Suínos
Ganho compensatório é viável na suinocultura?
O ganho compensatório na produção de proteína animal é um fenômeno que ocorre quando animais, como gado, suínos ou aves, experimentam um período de restrição alimentar seguido por uma fase de alimentação quando têm acesso à quantidade de alimento que necessitam.

O ganho compensatório é um conceito complexo que envolve o crescimento acelerado de animais após um período de restrição nutricional, visando recuperar o peso perdido e restabelecer o equilíbrio corporal. Existem estudos que demonstram a existência do ganho compensatório em algumas espécies, como aves e peixes, mas ainda há dilemas e dificuldades em mensurar e estimar o ganho compensatório em suínos.
O ganho compensatório na produção de proteína animal é um fenômeno que ocorre quando animais, como gado, suínos ou aves, experimentam um período de restrição alimentar seguido por uma fase de alimentação quando têm acesso à quantidade de alimento que necessitam. Durante o período de restrição alimentar, os animais recebem uma quantidade insuficiente de alimento ou determinados nutrientes para atender às suas necessidades de crescimento e produção. No entanto, quando a restrição alimentar é encerrada e os animais são alimentados à vontade, eles tendem a crescer e ganhar peso mais rapidamente do que aqueles que sempre foram alimentados adequadamente.
Esse ganho compensatório ocorre devido a várias adaptações fisiológicas que os animais desenvolvem durante o período de restrição alimentar. Durante a restrição, eles podem reduzir o gasto de energia, diminuir o crescimento e utilizar de forma mais eficiente os nutrientes disponíveis. Quando a alimentação é restaurada, essas adaptações permitem que eles absorvam e utilizem os nutrientes de maneira mais eficaz, resultando em um aumento rápido no crescimento e no ganho de peso.

Mariana Boscato Menegat, médica-veterinária – Foto: Giuliano De Luca/OP Rural
O ganho compensatório é um conceito importante na produção animal, pois permite aos produtores otimizar o uso de recursos, como alimentos, reduzindo os custos de produção. No entanto, é essencial controlar o período de restrição alimentar para evitar efeitos negativos sobre a saúde e o bem-estar dos animais. Além disso, a genética, a idade dos animais e outros fatores podem influenciar a magnitude do ganho compensatório observado em diferentes espécies e sistemas de produção.
Conforme a médica-veterinária, Mariana Boscato Menegat, mestra em Reprodução de Suínos e PhD em Nutrição de Suínos, a restrição alimentar controlada é geralmente implementada por um curto período de tempo, geralmente de semanas, dependendo do objetivo do produtor. Durante esse período, os suínos recebem uma quantidade de alimento que é insuficiente para atender plenamente suas necessidades de crescimento ou recebem dietas mais pobres em algum nutriente, como lisina, proteína bruta ou lipídios, por exemplo. Como resultado, eles podem experimentar uma desaceleração no crescimento e no ganho de peso.
Quando a restrição alimentar é encerrada e os suínos são alimentados à vontade, várias coisas acontecem. A eficiência de conversão alimentar melhora, pois os suínos que passaram pelo período de restrição alimentar tendem a utilizar os nutrientes de forma mais eficiente, transformando a comida consumida em ganho de peso com maior eficácia. Além disso, pode haver maior consumo de alimento, o que contribui para o ganho de peso acelerado.
Com o aumento da ingestão de alimentos e a melhora na eficiência de conversão, os suínos experimentam um rápido crescimento e ganho de peso durante o retorno à fase de alimentação com os nutrientes que necessitam. Isso resulta em um ganho compensatório, permitindo que eles alcancem o peso desejado em menos tempo.
De acordo com ela, o ganho compensatório é vantajoso para os produtores de suínos, pois pode reduzir os custos de produção, incluindo alimentação, e otimizar a produtividade nas fábricas de rações. No entanto, a gestão adequada é fundamental para garantir que os suínos não sofram estresse ou impactos negativos em sua saúde durante o período de restrição alimentar.
Mariana ressalta que é importante observar que a magnitude do ganho compensatório pode variar com base em fatores como a genética dos suínos, a duração da restrição alimentar e a qualidade da alimentação. “Os fatores determinantes para o ganho compensatório são genótipo, estratégia de crescimento durante a restrição, método de limitação nutricional e padrões de restrição e recuperação”, frisou. Portanto, explicou, os produtores devem ajustar estrategicamente seus planos de alimentação para otimizar o ganho compensatório sem comprometer a saúde dos animais.
Na prática

“Se a gente só olhar para o conceito, parece que todas nossas preces foram atendidas. Será que a gente consegue fazer uma redução de desenvolvimento dos animais e minimizar os custos de produção, mas mesmo assim ganhar em alto desempenho e maximizar a produtividade? Isso seria ideal, mas o ganho compensatório é mais complexo do que isso. No entanto a gente pode utilizar ele, ter benefícios na prática utilizando o conceito de ganho compensatório”, destacou. “Em algumas espécies de aves e peixes o ganho compensatório está não somente bem descrito, mas utilizado na prática. Mas nos suínos ainda existem bastantes dilemas, é difícil de estimar e mensurar o ganho compensatório”, ampliou a palestrante.
A palestrante citou como exemplos pesquisa com dois grupos de suínos, um que teve restrição alimentar e outro que não passou por isso. “Nesse período de restrição é normalmente induzido por restrição nutricional. Durante esse período os animais vão ter crescimento desacelerado em relação aos animais que não tiveram restrição. Assim que a restrição nutricional é removida e os animais voltam a uma dieta nutricionalmente adequada, eles passam por um período de recuperação, quando o crescimento é acelerado em relação aos animais que não tiveram uma restrição prévia”, acentuou. “O mecanismo fisiológico que leva ao ganho compensatório é uma tentativa de tentar recuperar o peso perdido para atingir o peso esperado na idade fisiológica e tentar reestabelecer o reequilíbrio corporal de lipídios e proteína ao qual os animais estão geneticamente predispostos”, explicou a especialista.
Para Mariana, uma das principais atenções dos produtores deve estar no período em que é realizada a restrição. “O estágio de crescimento durante a restrição determina a capacidade do suíno em expressar o ganho compensatório. A restrição deve ser feita no estágio inicial de crescimento, antes do animal atingir a maturidade e antes de atingir seu máximo potencial de deposição proteica”, que ocorre quando o suíno tem entre 70 e 85 quilos, de acordo com a especialista.
“É importante ser uma restrição nutricional moderada, por um período curto, passando por um período mais longo de recuperação, com níveis de lisina atendendo as necessidades dos animais ou acima dessas exigências”, recomenda. “Em síntese, o ganho compensatório é uma limitação nutricional através da formulação da dieta. A restrição deve ser feita no estágio inicial de crescimento, antes da maturidade. A restrição deve ser curta, com níveis moderados de limitação de lisina, e recuperação longa e com níveis adequados de lisina”, reforçou.
A profissional citou ainda importantes aspectos a campo que podem influenciar positiva ou negativamente no ganho compensatório. Entre eles estão a sanidade da fazenda, o espaço de comedouro, a ambiência das instalações, a qualidade da água, a densidade de animais e a variabilidade de peso do plantel.
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Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.
Suínos
Da creche à sustentabilidade, 6º Encontro Técnico Abraves-SP apresenta estratégias para aumentar eficiência das granjas
Evento em Pirassununga (SP) vai discutir manejo de leitões leves, sanidade, nutrição e sistemas de produção para apoiar decisões técnicas na suinocultura.

Melhorar a produtividade sem comprometer a sanidade do rebanho exige decisões técnicas em todas as etapas da produção. Manejo de leitões, nutrição, biosseguridade e gestão dos sistemas de criação estão entre os fatores que determinam o desempenho das granjas e influenciam diretamente os custos e os resultados da atividade.
Diante desse cenário, a atualização técnica tornou-se uma ferramenta cada vez mais importante para médicos-veterinários, zootecnistas, consultores e produtores, que precisam incorporar novos conhecimentos à rotina das granjas.
Esses temas estarão em debate no 6º Encontro Técnico Abraves-SP, que será realizado em 09 de setembro, no campus da Universidade de São Paulo (USP), reunindo profissionais da cadeia suinícola para discutir soluções aplicáveis aos sistemas de produção.
Entre os destaques da programação está a palestra do médico-veterinário Vinícius Cantarelli, que abordará estratégias de manejo de leitões leves na fase de creche, uma etapa decisiva para o desempenho dos animais ao longo do ciclo produtivo.
O médico-veterinário Caio Abércio da Silva discutirá a sustentabilidade dos sistemas de produção, apresentando abordagens voltadas à eficiência técnica, econômica e ambiental da suinocultura.
Promovido pela regional paulista da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES), o encontro busca aproximar pesquisa científica e prática de campo, oferecendo aos participantes ferramentas para aprimorar a tomada de decisão nas granjas.
A programação completa e as inscrições estão disponíveis aqui.
Suínos
Redução das granjas de reprodutores acende alerta para a genética suína
Artigo destaca a queda no número de GRSCs e defende medidas para preservar a base genética da suinocultura brasileira.

Ao nos referirmos às Granjas de Reprodutores Suínos no Brasil, as chamadas GRSCs, há que se ressaltar, de pronto, o fundamento histórico e a relevância dessas granjas à atividade suinícola nacional, assim como sua relação direta com a organização da classe dos produtores de suínos do Brasil, haja vista que elas deram origem à Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), fundada por um grupo de 48 produtores em 13 de novembro de 1955 no município gaúcho de Estrela, dando-se assim início a um significativo e intenso trabalho de melhoramento do rebanho de suínos no Brasil. E a criação da ABCS tornou possível organizar o registro genealógico e os programas de melhoramento genético no país, em se tratando de suinocultura comercial. É possível afirmar que as GRSCs são os verdadeiros centros de seleção genética, controle de origem e de avaliação do desempenho dos animais.
De fato, foram o pilar da transformação da suinocultura brasileira, ajudando a tornar o Brasil uma potência global na produção de carne suína, ocupando hoje o 4° lugar na produção mundial de suínos, pelo fato de as GRSCs garantirem a autossuficiência genética nacional, impulsionarem a adoção da inseminação artificial e elevarem a sanidade e a produtividade brasileira a padrões internacionais. De tal forma que essas granjas tiveram e ainda têm um papel fundamental no desenvolvimento da suinocultura brasileira moderna, dentro de uma cadeia altamente tecnificada e competitiva.
Não há como não se observar esse aspecto histórico da importância das granjas de produção de reprodutores suídeos, desde a criação da ABCS e de suas associações afiliadas estaduais, para a sustentação da atividade suinícola do Brasil nos últimos 70 anos, período em que o consumo interno de produtos derivados de suínos dobrou, passando de uma média nacional de 10kg para 20 kg, per capta, justamente a partir do uso de reprodutores dessas granjas. Aliás, em 2025, a média foi de 20,2 kg/habitante/ano (segundo a ABCS), consolidando um crescimento de cerca de 35% na última década.
Redução drástica das GRSCs no Brasil

Artigo escrito por Cesar da Luz é especialista em agribusiness, consultor da Associação Paranaense de Suinocultores e pesquisador da cadeia suinícola nacional. E-mail: [email protected].
Mesmo diante de todo esse contexto histórico, levantamento feito com base na literatura brasileira e com dados obtidos junto ao Relatório de 2025 do Registro Genealógico de Suínos da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, ABCS, indica que houve uma redução muito significativa no número dos criadores de suínos da raça Landrace, com afixo registrado pelo produtor na entidade que representa o sistema suinícola brasileiro. Afixo é o nome oficial dado ao criatório, ou granja, certificada na ABCS.
Para se ter uma ideia da grande redução no número desse tipo de granjas e da grande erosão da variabilidade genética de suínos no Brasil, enquanto na década de 1970 o número de afixos registrados na ABCS era de 271, no ano passado, esse número caiu drasticamente para apenas 34. Portanto, atualmente, essas granjas representam apenas 12,5% do total existentes na década de 1970, em um ambiente em que as fontes de material genético das principais raças comerciais de suínos, como Landrace, Large White, Duroc e Pietrain, já são bastante escassas.
O fato é que o número de Registros Genealógicos vem reduzindo substancialmente desde a década de 1970 para a década de 1990 e para o período posteriormente aos anos 2000, enquanto o número de afixos de Empresas Integradoras e de Empresas de Genética vem crescendo sua participação no mercado de reprodutores Landrace, no Brasil.
Raça Landrace
No caso específico da raça Landrace, ela é uma das mais importantes para a evolução da atividade suinícola brasileira moderna, principalmente pela sua elevada capacidade reprodutiva e pelo excelente desempenho materno. Originária da Dinamarca, a raça foi introduzida no Brasil para contribuir no melhoramento genético dos rebanhos comerciais e se tornou fundamental nos sistemas intensivos de produção de carne suína.
A participação da raça Landrace foi decisiva para a modernização da suinocultura brasileira, especialmente a partir da intensificação da atividade nas regiões Sul, nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,0 Sudeste, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, sendo que as GRSCs passaram a utilizar amplamente a genética Landrace em programas de seleção, contribuindo para a disseminação de animais superiores e para o controle sanitário dos plantéis.
É importante destacar, ainda, que a raça Landrace é uma das principais raças de suínos utilizada na produção de suínos no Brasil, compondo 50% do genótipo na maioria das fêmeas F1 utilizadas na produção comercial de suínos, o que muito bem representa o que está ocorrendo com os Registros Genealógicos de Suínos no país, algo que requer muita atenção, especialmente dos órgãos governamentais, especialmente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Ressalte-se, ainda, que as Granjas Independentes de Produção de Reprodutores, no caso da raça Landrace, elas são fundamentais também para a produção do mercado livre de suínos no país, composto por granjas de pequeno e médio porte que não pertencem aos sistemas integrados e cooperados. São tais granjas independentes que abastecem grande parcela do mercado interno nacional com produtos derivados de suínos, mas que estão reduzindo ano após ano, colocando o Brasil na dependência de reprodutores de Empresas de Genética que atuam no país, mas cujos Núcleos Genéticos Primários se encontram no exterior, o que implica no aumento do volume de “royalties” enviados para fora do Brasil.
Portanto, as GRSCs continuarão sendo extremamente importantes para suprir o mercado interno de reprodutores suínos, bem como fundamentais para o resgate e manutenção das raças nacionais de suínos e mesmo para a manutenção das raças importadas que já estão adaptadas para uso comum na suinocultura brasileira. Sem dúvida, as granjas de reprodutores foram a base do avanço genético, sanitário e tecnológico da suinocultura nacional, sem as quais o setor dificilmente teria alcançado os níveis atuais de eficiência, qualidade e competitividade internacional que se encontram hoje.
Olhando para esse histórico e para a importância das Granjas de Reprodutores de Suínos para a suinocultura brasileira, vê-se, inclusive, a própria necessidade de que uma fonte pública proporcione recursos, inclusive a fundo perdido, para a implementação das novas medidas exigidas pelo MAPA, integrantes da Portaria DAS/MAPA nº 1.358/2025, permitindo que as GRSCs consigam continuar cumprindo seu papel no contexto da suinocultura e como salvaguardas do banco genético nacional.






