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Evolução no controle e situação da doença de Gumboro

Na atualidade, embora vírus muito virulentos continuem circulando em muitos países, a forma subclínica é a predominante, o que não significa que não estejam afetando a produtividade dos lotes

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Jorge Chacón, Médico veterinário MSc. PhD e serviços Veterinários da Ceva Saúde Animal

Desde seu primeiro relato em 1962 na cidade de Gumboro, a doença tem sido reconhecida em todos os países com produção industrial avícola. Desde seu “descobrimento”, a forma clínica da doença tem levado a perdas milionárias, mas a relevância desta enfermidade aumentou quando se conheceu a capacidade imunossupressora do agente etiológico, o vírus da doença infecciosa da Bursa ou Gumboro (VDIB ou IBDV no inglês). A forma imunossupressora propagou-se para vários países da América Central e do Sul, e no final da década de 1990, a forma muito virulenta foi relatada na América Latina. Na atualidade, embora vírus muito virulentos continuem circulando em muitos países, a forma subclínica é a predominante, o que não significa que não estejam afetando a produtividade dos lotes.

Aspectos etiológicos

  • O agente

O agente causante da doença de Gumboro é um vírus RNA de dupla fita, segmentado e não envelopado. Estas características permitem eventos tais como mutações genéticas, reagrupações (reassortment), e recombinações com potencial de causar aumento da virulência e mudanças antigênicas.

  • Variabilidade viral

O VDIB pode ser classificado de acordo o grau de virulência em subclínico, virulento e muito virulento. Os dois grupos antigênicos do VDIB são comumente chamados de clássicos e variantes, mas câmbios drift têm contribuído na aparição de vários subtipos nestes grupos.

  • Resistência viral

A ausência de envelope confere ao vírus alta resistência frente a diversas condições ambientais quando o vírus estiver fora da ave. O VDIB começa a ser eliminado via fezes 48 horas pós infecção e por um período de 14 a 16 dias, podendo permanecer viável na cama e no aviário até 122 dias depois da retirada das aves, e até 52 dias no alimento e água. Diversos trabalhos de compostagem verificaram a alta resistência viral, podendo resistir a temperaturas de 560C por várias horas. Isto explica a importância de reduzir a carga viral de vírus virulentos na cama antes de alojar o próximo lote de frangos em um ambiente mais inócuo.

Aspectos patogênicos

  • Função e integridade da bursa

A Bursa de Fabrício (BF) é o órgão alvo primário do vírus, onde se replica nos linfócitos B imaturos levando a sua depleção. Desta forma, a resposta imune humoral é suprimida, embora a resposta a imunidade celular também seja afetada. A partir da segunda e terceira semana de vida, linfócitos maduros da bursa migram para diferentes tecidos e órgãos linfoídes secundários. A partir deste momento a bursa deixa de ser o único órgão de produção de linfócitos B. Isto pode ser verificado na prática desde que aves imunizadas e protegidas com vírus vivos invasivos intermediários Plus (que causam depleção linfoide parcial e transitória na bursa) respondem perfeitamente produtiva e imunologicamente.

  • Formas da doença
    • Clínica

A infecção pode levar à aparição de sinais clínicos evidentes (depressão, prostração, aves com penas eriçadas e diarreia) com aumento da mortalidade de até 40%. A mortalidade é causada por uma resposta inflamatória e imunológica exacerbada da ave (tormenta de citoquinas).

  • Subclínica

Acontece quando a infecção não causa aparição de sinais evidentes, mas afeta os indicadores de produtividade (menor ganho de peso e piora da conversão alimentícia), danificando a resposta imune da ave para outros patógenos e para diversas vacinações.

  • Imunossupressora

A infecção nas primeiras duas semanas de vida causará nas aves sobreviventes dano permanente do sistema imune. Estas aves ficarão mais susceptíveis a bactérias oportunistas que causarão sintomas e lesões, somente debeladas com o uso de antibióticos, uma grande limitação grande em empresas antibióticos-free.

Aspectos de controle

  • Imunidade passiva e ativa

Os anticorpos maternais (AcM) são importantes para proteger as aves nas primeiras semanas de vida. Mas as aves voltarão a ser susceptíveis aos desafios de campo quando os níveis de AcM diminuírem a níveis baixos. Desta forma, é necessário que as aves criem sua própria resposta imune que as proteja durante o resto do ciclo de vida.

A infecção da bursa por qualquer vírus vivo de Gumboro sensibilizará os linfócitos estimulando uma forte e rápida resposta imune humoral e celular. Vários trabalhos experimentais comprovaram a impossibilidade de uma ave, ou seja, uma bursa ser reinfectada por um segundo vírus. Isto se conhece no campo como “blindagem da bursa”.

  • Momento da vacinação

Os AcM neutralizam os vírus vacinais antes que eles consigam colonizar a bursa e estimular o sistema imune da ave. Muitas tentativas foram realizadas para detectar de forma prática o momento correto para a aplicação das vacinas vivas (nem muito cedo para não serem neutralizadas pelos AcM, e nem muito tarde para que protejam contra os vírus de campo).

  • Local de vacinação

Diante da limitação de vacinar as aves no incubatório com vacinas vivas convencionais, a vacinação passou a ser feita no campo, aplicando 2 ou 3 doses. Este procedimento mostrou-se efetivo. Porém, sabe-se que a eficácia da imunização via água de bebida depende também da qualidade da aplicação.

  • Invasividade de cepas de campo versus cepas vacinais

Durante os primeiros anos, as vacinas vivas com cepas suaves se mostraram efetivas para proteger contra os desafios de campo. Logo, elas se mostraram insuficientes para impedir a infecção por vírus de campo mais virulentos os quais conseguiam atingir a bursa antes que dos vírus vacinais suaves. Verificou-se então que vírus mais invasivos conseguiam “ultrapassar” maiores níveis de AcM que vírus menos invasivos. O conhecimento do conceito da invasividade da cepa levou ao desenvolvimento e uso de cepas vacinais com vírus mais invasivos (intermediários e logo intermediários Plus), os quais induziam proteção antes que as vacinas com cepas mais atenuadas.

  • Alternativas de imunização

Na atualidade 90% dos frangos do Brasil são vacinados no incubatório:

  1. As vacinas complexo-imune (CI) consistem em uma quantidade exata de anticorpos específicos do VDIG (VPI) ligados a vírus vacinal. Elas devem ser inoculadas no incubatório in ovo ou via SC pois não são afetadas pelos AcM. O vírus vacinal do complexo se replicará na bursa quando ela conseguir se liberar dos VPI e quando os níveis de AcM estejam baixos. Igual a qualquer vírus vivo, haverá indução de resposta imune humoral e celular, e posterior bloqueio da bursa. Em paralelo, a ave vacinada irá liberar para o ambiente este vírus podendo colonizar a bursa de outra ave ainda não infectada (transmissão lateral), ou ficar na cama substituindo o vírus de campo (diminuição da pressão de infecção).
  2. As vacinas vetorizadas (rHVT) são vacinas com vetor HVT do vírus de Marek que carrega gene da proteína VP2 do VDIG. Quando o vetor se replica na ave, estimulará a produção de anticorpos específicos contra a proteína VP2. Estas vacinas podem ser aplicadas in ovo ou SC no primeiro dia de vida porque os AcM não afetam a multiplicação do vírus vetor rHVT. Como não existe uso de vírus vivo de Gumboro se espera ausência de replicação viral na bursa. Além disso, por não existir transmissão lateral, a vacinação e proteção são individuais e independentes para cada ave.
  • Avaliação de programas vacinais

O controle da doença de Gumboro inclui a proteção clínica e subclínica da ave, mas também a diminuição da circulação de vírus de campo. No atual cenário de alta produtividade e competitividade, as empresas não se podem dar ao luxo de ter perdas subclínicas, precisando de programas vacinais que protejam os lotes contra todas as formas evidentes e não evidentes da doença. Independentemente da tecnologia vacinal utilizada, as monitorias de campo e laboratoriais devem revelar achados e dados compatíveis com o esperado para o programa vacinal utilizado. Resultados fora do padrão, são uma evidência de falta de proteção e consequente prejuízo produtivo e econômico na empresa.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

Ácidos orgânicos via água de bebida são alternativa ao uso de antibióticos promotores de crescimento na produção de frangos

Administração de acidificantes via água de bebida tem se mostrado uma ferramenta bastante eficaz

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Gustavo Paschoalin, zootecnista, Msc. Produção Animal Sustentável e assistente Técnico da Theseo

Todas as cadeias de produção de proteína animal estão cientes da tarefa desafiadora que cada vez mais se aproxima no horizonte: alimentar uma população que deve atingir mais de 9 milhões de pessoas até 2050, atendendo a demanda por proteína animal que deve crescer cerca de 73% neste mesmo período, segundo a FAO.

Porém, os desafios não ficam limitados somente a produzir, mas produzir de forma responsável, visando atender um mercado consumidor cada vez mais exigente e preocupado com os potenciais impactos da produção de alimentos sobre a saúde pública, meio ambiente, bem-estar animal, etc.

Em pesquisa anual, realizada mundialmente com os principais players da indústria de produção avícola, a WATT Global Media divulgou que 36% dos entrevistados, encaram que as restrições a antibióticos são o maior desafio do setor. Ainda, de acordo com 70% dos entrevistados, suas respectivas companhias estão ativamente explorando, testando ou utilizando aditivos nutricionais como alternativas ou substitutos aos AGP’s, ao passo que destes, 69% revelaram ter obtido os melhores resultados através do uso de ácidos orgânicos.

Conforme a Instrução Normativa Nº 13 de 30/11/2014, do MAPA, os acidificantes pertencem a um grupo de aditivos equilibradores da microbiota do trato gastrintestinal, composto por ácidos orgânicos ou inorgânicos, cuja função é a de reduzir o pH do meio, facilitar a digestão dos ingredientes e reduzir a proliferação de microrganismos indesejáveis.

Na produção animal, ácidos orgânicos normalmente referem-se a ácidos fracos de cadeia curta, associados com atividade antimicrobiana, com um a sete átomos de carbono na molécula (C1-C7) e que produzem menor quantidade de prótons por molécula ao se dissociarem.

No Brasil, a utilização de ácidos orgânicos via água de bebida, é comum somente no pré-abate, visando diminuir os riscos de contaminação das carcaças no abatedouro. São vários os estudos que atestam a eficácia dessa prática, devido ao papel predominante que os ácidos orgânicos exercem na redução de microrganismos como E. coli, Campylobacter spp. e, principalmente, a Salmonella spp,. Porém, os efeitos da alteração da microbiota ocorrem em toda extensão do trato intestinal, atestando a importância da adoção estratégica de uso contínuo de acidificantes durante todo o lote.

Sabe-se que uma boa saúde intestinal na indústria avícola é fundamental para se atingir boas taxas de crescimento e eficiência alimentar. Nesse sentido, a administração de acidificantes via água de bebida tem se mostrado uma ferramenta bastante eficaz. Estudos atestam que o uso de acidificantes via água de bebida exerceu efeito benéfico sobre o tamanho das vilosidades e profundidade das criptas intestinais. Os ácidos orgânicos também foram eficientes em estimular a proliferação de células normais das criptas intestinais, melhorando a renovação e manutenção de tecido saudável. Além do efeito morfológico os ácidos orgânicos também contribuem na regulação da microbiota intestinal, estimulando a exclusão competitiva, ao passo que reduz a quantidade de microrganismos patogênicos e aumenta a contagem de microrganismos benéficos como os Lactobacillus.

Dados

Pesquisas atestam que a administração de acidificantes via água de bebida aumentou significativamente os índices de peso corporal, ganho de peso e conversão alimentar durante as fases pré-inicial e inicial em frangos de corte.

Um recente estudo, comparou os efeitos da combinação de acidificantes administrados via ração e via ração e água de bebida com os efeitos da virginiamicina em pintos desafiados com Salmonella pullorum. Os resultados indicaram que os pintos tratados com acidificante via ração e água de bebida tiveram performance estatisticamente semelhante ao grupo tratado com virginiamicina. Além disso, foi observado que a acidificação da água de bebida combinada com a inclusão de ácidos orgânicos na ração poderia modular a perturbação causada pelo desafio aliviando as respostas ao stress, atenuando potencialmente as defesas antioxidantes e imunológicas e modificando o metabolismo da microbiota intestinal. Esses resultados mostram um mecanismo metabólico que pode, em partes, explicar os potenciais benefícios dos ácidos orgânicos nas aves desafiadas, atestando que seu uso pode contribuir para controlar ou reduzir a incidência de S. Pullorum nas aves.

A prática de acidificação da água de bebida também reduz a contagem de microrganismos patógenos na água e pode controlar a formação de biofilme nos sistemas hidráulicos, aumentando o nível de biosseguridade das instalações.

A escolha do acidificante ideal deve-se basear, principalmente, na formulação do produto e nível de inclusão. Cada ácido possui diferentes características químicas e físicas, conduzindo a diferentes efeitos específicos, assim sendo, blends com maior variedade de ácidos na formulação tendem a proporcionar melhores resultados devido ao efeito sinérgico entre eles. A presença de ácidos inorgânicos na formulação, como o ácido fosfórico, também traz benefícios, principalmente devido à sua capacidade de se dissociar em diferentes partes do intestino, aumentando a capacidade acidificante do blend de ácidos utilizado, permitindo reduzir os níveis de inclusão, diminuindo os custos do tratamento.

Estudos ainda são necessários para se atestar e entender todos os mecanismos envolvidos na ação benéfica dos ácidos orgânicos e suas combinações sobre os resultados de performance e imunidade nas aves. No entanto, diante do exposto, fica claro que as práticas de administração de ácidos orgânicos têm mostrado excelentes resultados tanto no campo e em condições experimentais, atestando que seu uso isoladamente ou em conjunto com outros aditivos como prébioticos, probióticos, óleos essenciais e outros, se consolidam, cada vez mais, como ferramentas eficazes na substituição dos AGP’s.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Tecnologia

Vacinação de aves de ciclo longo chegou a era 4.0

Toda essa evolução fez com que a vacinação deixasse de ser um procedimento operacional padrão e se transformasse em um ponto crítico de controle

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Eva Hunka, médica veterinária, MSc. Medicina Veterinária Preventiva e gerente de negócios Biológicos da Phibro; e Eric Culhari, zootecnista, MSc Bioclimatologia e Bem-estar animal e especialista pHi-Tech da Phibro

O termo Pecuária 4.0 e a linha do tempo desta evolução, assim como a origem deste termo, ainda são pouco conhecidas. O termo Pecuária 4.0 faz referência à indústria 4.0. Pensando de maneira análoga ao desenvolvimento da indústria, podemos dividir a história da produção animal da seguinte forma:

-Primeira revolução industrial: a máquina a vapor proporcionou incremento de produtividade e mobilidade de seres humanos. Fazendo uma analogia com a produção animal, podemos considerar que o primeiro evento disruptivo na sociedade ocorreu muito tempo antes, quando os humanos deixaram de caçar, e domesticaram os animais. Este processo possibilitou que a energia empregada na caça fosse redirecionada para outros fins.

– Segunda revolução industrial: se caracteriza pela produção em massa e adoção do método científico (observar, medir, testar hipóteses e concluir) como ferramenta para incremento da produção.  Ambas as revoluções citadas, provocaram alterações na sociedade como o êxodo rural, aumentando a população urbana e consequentemente diminuindo a rural.

Sendo assim, a produção de alimentos teve que se alterar, pois aquelas pessoas que praticavam agricultura de subsistência e eram capazes de produzir seu próprio alimento, agora morando na cidade necessitavam comprar este alimento produzido por outros, exigindo maior produtividade nos estabelecimentos de produção animal. Com isso, temos a segunda mudança relevante na maneira de se produzir animais.

– Terceira revolução industrial:  é marcada pelo início da digitalização dos processos. Neste período computadores e outros equipamentos eletrônicos vieram em substituição aos meios analógicos utilizados até então para gerar, armazenar e analisar dados. Na pecuária não foi muito diferente. Com o avanço da eletrônica e da capacidade computacional, dados antes registrados e armazenados fisicamente, em folhas de papel, passaram para planilhas eletrônicas, facilitando a análise e visualização dos resultados obtidos. Além disso, equipamentos como alimentadores automáticos passaram a ser vistos em granjas de suínos e aves, ordenha mecanizada em sistemas de produção leiteira, entre outros equipamentos.

– Quarta revolução industrial: tanto na indústria quanto na produção animal, estamos falando do emprego de sensores, ferramentas computacionais avançadas e técnicas estatísticas modernas para coleta de dados massiva e em tempo real, armazenamento destas grandes bases de dados (“big-data”) em nuvem e uso de inteligência artificial para interpretar e gerar resultados a partir de padrões não captados pelo cérebro humano. Neste cenário, exploramos a internet das coisas (IoT) nos mais diferentes processo, como é o caso dos dispositivos de vacinação 4.0, que são capazes de gerenciar todo processo de vacinação, a partir de um dispositivo injetor, que, durante a vacinação, coleta informações sobre o processo e nos permite controle em tempo real e análises complexas, baseadas em dados da própria granja.

A agroindústria vem se tornando cada vez mais competitiva e isso fez crescer a necessidade por tecnologia, aumentando o controle e a eficiência do processo produtivo. Estes processos inteligentes trazem benefícios em diferentes setores da cadeia, desde os relacionados diretamente à produção bem como os que promovem melhores condições de trabalho para os operadores. Este tipo de movimento ajuda a fixar os trabalhadores no campo e promovem um movimento contrário ao êxodo rural, atraindo jovens para o campo.

Empregando as tecnologias que fazem parte deste pacote chamado de pecuária 4.0, estamos gerando uma quantidade de informações muito grande, com qualidade e velocidade incomparáveis aos processos anteriormente utilizados. De posse destas informações a tomada de decisão ocorre também mais rápido, e de maneira mais assertiva, melhorando não só o desempenho, mas a vida das aves de maneira geral.

Tão importante quanto o desempenho, é pensarmos na vida dos animais que estamos criando. Aspectos como comportamento, nutrição e sanidade são avaliados para determinação do grau de bem-estar dos indivíduos de uma criação. Com a utilização de tecnologias como visão computacional, bio-acústica e outras do pacote 4.0, é possível monitorar as condições de bem-estar animal em tempo real, além de identificar problemas e encontrar soluções de maneira mais rápida, melhorando a qualidade de vida das aves. Desta maneira estamos produzindo alimentos de forma responsável e eficiente.

A passos largos

Na avicultura este movimento anda a passos largos, promovendo melhor utilização dos insumos, maior controle dos processos e até mesmo segurança alimentar. A avicultura 4.0 permite uma tomada de decisão mais ágil, evitando erros ou desperdício, com isso temos reduções significativas no consumo de energia, custos com manutenção, maior aproveitamento das matérias primas e consequente aumento de produtividade.

Com toda esta tecnologia, processos antes obscuros, como é o caso da vacinação intramuscular das matrizes, deixam de ser uma operação simples e passam a ser vistos como Pontos Críticos de Controle. Sistemas de gerenciamento do processo vacinal permitem uma ação corretiva em tempo real e tem o smartphone como peça fundamental nesta comunicação entre o equipamento e os supervisores do processo, ou mesmo os tomadores de decisão, visto que todas as informações são armazenadas em “nuvem” e podem ser acessadas pelos diferentes níveis da companhia.

Este tipo de equipamento permite a integração do processo vacinal às rotinas de monitoramento da granja, onde podemos, através de painéis de controle, perceber desvios e tomar decisões com base em dados coletados no campo.

Toda esta tecnologia trouxe e continuará a trazer um aumento de desempenho e produtividade no campo. Atualmente a conectividade ainda é um dos principais gargalos nas propriedades rurais, mas tudo isso é um caminho sem volta e, assim como a tecnologia, a conectividade será uma realidade em breve.

A vacinação 4.0, também traz benefícios sanitários e isto pode ser visto através da monitoria sorológica, que é uma das principais ferramentas para averiguação da proteção vacinal em aves de ciclo longo. Estas aves recebem vacinas inativadas com a finalidade de elevar os títulos de anticorpos e, consequentemente, promover uma proteção mais duradoura, pois os anticorpos específicos, oriundos de uma imunização ativa, geralmente perduram por longos períodos.

Quando falamos em resultados de sorologia, é natural que logo pensemos em qualidade ou potência da vacina utilizada, visto que existes muitas variáveis no produto, que podem interferir nesta resposta como: adjuvantes, tipo de emulsão, concentração e tipo do antígeno etc. Mas muitas vezes esquecemos que o processo de vacinação é tão importante quanto o produto e também impacta neste resultado.

Vacinação evolui

O processo de vacinação evoluiu muito pouco nos últimos anos. Tivemos alguma evolução no que se refere a equipamentos de vacinação, mesmo assim são equipamentos que estão muito dependentes do fator humano. Exceto pelo processo de vacinação in ovo, este já consolidado no Brasil, e foi um grande passo para a automação dos incubatórios.

No caso da vacinação a campo, temos as seringas de precisão, bastante usadas na vacinação intramuscular, mas estas, também tem o homem como peça fundamental para a qualidade do processo, visto que é totalmente manual.

Um trabalho realizado em 2012, em Israel, mostra que o simples fato de a equipe de vacinação saber que está sendo avaliada, altera a sorologia das aves (Gráfico 1). Isso mostra claramente que o processo de vacinação é uma parte essencial do resultado.

Gráfico 1. Titulação de HI para TE (Meningoencefalite Viral de Perus) em lotes onde os vacinadores não sabiam da monitoria (G1 e G2) versus vacinadores que sabiam que estavam sendo monitorados (Monitor.)

Novos equipamentos de vacinação, com uma nova proposta, onde o erro humano é minimizado e o processo de coleta, compartilhamento e armazenamento de dados do processo possibilita correções pontuais, e também, a tomada de decisões mais estratégicas e de longo prazo. Estes equipamentos usam e abusam da internet das coisas e usam a tecnologia 4.0 a seu favor. Com esta melhoria no processo, a soroconversão é mais eficiente e uniforme.

Gráfico t. Titulação de IBD (Elisa IDEXX) em lotes vacinados com dispositivo 4.0 e lotes vacinados com vacinadora manual

Na avicultura trabalhamos com vacinações massais, onde muitos animais são tratados ao mesmo tempo. Neste processo nós temos o lote como unidade epidemiológica, e todos os animais do lote devem ser o mais uniforme possível. Quando falamos em processo eficiente, devemos garantir que todos os animais recebam a mesma dose, em um mesmo momento e por isso devem se comportar, sanitariamente, de um modo muito parecido.

Os equipamentos automatizados trouxeram a processo de vacinação para os dias atuais, elevando o status sanitário das aves e transformando este processo em um ponto crítico de controle da produção.

Nem todo animal que recebeu a vacina esta imunizado, pois existem diferentes fatores que contribuem para a eficácia da vacinação, fatores que variam desde a armazenagem correta do produto até erros de aplicação como dose incompleta, vacinação a partir de frascos vazios ou mesmo aplicação em local errado, podem alterar os resultados sorológicos. Quanto mais controlado for este processo de vacinação, menores são as chances de erros. Um lote bem vacinado tende a apresentar títulos sorológicos mais uniformes, com um abaixo coeficiente de variação. Esta uniformidade diminui a quantidade de indivíduos suscetíveis na população, e no caso de reprodutoras, isso também se reflete da transferência de anticorpos para a progênie.

Toda essa evolução fez com que a vacinação deixasse de ser um procedimento operacional padrão e se transformasse em um ponto crítico de controle. Onde podemos atuar, quer seja em tempo real, por meio da correção dos erros e ajustes no momento da vacinação, ou mesmo em decisões estratégicas de longo prazo, por meio da análise dos dados coletados, oriundo dos diferentes episódios de vacinação realizados, ordenados e compilados, permitindo uma visualização completa dos processos.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Nutrição

Balanço eletrolítico na nutrição de aves

As perdas econômicas são mais acentuadas na fase final de criação dos frangos, quando esses são submetidos a períodos de calor intenso

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Artigo escrito por Everson Xavier Ferreira, consultor técnico comercial de aves na Agroceres Multimix e Franciely Benthien da Costa, consultora técnica comercial de aves de corte na Agroceres Multimix

Um dos maiores problemas enfrentados pela indústria avícola em países de clima tropical como o Brasil, são as significativas perdas zootécnicas e econômicas, decorrentes da severidade climática que atinge a produção avícola, perdas essas ocasionadas pelo estresse calórico, relacionadas – principalmente – a altas temperaturas, associadas à umidade relativa do ar alta, ou seja dias quentes e chuvosos. Entretanto, clima quente e seco também gera perdas significativa na produção, mas o processo de ofegação torna-se menos eficiente com a umidade mais alta.

Submeter as aves à temperatura e umidade elevadas, faz com que as mesmas saiam da zona de conforto térmico, ocasionando aumento da temperatura corporal e alcalose respiratória. Essa condição resulta em um impacto extremamente negativo sobre o desempenho animal, afetando a eficiência alimentar, consumo de alimento, taxa de crescimento e sobrevivência (figura 1). As perdas econômicas são mais acentuadas na fase final de criação dos frangos, quando esses são submetidos a períodos de calor intenso.

Com o aumento da temperatura do ambiente e aumento da umidade relativa do ar, a capacidade da ave em dissipar o calor é reduzida e com isso temos uma elevação da temperatura corporal, a aves fisiologicamente buscam de subterfúgios para minimizar este problema. A ave busca aumento da sua superfície corporal, abre asas, agacha-se com as mesmas abertas, eriça as penas, busca locais menos adensados no aviário, barbela e crista aumentam de tamanho, buscam a cama fresca com maior frequência, reduzem o consumo de alimento, aumentam o consumo de água e principalmente buscam através do aumento da frequência respiratória essa troca de calor, ficando ofegante.

A evaporação da água (resfriamento evaporativo) pelo trato respiratório constitui o principal mecanismo da ave, que está em estresse calórico, adota para resfriamento e redução da temperatura corporal. Esse mecanismo dá-se devido a ave ter a capacidade de aumentar a frequência respiratória, sendo esse mecanismo crítico para a manutenção da temperatura corporal.

A hiperventilação pulmonar, ocasionada pelo aumento dos movimentos respiratórios, leva a perdas significativas de CO2 fazendo com que ocorram alterações no equilíbrio ácido-básico sanguíneo das aves que e dependendo do tempo de exposição, podem levá-las a óbito. Devido a insuficiente oxigenação, o ritmo cardíaco aumenta na tentativa de suprir mais oxigênio para o metabolismo oxidativo dos tecidos em rápido crescimento, causando uma hipertensão pulmonar. Com prolongada falta de oxigênio, mecanismos de regulação do organismo da ave são acionados para manter a homeostase. O quadro é agravado ainda mais pelo aumento da resistência ao fluxo sanguíneo no pulmão, que promove o desequilíbrio entre a necessidade e o fornecimento de oxigênio e a insuficiência cardíaca. A predisposição à ascite é maior nos frangos porque o pulmão é rígido e fixo na cavidade torácica e o peso do órgão em relação ao peso corporal diminui em função da idade.

Contudo, a maior taxa de ventilação alveolar, ainda que necessário para o resfriamento, resulta em diminuição na pressão de CO2 e, consequentemente, em perturbações no equilíbrio ácido básico.

Outro ponto que devemos considerar é o relativo gasto energético demandando pelas aves na dissipação do calor, no qual ocorre uma grande demanda da energia ingerida na dieta para manutenção da temperatura corporal.

Outra situação observada em aves em estresse calórico é o significativo aumento do consumo de água, para compensar a perda de água na respiração e aumentar a capacidade de disseminação de calor que, por consequência os rins aumentam a produção de urina e maior perda de potássio ( K+), Sódio(Na+) e Cloro(Cl-) fundamentais na manutenção da pressão osmótica e no equilíbrio ácido básico.

Abaixo, é possível observar um quadro desenvolvido para ajudá-lo a fixar os conceitos de acidose e alcalose, tanto metabólica quanto respiratória. Observe o que acontece com o pH e as concentrações de HCO3 e pCO2 em cada uma das situações ácido-base:

Essas variações no equilíbrio ácido básico decorrente de aves em estresse térmico, têm custos elevadíssimos para a indústria avícola, custo esses decorrentes de perdas zootécnicas generalizadas, como; redução do ganho de peso, aumento da conversão alimentar, mortalidade final elevada, redução na qualidade interna e externa dos ovos (gema e casca), queda da capacidade de resposta imune, entre outras.

Os eletrólitos podem ainda ser descritos como substâncias químicas, que se dissociam nos seus constituintes iônicos, tendo como função fisiológica principal a manutenção do equilíbrio ácido-base corporal. A prevenção do desequilíbrio hidroeletrolítico pode ser obtida pela incorporação de cátions e ânions na dieta, sendo usualmente expressos em mEq/kg. Os eletrólitos essenciais à manutenção da pressão osmótica e no equilíbrio ácido-base dos líquidos corporais são: sódio (Na+), potássio (K+) e o cloro (Cl–). Além de as aves os exigirem em quantidades mínimas em sua alimentação – para satisfazer suas necessidades nutricionais -, é fundamental que a proporção entre eles seja respeitada, para manter o equilíbrio ácido-base e obter o máximo desempenho das aves.

O potássio (K+) é o principal cátion do fluído intracelular, enquanto o sódio (Na+) e o cloro (Cl–) são os principais íons do fluído extracelular. O controle da perda de água nas células é obtido pelo equilíbrio desses íons no meio intracelular e extracelular. O K+ está envolvido em muitos processos metabólicos, incluindo: o antagonismo arginina-lisina, condução nervosa, formação do glicogênio, contração muscular, síntese de proteínas teciduais, manutenção do equilíbrio intracelular, reações enzimáticas, balanço osmótico e equilíbrio ácido básico. Consequentemente, mudanças no equilíbrio de K+ podem afetar as funções celulares e o controle da quantidade de água no meio celular.

Atualmente, a importância do Na+ na manutenção das funções vitais normais é bastante conhecida. O sódio é o principal cátion presente nos fluídos extracelulares, atuando essencialmente: no equilíbrio ácido básico, pressão osmótica corporal, atividade elétrica das células nervosas e do músculo cardíaco, permeabilidade celular e absorção dos monossacarídeos e aminoácidos. Por ser o principal cátion do líquido extracelular e estar obrigatoriamente acompanhado de um número igual ao dos ânions, cloro e bicarbonato, o sódio é o principal responsável pela osmolaridade dos líquidos.

O cloro (Cl–) é predominante no líquido extracelular; sua função principal é a manutenção do equilíbrio químico com os cátions presentes. Sabe-se que o excesso de sódio é excretado pelos rins, e o cloro (Cl–) normalmente o acompanha. O cloro participa ainda do efeito tampão no sangue em intercâmbio com o bicarbonato. O aumento do Cl– plasmático favorece a retenção de H+ e diminui a reabsorção de HCO–3 pelos rins, sendo essa uma resposta à alcalose metabólica.

O K+ e o Na+ são íons alcalogênicos e quando suas concentrações são aumentadas, em relação à concentração do Cl–, o pH dos fluídos corporais aumenta, podendo caracterizar a alcalose metabólica. No entanto, o Cl– é um íon acidogênico e sua alta concentração na dieta contribui para a diminuição do valor do balanço eletrolítico e, neste caso, o pH pode diminuir, estando abaixo do normal, podendo assim caracterizar uma acidose metabólica.

O balanço eletrolítico da dieta

O balanço eletrolítico na nutrição das aves é definido como: a diferença entre os principais cátions e ânions da dieta e, portanto, um tema de grande importância na produção animal. O balanço dos eletrólitos no organismo pode influenciar no crescimento do animal, no apetite, desenvolvimento ósseo, resposta ao estresse térmico e no metabolismo de certos nutrientes, como: aminoácidos, minerais e vitaminas.

Um dos primeiros estudiosos a discutir a importância do balanço eletrolítico, estudando os fundamentos do balanço cátion-ânion para suínos e aves, entendeu que o animal regula o balanço eletrolítico pela alteração da acidez líquida ingerida e excretada. Para manter o balanço eletrolítico, deve-se regular a ingestão e a excreção de ácidos. Nas situações em que o animal encontra-se em equilíbrio ácido-básico, sem excesso ou deficiência de ácido, podemos aplicar a seguinte equação:

Todos os eletrólitos poderiam ser incluídos nas equações de cálculo do balanço eletrolítico, no entanto, alguns desses íons não são considerados, devido à importância secundária no equilíbrio ácido básico, pois, é apenas o potencial eletrolítico dos elementos que pode classificá-los em termos de importância no equilíbrio básico do organismo. Esses elementos têm capacidade de funcionar como eletrólitos, mas estão presentes em pequenas quantidades nas rações e em baixas concentrações nos tecidos das aves, reduzindo, naturalmente, seu impacto sobre o equilíbrio ácido básico. Por essa razão, a expressão foi reduzida para: Na+ + K+ – Cl– (mEq/kg).

As matérias-primas utilizadas nas rações de aves possuem diferentes concentrações de sódio, potássio e cloro. Portanto, dependendo da composição das dietas utilizadas, torna-se necessária a correção dos valores de balanço eletrolítico das rações. Um exemplo da modificação do balanço eletrolítico, causada pela composição da dieta, são as rações com inclusão de farinhas de origem animal como fonte proteica, que reduzem a inclusão do farelo de soja, um ingrediente responsável por grande parte do fornecimento de potássio às dietas.

A suplementação de sais nas rações ou na água dos animais tem sido usada para aumentar a ingestão de íons específicos, corrigindo mudanças no equilíbrio ácido-básico. Essa suplementação é feita através da inclusão de compostos alcalinos, visando aumentar o valor do balanço eletrolítico; ou a inclusão de compostos ácidos, para diminuir o valor do balanço eletrolítico, conforme a necessidade. Entre os compostos alcalinos, destacam-se: o bicarbonato de potássio (KHCO3), carbonato de potássio (K2CO3) e o bicarbonato de sódio (NaHCO3), e entre os compostos ácidos: o cloreto de potássio (KCl), cloreto de amônio (NH4Cl) e o cloreto de cálcio (CaCl2).

Muitas pesquisas demonstram que a correção do balanço eletrolítico através da adição de sais nas dietas é útil, não só para melhorar o desempenho dos animais, mas também uma ferramenta bastante utilizada para minimizar os efeitos do desbalanço de eletrólitos causado pelo estresse calórico.

Carbonato de Potássio

O carbonato de potássio consiste em um sal branco, solúvel em água e fortemente alcalino (pH básico). Muito utilizado na indústria, esse produto tem como principal utilização a fabricação de sabão, vidro e porcelana. Além dessa função, ele também pode ser utilizado para a fabricação de fertilizantes, visto que proporciona à planta maior resistência ao ataque de pragas, além de ser utilizado na alimentação animal em especial em frangos de corte.

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Fonte: O Presente Rural
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