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Suínos / Peixes Em 2019

Exportações de carne suína brasileira crescem no primeiro semestre

Balanço de janeiro a maio demonstra avanço no mercado externo e demanda interna também é maior, por isso, suinocultor precisa valorizar o seu produto

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Arquivo/OP Rural

Evento previsto desde o início do ano, principalmente após o surto de Peste Suína Africana que ocorreu na China, as exportações de carne suína no Brasil têm sido crescentes. Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) indicam que a exportação da proteína in natura apresentou um salto nos meses de abril e maio de 2019, totalizando 247,4 mil toneladas no acumulado do ano. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o total exportado até maio de 2019, incluindo carne processada, chegou a 282,9 mil toneladas, volume 16,3% superior ao mesmo período de 2018. Esse é o registro mais próximo do recorde, que ocorreu em 2016, quando houve o embarque de mais 630 mil toneladas de carne suína.

O grande salto nos volumes se deu nos meses de abril e maio de 2019 e, no acumulado do ano, o Brasil já exportou 19,02% a mais que em 2018. O aumento foi observado nos três maiores países importadores de carne suína do Brasil: China, Rússia e Hong Kong. Verifica-se que em abril e maio há uma evidente desaceleração das vendas para a Rússia, sendo que, no sentido contrário, as exportações para a China aumentaram bastante nos últimos dois meses.

Em maio de 2019, o volume de exportação para a China foi maior do que em qualquer outro mês de 2018. A expectativa é de que o gigante asiático continue aumentando sua demanda nos próximos meses, em função da redução de seus estoques que estavam elevados em decorrência da liquidação antecipada de planteis ocorrida recentemente para evitar a contaminação por Peste Suína Africana (PSA).

Equilíbrio nos mercados interno e externo

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, explica que o cenário é favorável para a suinocultura, porém é importante ter cautela e buscar o equilíbrio entre as exportações e o abastecimento do mercado interno. “Na prática, o que se percebe em todas as regiões do Brasil é um aumento da procura por suínos, com a respectiva elevação do preço. Para se ter uma ideia, o preço do suíno na bolsa de BH chegou ao valor de R$ 5,30, em 06 de junho de 2019, valor nunca atingido na sequência histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada(CEPEA)”, explana Lopes.

A chegada do período frio, aliada à exportação crescente, contribuem para manter o mercado firme. Há relatos de grandes agroindústrias buscando volumes significativos de animais no mercado independente, realizando inclusive contratos de médio prazo para garantir o fornecimento de animais, mais um indicativo de que a demanda está bastante aquecida e que a perspectiva é boa.

O gráfico 3 faz um comparativo entre o ano de 2016, cuja exportação foi recorde, e os primeiros meses de 2019. Os dados mostram que, com praticamente o mesmo volume acumulado de exportação de janeiro a maio, houve um aumento de preços do mercado doméstico muito mais acentuado em 2019 do que em 2016, indicando evidente escassez de suínos no mercado neste momento.

Existe uma a correlação entre o aumento dos volumes exportados e a alta dos preços do suíno no mercado interno. Por isso, há dois fatores que devem ser considerados para limitar as exportações brasileiras ao mercado chinês: a necessidade de habilitação de mais plantas frigoríficas e a disponibilidade de suínos, pois o mercado doméstico já se encontra muito demandado.

Relativamente à liberação de novas plantas para exportação para a China, atualmente o Brasil possui 16 abatedouros de bovinos, 33 de frangos e nove de suínos habilitados para exportar para o gigante asiático. Em recente visita da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ao país, houve a solicitação da liberação de mais 78 frigoríficos, sendo somente três de suínos. O processo de liberação destas plantas ainda pode demorar alguns meses. Mesmo assim, espera-se que até o fim do ano os volumes embarcados de carne suína brasileira superem em até 10% os do ano passado.

Atenção ao mercado de grãos

O mercado de grãos passa por um momento de volatilidade. O clima no Brasil e o início da colheita da segunda safra de milho não deixam dúvidas de que o Brasil terá safra recorde deste grão, beirando as 100 milhões de toneladas na safra 2018/19. Porém, o clima nos EUA, o maior produtor de milho do mundo, não tem sido nada favorável ao plantio e germinação deste grão e também da soja.

O excesso de umidade atrasou o plantio de milho nos EUA. Não está quantificado o impacto disso na oferta final, mas há dois efeitos que devem ser somados: a redução da área plantada e a provável perda na produtividade. No caso do plantio da soja nos EUA, que vai até meados de junho, a situação também vem se complicando. Até o dia 04 de junho somente 39% da área estava semeada, sendo que a média histórica nesta data é de 79% (MBAgro). A tabela 3, a seguir, demonstra para a soja e o milho nos EUA três cenários de quebra na safra e a diferença em relação às projeções iniciais (antes dos problemas climáticos observados). No caso do milho, por exemplo, cuja projeção inicial era de 382 milhões de toneladas a quebra pode chegar a 60 milhões.

A guerra fiscal entre China e Estados Unidos que interfere no mercado de carnes, também prejudica as exportações de grãos dos americanos para os chineses, sendo mais um fator a aumentar a demanda pelo milho e a soja brasileiros por parte dos grandes importadores, dentre eles a China.

“O fato é que, até final de maio, os preços do milho no mercado interno vinham estáveis e com perspectiva de queda para os meses de agosto, em função da safra recorde brasileira que se avizinha”, explica Marcelo Lopes. “Porém, em questão de dias, conforme as informações do plantio nos EUA, o milho teve alta nos preços atuais e futuros. Certamente , parte disso, é especulação, uma vez que no final da primeira semana de junho os preços do milho voltaram a cair”, completa ele.

O produtor deve ficar atento não somente às questões da safra norte-americana, mas também às exportações brasileiras de milho que têm subido significativamente nos últimos meses, como demonstra o gráfico 5, a seguir.

Perspectivas para o segundo semestre

Conhecer o próprio custo de produção e procurar adquirir o milho fora dos momentos de especulação e “volatilidade” são as sugestões do presidente da ABCS para garantir um custo de produção que permita margens maiores. “O mercado de suínos está muito demandado, interna e externamente, e há sinais claros de baixa oferta de animais, portanto, o suinocultor precisa valorizar o seu produto”.

No que concerne ao risco de entrada de doenças graves (PSA e PSC) é necessário que o produtor entenda que, mesmo que o vírus entre acidentalmente no país, ele só será danoso se encontrar o hospedeiro; o suíno. “Portanto, cada suinocultor, ao cuidar da biosseguridade de sua granja, é corresponsável e contribui para a biosseguridade do país”, conclui Marcelo Lopes.

Fonte: Assessoria
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Suínos / Peixes Suinocultura

Profissional explica principais pontos de limpeza, desinfecção e vazio sanitário em granjas

Médica veterinária Anne de Lara explica que processo é extremamente importante para contribuir com a saúde animal e econômica

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A sanidade do rebanho é um dos pontos mais importantes da suinocultura. Adotar os melhores métodos de manejo que garantam este status é um ponto fundamental para atingir melhores resultados. Porém, ainda existem casos em que por falta de planejamento ou conhecimento, alguns detalhes que são importantes são deixados de lado quando o assunto é a limpeza e desinfecção do ambiente antes de receber um novo lote. Para esclarecer dúvidas sobre este assunto, a médica veterinária e doutoranda da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Anne de Lara, fala sobre “Pressão de infecção: quais os melhores métodos de lavagem, desinfecção e vazio sanitário a serem adotados na suinocultura” durante o Seminário Internacional de Suinocultura (Sinsui), que aconteceu em maio, em Porto Alegre, RS.

A profissional explica que o tema é bastante amplo porque é utilizado em várias áreas, seja humana, farmacêutica ou produção animal. Dessa forma, o objetivo é tratar qual a realidade hoje, o que pode ser feito para reduzir a pressão de infecção no campo, de que forma esse processo de limpeza e desinfecção pode contribuir e quais as ferramentas que existem hoje para isso.

Anne comenta que atualmente a suinocultura possui vários processos e manejos que no decorrer do tempo fizeram com que aumentasse a pressão de infecção. Entre eles estão a densidade animal e o aumento da produtividade. “Os animais contaminam as instalações com agentes da microbiota e também com agentes patogênicos, quando presentes no rebanho. Associado a isso, há muitos locais onde a estrutura da granja não tem o melhor tipo de piso. Estas particularidades podem fazer com que os agentes permaneçam nas instalações”, afirma. Adotando melhores processos, isto pode ser resolvido, mas ainda é um desafio para a suinocultura, esclarece a profissional.

Ela diz que em alguns casos, não ocorre o planejamento para o intervalo adequado entre lotes. “Existem desafios em relação ao tempo hábil para fazer esse processo. Então, quanto mais otimizado e mais assertivo for a etapa de limpeza e desinfecção, especialmente quando não há muito tempo para executar, melhor será o resultado para reduzir a contaminação nas instalações”, conta. A profissional explica que para que o próximo lote a ser alojado tenha uma condição de ambiente favorável para o desempenho dos leitões, é necessário que o procedimento de limpeza e desinfecção seja realizado da melhor forma possível e aproveitando o tempo disponível. “Por isso também a importância da adoção de processos padronizados”, reitera.

Entendendo cada um dos processos

A médica veterinária diz que a limpeza da matéria orgânica residual é a parte mais importante de todo o processo, pois a efetividade das etapas seguintes são dependentes desse processo inicial. “Deve ser realizada de forma criteriosa com a utilização de ferramentas adequadas como detergentes, água de boa qualidade sob pressão e por pessoas treinadas”, afirma.

Já a desinfecção, conta Anne, deve ser realizada em instalações secas, após a limpeza prévia, utilizando produtos com espectro conhecido e na concentração adequada. “Vários são os fatores que podem reduzir a eficiência dos desinfetantes, portanto deve-se atentar às características de diluição, estabilidade, aplicação, tempo de contato e qualidade da limpeza das instalações”, alerta.

O vazio sanitário, acrescenta a profissional, é um processo complementar. “Portanto, este é totalmente dependente da qualidade dos processos anteriores. O objetivo do vazio sanitário é permitir a ação residual dos desinfetantes e o processo de dessecação”, conta.

Repetibilidade 

Anne informa que o processo de limpeza e desinfecção deve ser realizado no intervalo entre o alojamento dos animais. “Portanto, quanto melhor a execução desse processo, melhor o aproveitamento do tempo e o resultado final. A padronização de processos é importante para que se obtenha repetibilidade, por meio de métodos seguros e efetivos”, conta.

Ela cita alguns detalhes que são importantes para estabelecer um programa de limpeza e desinfecção. “Inicialmente, o treinamento das pessoas envolvidas é essencial. Esse treinamento deve deixar claro para quem realiza o processo e qual a importância de ser feito da melhor forma, mostrando o impacto que isso tem no resultado do lote”, afirma. Anne explica que esse processo vai reduzir a exposição dos agentes aos animais que serão alojados e, com isso, a probabilidade de desencadear doença clínica reduz. “Essa comunicação é bastante importante”, assegura.

Quanto a realização do procedimento em si, a profissional explica que é preciso ter as ferramentas adequadas para a realização do mesmo, ou seja, um detergente e desinfetante com efetividade comprovada. “Uma série de fatores contribuem para o sucesso do processo, como utilização das concentrações adequadas e respeitar o tempo mínimo de contato dos desinfetantes com as instalações”, diz.

Outra questão importante destacada pela médica veterinária, e que impacta bastante, é o intervalo de tempo hábil para os processos serem realizados. “Isso depende do tamanho da instalação, mas pelo menos seis dias de intervalo entre lotes são necessários para executar o processo de limpeza e desinfecção e ter um mínimo de vazio sanitário”, afirma. Ela diz que este tempo varia bastante conforme a realidade de cada granja, porém, se o tempo for limitado e reduzido não será possível executar todas as etapas.

Após a limpeza, desinfecção e vazio sanitário, destaca a profissional, é importante estabelecer inspeções para definir se o processo foi realizado corretamente e se obteve o resultado esperado. Anne destaca que o principal benefício ao realizar corretamente cada um dos processos é a redução da pressão de infecção, fornecendo assim um melhor ambiente aos animais. “Além de favorecer o bem-estar, há uma redução na probabilidade de desencadeamento de doenças clínicas nos animais e por consequência um melhor desempenho do rebanho”, garante. Deve-se considerar ainda que um programa básico de limpeza e desinfecção custa em média 1 a 2% do custo total do lote, comenta. Enquanto que o tratamento de doenças clínicas normalmente é superior a isso.

Dificuldade ainda é grande

A médica veterinária comenta que ainda existem dificuldades em operacionalizar estes pontos na granja. “Uma questão muito importante é o tempo hábil para realizar um processo adequado. Além desse fator, a condição das instalações também impacta, especialmente no caso de granjas sem manutenção adequada, onde há muitas falhas em piso e equipamentos”, afirma.

Ela acredita que fatores importantes que dificultam a execução do procedimento é o curto intervalo entre lotes praticado e as condições estruturais das granjas. “Essa questão do tempo mínimo e a qualidade dos pisos são condições importantes atualmente no Brasil que podem dificultar a obtenção de bons resultados nos planos de desinfecção”, conta. Além do mais, a comunicação e treinamento do pessoal, informa, é outro grande obstáculo.

A médica veterinária garante que todos os processos a serem realizados são simples. “Isso desde que seja estabelecido um plano considerando os principais fatores como disponibilidade de ferramentas adequadas e equipe treinada”, assegura.

Todos dentro todos fora

Anne conta que este processo de limpeza e desinfecção deve ser realizado em todas as fases da produção, uma vez que o processo reduz a pressão de infecção por agentes que podem acometer os suínos nas diferentes fases de produção. Além disso, ela acrescenta que quando esse processo é associado ao manejo “todos dentro, todos fora”, há um ganho significativamente maior, uma vez que a medida que todos os animais são retirados das instalações é retirado também o fator colonização. “Com a saída dos animas é possível fazer um processo adequado de limpeza e desinfecção, visto que não terão mais animais colonizando e contaminando o ambiente durante essa etapa”, assegura.

Já em granjas onde não há retirada total dos animais não quer dizer que a limpeza e desinfecção não são importantes. “Mas o resultado vai ser diferente, porque ainda terá fluxo de animais e pessoas que podem contaminar a instalação. No caso de granjas de reprodutores, onde somente algumas baias ou alas passam pelo processo de limpeza e desinfecção enquanto outros animais ainda permanecem nas instalações, o processo é importante, mas a redução da pressão de infecção normalmente é inferior”, afirma. Ela acrescenta que nas fases de creche e terminação é muito relevante a adoção do sistema “todos dentro, todos fora” para viabilizar um adequado processo de limpeza e desinfecção, bem como obter outros ganhos relacionados ao desempenho dos animais.

Programa feito em equipe

Um fator importante e essencial citado por Anne é que os planos sejam desenvolvidos junto com as equipes executoras, para que as ações sejam aplicáveis à rotina. “O plano vai ficar muito mais aplicável e diretamente fácil de executar se forem consideradas a participação das pessoas que fazem esse processo e que o conhecem, para que seja aplicado para aquela realidade”, afirma.

Ela comenta que alguns planos podem não se aplicar diretamente a todos os tipos de granja. “Por isso é importante sempre trazer as pessoas que estão diretamente envolvidas no processo para discutir e elaborar os planos de desinfecção”, sustenta. Além do mais, é necessário que esta equipe entenda o porquê de estar realizando esta etapa. “É importante que os envolvidos compreendam que esse processo não é somente um preparo e sim ações que vão contribuir para a saúde do lote”, diz.

Anne destaca ainda que o programa deve ser completo. “Não podemos pensar na desinfecção sem ter uma limpeza bem realizada. A grande maioria dos desinfetantes reduz eficiência na presença de matéria orgânica. Então a limpeza deve ser bem executada, removendo toda a matéria orgânica para seguir com o processo de desinfecção”, reafirma. Da mesma forma, o vazio sanitário é um processo complementar aos dois primeiros. “Por isso é tão importante que cada etapa seja feita adequadamente”, alerta.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Leitoas de reposição em granjas de suínos

Desafios para manter a produtividade do rebanho sem aumentar a complexidade dos processos

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 Artigo escrito por Marcelo Frederico Antunes Pinto, consultor de serviços técnicos da divisão de suinocultura na Agroceres Multimix

As leitoas são responsáveis por introduzir o melhoramento genético no rebanho, assim como o sêmen dos terminadores, pois as marrãs têm maior potencial genético que as matrizes de outras ordens de parição, na sua maioria. Na produção tecnificada de suínos, é fundamental realizar o manejo de antecipação da puberdade, permitindo a introdução mais precoce das matrizes no plantel de reprodutoras. Os dias não produtivos (DNP) das fêmeas, aqueles em que elas não estão em gestação ou lactação, comprometem a rentabilidade da produção quando fogem do controle. A categoria de leitoas representa aproximadamente 50% dos DNPs acumulados por matriz ao ano, por isso essa categoria de animais precisa ser manejada com atenção, afim de evitar que esses dias não produtivos aumentem. Entretanto, a reposição é um dos gargalos da produção, pois exige programação de ações, acompanhamento da curva de crescimento das leitoas e atenção da equipe de trabalho, quanto aos manejos reprodutivos, formação de grupos e sincronização de cios.

Pontos que influenciam o bom desenvolvimento das leitoas de reposição

  1. Peso ao nascimento.

O peso ao nascimento (< 800 g ou < 1kg) pode determinar o potencial das leitoas de reposição, pois estudos recentes sugerem um atraso no desenvolvimento folicular em leitoas que nascem com baixo peso, provavelmente porque estes animais apresentam distúrbio na ativação dos folículos primordiais. Assim sendo, o crescimento alterado no útero, associado a um pior crescimento pós-natal, poderia prejudicar a fertilidade e a precocidade das matrizes suínas, por isso, as leitoas que nascem com baixo peso devem ser evitadas, já na seleção ao nascimento.

  1. Alojamento segregado e ambiente adequado a partir da creche.

No momento do desmame, também pode-se avaliar o peso das futuras matrizes desmamadas e estabelecer um ponto de corte que, ao menos, leve ao descarte os refugos da maternidade. Nesta fase as observações de parâmetros ambientais, de saúde e nutricionais devem ser consideradas para evitar que ocorram perdas destes animais. Além disso, nessa fase e no restante do ciclo produtivo, devem ser planejadas medidas de alojamento segregado, no qual as futuras reprodutoras tenham alojamento com espaçamento adequado, espaço de comedouros suficiente, piso de baixa abrasão para os casos, conforto térmico, baixa umidade em pisos e alimentação especificamente desenvolvida para tratar animais de reprodução.

  1. Acompanhamento da curva de crescimento.

Posteriormente, da recria até a seleção final – aos 130 dias de vida -, a principal preocupação deve ser sobre os animais que não tenham alto ganho de peso diário. A meta de ganho dos 130 aos 170 dias é de 650 a 750g de ganho ao dia, pois se as leitoas chegarem muito pesadas à cobertura, poderá ocorrer um comprometimento da longevidade e consequentemente da taxa de retenção das leitoas no plantel reprodutivo, por problemas locomotores desenvolvidos a partir do sobre peso.

Para que a curva de crescimento seja bem modulada, as estratégias de alimentação e sanidade precisam ser detalhadamente estabelecidas de acordo com cada realidade das granjas. O programa nutricional estará sempre sendo ajustado em função da condição sanitária do rebanho. Granjas de alto padrão sanitário podem exigir redução significativa da densidade das dietas de reposição ou manejos de controle de consumo diário de ração – em último caso -, afim de que a curva de crescimento das leitoas seja ajustada às exigências nutricionais das leitoas. Por outra perspectiva, em granjas de alto desafio sanitário, as preocupações com o controle das enfermidades assumem o foco do manejo das leitoas, pois as intercorrências sanitárias podem limitar consideravelmente o potencial de crescimento e maturação sexual das marrãs. Portanto, as estratégias nutricionais de suporte ao sistema imunológico passam a assumir maior importância que os controles básicos de densidade nutricional, mesmo porque, o próprio desafio sanitário é redutor de desempenho e, por consequência, de exigência nutricional, o que invalida as iniciativas de compensação nutricional direta aos fatores sanitários.

O peso vivo influencia o desenvolvimento dos ovários em marrãs, mas o efeito de produção de esteroides no metabolismo pode se alterar também devido à idade e o número de cios reportados, mesmo porque – tomando como universo para discussão os modelos de criações tecnificadas -, as leitoas não sofrem subnutrição suficiente para apresentarem desenvolvimento corporal inferiores aos limites fisiológicos para manifestação da puberdade, exceto quando são acometidas por doenças crônicas.

Estes dois fatores – idade e peso – também afetam o desenvolvimento do útero em fêmeas pré-púberes. Na fêmea suína, essa relação (peso x idade) não é comumente abordada, mas em outros animais de produção esse parâmetro é bem estudado. Em suínos, a maturidade esquelética e muscular não pode ser aguardada para a introdução das leitoas no sistema de reprodução, porque o modelo de produção não comporta o tempo necessário para esse manejo, com isso, já é convencionado que o risco dessa prática faz parte do sistema de produção. A decisão do modelo de introdução de fêmas jovens em fase muito precoce do desenvolvimento corporal faz com que os animais sejam submentidos a uma produtividade desafiadora e estressante, sob o ponto de vista metabólico, pois as fêmas jovens precisam conciliar desenvolvimento corporal, com gestação e lactação. Muitas vezes, temos como consequência desse modo de produção a manifestação da síndrome do segundo parto, que é a redução da taxa de concepção e parição das fêmeas suínas na segunda gestação. Se considerarmos que a vida útil das matrizes suínas nas granjas modernas é de 6 a 7 partos, em média, dois terços de sua vida produtiva ocorrem em fase de desenvolvimento corporal.

Quando se observa as estimativas do software Inraporc®¹⁰ de ganho de peso diário (GPD) para porcas em reprodução, através do peso vivo pós-parto e a alteração deste em função da ordem de parto, é possível traçar uma curva de crescimento para essa categoria, e observar o fato discutido no parágrafo anterior. Através dessa estimativa, é possível traçar um paralelo entre o crescimento e a puberdade para fêmeas suínas; e ao correlacionar à curva de crescimento para as linhagens genéticas modernas, pode se observar que a recomendação é de que a primeira cobertura ocorra com aproximadamente 50% do peso de quando adulto. Sendo assim, ainda há muito do seu corpo a ser desenvolvido após a cobertura.

Estratégias 

Algumas estratégias alimentares são utilizadas para alcançar peso e composição corporal ideal para reprodução e longevidade no plantel, a mais prudente é o ajuste da densidade da ração, para que o crescimento dos animais seja modulado de acordo com a necessidade de desenvolvimento corporal e a maturidade sexual das marrãs. A restrição alimentar sucedida de realimentação à vontade, durante a fase anterior à cobertura, não menos que 14 dias antes da manifestação do cio, também conhecida como flushing, é descrita como alternativa para os sistemas que não podem manipular as dietas das leitoas e precisam alimentá-las com dietas mais simplificadas.  A restrição alimentar moderada, não maior que 10% do potencial de consumo, aplicada a partir dos 130 dias até os 180 dias, pode ser utilizada sem perdas reprodutivas se, posteriormente a este manejo, for adotada a alimentação à vontade. A alimentação à vontade na fase anterior à cobertura é capaz de reestabelecer a taxa de desenvolvimento folicular pré-ovulatório e garantir ovulação adequada. Porém, o flushing, precisa ser bem planejado, pois deve respeitar períodos determinados dentro do ciclo estral das marrãs e atender os níveis de nutrientes e a combinação de ingredientes específicos.

Os efeitos, a médio e longo prazo, de uma estratégia nutricional exata para o estado em que se encontram os animais, permitem que os produtores atinjam o objetivo de condições corporal (peso) e fisiológicas (idade) para a primeira cobertura da marrã, o que tem proporcionado menor incidência da síndrome do segundo parto e contribuído para aumentar a produtividade dos planteis.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Necessita atenção

Claudicação em fêmeas suínas gestantes têm efeito na prole

Resultados preliminares da pesquisa mostram que leitões que nascem de fêmeas que claudicaram durante sua gestação apresentam diversos problemas ao longo da vida

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Marisol Parada Sarmiento, doutoranda em Medicina Veterinária, Saúde Pública e Bem-estar Animal, Universidade de Teramo, Itália e estudante de intercâmbio na Universidade de São Paulo – FMVZ, campus Pirassununga

O suíno é um animal de enorme complexidade em termos comportamentais. Na natureza, as matrizes e sua prole convivem em grupos e só se juntam com os machos em temporada de acasalamento. Alguns comportamentos naturais da espécie incluem fuçar, forragear, chafurdar (banho de lama para o controle de temperatura) e gerar vínculos amistosos com seus semelhantes. Próximas ao parto, as matrizes constroem ninhos que podem alcançar dezenas de quilos de material (feno, galhos, serragem, etc.), sendo que tais comportamentos são comprometidos pelos sistemas de produção adotados na atualidade.

O sistema de produção suína apresenta enormes desafios para todos os envolvidos, principalmente para os animais. Um dos desafios que tem chamado a atenção da comunidade que trabalha com esta espécie é a claudicação. A claudicação é um evento doloroso que indica dificuldade no andar do animal (coloquialmente chamada de manqueira) atingindo diretamente o bem-estar animal e, por consequência, o bolso do produtor. A claudicação é um motivo de descarte frequente em matrizes suínas, e estudos sugerem que aproximadamente 60% das matrizes se encontram claudicando no Brasil. Ou seja, pelo menos quase três milhões de matrizes se encontram em situação de dor (IBGE, 2017). No mundo, as prevalências reportadas estão próximas dos 30% e o custo da claudicação gira em torno dos R$ 200 por matriz.

Origem

Sua origem, como em outras espécies, é multifatorial e, dentre os fatores, temos:

  • Condições de alojamento inadequadas: muitos animais em áreas pequenas e ausência de enriquecimento ambiental são determinantes devido às lesões geradas durante e após a mistura de animais;
  • Piso: abrasividade excessiva no chão altera negativamente a condição do casco nos suínos;
  • Fatores sanitários e nutricionais: algumas toxinas, deficiências em vitaminas e minerais podem afetar os ossos, cartilagem articular e qualidade do casco;
  • Outros fatores, como ausência de casqueamento, atrofia muscular por inatividade excessiva ou seleção genética, sem levar em conta os aprumos dos reprodutores, aumentam a probabilidade de desenvolver claudicação.

As consequências da claudicação para o animal compreendem mudanças comportamentais, problemas de saúde e estados emocionais alterados, tudo isso diretamente relacionado com à dor que a claudicação implica e o bem-estar animal. Traumas, fraturas, lesões do pé, lesões de ossos e cartilagens de nascença são condições que alteram a saúde das matrizes. Consequências comportamentais importantes incluem a redução da interação social e exploratória normal, mudanças no comportamento alimentar e alteração na sequência e tempo para se deitar. Por fim, as implicações fisiológicas encadeiam respostas cardiovasculares e liberação de hormônios do estresse, como adrenalina, noradrenalina e cortisol.

A dor tem um papel importantíssimo nessas mudanças secundárias geradas pela claudicação. Ela é uma condição desagradável e estressante que tem como ser detectada. Inicialmente, é importante conhecer o comportamento natural da espécie a ser avaliada, pois as primeiras mudanças no animal são de tipo comportamental: diminuição da atividade, maior reatividade ante estímulos estressantes, diminuição no consumo, afastamento do grupo e relutância ao apoio do membro afetado. Existem metodologias validadas para determinar o grau de claudicação do animal, onde o observador precisa de treinamento prévio para determinar quantitativamente a severidade desta dificuldade motora. Procedimentos mais complexos usados pela ciência, como medição de hormônios de estresse, podem ser aliados para melhor compreensão do estado em que o animal se encontra sendo com dor/estresse ou não.

Dor afeta leitões em formação

Mas e a dor? Ela tem efeito nos leitões que estão se formando dentro da matriz?  A resposta é sim. Como em todo mamífero, situações de estresse durante a prenhez sem possibilidade de adaptação, geram efeitos negativos no desenvolvimento do feto. Por exemplo, se uma mulher passar por estresse excessivo durante a gestação e, mais especificamente, durante o momento em que o sistema nervoso central do feto está se desenvolvendo, consequências graves são geradas. Crianças com dificuldades emocionais, agressividade excessiva, problemas de atenção e memória, são algumas sequelas que o estresse desmedido pode gerar nesse novo ser.

Uma equipe de pesquisa da Universidade de São Paulo, em conjunto com a Universidade de Teramo (Itália), está trabalhando na identificação dessas consequências em leitões vindos de matrizes que claudicaram durante sua gestação.

Em situações normais, os hormônios de estresse, como o cortisol, são inativados na placenta para evitar os possíveis danos ao feto, mas se esses níveis superam a capacidade que a placenta tem para inativar, os hormônios começam a passar de forma livre, alterando estruturas cerebrais em formação, as quais se relacionam com o mencionado anteriormente, memória, cognição, agressão e, inclusive, medo.

Resultados preliminares da minha pesquisa de doutorado mostram que leitões que nascem de fêmeas que claudicaram durante sua gestação, são mais agressivos, têm frequências de vocalização diferentes, possivelmente sua sensibilidade à dor se encontra diminuída e apresentam menor peso ao desmame.

No futuro, o estudo poderá mostrar mais resultados em relação à conversão alimentar, ganho de peso, desempenho cognitivo, comportamento social e medidas de medo; para mostrar outras alterações que a claudicação em matrizes gestantes causa nos fatores produtivos e de bem-estar da sua prole.

O mundo da produção suína está cheio de desafios para os animais, desde seu nascimento até sua morte; desmame, mudanças do local de alojamento, mistura com animais desconhecidos, transporte, entre outros. Se tivermos a capacidade de criar animais mais adaptados à tais desafios, as consequências serão benéficas para o produtor e não somente para o animal. Ter animais mais calmos, por exemplo, suscita facilidades de manejo para cada um desses desafios, de forma que tanto o animal como o produtor e seus trabalhadores, se verão beneficiados.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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