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Guia básico para tirar melhor proveito da adubação do solo

A fertilidade de solos, a nutrição de plantas e o uso racional de fertilizantes são pilares fundamentais para a sustentabilidade da produção agrícola. Confira cinco passos básicos que, se seguidos, ajudarão muito na definição de critérios e de fontes de informações para a tomada de decisão.

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A fertilidade de solos, a nutrição de plantas e o uso racional de fertilizantes são pilares fundamentais para a sustentabilidade da produção agrícola. Ao mesmo tempo que os avanços na ciência e tecnologia têm criado ferramentas inovadoras para diagnóstico e recomendação, o nível de complexidade para a tomada de decisão tem aumentado na mesma proporção, visto a grande quantidade de dados e informações.

Um exemplo disso ocorreu comigo durante um bate-papo sobre adubação com uma equipe extremamente técnica e que presta consultoria para produtores rurais. Ao final da apresentação, um aviso saltou no “chat” com a seguinte pergunta: “Por onde devo começar e quais informações são necessárias para ofertar o melhor pacote de adubação para meu cliente?”.

Entendendo toda a complexidade da pergunta, me questionei sobre quais seriam as etapas básicas para recomendação de adubações eficientes. Após alguns dias – e de folhas e folhas de papel rabiscados e amassados – cheguei a cinco passos básicos que, se seguidos, ajudarão muito na definição de critérios e de fontes de informações para a tomada de decisão.

Entenda o todo

A adubação é uma parte do processo produtivo e dependente de vários outros fatores como equipamentos, capacidade operacional, mão de obra e até mesmo a forma do produtor rural conduzir sua atividade.

Tão importante quanto definir o que fazer é entender se tudo o que foi planejado conseguirá ser executado ao final do processo. Entenda como a propriedade funciona e avalie se há pontos de atenção ou de limitação que poderão interferir negativamente no processo de adubação.

Faça o diagnóstico

Fazer o diagnóstico com o maior nível de detalhe possível sobre o que está sendo feito na área em relação ao manejo de solo e problemas ou limitações já conhecidas. Comento sempre muito sobre a análise de solo, entretanto, lembro que não são apenas as características químicas que definem o sucesso da adubação.

Entender se há problemas relacionados a física do solo como erosão ou compactação ou mesmo se existem desbalanços nas suas funções biológicas são informações fundamentais para prever o desempenho dos fertilizantes.

Um solo saudável deve permitir que os processos químicos, físicos e biológicos sigam seu curso natural com a menor interferência possível, ou seja, de forma sustentável. Mas, claro! Não descuide de amostragem do solo: não há como fazer uma boa recomendação a partir de uma amostragem e análise de solo ruins.

Definir critério de interpretação e recomendação

A pesquisa oficial brasileira fez um maravilhoso trabalho nas últimas décadas gerando critérios para interpretação de teores de nutrientes no solo e tabelas para recomendação de adubação para diversas culturas e regiões. Estas recomendações foram criadas a partir de inúmeros trabalhos de calibração de doses e fontes de nutrientes em diversos solos e são um importante ponto de partida para a definição do critério da recomendação de adubação.

Entretanto, como todo método científico, estas possuem limitações visto serem preparadas para representar, em alguns casos, todos os solos de um estado ou mesmo regiões inteiras. Assim, com a ajuda das tabelas, defina as classes nas quais os teores de nutrientes se enquadram (muito baixo, baixo, médio, alto, muito alto), encontre a dose recomendada para esta situação, mas não deixe de fazer o ajuste fino considerando variáveis importantes como a expectativa de produtividade, histórico da área, previsão climática para a safra e, sem dúvida, a experiência do produtor.

Se quiser uma ajuda um pouco mais sofisticada, lembro que já existem ferramentas eletrônicas e aplicativos que ajudam muito na interpretação e definição das doses por meio de algoritmos muito precisos.

Uso de fertilizantes

Com as doses de nutrientes definidas, encontre fertilizantes que se encaixem às necessidades do seu solo e cultura. Atualmente há uma grande quantidade de opções de produtos e formulações de fertilizantes que atendem quase que a totalidade das possíveis combinações de nutrientes. Selecione os fertilizantes de acordo com a recomendação e, se necessário, ajuste doses e manejo para que se encaixem muito próximo ao que foi planejado.

Não se deixe levar pelo “produto que sempre foi utilizado” ou mesmo pelo “produto que é mais fácil de comprar”; lembre-se de toda energia, tempo e dedicação que foram investidos para definir as doses de nutrientes. Busque fornecedores confiáveis, que ofereçam opções que atendam a sua necessidade e que tenham em seu portfólio produtos eficientes, comprovados e que facilitem o operacional da propriedade.

Produtos com performance aumentada e que possuam tecnologias que melhorem a eficiência de uso são ferramentas poderosas para gerar lavouras mais sadias e produtivas.

Aplicação e distribuição dos fertilizantes 

A partir do momento em que o fertilizante chega na propriedade, a recomendação sai do papel e vai, literalmente, para o campo. Todo o planejamento da adubação se materializa em produtos que contém nutrientes que serão aplicados com objetivo final de corrigirem o solo e serem absorvidos por cada planta.

Independentemente se a sua opção é trabalhar com dose fixa de fertilizantes, utilizar-se de zonas de manejo ou mesmo trabalhar com aplicações em doses variáveis, certifique-se de que o foi planejado é o que está sendo executado pelos equipamentos.

Não é raro encontrarmos casos nos quais a eficiência da adubação foi prejudicada por uma falha na regulagem das máquinas ou por má qualidade dos produtos. Para não errar, lembre-se e pratique sempre os 4 C´s (nutriente correto, dose correta, local correto, momento correto).

Cronologia das atividades

Estes cinco passos têm por objetivo criar uma cronologia das atividades que devem ser consideradas para a definição de adubações racionais e eficientes. Admito que cada um deles poderá tomar horas e horas de trabalho e reflexão e que, em algum momento, você não terá todas as respostas e informações necessárias.

De qualquer forma, como tudo o que fazemos em nossas vidas, quanto mais praticamos, mais aprendemos e nos preparamos para uma tarefa. E a nossa missão em relação às adubações é de fazermos de forma eficiente, aumentando a produtividade e sustentabilidade da produção.

Fonte: Por Flávio Bonini, gerente de Serviços Técnicos da Mosaic Fertilizantes
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Colunistas Opinião

Muito além da proteína halal

A partir da tradição no fornecimento de proteína ao mundo islâmico, Brasil pode se tornar um hub de produtos e serviços para o mercado global muçulmano.

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Presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Osmar Chohfi - Foto: Divulgação

No final dos anos 1970, a crise do petróleo deu ao Brasil a oportunidade de incrementar o intercâmbio comercial de início com o mundo árabe e depois com o resto do mundo islâmico a partir da troca de alimentos, aviões, automóveis e serviços de construção pelo precioso petróleo do qual dependíamos na época.

Dessas trocas comerciais, a relação evoluiu para um sofisticado comércio bilateral de pautas complementares, que inclui uma expressiva presença brasileira no mercado consumidor muçulmano, composto por 1,9 bilhão de pessoas nos 57 países da Organização para Cooperação Islâmica (OCI) e, também, nos Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, países a abrigar grandes comunidades ilsâmicas.

Um dos destaques desse comércio foi e é até hoje a proteína animal. Refiro-me especificamente à proteína halal, voltada ao consumidor muçulmano, que, além das características demandadas em peso, volume e porcionamento, também precisa ser obtida a partir de um método produtivo que respeite integralmente as tradições e crenças do islã.

Já na década de 1980, havia no Brasil dezenas de frigoríficos de aves e bovinos especializados em proteína halal. Nessas instalações, as linhas de abate são posicionadas em direção à cidade sagrada de Meca. Os abatedores são muçulmanos e versados no rito religioso de degola. Também existe um processo de certificação halal (palavra árabe para aquilo que é lícito segundo o islã) que dá ao cliente muçulmano a certeza de que o consumo do produto não vai representar uma transgressão a suas tradições.

O empenho dos frigoríficos, das entidades setoriais e governo brasileiro em cultivar relações com os mercados islâmicos fez do Brasil em pouco mais de 20 anos o líder mundial na exportação de proteína animal halal. Em 2020, esse comércio rendeu ao Brasil US$ 3,22 bilhões somente com os países da OCI e deve render ainda mais em 2021, dado que entre janeiro e outubro as vendas já somam US$ 3,07 bilhões, com alta de 14% sobre o mesmo período do ano anterior.

É curioso como, a partir do comércio de alimentos, o Brasil passou a ser conhecido no mundo islâmico como um país especializado no halal, cujos conceitos de licitude baseiam padronizações não só para a comida, mas também cosméticos, fármacos, produtos de entretenimento, vestuário, serviços hotelaria e financeiros. O muçulmano crê que nosso país sabe como atendê-lo, o que por si já é uma grande vantagem competitiva.

No entanto, mesmo com a forte presença em alimentos e a liderança em proteínas, o Brasil apenas começou a explorar o imenso mercado muçulmano. Para se ter uma ideia, em 2020, no setor de alimentos e bebidas em que somos competitivos, a OCI importou US$ 190,5 bilhões, dos quais apenas US$ 14,1 bilhões corresponderam a produtos brasileiros.

Em cosméticos, as compras muçulmanas totalizaram US$ 14,2 bilhões, com o Brasil fornecendo US$ 21,6 milhões. Isso mesmo, milhões. Nos fármacos, dos US$ 40,4 bilhões importados pelos países islâmicos, a parcela brasileira foi de US$ 54,1 milhões. Vestuário, US$ 34,2 milhões, num mercado total de US$ 40,3 bilhões.

Esses números dão a medida do potencial do Brasil no mercado de consumo muçulmano, que já movimenta US$ 4,88 trilhões e vai crescer 18% até 2024, pela altas taxas de natalidade dessa população, pelo investimento em cadeias halal no mundo árabe, e pelo vigor de normatizações de padronização halal na Malásia e na Indonésia, que, ressalte-se, são países multiculturais e o produto halal é consumido e, o mais importante, preferido, por não-muçulmanos.

Mas também dão uma ideia do imenso trabalho a fazer. Nosso país tem capacidade técnica para atender qualquer mercado no mundo, cabendo ao setor produtivo avançar na adoção de padronizações halal para seus produtos, já disponibilizada no Brasil por uma ampla rede de empresas especializadas em certificação halal.

No fronte governamental, estou certo de que um trabalho de promoção adequado, a ressaltar nossa expertise no halal e os aspectos positivos do Brasil admirados no mundo islâmico, pode fazer do nosso país um hub de serviços e produtos para o mundo islâmico.

Também no fronte setorial, onde atuamos especificamente, vamos continuar buscando difundir as oportunidades existentes e auxiliando o setor produtivo a acessar mercados islâmicos, seja identificando oportunidades ou orientando intermediações comerciais.

Em 2060, uma em cada três pessoas no planeta será muçulmana. O que fizermos agora vai assegurar um futuro no qual o Brasil pode ter uma participação ainda mais efetiva e com lugar de protagonismo no mercado islâmico mundial.

 

Fonte: Por Osmar Chohfi, presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
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Colunistas Opinião

Suinocultura passa por crise histórica

Setor sofre principalmente com a alta dos custos produtivos praticados na pandemia, que acompanharam a explosão da valorização do dólar. A curto e médio prazos, o produtor que não tiver reservas tende a deixar a atividade.

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A suinocultura paranaense e brasileira vive a pior crise de todos os tempos. O setor sofre, principalmente, com a alta dos custos produtivos praticados na pandemia, seja por falta de matérias-primas ou por supervalorização de commodities como milho e soja, que acompanharam a explosão da valorização do dólar.

Esse cenário é um reflexo de diversos fatores, entre eles a redução na produção decorrente da escassez hídrica, diminuindo a oferta dos insumos que são responsáveis por 80% do custo da alimentação na suinocultura.

Somado a isso, o mercado também teve impacto com o represamento de animais no mercado brasileiro, por cortes na exportação (especialmente da China e da Rússia), resultando na desvalorização da carne suína no varejo e déficit na remuneração do suíno terminado. Ainda, a guerra entre Rússia e Ucrânia provocou oscilações no barril do petróleo e diminuiu a importação de carne suína brasileira pela Europa.

Essa soma de fatores resulta em um suinocultor sem dinheiro para capital de giro, com aumento significante em custos variáveis e somados à depreciação das propriedades, estas com o mínimo necessário de manutenções e investimentos.

Hoje, a suinocultura expressa inviabilidade produtiva. A curto e médio prazos, o produtor que não tiver reservas tende a deixar a atividade. E, em momentos de crise, vale enfatizar todo o trabalho de formação e debates promovidos pelo Sistema Faep/Senar-PR, que sempre preconizou a urgência em investimentos constantes em eficiência produtiva, ou seja, que o produtor tenha conhecimento dos seus custos e receitas e tome decisões de manter a atividade no equilíbrio, prezando pela saúde financeira.

Fonte: Por Nicolle Wilsek, médica-veterinária e técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep/Senar-PR
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Luiz Vicente Suzin Opinião

O debate necessário

A campanha eleitoral é um excelente e adequado momento para o debate aprofundado das problemáticas brasileiras

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Luiz Vicente Suzin / Divulgação

Por: LUIZ VICENTE SUZIN

Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)

A campanha eleitoral vai iniciar e já há um sentimento generalizado de que uma radicalização extremada pode impregnar os atos dessa jornada. Uma série de fatores – já de amplo conhecimento da população – tornará essa eleição original. A sociedade espera que a campanha e as eleições transcorram dentro da civilidade, da urbanidade e do respeito às leis e que candidatos e eleitores tenham plenas condições de exercer com liberdade e segurança todos os direitos que a cidadania assegura. Da mesma maneira, espera-se uma conduta madura e à altura desse importante momento da vida nacional de todos os candidatos e seus eleitores.

Prática corrente na cultura política brasileira é a formatação de propostas e planos de governo sob a orientação do marketing político, o que se revela pelas ideias de grande apelo popular, promessas de solução rápida para problemas crônicos e altissonantes anúncio de obras, ações e programas sintonizados com latentes aspirações populares.

Interessa à sociedade ir além das narrativas do marketing político. A campanha eleitoral é um excelente e adequado momento para o debate aprofundado das problemáticas brasileiras, através do qual cada candidato poderá expor suas ideias, seus valores, suas prioridades, sua visão de mundo. Isso é mais importante que a desenvoltura no vídeo, a rapidez de raciocínio ou a elisão verbal nos debates. O eleitor pode conhecer o caráter do candidato e avaliar suas propostas.

O debate dos temas nacionais talvez seja a maior contribuição do processo eleitoral à formação de uma consciência psicossocial. É o momento de assumir compromissos. A redução do tamanho do Estado brasileiro e o aumento de sua eficiência é uma das questões mais complexas porque, nesse momento, a pauta comum dos candidatos é o aumento do gasto social sem uma indicação clara das formas de seu financiamento. O debate pode evoluir e apontar horizontes porque a reforma administrativa seria a matriz para outras reformas estruturantes, como a tributária, a política, a trabalhista etc.

Outra questão que imperiosamente entrará no debate é a gestão macroeconômica, num momento em que a inflação voltou a assombrar o mundo e os preços ameaçam fugir ao controle, vergastando o poder de compra dos trabalhadores.

Saúde e educação são pautas inescapáveis. A saúde, em face da pandemia do novo coronavírus, tornou-se a principal preocupação dos brasileiros nos últimos dois anos, período em que o País – com elevado sofrimento e pesadas perdas humanas – aprendeu a enfrentar e domar covid-19. A educação, principal vetor da evolução dos países de primeiro mundo, ganha relevância porque ainda é o principal instrumento capaz de catapultar o indivíduo na busca pela ascensão social em todas as dimensões.

Qualquer esforço de análise e projeção para os próximos anos exige discutir os gargalos ao crescimento nacional. E eles têm um nome: infraestrutura. É preciso aumentar fortemente os investimentos na construção e melhoria de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, terminais, centrais elétricas, hospitais, creches e escolas.

Fazer do processo eleitoral um momento de debate e discussão de alto nível sobre as macroquestões nacionais, subordinando visões setoriais aos superiores interesses do País, é o que a sociedade espera dessas eleições. Não será fácil, mas é preciso tentar

Fonte: Assessoria
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