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Bovinos / Grãos / Máquinas Conheça essa história:

Família Bocato: valores, união e amor em torno da soja

Tradição em produzir soja, é da oleaginosa que a família Bocato tira o sustento de toda a família

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Francine Trento/OP Rural

Se tem algo que dá muito certo no Sítio Nossa Senhora Aparecida é o trabalho em conjunto feito pela família Bocato. A propriedade fica no município de Boa Esperança, há 60 quilômetros de Campo Mourão, região Centro-Oeste do Paraná. Apaixonados pela atividade no campo, os irmãos Edvaldo, Cleber e Luiz Henrique e o pai José comandam juntos uma área de 134 alqueires. A expedição do jornal O Presente Rural pelo Paraná foi conferir essa história cheia de valores, união familiar e amor em torno da soja.

O carro-chefe da propriedade, segundo os próprios donos, é a soja. É dela que a família Bocato tira a maior parte dos lucros da fazenda. Apesar de cultivar outras culturas, é a oleaginosa a menina dos olhos dos quatro agricultores. “A soja é o nosso principal produto. É ela que dá o sustento para nossa família e mantém tudo funcionando. Para ela, sempre tem um adubo foliar a mais, uma variedade melhor, uma semente bem tratada e um carinho mais do que especial”, conta o irmão mais velho, Edvaldo.

Não somente para a família Bocato a soja tem um significado tão grande. O município de Boa Esperança também depende bastante da oleaginosa. De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, a soja foi responsável por 67% do Valor Bruto da Produção Rural do município em 2018.

Segundo o Deral, o Valor Bruto da Produção de soja no ano de 2018 em todo o Paraná foi de R$ 22,3 bilhões. Esse valor representou 25% do total do Estado. Em comparação com o ano de 2017, houve um crescimento de aproximadamente 2%. Informações do Deral mostram ainda que a soja permanece como principal produto agrícola do Estado, e sua participação média no VBP dos últimos 10 anos foi de 21%.

O Núcleo Regional de Campo Mourão, do qual o município de Boa Esperança faz parte, foi o que teve a maior participação no total estadual, gerando cerca de R$ 2,6 bilhões, ou 11,9% do Paraná. Na sequência aparece o Núcleo Regional de Ponta Grossa com R$ 2,5 bilhões (11,1%), de Cascavel com R$ 2,2 bilhões (10,1%), de Toledo com R$ 1,9 bilhão (8,8%) e de Pato Branco, com R$ 1,4 bilhão (6,3%).

De Floresta para Boa Esperança

Mas nem sempre a família Bocato esteve em Boa Esperança. “Nós éramos do município de Floresta (Norte do Paraná), tínhamos um sítio lá. Mas meu pai e meus tios tinham uma sociedade em algumas terras em Mamborê. Então, em 1993 vendemos aquela propriedade em Floresta e compramos esta que temos hoje. No começo foram somente 48 alqueires que compramos. Viemos para cá, principalmente, para ficar mais perto do pai”, conta Edvaldo. “Apareceu a oportunidade de comprar este lote em Boa Esperança. E deu certo para vendermos o que tínhamos em Floresta e nos mudarmos para cá”, explica. Edvaldo lembra que o município ainda era um pouco longe de Mamborê, mas na época, este foi uma possibilidade que encontraram.

Segundo ele, em 1996 a sociedade entre o pai e os tios foi desfeita e seo José se mudou para Boa Esperança para ficar com os filhos. E em 1998 a família fez, o que para eles, foi essencial para o sucesso que tem hoje: se associaram à Coamo Cooperativa Agroindustrial. “O pai é associado desde 1992 e nós nos associamos pouco depois, logo que fizemos 18 anos”, comenta Cleber. Segundo ele, a cooperativa é de grande ajuda para os bons resultados que a família vem tendo ao longo dos anos. “Toda a parte técnica que precisamos, ajuda com produtos, tecnologia, não tem dia ou hora o engenheiro agrônomo está à disposição para nos ajudar, e isso tem feito toda a diferença”, assegura.

Coisa de família

Produzir soja é tradição na Família Bocato. O pai sempre produziu e repassou a habilidade para os filhos. Não somente as técnicas e formas, mas também o amor e carinho pela oleaginosa. “Em Floresta mexíamos com soja. Nós crescemos vendo as lavouras”, diz Edvaldo. E o que foi repassado para os três irmãos, hoje é repassado para os futuros herdeiros da propriedade. “Tentamos repassar para os nossos filhos o máximo que aprendemos. Igual nós praticamos com o nosso pai, nós temos que passar para eles”, conta. Edvaldo atualmente tem uma menina de 19 anos e um menino de 15; Cleber tem duas meninas, uma de 11 e outra de 8 anos; e Luiz Henrique tem uma menina de dois anos e a esposa está grávida do segundo filho.

Até pouco tempo, era somente a família que trabalhava na propriedade. “Agora que temos um rapaz que nos ajuda, principalmente em cuidar o maquinário e na época de safra, que fica um pouco mais corrido. Hoje temos essa pessoa de confiança para nos auxiliar”, comenta.

Edvaldo lembra que logo que o pai e os tios desfizeram a sociedade, os três irmãos estavam terminando os estudos. “Mas, em nenhum momento pensamos em estudar alguma outra coisa e sair da lavoura. A nossa vontade sempre foi de ficar. Todos ficaram na lavoura, com o pai no comando”, conta. Este detalhe do patriarca da família estar sempre no comando foi o que também manteve a família unida na propriedade. “O nosso relacionamento familiar é bastante estreito, somos muito unidos. Nós resolvemos tudo. Se der algo errado, é prejuízo para todo mundo, mas se ganha, todos ganham juntos”, afirma.

Para Cleber, o segredo para este negócio familiar dar certo é o respeito e a obediência que existe de filhos para o pai. “Mas tem também o detalhe de que o pai confia muito em nós. Ele nos deixa tomar as decisões, confia no nosso trabalho, do que fazemos na lavoura”, acrescenta. Segundo ele, o respeito mútuo é imprescindível para os negócios darem certo.

Com este trabalho em família, ao longo dos anos os Bocato, como são conhecidos na cidade, foram comprando mais terras e maquinários. “Compramos mais tratores para fazer o plantio na hora certa, temos plantadeiras novas. Aos poucos vamos conquistando nossas coisas. Todos os 134 alqueires que produzimos é nosso, nada é arrendado”, orgulha-se Cleber. Segundo ele, a vontade da família é aumentar. “Compramos um sítio há dois anos, e conforme vai nos sobrando, vamos investindo”, esclarece.

Tecnologias foram essenciais

A boa produção da família Bocato vem pelo bom trabalho, mas também por sempre utilizarem as tecnologias disponíveis no mercado. Uma delas, que fez toda a diferença no aumento da produtividade, é a agricultura de precisão. “Nossas terras, no começo, estavam manchadas, colocávamos calcário, mas nem sempre conseguíamos acertar. E desde 2016, quando começamos a implantar a agricultura de precisão e fazemos as aplicações corretamente, estamos melhorando muito a nossa produtividade”, afirma Edvaldo.

Ele explica que a partir do momento em que começaram a investir no solo e nas tecnologias, a produtividade melhorou significativamente. “Antes, tirávamos a média de 130 a 140 sacas (por alqueire). Quando começamos a investir e melhorar o solo, nos anos ruins, como foi ano passado, continuamos com uma produção boa. Mas houve anos em que conseguimos tirar entre 170 a 190 sacas”, conta. “Conseguimos manter a produção em um bom padrão”, diz.

Edvaldo afirma que a família sempre foi atrás das tecnologias disponíveis para aplicar na propriedade e assim melhorar a produtividade e ganhos. “Hoje em dia é desse jeito. Temos que evoluir junto com a tecnologia. Ela está aí para ser usada”, menciona. Ele comenta que a cooperativa traz até eles o que há no mercado de melhor para alcançar os bons ganhos. “Os custos aumentaram um pouco por conta do investimento nas tecnologias, mas vale muito a pena. Com certeza ela se paga e ainda sobra”, diz.

Outras notícias você encontra na 6ª edição do Anuário do Agronegócio Paranaense.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição

Planejamento forrageiro é essencial para pecuarista que busca evitar escassez de alimento

É importante a escolha das espécies componentes dos sistemas de produção que podem ser integrados com a produção de grãos

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Diogo Zanata

O planejamento forrageiro é uma estratégia para reduzir a escassez de alimento dos rebanhos ao longo do ano através da oferta diversificada de pasto e forragens conservadas. De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, especialista no assunto, Renato Serena Fontaneli, o produtor deve juntamente com seu assistente técnico, seja da iniciativa privada, cooperativas, Emater, laticínios, planejar e executar de maneira eficiente, tornando os sistemas produtivos, complexos, com resultados atrativos.

Ele explica que a região sul-brasileira é privilegiada em termos de ambiente para produção de pastagens durante o ano todo. “Assim sendo, é possível termos forragens produzidas no campo, o ano todo, para ruminante”, afirma. Ele diz que é possível dispor das melhores alternativas do mundo temperado (aveia, azevém, cereais de duplo-propósito como o trigo e aveias-brancas, leguminosas como os trevos e cornichão etc) e do mundo tropical (grama-bermuda, quicuio, hemártria, capim-elefante-anão, braquiárias, colonião, etc). “Essas forrageiras e outras podem compor pastagens para serem pastejadas pelos animais ou conservadas como pré-secados, feno, silagem de planta inteira, silagem de grãos e grãos em geral”, informa.

Fontaneli afirma ser importante a escolha das espécies componentes dos sistemas de produção que podem ser integrados com a produção de grãos (integração lavoura-pecuária). “Dentro de cada espécie existem diversas cultivares que variam em ciclo produtivo, potencial e adaptação local. O técnico pode auxiliá-lo na seleção das cultivares. Por exemplo, temos cultivares de aveia-preta, azevem e trigo forrageiro ou de duplo-propósito de ciclos precoce, médio ou tardio, e a seleção deve estar de acordo com a utilização da área em sucessão, por exemplo, soja ou milho”, comenta.

De acordo com o pesquisador, existem muitas alternativas de cultivares que o pecuarista pode utilizar para fazer o seu planejamento forrageiro. “A Embrapa, por exemplo, dispõe de dezenas de cultivares das principais forrageiras a serem indicadas para cultivo nas diversas regiões brasileiras. Além disso, felizmente contamos com diversas empresas privadas nacionais e internacionais que disponibilizam excelentes alternativas. Novamente, destaco a importância da presença do técnico, para juntamente com o empresário rural decidirem da maneira mais efetiva”, diz.

Fontaneli reitera que qualquer atividade humana deve ser planejada visando minimizar os riscos inerentes a cada decisão. “Podemos pensar em um planejamento forrageiro baseado em espécies de inverno e de verão, mas elas não poderão ofertar forragem o ano todo. Haverá, período(s) de déficit forrageiro, com por exemplo no outono e na primavera, ou seja, na transição entre as estações de crescimento”, comenta.

Ele explica ser possível incluir pastagens perenes, de verão, mais comumente, por exemplo (Tifton 85), que pode ser pastejada de 7 a 10 meses ao ano, dependendo de ambientes locais, podendo ser sobressemeada com forrageiras anuais de inverno. “Podemos compor sistemas incluindo as pastagens perenes de inverno, por exemplo, festuca ou dáctilo com trevos, que podem permitir pastejo de março/abril até novembro/dezembro em regiões como o norte do RS.  Entretanto, vale lembrar que quando perenizamos uma pastagem, não podemos cultivar essas áreas para produção de grãos”, alerta.

O pesquisador destaca ainda que alimento é o principal item no custo de produção animal. “É aceito em termos internacionais que em sistemas de produção de leite, o custo do alimento pode representar de 40 a 60% do custo de produção”, diz.

Melhores estratégias para o planejamento forrageiro

Fontaneli destaca que é preciso fazer um trabalho personalizado para garantir um bom planejamento forrageiro. “Por um bom planejamento que pode servir para nortear e desencadear ações rumo a melhoria dos sistemas produtivos. Cada propriedade, glebas dentro da propriedade, cada produtor, cada técnico são únicos e devem agir em conjunto”, afirma.

Segundo o pesquisador, há conhecimentos disponíveis suficientes para melhorar os sistemas produtivos. “Aliás, não existe nenhum sistema de produção no mundo que não possa ser melhorado. Esse é o desafio e o que nos move a cada dia”, garante.

Ele revela ainda algumas estratégias que que pode ser utilizadas pelo produtor para garantir um bom planejamento. “O produtor deve planejar, juntamente com os técnicos experientes e competentes, especializados na área de integração lavoura-pecuária; planejar a médio e longo-prazos; e observar o histórico de cada gleba da propriedade, rotação de culturas, adubações e tratos culturais. Tudo pode ajudar a decidir alternativas mais adequadas, com menor risco e maior potencial de sucesso”, finaliza.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Algas

Extratos protegem integridade intestinal e modulam sistema imunológico

Algas marinhas como corretivos de solo e fertilizantes são aplicações tradicionais, como forragem para ruminantes e ainda utilizadas em muitos lugares do mundo

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Arquivo/OP Rural

Extratos de algas marinhas estão cada vez mais presentes na bovinocultura. Seu poder de proteger a integridade intestinal e modular o sistema imunológico chama a atenção de pecuaristas em todo o país. Ainda há muito a aprender para extrair delas o máximo potencial, mas, assim como o desempenho zootécnico, os resultados das pesquisas e os produtos oferecidos pelo mercado estão cada vez mais interessantes.

“As algas são recursos naturais e renováveis, tradicionalmente utilizados nas regiões costeiras de todo o mundo há muito tempo. Comparados a muitos outros recursos naturais, elas demonstram baixo risco de toxicidade e eco toxicidade. Além do mais, as algas estão entre as plantas de crescimento mais rápido na natureza. Algumas espécies de algas marinhas podem crescer até 30% de seu peso por dia. Além disso, como elas vivem na água do mar, não competem por terras areáveis nem por recursos de água doce”, destaca Maria Angeles Rodríguez, engenheira agrônoma mestre em Nutrição Animal pela Universidade Politécnica de Madrid (Espanha), gerente de produtos da Olmix.

“As algas são um grupo funcional que engloba uma grande variedade de organismos, cuja única característica em comum é a fotossíntese e um estilo de vida aquático. Entre esses organismos, encontram-se as macroalgas, que você costuma ver à deriva em praias ou presa às rochas. Elas pertencem aos eucariotas, o que significa que seu DNA é encontrado dentro de um núcleo verdadeiro. A segunda categoria de algas são as microalgas, que na maioria dos casos você precisa de microscópio para observar. Elas também são conhecidas como fitoplâncton e incluem organismos eucarióticos, mas também organismos procarióticos, que estão próximos às bactérias e não possuem um núcleo verdadeiro. Por exemplo, as cianobactérias são algas procarióticas e são mais conhecidas como algas verde-azuladas, como a espirulina”, menciona.

Ela destaca, no entanto, que as algas de interesse da pecuária são apenas as algas eucarióticas, multicelulares, macroscópicas e marinhas.

De acordo com ela, ao contrário das plantas terrestres, as algas não possuem raízes e nem sistema diferenciado de circulação de seiva. Como crescem na água, absorvem água e nutrientes por toda a superfície. Maria Angeles cita ainda que o modo de reprodução também é muito diferente das plantas terrestres, e não produzem flores, sementes ou frutos. “Cada espécie está adaptada a certas condições de luz, corrente, resistência à seca, que definirão sua área de repartição no litoral fixada nas rochas por suas ancoragens. Com base em seus pigmentos fotossintéticos, as algas marinhas podem ser divididas em três grupos: algas vermelhas, verdes e marrons. Esses três grupos são geneticamente diferentes e cada um separado do outro por milhões de anos de evolução”, pontua.

Mas quando as algas começaram a ser usadas na alimentação de ruminantes? “A história do homem e das algas começa há 16 mil anos com as primeiras evidências arqueológicas do consumo humano de algas marinhas na costa chilena.

A primeira evidência escrita de seu uso medicinal vem da China, cerca de 3 mil anos antes de Cristo.

As algas marinhas como corretivos de solo e fertilizantes são aplicações tradicionais, como forragem para ruminantes e ainda utilizadas em muitos lugares do mundo. Precisamos esperar até o século XVI para a primeira exploração industrial de algas marinhas na indústria de vidro, usando cinzas de algas ricas em carbonato de potássio para diminuir o ponto de fusão do silício. No século XIX, o iodo foi descoberto nessas cinzas e levou à produção industrial de soluções de iodo para o tratamento de feridas. O século XX viu o desenvolvimento da indústria de hidrocoloides. Os hidrocoloides são moléculas capazes de armazenar grande quantidade de água e, portanto, de texturizar os ingredientes com os quais são misturados. Na Europa, os hidrocoloides feitos de algas marinhas são identificados pelos códigos e400 e e407. Você pode encontrá-los em muitos alimentos processados, como laticínios ou refeições prontas industriais, mas também em produtos de higiene pessoal, como pasta de dente, cremes para a pele ou fraldas para bebês. Suas propriedades formadoras de gel também são interessantes para aplicações farmacológicas, como curativos, remédios para refluxo gástrico ou placas de Petri para cultura bacteriana. Finalmente, o século XXI viu o surgimento de um novo campo de aplicações designado para a extração de moléculas ativas para todos os tipos de biotecnologia”.

Maria Angeles destaca que as algas marinhas podem ser ricas em vários compostos nutricionais interessantes como minerais, proteínas e vitaminas específicas. No entanto, os compostos predominantes são os polissacarídeos que podem representar até 70% da matéria seca. Devido à sua estrutura específica e a presença de grupos de sulfato, esses polissacarídeos possuem diversas atividades biológicas interessantes para seu uso em ruminantes.

Atividades biológicas

Os extratos de algas podem ser usados por suas propriedades biológicas ou combinados com argilas por suas características estruturais. A profissional explica que as algas marinhas contêm altos níveis de carboidratos, especialmente polissacarídeos em suas paredes celulares. Além disso, seus níveis são estáveis durante todo o ano, permitindo sua extração constante. “Os polissacarídeos de algas marinhas têm estruturas muito complexas que estão diretamente ligadas às suas atividades. A variedade estrutural que pode ser encontrada nas algas marinhas é enorme, permitindo assim, potencialmente, um elevado número de diferentes atividades biológicas. Além disso, uma de suas características específicas é a sulfatação, que os torna realmente únicos. Na verdade, os polissacarídeos são características do ambiente marinho, onde o sulfato está na forma e quantidade certa para ser incluído nos polissacarídeos do organismo marinho. Essas estruturas não existem nas plantas terrestres ou nas microalgas de água doce que estão nos mercados, e nem nas paredes celulares das leveduras. Elas têm, no entanto, similaridade estrutural com polissacarídeos na matriz extracelular de animais, por exemplo, a conhecida heparina usada em diversas aplicações médicas para humanos devido às suas propriedades biológicas. A sulfatação aumenta o potencial das atividades biológicas. Uma característica adicional é sua extrema estabilidade: são resistentes ao calor até o processo de extrusão e não são digeridas por nenhuma das enzimas digestivas de monogástricos e ruminantes”, elenca.

Existem opções no mercado de duas espécies, uma verde, Ulva, também conhecida como “alface do mar”, e uma vermelha, Solieria. “Elas vêm de campos naturais de algas marinhas, com um ciclo de vida anual. “Ulva forma grandes flores de algas não aderidas, crescendo em baías rasas durante a primavera e o verão. Elas são trazidas para a costa pela maré e correntes, onde podem ser colhidas. Solieria cresce presa até o final de seu ciclo, quando naturalmente se desprende de suas rochas, geralmente durante as tempestades de inverno. Elas são então lançadas na praia, onde são colhidas principalmente do outono à primavera. A colheita dessas duas espécies permite ter matéria prima disponível praticamente o ano todo”.

Além disso, explica a engenheira agrônoma, os lugares onde são coletadas são conhecidos por encalhamento em massa dessas espécies específicas, que garantem alto grau de pureza, com menor quantidade de outras espécies. “E nosso impacto ambiental é muito baixo, pois estamos à espera de que as algas venham até nós, não as arrancamos de suas rochas”. Depois disso, as algas passam por um processo completo de biorrefinaria, desde a colheita até os ingredientes ativos inovadores finais. A biorrefinaria serve para estabilizar rapidamente os extratos de algas, em menos de 48 horas.

“Todos estes extratos são obtidos de forma ecológica, apenas com água, sem a utilização de solventes químicos. Isso preserva as características naturais do extrato e, consequentemente, sua bioatividade nos produtos finais”, cita.

Estresse

Maria Angeles cita que o uso de polissacarídeos marinhos serve para proteger a integridade intestinal e modular o sistema imunológico, por isso é recomendado em qualquer período estressante, no período seco para estimular a produção de imunoglobulina para o colostro, nos estágios iniciais ou durante o estresse por calor. “As dosagens giram em torno de 1g/Kg de matéria seca ingerida. Entre os benefícios observados, elenca a profissional, estão a melhora do estado de saúde, maior resistência a patógenos, melhor uso de energia e nutrientes, melhor desempenho e melhor lucratividade.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Safra de inverno

Genética e manejo correto no trigo economizam até R$ 400 por hectare

A economia em sementes por área deve incentivar o uso de sementes certificadas

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Joseani Antunes e Diogo Zanatta

Estudo conduzido pela Embrapa Trigo (RS) e a Rede Técnica Cooperativa (RTC/CCGL) no Rio Grande do Sul mostrou que a associação entre genética de qualidade e manejo eficiente da cultura do trigo é capaz de reduzir os custos de produção em aproximadamente R$ 400,00/ha sem prejudicar o potencial produtivo dos grãos. A utilização de cultivares de alto padrão genético oferece ao produtor a possibilidade de ajustar o volume de sementes no plantio, ao mesmo tempo em que otimiza o uso de fungicidas, mantendo a rentabilidade do cultivo.

A pesquisa avaliou duas linhas de manejo no trigo na safra 2020: uma visando à redução da população de plantas, e outra com o uso racional de fungicidas, aproveitando fatores da genética das cultivares como aliados. A economia de R$ 400,00 por hectare é resultado da soma de R$ 140,00/ha em sementes e R$ 275,00/ha em fungicidas. Considerando o preço da saca de trigo comercializado em 2020 (R$ 70,00/sc) e a média CEPEA de 10 anos (R$ 40,00/sc), a redução de custos representa o valor de seis a dez sacas de trigo por hectare.

Se o cálculo for ampliado para os 900 mil hectares de trigo cultivados no RS em 2020, a economia chegaria a R$ 360 milhões com sementes e fungicidas, valor que poderia ser reinvestido em tecnologias capazes de promover o potencial produtivo das lavouras, como o uso de fertilizantes, que além de aumentar a produtividade do trigo também podem ser aproveitados na cultura subsequente, como a soja no verão, melhorando a rentabilidade em todo o sistema de produção

O investimento em sementes e fungicidas tem sido fundamental para garantir a produtividade no trigo. Entretanto, ambos os dispêndios são rentáveis até um limite. Quando em excesso, os supostos benefícios podem se transformar apenas em custos de produção. “Excessos no uso de insumos em determinadas situações levaram a uma falsa imagem de que o trigo não gera renda. Queremos desmistificar essa crença, provando que é possível ganhar dinheiro com o cultivo do trigo, estimulando os produtores a investirem na cultura de modo assertivo”, conta o engenheiro agrônomo da Embrapa Trigo Giovani Faé.

“Com a pesquisa, mostramos que é possível gerar renda no inverno com a cultura do trigo, fazendo uso de boa genética, manejo eficiente e uso de semente de qualidade”, resume o engenheiro agrônomo da RTC/CCGL Geomar Corassa.

Densidade de plantas não garante maior rendimento de grãos

Para demonstrar que é possível diminuir a quantidade de sementes por hectare sem prejudicar o rendimento final da lavoura, foram instaladas faixas de população de plantas em 20 áreas expositivas, em 17 municípios do Rio Grande do Sul. A cultivar utilizada foi a BRS Belajoia, instalada nas áreas com três densidades de semeadura: 40, 60 e 80 plantas por metro de fileira. Em cada local, a área total chegou a três hectares, destinando um hectare para cada faixa de população.

Para avaliar a resposta do rendimento de grãos à densidade de plantas, as lavouras expositivas foram instaladas em regiões mais quentes, que sofrem mais com os estresses do ambiente, e em regiões de clima mais ameno, que possibilitam maiores produtividades nos cultivos de inverno. Dessa forma, a pesquisa contemplou toda a metade norte do RS, onde está concentrada grande parte da produção de trigo no estado. As semeaduras seguiram o calendário indicado pelo zoneamento agrícola para cada local, com as operações efetuadas entre 25 de maio a 27 de julho, em época considerada ideal para a expressão do potencial produtivo da cultura.

A pesquisa mostrou que o aumento na densidade de plantas não representou ganhos significativos no rendimento final de grãos, mesmo em diferentes ambientes de produção. A média de rendimentos variou de 64 a 67 sacos por hectare, mas os custos quase dobraram, passando de R$ 234,00/ha na densidade de 43 pl/m para R$ 415,00/ha na densidade de 76 pl/m. “Esses resultados demonstram que os custos no aumento do volume de sementes não se reverteram em lucro financeiro”, explica Faé.

Lógica de plantio deve ser por metro linear, como na soja

“Em geral, o produtor tem adotado 150 quilos de sementes de trigo por hectare, mas na soja e no milho o cálculo é efetuado em plantas por metro linear. Queremos mostrar nesse trabalho que a implantação do trigo também deve seguir essa lógica de plantas por metro linear, e não a de quilos por hectare”, esclarece o engenheiro agrônomo da CCGL, explicando que o ajuste considera a variação de PMS (Peso de Mil Sementes) e a germinação nos lotes, que podem impactar no volume de sementes e reduzir custos de produção. “Para que o posicionamento seja assertivo, é importante que o produtor conheça a qualidade da sua semente”, recomenda.

Para o pesquisador da Embrapa Trigo Eduardo Caierão, o produtor precisa conhecer o histórico da área e o potencial genético da cultivar que está usando para definir a densidade de semeadura: “O produtor tende a investir numa densidade maior por segurança, considerando os riscos de um ambiente desfavorável à cultura. A partir do histórico da área, como qualidade do solo, problemas mais recorrentes de pragas e doenças, associados às previsões climáticas, é possível definir o quanto pode arriscar reduzindo a população de plantas, ajustando os custos tanto em cenários de alta produtividade, quanto num cenário de ambiente menos favorável ao trigo”, pontua.

Segundo ele, uma média bastante segura fica na faixa de 250 sementes aptas por metro quadrado. “É preciso destacar que estamos falando de semente de qualidade. Temos visto que o produtor aumenta o volume de sementes porque não garante a qualidade”, complementa Caierão, lembrando que a taxa de uso de semente certificada de trigo no RS ainda é baixa, próximo a 60%.

O custo da semente de trigo no RS foi em média de R$ 2,20/kg na safra 2020. Considerando a população recomendada de 43 pl/m (ou 250 sementes/m², cerca de 86 kg/ha), quando comparado aos 150 kg de sementes/ha tradicionalmente utilizados nas lavouras gaúchas, a redução de custos chega a R$ 140,00/ha. Além de reduzir custos, o ajuste na densidade de sementes também reduz o risco de acamamento em cultivares mais altas, permitindo o aumento das doses de fertilizantes nitrogenados que potencializam o rendimento na lavoura.

A redução no desembolso em insumos pode, num primeiro momento, inquietar empresas e profissionais que historicamente investem na cultura do trigo. Por isso, antes da divulgação da pesquisa, a Embrapa Trigo convidou sementeiros que atuam no mercado de trigo gaúcho para discutir os resultados do trabalho. Para o diretor administrativo da Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do Rio Grande do Sul (Apassul), Jean Carlos Cirino, o tema necessita de muito estudo e discussão: “É preciso deixar claro que a recomendação de população de plantas, assim como o completo posicionamento da cultivar, cabe ao obtentor vegetal. São vários os fatores e implicações técnicas para se chegar ao posicionamento de uma cultivar de trigo e seu desenvolvedor é o maior interessado em ser assertivo”.

A expectativa da Embrapa Trigo é que a redução nos custos de produção possa servir de incentivo ao aumento da área com trigo na Região Sul, movimentando também a comercialização de semente certificada.

Manejo fitossanitário

Para validar a tese de que é possível diminuir o número de aplicações de fungicidas sem perder potencial produtivo de grãos, o grupo de pesquisa conduziu um ensaio em cinco locais no Rio Grande do Sul (Passo Fundo, Cruz Alta, Sarandi, Santa Maria e Campo Novo), visando avaliar a resposta genética ao manejo fitossanitário em trigo. Esse estudo foi realizado com aplicação de fungicidas em parcelas subdivididas com três repetições e três tratamentos: sem fungicida, aplicação de fungicida focada na proteção da espiga, e quatro aplicações calendarizadas (perfilhamento à floração). Foram utilizadas oito cultivares de trigo com representatividade em áreas comerciais, apresentando grande variação quanto à resistência genética para as principais doenças.

Manejo na aplicação de fungicidas nos experimentos:

Na avaliação do manejo fitossanitário, foram observadas variações com relação à sanidade genética em algumas cultivares. Por exemplo, em Passo Fundo o melhor desempenho foi da cultivar da Embrapa BRS Belajoia que produziu 71 sc/ha mesmo sem nenhuma aplicação de fungicida. Já em Cruz Alta houve resposta de até oito sc/ha na produtividade quando se fez uso de quatro aplicações de fungicida, especialmente em cultivares mais suscetíveis ao oídio.

Nesse sentido, a fitopatologista da CCGL Caroline Guterres explica que o resultado se deve ao ano mais seco, sob influência de La Nina, quando a doença predominante na safra de inverno 2020 foi o oídio. Para a decisão do número e do momento de realizar as aplicações de fungicidas em trigo, ela destaca três pontos: conhecer a cultivar que está sendo utilizada e sua reação frente às principais doenças; entender quais doenças podem ocorrer em função das condições de ambiente; e monitorar a lavoura a fim de identificar focos precoces de doenças. “Ao aliar esses três fatores, o manejo de doenças fica mais assertivo e, por consequência, mais econômico”, conclui Caroline.

O ensaio que contou com quatro aplicações de fungicidas ao longo da safra representou um dispêndio de R$ 390,00/ha – com base nos preços dos defensivos em 2020, ao custo de R$ 25,00/ha cada aplicação. Com o monitoramento da lavoura, foi possível fazer uma única aplicação de fungicida, visando prevenir a giberela no espigamento, ao custo de R$ 115,00/ha.

Geomar Corassa, da CCGL, chama a atenção quanto aos resultados do ensaio com fungicidas: “É importante considerar que o conhecimento sobre a cultivar é fundamental para permitir esse tipo de prática. Atualmente, para a obtenção de altos tetos produtivos, algumas cultivares exigem pacotes fitossanitários robustos, enquanto outras permitem a economia. Esse resultado foi confirmado no estudo”, explica.

“Temos que considerar que 2020 foi um ano seco, que não favoreceu a incidência de doenças fúngicas. De qualquer forma, o monitoramento da lavoura permite a redução de custos em anos secos ou o controle mais eficiente em anos úmidos”, explica a fitopatologista da Embrapa Trigo Cheila Sbalcheiro.

Percepções do setor produtivo

Para gerar os resultados da pesquisa sobre redução de custos no trigo, a Embrapa Trigo e a RTC/CCGL contaram com o apoio de parceiros desde a instalação das lavouras até a condução dos experimentos e registro de dados. Foram diversas cooperativas, pesquisadores, produtores e assistentes técnicos trabalhando em 20 áreas expositivas de 17 municípios do Rio Grande do Sul. Veja algumas percepções dos participantes:

Em Sarandi, o engenheiro agrônomo Nazaré Piran conduziu a avaliação na área de pesquisa da Cotrisal. “Trabalhamos com produtores há 18 anos e a recomendação no trigo sempre foi 150 kg de sementes por hectares, cerca de 400 plantas por metro quadrado. Mas vemos que a produtividade não está aumentando. Da mesma forma que na soja tivemos que diminuir a população para alcançar um maior potencial produtivo, eu acredito que no trigo esse ajuste também é necessário”, diz Piran, explicando que a redução no número de plantas pode favorecer a fotossíntese, evitando a disputa pela luz. “O ajuste na população pode diminuir custos de produção ou mesmo alocar os recursos na adubação”, orienta o agrônomo.

Na ZT Sementes, de Cruz Alta, o produtor Zeca Scapin busca retomar a rentabilidade econômica do trigo a partir de tecnologias que permitam reduzir os custos de produção e os riscos da cultura: “Investir numa cultivar de alto potencial produtivo, mas de baixa resistência a doenças não vai trazer lucro no trigo, principalmente num ano de primavera com clima severo”, alerta Scapini, lembrando que produtividade e custos de produção não podem subir juntos, senão o rendimento final não se traduz em lucro.

Em Espumoso, o experimento foi conduzido pela Planeja Agrícola e surpreendeu o consultor técnico Jeferson Moras: “Ficamos com receio de reduzir a população porque sempre adensamos mais nos cultivos de inverno para controlar a infestação de azevém nas áreas. Mas aceitamos o desafio e fomos surpreendidos com o resultado. A cultivar de trigo BRS Belajoia permitiu uma economia de 70 kg de sementes por hectare e apresentou o mesmo rendimento da maior população, além de promover um melhor perfilhamento que rapidamente fechou o espaço na lavoura e ajudou a controlar as plantas daninhas”. Ele destaca ainda que o posicionamento das cultivares visando ajustes na população de plantas é indispensável no cenário atual de alta nos custos de produção: “O produtor precisa acertar a quantidade de sementes para uma boa produção dentro da expectativa de cada cultivar. Isso precisa ser avaliado no local, dentro de cada realidade”, conclui.

Fonte: Embrapa Trigo
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