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Suínos / Peixes Saúde Animal

Mudanças de comportamento e reações fisiológicas em suínos resultantes do estresse térmico

Diversos desafios enfrentados nos lotes são ampliados em razão do clima frio e podem também reduzir a produtividade da granja

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Ítalo Ferreira, zootecnista e coordenador Técnico na BTA Aditivos e Rafael Soares, médico veterinário, mestrando em Produção Animal e coordenador Técnico da Divisão Animal da BTA Aditivos

O período de inverno, com clima mais frio e seco, apresenta alguns desafios para o manejo dos animais. É também um momento propício para adequar a ambiência animal e garantir um melhor desempenho e produtividade da granja. Outro ponto que deve ter atenção redobrada nos meses mais frios do ano é a sanidade dos lotes, uma vez que o aparecimento de doenças respiratórias tende a se agravar nesta época.

A maioria dos animais domésticos possuem a capacidade de regular a temperatura corporal perante o ambiente, a chamada homeotermia. Porém, os suínos têm certa dificuldade na manutenção de tal parâmetro. Este problema se dá quando há uma variação da temperatura ambiente para valores fora da zona de conforto térmico dos animais. Quando isso acontece, ocorre o estresse térmico que desencadeia reações fisiológicas e mudanças de comportamento.

Usualmente, no Brasil, os maiores problemas enfrentados ocorrem em razão da temperatura acima do recomendado, devido ao clima tropical. Porém, nos períodos mais frios do ano e na região Sul do país ocorre justamente o oposto: o estresse térmico oriundo de temperaturas baixas. Buscando contrapor a redução da temperatura ambiente, os animais aumentarão o consumo voluntário de ração, ficarão mais próximos entre si e, quando em descanso, deitarão em cima das patas.

Este desafio causa, principalmente, redução do consumo do colostro e redução de movimento em recém-nascidos, resultando no aumento da mortalidade e diversas perdas produtivas ao longo da vida do animal. Já na fase de creche, pode-se observar animais deitados uns sobre os outros. Este tipo de comportamento, demonstra a busca por reduzir a dissipação de calor e o uso de outros animais como fonte de aquecimento, o que pode causar a redução no consumo de ração e, consequentemente, menor peso e homogeneidade do lote na fase final da creche.

Manejo de ambiência para melhor conforto

O controle da temperatura, umidade relativa do ar e concentração de gases no ambiente dos galpões é o primeiro ponto a ser trabalhado quando se busca minimizar os desafios do clima. Diferente dos períodos mais quentes do ano, quando o principal desafio é a redução da temperatura ambiental para os animais nas fases de crescimento, terminação e reprodução, no inverno trabalha-se, principalmente, na tentativa de elevar a temperatura dos galpões de maternidade e creche.

O manejo de ventilação e a utilização de aquecedores na produção intensiva de aves e suínos entram como duas ferramentas importantes que auxiliam no controle ambiental. O aquecimento se dá usualmente por meio de resistências elétricas, pisos aquecidos e sistemas de aquecimento por convecção, que objetivam manter os animais do galpão na zona de conforto térmico. Já o controle do fluxo de ar se dá, normalmente, por abertura ou fechamento das cortinas laterais, que devem ser envelopadas e mantidas em boas condições, objetivando o controle da umidade relativa do ar, redução da temperatura interna e minimização dos gases presentes no ambiente.

É importante ficar atento para a elevação das concentrações de gases no ambiente como, por exemplo, a amônia. Sua formação ocorre naturalmente, em razão dos dejetos dos animais e ambientes sem renovação de ar. A abertura da parte superior das cortinas, em apenas um lado do galpão, facilita a eliminação dos gases e renovação do ar, sem comprometer muito a temperatura interna e o custo com aquecimento das instalações.

Considerando que quanto menor a idade dos animais maior é o desafio de controle da temperatura corporal, os leitões na fase de creche são os mais afetados pelas variações de temperatura, necessitando ao nascer de ambiente entre 30 °C e 32 °C. A principal ferramenta para redução dos desafios térmicos destes animais é o escamoteador, que tem como objetivo servir de abrigo térmico ao animal, prezando por manter o ambiente limpo e seco. Quando se faz um manejo correto deste equipamento haverá um ganho, ainda, da redução de leitões esmagados, uma vez que os animais não irão buscar a mãe como fonte de calor, evitando acidentes.

Para a fase de creche é necessário que, no momento do recebimento, o ambiente esteja seco e com temperatura próxima aos 30 °C, de modo a minimizar o estresse causado pela movimentação dos animais. Com o passar dos dias é possível promover a redução da temperatura interna das salas de acordo com as temperaturas mostradas na tabela abaixo.

Manejo sanitário para prevenir zoonoses

Assim como para os humanos, os períodos frios são os que apresentam maiores desafios para os animais, com alta incidência de doenças respiratórias. Para que se consiga garantir a manutenção da saúde dos animais neste período é necessário cuidados para blindar a propriedade das enfermidades. Usualmente, no controle de doenças respiratórias, são trabalhados quatro pilares importantes: programa de biosseguridade, controle de fatores de risco, vacinação e tratamento antimicrobiano.

Visando o crescimento da produção, tem-se mantido os animais mais confinados, elevando a densidade das instalações e aumentando o número de granjas na mesma região. Isso traz como consequência um grande o risco de contaminação, principalmente no período de inverno onde as doenças respiratórias são mais eminentes. Dentre as principais doenças respiratórias, está a Pneumonia Enzoótica Suína, causada pela bactéria Mycoplasma hyopneumoniae. Amplamente prevalente nos rebanhos comerciais brasileiros, esta bactéria pode persistir por longos períodos no trato respiratório dos suínos, levando a lesões discretas até a falta de apetite e queda no desempenho.

A Influenza Suína tem seu potencial zoonótico, caracterizado pela capacidade de mutação da sua estrutura antigênica e criação de novas cepas. É uma doença respiratória de grande importância devido à sua rápida transmissão, causada pelo vírus influenza A, dividido em subtipos, de acordo com a natureza antigênica de sua hemaglutinina e da neuraminidase (“H” e “N”). Os três sorotipos mais comuns que afetam os suínos são H1N1, H1N2 e H3N2.

Os sinais clínicos aparecem rapidamente após a infecção com tosse, dificuldade para respirar, febre, queda na produção, além das porcas que chegam vazias à área de parto, natimortos e partos lentos.

A Pleuropneumonia Suína, é uma doença respiratória grave causada por Actinobacillus pleuropneumoniae. Tem como fonte de contaminação animais doentes, provenientes de granjas infectadas, que não apresentam sinais clínicos, além de manejos inadequados, diminuição ou ausência de vazios sanitários e estresse térmico.

No caso da Pasteurella multocida tipo A, considerada uma doença oportunista secundária, sua ação ocorre sempre após uma infecção primária como a Influenza suína, e causa danos pulmonares, levando a pneumonia aguda, febre alta, corrimento nasal e tosse.

Ácidos orgânicos para contribuir no manejo nutricional

Assim como nos humanos, a temperatura ambiental afeta intensamente o comportamento alimentar dos suínos e, consequentemente, a composição da carcaça dos mesmos. Em ambiente frio os animais tendem a aumentar a ingestão de ração devido ao aumento da exigência energética direcionada à manutenção da temperatura corporal. Outro fato observado é uma maior eficiência na utilização dos ingredientes da dieta que causarão, também, um aumento na deposição de gordura na parte externa da carcaça quando comparado com animais alocados em temperatura neutra e acima do conforto térmico, quando há uma maior deposição nos órgãos internos.

Reduzir a densidade energética das dietas para animais que recebem alimento à vontade é uma forma de ajustar o consumo de nutrientes e evitar aumentos nos custos da dieta e perda da eficiência na conversão alimentar. Isso ocorre principalmente em animais nas fases de terminação e reprodução, que possuem grande capacidade de consumo voluntário de alimento.

Certo de que o organismo do animal irá direcionar nutrientes para a produção de calor é imperativo se trabalhar uma melhor eficiência da dieta, principalmente em animais mais jovens. Dentre as ferramentas presentes no mercado pode-se fazer uso de ácidos orgânicos, prébióticos, probióticos e óleos essenciais. Existe um blend de ácidos orgânicos e óleos essenciais e, ácidos orgânicos microencapsulados, respectivamente. Esses produtos auxiliam melhorando a saúde e morfologia intestinal, facilitando a digestão e potencializando a absorção de nutrientes, trazendo assim, aumento do desempenho zootécnico e redução do custo da dieta.

Percebe-se que os diversos desafios enfrentados nos lotes são ampliados em razão do clima frio e podem também reduzir a produtividade da granja. Porém, com o manejo correto, gestão sanitária e observação das características dos animais é possível minimizar os danos e garantir o bem-estar e o sucesso produtivo da suinocultura.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes maio/junho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

O agro familiar e seu papel na suinocultura

Pesquisador da Embrapa, Marcelo Miele, avalia a participação das famílias do campo no agronegócio brasileiro.

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Arquivo/OP Rural

O agronegócio sempre foi uma das principais molas propulsoras da economia brasileira e nos últimos anos evolui ao ponto de se tornar uma das grandes potências no cenário mundial. O setor foi responsável por 27,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2021, a maior participação desde 2004 (quando foi de 27,53%). O crescimento do PIB no mesmo ano foi de 8,36%, segundo cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), e da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Marcelo Miele: “A importante participação da agricultura de base familiar para o desenvolvimento rural sustentável e para a produção e preço dos alimentos no país é incontestável” – Foto: Divulgação

Muito desse ótimo desempenho do agronegócio brasileiro se deve a famílias de produtores rurais espalhadas por todo o Brasil, que utilizam a mão de obra familiar para gerar renda a si e para outras famílias de colaboradores, o que, consequentemente, ajuda a aquecer a economia dos municípios.

Em entrevista ao jornal O Presente Rural, o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Marcelo Miele, falou sobre as atividades desenvolvidas por essas famílias de produtores, em especial, dentro da suinocultura brasileira. Confira.

O Presente Rural – Como se caracteriza a agricultura familiar no Brasil?

Marcelo Miele – A produção agropecuária brasileira é caracterizada pela diversidade de atores, tanto em função do porte dos estabelecimentos, quanto em função do uso de mão de obra com laços de parentesco, ou das atividades econômicas desenvolvidas. De forma geral, os mais de 4,8 milhões de estabelecimentos do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017 se dividiam em quatro grandes grupos. Os grandes e médios produtores com mão de obra essencialmente contratada (não familiar) representavam 23% dos estabelecimentos e 33% do pessoal ocupado, mas concentravam 77% do valor da produção. Por sua vez, a agricultura familiar com mão de obra essencialmente com laços de parentesco abrangia 77% dos estabelecimentos e 67% do pessoal ocupado, mas concentrava 23% do valor da produção.

Esse grande agrupamento também é bastante heterogêneo, se subdividindo em agricultura familiar tecnificada, atuando em mercados e com tecnologias semelhantes a de grandes e médios produtores; agricultura familiar de pequeno porte, atuando em mercados locais e com baixo grau de intensificação tecnológica; e por fim a agricultura familiar voltada à subsistência e autoconsumo.

Importante destacar que a agricultura familiar encolheu entre os dois últimos Censos Agropecuários (2006 e 2017), com redução de 9,5% no número de estabelecimentos e perda de um contingente de 2,2 milhões de trabalhadores, enquanto que na agricultura não familiar houve um aumento de 35% no número de estabelecimentos e a criação de 702 mil postos de trabalho. Mesmo assim, é inegável o importante papel da agricultura de base familiar para o desenvolvimento rural sustentável e a produção e o preço dos alimentos no país.

O Presente Rural – Nesse cenário, como se situa a suinocultura?

Marcelo Miele – Na suinocultura também encontramos esses diferentes tipos de produtores e as tendências apontadas anteriormente. Podemos subdividir a suinocultura brasileira em dois grandes grupos, a suinocultura industrial e a de pequeno porte, atuando em mercados locais ou de nicho. De um lado, há a chamada suinocultura industrial, tecnificada e inserida nos mercados por meio de agroindústrias integradoras, cooperativas e vendas diretas aos frigoríficos no mercado independente. Estima-se que em 2017 era composta por 20 mil estabelecimentos agropecuários com rebanho suíno superior a 100 cabeças, que foi responsável por 93% de todos os suínos produzidos naquele ano (Tabela 1). A grande maioria dos estabelecimentos da suinocultura industrial é de base familiar (73%), mas os produtores com mão de obra contratada detêm a maior parte do rebanho (57%) e dos suínos produzidos (69%).

Em termos de porte, enquanto que o rebanho médio da suinocultura industrial de base familiar era de 844 cabeças, aqueles com mão de obra essencialmente contratada tinham um rebanho médio de 3.083 cabeças, uma escala quase quatro vezes maior. Por outro lado, há um conjunto significativo de 76 mil estabelecimentos agropecuários com rebanho entre 21 e 100 cabeças de suínos (média de 37 cabeças), que compõem o grupo de pequenos suinocultores atuando em mercados locais (Tabela 1), também predominantemente de base familiar (71% dos estabelecimentos e 69% do rebanho). Além desses dois grandes grupos, há mais de 1,3 milhão de estabelecimentos com rebanho de até 20 cabeças que criam suínos para subsistência ou autoconsumo.

Por fim, é importante destacar que entre os dois últimos Censos Agropecuários (2006 e 2017), ocorreu redução significativa no número de estabelecimentos da suinocultura industrial (-25%) e, sobretudo, da suinocultura de pequena escala atuando em mercados locais (-43%). Entretanto, enquanto que esta última pouco ampliou sua escala média, reduzindo o seu rebanho total de suínos (-34%), o segmento tecnificado quase duplicou a escala média de produção (+97% no rebanho médio por estabelecimento) e ampliou o rebanho total em 46% (Tabela 2).

O Presente Rural – Quantas pessoas estão envolvidas na suinocultura familiar no Brasil? Além da mão-de-obra familiar, essas famílias empregam mais pessoas? Essas famílias atuam em outras atividades agropecuárias?

Marcelo Miele – Estima-se que a suinocultura industrial tenha sido responsável em 2021 pelo abate de 50 milhões de cabeças (95% dos abates), ocupando cerca de 45 mil pessoas dentro da porteira, das quais 31 mil são pessoas contratadas (Rais) e 14 mil são produtores e seus familiares. Por outro lado, a suinocultura de pequena escala atuando em mercados locais foi responsável pelo abate de 3 milhões de cabeças, envolvendo aproximadamente 3 mil pessoas, sendo a quase totalidade da agricultura familiar.

De toda forma, nem todos os estabelecimentos da agricultura familiar operam apenas com pessoas com laços de parentesco. Segundo o Censo Agropecuário do IBGE, em 2017, 11% do pessoal ocupado na suinocultura de base familiar não tinha parentesco com o produtor. O inverso também se verifica, e de forma bastante contundente. Entre os suinocultores que não se enquadram no conceito de agricultura familiar, 57% das ocupações eram preenchidas pelo(a) próprio(a) responsável pelo estabelecimento agropecuário ou por pessoas com laços de parentesco com o(a) mesmo(a). Em ambos os casos, além da suinocultura, essas famílias atuam em outras atividades, com destaque para a bovinocultura de leite e grãos, em função das sinergias entre dejetos suínos e pastagens, mas também há consórcio com avicultura e piscicultura.

O Presente Rural – Quais os maiores desafios encontrados por esses suinocultores e quais os maiores benefícios em se trabalhar em família?

Marcelo Miele – Acredito que o maior desafio para os suinocultores de base familiar seja acompanhar o processo de incorporação tecnológica puxado pelos estabelecimentos de maior porte, sem que isso implique em desequilíbrios na disponibilidade de terra, capital e trabalho. Ou seja, 1) que consigam manter uma relação rebanho/área agrícola que permita o correto uso agronômico dos dejetos ou a sua exportação para lavouras de terceiros sem custos significativos de transporte; 2) que consigam repor a depreciação das instalações (25 anos) e dos equipamentos (12 anos), bem como incorporar novas tecnologias e atender exigências dos mercados e das normativas oficiais sem que isso implique em endividamento excessivo ou insolvência; e 3) que consigam atender as atividades de manejo e gestão com a mão de obra familiar disponível, de forma eficiente e não penosa com ajuda da automação, ou com apoio de mão de obra contratada, de forma legal e sem risco de acumular passivos trabalhistas.

Para os pequenos suinocultores atuando em mercados locais ou de nicho, acredito que outro grande desafio seja agregar valor a seus produtos e obter certificação a baixo custo. Isso é fundamental porque muitos dos diferenciais historicamente ligados à produção de base familiar passaram a ser adotados com eficiência por grandes produtores (economia circular com os dejetos, carbono neutro, qualidade do emprego formal, bem-estar animal, livres de antibióticos ou orgânicos).

Em relação aos benefícios, destaco a maior autonomia, a geração de renda agrícola (ou seja, o custo da mão de obra não sai do estabelecimento familiar com o pagamento de salários a terceiros) e a possibilidade de gerar sucessores, de forma a perpetuar um modo de vida que passa a ser cada vez mais identificado como a classe média rural brasileira.

O Presente Rural – Existem regiões específicas que concentram essas famílias de suinocultores?

Marcelo Miele – A região Sul concentrava 9 a cada 10 suinocultores com mão de obra familiar na suinocultura industrial (Tabela 3), com destaque para o Oeste catarinense (SC), o Noroeste rio-grandense (RS), o Oeste paranaense (PR) e o Centro Oriental rio-grandense (RS), que concentram três quartos da suinocultura industrial de base familiar.

Dentre as dez principais mesorregiões geográficas com suinocultura industrial, somente uma não é localizada na região Sul (Tabela 4).

Os pequenos suinocultores que atuam em mercados locais estão localizados sobretudo nas regiões Nordeste e Norte (Tabela 3). Apesar de haver um grande contingente disperso em todas as regiões do país, verifica-se que entre as dez principais mesorregiões geográficas com suinocultura de pequena escala voltada a mercados locais, somente uma está localizada na região Sul (Tabela 5).

O Presente Rural – Qual sua avaliação sobre a sucessão familiar nesses casos?

Marcelo Miele – Tanto em estabelecimentos de base familiar quanto nos demais, vejo uma grande diversidade de situações em relação à sucessão. Além dos aspectos culturais, há questões específicas de cada família. Mas os especialistas apontam para elementos importantes nos processos sucessórios, como o diálogo entre gerações, a delegação de tarefas, a autonomia, bem como a remuneração dos sucessores de forma condizente com o mercado de trabalho da sua região.

Apesar do elevado desemprego no país, há um mundo se abrindo para os jovens, sobretudo em atividades de tecnologia da informação (TI), e muitos optam por não permanecer no meio rural quando este não provê renda atrativa ou boa acessibilidade à internet e ao transporte para os serviços e as diversões da cidade (o meio urbano). Os relatos de negociações amparadas pela Lei da Integração (n. 13.288/2016) nas quais se preconiza valorar o custo da mão de obra familiar pelo salário-mínimo, e não pela remuneração média no mercado de trabalho da região, levantam dúvidas quanto à mensagem sendo passada para os filhos e filhas de suinocultores.

O Presente Rural – Considerando o atual cenário, qual é sua avaliação sobre o futuro da suinocultura desenvolvida com mão-de-obra familiar?

Marcelo Miele – Algumas tendências estão bem consolidadas, como o aumento de escala e da tecnificação na suinocultura industrial (Tabela 2), a capacidade da suinocultura de grande porte não familiar agregar valor e obter economia circular com o uso intensivo de tecnologias da agricultura 4.0, bem como a perda de espaço enfrentada pela agricultura de base familiar, acelerada pelo abandono de políticas públicas importantes como o programa de aquisição de alimentos.

E, apesar das grandes disparidades regionais, também é inegável a tendência à maior conectividade no campo e disponibilidade de infraestrutura de transporte, aproximando o campo da cidade. Nesse ambiente, um cenário futuro positivo para a suinocultura desenvolvida com mão de obra familiar ainda é cheio de incertezas e dependerá da capacidade desse segmento superar desafios. Há inúmeros, como reter talentos por meio da sucessão, fortalecer o associativismo e o cooperativismo entre os pequenos, acessar tecnologias de automação em pequena escala e de certificação a baixo custo que não impliquem em aumentos significativos do rebanho, obter apoio da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e de consultorias em gestão, bem como contratar mão de obra sem incorrer em passivos trabalhistas. À medida que a agricultura familiar conseguir avançar nessas pautas, melhores serão as perspectivas de um cenário de sustentabilidade da atividade no longo prazo.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

Especialista sugere alternativas na hora de comprar ou vender milho

Cenário de elevação dos preços dos grãos e demais insumos que compõem a ração animal deve persistir, apesar das recentes estimativas de uma boa safra de grãos.

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Entre os principais insumos da ração, o milho e o farelo de soja representam em torno de 70% dos custos da cadeia produtiva de proteína animal, despesa que tem impactado de forma significativa produtores de todos os setores que produzem alimento, porém de maneira mais intensa nos últimos meses. Neste contexto, o sócio proprietário da XP/Granoeste Investimentos, Robson Polotto, aponta tendências do mercado de grãos para a atual temporada e alternativas para driblar os altos custos.

Sócio proprietário da XP/Granoeste Investimentos, Robson Polotto: “A saída para o produtor é estar antenado, ter a conta na mão e saber o que precisa, tendo consciência do que é bom para ele” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

O profissional enfatizou que o setor de proteína animal vive um dos momentos mais desafiadores, uma vez que o poder de compra do produtor frente aos grãos, principalmente o milho, está nas mínimas históricas. “E ao que tudo indica esse cenário de elevação dos preços dos grãos e demais insumos que compõem a ração animal deve persistir, apesar das recentes estimativas de uma boa safra de grãos. O atual conflito bélico e os problemas climáticos enfrentados no último ano, que resultaram em quebra da safra de soja, milho e trigo principalmente, contribuíram para essa alta, uma vez que o consumo está maior que a oferta”, analisou Polotto.

Com estoque inicial de 9,6 milhões de toneladas de milho, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê 24,3 milhões de toneladas da safra de verão 2021/2022, enquanto para a safrinha estima-se 86,3 milhões de toneladas. Para a 3ª safra são estimadas 1,8 milhão de toneladas, com importação de 1 milhão de toneladas, o que totaliza oferta brasileira de 123,1 milhões de toneladas. Deste montante, 74,4 milhões de toneladas são destinadas para uso doméstico, 39,3 milhões de toneladas para exportação, gerando um estoque final de 9,3 milhões de toneladas (gráfico abaixo).

Em relação a demanda e a oferta de milho da safra 2021/2022, no mês de fevereiro, conforme levantamento da Conab, a oferta disponível de milho no mercado interno era de 5,9 milhões de toneladas, volume estimado para 35 dias de consumo de acordo com a demanda. Nos meses subsequentes, a disponibilidade do cereal em relação aos dias de consumo foi reduzida, com previsão para atingir a mínima no mês de maio, quando o volume de 6,1 milhões de toneladas frente a demanda pelo grão deve suprir apenas o consumo para 28 dias. A partir de junho, a capacidade de oferta do grão aumenta com o término da colheita de milho, com previsão para agosto de 6,5 milhões de toneladas, volume que será equivalente para 25 dias de consumo.

Estoque mensal

Em relação as estimativas da Conab com as previsões de estoque mensal de milho da safra 2021/2022 (MMT), Polotto diz a partir de junho, depois da redução de maio, os estoques foram sendo repostos com o término da colheita da primeira safra de milho, aumentando significamente os volumes de armazenamento, passando a estocagem para 46,4 milhões de toneladas em julho e para 55,2 milhões de toneladas em agosto, com baixas significativas dos volumes estocados nos meses seguintes (gráfico abaixo), fechando 2022 com estoque final de 9,3 milhões de toneladas.

Preços dos grãos em patamares elevados persistem

Segundo Polotto, os preços devem se manter em patamares elevados seguindo a tendência dos valores internacionais, acrescido da expectativa de menor disponibilidade de milho no spot nacional no primeiro semestre deste ano. No mercado futuro da Bolsa de Valores BM&F, o milho está sendo comercializado para julho a R$ 90,28; para setembro a R$ 89,35; para novembro a R$ 91,9; para janeiro/2023 a R$ 93,7 e para março/2023 a R$ 94,3. “No início de abril as cooperativas estavam ofertando a saca de milho safrinha de 60kg para compra antecipada a R$ 78”, relata Polotto.

 Spreads da Bolsa de Valores

Para melhorar as margens de lucro do setor produtivo, o empresário orienta os agricultores a aproveitar os spreads da Bolsa de Valores, indicador que auxilia o investidor a verificar quais ações possuem maior liquidez na Bolsa de Valores em relação à demanda do milho regional, relativos aos preços.

Polotto diz que é muito importante que o produtor fique atento ao que acontece globalmente – conflito entre Rússia e Ucrânia, plantio de milho nos Estados Unidos e nos principais países produtores, impactos da seca na produção brasileira, que inclusive afetou também o Paraguai, país que será um ofertante de milho safrinha ao mercado nacional – para saber como utilizar a compra antecipada de uma maneira que consiga um grão mais barato, porque isso vai impactar diretamente nos custos de produção da propriedade e dará um pouco de fôlego ao produtor nas margens da proteína, que hoje estão negativas. “O mercado é volátil, dinâmico, o que vale hoje, amanhã ou daqui um mês já não vale, e a Bolsa tem spreads, que em tese melhoram a performance com uma alta ou baixa, além de ter modalidade de seguros interessantes neste momento”, pontua.

Comercialização do cereal

Na hora de comercializar a safra, parte dos agricultores fica receosa se vai conseguir vender ou não o grão por um bom preço e na melhor época. Essa preocupação se justifica porque vários são os fatores que podem influenciar no momento da negociação do produto, entre eles clima, economia global, oferta maior ou menor do cereal no mercado, o que reflete nas movimentações de compra e venda e nos preços agrícolas. “A saída para o produtor é estar antenado, ter a conta na mão e saber o que precisa, tendo consciência do que é bom para ele”, declara Polotto.

Conforme Polotto, existem inúmeras formas de se obter mais rentabilidade na venda de grãos e a diversificação dessas modalidades de comercialização pode diminuir seus riscos. “Há algumas operações no mercado futuro para venda de grãos que podem ser realizadas pelos agricultores, entre elas a modalidade Hedge, na qual os preços são fixados antes da venda com o objetivo de proteger o valor dos grãos devido à grande instabilidade do mercado”, expõe.

Polotto dá um exemplo de uma operação com seguro de preço (Hedge). “Em novembro de 2021 a oferta de venda de farelo de soja para abril, maio e junho de 2022 estava por R$ 2.130,00/ton CIF. Em março na Bolsa de Chicago o mesmo produto estava U$S 357,00/ton, um seguro de baixa para o farelo de soja em março de 2022 custava U$S 28,00/ton, como o dólar estava R$ 5,60 teria custo de R$156,80/ton, ou seja, para saber o custo total da comercialização do grão no mercado futuro com seguro soma R$ 2.130 + R$ 156,80, cujo resultado é R$ 2.286,80/ton. O custo do farelo em abril estava sendo vendido por R$ 2.713,35/ton, o equivalente a 18,65% de custo a mais”, ressalta.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

A saúde dos leitões começa in utero: como desenvolver a imunocompetência dos leitões antes e após o nascimento?

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Divulgação DSM

A produção de suínos enfrenta desafios constantes e crescentes para gerar animais de forma mais sustentável e rentável, além de alcançar padrões mais altos de bem-estar que atendam às necessidades dos animais e à demanda dos consumidores. Enquanto as demandas aumentam, as ferramentas tradicionais usadas para superar os desafios – como os antibióticos e o óxido de zinco terapêutico – estão sendo restringidas em muitas partes do mundo devido à ameaça da resistência antimicrobiana. Ao mesmo tempo, os avanços da genética têm levado a uma tendência de hiperprolificidade nas matrizes, o que cria desafios adicionais. O maior número de leitões por fêmea por ano resultou em uma maior variação do peso ao nascimento e mais desafios metabólicos para a reprodutora, o que por sua vez afeta o início da produção de colostro e leite, aumentando assim o risco de se ter leitões menos robustos ao desmame e perdas de desempenho em uma idade mais avançada.

Imunocompetência de leitões recém-nascidos

O leitão recém-nascido é imaturo em muitos aspectos e a primeira semana de vida é crítica para sua saúde futura e os resultados de produtividade. Durante esses primeiros dias de vida, o intestino passa por um rápido desenvolvimento, aumentando a capacidade digestiva e absortiva. Paralelamente, a colonização do intestino pelos microrganismos está muito avançada e tem um papel fundamental na composição do microbioma intestinal e estímulo ao desenvolvimento do tecido linfoide associado ao intestino (GALT), onde se encontram mais de 70% das células imunológicas. Em nossa busca por estratégias mais sustentáveis para apoiar o cuidado com os leitões durante as primeiras etapas da vida a arma mais poderosa de que dispomos normalmente é ignorada: a imunocompetência do leitão.

A imunocompetência é vital para a vida, porém seu desenvolvimento e utilização têm um custo associado para todos os animais, especialmente os jovens. Esse é um equilíbrio delicado: para funcionar efetivamente, o sistema imunológico deve responder adequadamente aos vários estímulos que se apresentam, produzindo uma resposta imune somente às ameaças reais e mantendo-se sem resposta aos estímulos de baixo grau. No entanto, nos leitões jovens o sistema imunológico é muito imaturo e incapaz de distinguir facilmente os diferentes níveis de ameaça, respondendo a todos como ameaças reais. Sabe-se que a imunocompetência dos leitões começa in utero, continua com a ingestão de colostro e leite (imunidade passiva), e pesquisas recentes têm demonstrado que o microbioma intestinal desempenha um papel essencial na preparação do desenvolvimento do intestino e sistema imunológico. Para preparar melhor os leitões para o desafio do desmame e mais além, o desenvolvimento da imunocompetência deve ser promovido através de duas vias:

  1. sistêmica, aumentando a qualidade da imunidade passiva recebida da porca; e
  2. local, via modulação do microbioma intestinal para preparar o desenvolvimento do sistema imunológico da mucosa (Figura 1).

 

A imunocompetência se desenvolve através de duas vias:

Figura 1. Abordagem nutricional multicomponente da DSM para otimizar o desenvolvimento da imunocompetência de leitões.

A imunocompetência tem várias vias de desenvolvimento, incluindo os programas de vacinação para proteger os animais contra os patógenos, a biosseguridade para controlar a exposição aos agentes causadores de doenças e o apoio nutricional para otimizar a resistência e mitigar o risco de antígenos. A vacinação é efetiva, porém cara energeticamente devido à resposta imune associada, e seu uso só se justifica no caso de patógenos virulentos que causam altas taxas de mortalidade. Portanto, a nutrição equilibrada é um pré-requisito para manter um bom estado de saúde e otimizar o sistema imunológico dos leitões.

Desenvolvimento da imunocompetência sistêmica

O desenvolvimento da imunocompetência sistêmica de um leitão recém-nascido é altamente dependente da nutrição da mãe, começando in utero e continuando com uma boa qualidade e quantidade de colostro e leite. Portanto, a nutrição e saúde da matriz e sua capacidade de transferi-las aos leitões são fundamentais para o desenvolvimento de um sistema imunológico precoce e robusto. Sabe-se que os micronutrientes como as vitaminas D3, E, C e várias vitaminas do complexo B, assim como os minerais, têm benefícios imunomoduladores. Os leitões nascem com baixos níveis sanguíneos de vitaminas e a alta demanda desses compostos para apoiar o desenvolvimento e ativação imunológica frequentemente resulta em leitões deficientes. Considerando as maiores exigências de uma fêmea moderna para criar uma leitegada maior, deve-se ter uma abordagem mais precisa de micronutrição para a nutrição das mesmas durante o final da gestação e a lactação para apoiar a ótima qualidade e rendimento do colostro.

Para funcionar efetivamente, o sistema imunológico sistêmico precisa ser hábil na proliferação e regulação das células imunológicas e estar protegido contra os danos celulares causados pelo desequilíbrio redox. As vitaminas E e C foram reconhecidas há muito tempo por sua capacidade de atuar como potentes antioxidantes que previnem os danos oxidativos às células imunológicas. A viabilidade dos leitões pode ser melhorada através de uma ótima suplementação de vitamina E na dieta de fêmeas durante a gestação e lactação (Wang et al., 2017). Mais recentemente, tem havido um maior entendimento do papel da vitamina Dou, ainda mais importante, de seu principal metabólito (25-OH vitamina D3), na imunomodulação. Uma das principais funções da vitamina Dé não apenas apoiar a ativação das células imunológicas e a produção de peptídeos antimicrobianos, mas também limitar as respostas excessivas. Os leitões nascem com níveis muito baixos de 25-OH vitamina D3 no sangue e esses níveis raramente alcançam o nível mínimo e muito menos a faixa ótima para apoiar a imunidade. Entendendo o papel crítico da vitamina D3 na função imune, sabemos que os leitões podem estar em desvantagem sem os níveis adequados de vitaminas. Konowalchuk et al. (2013) reportaram que a suplementação de vitamina D3 e da forma 25-OH vitamina D3 em particular resultou em um aumento do número e ativação das células imunológicas em leitões desmamados.

Desenvolvimento da imunocompetência local

O tecido linfoide associado ao intestino local (p. ex., conteúdo do lúmen intestinal) desempenha um papel crítico na defesa do organismo dos leitões contra o ambiente externo. Seu desenvolvimento é impulsionado pelo estabelecimento precoce de um microbioma intestinal diverso e estável cuja magnitude e impacto se estendem até mais além do intestino para o desenvolvimento do tecido imunológico em outros órgãos, como os pulmões. No entanto, esses mecanismos ainda não são totalmente compreendidos. O desenvolvimento do microbioma intestinal começa assim que os leitões deixam as condições estéreis do útero e são muito influenciados pelo microbioma da mãe e seu ambiente imediato. A colonização microbiana orienta o desenvolvimento gastrointestinal e modula a função de barreira epitelial, que é a primeira linha de defesa. A colonização microbiana precoce também modula as respostas imunes inata e adaptativa, afetando a capacidade do hospedeiro de produzir respostas inflamatórias adequadas e resistir às doenças. Desenvolver e manter um microbioma intestinal diverso e estável é crítico para a resiliência dos patógenos e o ótimo funcionamento do intestino em um ambiente com uso reduzido de medicamentos. Existem várias ferramentas nutricionais disponíveis para apoiar o desenvolvimento de uma comunidade bacteriana equilibrada no intestino. A administração de probióticos como Enterococcus faecium parece ter mais sucesso em matrizes durante o final da gestação e lactação para orientar a inclusão precoce de cepas benéficas no microbioma intestinal em desenvolvimento, mas ainda maleável. Outra estratégia para apoiar um microbioma intestinal saudável das fêmeas e, portanto, beneficiar os leitões, é melhorar a digestibilidade das fibras. As xilanases aumentam o aporte de fibras prebióticas e energia, que são cruciais no período de balanço energético negativo durante a lactação.

Para preparar os leitões para superar os desafios associados ao desmame e mais além, é fundamental desenvolver a imunocompetência o mais cedo possível através de uma abordagem nutricional multicomponente. A nutrição otimizada da fêmea com as vitaminas E, C e D melhora os níveis séricos de vitaminas dos leitões ao nascimento, assim como a qualidade do colostro, resultando em uma maior imunidade passiva e melhor desempenho da leitegada. No momento do nascimento, moldar a colonização microbiana precoce do intestino com microrganismos benéficos como os probióticos é crucial para estimular a imunocompetência e evitar a diarreia. Durante a lactação, assegurar os níveis corretos de vitamina D nas matrizes otimiza o aporte de vitaminas no colostro e leite; os probióticos estimulam a colonização precoce do intestino e reduzem a incidência de diarreia durante o período de lactação; e as xilanases aumentam o aporte de energia líquida através de uma maior digestibilidade das fibras, produzindo posbióticos como os ácidos graxos de cadeia curta e resultando em leitões robustos e mais pesados ao desmame.

—- Por Mariana Masiero

 Mariana Masiero é graduada pela Universidade de São Paulo (USP), possui PhD em Ciência Animal com foco em Nutrição Animal pela Universidade de Missouri, EUA. Ingressou na Biomin®, que agora é parte da DSM, em 2019 como Gerente Global de Produto para Fitogênicos. Atualmente, é Gerente Global de Marketing de Suínos.

Fonte: Ass. de Imprensa DSM
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