhecemos na Aurora a força motriz das 14 cooperativas filiadas. Aos 55 anos, apesar de detentora de marca consolidada, seus dirigentes tem a consciência de que ainda tem muito para crescer no Brasil e no mundo. Somos mais de 100 mil famílias atuando em cooperação e apoiados nos mesmos valores.

Sempre importante lembrar também que a Aurora Coop é uma indústria da Alfa e das demais cooperativas filiadas, portanto, também dos associados.

A todos parabéns!

Fonte: Por Romeo Bet, presidente Cooperalfa
Continue Lendo
SIAVS 2024 E

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.