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Suínos / Peixes Suinocultura

LV5: uma alternativa para melhorar a qualidade do leitão desmamado

Fica clara a importância da inclusão de uma característica indicadora de habilidade materna nos programas de melhoramento genético de suínos

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Artigo escrito por Juliana Dementshuk Machado, zootecnista, mestranda em Zootecnia e geneticista na DB Genética Suína

A alta mortalidade no período pré-desmame é um dos maiores problemas dos sistemas de produção de suínos e resulta em grandes perdas econômicas. Por isso, o número de leitões desmamados tornou-se um importante indicador de eficiência produtiva usado na suinocultura comercia00l. O número de leitões produzidos por porca por ano pode ser melhorado por meio do aumento do número de leitegadas ou do número de leitões desmamados. A seleção efetiva para um aumento no número de leitegadas por ano é possível pela seleção do intervalo do desmame à primeira inseminação e idade na primeira inseminação, contudo esse aumento não seria eficaz, devido à hereditariedade muito baixa desta característica. Já o aumento do número de leitões desmamados está diretamente ligado à sobrevivência.

Uma das alternativas adotadas para reduzir a mortalidade na maternidade foi a transferência das fêmeas para gaiolas, reduzindo as mortes por esmagamento. Mas, a sobrevivência dos leitões deriva de uma complexa interação entre a mãe, o leitão e o ambiente, sendo essa característica influenciada por dois componentes genéticos: o efeito genético direto (genética do próprio leitão) e o efeito genético materno (genética da matriz). Entretanto, até o desmame, o efeito genético materno tem se mostrado mais importante no crescimento dos leitões.

O componente materno é expresso pela habilidade materna, que pode ser entendida como a habilidade da fêmea em proporcionar condições favoráveis para desenvolvimento da prole, tanto no período intrauterino quanto após o parto, por meio de seu comportamento (interação com a prole) ou produção de leite.

O leite materno em mamíferos é, geralmente, considerado o maior fator influenciador do desenvolvimento da progênie. No comportamento materno de fêmeas suínas, principalmente, o desenvolvimento dos leitões a partir do leite tem atraído o interesse de pesquisadores desde a década de 1950, havendo uma intensificação dos estudos acerca da regulação hormonal desse comportamento. Sendo assim, quando discute-se sobre o efeito materno em suínos, geralmente, assume-se que a produção de leite é o principal componente. Entretanto, isso faria com que somente a produção de leite fosse suficiente para a estimativa desse efeito. Todavia, cada leitão é capaz de mamar por conta própria, mas para o ajuste da porca é importante a distribuição do leite para todos os seus leitões e, durante a lactação, o estímulo feito pelos leitões afeta a liberação de muitos hormônios que, não somente regulam a descida do leite, mas o metabolismo da fêmea e a produção de leite.

Múltiplos fatores devem ser levados em consideração na escolha do melhor critério de seleção. A herdabilidade está diretamente relacionada com o ganho genético na seleção, entretanto, a correlação entre as características deve ser considerada para que a seleção para todas as características seja eficiente e não haja resultado inesperado. Também, deve ser levado em conta o tempo despendido na coleta de informação, possível subjetividade e existência de sistemas que assegurem a precisão dos dados, principalmente, na identificação dos animais.

Características dependentes de interações complexas apresentam baixa herdabilidade. Além disso, a seleção direta para, por exemplo, número de leitões desmamados é restrita pela amamentação cruzada e a seleção é geralmente praticada apenas por tamanho de leitegada ao nascimento que, por sua vez, apresenta correlação negativa com a sobrevivência e, portanto, motivou mais estudos sobre o desempenho materno. Estimativas da variabilidade genética para habilidade materna em suínos são escassas na literatura. Esses autores afirmam que mais pesquisas são necessárias para encontrar uma característica apropriada para explicar a habilidade materna e sua complexidade. Por esses motivos, critérios de seleção indicadores de habilidade materna não são rotineiramente utilizados nos programas de melhoramento genético suíno. Além disso, mensurações de habilidade materna enfrentam dificuldades quanto a sua coleta nos sistemas de produção, sendo geralmente pouco práticas em larga escala.

LV5

Programas de melhoramento requerem um acurado conhecimento dos parâmetros genéticos para todas as características incorporadas no seu objetivo e índice de seleção, aumentando a necessidade de mais pesquisas. A Dinamarca, como exemplo, reconhecendo a importância da habilidade materna nos sistemas de produção, após pesquisas, inseriu em seus índices de seleção características indicadoras a fim de aumentar o desempenho na maternidade. Uma dessas características é o número de leitões vivos ao quinto dia (LV5). Uma vez que as mortes na fase inicial ocorrem, principalmente, no parto e durante os cinco primeiros dias pós-parto, tendo uma correlação moderada positiva entre o tamanho de leitegada aos cinco dias com a taxa de sobrevivência dos leitões, podendo melhorar efetivamente o tamanho de leitegada ao desmame.

A produção dinamarquesa de suínos teve grande desenvolvimento nos últimos anos, tornando-se uma indústria eficiente na produção de suínos. Desde 2004, com a inclusão do LV5 no índice de seleção, até 2010, o número de leitões vivos aumentou em 1,7 e 2,2 leitões por leitegada nas raças Landrace e Large White, respectivamente.  Hoje, estima-se que o ganho já tenha duplicado.

Sendo assim, fica clara a importância da inclusão de uma característica indicadora de habilidade materna nos programas de melhoramento genético de suínos, a fim de aumentar o desempenho e a sobrevivência dos leitões na fase da maternidade e, consequentemente, melhorar a eficiência produtiva da fêmea. Nesse sentido, o LV5 se mostra uma alternativa altamente eficiente.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Robotização na suinocultura de precisão propicia melhora na qualidade e aumento da produção

A robotização no trato dos animais com uso de robôs é a prática que entrega o maior retorno imediato ao produtor

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Giovani Molin, diretor da Roboagro com MBA em Gestão Empresarial pela FGV

A suinocultura nacional vislumbra um cenário favorável no horizonte. As primeiras projeções do mercado para 2020 mostram um crescimento de pelo menos 4% na produção de suínos. Além disso, a crise global no setor de proteína animal provocada pela Peste Suína Africana (PSA), na China e na Europa, deve seguir puxando as exportações neste ano. Neste cenário, a cadeia produtiva se volta para a necessidade de aumentar a sua produção, a fim de aproveitar as oportunidades. Porém, mesmo com um mercado em aquecimento, os custos de produção com alimentação ainda se mantêm altos e afetam todo o processo produtivo, em especial na fase de crescimento e terminação dos lotes de suínos.

Um dos grandes desafios deste processo está na dificuldade de acompanhamento do programa estipulado pelas equipes técnicas, já que os resultados da produção, na maioria dos casos, são conferidos apenas ao final do lote, quando este está fechado e oferece pouca possibilidade de otimização, tampouco de correção de falhas que prejudicaram o pleno desenvolvimento. Além disso, esta forma de organização oferece poucas informações sobre o processo produtivo, apurando apenas os principais índices de produção (mortalidade, consumo de ração, GPD, Conversão Alimentar, entre outros) no fechamento do lote.

Este não é um panorama novo, várias áreas da cadeia produtiva já enfrentaram este desafio. Na agricultura, por exemplo, produtores vêm adotando desde a década de 1990 ferramentas e tecnologias que possibilitam conhecer de maneira completa toda a área disponível para cultivo, a partir de mapas de produtividade. Adotando técnicas para correções de desuniformidades nas lavouras, aumento de quantidade e qualidade da produção, se evita perdas e gargalos de produção, a chamada agricultura de precisão. Práticas semelhantes passaram a ser utilizadas também no campo da zootecnia na última década. Assim como nas lavouras, chegou a vez das granjas adotarem o aprimoramento das atividades cotidianas de nutrição e cuidados com a sanidade e o bem-estar animal, a partir do monitoramento em tempo real do manejo.

Dentro da suinocultura de precisão, o abastecimento de água e a distribuição de ração são pontos cruciais para o produtor e áreas onde a robotização tem mostrado grandes resultados no aumento da produtividade. Entre os principais benefícios estão a eliminação de desperdícios e o controle de qualidade dos lotes, tendo como vantagens adicionais a qualidade da carne e maiores retornos financeiros. Sem falar de pontos cruciais na suinocultura, como bem-estar animal e sanidade.

Dentre o conjunto de técnicas que podem ser utilizadas na suinocultura de precisão, a robotização no trato dos animais com uso de robôs é a prática que entrega o maior retorno imediato ao produtor. Ao utilizar esses sistemas para este fim, é possível ter o controle total e em tempo real da alimentação dos suínos, com a garantia da quantidade correta em cada baia/trato ao longo do dia, da precisão no volume de ração distribuída em cada baia. Tudo isso organizado em informações gerenciais para a tomada de decisão do produtor e/ou da equipe técnica.

Além disso, esse tipo de sistema oferece ganhos pontuais que se refletem não só no aumento de produtividade da granja, mas na qualidade do produto final. Como:

  • Uniformidade de carcaças através da distribuição uniforme de ração ao longo do comedouro;
  • Entrega silenciosa e pontual da ração na hora programada, evitando o estresse animal;
  • Bem-estar animal através da distribuição linear de ração, evitando a competição entre os suínos e a ação dos predominantes;
  • Tratamento menos ruidoso e com música clássica, proporcionando um comportamento estável aos suínos e um melhor desempenho;
  • Redução do índice de mortalidade por torção e outros fatores sanitários.
  • Controle e rastreabilidade da ração distribuída em cada trato, facilitando a análise individual de cada distribuição.

Mais ganhos

Ganhos que se refletem em uniformidade de carcaças, carne de melhor qualidade e, principalmente, uma melhor conversão animal e melhor GPD, aumentando os resultados para o produtor, além de melhorar a competividade e ganhos para o criador.

Por fim, na outra ponta do sistema, está a possibilidade de pensar o processo de manejo como um todo. Ao integrar de forma rápida os relatórios fornecidos pelo sistema robotizado com softwares de gerenciamento de produção específicos para a suinocultura, tais como a plataforma S4 da Agriness, é possível agir de forma preventiva em gargalos de produção e no controle do bem-estar animal, prevendo e tratando comportamentos indesejados dos suínos e possíveis quedas de rendimento do lote antes que estas cheguem ao destino final.

Assim como ocorreu na agricultura de precisão, na suinocultura atual é impossível falar de ganhos e aumento de produtividade dos lotes sem adesão a esses sistemas e a essa nova forma de gestão. A próxima década será uma era de mudanças, em que o resultado final estará atrelado ao nível de inovação empregado na produção, tornando obsoletas práticas e tecnologias que estão sendo empregadas há pelo menos 20 anos. O mercado precisa estar atento às inovações que estão surgindo a favor da suinocultura brasileira. A suinocultura de precisão não é mais o futuro, é o presente.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de janeiro/fevereiro de 2020.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Produção

Paraná amplia liderança em piscicultura de cultivo

Levantamento da Peixe BR mostra crescimento de 18,7% para o Estado, bastante superior à média brasileira de 4,9% no ano passado

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Divulgação/AENPr

O Paraná teve um crescimento superior à média nacional na produção de pescados de cultivo em 2019 e consolidou ainda mais a liderança nesse setor. Enquanto no Brasil o aumento foi de 4,9%, o do Paraná alcançou 18,7%, com 154.200 toneladas produzidas. O levantamento foi feito pela Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR) e divulgado esta semana.

Em 2018, o Estado já liderava a produção, com 129.900 toneladas. Agora, ficou mais dilatada a diferença para os seguidores mais próximos. A segunda colocação é de São Paulo, que teve um decréscimo de 4,6%, caindo de 73.200 toneladas para 69.800 toneladas. Segundo a Peixe BR, em terceiro lugar aparece Rondônia, que reduziu em 5,5% a produção, baixando de 72.800 para 68.800 toneladas.

“Essa é uma atividade bem acolhida por cooperativas do Estado. Os investimentos na agroindústria e na infraestrutura de comercialização e logística deram segurança para os produtores”, afirmou o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. Para ele, o pescado deve adquirir cada vez mais importância como fonte de proteína, com presença forte no mercado internacional.

Ortigara também destacou os ajustes feitos pelo governo nas resoluções de liberação e validade das licenças ambientais. “Foram identificados os entraves e tomadas providências para que os processos fossem agilizados”, disse. Como resultado, dos empreendimentos de médio e pequeno porte passou-se a exigir apenas o Licenciamento Ambiental Simplificado.

Mais espaço

Para o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), responsável pelo setor de pescados, Edmar Gervásio, o peixe é um produto que deve conquistar mais espaço em futuro breve tanto em área de produção quanto no gosto do consumidor. “É uma fonte rica de proteína e seguramente pode contribuir para a segurança alimentar da população, assim como representa uma alternativa rentável e segura para a agricultura familiar”, disse.

Tilápias

A pesquisa do Anuário Peixe BR mostra que o Brasil passou de 722.560 toneladas para pouco mais de 758 mil toneladas de pescados de cultivo. O destaque é a tilápia, espécie da qual o País é o quarto maior produtor mundial, com 432.149 toneladas. Esse mercado é liderado pela China, com 1,93 milhão de toneladas.

Com crescimento de 7,96% em 2019, a espécie representa 57% da produção brasileira de pescados de cultivo. O Paraná mantém liderança folgada em tilápia, bastante à frente de São Paulo, que está na segunda colocação, com 64.900 toneladas, e de Santa Catarina, em terceiro lugar, com 38.559 toneladas. A participação paranaense no mercado nacional de produção de tilápias é de 33,8%.

Em peixes nativos, a produção brasileira teve crescimento de apenas 20 toneladas, passando para 287.930 toneladas – 38% do mercado nacional. No Paraná, a produção de peixe nativos (entre eles, bagre, dourado, jaú, pintado e lambari) foi de 4.194 toneladas. As demais espécies (principalmente carpa, truta e panga) ocupam apenas 5% da produção brasileira. A liderança neste caso é do Rio Grande do Sul, com 16.304 toneladas, e o Paraná está em terceiro, com 3.794 toneladas.

Exportação

No ano passado, de acordo com os dados do Ministério da Economia citados pelo levantamento da Peixe BR, as exportações da piscicultura de cultivo (filés e subprodutos alimentícios ou não – peles, escamas, farinhas e outros) renderam US$ 12 milhões. Os pescados em geral geraram US$ 275 milhões.

O volume de produtos de pesca de cultivo exportado ainda é pequeno, mas crescem a cada ano. De 2018, quando foram enviados para fora do País 5.185 toneladas, para 2019 o acréscimo foi de 26% e passou a 6.543 toneladas. A tilápia está no topo, com 81% de participação. O Paraná foi o segundo Estado exportador de tilápia e derivados, com pouco mais de 1.302 toneladas (24,47% do total). A primeira colocação é de Mato Grosso do Sul, com 2.085 toneladas (39.19% de participação).

Japão, China e Estados Unidos são os principais compradores da piscicultura de cultivo brasileira. Os Estados Unidos, apesar de ser o terceiro em volume, é o que traz mais divisas para o Brasil pois a preferência é pelo filé de tilápia fresco, que tem alto valor agregado. Japão e China importam mais subprodutos.

Fonte: AEN/Pr
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Suínos / Peixes Suínos

Projeções para o mercado de suínos em 2020 indicam que exportações seguirão em alta

A previsão é de novo recorde de embarques e estima-se um aumento na produção brasileira de carne suína, segundo USDA

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Inicio de ano é tempo de se planejar e de preparar os próximos passos para cumprimento de metas. E se tratando do mercado de suínos, o setor já se organiza para tomar decisões. Para isso, a ABCS traz uma análise da produção brasileira, da produção mundial e das exportações durante o período de 2019 e também as previsões para 2020. Dentre as principais observações, identificou-se que as exportações devem continuar crescendo, além de um aumento na produção brasileira de carne suína. No entanto, no cenário global a realidade é de queda na produção e de elevação dos custos para criação de suínos. Os dados mostram que a atual conjuntura exige atenção dos profissionais que atuam na área, especialmente dos produtores.

Exportação recorde em 2019 e janeiro de 2020 mantendo embarques em alta

O ano de 2019 atingiu recorde de exportação com o volume de 750,3 mil toneladas entre in natura (649,38 mil ton.) e processados e um faturamento de US$ 1,597 bilhão (ABPA). A China permanece o carro chefe das exportações brasileiras fechando o ano com 38,1% da carne suína in natura exportada pelo Brasil (tabela 1).

Tabela 1. Volumes exportados de carne suína brasileira in natura para os cinco principais destinos de 2019 (China, Hong Kong, Chile, Uruguai e Rússia) e quantidades para os mesmos destinos nos anos anteriores. 

Comparando com 2016, o ano que detinha o recorde anterior de exportação de carne suína, em 2019, com novo recorde de volume total embarcado (649,38 mil toneladas), observa-se a China praticamente substituindo a Rússia como principal destino, com volumes muito próximos quando comparamos a Rússia em 2016 e 2017 com a China em 2019. Em 2018, o mercado russo estava embargado por quase todo o período, mas no ano passado voltou em ritmo muito baixo. Por outro lado, chama a atenção o crescimento de embarques para Chile e Uruguai.

Os três estados do sul do Brasil lideraram os embarques com mais de 95% da exportação de carne suína in natura em 2019 (tabela 2).

Tabela 2. Os 10 estados maiores exportadores de carne suína in natura em 2019, em toneladas (MDIC).

Mudanças no câmbio e seus reflexos na produção

Outro dado que chama a atenção é o aumento expressivo do faturamento com exportação. Na tabela 3, observa-se que não somente o valor unitário em dólar subiu em 2019, mas também o valor recebido em reais, em função do câmbio favorável às exportações. Enquanto em 2018 o faturamento dos embarques de carne suína in natura totalizou pouco mais 1,07 bilhões de dólares, em 2019 superou 1,47 bilhões, um crescimento de 37,5%. Se aplicarmos o câmbio médio do ano sobre estes valores (tabela 3), considerando que o dólar encareceu mais de 3% de 2018 para 2019, então estima-se em reais um aumento de faturamento total de 42,4% de 2018 para 2019.

Tabela 3 – Exportação brasileira de carne suína in natura, volumes e valores de 2016 a 2019. Devido à elevação do câmbio em 2019, também o valor recebido por kg de carcaça em reais foi recorde. (Dados de volume e valores em dólar do MDIC).

* não considerada inflação no período

** trata-se de uma estimativa baseada em valores cambiais médios do ano, não obrigatoriamente representam o valor efetivamente convertido na comercialização, pois há diferenças em contratos e prazos e oscilações de volumes e valores ao longo dos meses do ano

Em janeiro de 2020 (tabela 4) as exportações continuaram em alta e a China este ano já representa pouco mais da metade dos embarques.

Tabela 4. Volumes de carne suína in natura (ton) exportados pelo Brasil no total e para China em janeiro de 2020 e o comparativo com o mesmo período de 2019. MDIC.

Acordos comerciais e recorde nos embarques

Em meados de janeiro foi assinada a primeira fase do acordo comercial entre EUA e China. A China deve comprar US$ 12,5 bilhões a mais que em 2017 em produtos agrícolas dos EUA no primeiro ano e US$ 19,5 bilhões no segundo ano. Caso o acordo seja cumprido, isso significaria uma elevação nas exportações dos EUA para a China de 149% e 197% em relação ao ano de 2019. Segundo a consultoria MBAgro, para os produtos agropecuários os efeitos não devem ser muito significativos, uma vez que o balanço de oferta e demanda mundial é o que interessa para a precificação dos produtos e o quadro mundial segue apertado tanto para carnes como para grãos. A tendência é que haja apenas uma reorganização nos destinos dos produtos transacionados entre os países.

No dia 10 de janeiro, o USDA atualizou as projeções para 2020 para a produção, consumo e exportações/importações dos principais mercados de carnes. Para este ano, o USDA projeta uma importação chinesa de carne (boi, porco e frango) da ordem de 7,15 milhões de toneladas, 27% acima do importado pelo país em 2019. Outros destaques do relatório do USDA são a previsão do aumento das exportações do Brasil em relação a 2019 da ordem de 9,5% para carne bovina, 20% da carne suína, sem crescimento significativo dos embarques de frango.

Tomando como base o segundo semestre de 2019, que foi quando a China elevou as compras da carne suína brasileira a outro patamar, projeta-se novo recorde de embarques para este ano de 2020, conforme a tabela 5, a seguir.

Tabela 5. Projeções de embarque de carne suína in natura para 2020, baseadas nos volumes exportados no segundo semestre e no último trimestre de 2019. Simulação baseada em dados de exportação de 2019 do MDIC.

Se por um lado o USDA projeta um aumento da produção brasileira de carne suína em 2020, ao redor de 4,5%, por outro lado, o órgão norte americano estima uma queda na produção mundial de carne suína ao redor de 10%, puxada principalmente pela China (-25%), Filipinas (-16%) e Vietnã (-6%).

No tocante a sanidade, além da peste suína africana (PSA) ainda não controlada na China e com focos recentes em outros países asiáticos e na europa oriental, 2020 iniciou com uma série de ocorrências como gripe aviária na China e Febre Aftosa em bovinos na Rússia, que podem afetar não somente o mercado de carnes, como a economia mundial, esta última mais relacionada ao Coronavirus.

Oscilações de preço no mercado doméstico de carnes

De dezembro de 2019 até o momento houve uma oscilação significativa nos valores pagos ao produtor brasileiro, tanto na carne suína, quanto na bovina (gráficos 1 e 3) que atingiram preços recorde no final do ano passado e experimentaram queda acentuada em janeiro. Segundo MBAgro, na média mensal, o suíno fechou o mês de janeiro com preços 6% abaixo do mês anterior, enquanto a carne suína fechou em queda de 12% no atacado em São Paulo. Porém, vale destacar que mesmo com as recentes quedas, o preço do suíno continua em um patamar histórico elevado. De fato, no início do mês de fevereiro tanto o suíno (gráfico 2) como o boi já demonstram uma retomada da subida de preços de forma mais lenta.

Gráfico 1. Evolução preço do suíno vivo, em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 2 anos (até 07/02/2020). Fonte: CEPEA.


Gráfico 2. Evolução preço do suíno vivo, em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 30 dias (até 07/02/2020). Mês de fevereiro já apresenta viés de retomada da subida de preço. Fonte: CEPEA.


Gráfico 3. Evolução dos preços do boi gordo no estado de São Paulo (valor da arroba), nos últimos dois anos (até 07/02/2020). Fonte: CEPEA.

Já o movimento de queda do valor da arroba do boi gordo esteve dentro da sazonalidade, pois janeiro é um mês onde o consumo costuma se retrair, em função das férias escolares e do início da “safra” do boi, com maior disponibilidade de animais para o abate (MBAGro). Além disso, as exportações sofreram uma espécie de ressaca, principalmente por parte da China, que foi o principal destino dos embarques em 2019 e se abasteceu para as comemorações do Ano Novo Chinês (25 de janeiro). Ainda segundo o MBAgro, apesar desta queda, a carne bovina deve continuar com preços elevados no mercado interno, por conta da forte demanda externa, mantendo as carnes de frango e suína mais competitivas frente às altas do boi.

Custo de produção: o grande desafio do suinocultor para 2020

Apesar da safra recorde de milho em 2018/2019, o volume exportado do grão (mais de 43 milhões de toneladas no ano, segundo o MDIC) foi o principal determinante de uma alta acumulada de 24% ao longo de 2019, com sucessivos acréscimos de preços desde o mês de setembro (gráfico 4).

Gráfico 4. Preço do milho, saca de 60kg (Campinas-SP), nos últimos 2 anos (até 07/02/20). Fonte CEPEA

O custo de produção de suínos calculado pela Embrapa-CNPSA acumulou em 2019 alta de 8,6%. A nutrição foi o item que mais subiu entre os itens dos custos, com 7,2% de aumento no ano. Durante o primeiro semestre de 2020, o mercado de milho deve permanecer pressionado, tendendo a se normalizar durante o segundo semestre, com a entrada da segunda safra. Até lá, o indicativo é de que os custos permaneçam elevados, comprimindo a rentabilidade do produtor (MBAgro).

Embora se estime uma produção muito similar a do ano passado (tabela 6), o atraso na colheita da soja e especialmente no plantio do milho segunda safra já são evidentes em 2020, quando comparados com os números de 2019 (tabelas 7 e 8).

Tabela 6. Oferta e demanda de milho do Brasil (em mil toneladas) nas últimas safras e projeção para safra 2019/2020. Observa-se uma previsão de estoque de passagem de 2020 para 2021 de cerca de 6 milhões de toneladas, a mais baixa dos últimos anos. (Conab/MBAgro). 


Tabela 7. Estimativa de colheita de soja no Brasil até o final de janeiro de 2020. Enquanto no mesmo período do ano passado 17% da área estava colhida, neste ano somente 8%.

Fonte: S&M, MBAGro.


Tabela 8. Estimativa de plantio de milho segunda safra no Centro-Sul do Brasil até o final de janeiro de 2020. Enquanto no mesmo período do ano passado 29% da área estava plantada, neste ano somente 8%.

Fonte: S&M, MBAGro.

Este atraso no plantio da segunda safra determina um risco climático que poderá determinar quebras na produção nacional de milho, pois esta segunda safra tem peso de mais de 70% na produção total do país. O consumo interno está aumentado, em função do crescimento das exportações de carne e também o etanol de milho. As exportações de milho começaram o ano com volume de 2,3 milhões de toneladas em janeiro de 2020 (MDIC), menos do que o primeiro mês de 2019 e 2018 e bem abaixo da média do segundo trimestre de 2019, que beirou os 6 milhões de toneladas mensais. Essa queda nas exportações de milho, aliado ao início da colheita da primeira safra deste grão, fez com que o preço caísse neste início de fevereiro (gráfico 4), depois de 6 meses de alta praticamente contínua.

A queda da produção mundial de carne suína, que deve se manter ao longo de 2020, conforme projeções do USDA, determinou uma inflação das carnes, na qual percebe-se que houve uma mudança de patamar de preço pago ao produtor. Além disso, a valorização dos insumos, em especial o milho, determinam um custo de produção recorde que deverá se manter em alta ao longo de todo o ano, dependendo da colheita e das exportações. Em paralelo, o Brasil está ficando cada vez mais dependente do mercado Chinês para exportar boa parte da produção de suínos. Estas questões aliadas ao dólar em alta recorde em fevereiro, riscos de desaceleração da economia mundial e a demora para que a crise econômica brasileira efetivamente se dissipe, aumentam o risco da atividade para este ano.

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, o momento é de cautela. “Precisamos produzir com eficiência, observar os indicadores do mercado de insumos e operar nesse mercado no momento certo são os pontos a serem trabalhados para que o suinocultor mantenha margens positivas ao longo do ano”.

Fonte: ABCS
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