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Impactos do clima para os parasitas na pecuária

A disseminação de doenças e pragas também pode ser impulsionada devido a fatores climáticos

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Divulgação/Biogénesis Bagó

Artigo escrito por João Paulo Lollato, médico veterinário, pós-graduado em Produção e Reprodução de Bovinos, MBA em Gestão Comercial e mestrando no programa de Mestrado Profissional em Clínicas Veterinárias e coordenador de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó Brasil

As alterações de clima afetam o dia a dia de consumidores e dos negócios. As atividades rurais estão ainda mais sujeitas às interferências das mudanças de temperatura ou condição climática. O produto, seja a colheita dos grãos ou o boi gordo, é muito dependente do fator clima para que o ciclo produtivo comece e termine com o êxito desejado.

As altas temperaturas podem interferir em diversos aspectos, que vão desde a formação muscular do animal até a sua capacidade reprodutiva. O calor é um dos principais fatores de estresse para o gado de corte, uma vez que todas as raças têm um limite de tolerância às altas temperaturas.

A interferência do clima nos bovinos de corte não acontece somente de forma direta, afetando o seu bem-estar, por exemplo. Indiretamente, a mudança de temperatura e as chuvas impactam a produção dos grãos que são utilizados na alimentação dos animais, como é o caso da soja e do milho, além da pastagem, que se refere a boa parte da alimentação diária.

De forma direta, é possível destacar que quando o gado passa por momentos de estresse térmico, a sua saúde acaba sofrendo as consequências. É fato que o calor serve para aumentar a taxa de crescimento dos músculos dos bovinos, mas quando o calor é excessivo, eles acabam não se alimentando direito e diminuindo o peso. A disseminação de doenças e pragas também pode ser impulsionada devido a fatores climáticos.

Quando analisamos a produtividade média do rebanho bovino brasileiro, percebemos que os níveis ainda são muito baixos quando comparados a outros países no mundo. Esses níveis necessitam ser rapidamente incrementados, em especial a taxa de abate, que no Brasil está em torno de 25 % e, como referência, os EUA possuem 35%. Ou seja, a cada gargalo da produção, a rentabilidade do negócio diminui.

Parasitos

A atividade pecuária pode ter sua rentabilidade comprometida significativamente pelos efeitos dos parasitas tanto internos quanto externos que afetam os bovinos. As perdas econômicas no Brasil foram estimadas em aproximadamente R$ 13,96 bilhões. Para esta conta foram consideradas as perdas potenciais que somam os prejuízos reais causados pelos parasitas, a perda de produtividade, os investimentos em medicamentos e ainda o reflexo desta perda de produtividade para a indústria. O grande causador deste prejuízo são os vermes internos, que representam cerca de 51% das perdas geradas por parasitas. Estima-se que cada bovino parasitado pode deixar de ganhar até 41 Kg por ano, ou seja, o parasita consumindo mais de duas arrobas de carne de cada animal não tratado.

Dentre os parasitas que acometem os bovinos, segue um quadro com os principais agentes parasitários internos e externos:

Controle estratégico parasitário

Considerando esses prejuízos e o que temos hoje no mercado de medicamentos para controle de parasitas, tanto internos quanto externos, desenvolveu-se o conceito de controle estratégico parasitário.

Para se montar este controle temos que levar em consideração alguns pontos importantes. Nos animais, a idade, a raça ou grau de sangue, a suscetibilidade individual, o status nutricional e o comportamento de pastejo são pontos de extrema importância para se construir um programa estratégico. Devemos também levar em consideração e cuidar com a avaliação dos parasitas, nos quais avaliamos a resistência, infecciosidade, especificidade, distribuição e concentração parasitária.

Outro ponto de extrema importância a ser considerado para um controle estratégico é o ambiente, devendo ser levado em conta topografia, cobertura de solo, aguada, clima, pluviosidade e tipo de pastagem. Lembrando que apenas 5% dos parasitas são os que vemos estão nos animais e os outros 95% estão no ambiente.

Avaliados todos esses pontos, viabilizamos as drogas presentes no mercado veterinário no programa de controle estratégico. Atualmente o conceito desenvolvido na Embrapa do 5-7-9 ou 5-8-11 é muito utilizado, pois consideramos o 5, mês de maio (entrada da estação seca), ou seja, aplicar um produto à base de ivermectina 1,13% ou doramectina 1,10% viabiliza muito os animais diminuírem seu desafio de parasitas, tanto internos quanto externos para enfrentar a escassez de matéria seca (pastagens). A aplicação do 7 ou 8, dependendo do controle, seria relacionada ao mês de julho ou agosto, pois nessa época do ano, a seca já está estabelecida em grande parte do país, de forma que o desafio para ectoparasitas é menor e os parasitas estarão se refugiando dentro dos animais. Por isso é interessante uma aplicação de Fosfato de Levamisol concentrado porque ele elimina grande parte da verminose presente nos animais. A outra aplicação seria realizada no mês 09 ou 11, correspondente aos meses em que tem início a  estação das águas, e realiza-se a aplicação de um produto longa ação, geralmente uma ivermectina 3,15%, que fará com que os animais passem tranquilamente pela estação de melhores pastagens com menor desafio tanto para parasitas internos quanto externos.

Devemos considerar ainda que animais provenientes de compras devem receber um tratamento antiparasitário logo na chegada à nova propriedade pensando em evitar uma contaminação das pastagens. Não é rotina realizar exames nos animais para saber sobre a carga verminótica devido à dificuldade de locais para exame. Por isso, uma aplicação estratégica de Doramectina 1,10 % na chegada dos animais faz esta limpeza tanto de parasitas internos quanto externos.

O uso de “pour on” para controle de ectoparasitas é extremamente importante também para auxiliar o controle estratégico, pois contamos com produtos à base de Cipermetrina, Clorpirifós e Butóxido de Piperonila (PBO), que são extremamente eficazes contra moscas e auxiliam muito bem no controle de carrapatos. Para controle dos carrapatos especificamente, o Fluazuron tem um trabalho muito importante no controle deste parasita nos animais e nas pastagens.

O controle estratégico é uma ferramenta prática, eficaz e rentável que, utilizado da forma correta, evita os prejuízos provocados pelos parasitas e utiliza o clima como ferramenta para auxiliar no controle dos parasitas.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Exportações para a China reforçam sustentação do boi brasileiro

Crescimento das vendas ao mercado chinês contribui para manter os preços em patamar elevado, ainda que o ritmo de avanço das exportações comece a se aproximar de limites de cota.

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O cenário para a pecuária segue, em geral, favorável nos próximos meses, sustentado pela firmeza dos preços no mercado físico, pela oferta mais restrita de fêmeas e pela diversificação das exportações. Ainda assim, fatores como a reposição mais cara, a sazonalidade da oferta e incertezas externas exigem atenção do setor.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a firmeza dos preços no físico também influenciou o mercado futuro, que registrou forte alta nos últimos 30 dias, especialmente nos contratos de curto prazo. Em abril, a valorização foi de R$ 18 por arroba, enquanto em maio o avanço chegou a R$ 16 por arroba, abrindo oportunidades de hedge em níveis considerados atrativos para o produtor.

Já os vencimentos entre junho e setembro tiveram desempenho mais moderado e indicam preços abaixo dos atuais patamares. No ritmo atual de crescimento das exportações para a China, que avançaram 17% no primeiro trimestre de 2026 em relação a 2025, a cota de 1,1 milhão de toneladas deve ser atingida por volta de agosto. Para que isso ocorra antes do previsto, seria necessário um crescimento mais intenso das vendas. Ainda assim, no fim do ano, há expectativa de retomada das compras chinesas para o preenchimento da cota de 2027.

As exportações para outros destinos também seguem em fluxo positivo, o que ajuda a reduzir a dependência momentânea da China, embora o país continue sendo o principal comprador da carne bovina brasileira. No cenário estrutural, o setor mantém perspectiva favorável, com tendência de continuidade de preços sustentados pela menor disponibilidade de fêmeas para abate.

Entre os pontos de atenção, está o encarecimento da reposição de animais, que pode exigir valores mais altos do boi gordo no médio prazo. No mercado interno, fatores sazonais podem influenciar a demanda: a Copa do Mundo de futebol no meio do ano tende a impulsionar o consumo, enquanto a alta dos preços da carne bovina e a maior competitividade do frango podem limitar esse movimento.

Ao mesmo tempo, a oferta de gado deve crescer de forma sazonal nos próximos meses, embora os níveis de abate ainda possam permanecer abaixo dos registrados no ano anterior.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Exportações de carne bovina somam 234 mil toneladas em março

Volume representa recorde para o mês com alta de 8,7% na comparação anual.

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O mercado do boi gordo registrou valorização no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo aumento das exportações e pela menor oferta de animais para abate, especialmente de fêmeas. O cenário também foi marcado por maior movimentação no mercado de reposição, com a alta do boi estimulando a demanda por bezerros.

Em março, o preço médio do boi gordo chegou a R$ 350 por arroba. Já na média dos primeiros dez dias de abril, o valor subiu para R$ 362/@, com negócios registrados a R$ 365,50/@ no fim da semana, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

A oferta mais restrita de animais contribuiu para sustentar os preços. Dados preliminares indicam que o abate de bovinos foi 2% menor no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, com aumento de 1% no abate de machos e queda de 6% no de fêmeas.

No mercado de reposição, o bezerro também apresentou valorização. Em Mato Grosso do Sul, a alta foi de 3,4% em março, superando o avanço do boi gordo. Apesar da relação de troca seguir pressionada, em torno de 2,2 bezerros por boi vendido, a margem da reposição permaneceu atrativa, próxima de R$ 3.600 na parcial de abril, o que mantém a demanda aquecida.

As exportações de carne bovina in natura seguiram em ritmo forte. Em março, os embarques somaram 234 mil toneladas, recorde para o mês e alta de 8,7% em relação a março de 2025. No acumulado do primeiro trimestre, o crescimento foi de 19,7%. O preço médio da carne exportada também avançou 3,1% frente a fevereiro.

A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira, com 102 mil toneladas embarcadas em março, alta de 6% na comparação anual. Outros mercados também ampliaram as compras, como Estados Unidos, Chile, Rússia, Egito, México, Filipinas e Emirados Árabes, reforçando a demanda externa pelo produto brasileiro.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil

Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.

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Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões.

Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deputado, Pedro Lupion: “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA

A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado.

A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro.

Deputado Zé Silva: “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais” – Foto: Divulgação/FPA

Em outra ocasião, Lupion defendeu que o Tribunal de Contas da União (TCU) analise possíveis distorções relacionadas à importação de leite e os impactos sobre a cadeia produtiva. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, destacou.

O integrante da FPA, deputado Zé Silva (União-MG), lembrou que medidas voltadas à cadeia leiteira impactam 1,1 milhão de produtores no país e mais de 5 milhões de empregos. “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais. Nós sabemos que hoje o custo de produção de um litro de leite é de R$ 1,90 a R$ 2”, afirmou.

Parlamentares pedem celeridade em processo antidumping

Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.

Vice-presidente da FPA na região Sudeste e deputada, Ana Paula Leão: “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial” – Foto: Divulgação/FPA

A investigação foi aberta em 2024, e o pedido do setor é para que sejam adotadas medidas provisórias enquanto o processo segue em análise. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é o órgão responsável por avaliar a demanda. “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial”, destacou a deputada.

Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”

Fonte: Assessoria FPA
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