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Geração de gás a partir da bovinocultura norteou debates na 34ª Reunião Anual do CBNA
Profissional enaltece que a produção do biogás é possível de ser produzida com praticamente todo tipo de dejetos.

Os combustíveis verdes são uma promessa de um futuro mais sustentável para as próximas gerações. Quando se pensa na geração de gás a partir da bovinocultura, muitas são as possibilidades. Esse importante assunto fez parte dos conteúdos que foram apresentados na 34ª reunião anual do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), realizado em meados de março, em Campinas, SP. Na oportunidade, o diretor técnico da empresa H2A soluções ambientais, Fluvio Eleodoro Marcos, irá proferir a palestra “explorando as possibilidades de geração de gás a partir da bovinocultura”.

Fluvio Eleodoro Marcos, diretor técnico da empresa H2A soluções ambientais – Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal
De acordo com Fluvio, o processo de tratamento dos dejetos para uso como fertilizante possui, entre outras, uma possibilidade muito interessante, que é a geração de biogás. “Esse biogás pode ser purificado, comprimido e armazenado para transporte, trata-se de um combustível não fóssil e com possibilidade de separação de CO2, purificação e compressão para uso como combustível verde”, explica.
O palestrante argumenta que apesar de serem considerados recursos renováveis, a exploração do biodiesel e do bioetanol provoca impactos ambientais relacionados à queima da biomassa, ao uso intensivo do solo no cultivo de monoculturas, a geração de resíduos agrícolas, entre outros. “Como alternativa, estudos sobre a produção e aproveitamento de biogás (e de seu derivado biometano) têm apontado resultados positivos, tanto energeticamente, como economicamente e ambientalmente”, destaca o diretor.
Após o tratamento inicial de separação dos dejetos, o biogás passa por um processo de purificação para remoção do gás sulfídrico (que é corrosivo), separação de metano e CO2 os quais são comprimidos e armazenados separadamente para destinação ao mercado consumidor. “O biogás tem origem em um processo biológico e a sua ocorrência natural pode ser observada em sistemas como pântanos, fundo de lagos e no rúmen de animais. A matéria orgânica quando decomposta em meio anaeróbio é convertida na mistura gasosa chamada biogás por meio de microrganismos fermentadores, produzindo energia em forma de calor. Trata-se de um biocombustível renovável composto principalmente por metano (CH4), dióxido de carbono e traços de outros gases”, explica Fluvio.
É importante salientar que a produção do biogás é possível de ser produzida com praticamente todo tipo de dejetos. “Quase todas matérias orgânicas são capazes de produzir biogás por fermentação anaeróbia, principalmente em um processo controlado, mas é claro que o volume dos dejetos é que vai determinar a viabilidade do processo”, explicita.
Em geral, o que muda é a forma de coleta destes dejetos e a quantidade necessária para a produção de biogás desejada. Por este motivo, para cada tipo de produção, seja ela gado de corte, gado de leite, suinocultura e até mesmo insumos agrícolas é extremamente importante estudar e dimensionar todo o processo da cadeia produtiva, desde a quantidade do rebanho, a forma de coleta dos dejetos, tipo de tratamento realizado e por fim e mais importante qual a necessidade final para a utilização do biogás. “Esse último processo determina principalmente se o biogás será separado em gases puros (como metano e dióxido de carbono) ou se será utilizado na forma de biogás, como uma mistura de gases na proporção aproximada de 60% e 40% (metano e dióxido de carbono respectivamente)”, explica.
Incentivos e projeções
No Brasil, programas de incentivo ao aproveitamento energético do biogás têm sido implantados, oferecendo aos produtores apoio técnico e econômico. “Nosso país está iniciando um ciclo de produção de combustíveis verdes. Trata-se de um segmento em pleno crescimento, cada dia mais procurado e valorizado, não somente pelo cunho ambiental da proposta, mas também pela viabilidade técnica existente, tecnologias atualizadas e com menores custos, possibilitando a sustentabilidade ambiental e financeira da criação de gado e ainda com excelentes rendimentos”, pondera Fluvio.
No que tange às perspectivas futuras de aproveitamento do biogás no país, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em 2016, apontou que o aumento da participação do biogás na geração de eletricidade distribuída depende em grande parte do seu potencial econômico. “As projeções indicam que a capacidade instalada das usinas termelétricas até 2050 será de 2.850 MW, em um cenário base, (mantendo-se as políticas atuais), ou atingirá 5.188 MW em um cenário favorável (considerando que novas políticas públicas estimulem a conversão do biogás)”, declara.
Em comparação com o biometano combustível, a perspectiva é que no cenário base, o potencial econômico alcance o equivalente a 4% do potencial teórico de 140,81 milhões m³/dia em 2030 e em 2050 atinja 17% do potencial teórico de 217,52 milhões m³ /dia. Quanto ao cenário favorável, espera-se que até 2050 a produção de biometano duplique. “É importante ressaltar que a destinação do biogás para produção de biometano mostra-se mais vantajosa do que a geração de bioeletricidade devido à maior aplicabilidade do biometano em diferentes serviços, prevalecendo principalmente sobre o diesel”, explicita.
Vantagens para o produtor rural
A produção de biogás e, por consequência a geração do biometano traz para o produtor rural uma nova fonte de renda, com excelentes resultados no mercado atual. “Não apenas ponderando sobre fontes financiadoras, mas também falando abertamente de mercado consumidor que está apontado para um consumo mais consciente, o que dá ao produtor uma nova receita, que pode ser tão valiosa quanto a criação do rebanho bovino e com inúmeras possibilidades de crescimento”, adianta.
Investimentos
A produção de plantas de biogás requer um investimento financeiro. Para saber se esse empenho é economicamente viável, o produtor deve observar três importantes aspectos:
1. Volume do dejeto produzido e a estrutura: É necessário fazer um estudo da quantidade de dejetos produzida com base no número de animais alojados, e a forma de coleta para que os dejetos sejam tratados;
2. Mercado receptor: Com base na quantidade de biogás a ser produzida, é necessário estudar o mercado local e as formas de aplicação do produto;
3. Retorno financeiro: É necessário um estudo de qual será o retorno financeiro com a venda de energia ou gases em decorrência da produção massiva.
Após analisar esses três pontos e verificando a existência de mercado local é necessário então um estudo sobre a execução. “É preciso que o produtor escolha qual a melhor forma de trabalhar, se isolado ou em cooperativas, ou até mesmo se existe a possibilidade de envolvimento do cliente final na estrutura produtiva, que atualmente é a atividade mais almejada, ou seja, o cliente final entra com os recursos financeiros para tirar o máximo proveito dos insumos gerados no processo, objetivando uma parceria longa e financeiramente apropriada para o produtor rural que não quer se envolver com desenvolvimento de mercado”, informa.
Fluvio encerra enaltecendo que a biomassa é considerada uma das principais alternativas para a diversificação da matriz energética, reduzindo a dependência dos combustíveis fósseis. “A biomassa é uma das fontes com maior potencial de crescimento para produção de energia no contexto nacional e internacional. Os biocombustíveis são derivados da biomassa renovável que podem substituir, parcial ou totalmente, combustíveis derivados de petróleo e gás natural em motores à combustão ou em outro tipo de geração de energia”, sustenta.
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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



