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Genética de plantas e manejo de cultivos: alternativas para compensar os efeitos das mudanças climáticas no Sul do Brasil

A combinação de estratégias genéticas, manejo de cultivos e práticas integradas de gestão de risco são fundamentais para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. A implementação dessas práticas não só ajudará a mitigar os impactos adversos, mas também vai promover uma agricultura mais resiliente e sustentável no Rio Grande do Sul e em toda a região Sul do Brasil.

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As mudanças climáticas estão se manifestando de forma acentuada na região Sul do Brasil, trazendo desafios expressivos para a agricultura. De acordo com o agrometeorologista da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha, duas características climáticas estão moldando a agricultura local: o aumento da umidade e a elevação das temperaturas mínimas. Estas mudanças demandam novas abordagens tanto na genética de plantas quanto no manejo de cultivos para garantir a produtividade e a sustentabilidade da agricultura na região.

Agrometeorologista da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha: “A criação de cultivares mais resistentes e a utilização eficiente do solo durante o inverno são estratégias essenciais para garantir a sustentabilidade e a produtividade agrícola na região Sul do Brasil” – Foto: Divulgação/Embrapa Trigo

Desde a metade do século passado, a região Sul tem se tornado progressivamente mais úmida, especialmente na primavera. Muitos locais, que antes recebiam cerca de 1.300 milímetros de chuva anualmente, agora registram até 2.000 milímetros. Além disso, as temperaturas mínimas têm subido, criando um ambiente mais quente e úmido, propício ao desenvolvimento de doenças nas culturas. Este cenário exige um foco intensificado no melhoramento genético para desenvolver plantas mais resistentes a estas condições adversas.

De acordo com o agrometeorologista, os programas de melhoramento genético estão concentrados em criar cultivares com maior resistência a doenças e maior tolerância ao calor. “Estas plantas precisam ser resilientes às variações climáticas, que incluem períodos de alta umidade e estiagens prolongadas. Entre as doenças que mais preocupam estão as doenças de espiga nos cereais de inverno, como o trigo, que são de difícil controle e podem comprometer significativamente a produção”, expõe Cunha, que vai tratar sobre como a genética de plantas e manejo de cultivos podem compensar os efeitos das mudanças climáticas durante o Interleite Sul, de 18 a 19 de maio, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Além disso, a busca por plantas mais eficientes no uso de recursos e mais tolerantes a um ambiente com maior concentração de CO2 e seca está em andamento nos laboratórios de pesquisa. Embora estas tecnologias ainda estejam em desenvolvimento, já existem cultivares no campo que são mais adaptadas às novas condições climáticas.

Convivendo com extremos climáticos

A convivência com extremos climáticos é uma preocupação constante no Sul do Brasil. A ocupação do solo no inverno com cereais de estação fria, como trigo, cevada, triticale e aveia, é uma estratégia para mitigar os impactos das mudanças climáticas, uma vez que estes cereais não só fornecem grãos para o consumo humano e animal, mas também oferecem opções de pastejo direto e produção de forragem conservada, como pré-secados, feno e silagem e até pode ser usado produção de etanol. “As mudanças climáticas exigem inovações tanto na genética de plantas quanto no manejo de cultivos. A criação de cultivares mais resistentes e a utilização eficiente do solo durante o inverno são estratégias essenciais para garantir a sustentabilidade e a produtividade agrícola na região Sul do Brasil”, ressalta Cunha.

Foto: Matthias Zomer/Pexels

Gestão integrada de riscos na agricultura

A gestão integrada de riscos é fundamental para a agricultura moderna, especialmente em face das mudanças climáticas. Essa abordagem abrange a utilização de tecnologias de manejo de cultivos, a construção de perfis de solo mais adaptados, visando a redução dos impactos negativos do clima, o uso de cultivares com diferentes ciclos de maturação, a diversificação das épocas de semeadura, evitando o plantio simultâneo de todas as áreas, e a transferência de risco, que envolve o seguro agrícola.

Segundo o agrometeorologista, a agricultura enfrenta dois grandes riscos: o climático, por ser uma atividade a céu aberto, e o de preço. “É essencial combinar diversas práticas dentro das tecnologias de produção, por isso é tão importante construção de um perfil de solo saudável e eficiente, capaz de armazenar água e com altos teores de matéria orgânica”, frisa Cunha, acrescentando: “Boas práticas de conservação do solo, como a sistematização da área e o uso de plantio direto, são essenciais. A rotação de culturas, alternando espécies de plantas, minimiza os efeitos adversos do clima e das doenças de plantas, além de melhorar o perfil e a estrutura do solo, evitando camadas compactadas. Esse processo constrói um solo mais produtivo ao longo dos anos”.

Importância dos cereais de inverno

A integração dos cereais de inverno com a produção animal é altamente recomendável na região Sul do Brasil. “O abandono da prática de pousio, que é quando nada se planta no campo, é fundamental na região Sul. O pousio degrada o solo e favorece plantas daninhas que dificultam o controle e reduzem a produtividade”, afirma Cunha.

O uso do solo no inverno para plantio de cereais, como trigo, cevada, triticale e aveia, de acordo com Cunha não só contribui para a produção de grãos, mas também para a forragem, beneficiando a alimentação animal. “Isso melhora as propriedades do solo, mitiga as emissões de gases de efeito estufa e agrega renda ao integrar sistemas de produção de grãos com pecuária. Além disso, o uso desses cereais para pastejo direto, silagem e comercialização dos grãos proporciona diversas oportunidades de renda ao produtor”, salienta o agrometeorologista.

Catástrofe no Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul enfrenta uma situação difícil com muitas cidades alagadas e rodovias destruídas pelas enchentes. Esta situação tem impactado diretamente o escoamento da produção devido à dificuldade de acesso para o recolhimento dos produtos. Mesmo nas cidades não diretamente atingidas pelas enchentes, o impacto indireto das estruturas rodoviárias danificadas tem prejudicado o setor agropecuário como um todo.

Nas regiões onde a água já baixou, os prejuízos são evidentes nas estruturas industriais e unidades produtoras de animais. Muitas cidades viram a população perder completamente suas casas, com os prejuízos mais acentuados na região Central do estado e na grande Porto Alegre. “Os impactos ainda estão sendo calculados, mas os prejuízos são inúmeros, especialmente na produção de forragem para alimentação do gado leiteiro, que sofrerá atrasos no estabelecimento de novas áreas”, aponta Cunha.

Embora a produção de grãos tenha sido menos impactada, já que a maioria das lavouras de soja, milho e arroz já havia sido colhida, ainda existia uma área significativa por colher no Sul do estado, onde cerca de 24% das lavouras estavam nos campos quando as enchentes começaram, conforme dados da Emater-RS. “Na pecuária leiteira, o comprometimento é significativo, pois muitas das regiões afetadas são de pequenas propriedades, e esses produtores foram os mais atingidos pelas enchentes”, afirma Cunha.

Seguro rural e zoneamento agrícola

Cunha é enfático ao afirmar que nenhum produtor deve abrir mão do seguro rural, que se torna um insumo de proteção cada vez mais importante na agricultura brasileira, especialmente no Sul. Outra ferramenta essencial de gestão de risco é o zoneamento agrícola de risco climático, que identifica as potencialidades das espécies em cada região, quando plantar e os níveis de risco envolvidos. “Este instrumento subsidia as políticas de crédito e seguro rural no Brasil, tornando-se essencial para a gestão de risco e a sustentabilidade da agricultura”, pontua.

A combinação de estratégias genéticas, manejo de cultivos e práticas integradas de gestão de risco são fundamentais para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. A implementação dessas práticas não só ajudará a mitigar os impactos adversos, mas também vai promover uma agricultura mais resiliente e sustentável no Rio Grande do Sul e em toda a região Sul do Brasil.

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Fonte: O Presente Rural

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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho

Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

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Foto: Divulgação/Connan

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.

O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).

Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.

Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa

Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

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O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.

Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.

“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas

Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.

“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.

Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.

“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses

Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

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Foto: Isabele Kleim

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).

“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná

Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.

“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.

O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.

“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.

Temas prioritários

Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor

“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.

Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.

Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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