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Avicultura Saúde Animal

Importância da qualidade da água de bebida na avicultura

Tratamento correto da água é complexo e exige um monitoramento constante do produtor

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Marcelo T. T. Moraes, coordenador técnico de aditivos – Nuscience Nutrientes do Brasil

Embora muitas vezes não receba a devida atenção, a água é um nutriente essencial na produção de frangos de corte e postura. A avicultura é responsável por grande parte do consumo de água na produção animal, hoje estima-se que para cada 1kg de carne de frango de corte produzida, sejam necessários cerca de 8-8,5 litros de água, sem contar com a etapa de industrialização da carne, que dobraria esse consumo.

A água é responsável pelo desenvolvimento e manutenção dos seres vivos, ela pode chegar a ser responsável por 80%  ou mais do peso vivo de muitos organismos, ela está presente em todas as células do organismo e é essencial para inúmeros processos, como a regulação da temperatura corpórea; crescimento; digestão; reprodução; metabolismo; lubrificação das articulações; excreção de resíduos metabólicos; solvente para aminoácidos, ácidos, minerais, glicose e vitaminas. Cerca de 60-70% da água alocada no corpo está no interior das células, o restante encontra-se em volta das células e no plasma sanguíneo.

Há 3 formas de ingestão de água pelos animas: a água livre, isto é a água de consumo; a água presente nos alimentos; e a água metabólica, oriunda da oxidação dos nutrientes, durante o metabolismo. Sendo a água livre a de maior ingestão, vários fatores estão relacionados a este consumo, dentre eles destaca-se a disponibilidade, a temperatura e umidade ambiental, temperatura da água, idade e sexo dos animais, densidade de alojamento, composição nutricional dos alimentos e qualidade da água.

Importante ressaltar a qualidade desta água, pois é sabido que uma água com má qualidade tem um efeito direto sobre o seu consumo e consequentemente de alimento. O tratamento correto da água é complexo e exige um monitoramento constante do produtor. Além da fonte da água, que geralmente é de superfície ou de poços artesianos, a armazenagem e distribuição da água dentro das granjas é muito importante, e muitas vezes negligenciadas. No controle de qualidade de água alguns pontos são importantes de serem avaliados: pH; a quantidade de microrganismos presentes na água; quantidade de matéria orgânica e formação de biofilme.

Efeitos deletérios

Dentre os principais efeitos deletérios encontrados na avicultura devido a uma má qualidade de água encontra-se: diminuição do consumo de ração, contaminação por bactérias patogênicas, aumentando os problemas sanitários, fazendo com que as aves tenham uma piora no desempenho zootécnico.

As duas principais ferramentas para o controle de contaminação por microrganismos patogênicos que o produtor tem disponível para utilizar em água de bebida são a cloração e a acidificação.

A Cloração é um método de desinfecção muito utilizado na avicultura, ele combate o crescimento de microrganismos, bactérias e algas. A ação do cloro sobre os microrganismos se dá basicamente pelo seu potencial de oxidar as membranas das células destes microrganismos, ou seja, atrair os elétrons destas membranas, culminando na sua morte. O problema encontrado neste tipo de tratamento é relacionado ao pH da água, ele não pode ser muito alcalino, ou com excesso de matéria orgânica, se isto acontecer o seu efeito fica comprometido, sendo necessário um aumento da dose do cloro, e isso pode inibir o consumo de água pelos animais, tendo um efeito negativo sobre o desempenho.

Outro método utilizado é o uso de aditivos acidificantes na água de bebida, esses produtos geralmente são à base de ácidos orgânicos e inorgânicos e podem ser encontrados na forma pó e líquida. Os ácidos orgânicos, também conhecidos como ácidos fracos de cadeia curta, ao serem adicionados à água, favorecem a redução do pH do papo da ave, com isso a colonização de patógenos no trato digestivo tende a diminuir, transformando o papo numa primeira barreira bacteriana. Os ácidos orgânicos quando acidificam o meio fazem com que diminua a capacidade de aderência da bactéria com fimbria à parede intestinal, tendo ainda forte capacidade de desnaturação sobre as proteínas. Além disso, os ácidos também têm uma ação de acidificar o estômago, fazendo com que aumente a secreção do suco pancreático, desta maneira equilibra a flora bacteriana no intestino e faz com que diminua o crescimento de patógenos que possam ainda estar presentes. Ainda, esses acidificantes tendem a estimular o consumo de água e consequentemente o da ração. Os principais ácidos orgânicos utilizados são:  ácidos fórmico, lático, acético, propiônico, sórbico e cítrico.

Conclusão

Tendo em vista todas as funções que a água exerce no organismo, podemos afirmar que ela é um nutriente essencial para o desenvolvimento e manutenção da vida. Portanto, é primordial que o produtor conheça e controle a água que está fornecendo aos animais durante o período de produção para que possa alcançar os resultados zootécnicos esperados. Além disso, é importante que o produtor conheça as ferramentas disponíveis no mercado para ajudar na prevenção e controle do tratamento da água, dentre elas destaca-se o uso de aditivos acidificantes, que melhoram a qualidade da água e diminuem a carga microbiana presente.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Vigilância e biosseguridade definem a linha de defesa contra a Influenza aviária, aponta FAO

Documento técnico detalha como monitoramento contínuo, resposta rápida e integração entre saúde animal e humana reduzem o risco de disseminação do vírus nas granjas.

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Fotos: Shutterstock

A Influenza aviária segue como uma das principais ameaças sanitárias à avicultura mundial, com potencial de provocar mortalidade elevada nos plantéis, embargos comerciais e impactos diretos na renda dos produtores. Em documento técnico recente, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura sistematiza recomendações práticas para vigilância, prevenção e controle da doença, com foco na detecção precoce e na contenção rápida de focos.

A base da estratégia, segundo a entidade, está na vigilância contínua. Isso inclui monitoramento ativo em granjas comerciais, criações de subsistência e mercados de aves vivas, além da observação de aves silvestres, especialmente migratórias, que podem atuar como reservatórios do vírus. A eficácia desse sistema depende de notificação imediata de sinais clínicos suspeitos e de capacidade laboratorial para diagnóstico rápido e confiável.

A biosseguridade aparece como o principal filtro para impedir a entrada do vírus nas propriedades. O controle rigoroso de acesso de pessoas, veículos e equipamentos, a separação física entre aves domésticas e silvestres, a desinfecção sistemática de instalações e o manejo correto de resíduos e carcaças são medidas consideradas críticas. A origem da água e da ração também é citada como ponto sensível.

Quando há suspeita ou confirmação da doença, a orientação é agir sem atraso: isolamento imediato da propriedade, abate sanitário das aves infectadas e expostas, desinfecção completa das instalações e restrição de movimentação na área afetada. A comunicação rápida entre produtores e autoridades sanitárias é tratada como componente operacional do controle.

A vacinação é descrita como ferramenta complementar, aplicável conforme o cenário epidemiológico local. A decisão de utilizá-la deve considerar a circulação do vírus, a capacidade de monitorar a eficácia da imunização e os possíveis efeitos sobre o comércio internacional.

O documento também reforça a dimensão transfronteiriça da Influenza aviária. O compartilhamento de dados epidemiológicos e laboratoriais entre países é apontado como condição para respostas regionais mais eficazes. Algumas cepas do vírus podem infectar humanos, o que exige integração entre saúde animal e saúde pública dentro do conceito de Uma Só Saúde.

Para a FAO, sistemas de vigilância bem estruturados, protocolos rígidos de biosseguridade e coordenação entre os diferentes níveis do serviço veterinário oficial são os elementos que determinam a capacidade de um país em reduzir riscos sanitários, econômicos e de saúde pública associados à Influenza aviária.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Monoglicerídeos na avicultura: ação antimicrobiana e integridade intestinal como pilares da eficiência produtiva

Moléculas com mecanismos complementares ganham espaço como estratégia nutricional frente aos desafios entéricos e respiratórios em frangos de corte.

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Foto: Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Mariane Marques, mestre em Nutrição, Coordenadora Técnica da Feedis

A interação entre microbiota e resposta imune é determinante para a manutenção da integridade funcional das aves ao longo do ciclo produtivo. Desafios entéricos associados a Clostridium perfringens e Escherichia coli, assim como agentes respiratórios como o vírus da bronquite infecciosa (IBV), impõem pressão inflamatória constante, redirecionando energia metabólica e comprometendo eficiência produtiva e uniformidade de lote.

Nesse contexto, tecnologias nutricionais baseadas em monoglicerídeos são ferramentas estratégicas no controle do desafio microbiano e na manutenção da eficiência produtiva.

Ação direcionada: o papel da α-MONOLAURINA

A α-monolaurina é um monoglicerídeo derivado do ácido láurico com elevada afinidade por membranas lipídicas, especialmente de bactérias Gram-positivas e vírus envelopados. Sua estrutura anfipática permite a inserção na bicamada celular, promovendo desorganização da membrana e consequente inativação do patógeno.

Em frangos de corte, sua atuação é especialmente relevante frente a Clostridium perfringens, agente frequentemente associado às enterites bacterianas, contribuindo para menor pressão microbiana e maior estabilidade intestinal sob desafio.

Além da atividade antimicrobiana direta, evidências recentes indicam efeito modulador sobre a resposta imune. Pesquisadores demonstraram que aves vacinadas contra bronquite infecciosa e suplementadas com α-monolaurina apresentaram aumento na titulação de anticorpos, melhora de parâmetros de imunidade celular e modulação de mediadores pró-inflamatórios. Esses achados sugerem que a molécula atua não apenas no controle do patógeno, mas também no suporte funcional à imunocompetência em condições de desafio sanitário.

Atuação sobre bactérias gram-negativas: o papel da α-MONOBUTIRINA

A α-monobutirina é um monoglicerídeo com atuação mais eficiente contra bactérias Gram-negativas, cuja estrutura celular apresenta maior complexidade devido à presença de membrana externa rica em lipopolissacarídeos. Sua configuração molecular favorece a interação com a membrana bacteriana e facilita a penetração da molécula, permitindo interferência direta na fisiologia celular.

Uma vez no meio intracelular, sua ação está associada à alteração do equilíbrio do gradiente de prótons e à interferência em processos metabólicos essenciais, comprometendo a produção de energia e a manutenção da viabilidade bacteriana. Esse mecanismo assume papel estratégico frente a microrganismos Gram-negativos associados a desafios entéricos na avicultura.

Em estudo conduzido em 2022 com poedeiras comerciais, a suplementação de α-monobutirina resultou em redução significativa do filo Proteobacteria, grupo que reúne diversas bactérias Gram-negativas potencialmente associadas à disbiose intestinal, incluindo gêneros como Escherichia, Salmonella e Enterobacter.

Em sistemas produtivos sob pressão sanitária contínua, alterações na dinâmica da microbiota intestinal repercutem diretamente sobre conversão alimentar e viabilidade de lote. A redução da carga de bactérias Gram-negativas favorece maior previsibilidade de resultados e menor variabilidade produtiva ao longo do ciclo.

Conclusão

A atuação complementar da α-monolaurina e da α-monobutirina amplia o espectro de controle microbiano, abrangendo bactérias Gram-positivas, Gram-negativas e vírus envelopados, além de modular a resposta imune do hospedeiro. Enquanto a α-monolaurina exerce ação direcionada sobre membranas lipídicas e contribui para o suporte imunológico, a α-monobutirina interfere na fisiologia de bactérias Gram-negativas e na dinâmica da microbiota intestinal.

Essa abordagem integrada permite reduzir a pressão microbiana e inflamatória sob diferentes cenários de desafio sanitário, favorecendo maior previsibilidade produtiva em sistemas avícolas modernos.

As referências bibliográficas estão com a autora. Contato: mariane.marques@feedis.com.br

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Portos do Paraná concentra quase metade das exportações de frango do Brasil

Terminal de Paranaguá embarcou 819 mil toneladas no 1º trimestre de 2026 e respondeu por quase metade das exportações brasileiras do produto.

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Foto: Shutterstock

De cada dois quilos de carne de frango exportados pelo Brasil no primeiro trimestre de 2026, um saiu pelo Porto de Paranaguá, conforme dados do Comex Stat, sistema do governo federal que reúne dados sobre o comércio exterior, e do centro de estatísticas da Portos do Paraná. Ao todo, o terminal paranaense, que é o maior corredor de exportação de carne de frango congelada do mundo, embarcou 819 mil toneladas, o que corresponde a 47,8% das exportações brasileiras do produto no período.

Foto: Jonathan Campos/AEN

Na comparação com os três primeiros meses de 2025, a movimentação foi 15,4% maior. Somente no mês de março, o volume embarcado superou 215 mil toneladas. Os principais destinos do frango brasileiro são China, África do Sul, Japão e Emirados Árabes Unidos.

A carne bovina também apresentou crescimento nos embarques no primeiro trimestre de 2026. Foram enviadas de janeiro a março deste ano 176.812 toneladas, volume 18% maior que do mesmo período de 2025 (149.462 toneladas). Os embarques pelo porto paranaense representaram mais de 25% das exportações brasileiras realizadas no período.

O terminal atende cargas provenientes de diversas partes do País, incluindo estados da região Norte. “A eficiência nas operações e a estrutura de acondicionamento de contêineres refrigerados tornam o porto altamente competitivo”, destacou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Para atender à crescente demanda, o Terminal de Contêineres de Paranaguá conta com a maior área de recarga para contêineres refrigerados (reefers) da América do Sul, com 5.268 tomadas. É também o único terminal portuário do Sul do Brasil com ramal ferroviário.

No primeiro trimestre, o volume de cargas conteinerizadas no terminal de Paranaguá somou 2,5 milhões de toneladas em 411 mil TEUs, medida comumente usada para contêineres (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, ou seis metros de comprimento). Do total movimentado no terminal de contêineres, 42% são mercadorias refrigeradas.

Fonte: AEN-PR
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