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Leite de “qualidade A” rende lucro 25% maior ao produtor

Evento realizado no Oeste do Paraná mostrou importância de manejo adequado, com ênfase no período de 60 dias antes e após o parto, para ampliar ganhos com a atividade leiteira

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Quanto mais gordura e proteína e menos células somáticas e agentes bacterianos, melhor. Esse é o cenário ideal para o leite que sai da propriedade com destino à indústria, conforme o zootecnista Leopoldo Braz Los, que palestrou sobre a importância econômica da qualidade do leite na rentabilidade da atividade, em atividade desenvolvida durante a etapa de Cascavel (PR) do Programa Internacional Qualidade do Leite 2015. Produtores do Oeste paranaense participaram do evento, promovido pela DSM Tortuga, onde nutrição, bem-estar animal e cuidados específicos no pré e pós-parto das vacas foram destacados como fatores primordiais para a propriedade alcançar bons rendimentos. Não tomar alguns desses cuidados pode representar perdas de até 25%, defendeu o palestrante.

“Hoje o rendimento depende muito do manejo dos animais, do conforto, da atenção com a qualidade e higiene na ordenha, além de boa alimentação e saúde dos animais”, destacou. A alimentação do plantel é considerada por Los como fator primordial para alcançar bons índices de qualidade no leite e que a falta ou sobra de alguns deles pode comprometer essa qualidade. “Todos os nutrientes são importantes para a produção de leite. A fibra, por exemplo, tem grande importância na produção de gordura do leite. Os carboidratos não fibrosos, como o amido, são necessários na produção de volume de leite. O amido é precursor da glicose, que produz a lactose, importante componente do leite, e também a proteína do leite. O amido faz ter maior produção de proteína microbiana, que depois se torna proteína do leite”, enumera.

Por outro lado, ele cita minerais e vitaminas como importantes para agir aumentando a imunidade do animal. “Se a gente aumenta a imunidade, tem maior chance de responder ao ataque de microorganismos, diminuindo a chance de ter mastite, que é importante na produção de células somáticas. A gente consegue melhorar a qualidade do leite diminuindo essas células somáticas”, ressalta. “Temos também as enzimas para melhorar ambiente ruminal. Assim, se melhora a produção de gordura, importante componente do leite”, emenda.

O profissional frisa que hoje o mercado tem sistema de pagamento por qualidade, que varia de acordo com a classificação do leite, como classes A, B, C e D, por exemplo. “Usando métodos adequados no manejo e nutrição o ganho pode ser de até 25% maior no preço do leite”, frisa.

O leite considerado de mais qualidade e que, por isso, tem melhores preços ao produtor tem mais de 3,6% de gordura, mais de 3,4% de proteína, menos de 50 mil unidades/ml na contagem bacteriana total (CBT) e menos de 200 mil células somáticas/ml.

Pré e pós-parto não é “período vital” por acaso

O evento também abordou palestra sobre desafios do período de transição para bovinos leiteiros, com o zootecnista Edgar Moser Neto. O período de transição começa 30 dias antes e se estende até 30 dias após o parto da vaca, momento em que a deficiências de nutrientes pode comprometer não somente a produção futura de leite, mas também a reprodução do animal. De acordo com Neto, nesse período o bovino precisa ser tratado de forma diferente dos outros animais da propriedade, já que precisam de cuidados especiais.

“Nosso foco no evento foi o período de transição, que são os 30 dias que antecedem o parto da vaca e os 30 dias após o parto. Hoje chamamos de período vital porque tudo que vai acontecer no período de lactação dela, de 305 dias, muitas vezes está influenciado por problemas metabólicos no pre parto ou no pós parto imediato”, cita. “Quanto a gente melhora o resultado de uma vaca antes de parir, com imunidade elevada, ela vai parir melhor e vai aumentar o consumo de matéria seca mais rapidamente. Com isso, ela vai ter mais defesa. Com um sistema imune melhor, ela vai produzir mais leite; o pico de lactação dela vai ser maior”, enfatiza o profissional.

“Para a vaca produzir bastante leite na vida produtiva, ela tem que ter renovação através dos partos que vai tendo na vida. É logo após o parto que a vaca tem maior capacidade de mobilizar gordura corporal para produzir leite. Queremos chegar a nove mil litros no período de 305 dias”, expõe. “Quando o período de pré parto não é adequado, posso ter problemas reprodutivos no pós parto, fazendo com que o animal tenha um descarte antecipado por não emprenhar novamente. Isso traz problemas financeiros e diminui a rentabilidade do produtor”, explicou.

Nesse período, frisa o zootecnista, “tem que pensar que vaca é ser diferente na propriedade”. “Ela não pode ser tratada como as outras. A exigência nutricional é diferente. Ela está com bezerro dentro do ventre e, após a saída, vai ter grande perda de líquido. Por isso precisamos ter instalações adequadas, fornecer alimento não uma, mas até quatro vezes ao dia para gerar estímulo de consumo, fazendo com ela, ao invés de comer dez quilos, talvez chegue a 12, 13 quilos de matéria seca, fazendo com que ela sinta menos após o parto”.

Dieta Aniônica

No período vital, conforme Neto, o animal possui uma dieta bastante diferente da usada nos outros 305 dias. “Nesse período não posso ter sobra e nem falta de nutrientes. O ideal é ter uma dieta aniônica, com Cloro e Enxofre em quantidades mais elevadas e Potássio e Sódio em quantidades menores”, cita. Além disso, ele comenta que outros elementos são importantes nesse período porque estão ligados diretamente ao sistema imune. “Temos as vitaminas D e E, o Selênio, o Zinco e Cobalto, que também são indispensáveis nesse período”.

Por outro lado, excesso de nutrientes pode significar problemas, alerta o profissional: “Não podemos deixar faltar proteína e energia, mas não podemos ter excesso. Se tiver excesso de energia, por exemplo, a vaca pode parir obesa, o que pode trazer problemas metabólicos”, destaca.

Ele cita a dieta no período vital como fator determinante no rendimento do plantel. “Com o aumento dos custos da produção, a única forma que o produtor tem de diluir esse custo é produzindo mais leite e com mais qualidade. Só alcançaremos os resultados que a gente quer, que é de nove a 10 mil litros durante a lactação, se tiver um período vital bem feito. Se não, vamos continuar atingindo de cinco a seis mil litros na lactação”, resumiu.

 

Mais informações você encontra na edição impressa de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2015 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas Tecnologia

O uso de ácidos orgânicos como ferramenta valiosa na pós-colheita de grãos

Armazenagem é fator estratégico para que o produtor rural tenha condições adequadas para manter a qualidade dos produtos

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Natália Vicentini, TSM Líquidos, Kemin Kasa

Segundo a Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento (2020), o Brasil deve colher aproximadamente 265,9 milhões de toneladas de grãos na safra 2020/2021, e apesar da estimativa ser inferior ao previsto decorrente da estiagem da região Sul, trata-se ainda de uma produção recorde de grãos no Brasil, sendo soja e milho responsáveis por 89% dessa produção.

De acordo com a CNA, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (2014), a capacidade estática armazenadora existente no Brasil não acompanhou o crescimento da produção agrícola, contribuindo decisivamente para o estrangulamento da infraestrutura logística.

A armazenagem é fator estratégico para que o produtor rural tenha condições adequadas para manter a qualidade dos produtos, diminuindo as perdas e permitindo maior autonomia na comercialização da produção.

No contexto da conservação de qualidade, é preciso ter especial cuidado com os fungos, que se caracterizam como um dos principais agentes causadores de danos aos grãos, pelo fato destes serem substratos adequados ao desenvolvimento desses microrganismos, quando o teor de água, a temperatura e a umidade relativa de equilíbrio do ar intergranular são favoráveis. Suas consequências podem ser vistas através da produção de micotoxinas, perda de matéria seca, descoloração, e produção de odores desagradáveis são danos depreciativos causados pelo desenvolvimento fúngico e podem levar a inviabilidade do uso dos grãos para alimentação humana e/ou animal.

Um dos danos de maior impacto econômico causado aos grãos pelos fungos de armazenamento é a perda de peso resultante de matéria seca (amido, proteínas e gorduras). Em um estudo, a perda de matéria seca entre grãos sadios e contaminados por fungos chegou a 25% em milho e 18% em soja. Uma outra pesquisa demonstrou que para que a conversão alimentar de frangos não fosse alterada, entre dietas contendo milho de boa qualidade e milho mofado, a inclusão de fonte de estrato etéreo como óleo de soja deveria ser triplicada.

A utilização de aditivos químicos adequados e aprovados por órgãos competentes pode ser considerada uma ferramenta importante na conservação da qualidade dos grãos e redução de perdas. Os ácidos orgânicos, como ácido propiônico, sórbico e fosfórico, são aditivos conservantes comumente utilizados na indústria de nutrição animal e possuem poderosa ação antifúngica, prevenindo o desenvolvimento desses microrganismos e promovendo maior estabilidade da ração tratada. Pelo efeito sinérgico entre ativos, a mistura entre dois ou mais ácidos orgânicos é mais eficiente em controlar o crescimento dos fungos do que um único ácido sozinho, desse modo a utilização de um mix de ácidos orgânicos é preferível.

Um estudo brasileiro (2019) em condições experimentais demonstrou que o desenvolvimento fúngico de grãos de milho permaneceu estável por 120 dias após tratamento com ácidos orgânicos, enquanto grãos de milho não tratados tiveram um crescimento de até 1,0 x 104 UFC/g de bolores e leveduras para o mesmo período e condições de armazenagem. Neste mesmo estudo, foi possível verificar efeito benéfico do tratamento também na conservação de carboidratos não fibrosos e contaminação por aflatoxinas, parâmetros relevantes para grãos utilizados na indústria de nutrição animal.

Outro estudo brasileiro (2019) em condições experimentais comparou grãos de milho sem tratamento com umidade 10% frente a grãos de milho de aproximadamente 12% de umidade, com tratamento de ácidos orgânicos, e demonstrou que o tratamento contribuiu com a estabilidade da temperatura de armazenamento e da emissão de CO2, ambos produtos provenientes da respiração de micoorganismos.

Com base na importância do Brasil como um produtor mundial de alimentos num cenário de preços altamente elevados, da armazenagem no processo de conservação, e dos impactos que o desenvolvimento fúngico pode trazer, os ácidos orgânicos se mostram uma alternativa simples e viável na conservação dos grãos em condições pouco tecnificadas e como um reforço juntamente as práticas tradicionais de armazenagem entregando benefícios fantásticos.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Importância do manejo, conforto e nutrição sobre o período de transição de vacas leiteiras

Neste período ocorre uma intensa mudança no metabolismo da vaca, onde ela se prepara para produzir o colostro e, em seguida, o leite

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Artigo escrito por Josiane Pereira dos Santos, zootecnista, metre e doutora em Nutrição e Produção de Ruminantes e especialista em Nutrição de Ruminantes na Vaccinar

O período de transição é extremamente importante para a saúde, a produção e a rentabilidade de vacas leiteiras e compreende as três semanas que antecedem o parto e as três semanas após o parto. Neste período ocorre uma intensa mudança no metabolismo da vaca, onde ela se prepara para produzir o colostro e, em seguida, o leite. Assim, o animal precisará em torno de duas a três vezes mais nutrientes do que estava sendo exigido nos primeiros dias do período seco.

Uma das mudanças mais importantes durante o período de transição é a ingestão de alimentos. Em média, o consumo de matéria seca (CMS) diminui 30% durante a última semana que antecede o parto e é uma das principais preocupações neste período.

Vários cuidados com os animais como, estratégias nutricionais, manejo adequado, conforto e sanidade, podem minimizar os doenças e problemas metabólicos associados ao período de transição e melhorar o desempenho produtivo e reprodutivo da vaca durante a lactação. Dessa forma, o produtor deverá conhecer muito bem a estrutura da fazenda e a atual situação dos animais para que assim possa ser realizado um plano de ações estratégicas com o objetivo de melhorar o manejo dos animais no período de transição.

            A seguir serão comentados alguns pontos relevantes e que merecem atenção nesse período crítico.

  • Avaliação do escore de condição corporal (ECC) ≥ 3,5:A condição corporal é uma medida subjetiva da quantidade de gordura ou da quantidade de energia reservada que uma vaca possui. O ideal é que a vaca apresente ECC entre 3,0 e 3,5 ao parto. Vacas que parem com ECC ≥ 3,5 apresentam menor CMS, maior mobilização de gordura corporal e maior risco de doenças metabólicas. Para isso, é importante manter o controle sobre o manejo nutricional no final da lactação e do período seco para evitar que as vacas cheguem ao parto com ECC alto (vacas gordas).
  • Maximizar o consumo de alimentos
  1. Disponibilidade de alimentos: sempre deverá ter alimento disponível para esses animais, em qualquer período do dia. Recomenda-se que as sobras (alimento recusado pelo animal) sejam por volta de 10% do total ofertado.
  2. Qualidade da forragem pós-parto: Forragens com maior digestibilidade da fibra são essenciais para potencializar o consumo de matéria seca no pré e pós-parto. Vacas que consomem mais alimento no pré-parto consequentemente consomem mais no pós-parto e diminuem o impacto do déficit de nutrientes no pós-parto imediato.
  3. Conforto: vacas que não estão confortáveis durante o período de transição irão consumir menos alimento e ruminar menos e, desta forma, estarão mais propensas a doenças metabólicas. Os animais devem ter sombra, água fresca e de qualidade, espaçamento do cocho de no mínimo 80 cm por vaca, e ainda deve-se evitar superlotação dos lotes. Outro ponto importante e aconselhável é separar novilhas de vacas adultas. Em relação ao estresse térmico seja em produções extensivas ou intensivas os sistemas de resfriamento devem ser implantados a fim de minimizar o estresse por calor. Estudos indicam que vacas pré-parto em galpões com aspersão e ventilação produzem até 7 litros/dia de leite a mais que vacas sem ventilação e aspersão.
  4. Cetose: Com o aumento da demanda de energia, a vaca mobiliza as reversas de gorduras corporais e o aumento da oxidação dos ácidos graxos no fígado resulta em corpos cetônicos, como por exemplo o beta-hidroxibutirato (BHB), que são liberados na corrente sanguínea e que, em excesso nos tecidos, trazem danos à saúde do animal. A cetose pode ser mensurada em vacas com cinco a 10 dias pós-parto e a fazenda deve ter um protocolo de tratamento de vacas em cetose, os quais geralmente incluem a utilização de “drench” (Vacci Drench) com propilenoglicol e glicose com intuito de fornecer energia para a vaca.
  5. Identificação de vacas com histórico de problema: é necessário que o produtor tenha o registro de doenças das vacas do rebanho, pois animais que já apresentaram histórico de febre do leite, cetose ou mastite, têm maior chance de repetir este problema nas subsequentes lactações. Assim o produtor poderá tomar medidas preventivas no período de transição desses animais.
  • Estratégias nutricionais do período de transição:
  1. Dietas acidogênicas no pré-parto: A dieta aniônica consiste no fornecimento de sais aniônicos com base em sulfatos e cloretos para negativar o balanço cátion-aniônico da dieta (DCAD). Dietas com níveis altos de sódio e potássio resultam em alcalose metabólica, o que dificulta a habilidade de manter em equilíbrio o metabolismo do cálcio. Com o comprometimento dos níveis séricos de cálcio, os animais podem apresentar o quadro de hipocalcemia clínica (febre do leite) ou a hipocalcemia “subclínica” em que as vacas não apresentam os sintomas de hipocalcemia, mas com os baixos níveis de cálcio, a capacidade de contração muscular fica reduzida e ocorre uma imunossupressão. Com isso, a motilidade dos tratos digestivo e reprodutivo são menores e as vacas podem apresentar concomitantemente retenção de placenta, metrite, deslocamento de abomaso e mastite. O fornecimento da dieta aniônica no pré-parto irá auxiliar na normalização do fluxo de cálcio sanguíneo e evitar os problemas no pós-parto. Uma ferramenta prática que pode ser utilizada na fazenda é a mensuração do pH da urina e valores entre 6 – 6,5, que é suficiente para estimular os mecanismos do metabolismo do cálcio.
  2. Importância dos minerais: O sal comum (NaCl) não é a mesma coisa que a mistura mineral (sal mineralizado), também chamado de sal mineral. O sal mineral é uma mistura de sal comum, que é o cloreto de sódio, com outras fontes de minerais, tais como: fosfato bicálcico, que contém cálcio e fósforo disponíveis para absorção pelo animal, sulfato de cobre, sulfato de zinco, iodato de potássio, óxido de magnésio, selenito de sódio. Enfim, a mistura mineral deverá ser composta em macro e micronutrientes para atender as exigências nutricionais dos animais em cada etapa da vida (crescimento, transição, lactação e reprodução). Logo, é imprescindível a utilização de suplementos balanceados para cada fase. Os nutrientes minerais mais importantes na mistura são: cálcio, fósforo, magnésio, potássio, sódio, cloro, iodo, cobre, cobalto, manganês, selênio e ferro. Existem minerais importantes para a reprodução, como por exemplo, cálcio, fósforo, zinco, cobre, selênio e manganês e também aqueles imprescindíveis à saúde da glândula mamária e do sistema imunológico como por exemplo zinco, selênio e cobre.
  3. Antioxidantes: algumas vitaminas e minerais são capazes de estimular o sistema imune melhorando a saúde e a reprodução dos animais. Os principais antioxidantes são selênio e vitamina E.
  4. Aditivos para fermentação e controle pH ruminal: Aditivos que modulam e auxiliam a eficiência da fermentação ruminal podem ser utilizados nos períodos pré e pós-parto, como por exemplo ionóforos e leveduras. Já para os desafios do controle do pH e acidose ruminal no período pós-parto o uso de aditivos tamponantes e alcalinizantes, como bicarbonato e óxido de magnésio são estratégias pertinentes.
  5. Balanceamento adequado de proteína: durante o período de transição, a vaca exige grande quantidade de proteína metabolizável. Porém, o rúmen não consegue fornecer esta quantidade necessária por meio de seus microrganismos (chamada de proteína microbiana), pois neste período o CMS está reduzido. Desta forma, durante o período de transição pode ser recomendado a substituição parcial do farelo de soja por fontes de menor degradação ruminal, como grãos e farelos tratados termicamente (“by pass”). No período de transição pode ser recomendado que 60 – 62% da proteína seja degradada no rúmen, e o restante passe “by pass” (proteína não degradável no rúmen – PNDR) para ser digerido e absorvido no intestino. Outra opção é o uso de aminoácidos protegidos. Estudos indicam que a suplementação com metionina protegida durante o período de transição (relação lisina: metionina de 2,8:1) pode aumentar a produção de leite após o parto e ainda auxiliar na redução de distúrbios metabólicos e do desempenho reprodutivo.

É essencial que o produtor conheça seus animais, faça um planejamento adequado traçando as metas à curto, médio e longo prazo para melhorias das condições nutricionais e ambientais desses animais, proporcionando longevidade e produtividade aos animais e maior rentabilidade da atividade leiteira.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo IBGE

Com 264,9 milhões de toneladas, safra 2021 pode superar recorde em 4,2%

Produção de soja deve atingir mais um marco inédito de 131,8 milhões de toneladas

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Divulgação/Antonio Neto

A produção agrícola nacional continua a bater recordes. Pela estimativa de março, a safra nacional de grãos de 2021 deve ultrapassar a de 2020 em 10,7 milhões de toneladas (4,2%), somando 264,9 milhões de toneladas. Com destaque para a previsão da soja, que deve atingir mais um marco inédito, 131,8 milhões de toneladas. Além disso, outras culturas vêm crescendo, como a do trigo e da uva. As informações são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira (08), pelo IBGE.

“A colheita da soja está perto de ser concluída na maioria das unidades da federação, mas está com atraso em relação ao ano anterior, que foi causado pelo plantio tardio devido à estiagem no início da primavera. Com o retorno das chuvas, a partir de dezembro, as lavouras se recuperaram e a cultura se desenvolveu de maneira satisfatória. Embora atualmente o excesso de chuvas venha causando problemas em alguns estados, tanto na colheita quanto no escoamento da safra, restam poucas áreas a serem colhidas e a produção da oleaginosa deverá ficar 8,5% (10,3 milhões de toneladas) acima da de 2020”, explica o gerente da pesquisa, Carlos Barradas.

Segundo o pesquisador, a demanda aquecida e o dólar em alta têm favorecido a comercialização da soja e incentivado os produtores a aumentarem o plantio. No final de março de 2021, a saca de 60 kg do produto foi comercializada a R$ 173,30, 3,49% acima do mês anterior. Na região integrada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (Matopiba), por exemplo, quase todos os estados apresentam aumentos expressivos na produção, como o Piauí (15,6%), a Bahia (7,6%) e o Maranhão (3,8%) – a exceção é o Tocantins (-6,3%).

Além disso, em função do atraso na colheita da soja, a “janela de plantio” do milho 2ª safra foi estreitada, o que pode trazer maior insegurança quanto ao comportamento do clima durante o ciclo dessa cultura.

“Por esse motivo é que está havendo declínio nas estimativas do rendimento médio dessa safra em algumas unidades da federação importantes, como é o caso do Mato Grosso (-8,9%), de Goiás (-8,2%) e do Mato Grosso do Sul (-9,2%). Esses estados conjuntamente devem responder por 68,0% da produção do milho 2ª safra do País em 2021. Caso haja um prolongamento das chuvas durante o outono nesses estados, a safra brasileira de grãos poderá ser ainda maior”, assinala Barradas.

Outra commodity que vem atraindo os produtores é o trigo. Com preços em alta, este cereal de inverno tem se tornado mais atrativo ao cultivo.

“Como importamos quase a metade de todo o trigo que é consumido no país, os preços do cereal acabam muito atrelados ao câmbio e, com a valorização do dólar fazendo os preços subirem, os produtores têm se esforçado para aumentar o cultivo do trigo de modo a substituir parte das importações”, explica Carlos Barradas.

Além dos grãos, cabe destaque também para o aumento na produção de uvas. A estimativa da produção foi de 1,7 milhão de toneladas, crescendo de 4,9% em relação ao mês anterior e de 18,7% em relação a 2020. Isso de deve ao bom rendimento das lavouras. Em março, a produção do Rio Grande do Sul, responsável por 56,5% da safra nacional de uvas, foi reavaliada com crescimento de 8,5% em relação à estimativa anterior e de 29,2% frente a 2020, alcançando 950,2 mil toneladas.

“As condições de estiagem, combinadas com grande amplitude térmica diária, de dias quentes e noites frias, ocorridas no final da primavera e início do verão, não anteciparam o ciclo e foram muito favoráveis para a quantidade e a qualidade enológica das uvas precoces. O consumo de vinho durante a pandemia de Covid-19 cresceu bastante, reduzindo os estoques comercializáveis de uva. Mas as cooperativas do Rio Grande do Sul esperam recompor esses estoques durante o ano, bem como o estoque de passagem até a próxima colheita”, afirma Barradas.

Outras unidades produtoras também esperam crescimento da produção em relação a 2020, como Pernambuco (15,3%) e Bahia (8,9%), estados em que se localiza o Vale do São Francisco e que, junto com o Rio Grande do Sul, respondem por 82,6% da produção nacional de uva. Enquanto no Sul a maior parte das uvas tem como destino a produção de sucos, no Nordeste, a maior parte vai para o consumo de mesa.

Na informação do LSPA de março em relação à de fevereiro, destacaram-se as variações positivas nas produções de trigo (8,1% ou 541,6 mil toneladas), cevada (7,9% ou 31,3 mil toneladas), feijão de 1ª, 2ª e 3ª safra (0,8%, 5,0% e 1,7%, somando 77 mil toneladas), uva (4,9% ou 78,4 mil toneladas), sorgo (2,4% ou 67,5 mil toneladas), soja (1,1% ou 1,4 milhão de toneladas) e arroz (0,9% ou 100,3 mil toneladas). Porém, são esperados declínios na produção do milho de 1ª e 2ª safra (-1,5% e -0,1% ou 471,2 mil toneladas) e da aveia (-0,3% ou 2,5 mil toneladas).

As regiões Sul (13,7%), Sudeste (3,5%), Norte (1,4%) e Nordeste (3,3%) tiveram altas em suas estimativas. Já o Centro-Oeste, que é o maior produtor (45,5% do total), deve ter queda de 0,9%.

Implementado em novembro de 1972, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) fornece estimativas de área plantada, área colhida, quantidade produzida e rendimento médio de produtos selecionados com base em critérios de importância econômica e social para o país. A pesquisa permite não só o acompanhamento de cada cultura investigada, desde a fase de intenção de plantio até o final da colheita, no ano civil de referência, como também o prognóstico da safra do ano seguinte, para o qual é realizado o levantamento nos meses de outubro, novembro e dezembro.

Fonte: IBGE
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Dia Estadual do Porco – ACSURS

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