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Avicultura Saúde Animal

Infecções subclínicas em frangos de corte: perdas silenciosas de elevado impacto econômico

Existem diversas doenças que têm apresentações subclínicas ou leves que na maioria das vezes não são diagnosticadas

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Jorge Chacón, M.V. MSc. PhD. dos Serviços Veterinários da Ceva Saúde Animal

Para as diversas doenças infecciosas que afetam os frangos de corte, é possível conhecer seu impacto econômico quando suas manifestações clínicas são evidentes e facilmente observáveis, porque elas permitem sua quantificação.

Para o caso das doenças de Gumboro e coccidiose, se sabe que existem os quadros clínicos e subclínicos, e que ambas formas destas doenças precisam ser controladas e prevenidas devido aos prejuízos econômicos consequentes, mesmo na ausência de sinais clínicos evidentes. Porém, existem outras doenças que também têm apresentações subclínicas ou leves que na maioria das vezes não são diagnosticadas, e com isso, levam a perdas de produtividade silenciosas e não controladas.

Origem das infecções subclínicas

Para a maioria das doenças infecciosas das aves, o tipo do quadro clínico e sua severidade dependem de vários fatores relacionados ao hospedeiro (frango), agente (patógeno) e ambiente (fatores externos).

Quadros clínicos muito severos podem resultar do envolvimento de uma cepa muito virulenta (por exemplo vírus de alta patogenicidade da Influenza aviária ou velogénico do vírus da Doença de Newcastle), mas outras vezes podem ser consequência do envolvimento de patógenos primários e secundários ou condições ambientais inadequadas para a criação do frango (temperatura, umidade, ventilação, qualidade de ar, etc).

Mas, mesmo que as condições ambientais sejam adequadas para o frango, e não existem agentes secundários no aviário, os agentes infecciosos primários podem se multiplicar em aves saudáveis. Nestes casos, quando existe um elevado nível de contaminação com o agente primário, será possível observar sinais clínicos severos.

A multiplicação do patógeno (seja vírus, bactéria ou parasita) na célula do hospedeiro, neste caso, o frango de corte, levará a perda do funcionamento e morte da célula, reação inflamatória e dor. Logo, as consequências são variadas, por exemplo, morte das células do trato digestivo prejudicará a absorção de nutrientes; dano das células do trato respiratório levará a dificuldade da respiração; a resposta inflamatória sistêmica levará à febre e dor que prejudicará a ingestão de ração; dano das células renais encarregadas da eliminação de substancias tóxicas do metabolismo levará a intoxicação e morte.

Desta forma, é fácil entender como a multiplicação dos patógenos, mesmo em casos de baixa pressão de infecção, comprometerá o desempenho zootécnico do lote. Muitos casos de infecções subclínicas, levam a aumento ligeiro da mortalidade final (<1%) que pode passar despercebido, mas se multiplicamos aquele 1% pelo tamanho do lote, ou pelo abate diário da empresa, podemos ter uma ideia clara do custo desta infecção subclínica.

Considerando um exemplo de uma empresa que abate 100 mil  aves dia, um aumento de 1% da mortalidade representaria uma redução de mais de 63 toneladas de frangos para processamento, e uma perda direta de mais R$197 mil  em receita para empresa (frango vivo).

Diagnóstico das infecções subclínicas

A falta de monitoramento laboratorial dos lotes de frango de corte de forma rotineira impossibilita detectar a circulação de patógenos nos aviários. Mas, como foi mencionado anteriormente, apenas a presença dos patógenos primários já prejudicaria o desempenho produtivo do lote. Desta forma, o impacto econômico das infecções subclínicas pode ser elevado.

Existem dois cenários comuns que acontecem nas empresas com lotes acometidos por infecções subclínicas:

  • Primeiro cenário, devido à ausência de manifestações clínicas, os responsáveis pela sanidade dos lotes, não se preocupam com o acompanhamento sanitário nem produtivo do lote. Desta forma o patógeno, mesmo sem causar sinais clínicos evidentes, estará afetando a produtividade dos lotes rodada a rodada, e a empresa estará perdendo toneladas de ração, ou de frango, ou de carne de frango;
  • Segundo cenário, quando foi detectado uma queda no desempenho do lote, a ausência de sinais clínicos evidentes leva os profissionais a procurar a causa desta queda de desempenho do lote em outras áreas. Assim, erroneamente, muitas vezes o programa nutricional, ou o sistema de manejo ou até a linha genética é culpada pela queda de desempenho. Mudanças feitas para corrigir esta queda de desempenho em áreas que não são as causadoras do problema levarão a investimentos desnecessários.

Os agentes primários mais comuns que causam doença clínica nos frangos de corte incluem os vírus das doenças de Gumboro, Bronquite Infecciosa, Newcastle, Marek, Anemia infecciosa e Artrite; coccideas e Salmonelas tíficas. Desta forma, a empresa deve ter um programa de monitoria adequado que pesquise a circulação destes patógenos nos lotes e mesure o nível de proteção conferido pelos programas vacinais implementados.

Obviamente, é impossível fazer um diagnóstico clínico na ausência de sinais clínicos, desta forma, se faz necessário o uso de testes laboratoriais para detetar a circulação do agente infeccioso. Para o caso de algumas doenças como a Bronquite Infecciosa, os resultados sorológicos não são definitivos, porque estes testes têm a limitação de poder detectar infecções tardias. Nestes casos, se faz necessário o uso de técnicas moleculares. Pesquisas mostram a detecção de lotes positivos e negativos ao vírus BR usando a sorologia de ELISA e o PCR como testes de diagnóstico. Pode-se observar no gráfico que o PCR é mais sensível e que os testes de ELISA detectam menos de 50% dos lotes realmente positivos.

Os quadros subclínicos da doença de Gumboro e Coccideose são bem conhecidos, mas múltiplas pesquisas recentes vêm demostrando que existem infecções subclínicas causadas pelo vírus da Bronquite Infecciosa, agente de maior prevalência e impacto econômico nos plantéis de frango de corte do Brasil.

Erroneamente acreditava-se que as infecções pelo vírus da Bronquite Infecciosa sempre têm que causar sinais ou doença respiratória. Porém, numerosas monitorias consistentes e apoiadas por testes sorológicos e moleculares têm mostrado que existem quadros clínicos não clássicos da Bronquite Infecciosa, onde apenas se observa aumento moderado da mortalidade final e baixo desempenho produtivo. Em muitos destes casos, apenas se observa depressão das aves e diminuição do consumo da ração. Monitorias visando a detecção do vírus da Bronquite Infecciosa, em meses que não apresentam doença respiratória evidentes em granjas do Sul do Brasil, têm encontrado elevadas taxas de positividade que superam os 90%.

Impacto econômico das infecções subclínicas

Os impactos econômicos causados pelas infecções subclínicas não são tão elevados quanto os provocados pelas infecções clínicas, com sinais evidentes. Porém, as infecções subclínicas levam a perdas de produtividade e econômicas expressivas. No caso da doença de Gumboro por exemplo, se conhecem os efeitos causados pelas infecções subclínicas sobre a produtividade. Pesquisas apresentam os resultados de produtividade de lotes de aves com e sem a doença subclínica de Gumboro. Os lotes com programa vacinal que protegia adequadamente contra casos clínicos e subclínicos da doença de Gumboro tiveram melhores resultados zootécnicos e uma receita adicional de mais de R$ 35 para cada mil aves, mesmo na ausência de sinais clínicos, mostrando o efeito subclínico do vírus de Gumboro.

A Bronquite infecciosa com sinais clínicos respiratórios convencionais e aumento de condenações sanitárias no abatedouro leva a perdas milionárias. Estes casos de doença respiratória têm uma apresentação sazonal, com padrão que varia segundo a área geográfica. São conhecidas as perdas produtivas nos casos de doença com sinais clínicos evidentes, mas não existem trabalhos que abordem o efeito das infecções do vírus da Bronquite Infecciosa sobre a produtividade no caso da ausência de sinais clínicos. Numa empresa de São Paulo, foram realizadas monitorias para detectar o vírus BR da Bronquite em meses com e sem apresentação de distúrbios clínicos evidentes. Nestas monitorias, o PCR foi usado para discriminar os lotes positivos e negativos para o vírus BR. Os resultados zootécnicos de lotes positivos e negativos foram comparados nos meses com e sem problemas sanitários evidentes. A monitoria, avaliação e comparação de 127 lotes desta empresa mostrou claramente piores resultados de produtividade nos lotes infectados com o vírus BR. Estas diferenças foram maiores nos meses quando se observavam no campo distúrbios clínicos. Mas, o prejuízo sobre a produtividade em infecções subclínicas também foram elevados: R$ 127,63 para cada mil aves alojadas, mesurando os resultados de Conversão Alimentar ajustada, GPD e mortalidade após os 35 dias.

Monitorias de prevalência do vírus BR, em lotes de seis empresas da região Sul do Brasil, foram conduzidas em meses sem apresentação de doença clínica evidente. A avaliação de 109 lotes das seis empresas mostrou o impacto das infecções do vírus BR da Bronquite infecciosa sobre os principais parâmetros de produtivos e sanitários. Estas monitorias que incluíram a avaliação de mais de 4 milhões de aves mostraram que o vírus BR, mesmo sem causar doença clínica evidente, afeta os principais indicadores de produtividade. Ainda que as empresas não relatavam problemas evidentes nos frigoríficos por terem condenações baixas, a condenação parcial por aerossaculite nos lotes positivos ao vírus BR foi aproximadamente o dobro comparado aos lotes negativos. Os lotes com índices elevados de condenações tiveram maiores custos de processamento devido ao retrabalho causado pelas condenações sanitárias. Estes achados foram observados em todas as empresas avaliadas mostrando que o vírus BR causa perdas econômicas, mesmo na ausência de sinais clínicos evidentes e clássicos e as consequências podem ser mensuradas nas granjas e nos frigoríficos.

Controle das infecções subclínicas

Um programa imunoproxilático consistente e a correta execução de medidas de biosseguridade evitaram a circulação de patógenos, e em consequência a apresentação de quadros clínicos e subclínicos. Essa estratégia tem que ser rigorosamente mantida o ano todo, mesmo na ausência de sinais clínicos severos ou mortalidade, pois um relaxamento destas medidas levará a perdas de produtividade e ao aumento da pressão de infecção para os próximos lotes. Práticas dirigidas a economizar nos programas preventivos como: subdosagem de vacinas, substituição por vacinas mais baratas, porém menos protetivas por exemplo, facilitariam a circulação dos patógenos primários e o estabelecimento de infecções subclínicas.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mulheres do Agro

Time 100% feminino comanda Centro de Diagnóstico de Sanidade Animal

São 42 colaboradoras dentro de um dos mais importantes elos do agronegócio, diretamente responsável pela sanidade animal e qualidade dos alimentos

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Há 15 anos dentro do Centro de Diagnóstico de Sanidade Animal (Cedisa), em Concórdia, SC, a médica veterinária Lauren Ventura Parisotto comanda um time formado 100% por mulheres. São 42 colaboradoras dentro de um dos mais importantes elos do agronegócio, diretamente responsável pela sanidade animal e qualidade dos alimentos.

Lauren conta sua trajetória no agronegócio e revela como é o dia a dia de uma organização integralmente tocada por elas. Apesar da circunstância, a gerente técnica e administrativa do Cedisa, que também é presidente da Associação Brasileira de Médicos Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves) Nacional, garante que o mais importante é lidar com seres humanos, independente do gênero. “O ambiente 100% feminino é desafiador. Acredito que por sermos mulheres somos capazes de nos perceber e constantemente usamos o nosso sexto sentido, lançando um outro olhar sobre o cotidiano. Também acredito que o desafio é liderar pessoas independente de gênero. Hoje, mais do que nunca, precisamos de líderes humanos, que buscam entender a cada um e a todos. Nossa missão é fazer com que os liderados evoluam e cresçam como pessoas e profissionais”, frisa.

O Presente Rural – Conte um pouco sobre sua vida profissional.

Lauren Ventura Parisotto – Graduei em Medicina Veterinária na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC-RS em 1998. No mesmo ano fiz meu estágio curricular na Embrapa Suínos e Aves com o doutor Nelson Morés, meu querido e eterno mestre e a quem chamo carinhosamente de chefe até hoje. Após o período de estágio, retornei à Embrapa como estagiária do Cedisa. No ano seguinte surgiu a oportunidade de uma vaga de trabalho num convênio entre a Associação Catarinense de Criadores de Suínos – ACCS e a Embrapa e, o meu querido chefe me chamou em sua sala e disse que pelo meu empenho e dedicação a vaga era minha. Nunca mais esqueci estas palavras e as levo comigo até hoje. Neste período trabalhei no projeto de Pesquisa Linfadenite em Suínos e depois veio o Programa de Erradicação da Doença de Aujeszky em Santa Catarina. Neste último tive uma atitude corajosa, sabendo do projeto tive a ousadia de buscar a doutora Janice Ciacci Zanella e oferecer a ela os meus serviços. Disse-lhe que sabia que precisavam de uma médica veterinária para o trabalho e que eu buscava mais uma oportunidade. Este especialmente foi um período de muito aprendizado e amadurecimento.

Além destes, outros trabalhos surgiram, e sempre me coloquei a disposição para colaborar, ajudar e aprender. Nessa época conheci a Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos – Abraves, entidade que nutro um sentimento de gratidão e carinho muito grande. A partir daí também tive oportunidade de atuar e contribuir com outras entidades de classe como o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina e Núcleos Regionais de Médicos Veterinários.

O Presente Rural – Por que decidiu trabalhar com a produção animal?

Lauren Ventura Parisotto – Desde minha formação básica em Técnica Agrícola, que cursei na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, sabia que esta área seria meu caminho profissional. Muito além da escolha da área havia meu sonho de ter uma formação e tornar-me independente. Foi desta forma que optei pela Medicina Veterinária e durante a graduação a suinocultura sempre foi minha escolha. A ela, devo todas as minhas conquistas.

O Presente Rural – Sentiu alguma resistência na profissão por ser mulher?

Lauren Ventura Parisotto -Não digo por ser mulher, mas ao exercer cargo de liderança, confesso que senti algumas resistências e enfrentei grandes desafios, que com resiliência, atitude e os meus valores consegui superá-los.

O Presente Rural – Como entrou no Cedisa?

Lauren Ventura Parisotto –  Em 2005, através de um convite feito pelo doutor Paulo Roberto Souza da Silveira, então pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, que naquele momento também assumiu a Presidência da Oscip/Cedisa. Confesso que levei um susto e pedi a ele um tempo para pensar. Então busquei alguns oráculos e neste momento mais uma vez meu “chefe” foi essencial na decisão, disse-me: “vai que estamos contigo”.

Quando percebi que meus conhecimentos técnicos, competência e atitudes não eram suficientes para a função, iniciei uma jornada de aprendizado em gestão, liderança, comunicação, inteligência emocional e todos os temas que me tornariam uma profissional melhor. Até hoje, todos os anos invisto parte do meu tempo em capacitação.

O Cedisa é mais que um trabalho, é uma relação de amor, respeito, admiração, verdade e muitas realizações junto ao grande time que construímos ao longo destes quase 15 anos de gestão e 31 de existência da entidade, que foi constituída e construída por muitas mãos. Sou grata a todos que me deram a oportunidade de conhecer o verdadeiro sentido da palavra realização profissional.

O Presente Rural – Qual a função do Cedisa? Explique algumas funções de cada profissional.

Lauren Ventura Parisotto – O Cedisa é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que presta serviços na área de análises laboratoriais de suínos e aves. Atende os ensaios dos Programas Nacionais de Sanidade Avícola e Suídea e o diagnóstico de doenças da produção desta duas espécies.

Nossa equipe é formada hoje por cinco médicas veterinárias, responsáveis técnicas pelas diversas áreas de serviços, tais como Sorologia, Bacteriologia, Patologia, Reprodução, Parasitologia e Biologia Molecular.

Além das RTs, contamos com auxiliares, assistentes e analistas de laboratório das áreas de Biologia, Tecnologia e Engenharia de Alimentos, entre outras. Ainda temos a equipe do setor administrativo que completa o nosso time.

O Presente Rural – O Cedisa é 100% mulheres desde quando?

Lauren Ventura Parisotto – Desde o ano de 2016 nossa equipe é 100% feminina, não foi uma escolha, foi circunstancial. No mercado de serviços laboratoriais, as mulheres são maioria.

O Presente Rural – Como é trabalhar somente entre mulheres no dia a dia?

Lauren Ventura Parisotto – O ambiente 100% feminino é desafiador. Acredito que por sermos mulheres somos capazes de nos perceber e constantemente usamos o nosso sexto sentido, lançando um outro olhar sobre o cotidiano. Também acredito que o desafio é liderar pessoas independente de gênero, hoje mais do que nunca precisamos de líderes humanos, que buscam entender a cada um e a todos e nossa missão é fazer com que os liderados evoluam e cresçam como pessoas e profissionais.

O Presente Rural – Como é pertencer a uma entidade tão importante formada só por mulheres?

Lauren Ventura Parisotto – É lindo, desafiador, motivo de orgulho e inspiração para fazer mais e melhor por cada uma delas que se dedicam, entregam e fazem do Cedisa uma empresa de grandes valores e que acredita no potencial humano. E tudo isso se reflete na nossa prestação de serviços, no atendimento aos nossos clientes e nas parcerias construídas ao longo destes 31 anos de história. Nossa missão é servir.

O Presente Rural – Como a senhora observa a evolução da participação da mulher nos vários ramos do agronegócio nos últimos anos?

Lauren Ventura Parisotto – Penso que não deve haver uma disputa com os homens, ambos temos limitações e acredito que não é o mundo que as impõe. É fato que a nossa sociedade de maneira geral ainda mantém o machismo em sua cultura, principalmente no que se refere a remuneração e oportunidades, infelizmente. Por outro lado, muitas de nós já suplantaram essa questão e hoje são líderes respeitadas no mercado, e o agro é um grande exemplo disso.

Sinto alegria e orgulho por nossas conquistas, podemos ser o que quisermos, e junto aos homens equilibramos, somamos e conseguimos uma sinergia que gera excelentes resultados.

A transformação da sociedade é lenta e por isso nossos movimentos precisam ser mais céleres.

O Presente Rural – Uma mensagem.

Lauren Ventura Parisotto – Tenho hoje quase 23 anos de carreira como médica veterinária e completarei 15 anos à frente do Cedisa. Minha gratidão é enorme a todos os colegas e amigos que cruzaram e cruzam o meu caminho. Aprendi errando, acertando, desaprendendo, voltando a aprender, convivendo, tentando, mas acima de tudo buscando e fazendo.

No fim, o mais importante da viagem é o caminho, os cargos, os títulos, tudo é passageiro, fica apenas o que você é, foi e fez enquanto pessoa.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mercado

Produção de ovos de galinha chega a 978 milhões de dúzias, mostra IBGE

Alta é de 0,3% em relação ao 1º trimestre de 2020 e queda de 1,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior

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No 1º trimestre de 2021 a produção de ovos de galinha foi de 978,25 milhões de dúzias.  Alta de 0,3% em relação ao 1º trimestre de 2020 e queda de 1,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

O resultado foi recorde para um 1º trimestre, cujo pico foi registrado no mês de março. A produção de 340,09 milhões de dúzias foi a maior já registrada para esse mês, levando em consideração a série histórica da Pesquisa, iniciada em 1987. Apesar de uma alta nos custos de produção, a demanda segue aquecida pelo preço acessível da proteína.

A produção nacional de 3,31 milhões de dúzias de ovos a mais quando se comparam os 1os trimestres de 2021 e 2020 foi resultado de aumentos em 18 das 26 UFs da pesquisa. Quantitativamente, os maiores acréscimos ocorreram em Mato Grosso do Sul (+5,87 milhões de dúzias), Bahia (+5,34 milhões), Ceará (+4,84 milhões) e Amazonas (+3,59 milhões). As maiores quedas ocorreram em São Paulo (-16,85 milhões) e Paraná (-3,52 milhões).

Apesar da retração, São Paulo se manteve como maior produtor de ovos no 1º trimestre de 2021, com 27,6% da produção nacional, seguido agora por Minas Gerais (9%) e Espírito Santo (9%). O Paraná caiu da segunda para a 4ª posição, com 8,6% do total nacional.

Fonte: IBGE
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Avicultura Mulheres do agro

Lugar de mulher é na tomada de decisão

Sula Alves é diretora na ABPA e coordenadora do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade e Meio Ambiente do IPC

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Divulgação/ABPA

“Eu sempre gostei de estar no olho do furacão, onde as coisas acontecem”. A afirmação é da diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sula Alves. Desde muito nova, Sula já sabia que queria estar onde as decisões eram tomadas, dessa forma, batalhou e trabalhou bastante para construir sua carreira e chegar até este objetivo. Hoje, além de diretora em uma das principais associações do país, também foi escolhida para o cargo de coordenadora do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade e Meio Ambiente do Conselho Mundial da Avicultura (IPC, sigla em inglês).

Sula é formada em Zootecnia, já que sempre se encantou com a produção animal. “No início da minha carreira nunca imaginava em trabalhar na ABPA. No início nós não temos muito conhecimento de todos os elos da cadeia produtiva. Mas na primeira vez que escutei menção à associação eu achei realmente fascinante o trabalho desenvolvido”, conta. Ela explica que foi ali que percebeu que era num lugar como este – no olho do furacão – que gostaria de estar. “Eu gosto disso, de estar no meio de onde as coisas acontecem. Não queria me sentir uma profissional que não estivesse a par de tudo o que estava acontecendo”, conta.

Próxima a se formar, Sula teve a oportunidade de estar mais próxima da avicultura e foi ali que se encantou pelo setor. “Achei a avicultura moderna. E na época em que me formei havia alguns pontos talvez de preconceito que eu percebia de coisas de como uma mulher iria lidar na agropecuária, porque tínhamos essa ideia de que era um trabalho muito braçal. Mas na avicultura eu via que era tudo mais avançado, com uma abordagem tecnológica maior”, comenta.

A zootecnista iniciou na avicultura em forma de estágio e depois foi se aprimorando, fazendo uma pós-graduação na área de bem-estar animal. “A partir de então eu comecei a entrar no que seria realmente o olho do furacão por conta das temáticas que eu comecei e explorar. Com isso acabei sendo convidada a participar de um grupo de trabalho na ABPA. Na época fui com uma expectativa muito limitada para o que hoje eu consegui alcançar, logicamente com muito esforço e passando por todos os estágios dentro da associação”, conta.

Para Sula, é um orgulho poder ter passado por diversos setores dentro da ABPA, conhecendo a fundo cada trabalho que é realizado na associação. “Hoje eu falo para o meu time que eu fiz de tudo um pouco. Me orgulho de poder orientar em tarefas que eu já fiz e sei como são. Acredito que tudo isso contribuiu bastante para o meu crescimento e essa credibilidade que o setor me deu”, comenta.

A diretora diz que nunca enfrentou problemas pelo fato de ser mulher. “Nós temos outros jeitos de lidar com as coisas e na associação isso é muito positivo. E uma proposta que eu tenho dentro da ABPA é de união, porque eu percebo o quanto a gente ganha quando está junto, trabalhando para que as coisas sejam coesas para assim alcançar algo maior. Isso faz sentindo e realmente é o que a associação se propõe a fazer”, afirma.

Coordenadora no Conselho Mundial

Recentemente Sula foi escolhida como a nova coordenadora do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade e Meio Ambiente do Conselho Mundial da Avicultura. O IPC é uma associação global de produtores de carne de aves e atualmente tem 31 países membros e mais de 53 membros associados, representando 88% da produção global de carne de aves e quase 95% do comércio global de carne de aves. Organizações internacionais como OIE, FAO e Codex Alimentarius Commission reconhecem oficialmente o IPC como a associação global que representa o setor avícola.

Sula conta que já fazia parte do grupo de trabalho de sustentabilidade e sempre contribuiu, junto com a ABPA, com ideias e ações. “Nós temos trabalhado fortemente com o nosso propósito de endossar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas. Inclusive foi feito durante o SIAVS um momento para a declaração da Carta de São Paulo, onde o IPC se compromete a trabalhar estes objetivos.  A ABPA realmente tomou isso como algo sério e tem desenvolvido bastante o trabalho e estimulado os associados a atuarem e implementarem práticas junto aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, conta.

Para ela, muito já se pode observar do que está sendo feito. “Estamos fazendo trabalhos em prol da sustentabilidade. Por exemplo, eu saliento muito o trabalho de promover a alimentação de qualidade para mais de 170 países, fazendo isso com atenção às suas necessidades sanitárias, culturais e até mesmo religiosas. Então tem mostrado que a associação está trabalhando muito naquilo que o IPC propõe e isso motivou a me indicar para coordenar esse grupo de trabalho”, comenta.

De acordo com Sula, o grupo tem definido alguns trabalhos a serem feitos, que foram iniciados pela ex-coordenadora Anne-Marie Neetson. “Nós discutimos os objetivos do Desenvolvimento Sustentável que foram eleitos pelo IPC e como a gente pode trabalhar e definir as prioridades”, informa. Ela explica que a reunião desse grupo de trabalho, sob a coordenação dela, ainda será realizada, porém já existem algumas metas para serem atendidas. “Meu propósito é a gente trabalhar de uma forma objetiva para buscar ter entregas que de fato sejam mensuráveis, aspectos que cabem a uma associação, porque o IPC também é uma associação, mas que possamos contribuir para melhorias na comunicação e no conhecimento do público a respeito do produto carne de frango”, esclarece.

As mulheres na liderança

E cada vez mais as mulheres vem ocupando espaços importantes dentro das empresas, cooperativas e agroindústrias. “Apesar de ser um número baixo, eu tenho percebido um crescimento progressivo. O meu time mesmo atualmente é composto somente por mulheres. Nos processos de seleção buscamos profissionais que, independente do gênero, atendam as necessidades que procuramos. E em determinadas tarefas realmente as mulheres acabam se destacando”, comenta Sula.

Segundo a diretora, ela tem percebido que no agronegócio cada vez mais mulheres estão assumindo posições de liderança e demonstrando condições de fazer um trabalho excepcional. “Com as oportunidades que são dadas, as mulheres estão podendo demonstrar que o fato de ser mulher não interfere em nada, muito pelo contrário, pode contribuir, porque cada posição tem um perfil necessário e isso é algo que depende de conhecimento e não de gênero”, afirma.

Mesmo ocupando espaços antes que pareciam inalcançáveis, Sula comenta que eventualmente ainda existe certo preconceito ou resistência às mulheres. “Depende muito do meio em que a pessoa está. Então se deixar, vamos ver preconceito em várias situações. Eu já vivi o preconceito por ser do Rio de Janeiro. Então depende muito do local”, avalia. Para ela, existem alguns ambientes em que o preconceito pode ser mais presente ou não. “Porque isso também é uma questão não somente de cultura, mas de princípios da pessoa”, diz.

Ela avalia que ainda é nítido ver que poucas mulheres ocupam cargos de liderança, não somente no agro, mas em outros setores também. Mas é perceptível que as mulheres estão em cargos que acabam exercendo uma boa influência nos gestores e líderes. “Eu gostaria de ver mais mulheres trabalhando em cargos de liderança, mas também entendo que cada momento ou situação temos determinadas características e qualidade que são aproveitadas”, menciona.

Mesmo com poucas mulheres ocupando os cargos de liderança, aquelas que ocupam podem ser um bom exemplo para outras que pretendem chegar neste lugar um dia. “Creio que sou um bom exemplo para outras mulheres sim. Porque quando você vê as coisas acontecendo, você percebe que elas são possíveis. Eu tive algumas colegas que falaram “você é uma inspiração”, “você realmente mostra que as mulheres podem realizar o que quiserem, podem fazer””, afirma.

Segundo Sula, mesmo nunca tendo carregado consigo a bandeira do empoderamento feminino, ela defende que muitas causas são importantes de serem vistas e que ela percebe pequenos preconceitos que acontecem. “Existem situações que podem ter acontecido comigo por preconceito por eu ser mulher, mas eu não carreguei isso comigo dessa forma. Mas eu já vi situações de diferenças de salários, que são coisas que incomodam e você vê que não é questão de competência, mas é equivocado”, comenta.

Mesmo com estas dificuldades, a diretora comenta que tem amizade com muitas mulheres que também estão em posição de liderança. “Nós temos uma ministra da Agricultura, no departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal temos uma mulher no comando. Então a ministra e um departamento de um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo são comandados por mulheres. Eu também já trabalhei com mulheres que estavam em cargos de liderança e tinham homens que eram subordinados. E tudo foi conquistado simplesmente por competência”, considera.

Porém, avalia Sula, ainda existam situações em que existe uma exigência maior de mulheres do que de homens. “Talvez sejamos mais exigidas do que um homem seria em determinado cargo, para exercer a mesma função. Isso pode ser que aconteça por uma questão de pré-conceito que sabemos que aqui no Brasil muitas mulheres sofrem”, diz. Mesmo assim, segundo Sula, isso é algo que vem mudando. “Até nos países do Oriente Médio, que têm essa questão muito mais forte da mulher, temos visto mulheres ocupando cargos de liderança. Então é um caminho que vamos seguir, vamos conseguir conquistar cada vez mais. Assim como qualquer outro preconceito é uma coisa que a gente tem que fazer as pessoas enxergarem, mostrar a naturalidade com que as coisas acontecem”, afirma.

Não é preciso força, mas sim jeito

Para a diretora técnica, antigamente o agro era algo menos elaborado e, por isso, tinha essa ideia de que ele era uma coisa mais braçal, bruta e que era necessário usar muita força. “Hoje as atividades são tecnológicas e tiveram um avanço grande, em que nada mais depende de força, mas sim de jeito”, diz. E, segundo Sula, jeito é algo que mulher tem. “Acho que isso mudou muito, porque é uma questão de tecnologia, de ruptura mesmo com coisas do passado. Na época em que eu estava na graduação houve momentos em que eu fui testada com relação a força e mostrei que a inteligência dava um jeitinho e driblava isso. Porque você precisa utilizar o que tem de vantagem para demonstrar que a sua “desvantagem” não é tão grande assim”, afirma.

Sula reitera que as vezes existe uma exigência maior da mulher e que é preciso demonstrar coisas que talvez um homem não precisaria. “Mas no ambiente de trabalho as suas demonstrações dependem de conhecimento, de saber ter postura e isso novamente não depende de gênero. É como você se vê”, comenta. E a tecnologia tem sido uma aliada. “Tem sido cada vez mais relevante e tem mostrado que cada vez menos a necessidade desse diferencial de morfologia é essencial, o que demonstra diferencial é o intelecto”, diz. “A capacidade de articulação e sensibilidade que nós mulheres temos de lidar com determinadas situações é algo que chama muito a atenção no meio do trabalho”, conclui.

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Fonte: O Presente Rural
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CONBRASUL/ASGAV

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