Bovinos / Grãos / Máquinas Sustentabilidade
Monitoramento remoto irá mapear a intensificação sustentável da agricultura brasileira
O mapeamento e os dados gerados permitem a obtenção de indicadores quantitativos sobre a adoção de sistemas integrados. pecuária em sistema ILP

Pesquisadores da Embrapa e parceiros desenvolveram uma metodologia para o monitoramento por satélite, de forma remota e automática, da expansão das áreas com sistemas integrados de produção agropecuária. O mapeamento e os dados gerados possibilitam obter, anualmente, indicadores quantitativos sobre a adoção desses sistemas e, consequentemente, monitorar a expansão da intensificação sustentável no País.
A metodologia técnico-científica já permite detectar áreas com duplo cultivo (soja e milho ou algodão em sucessão, por exemplo) e com integração lavoura-pecuária (ILP). Os cientistas vêm trabalhando para ajustar a metodologia de detecção remota para as demais modalidades: integração pecuária-floresta (IPF); integração lavoura-floresta (ILF) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). O objetivo é desenvolver os protocolos metodológicos, baseados em inteligência artificial, que integrarão um sistema capaz de analisar automaticamente imagens de satélite, fornecendo indicadores atualizados sobre as áreas que adotam esses sistemas de produção sustentáveis. As informações geradas serão úteis, por exemplo, para a gestão de políticas públicas setoriais, para monitorar a adoção de tecnologias mitigadoras e para a estimativa da mitigação de gases de efeito estufa (GEEs) da agropecuária.
A metodologia foi desenvolvida no âmbito do projeto GeoABC, que teve o objetivo de desenvolver metodologias e inovações tecnológicas para o monitoramento por satélite da agricultura de baixa emissão de carbono, em apoio à governança do Plano ABC (veja quadro abaixo).
Margareth Simões, pesquisadora da Embrapa Solos (RJ) que liderou o estudo, conta que a agropecuária nacional passa por um importante processo de intensificação sustentável que tem levado à consolidação de polos produtivos e à crescente adoção de sistemas de produção sustentáveis de alto rendimento. Ela aponta como exemplos a expansão das áreas com duplo cultivo, seja safra/safrinha de verão ou safra verão/inverno, a adoção do sistema plantio direto (SPD), a recuperação de pastagens em apoio a uma pecuária de alta performance e, especialmente, uma enorme adesão aos Sistemas Integrados de Produção Agropecuária em todas as suas variações.
No entanto, a cientista explica que devido à inexistência, até então, de metodologias capazes de detectar remotamente a expansão desses sistemas de produção, os órgãos setoriais, públicos e privados, não contam com informações adequadas para estimar o nível de adoção e a expansão em área dessas tecnologias. Esses dados, segundo ela, são fundamentais para subsidiar políticas públicas para o setor. “O País necessita urgentemente de indicadores e métricas para quantificar e demonstrar o quanto a sua agropecuária vem evoluindo rumo à desejada intensificação sustentável”, pondera Simões.
As soluções tecnológicas utilizadas
Os pesquisadores explicam que a metodologia desenvolvida no âmbito do projeto GeoABC é baseada na convergência de alguns adventos técnico-científicos, a partir da utilização de soluções gratuitas (open source). Uma delas é a metodologia de classificação digital de séries temporais de imagens de satélite utilizando algoritmos de inteligência artificial (machine learning). Outra é a utilização de plataformas nas nuvens (cloud computing platform) e computação paralela de alto desempenho (high performance computing).
Margareth Simões esclarece que, no início do trabalho, muitos desafios técnicos tiveram que ser contornados. A começar pela dificuldade para detectar por sensoriamento remoto alvos terrestres tão complexos e dinâmicos como os sistemas de ILPF, devido às diferentes estratégias adotadas pelos produtores e à inerente integração de diversos elementos de lavoura, pecuária e floresta sob práticas de consórcio, sucessão e rotação. “Esse desafio exigiu o trabalho com séries temporais de imagens de satélites com base no conceito de cubos de dados multidimensionais, ou data cube”, explica.
A pesquisadora destaca ainda que havia a necessidade de se contar com uma metodologia eficaz para a extração de informação e uma robusta estrutura para o processamento de uma quantidade massiva de dados. “A integração das soluções de cubo de dados, de aprendizado de máquina e computação paralela de alto desempenho resolveu o nosso problema”, lembra.
Patrick Kuchler, pesquisador vinculado ao grupo de pesquisa GeoABC pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ/PPG-MA), lembra que outra grande dificuldade enfrentada pela equipe foi a aquisição de dados de campo, já que os algoritmos de classificação e validação necessitam de uma grande quantidade de dados qualificados, georreferenciados e com o histórico detalhado de cada parcela amostrada. “Foi um grande esforço para realizar as campanhas de campo e, por sorte, pudemos contar com a inestimável parceria de técnicos e produtores que nos ajudaram muito”, conta Kuchler.
O pesquisador da Embrapa Rodrigo Ferraz destaca a estrutura hierárquica de classificação, capaz de distinguir a cultura da soja solteira da soja em duplo cultivo (soja+cereais ou soja+algodão) e os sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) em sucessão direta (soja+pastagem) ou indireta (soja+cereal+pastagem). “O algoritmo para a detecção dessas classes está plenamente desenvolvido e já pode compor um protocolo para um monitoramento sistemático. Para as demais variações dos sistemas integrados (ILF, IPF e ILPF), assim como para o sistema plantio direto, será necessário dar continuidade ao trabalho de pesquisa”, revela.
Ferraz acrescenta que, a partir da utilização do mesmo método, com os algoritmos de machine learning já desenvolvidos, aplicado a uma base de aprendizado mais ampla, a equipe poderá consolidar os demais protocolos de forma a prover o Brasil com um sistema completo de monitoramento. “Vale destacar que o sistema de monitoramento gera dados espacializados, possibilitando computar estatísticas em diferentes unidades espaciais de análise, tanto político-administrativas, como país, estados, microrregiões, municípios, polos de desenvolvimento agrícola, quanto unidades fisiográficas, como biomas e bacias hidrográficas.”
Metodologia testada em Mato Grosso
Os algoritmos computacionais para a detecção e monitoramento dos diferentes sistemas de produção (sistema de ILP e duplo-cultivo) foram testados no estado de Mato Grosso, no período de 2012 a 2019. Os resultados mostram o potencial que a metodologia de classificação apresenta para o mapeamento ou monitoramento anual em escala nacional (veja figuras de 1 a 4).
Kuchler explica que a figura 1 apresenta, com base no método de densidade de Kernel, a clara intensificação da agropecuária ocorrida em Mato Grosso entre os anos-safra de 2012/2013 e 2018/2019.
Figura 1: Mapas de densidade Kernel mostrando a intensificação dos sistemas de produção na cadeia da soja em Mato Grosso, entre os anos-safra 2012/2013 e 2018/2019
A figura 2 mostra um cartograma que representa o crescimento das áreas de ILP por municípios mato-grossenses entre os anos-safra de 2012/2013 e 2018/2019. Já nas figuras 3 e 4 pode ser observada a evolução das áreas dos sistemas soja+cereal, soja+algodão e ILP para os anos safra de 2012/2013 a 2018/2019.
Figura 2: Cartograma dos municípios do estado de Mato Grosso, ranqueados em função das áreas de sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) no ano-safra 2018/2019.
Figura 3: Mapa dos sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e duplo-cultivo em Mato Grosso, no ano-safra 2018/2019.
Figura 4: Gráfico da evolução das áreas dos sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e duplo cultivo em Mato Grosso, entre os anos-safra 2012/2013 e 2018/2019.
“Nesse caso de Mato Grosso, podemos destacar que a área de ILP saltou de aproximadamente 1,1 milhão para 2,6 milhões de hectares entre 2013 e 2019, ou seja, mais do que dobrou no período de sete safras”, destaca Kuchler.
Os resultados do estudo de sensoriamento remoto para identificar áreas de ILP no Mato Grosso estão em um artigo científico – baixe aqui.
Próximos passos
“Uma vez tendo todos os protocolos metodológicos desenvolvidos, o objetivo é integrá-los em uma plataforma que possa realizar o monitoramento anual de todos os sistemas produtivos preconizados pelo Plano de Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária (Plano ABC+)”, explica Margareth Simões.
O pesquisador da Embrapa Pedro Freitas acrescenta que a metodologia desenvolvida se aplica a diversos sistemas de produção envolvendo culturas anuais, como soja, milho e algodão, em várias regiões do País.
Já Ferraz destaca que, em apoio às políticas e à gestão setoriais, a equipe também está formulando e propondo diversos índices espaciais que apresentam, por exemplo, as taxas de expansão e adoção dos sistemas integrados de produção ou o processo de intensificação sustentável, como Índice de Expansão Absoluta, Índice de Expansão Relativa, Índice de Adoção e Índice de Intensificação Sustentável.
“Já estamos trabalhando na disponibilização dos resultados em uma plataforma interativa, com apresentação dos mapas, dados, estatísticas e indicadores no conceito de dashboards. Entendemos que devemos dar ampla divulgação aos dados produzidos, e a melhor forma de fazê-lo será por meio de uma plataforma digital, a exemplo da plataforma do Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos no Brasil (PronaSolos). Será um ativo tecnológico, que estamos chamando de Plataforma GeoABC, e que será muito útil ao Ministério da Agricultura (Mapa) na condução do Plano ABC+”, projeta.
Quem pode se beneficiar com a metodologia
De acordo com os pesquisadores, a metodologia poderá atender, além do Ministério da Agricultura, às demandas de diferentes atores do setor produtivo, instituições de pesquisa, universidades e órgãos setoriais de governo ou privados.
Para o Ministério da Agricultura, as secretarias estaduais de agricultura e demais órgãos setoriais do governo federal e dos estados, o monitoramento permitirá a geração de dados, informações, estatísticas e indicadores espaciais que poderão subsidiar não somente o planejamento e a gestão das políticas públicas diretamente relacionadas ao tema, como o já citado Plano ABC+, como também políticas setoriais relacionadas à transferência de tecnologias e à logística e infraestrutura em suporte ao setor produtivo.
“Os dados gerados contribuirão ainda com o inventário e o monitoramento das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) na agropecuária nacional. Permitirão também avaliar o potencial de mitigação da emissão de GEEs, de aumento da eficiência no uso de insumos e da redução efetiva da perda de solo por erosão hídrica. E atenderão a estimativa e a disponibilização de dados agroambientais em plataformas como a do PronaSolos e o Observatório da Agropecuária Brasileira do Mapa”, acrescenta Pedro Freitas.
Simões aponta ganhos também para a atuação do Brasil em Fóruns Internacionais, pois o monitoramento contribui com o estabelecimento de indicadores agroambientais preconizados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização das Nações Unidas (ONU), no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “O Brasil contará com dados estatísticos e indicadores agroambientais que, além de subsidiar os processos de tomada de decisão, planejamento e gestão do setor agrícola, permitirão demonstrar o quanto a agropecuária nacional caminha rumo à sustentabilidade, empoderando o País nos fóruns internacionais de negociação comercial e ambiental”, prevê.
Para o setor produtivo, os dados estatísticos gerados poderão orientar os investimentos privados, sejam recursos destinados para a produção ou para infraestrutura e logística comercial da cadeia de insumos. As informações também podem orientar os agentes do setor financeiro na concessão de seguro ou crédito agrícola.
As redes de fomento e observatórios também poderão utilizar a metodologia GeoABC para o monitoramento dos sistemas integrados. O pesquisador da Embrapa Solos Renato Rodrigues, presidente do Conselho Gestor da Associação Rede ILPF, destaca a importância da metodologia desenvolvida pela Embrapa e parceiros. “Hoje, não se sabe com precisão onde ocorrem ou quais são as taxas de adoção dos sistemas integrados. Portanto, os dados sobre a expansão dos sistemas de integração lavoura-pecuária serão muito bem-vindos para o planejamento dos trabalhos, não apenas da Rede ILPF, mas, tenho certeza, para todo o setor do agronegócio interessado na intensificação sustentável”, comenta.
Ferraz acrescenta o exemplo da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa na Agropecuária (Plataforma ABC), gerida pelo Mapa e pelo Ministério do Meio Ambiente, e o Observatório ABC, mantido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), como iniciativas que também poderiam ser diretamente beneficiadas com os dados gerados pelo sistema de monitoramento dos sistemas iLPF.
Por fim, para as instituições de pesquisa e universidades, esses dados poderão propiciar a realização de estudos técnico-científicos em temas agronômicos, geográficos, logísticos, ambientais e outros, enumeram os pesquisadores.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Exportações de carne bovina somam 234 mil toneladas em março
Volume representa recorde para o mês com alta de 8,7% na comparação anual.

O mercado do boi gordo registrou valorização no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo aumento das exportações e pela menor oferta de animais para abate, especialmente de fêmeas. O cenário também foi marcado por maior movimentação no mercado de reposição, com a alta do boi estimulando a demanda por bezerros.
Em março, o preço médio do boi gordo chegou a R$ 350 por arroba. Já na média dos primeiros dez dias de abril, o valor subiu para R$ 362/@, com negócios registrados a R$ 365,50/@ no fim da semana, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

A oferta mais restrita de animais contribuiu para sustentar os preços. Dados preliminares indicam que o abate de bovinos foi 2% menor no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, com aumento de 1% no abate de machos e queda de 6% no de fêmeas.
No mercado de reposição, o bezerro também apresentou valorização. Em Mato Grosso do Sul, a alta foi de 3,4% em março, superando o avanço do boi gordo. Apesar da relação de troca seguir pressionada, em torno de 2,2 bezerros por boi vendido, a margem da reposição permaneceu atrativa, próxima de R$ 3.600 na parcial de abril, o que mantém a demanda aquecida.
As exportações de carne bovina in natura seguiram em ritmo forte. Em março, os embarques somaram 234 mil toneladas, recorde para o mês e alta de 8,7% em relação a março de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento foi de 19,7%. O preço médio da carne exportada também avançou 3,1% frente a fevereiro.
A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, com 102 mil toneladas embarcadas em março, alta de 6% na comparação anual. Outros mercados também ampliaram as compras, como Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito, México, Filipinas e Emirados Árabes, reforçando a demanda externa pelo produto brasileiro.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil
Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.

Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões.
Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deputado, Pedro Lupion: “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA
A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado.
A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro.

Deputado Zé Silva: “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais” – Foto: Divulgação/FPA
Em outra ocasião, Lupion defendeu que o Tribunal de Contas da União (TCU) analise possíveis distorções relacionadas à importação de leite e os impactos sobre a cadeia produtiva. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, destacou.
O integrante da FPA, deputado Zé Silva (União-MG), lembrou que medidas voltadas à cadeia leiteira impactam 1,1 milhão de produtores no país e mais de 5 milhões de empregos. “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais. Nós sabemos que hoje o custo de produção de um litro de leite é de R$ 1,90 a R$ 2”, afirmou.
Parlamentares pedem celeridade em processo antidumping
Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.

Vice-presidente da FPA na região Sudeste e deputada, Ana Paula Leão: “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial” – Foto: Divulgação/FPA
A investigação foi aberta em 2024, e o pedido do setor é para que sejam adotadas medidas provisórias enquanto o processo segue em análise. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é o órgão responsável por avaliar a demanda. “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial”, destacou a deputada.
Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”
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Exportações de carne bovina de Mato Grosso crescem mais de 50%
Resultado foi impulsionado pela demanda internacional e valorização da tonelada embarcada.

Mato Grosso voltou a se destacar no cenário internacional da carne bovina ao registrar um desempenho recorde no primeiro trimestre de 2026. O estado exportou 251,83 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), volume que representa 26,72% de toda a carne bovina embarcada pelo Brasil no período — o maior já registrado para um primeiro trimestre na série histórica.
O resultado expressivo também aparece na comparação anual. Em relação ao mesmo período de 2025, o crescimento foi de 53,39% no volume exportado. Já a receita atingiu US$ 1,11 bilhão, alta de 74,71%, impulsionada tanto pelo aumento da demanda internacional quanto pela valorização da tonelada embarcada, que alcançou média de US$ 4,54 mil.

A China manteve-se como principal destino da carne mato-grossense no trimestre, concentrando 50,82% dos embarques, o equivalente a 127,97 mil TEC. O país asiático segue como motor da demanda global, sustentando volumes elevados de importação. No entanto, outros mercados começam a ganhar relevância. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 9,14% das compras (23,03 mil TEC), e chamam atenção pelo ritmo de crescimento: em apenas três meses, já adquiriram 57,38% de todo o volume exportado para o país ao longo de 2025.
Na avaliação do diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o resultado reflete um conjunto de fatores que vêm fortalecendo a pecuária. “Mato Grosso tem avançado na abertura de mercados e na valorização da sua carne. Esse crescimento mostra não só a força da produção, mas também a confiança dos compradores internacionais na qualidade e na regularidade do produto”.
“Além de volume, estamos ganhando valor. Isso passa por uma combinação de eficiência produtiva, melhoria genética, manejo e, cada vez mais, pela adoção de práticas sustentáveis, que são exigências dos mercados mais exigentes”, enfatiza o diretor de Projetos do Imac.



