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Suínos / Peixes

Níveis nutricionais para fêmeas hiperprolíficas estão defasados, alerta pesquisador

Dieta para esse animal ainda é, na maioria dos casos, baseada em estudos das décadas de 70, 80 e 90, segundo estudioso da Universidade Federal de Minas Gerais

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As fêmeas suínas mudaram ao longo dos anos e hoje são capazes de gerar grandes leitegadas. No entanto, a nutrição dada a esse animal, segundo o professor doutor Bruno Silva, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), está defasada. De acordo com ele, na maioria dos casos observados no Brasil os níveis nutricionais oferecidos à fêmea não são suficientes, muito por conta da falta de novos estudos sobre o assunto.

Bruno Silva fez palestra durante o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, que aconteceu em agosto, em Chapecó, SC, destacando a necessidade de rever os conceitos de dieta para essas fêmeas. O Presente Rural conversou com Silva em entrevista exclusiva para ele falar um pouco mais sobre o assunto. Boa leitura.

O Presente Rural – (OP Rural) – Explique como as fêmeas se tornaram hiperprolíficas ao longo dos anos.

Bruno Silva (BS) – A produtividade da fêmea suína aumentou de forma substancial nos últimos anos devido ao manejo e avanços genéticos, seleção baseada em parâmetros tais como tamanho de leitegada, intervalo desmama-estro e eficiência na lactação. Estes avanços demonstram a eficiência da seleção genética balanceada, que traz associada uma maior capacidade reprodutiva das fêmeas e maior vigor e sobrevivência dos leitões, permitindo a produção de leitegadas maiores sem aumentar a mortalidade dos leitões.

OP Rural – Essa capacidade de gerar uma leitegada maior gerou que benefícios?

BS – Obviamente a maior prolificidade permitiu maior rentabilidade para o produtor utilizando a mesma capacidade de instalação, e também forçou o produtor a investir em melhorias nutricionais, ambientais, sanitárias e tecnológicas para poder atender as demandas destas fêmeas de alta produtividade.

OP Rural – Como se mede o bom desempenho da dieta nas fêmeas?

BS – Através do índice de conversão global da granja e pelo custo por quilo de leitão desmamado. Programas nutricionais bem ajustados permitem explorar o máximo da capacidade genética da fêmea sem comprometer longevidade da mesma.

OP Rural – Essa fêmea tem uma alimentação diferenciada dos outros suínos. O que muda na dieta e por que?

BS – Embora os avanços genéticos tornassem as fêmeas mais produtivas, as mesmas são mais exigentes nutricionalmente e menos resistentes aos desafios nutricionais. As necessidades nutricionais das fêmeas modernas, e a disponibilidade de nutrientes da dieta para as mesmas, são pouco conhecidas em comparação ao conhecimento que se tem dos suínos em fase de crescimento e terminação. O número de pesquisas publicadas durante os últimos 40 anos com fêmeas suínas, de acordo com o Commonwealth Agricultural Bureau, database equivale a menos de 1% de todas as publicações referentes a suínos. A produtividade dos genótipos modernos aumentou de forma extremamente rápida nos últimos 30 anos, entretanto, os níveis nutricionais adotados para estes animais ainda são baseados em resultados de pesquisas que vão desde a década de 70 até o começo da década de 90.

Além disso, grande parte das recomendações nutricionais atuais adotadas para as fêmeas em reprodução são extrapolações não verificadas de pesquisas realizadas com suínos em terminação ou sem fundamentação cientifica. Pesquisas mais recentes utilizando os genótipos modernos têm mostrado que as necessidades tanto de energia quanto de aminoácidos são muito mais elevadas por uma margem significativa do que os níveis propostos pela maioria dos programas atuais.

Para estabelecer um adequado programa de nutrição para matrizes modernas, deve-se considerar o material genético da granja, suas necessidades nutricionais, os fatores que afetam essas necessidades, e deve-se possuir entendimento dos diversos aspectos metabólicos da interação entre o genótipo, a nutrição e a reprodução da fêmea suína. Este entendimento é fundamental para que se possa alcançar, ao mesmo tempo, produtividade e longevidade do plantel.

OP Rural – Quais são as suas necessidades nutricionais diárias em suas fases produtivas?

BS – O estado energético da fêmea gestante pode influenciar, diretamente, seu desempenho na lactação. O excesso de energia pode causar obesidade ao parto, o que resulta em um consumo voluntário reduzido, resultando em perdas corporais elevadas durante a lactação. A redução no consumo voluntário passa ser um problema ainda maior quando se trata de fêmeas de primeiro e segundo parto em relação às porcas pluríparas. Matrizes de primeiro parto apresentam menor capacidade de consumo alimentar, da ordem de 20% quando comparadas a porcas pluríparas. Isso pode ser devido à menor capacidade gastrointestinal das fêmeas jovens. Como as primíparas ainda estão em fase de crescimento, esse insuficiente consumo pode acarretar efeitos mais prejudiciais em sua vida produtiva e reprodutiva futura quando comparadas às fêmeas pluríparas.

Uma deficiência severa de energia poderá resultar em porcas magras ao parto, podendo levar a problemas durante o parto e lactação com redução na capacidade de produção de leite e redução no peso da leitegada ao desmame.

Para controlar de forma mais eficiente o consumo de energia pela fêmea gestante, o uso da alimentação restrita e/ou controlada é realizada. Mais de 60% das exigências de energia das fêmeas gestantes são representadas pela mantença, estando em torno de 0.44 MJ (ou 105 kcal) de EM/kg de peso metabólico (PC0.75)/dia, em condições de termoneutralidade. Este valor não é significativamente influenciado pela ordem de parte e fase da gestação.

Além de diferirem entre porcas nulíparas e pluríparas, as exigências energéticas se alteram durante a gestação. As exigências para ganho materno são maiores no primeiro terço de gestação e, significativamente, superiores em porcas primíparas. Por outro lado, a demanda energética para reprodução é maior no terço final de gestação. A demanda energética total de uma fêmea gestante depende, também, da condição corporal da matriz no momento da cobertura. Para que o crescimento fetal e o desenvolvimento do tecido mamário ocorram de forma rápida durante a fase final da gestação, as necessidades de aminoácidos tendem a ser maiores nesta fase, particularmente em primíparas.

Portanto, o crescimento muscular deverá também ser considerado nas fêmeas mais jovens como parte de suas necessidades reprodutivas. Analisando estudos recentes com fêmeas de genótipos modernos, têm sido dada uma atenção em particular ao crescimento fetal, desenvolvimento das glândulas mamárias e ao crescimento materno. Os resultados obtidos indicam um crescimento expressivo, tanto do tecido mamário, quanto dos fetos, principalmente, a partir dos 70 dias de gestação. Resultados estes, superiores aos observados em estudos similares nas décadas de 80 e 90.

Lactação

Fêmeas em lactação exigem energia para sua mantença e para produção de leite. Tais exigências dependem de seu peso, da produção e composição de seu leite e das condições ambientais sob as quais está alojada. Embora a mensuração dessas exigências seja difícil, cerca de 80% das exigências energéticas das fêmeas lactantes são destinadas à produção de leite e os 20% restantes à mantença. Para o cálculo da demanda energética para a produção de leite é utilizado o ganho de peso da leitegada no período de lactação. Porém, novos conceitos têm sido adotados para uma melhor estimação da produção de leite e eficiência de utilização da energia para tal produção.

Para que a fêmea suporte um número crescente de leitões durante a lactação, torna-se extremamente importante mantê-las em uma condição corporal adequada. Geralmente, o consumo de ração durante a lactação não é suficiente para sustentar uma produção de leite adequada e manter leitegadas grandes. Se uma maior demanda por energia não pode ser atendida via um consumo extra, as matrizes são obrigadas a mobilizar suas reservas corporais.

Níveis excessivos de mobilização podem tornar-se um problema para a longevidade da fêmea. Como resultado da seleção para suínos mais magros e com maior eficiência alimentar, o consumo de ração tende a diminuir, pois a alta deposição muscular e a eficiência alimentar são negativamente correlacionadas com o apetite. Assim sendo, torna-se necessário focar na eficiência lactacional, ou seja, aumentar a eficiência energética durante a lactação poderá ser uma solução, levando a uma maior produção de leite com um dado consumo e mobilização de reservas.

Em sistemas de manejo convencionais, leitões recém-nascidos são capazes de atingir somente uma fração do seu real potencial de crescimento durante a fase de amamentação. Nos últimos anos, este fato tem levado pesquisadores a focar na importância dos nutrientes, em particular os aminoácidos, para otimizar o potencial das glândulas mamárias durante a lactação. O crescimento da glândula mamária durante a lactação afeta a quantidade de leite produzido pelas fêmeas, e por consequência o crescimento dos leitões. Desta forma, o manejo nutricional adotado durante a lactação deverá priorizar o máximo crescimento mamário.

A produção de leite é, relativamente, pouco afetada por uma deficiência modesta de proteína na dieta, isto porque as fêmeas são capazes de mobilizar proteína corporal para suportar as demandas por aminoácidos para a síntese de leite. Entretanto, uma deficiência severa de proteína na dieta durante a lactação reduz a produção de leite. Quando fêmeas não recebem quantidades adequadas de aminoácidos na dieta, proteínas do tecido materno, particularmente, das proteínas musculares esqueléticas, são mobilizadas para atender à produção de leite. A mobilização excessiva de proteína materna, geralmente, resulta em falhas na atividade reprodutiva subsequente.

OP Rural – Quais são os desafios dos suinocultores em relação à dieta das fêmeas?

BS – A nutrição de fêmeas modernas não é uma tarefa simples. Vários fatores podem interferir na capacidade produtiva e reprodutiva desses animais. A nutrição proteica da fêmea gestante deve ser diferenciada segundo a ordem de parto. Na lactação a preocupação não deve ser somente a produção de leite e o crescimento da leitegada, mas também a perda de peso da fêmea. O estabelecimento de um programa nutricional deve levar em consideração o potencial genético do animal, o número de fetos, o desenvolvimento do aparelho mamário, a capacidade de consumo de alimento, a produção de leite e a mobilização de tecidos corporais. Práticas devem ser adotadas na granja, visando maximizar o potencial genético destes animais. As alternativas podem envolver modificações químicas ou físicas da ração ou modificações de manejo (horário e quantidade das refeições). Em períodos de calor, pode não ser possível, por meio da nutrição e do manejo amenizar o problema da redução do consumo de ração, necessitando que sejam adotadas medidas de controle ambiental das instalações.

OP Rural – Quais são as tendências de dieta para essas fêmeas nos próximos anos?

BS – A tendência para a suinocultura é o investimento em nutrição de precisão, buscando atender a exigência diária da fêmea com mais eficiência e menor custo de produção. O uso de tecnologias como sistemas de alimentação automatizados é o primeiro passo, bem como o uso de nutrientes e aditivos funcionais, melhorando a saúde intestinal e maximizando a eficiência nutricional.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Suínos / Peixes

IAT apresenta ao setor produtivo adequações na regulamentação da suinocultura no Paraná

Entre as adequações estão a incorporação do Software de Gestão Ambiental da Suinocultura (SGAS), desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves, como ferramenta de apoio aos projetos de licenciamento, e a criação de uma tábua de controle para a destinação de dejetos suínos como fertilizantes para o solo.

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Após uma série de estudos internos, o Instituto Água e Terra (IAT) finalizou o texto de revisão da Resolução Sedest nº 15/2020, que regulamenta a atividade de suinocultura no Paraná. A proposta será apresentada ao setor produtivo e entidades ligadas ao agronegócio nesta terça (18) e quarta-feira (19) durante evento na sede do Sindicato Rural de Toledo, na região Oeste do Paraná. A reunião é apenas para convidados. O IAT é vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).

Chefe da Divisão de Licenciamento de Atividades Poluidoras do Instituto, Rossana Baldanzi, explica que são duas as principais adequações à legislação em discussão: a incorporação do Software de Gestão Ambiental da Suinocultura (SGAS), desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves, como ferramenta de apoio aos projetos de licenciamento do IAT, e a criação de uma tábua de controle para a destinação de dejetos suínos como fertilizantes para o solo. “Já temos um termo de cooperação técnica com a Embrapa em vigência que permite a transferência, gratuita, deste software para o IAT. Mas precisamos colocá-lo na nossa legislação, por isso a revisão é necessária”, diz ela. O novo texto prevê também o treinamento e a capacitação de profissionais para a utilização da plataforma eletrônica.

Fotos: Ari Dias/AEN

O SGAS possibilita, entre outras questões, que produtores realizem cálculos para determinação da excreção, oferta, perdas e concentração de nutrientes em efluentes da suinocultura, consumo de água, dimensionamento dos sistemas de tratamento dos efluentes, recomendação de adubação para reciclagem dos efluentes como fertilizantes, determinação da capacidade de alojamento de animais e demanda de áreas agrícolas. “Com isso, o órgão ambiental ganhará ainda mais agilidade na elaboração dos licenciamentos para a atividade”, destaca a técnica.

Em relação aos cuidados com o solo, Rossana ressalta que a métrica será definida com base em uma ampla pesquisa conduzida pelo órgão ambiental em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Embrapa, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) e Fundação ABC.

O estudo foi financiado pelo Grupo Frimesa como condicionante ao licenciamento ambiental para a instalação do frigorifico da cooperativa em Assis Chateaubriand, no Paraná. Considerada a maior indústria deste setor da América Latina, a planta tem capacidade de abater 7.880 suínos por dia. “Essa pesquisa foi desenvolvida com base no fósforo como elemento limitante do uso de dejetos no solo. É preciso encontrar o limite crítico, visto que esse frigorífico vai movimentar toda a cadeia da suinocultura ao redor”, afirma Rossana. “A partir deste estudo, conseguiremos colocar na lei qual é esse limite para que o solo não seja prejudicado, criando novas alternativas de decomposição como o aproveitamento para a produção de energia limpa”, acrescenta.

Suinocultura

A produção de carne suína é um dos destaques da economia paranaense. O Estado é vice-líder nacional, com 22,3% do mercado de carne de porco, atrás apenas de Santa Catarina. Foram 3,1 milhões de animais abatidos no primeiro trimestre deste ano, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fonte: AEN-PR
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Nova gestão da Copagril inclui planos para criar UPD própria

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, Elói Podkowa conta seus planos para melhorar o desempenho da cooperativa e prepara-la para o futuro, entre eles a produção própria de leitões desmamados, que hoje está nas mãos de produtores cooperados.

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Presidente da Copagril, Elói Darci Podkowa: "Todos estão com a melhor intenção de fazer com que nós possamos ter uma gestão próspera e eficaz" - Fotos: O Presente Rural

O menino que desde os 14 anos cresceu respirando a filosofia do cooperativismo virou o presidente de uma das mais tradicionais cooperativas do agronegócio brasileiro. Elói Darci Podkowa ascendeu exercendo cargos de liderança e chegou à presidência da Copagril há pouco mais de um ano, buscando uma forma mais eficiente de gestão, tanto na área administrativa quanto na agropecuária. A Voz do Cooperativismo foi até a sede da Copagril, em Marechal Cândido Rondon (PR), para ouvir a história de Podkowa e seus planos para melhorar o desempenho da cooperativa e prepara-la para o futuro, entre eles a produção própria de leitões desmamados, que hoje está nas mãos de produtores cooperados.

O Presente Rural – Conte sobre sua história e sua trajetória dentro da Copagril até chegar à presidência.

Fotos: Shutterstock

Elói Podkowa – Minha família tem uma vivência no cooperativismo. Aos 14 anos comecei a participar do um clube de jovens cooperativistas. Na primeira reunião do clube já fui eleito secretário. Depois acabei assumindo o clube como presidente. Mais tarde comecei a participar também dos comitês educativos da Copagril. Os pais incentivavam bastante, comecei a despertar interesse pela filosofia do cooperativismo, sabia que ali era a força, era o meu futuro, porque poderia estar conhecendo e se aprimorando tanto na área de gestão financeira como no empreendedorismo, que é isso que a gente quer e pratica até hoje.

Vim para a cidade para fazer a faculdade, me formei em Ciências Contábeis. Depois eu fui por três anos conselheiro fiscal da Copagril. Depois fiquei mais sete anos como conselheiro de administração e daí houve uma mudança no estatuto da Copagril, fui por um ano o diretor secretário eleito também, e depois então, no outro ano fui vice presidente até no dia 31 de janeiro de 2022, quando assumi como presidente.

O Presente Rural – Em pouco mais de um ano na Presidência, quais as principais ações que o senhor tem tentado colocar em prática ou colocado em prática?

Elói Podkowa – Nós começamos olhando um pouco mais os nossos negócios e a gente viu aquilo que nos incomodava mais, ou aquilo que não trazia resultado. Desdobramos mais tempo em cima disso, buscamos organizar um pouquinho diferente o nosso organograma em cada setor buscando ser mais eficiente e também fizemos com que a gente pudesse estar sendo mais visualizado. Reforçamos nossa área de comunicação e marketing, Na área do cooperativismo fizemos um trabalho um pouco diferenciado, tanto com o associado como com as senhoras, como com os jovens, buscando com que ele possa estar mais integrado e nós mais junto a eles também.

A partir de 2024 a gente já teve uma postura um pouco diferente e estamos agora reestruturando novamente a nossa gestão, para que nós possamos ser mais eficientes e dessa forma deslumbrar um amanhã melhor.

Um profissional que a gente contratou (CEO Daniel Engels Rodrigues) está nos auxiliando com um trabalho diferenciado dentro da cooperativa para que nós possamos então dar um gap maior também nos nossos negócios como um todo. É um trabalho do dia a dia, não é de uma hora e já deu certo, precisa um pouco mais de tempo. Tudo o que estamos buscando é algo que possa realmente trazer uma estabilidade melhor, um equilíbrio melhor para a cooperativa e também para o nosso associado.

O Presente Rural – Como o agro está inserido na Copagril?

Elói Podkowa – O cooperativismo é um modelo que deu certo. Para ter uma organização forte, as pessoas têm que acreditar em quem está na direção. Hoje nós temos 76% de associados com menos de 50 hectares de terra. Uma grande parcela dos associados são pequenos. Juntos nós crescemos e fizemos uma organização cada vez maior, porque seus negócios vão ampliando e a gente vai vendo que as oportunidades vão aparecendo. Temos muitas vezes dez, 12, 15 hectares e faturam milhões pelos investimentos que eles têm lá na propriedade. Tem avicultura, tem atividade leiteira, piscicultura, além do cereal. Se fosse só o cereal, muitas vezes ele não estaria mais na propriedade ou talvez teria vendido.

Somos uma cooperativa agrícola. Nosso principal negócio é o agro. Alguns entendem só como milho, soja, suíno ou leite, mas é também a indústria, o comércio, tudo está ligado ao agronegócio. O agronegócio é hoje o grande impulsionador e o grande gerador de renda, empregos e tributos.

O Presente Rural – Analisando a parte de negócios hoje, foi acertada a decisão de repassar o frigorífico de aves para a Lar?

Elói Podkowa – A Copagril tinha um interesse grande em dar uma oportunidade ao nosso associado de ter uma nova atividade. Então tivemos a oportunidade de trazer um abatedouro de aves, fomos trabalhando com o tempo. Só que a gente percebeu que o mercado trabalha em forma de escala. Hoje um frigorífico para ser viável e ter uma rentabilidade precisa estar abatendo mais de 500 mil frangos ao dia. Naquela oportunidade estávamos abatemos 170 mil e exigia um investimento muito alto para aumentar.

A gente fez um estudo para repassar a alguém que seja do mesmo ramo, que seja uma cooperativa que possa estar trazendo oportunidade para aqueles associados que queiram entrar na atividade, que possam estar fazendo aviários e essa empresa continue com a política parecida que nós estávamos praticando e que esse segmento continuasse, mas que o associado não se fosse prejudicado por isso. Chegou ao ponto de fazer a intercooperação com a Lar. Hoje a Lar tem uma escala grande, está abatendo de mais de um milhão de aves por dia e está atendendo muito bem o nosso associado.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O Presente Rural – A suinocultura é um dos motores da Copagril. Como é que está essa atividade?

Elói Podkowa – O ano passado representou 33% do faturamento, porém ela também está vindo de uma crise. Estamos reavaliando algumas situações porque a Copagril tem um modelo diferente do que a maioria das cooperativas que nós temos na Frimesa. Nós temos um modelo que os associados têm a criação de leitões, enquanto que as outras cooperativas tem suas unidades produtoras de desmamados próprias. Por conta das diferentes origens dos leitões, temos sofrido um pouco no sentido da parte sanitária, que é um pouco mais difícil. Se eu ponho numa granja, por exemplo, 5 ou 6 mil leitões, muitas vezes preciso de cinco, dez, 15 granjas pequenas. Aquele leitão vem de diversos produtores, pode estar vindo com alguma virose ou outro problema. Temos uma mortalidade ou um problema sanitário maior, estamos trabalhando para diminuir isso. A gente está reavaliando também, porque como é uma atividade grande, um faturamento grande, a cooperativa precisa trazer resultado, porque a gente vive de resultado.

A Frimesa precisa de mais suínos. Tem um novo frigorífico que vai até o final do ano estar abatendo cerca de sete mil suínos ao dia. Nós vamos ter que crescer junto.

O Presente Rural – E tem ideia de uma UPD própria?

Elói Podkowa – Por enquanto nós estamos deixando com o produtor. Temos alguns produtores grandes e são muito, muito eficientes. A gente está avaliando se a gente vai colocar ou vai deixar ainda na mão deles. Mas a gente sabe que a gente está um tanto em desvantagem. Vamos olhando a gestão, sem paixão, sem nada, mas com razão, para ver o que é melhor.

O Presente Rural – E o mercado do leite, como está? O senhor pode fazer um panorama da produção leiteira da Copagril?

Elói Podkowa – O leite é uma atividade que exige uma mão de obra cada vez mais escassa no mercado e é uma atividade que era bastante familiar, mas hoje ela passa por um processo mais profissional. Os pai estão envelhecendo e os filhos não querem tocar, os filhos querem algo diferente. Para quem está começando e quem tem a vocação, é uma atividade que traz uma renda mensal, não precisa estar investindo tanto, vai começando aos poucos, vai aumentando. O leite faz parte da cesta básica, então quando tem um pouco preço maior a dona de casa, o cliente reclama no mercado que está muito caro. Hoje nós temos muita importação e daí inviabiliza quem está na atividade.

Estamos tentando achar alternativas para que possamos viabilizar com que ele possa estar produzindo com menos custos. Só que hoje nós temos que também ter uma escala. Não pode ser muito pequena. Hoje a indústria exige qualidade, exige padrões para fabricar um produto de qualidade.

O Presente Rural – Como a Copagril Grill está incorporando as novas tecnologias nas suas atividades?

O jornalista e editor-chefe do Jornal O Presente Rural, Giuliano De Luca, e o responsável pelo Departamento de Comunicação e Marketing, Ueslei Schubert Stankovicz, entrevistam o presidente da Copagril, Elói Darci Podkowa

Elói Podkowa – Existem ferramentas hoje no mercado de inovação, de modernização, que a gente está buscando incorporar aos nossos negócios. Temos alguns projetos já andando, um dos programas é o perfil de solo, para fornecer uma maneira diferente de manejo para que possa suportar um pouco mais as estiagens que nós temos. A gente vai estar trabalhando com nossos profissionais, já têm alguns já treinados para que nós possamos estar trabalhando de uma forma abrangente.

Os drones também vieram fazer parte de um programa chamado Agricultura 5.0. São alternativas diferentes, desde que elas tragam alguma produtividade ou algum diferencial para nós. Também temos irrigação com luz noturna, que é um novo projeto também que queremos saber como vai se comportar. Além desses, na suinocultura estamos testando sensores e câmeras para que possam gerar antecipar ações contra alguma doença.

Na área de inovação a Copagril está muito atenta a tudo. Estamos envolvendo todos os profissionais da cooperativa para possam nos ajudar buscar alternativas. Outro exemplo, temos um projeto para usar o resíduo do cereal, por exemplo, da soja, do milho, para colocar em caldeira e gerar energia. Você tira do meio ambiente um produto que está atrapalhando e você transforma em energia que possa ser consumida e trazer benefícios para a sociedade como um todo. São projetos que estão andando e existem outros ainda que a gente está buscando.

E a gente também está partindo bastante para aqueles bioinsumos, produtos mais naturais para restaurar o solo, trazendo uma prática com menos utilização de produtos agressivos ao meio ambiente.

O Presente Rural – Quando a Copagril deve faturar em 2024 e quais são as principais atividades que compõem esse faturamento?

Elói Podkowa – Está previsto faturar R$ 3,2 bilhões. Nossos principais faturamentos são na suinocultura, a parte de cereais e a industrialização, além do varejo, que já está nos ajudando bastante. Tem a esmagadora de soja, estamos moendo para o nosso próprio fomento e também uma parte para o mercado. Esse é outro negócio que a gente vai estar analisando para frente como continuar. Temos a fábrica de ração com uma venda bastante interessante para terceiros, além de atender a nossa estrutura de fomento. Também na área de insumos, importante tanto na área pecuária como na área agrícola e o varejo.

Nós temos uma situação que hoje os preços das commodities não estão agradando muito os produtoras, estão abaixo do que era esperado. Mas eu vejo que o agro continua e que sempre foi assim. Quando o cereal não está bom, a pecuária começa a colher os resultados. Então o que a gente acredita que o produtor de grãos vai passar por um período com uma margem menor ou até empatando o negócio dele, ficar no 0 a 0.

O Presente Rural – Uma mensagem final, presidente.

Elói Podkowa – Temos um grupo bastante grande, sozinhos não fazemos nada. Quem faz, realmente executa e trabalha são nossos colaboradores e nossos associados. E a gente quer que continue dessa forma. Nós tivemos no ano passado o recorde de recebimento de cereais da história da Copagril. Estamos trabalhando sempre para que a gente possa ser eficiente naquilo que a gente faz e que possa estar realmente dando oportunidades aos nossos associados.

Todos estão com a melhor intenção de fazer com que nós possamos ter uma gestão próspera e eficaz. É isso que a gente está trabalhando. Eu sempre falo que se só ocupar um cargo não é um propósito de vida meu. Eu vim aqui com um propósito maior, um propósito de a gente ter uma cooperativa equilibrada, sólida, um cooperativa que vai expandir, que vai se modernizar, que vai atender aquele anseio que realmente o associado quer e precisa.

A cooperativa está bem, está sólida, está equilibrada e com certeza estamos tomando um novo rumo, um rumo de prosperidade e de conquistas maiores.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na suinocultura acesse a versão digital de Suínos clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

Estratégias integradas serão decisivas para o Brasil ser líder da segurança alimentar global, sustenta Roberto Rodrigues

País enfrenta o desafio de expandir o agronegócio em 40% nos próximos 10 anos a fim de atender ao crescimento mundial de 20% na demanda por alimentos projetada pela FAO. Ex-ministro enfatiza que esta expansão exigirá uma estratégia integrada que aborde questões que pesam sobre o setor.

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Engenheiro agrônomo, ex-ministro da Agricultura, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas e empresário Roberto Rodrigues: "A adoção de novas técnicas e práticas de cultivo permitiu que o país cultivasse uma vasta quantidade de grãos em menos terra" - Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

O engenheiro agrônomo, ex-ministro da Agricultura, Embaixador do Cooperativismo e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues, lançou um alerta durante sua participação no Inovameat, um dos principais eventos de proteína animal do Paraná, realizado em meados de abril em Toledo (PR).

Segundo Rodrigues, o Brasil enfrenta o desafio de expandir o agronegócio em 40% nos próximos 10 anos a fim de atender ao crescimento mundial de 20% na demanda por alimentos projetada pela Organização Mundial para Alimentação e a Agricultura (FAO). O ex-ministro enfatiza que esta expansão exigirá uma estratégia integrada que aborde questões que pesam sobre o setor. “Eu acredito que o Brasil tem uma chance enorme de ser o campeão mundial da segurança alimentar e energética, mas o país ainda precisa de uma estratégia. Não temos uma estratégia articulada e integrada voltada para o agro”, ressaltou.

Engenheiro agrônomo, ex-ministro da Agricultura, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas e empresário Roberto Rodrigues: “O Brasil, já conhecido por sua produção de etanol e biodiesel, também possui um grande potencial para a expansão de energia limpa”

Entre os pontos que precisam ser contemplados nesta estratégia, o ex-ministro destacou a importância da logística e infraestrutura, meio ambiente, garantia de renda no campo, seguro rural, acordos comerciais com outros países, segurança energética e tecnologia. “Esses são temas centrais para que o Brasil seja o campeão mundial da paz. Para isso, precisa ter vontade política e empresarial para fazer as coisas acontecerem”, enfatizou.

Rodrigues salientou que alcançar esta meta não será simples, especialmente considerando que projeções indicam que países como Estados Unidos, Canadá, União Europeia e Oceania não devem apresentar crescimento significativo no setor agrícola. “Diante desses desafios, fica evidente a necessidade urgente de uma abordagem estratégica e integrada por parte do Brasil para garantir sua posição como líder na segurança alimentar global”, reforça.

Emprego de novas tecnologias

O engenheiro agrônomo salienta que o aumento da produção brasileira virá do uso de novas tecnologias, mantendo a Embrapa no centro desse processo. “O Brasil, já conhecido por sua produção de etanol e biodiesel, também possui um grande potencial para a expansão de energia limpa. As fontes de energia renováveis, como hidráulica, solar e eólica, são fundamentais para um futuro sustentável e estão cada vez mais presentes na matriz energética do país”, destacou.

Além disso, Rodrigues abordou a importância de enfrentar as desigualdades sociais, apontando que a manutenção das pessoas no campo será uma consequência do aumento da renda. Ele ressaltou que a agricultura brasileira tem demonstrado um crescimento impressionante em eficiência e sustentabilidade nas últimas duas décadas. “A inovação tecnológica, o uso de bioinsumos e a inteligência artificial têm avançado rapidamente, o que pode levar o Brasil a uma maior produtividade agrícola”, evidencia, acrescentando: “A adoção de novas técnicas e práticas de cultivo permitiu que o país cultivasse uma vasta quantidade de grãos em menos terra, preservando assim milhões de hectares de ecossistemas naturais”, reiterou.

Potência do agro

O setor agrícola do Brasil tem sido um pilar fundamental da economia, registrando um crescimento vultuoso ao longo dos anos, refletido não apenas nos números do Produto Interno Bruto (PIB), mas também na balança comercial do país. A expansão de mais de oito vezes nas exportações desde o ano 2000 é um testemunho da capacidade do Brasil de aumentar sua produção e presença no mercado global.

No entanto, esse crescimento não vem sem desafios e responsabilidades. Aumentar a produção muitas vezes implica em competir com produtores de outros países, o que pode levar a mudanças no mercado global e exigir uma adaptação estratégica. Além disso, há considerações importantes sobre a sustentabilidade e o impacto ambiental da expansão agrícola. “O desmatamento, por exemplo, tem sido uma preocupação crescente, levando à necessidade de práticas agrícolas mais sustentáveis e à conservação dos recursos naturais”, salienta.

Enquanto o Brasil celebra suas conquistas no setor agrícola, é essencial que o país se concentre em manter esse crescimento de maneira responsável e sustentável. “Isso implica investir em tecnologias e práticas que promovam a eficiência produtiva, reduzam o impacto ambiental e garantam o bem-estar das comunidades rurais. Somente assim o Brasil poderá continuar a ser um líder global no agronegócio, contribuindo para a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável não apenas do país, mas também do mundo”, frisa.

Fonte: O Presente Rural
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AJINOMOTO SUÍNOS – 2024

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