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Melhoramento genético das aves foca eficiência e sanidade do plantel

O melhoramento genético busca maior eficiência no pacote como um todo, da conversão alimentar à saúde das aves

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Foto: O Presente Rural

Por muitos anos a genética avícola pautou seus esforços na eficiência produtiva dos animais. Quanto mais a ave crescer, com menos quantidade de ração e água, melhor. Nos últimos anos, os geneticistas das maiores casas genéticas do mundo, no entanto, começaram a debruçar seus esforços na saúde dos animais, que passaram a ser mais tolerantes e reagir melhor quando confrontadas com determinadas enfermidades. O resultado: a sanidade dos planteis melhorou acentuadamente.

O diretor associado de Produto América do Sul da Cobb-Vantress, Rodrigo Terra, explica que o melhoramento genético busca maior eficiência no pacote como um todo, da conversão alimentar à saúde das aves. “Tudo em que trabalhamos o foco final é a rentabilidade do produtor. Para isso, investimos esforços para melhorar o bem-estar animal e a saúde das aves. São características que estão agregadas ao melhoramento genético ao longo dos anos, incluindo saúde corporal, saúde respiratória, entre outras frentes”, argumenta Terra.

De acordo com ele, a competitividade da empresa está na antecipação de demandas de mercado, como o próprio melhoramento da saúde das aves. “Precisamos saber sobre o que se quer no futuro, pois o melhoramento genético não é uma ação instantânea, demora anos até chegar ao destino do consumidor”, destaca.

Saúde para produzir mais

O profissional explica que, com saúde plena, as aves conseguem expressar todo o potencial genético e transformar menos ração em mais carne. “Para chegar a isso, precisa ter uma boa sanidade”, justifica. “A variabilidade genética vai sempre caminhar para termos um produto melhor. Estamos realmente preocupados com o resultado do cliente”, reforça.

O frango do futuro

Aliando saúde e desempenho, na opinião de Terra, o “frango do futuro” será ainda mais eficiente. “Não acredito que vai ser muito diferente do frango de hoje, mas será mais eficiente, com ainda mais qualidade. O frango é uma das fontes de proteína mais sustentáveis por consumir menos alimento e menos água. Acreditamos no aumento do consumo de carne de frango. Vejo nosso mercado já maduro em consumo, com aceitação mundial, o que nos permite uma expansão muito interessante”, argumenta.

Mais avanços

Os avanços da indústria e as crescentes exigências do consumidor moderno têm levado a empresa a ampliar a quantidade de características para medir e selecionar as aves. Como exemplo, características relacionadas ao bem-estar e à produção livre de antibióticos têm se tornado o foco da indústria nos últimos anos.

O progresso genético é a base da sustentabilidade e a gestão dos recursos do mundo é sustentada através da melhoria da conversão alimentar, do melhor bem-estar das aves, das melhorias no rendimento da carne e através de um frango de corte mais forte e resistente. “Todas estas características aliadas à excelência no atendimento fazem parte do nosso DNA”, cita Terra.

Fonte: Assessoria
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Nova edição de Nutrição e Saúde Animal está disponível na versão digital

Edição conta com entrevistas exclusivas, artigos técnicos e atualizações das principais empresas do agronegócio nacional

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O Presente Rural

A edição de Nutrição e Saúde Animal de O Presente Rural de 2020 está disponível na versão digital. Você leitor lerá sobre a evolução do milho para utilização na nutrição em cada espécie animal, as expectativas e tendências para o mercado de grãos no país e no mundo, uma entrevista exclusiva com a ministra Tereza Cristina, além de uma matéria completa sobre a história e os investimentos que a De Heus vem fazendo no Brasil.

Além do mais, você poderá conferir artigos técnicos sobre nutrição e saúde animal de avicultura, suinocultura e bovinocultura escritos por profissionais renomados do setor. Há ainda matérias sobre as atualizações nas principais empresas do agronegócio nacional.

A edição completa você pode ler aqui.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Avicultura Paranaense

Após 18 anos à frente do Sindiavipar, Domingos Martins passa o cargo de presidente a Irineo da Costa Rodrigues

O Presente Rural conversou com exclusividade com as duas lideranças para saber sobre o que foi feito e qual será o futuro do Sindiavipar

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Arquivo/OP Rural

O Paraná é atualmente o maior produtor e exportador de carne de frango do Brasil. Aproximadamente 40% de todo o frango exportado é do Paraná, que abastece 160 países. Além disso, a avicultura também representa 1/5 do Valor Bruto da Produção Agropecuária paranaense. Todo esse sucesso do setor teve muitos responsáveis, que lutaram e trabalharam para a avicultura ser o potencial produtivo que é hoje. Uma destas entidades, sendo, inclusive, uma das principais do país, é o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar).

E neste ano, o Sindicato troca a sua diretoria. Em setembro Domingos Martins deixou a presidência da entidade após 18 anos à frente da categoria. O atual diretor-presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues, foi eleito, em julho, como o novo presidente do Sindiavipar e empossado em 1° setembro.

Além de Rodrigues como presidente, a nova Diretoria é composta por José Antônio Ribas Junior, como vice-presidente; Rafael Santos na função de secretário e Roberto Kaefer exercendo o cargo de tesoureiro. O Conselho Fiscal Efetivo é constituído pelos profissionais: Alfredo Lang, Gerson Muller e Adroaldo Paludo. Dilvo Grolli, Valter Pitol, Sidnei Donizete Bottazzari, Ciliomar Tortola, Ricardo Chapla, Hugo Leonardo Bongiorno e Fabio Stumpf são os novos suplentes.

Para saber mais sobre como foram os anos de Domingos Martins, e o que Irineo da Costa Rodrigues espera para sua gestão, a reportagem de O Presente Rural conversou com exclusividade com as duas lideranças. Acompanhe:

Formado em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Domingos Martins, que também é diretor da Integra e proprietário da Frango a Gosto, deixa a presidência do Sindicato após 18 anos. Neste período, o Paraná passou de terceiro maior produtor e exportador de carne de frango do país para a liderança no segmento. Além disso, destaca-se ainda a criação do Fundo de Assistência Sanitária para a Avicultura do Estado do Paraná (Funasavi-PR), da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e do Instituto Paranaense de Reciclagem (InPAR), ao longo destes anos.

O Presente Rural – Faça um resumo desses 18 anos à frente ao Sindiavipar.

Domingos Martins – Acho que foram várias experiências para a vida. Dezoito anos é bastante tempo, e passamos por várias coisas. Tive a satisfação em fazer parte disso, com uma equipe maravilhosa. Verificar o crescimento da avicultura nesses 18 anos foi extraordinário. No início, o Paraná era o terceiro Estado na produção de avicultura e agora somos o primeiro.

Partimos de coisas básicas. Nós saímos de uma produção de frangos de galinheiros e passamos para aviários. Houve uma evolução genética, de ambiência, alimentar e de nutrição tão fantástica que possibilitou que nestes 18 anos crescêssemos violentamente. Saímos de 150 mil frangos abatidos por mês para praticamente 80 milhões de frangos abatidos por mês. Isso é a força da avicultura no Paraná.

Hoje representamos 38% da exportações nacionais, somos o Estado mais importante, exportamos para mais de 160 países, são mais de 10 mil famílias que trabalham na atividade, empresas médias foram crescendo e outras nascendo e, principalmente, nesse período nós tivemos o privilégio de ter as cooperativas, que enxergaram também na avicultura uma grande oportunidade. Porque as cooperativas sempre foram grandes produtores de soja e milho e exportavam esses produtos ou comercializam no mercado interno e resolveram transformar esse milho e essa soja em frango. Todas elas participam da nossa sociedade e vieram fortalecer a nossa estrutura, o que possibilitou que a gente crescesse de forma harmônica e juntos, ocupando os espaços que o agronegócio nos dava e, consequentemente, dando oportunidade de crescermos junto com todas as empresas. O próprio Sindiavipar foi crescendo e hoje temos uma sede própria maravilhosa, na parte central de Curitiba.

Participamos ainda de forma institucional muito forte a nível de Brasil, temos uma participação muito grande na ABPA, temos relacionamento com todas entidades estaduais de avicultura de forma expressiva. O Sindiavipar sempre foi ouvido em todos os governos, junto com ABPA, junto com Sociedade Paulista de Avicultura, a Sociedade Gaúcha, Catarinense e Mineira. Todos nós juntos. E o Paraná era o carro chefe puxando esse pessoal. Para nós é motivo de grandeza em todos estes anos e para mim um privilégio de ser o líder disso.

Nós também temos uma atuação constante junto a Federação das Indústrias do Paraná, ajudamos a estruturar a Adapar, sempre trabalhamos muito em conjunto com o Governo do Estado, principalmente a Secretaria de Agricultura, onde todos os secretários foram nossos grandes incentivadores e amigos. A avicultura foi observada e sentida pelos governos. Lá atrás, quando começamos, os deputados não sabiam o que era avicultura, e hoje temos um bom trabalho de divulgação, onde tivemos a oportunidade de divulgarmos nossos feitos e recordes. Nós costumávamos brincar que a avicultura do Paraná crescia a ritmo chinês. Isso é muito gratificante para mim como cidadão e como ser humano.

Fundamos o Fundo de Assistência Sanitária para a Avicultura do Estado do Paraná (Funasavi-PR), que é um fundo de assistência à avicultura para algumas calamidades, e é um dos fundos mais importantes nesse sentindo hoje no Brasil. Esse fundo já possibilitou ajudar a própria Adapar, com a doação de equipamentos de análise ultramodernos. Fizemos eventos, em especial o Workshop Sindivapiar, que é o ponto alto do que desenvolvemos, exatamente para dar transparência, publicidade e mostrar o que tem na avicultura paranaense para o Brasil e para o mundo. Nós só temos motivos para comemorar e, principalmente, agradecer a todos tudo o que aconteceu nestes anos e as oportunidades que surgiram para nós.

O nosso lema é “juntos somos mais fortes” e essa é a grande realidade de todo esse trabalho que foi desenvolvido ao longo destes anos pelo Sindiavipar junto com o avicultor, o produtor rural, o chefe da cooperativa, da empresa. Todos são importantes.

Eu vivi um sonho agradabilíssimo, onde conheci muitas pessoas dentro da minha atividade e fora dela também, todos que colaboraram para que a avicultura fosse mais forte e tenho certeza de que ela vai ser ainda mais brilhante e tem espaço para isso. É uma atividade excelente pela qual sou apaixonado.

O Presente Rural – Quais foram os maiores desafios que o senhor enfrentou frente ao Sindiavipar?

Domingos Martins – Foram inúmeros desafios. Tivemos problema de falta e escassez de matéria prima, a alta das comodities, foram coisas complicadas para nós. Diversas greves que enfrentamos, mas isso fez com que a gente crescesse junto, desenvolvesse junto para uma instituição mais forte. Foram coisas que atrapalharam, mas conseguimos aprender a conviver com todas as circunstâncias e dificuldades.

Fizemos um comitê exatamente para trabalhar soluções. Porque é muito importante quando você se senta com um adversário, uma pessoa que pensa diferente de você, é você fazer ele ver que você está fazendo coisa certa, que você trabalha com honestidade, alimenta o povo, produz a proteína animal mais acessível ao povo brasileiro. Nós temos o privilégio de poder produzir, sabemos o significado que tem de cuidar disso.

Foram algumas dificuldades que atravessamos, mas junto com essas dificuldades acho que marcamos as nossas maiores vitórias. Procuro falar que não houve dificuldades, mas sim as batalhas e vitórias que tivemos em cima das dificuldades. Sempre achamos uma solução que deixou a avicultura melhor e mais forte.

O Presente Rural – Qual o sentimento de repassar o cargo que o senhor ocupou por 18 anos?

Domingos Martins – Eu tenho o sentimento de dever cumprido. Que cumpri a minha tarefa. Eu passo o cargo ao Irineo, que é uma pessoa supercompetente, e ele prova essa competência na Lar, com segurança e a certeza de que a cada dia que passa ele vai engrandecer ainda mais o nome do Sindivipar e da avicultura paranaense. Ele com certeza vai compor uma equipe muito competente. Porque isso é possível notar no Sindiavipar, não temos nenhum CEO, ninguém de fora, é somente pessoas da avicultura e isso tem um valor impressionante. Porque é importante você colocar no cargo alguém que entenda da atividade, saiba como funciona, e isso nós vemos no Irineo.

O Presente Rural – Qual legado o senhor deixa para a avicultura paranaense?

Domingos Martins – Eu diria que o espírito de companheirismo, de gratidão, e os outros pontos que já foram citados, como a criação do Funasavi-PR, a sede própria e a nossa grande representatividade na avicultura brasileira. Além da forma transparente com que administramos e cuidamos das coisas da avicultura paranaense. Esse é o grande legado.

Formado em agronomia, Irineo da Costa Rodrigues possui experiência na chefia regional da Acarpa, atual Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PR). Além disso, foi presidente da Sudcoop (atual Frimesa), atuou como diretor na Confepar Agro-Industrial Cooperativa Central, da Credifronteiras – Sicredi Medianeira, da Cotrefal; da Coodetec e também da Cotriguaçu Cooperativa Central. Atualmente, exerce a função de presidente da Cotriguaçu e da Lar Cooperativa Agroindustrial; de membro do Conselho Diretivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e do Conselho de Administração da Gazin.

O Presente Rural – Quais são os planos para o Sindiavipar?

Irineo da Costa Rodrigues – A avicultura paranaense é a mais importante do nosso país, vez que nós produzimos mais de 35% da produção de frango do nosso Brasil, e nos exportamos praticamente 40% de todo o frango que o país envia na exportação. Nós já temos mais de 20 mil produtores de frango no Paraná, mais de 40 empresas associadas ao Sindiavipar e exportamos para mais de 160 países. Nós vamos agora de começo construir um planejamento estratégico e definir prioridades ouvindo os associados. Somos, portanto, o Estado que mais produz, mais exporta e que mais traz divisas nas exportações de frango para o resto do mundo.

Um dado bem recente que nós temos, nós sabíamos que a avicultura do Paraná representava 16% do Valor Bruto da Produção do Estado e agora, segundo dados que nos foi passado pelo secretário Norberto Oritgara, em 2019 nós atingimos praticamente 20% do VBP do Estado, ou seja, 1/5 da produção bruta do Paraná vem da avicultura, o que mostra a enorme importância que esse  setor tem, e que emprega 69 mil pessoas diretamente nas indústrias. E se é verdadeiro que para cada emprego na avicultura nós temos 17 empregos indiretos, então estamos falando que a avicultura traz para o Estado do Paraná um total de empregos diretos e indiretos na ordem de 1,3 milhão de pessoas. É um setor seguramente que mais emprega e mais distribui renda. A avicultura constrói e distribui renda e gera empregos.

O Presente Rural – Pretende continuar o que foi feito na gestão anterior?

Irineo da Costa Rodrigues – O que foi feito até agora desde que foi constituído o Sindiavipar é a base para nós fazermos um trabalho planejado para termos um setor mais robusto. Certamente esse setor que é mais pujante hoje, mais robusto, exigirá muito mais. Temos muitos problemas a serem superados, como a própria Covid-19 que está aí, que não foi superado. E sempre quando ocorre algum evento, como ocorreu no Dia das Mães, Corpos Christi, Dia do Trabalho, com as famílias se visitando, se alguém tinha o vírus, passou para outros familiares, e a medida que as pessoas foram trabalhar nas plantas frigoríficas, que elas tenham um sistema de fazer diagnóstico muito apurado, se identificava o problema e a avicultura passou como aquela que fosse a geradora ou transmissora dos vírus. Não, era entrar nos frigoríficos que ela já era diagnosticada e a partir dali era tratado.

Temos muito o que fazer, buscar compreender e levar a realidade da indústria, do setor avícola e do produtor para o Ministério da Agricultura, que precisa saber do Estado do Paraná, por ser o mais representativo, quais são as dores do setor. Hoje o Ministério pode nos ajudar não somente na sanidade ou na questão do serviço da inspeção federal. Mas veja bem, alguns países, notadamente na Ásia, por exemplo na China, tem surgido muitas doenças como peste suína africana, gripes aviárias e agora o próprio Covid-19. Enquanto no Brasil nós estamos de certa forma blindados, não temos tido que essas doenças, quando se trata de doença que contaminam os animais. Mas isso não quer dizer que não haja o risco, tem o risco sim e o Ministério da Agricultura tem um trabalho muito bom de vigilância e controle, mas não podemos descuidar. Em hipótese alguma podemos admitir que o nosso país venha a ter um problema desses de sanidade, porque então todo esse patrimônio que envolve a indústria, o produtor, sofreria um baque enorme e o país seguramente teria desemprego grande, falta de arrecadação, enfim, não dá para pensar.

Questão da sanidade tem a maior importância, e nós temos que comemorar, como agora nós sendo um Estado livre de aftosa sem vacinação, buscando esse status em Bruxelas. Mas isso que foi buscado para enfermidades, como aftosa, não podemos baixar a guarda e permitir que o outro problema venha a acontecer. Então temos um trabalho intenso para sensibilizar o Ministérios da Agricultura.

O Presente Rural – Como o senhor vê a importância do Sindicato para a avicultura paranaense?

Irineo da Costa Rodrigues – O Estado do Paraná até bem pouco tempo era o terceiro maior produtor de frango do país, agora é o maior produtor e maior exportador, é o que mais emprega também e, portanto, o que gera mais empregos indiretos. Por ser um Estado que evoluiu muito, também temos a avicultura mais moderna, porque desde nossos aviários a nível de produtor rural, desde indústria, laboratórios, nossa logística de entrega de ração, recolha de frango, é nova. Dessa forma, o Sindicato tem uma grande importância porque representa a avicultura que mais cresceu e certamente aquela que mais vai crescer nos próximos anos.

Tenho um dado importante que sempre analiso: o Sul do país tem a característica de ter pequenas propriedades, agricultura familiar, então tem mão de obra para fazer uma pecuária de pequeno porte qualificada. Mas o Sul do país, principalmente Santa Catarina e Rio Grande do Sul, não tem grãos abundantemente, isso está no Centro-Oeste. Mas no Estado do Paraná nós fazemos duas safras de grãos por ano, então nós também temos matéria prima. Dessa forma, nós temos as condições necessárias de ter matéria prima abundante e mão de obra qualificada e familiar que precisa da avicultura para viabilizar as pequenas propriedades.

Assim, é no Paraná que a avicultura mais vai continuar crescendo e o Sindicato tem uma grande importância porque ele precisa organizar a indústria desse setor. Mas a indústria não vive sozinha, ela precisa também ter um olhar para o produtor e um olhar para o mercado e exportações, para poder crescer com todos os elos e se desenvolvendo juntos.

O Presente Rural – Quais as frentes que o senhor pretende tomar frente ao Sindiavipar?

Irineo da Costa Rodrigues – Nós temos principalmente que atuar junto com as demais associações de avicultura nos outros estados. No Paraná é sindicatos, mas nos demais estados são associações. Então nós temos associações muito pujantes, de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Claro que outros estados também tem suas associações, mas as mais representativas estão na região Leste e um pouco do Centro-Oeste do nosso país, além da região Sul. Dessa forma temos que ter uma aproximação com essas associações, ter prioridades juntos e atuar fortemente junto com a ABPA, seja apoiando ou levando nossas demandas. Também precisamos visitar entidades públicas e privadas que fazem parte de algo que influi muito nos elos de produção.

Tivemos uma audiência com o governador do Estado no dia da posse e ele pediu se pudéssemos de novo ir ao Palácio, agora para mostrar com mais detalhe a avicultura, com números, gráficos e demonstrações para ver o que estado poderia fazer para ajudar, já que acreditamos que é o Paraná que vai continuar se destacando cada vez mais.

Temos gargalos na logística, temos hoje uma mateira prima muito cara, temos uma logística deficiente, inclusive a nível de estradas municipais, e falta recursos para a indústria poder estocar matéria prima, como soja, milho e farelo de soja, que agora está com preço muito alto. Então havendo recursos para que essas indústrias possam estocar matéria prima elas não sofreriam tanto essas altas de preços que seguidamente acontece. Nós também precisamos levar a sociedade uma mensagem da nossa avicultura, que ela é a melhor do mundo, do Brasil, do Paraná, e temos uma avicultura com muita sanidade.

O Presente Rural – Quais os desafios que a avicultura paranaense ainda enfrenta? De que forma o Sindiavipar ajuda indústria e produtor nisso?

Irineo da Costa Rodrigues – No momento os grandes desafio são encarar o custo alto da matéria prima, com elevação do preço do milho e da soja, nós também temos preços muitos elevados por causa da Covid-19, que obrigou empresas a dispensarem muitos funcionários para ficar em casa porque estavam no grupo de risco, e isso encareceu muito o custo das indústrias. Nós também temos ajudado uma grande desuniformidade na interpretação das normas do Ministério da Agricultura pelos SIF locais. Precisa haver uma padronização, um treinamento que tem muitas equipes novas que foram contratadas recentemente. E nós ainda temos o consumo que poderia ser maior, mas devido à falta de renda e desemprego pela pandemia ainda é um problema. Então o que precisamos fazer é trabalhar propostas, algumas são mais de médio e longo prazo, para superar estas dificuldades junto com outras associações, junto com a ABPA porque temos uma pauta comum e com ela temos ações que precisam ser tratadas a nível federal e outros assuntos precisam ser tratados a nível de estado e muitas vezes até a nível de município.

O Presente Rural – Qual o sentimento ao ocupar o cargo de presidente de um dos mais importantes sindicatos avícolas do país?

Irineo da Costa Rodrigues – O sentimento é muita responsabilidade e também a convicção de que juntos nós somos capazes de ter propostas que venham ajudar o setor, mas também o governo a entender melhor as nossas dores e ajudar o governo em buscar subsídios, sem buscar nenhuma beneficie ou benefício especial, ajudar o governo a ter propostas que possam ajudar o setor. Um exemplo de uma proposta: nós precisamos ter linhas de financiamento que a gente possa financiar sobretudo estocagem de matéria prima para a gente fugir um pouco desses preços muito elevados quando ocorre como agora onde o milho e a soja tem preços muito elevados o que encarece muito o custo de produção.

Em linhas de financiamento de longo prazo, da mesma forma, nós temos no país hoje linhas de financiamento que são diferentes nas regiões. Por exemplo, no Centro-Oeste uma linha de financiamento que é chamada de FCO que tem o juro mais adequado. Mas hoje o Centro-Oeste se desenvolveu muito. Então precisaria que essas linhas de custos mais adequados sejam estendidas a todo o país e não uma região que se no passado ela precisava de juros mais adequados e até subsídios para se desenvolver, hoje já se desenvolveram, e infelizmente algumas regiões de outros estados ficaram para trás.

O Presente Rural – De que forma pretende fazer sua gestão frente ao Sindiavipar?

Irineo da Costa Rodrigues – Com conhecimento, dedicação e foco no futuro da atividade, certamente teremos uma avicultura que será mais forte. Nos últimos anos a avicultura do Paraná tem se destacado em relação aos demais Estados a cada ano. E como nós já nos referíamos, somos o Estado que tem matéria prima, grãos que são ingredientes da ração, nosso Estado tão produtor quanto a região do Centro-Oeste, mas nós temos uma gestão da pequena propriedade, da mão de obra familiar e que precisa da avicultura para viabilizar as pequenas propriedades.

Então não tenho dúvida de que essa gestão do sindicato que agora se inicia, que tem três anos pela frente, quer juntar todos esses pontos que precisam ser melhor desenvolvidos e levarmos propostas para que o governo possa fazer suas políticas públicas que entendam a nossa atividade e o nosso Estado de uma forma a ajudar.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Evolução no controle e situação da doença de Gumboro

Na atualidade, embora vírus muito virulentos continuem circulando em muitos países, a forma subclínica é a predominante, o que não significa que não estejam afetando a produtividade dos lotes

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Jorge Chacón, Médico veterinário MSc. PhD e serviços Veterinários da Ceva Saúde Animal

Desde seu primeiro relato em 1962 na cidade de Gumboro, a doença tem sido reconhecida em todos os países com produção industrial avícola. Desde seu “descobrimento”, a forma clínica da doença tem levado a perdas milionárias, mas a relevância desta enfermidade aumentou quando se conheceu a capacidade imunossupressora do agente etiológico, o vírus da doença infecciosa da Bursa ou Gumboro (VDIB ou IBDV no inglês). A forma imunossupressora propagou-se para vários países da América Central e do Sul, e no final da década de 1990, a forma muito virulenta foi relatada na América Latina. Na atualidade, embora vírus muito virulentos continuem circulando em muitos países, a forma subclínica é a predominante, o que não significa que não estejam afetando a produtividade dos lotes.

Aspectos etiológicos

  • O agente

O agente causante da doença de Gumboro é um vírus RNA de dupla fita, segmentado e não envelopado. Estas características permitem eventos tais como mutações genéticas, reagrupações (reassortment), e recombinações com potencial de causar aumento da virulência e mudanças antigênicas.

  • Variabilidade viral

O VDIB pode ser classificado de acordo o grau de virulência em subclínico, virulento e muito virulento. Os dois grupos antigênicos do VDIB são comumente chamados de clássicos e variantes, mas câmbios drift têm contribuído na aparição de vários subtipos nestes grupos.

  • Resistência viral

A ausência de envelope confere ao vírus alta resistência frente a diversas condições ambientais quando o vírus estiver fora da ave. O VDIB começa a ser eliminado via fezes 48 horas pós infecção e por um período de 14 a 16 dias, podendo permanecer viável na cama e no aviário até 122 dias depois da retirada das aves, e até 52 dias no alimento e água. Diversos trabalhos de compostagem verificaram a alta resistência viral, podendo resistir a temperaturas de 560C por várias horas. Isto explica a importância de reduzir a carga viral de vírus virulentos na cama antes de alojar o próximo lote de frangos em um ambiente mais inócuo.

Aspectos patogênicos

  • Função e integridade da bursa

A Bursa de Fabrício (BF) é o órgão alvo primário do vírus, onde se replica nos linfócitos B imaturos levando a sua depleção. Desta forma, a resposta imune humoral é suprimida, embora a resposta a imunidade celular também seja afetada. A partir da segunda e terceira semana de vida, linfócitos maduros da bursa migram para diferentes tecidos e órgãos linfoídes secundários. A partir deste momento a bursa deixa de ser o único órgão de produção de linfócitos B. Isto pode ser verificado na prática desde que aves imunizadas e protegidas com vírus vivos invasivos intermediários Plus (que causam depleção linfoide parcial e transitória na bursa) respondem perfeitamente produtiva e imunologicamente.

  • Formas da doença
    • Clínica

A infecção pode levar à aparição de sinais clínicos evidentes (depressão, prostração, aves com penas eriçadas e diarreia) com aumento da mortalidade de até 40%. A mortalidade é causada por uma resposta inflamatória e imunológica exacerbada da ave (tormenta de citoquinas).

  • Subclínica

Acontece quando a infecção não causa aparição de sinais evidentes, mas afeta os indicadores de produtividade (menor ganho de peso e piora da conversão alimentícia), danificando a resposta imune da ave para outros patógenos e para diversas vacinações.

  • Imunossupressora

A infecção nas primeiras duas semanas de vida causará nas aves sobreviventes dano permanente do sistema imune. Estas aves ficarão mais susceptíveis a bactérias oportunistas que causarão sintomas e lesões, somente debeladas com o uso de antibióticos, uma grande limitação grande em empresas antibióticos-free.

Aspectos de controle

  • Imunidade passiva e ativa

Os anticorpos maternais (AcM) são importantes para proteger as aves nas primeiras semanas de vida. Mas as aves voltarão a ser susceptíveis aos desafios de campo quando os níveis de AcM diminuírem a níveis baixos. Desta forma, é necessário que as aves criem sua própria resposta imune que as proteja durante o resto do ciclo de vida.

A infecção da bursa por qualquer vírus vivo de Gumboro sensibilizará os linfócitos estimulando uma forte e rápida resposta imune humoral e celular. Vários trabalhos experimentais comprovaram a impossibilidade de uma ave, ou seja, uma bursa ser reinfectada por um segundo vírus. Isto se conhece no campo como “blindagem da bursa”.

  • Momento da vacinação

Os AcM neutralizam os vírus vacinais antes que eles consigam colonizar a bursa e estimular o sistema imune da ave. Muitas tentativas foram realizadas para detectar de forma prática o momento correto para a aplicação das vacinas vivas (nem muito cedo para não serem neutralizadas pelos AcM, e nem muito tarde para que protejam contra os vírus de campo).

  • Local de vacinação

Diante da limitação de vacinar as aves no incubatório com vacinas vivas convencionais, a vacinação passou a ser feita no campo, aplicando 2 ou 3 doses. Este procedimento mostrou-se efetivo. Porém, sabe-se que a eficácia da imunização via água de bebida depende também da qualidade da aplicação.

  • Invasividade de cepas de campo versus cepas vacinais

Durante os primeiros anos, as vacinas vivas com cepas suaves se mostraram efetivas para proteger contra os desafios de campo. Logo, elas se mostraram insuficientes para impedir a infecção por vírus de campo mais virulentos os quais conseguiam atingir a bursa antes que dos vírus vacinais suaves. Verificou-se então que vírus mais invasivos conseguiam “ultrapassar” maiores níveis de AcM que vírus menos invasivos. O conhecimento do conceito da invasividade da cepa levou ao desenvolvimento e uso de cepas vacinais com vírus mais invasivos (intermediários e logo intermediários Plus), os quais induziam proteção antes que as vacinas com cepas mais atenuadas.

  • Alternativas de imunização

Na atualidade 90% dos frangos do Brasil são vacinados no incubatório:

  1. As vacinas complexo-imune (CI) consistem em uma quantidade exata de anticorpos específicos do VDIG (VPI) ligados a vírus vacinal. Elas devem ser inoculadas no incubatório in ovo ou via SC pois não são afetadas pelos AcM. O vírus vacinal do complexo se replicará na bursa quando ela conseguir se liberar dos VPI e quando os níveis de AcM estejam baixos. Igual a qualquer vírus vivo, haverá indução de resposta imune humoral e celular, e posterior bloqueio da bursa. Em paralelo, a ave vacinada irá liberar para o ambiente este vírus podendo colonizar a bursa de outra ave ainda não infectada (transmissão lateral), ou ficar na cama substituindo o vírus de campo (diminuição da pressão de infecção).
  2. As vacinas vetorizadas (rHVT) são vacinas com vetor HVT do vírus de Marek que carrega gene da proteína VP2 do VDIG. Quando o vetor se replica na ave, estimulará a produção de anticorpos específicos contra a proteína VP2. Estas vacinas podem ser aplicadas in ovo ou SC no primeiro dia de vida porque os AcM não afetam a multiplicação do vírus vetor rHVT. Como não existe uso de vírus vivo de Gumboro se espera ausência de replicação viral na bursa. Além disso, por não existir transmissão lateral, a vacinação e proteção são individuais e independentes para cada ave.
  • Avaliação de programas vacinais

O controle da doença de Gumboro inclui a proteção clínica e subclínica da ave, mas também a diminuição da circulação de vírus de campo. No atual cenário de alta produtividade e competitividade, as empresas não se podem dar ao luxo de ter perdas subclínicas, precisando de programas vacinais que protejam os lotes contra todas as formas evidentes e não evidentes da doença. Independentemente da tecnologia vacinal utilizada, as monitorias de campo e laboratoriais devem revelar achados e dados compatíveis com o esperado para o programa vacinal utilizado. Resultados fora do padrão, são uma evidência de falta de proteção e consequente prejuízo produtivo e econômico na empresa.

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Fonte: O Presente Rural
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