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Monitoramento remoto irá mapear a intensificação sustentável da agricultura brasileira

O mapeamento e os dados gerados permitem a obtenção de indicadores quantitativos sobre a adoção de sistemas integrados. pecuária em sistema ILP

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Pecuária em sistema ILP / Foto: Gabriel Faria

Pesquisadores da Embrapa e parceiros desenvolveram uma metodologia para o monitoramento por satélite, de forma remota e automática, da expansão das áreas com sistemas integrados de produção agropecuária. O mapeamento e os dados gerados possibilitam obter, anualmente, indicadores quantitativos sobre a adoção desses sistemas e, consequentemente, monitorar a expansão da intensificação sustentável no País.

A metodologia técnico-científica já permite detectar áreas com duplo cultivo (soja e milho ou algodão em sucessão, por exemplo) e com integração lavoura-pecuária (ILP). Os cientistas vêm trabalhando para ajustar a metodologia de detecção remota para as demais modalidades: integração pecuária-floresta (IPF); integração lavoura-floresta (ILF) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). O objetivo é desenvolver os protocolos metodológicos, baseados em inteligência artificial, que integrarão um sistema capaz de analisar automaticamente imagens de satélite, fornecendo indicadores atualizados sobre as áreas que adotam esses sistemas de produção sustentáveis. As informações geradas serão úteis, por exemplo, para a gestão de políticas públicas setoriais, para monitorar a adoção de tecnologias mitigadoras e para a estimativa da mitigação de gases de efeito estufa (GEEs) da agropecuária.

A metodologia foi desenvolvida no âmbito do projeto GeoABC, que teve o objetivo de desenvolver metodologias e inovações tecnológicas para o monitoramento por satélite da agricultura de baixa emissão de carbono, em apoio à governança do Plano ABC (veja quadro abaixo).

Margareth Simões, pesquisadora da Embrapa Solos (RJ) que liderou o estudo, conta que a agropecuária nacional passa por um importante processo de intensificação sustentável que tem levado à consolidação de polos produtivos e à crescente adoção de sistemas de produção sustentáveis de alto rendimento. Ela aponta como exemplos a expansão das áreas com duplo cultivo, seja safra/safrinha de verão ou safra verão/inverno, a adoção do sistema plantio direto (SPD), a recuperação de pastagens em apoio a uma pecuária de alta performance e, especialmente, uma enorme adesão aos Sistemas Integrados de Produção Agropecuária em todas as suas variações.

No entanto, a cientista explica que devido à inexistência, até então, de metodologias capazes de detectar remotamente a expansão desses sistemas de produção, os órgãos setoriais, públicos e privados, não contam com informações adequadas para estimar o nível de adoção e a expansão em área dessas tecnologias. Esses dados, segundo ela, são fundamentais para subsidiar políticas públicas para o setor. “O País necessita urgentemente de indicadores e métricas para quantificar e demonstrar o quanto a sua agropecuária vem evoluindo rumo à desejada intensificação sustentável”, pondera Simões.

As soluções tecnológicas utilizadas

Os pesquisadores explicam que a metodologia desenvolvida no âmbito do projeto GeoABC é baseada na convergência de alguns adventos técnico-científicos, a partir da utilização de soluções gratuitas (open source). Uma delas é a metodologia de classificação digital de séries temporais de imagens de satélite utilizando algoritmos de inteligência artificial (machine learning). Outra é a utilização de plataformas nas nuvens (cloud computing platform) e computação paralela de alto desempenho (high performance computing).

Margareth Simões esclarece que, no início do trabalho, muitos desafios técnicos tiveram que ser contornados. A começar pela dificuldade para detectar por sensoriamento remoto alvos terrestres tão complexos e dinâmicos como os sistemas de ILPF, devido às diferentes estratégias adotadas pelos produtores e à inerente integração de diversos elementos de lavoura, pecuária e floresta sob práticas de consórcio, sucessão e rotação. “Esse desafio exigiu o trabalho com séries temporais de imagens de satélites com base no conceito de cubos de dados multidimensionais, ou data cube”, explica.

A pesquisadora destaca ainda que havia a necessidade de se contar com uma metodologia eficaz para a extração de informação e uma robusta estrutura para o processamento de uma quantidade massiva de dados. “A integração das soluções de cubo de dados, de aprendizado de máquina e computação paralela de alto desempenho resolveu o nosso problema”, lembra.

Patrick Kuchler, pesquisador vinculado ao grupo de pesquisa GeoABC pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ/PPG-MA), lembra que outra grande dificuldade enfrentada pela equipe foi a aquisição de dados de campo, já que os algoritmos de classificação e validação necessitam de uma grande quantidade de dados qualificados, georreferenciados e com o histórico detalhado de cada parcela amostrada. “Foi um grande esforço para realizar as campanhas de campo e, por sorte, pudemos contar com a inestimável parceria de técnicos e produtores que nos ajudaram muito”, conta Kuchler.

O pesquisador da Embrapa Rodrigo Ferraz destaca a estrutura hierárquica de classificação, capaz de distinguir a cultura da soja solteira da soja em duplo cultivo (soja+cereais ou soja+algodão) e os sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) em sucessão direta (soja+pastagem) ou indireta (soja+cereal+pastagem). “O algoritmo para a detecção dessas classes está plenamente desenvolvido e já pode compor um protocolo para um monitoramento sistemático. Para as demais variações dos sistemas integrados (ILF, IPF e ILPF), assim como para o sistema plantio direto, será necessário dar continuidade ao trabalho de pesquisa”, revela.

Ferraz acrescenta que, a partir da utilização do mesmo método, com os algoritmos de machine learning já desenvolvidos, aplicado a uma base de aprendizado mais ampla, a equipe poderá consolidar os demais protocolos de forma a prover o Brasil com um sistema completo de monitoramento. “Vale destacar que o sistema de monitoramento gera dados espacializados, possibilitando computar estatísticas em diferentes unidades espaciais de análise, tanto político-administrativas, como país, estados, microrregiões, municípios, polos de desenvolvimento agrícola, quanto unidades fisiográficas, como biomas e bacias hidrográficas.”

Metodologia testada em Mato Grosso

Os algoritmos computacionais para a detecção e monitoramento dos diferentes sistemas de produção (sistema de ILP e duplo-cultivo) foram testados no estado de Mato Grosso, no período de 2012 a 2019.  Os resultados mostram o potencial que a metodologia de classificação apresenta para o mapeamento ou monitoramento anual em escala nacional (veja figuras de 1 a 4).

Kuchler explica que a figura 1 apresenta, com base no método de densidade de Kernel, a clara intensificação da agropecuária ocorrida em Mato Grosso entre os anos-safra de 2012/2013 e 2018/2019.

Figura 1: Mapas de densidade Kernel mostrando a intensificação dos sistemas de produção na cadeia da soja em Mato Grosso, entre os anos-safra 2012/2013 e 2018/2019 

figura 2 mostra um cartograma que representa o crescimento das áreas de ILP por municípios mato-grossenses entre os anos-safra de 2012/2013 e 2018/2019. Já nas figuras 3 e 4 pode ser observada a evolução das áreas dos sistemas soja+cereal, soja+algodão e ILP para os anos safra de 2012/2013 a 2018/2019.

Figura 2: Cartograma dos municípios do estado de Mato Grosso, ranqueados em função das áreas de sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) no ano-safra 2018/2019.

Figura 3: Mapa dos sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e duplo-cultivo em Mato Grosso, no ano-safra 2018/2019.

Figura 4: Gráfico da evolução das áreas dos sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e duplo cultivo em Mato Grosso, entre os anos-safra 2012/2013 e 2018/2019.

 

“Nesse caso de Mato Grosso, podemos destacar que a área de ILP saltou de aproximadamente 1,1 milhão para 2,6 milhões de hectares entre 2013 e 2019, ou seja, mais do que dobrou no período de sete safras”, destaca Kuchler.

Os resultados do estudo de sensoriamento remoto para identificar áreas de ILP no Mato Grosso estão em um artigo científico – baixe aqui.

Próximos passos

“Uma vez tendo todos os protocolos metodológicos desenvolvidos, o objetivo é integrá-los em uma plataforma que possa realizar o monitoramento anual de todos os sistemas produtivos preconizados pelo Plano de Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária (Plano ABC+)”, explica Margareth Simões.

O pesquisador da Embrapa Pedro Freitas acrescenta que a metodologia desenvolvida se aplica a diversos sistemas de produção envolvendo culturas anuais, como soja, milho e algodão, em várias regiões do País.

Já Ferraz destaca que, em apoio às políticas e à gestão setoriais, a equipe também está formulando e propondo diversos índices espaciais que apresentam, por exemplo, as taxas de expansão e adoção dos sistemas integrados de produção ou o processo de intensificação sustentável, como Índice de Expansão Absoluta, Índice de Expansão Relativa, Índice de Adoção e Índice de Intensificação Sustentável.

“Já estamos trabalhando na disponibilização dos resultados em uma plataforma interativa, com apresentação dos mapas, dados, estatísticas e indicadores no conceito de dashboards. Entendemos que devemos dar ampla divulgação aos dados produzidos, e a melhor forma de fazê-lo será por meio de uma plataforma digital, a exemplo da plataforma do Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos no Brasil (PronaSolos). Será um ativo tecnológico, que estamos chamando de Plataforma GeoABC, e que será muito útil ao Ministério da Agricultura (Mapa) na condução do Plano ABC+”, projeta.

Quem pode se beneficiar com a metodologia

De acordo com os pesquisadores, a metodologia poderá atender, além do Ministério da Agricultura, às demandas de diferentes atores do setor produtivo, instituições de pesquisa, universidades e órgãos setoriais de governo ou privados.

Para o Ministério da Agricultura, as secretarias estaduais de agricultura e demais órgãos setoriais do governo federal e dos estados, o monitoramento permitirá a geração de dados, informações, estatísticas e indicadores espaciais que poderão subsidiar não somente o planejamento e a gestão das políticas públicas diretamente relacionadas ao tema, como o já citado Plano ABC+, como também políticas setoriais relacionadas à transferência de tecnologias e à logística e infraestrutura em suporte ao setor produtivo.

“Os dados gerados contribuirão ainda com o inventário e o monitoramento das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) na agropecuária nacional. Permitirão também avaliar o potencial de mitigação da emissão de GEEs, de aumento da eficiência no uso de insumos e da redução efetiva da perda de solo por erosão hídrica. E atenderão a estimativa e a disponibilização de dados agroambientais em plataformas como a do PronaSolos e o Observatório da Agropecuária Brasileira do Mapa”, acrescenta Pedro Freitas.

Simões aponta ganhos também para a atuação do Brasil em Fóruns Internacionais, pois o monitoramento contribui com o estabelecimento de indicadores agroambientais preconizados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização das Nações Unidas (ONU), no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “O Brasil contará com dados estatísticos e indicadores agroambientais que, além de subsidiar os processos de tomada de decisão, planejamento e gestão do setor agrícola, permitirão demonstrar o quanto a agropecuária nacional caminha rumo à sustentabilidade, empoderando o País nos fóruns internacionais de negociação comercial e ambiental”, prevê.

Para o setor produtivo, os dados estatísticos gerados poderão orientar os investimentos privados, sejam recursos destinados para a produção ou para infraestrutura e logística comercial da cadeia de insumos. As informações também podem orientar os agentes do setor financeiro na concessão de seguro ou crédito agrícola.

As redes de fomento e observatórios também poderão utilizar a metodologia GeoABC para o monitoramento dos sistemas integrados. O pesquisador da Embrapa Solos Renato Rodrigues, presidente do Conselho Gestor da Associação Rede ILPF, destaca a importância da metodologia desenvolvida pela Embrapa e parceiros. “Hoje, não se sabe com precisão onde ocorrem ou quais são as taxas de adoção dos sistemas integrados. Portanto, os dados sobre a expansão dos sistemas de integração lavoura-pecuária serão muito bem-vindos para o planejamento dos trabalhos, não apenas da Rede ILPF, mas, tenho certeza, para todo o setor do agronegócio interessado na intensificação sustentável”, comenta.

Ferraz acrescenta o exemplo da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa na Agropecuária (Plataforma ABC), gerida pelo Mapa e pelo Ministério do Meio Ambiente, e o Observatório ABC, mantido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), como iniciativas que também poderiam ser diretamente beneficiadas com os dados gerados pelo sistema de monitoramento dos sistemas iLPF.

Por fim, para as instituições de pesquisa e universidades, esses dados poderão propiciar a realização de estudos técnico-científicos em temas agronômicos, geográficos, logísticos, ambientais e outros, enumeram os pesquisadores.

Fonte: Embrapa
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Confira cinco dicas para armazenar os grãos e evitar prejuízo

Sem os devidos cuidados na armazenagem, uma das principais etapas do agronegócio pode gerar perdas de produção e rentabilidade financeira

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Foto: O Presente Rural

A safra brasileira de grãos, cereais e leguminosas deve atingir  270,7 milhões de toneladas em 2022, mostra a primeira estimativa  do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contudo, dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Food and Agriculture Organization (FAO/ONU) revelam que cerca de 10% do total de grãos produzido é desperdiçado anualmente devido a problemas relacionados ao armazenamento inadequado. Em comparação, de acordo com o IBGE, a colheita da região sudeste corresponde a 10,1% da produção nacional.

A redução das perdas e de custos proporciona benefícios que vão do campo à mesa. O agricultor consegue reter a produção para comercializá-la nas ocasiões em que o mercado oferece melhores preços, sem os prejuízos causados pela deterioração dos grãos em virtude da estocagem inadequada. Já o consumidor passa a contar com preços mais acessíveis puxados pela maior oferta de alimentos.

Para manter a qualidade dos produtos que foram colhidos e não perder o rendimento das lavouras, é fundamental que os agricultores façam a conservação de grãos seguindo todos os cuidados de maneira criteriosa e as boas práticas agrícolas. Para ajudar a evitar os prejuízos, a diretora executiva da Rayflex, Giordania R. Tavares, elenca cinco dicas, veja abaixo:

Controle de Pragas: Um dos primeiros cuidados que devem ser tomados é fazer o controle de pragas de modo que os insetos, fungos, roedores e até mesmo pássaros não prejudiquem toda a safra. Este, inclusive, é um dos principais problemas dentro dos armazéns. Portanto, medidas como o uso de alguns tipos de produtos, como portas rápidas, monitoramento frequente e vedação precisam ser adotadas.

Monitoramento de temperatura e umidade: Em períodos de alta umidade do ar é possível observar o desenvolvimento de fungos nos grãos quebrados, por exemplo. A umidade em excesso pode acarretar a fermentação dos produtos e elevar a temperatura do ambiente, responsável pela maior proliferação de microrganismos. Para reduzir os índices de umidade, é feita a secagem para diminuir o surgimento de mofo e aumentar a vida útil do armazenamento da colheita  por longos períodos.

Técnica de Aeração: Este é outro processo que tem interferência direta na temperatura e na umidade do ambiente e geralmente é feito antes da secagem. Através da passagem de ar pela massa de grãos, a temperatura é mantida, o que previne possíveis danos aos produtos, garantindo assim sua qualidade.

Cuidados com a limpeza: A higienização dos locais e dos grãos não pode ser negligenciada. Este processo será de extrema importância para eliminar qualquer foco de infestação remanescente de outra armazenagem dentro dos locais. Já para o caso dos grãos, será possível identificar e fazer a retiradas daqueles que estão quebrados, promover a eliminação de impureza, além de facilitar a aeração e a secagem.

Restrição de Acesso: Geralmente, a armazenagem de grãos acontece em silos e armazéns, ou em paiol no caso dos milhos. E para cada um desses lugares é importante contar com equipamentos que auxiliem nos principais cuidados, como é o caso também das portas rápidas. Com a característica de realizar a vedação completa para evitar a entrada de pragas, esta tecnologia protege contra chuvas e ventos, evitando a troca de ar entre os ambientes. Além disso, pode ainda apresentar isolamento térmico e abertura ultrarrápida, o que assegura que o ambiente esteja na temperatura ideal para que não ocorra a proliferação de microrganismos.

Fonte: Assessoria
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Bovinos / Grãos / Máquinas Bovinos

Como a causa da mastite afeta o desempenho reprodutivo das vacas?

Altas CCS por longos períodos resulta em elevação prolongada dos níveis de citocinas e alterações na resposta imunológica, que podem alterar ou prejudicar o desempenho reprodutivo normal de vacas leiteiras.

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Foto: O Presente Rural

*Por Gustavo Freu e Marcos Veiga Santos

A mastite e os problemas reprodutivos são os principais problemas de saúde responsáveis por perdas econômicas nas fazendas leiteiras modernas.

Além disso, os problemas de saúde do úbere e reprodução podem ter relação entre si, como no caso da ocorrência de mastite que afeta negativamente o desempenho reprodutivo das vacas.

Já é bem conhecido que vacas com mastite têm menor taxa de concepção, maior número de inseminações artificiais (IA) por concepção, além de outros distúrbios reprodutivos, que comprometem o desenvolvimento folicular e embrionário.

O tipo de microrganismo causador da mastite e a duração da infecção são dois fatores importantes que afetam o desempenho reprodutivo das vacas leiteiras. Sendo assim, devido à crescente importância da mastite causada por estreptococos ambientais (como S. uberis e S. dysgalactiae) e por coliformes, vale a pena entender quais os principais prejuízos e problemas causados por estes dois grupos de agentes causadores de mastite.

Em razão da importância econômica de manter um adequado período de serviço, pesquisadores de Israel compararam duas situações práticas em relação aos efeitos da mastite sobre a reprodução:

A) mastite crônica causada por Streptococcus spp.; e
B) mastite de curta duração causada por Escherichia coli.

Para isso, 778 vacas de seis rebanhos leiteiros foram avaliadas. O estudo monitorou vacas com mastite causada por Streptococcus spp., por E. coli e vacas sadias (grupo controle). Para avaliar o retorno da ciclicidade das vacas, foi utilizado um sistema automático de monitoramento de atividades e os dados foram classificados de acordo com o tempo de infecção: antes ou depois da primeira IA.

Os resultados mostraram que quando a mastite ocorreu antes do retorno da ciclicidade pós-parto, a prenhez na primeira IA foi menor nas vacas dos grupos Streptococcus spp. (26%) e E. coli (31%) em comparação com as vacas sadias 42% (Figura 1). De forma semelhante, quando a infecção ocorreu após a ciclicidade a taxa de prenhez na primeira IA foi menor nas vacas com mastite em comparação com as sadias.

A taxa de prenhez aos 300 dias em lactação antes (73%) e depois (67%) da ciclicidade foi menor para as vacas com mastite causada por Streptococcus spp. em comparação com as vacas sadias (95%). Da mesma forma, foi observada menor taxa de prenhez nas vacas com mastite por Streptococcus spp. (67%) do que por E. coli (93%), quando a mastite ocorreu após o retorno da ciclicidade.

O efeito negativo da mastite sobre desempenho reprodutivo varia de acordo com as condições dos sistemas de produção e do tipo de agente causador da mastite.

No estudo em questão, as vacas com mastite por Streptococcus spp. tiveram maior efeito negativo sobre o desempenho reprodutivo do que as vacas com mastite causada E. coli. Isso foi demonstrado pela maior porcentagem de vacas com mastite por Streptococcus spp. vazias ao final da lactação devido a falhas reprodutivas.

Entre as possíveis explicações, a mastite por Streptococcus spp. resulta em altas contagens de células somáticas (CCS) por períodos prolongados o que aumenta o risco de afetar a reprodução, enquanto que na mastite por E. coli este aumento de CCS é agudo e dura apenas alguns dias.

Altas CCS por longos períodos resulta em elevação prolongada dos níveis de citocinas e alterações na resposta imunológica, que podem alterar ou prejudicar o desempenho reprodutivo normal de vacas leiteiras.

Portanto, este estudo indica que a mastite crônica causada por Streptococcus spp. afeta mais intensamente a fertilidade das vacas leiteiras do que a mastite aguda causada por E. coli. Assim, um bom controle de mastite além de auxiliar na melhoria da qualidade do leite também contribui com manter bons índices reprodutivos das fazendas.

 

Fonte: Assessoria
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Bovinos / Grãos / Máquinas Bovinocultura leiteira

Procedimentos essenciais na criação de bezerras em sistemas de produção de leite

Bezerras com desenvolvimento corporal satisfatório e pouco acometidas por doenças durante a fase de aleitamento seguramente serão vacas mais produtivas na fase de lactação.

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Divulgação/Prado
Por João Carlos Dal Pivo, gerente técnico de Nutrição do Laboratório Prado.

A criação de bezerras é uma fase determinante para o sucesso dos sistemas de produção de leite. Bezerras com desenvolvimento corporal satisfatório e pouco acometidas por doenças durante a fase de aleitamento seguramente serão vacas mais produtivas na fase de lactação.

Por João Carlos Dal Pivo, gerente técnico de Nutrição do Laboratório Prado. – Foto: Divulgação

Para que se tenha um desenvolvimento satisfatório das bezerras, os cuidados com o umbigo são fundamentais para evitar a entrada de bactérias patogênicas via canal umbilical, reduzindo assim a incidência de diarreia, problemas articulares, pneumonia e mortalidade, os quais podem gerar perdas de até 25% no desempenho produtivo. O corte do umbigo é necessário quando este estiver demasiadamente grande. Para realizar a cura do umbigo, recomenda-se imergi-lo diariamente em uma solução à base de iodo, durante 3 a 5 dias, a fim de desidratá-lo/secá-lo.

Concomitantemente à cura do umbigo, deve-se realizar a colostragem, que é o processo de fornecimento de colostro de boa qualidade (≥22 graus brix) às bezerras. Esse procedimento é necessário para nutrir o animal recém-nascido e fornecer imunoglobulinas (IgG) para um desenvolvimento imunológico adequado. É importante assegurar a ingestão de colostro na proporção de 10% do peso vivo nas primeiras 6 horas e 5% nas próximas 12 horas de vida, sendo este fornecido através do uso de mamadeiras ou sondas.

Após a colostragem recomenda-se fornecer o leite de transição aos animais. É considerado leite de transição aquele obtido a partir da segunda ordenha até aproximadamente a quinta ordenha pós-parto. O leite de transição apresenta concentrações de gordura, proteína, aminoácidos, fatores de crescimento e compostos bioativos superiores às encontradas no leite integral. Além disso, o fornecimento de colostro e leite de transição adicional auxilia no desenvolvimento do trato gastrointestinal (TGI) de bezerros neonatos.

Após o fornecimento do leite de transição, inicia-se o uso do leite integral (leite de vaca) ou sucedâneo lácteo (leite em pó). Embora o fornecimento tradicional de quatro litros/dia/bezerra seja amplamente utilizado pelos produtores, essa quantidade não permite alcançar as taxas de crescimento ideais. Para isso, novos planos alimentares estão ganhando força na criação de bezerras, com o objetivo de fornecer maiores quantidades e/ou enriquecer as dietas líquidas. Veja uma sugestão de proposta de aleitamento:

O aleitamento pode ser realizado utilizando diferentes estratégias:

  •  Uso de leite integral;
  • Associação do leite integral com sucedâneo lácteo, promovendo o enriquecimento do leite (maiores teores de sólidos).
  •  Sucedâneo lácteo, que é uma opção para substituir o leite de vaca.

Preferencialmente, seguir os planos de adaptação gradativa, fornecendo exclusivamente o sucedâneo a partir da segunda semana de vida, fornecendo o sucedâneo em diluições de 1 kg para 7 litros de água (37 a 40°C), ou seguindo as orientações do fornecedor.

Além da dieta líquida (leite ou sucedâneo), é indispensável que os animais recebam água de qualidade e na quantidade adequada, um concentrado formulado especificamente para a fase de aleitamento fornecido à vontade (Imagem 1 – C), e feno de boa qualidade a partir dos 30 dias de idade.

Critérios para realizar o desaleitamento (raça holandesa):

  • Consumo de 1,5 a 2,0 kg de concentrado/animal/dia durante três dias consecutivos.
  • Idade de 80 dias
  • Peso vivo de 100 kg

O manejo, a nutrição e a sanidade são práticas primordiais para promover o crescimento de bezerras saudáveis e produtivas, tornando a criação eficiente e o negócio rentável.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato via: daniele.vicari@laboratorioprado.com.

Fonte: Laboratório Prado
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Biochem site – lateral

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