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Eventos debatem mudanças climáticas nesta semana

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Com o tema “mudanças climáticas e sustentabilidade socioambiental e do agronegócio da Amazônia”, serão realizados entre os dias 2 e 6 de setembro, em Belém-PA, a 18ª edição do Congresso Brasileiro de Agrometeorologia e a sétima edição da Reunião Latino-Americana de Agrometeorologia. Na entrevista a seguir, Reinaldo Lúcio Gomide, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) e presidente da SBA (Sociedade Brasileira de Agrometeorologia), entidade promotora dos eventos, apresenta os principais desafios que a humanidade enfrentará em relação às mudanças climáticas, os impactos desse fenômeno em áreas vulneráveis, como a Amazônia e o Nordeste, e as projeções dos estudos que vêm sendo conduzidos por especialistas em todo o mundo.
Quais as novas linhas de pesquisa que o congresso poderá trazer para discussão?
A 18ª edição do Congresso Brasileiro de Agrometeorologia e a sétima edição da Reunião Latino-Americana de Agrometeorologia terão como tema central “Cenários de Mudanças Climáticas e a Sustentabilidade Socioambiental e do Agronegócio na Amazônia”, o qual reflete as atuais preocupações da comunidade técnico-científica em relação ao futuro do clima do planeta e suas implicações na produção agrícola, pecuária e florestal, representando uma oportunidade ímpar para reunir os melhores profissionais e especialistas brasileiros, latino-americanos e também de outros países para trocar experiências, atualizar, discutir e difundir conhecimentos sobre os principais avanços tecnológicos relacionados a esse tema. Os dois eventos estão sendo promovidos/organizados pela Sociedade Brasileira de Agrometeorologia– SBA, Universidade Federal do Pará, Universidade Federal Rural da Amazônia e Embrapa, por meio de suas Unidades Embrapa Amazônia Oriental e Embrapa Milho e Sorgo, juntamente com o Governo do Estado do Pará, principalmente as secretarias de Estado de Agricultura e de Meio Ambiente, tendo apoio também da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), além de vários outros patrocinadores. 
Serão contempladas as seguintes áreas do conhecimento relacionadas à agricultura, pecuária e florestas: agrometeorologia e recursos hídricos; mudanças climáticas; fontes de energia alternativas e bioenergia; indicadores de sustentabilidade na região e nos sistemas agrícolas, recursos hídricos, irrigação e drenagem, modelagem e sistema de suporte a tomada de decisão em agrometeorologia; instrumentação em agrometeorologia; zoneamento agrícola na região e no Brasil e seguro rural; geoprocessamento e sensoriamento remoto aplicados à agrometeorologia; e a agrometeorologia aplicada ao agronegócio da região da Amazônia e do Brasil. Dentre os temas que serão tratados e abordados em mesas redondas durante a realização dos eventos podem-se destacar: “Desafios do agronegócio na Amazônia, visando a sustentabilidade socioambiental”; “Avanços na modelagem agrometeorológica, em resposta aos cenários de mudanças climáticas”; “A prática da extensão na agrometeorologia”; “Risco Climático e a Agricultura Amazônica”; “Sensoriamento remoto aplicado à agricultura e à questões climáticas”, "Questão de indicadores de sustentabilidade para o setor agropecuário", além da realização de cinco Minicursos e a exposição de equipamentos e produtos relacionados aos trabalhos de agrometeorologia, agronomia, hidrologia, irrigação e drenagem, engenharia ambiental e bioenergia na Feira de Exposição de algumas empresas em seus respectivos estandes.
Como garantir o desenvolvimento da agropecuária na Amazônia aliado à preservação do meio ambiente?
Tudo indica que não há dúvidas em relação à região da Amazônia ser a maior reserva de biodiversidade da América Latina e do mundo, sendo mais sensível à questão das mudanças climáticas e constituindo-se em um dos maiores desafios socioeconômicos e científicos que a humanidade terá que enfrentar nesse século. A Amazônia engloba um bioma e ecossistemas que têm se mostrado muito menos robustos do que muitos imaginavam, onde já se observam evidências de alterações na temperatura e precipitação devido ao processo desordenado de ocupação e uso de solos, com desmatamento acelerado. Boa parte das mudanças climáticas que já estão ocorrendo são devido às atividades antropogênicas principalmente relacionadas às mudanças no uso e ocupação dos solos, derrubadas de florestas e utilização de agricultura e pecuária mais intensivas, o que vem a adicionar uma problemática ainda mais complexa à questão do sistema climático terrestre – a geração de alterações fundamentais nos ciclos biogeoquímicos e nos balanços de radiação e hidrológicos. Para garantir o desenvolvimento do agronegócio sem impactos negativos ao ambiente dessa região, há necessidade de acompanhar e monitorar de perto as atividades relacionadas aos diferentes sistemas de produção (agricultura, floresta e pecuária), no tempo e no espaço, ajustando e calibrando melhor os modelos climáticos com base nos diferentes cenários, desde os mais pessimistas até os otimistas, a fim de se ter uma melhor dimensão das implicações das mudanças climáticas. Isso é um desafio para várias instituições no Brasil e também de outros países.
Por fim, quais os últimos resultados de pesquisa relacionados às mudanças climáticas?
Desde a década de 1980, evidências científicas sobre a possibilidade de mudança do clima em nível mundial vêm despertando interesses crescentes no público e na comunidade científica em geral. Em 1988, a OMM (Organização Meteorológica Mundial) e o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) estabeleceram o Intergovernamental Panel on Climate Change [Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas] (IPCC), que ficou encarregado de apoiar com trabalhos científicos as avaliações do clima e os cenários de mudanças climáticas para o futuro. Sua missão é "avaliar a informação científica, técnica e socioeconômica relevante para entender os riscos induzidos pela mudança climática na população humana". O Quarto Relatório Científico do IPCC AR4 (Trenberth et al., 2007; Meehl et al., 2007) apresenta evidências de mudanças de clima que podem afetar significativamente o planeta, especialmente nos extremos climáticos, com maior rigor nos países menos desenvolvidos na região tropical. As principais conclusões desse relatório sugerem, com confiança acima de 90%, que o aquecimento global dos últimos cinquenta anos é causado principalmente pelas atividades humanas. 
O Brasil é vulnerável às mudanças climáticas atuais e mais ainda às que se projetam para o futuro, especialmente quanto aos extremos climáticos. As áreas mais vulneráveis compreendem a Amazônia e o Nordeste do Brasil, como mostrado em estudos recentes (Marengo, 2007; Ambrizzi et al., 2007; Marengo et al., 2007). O conhecimento sobre possíveis cenários climático-hidrológicos futuros e as suas incertezas pode ajudar a estimar demandas de água no futuro e também a definir políticas ambientais de uso e gerenciamento de água para os próximos anos. É muito importante a avaliação de conhecimentos envolvendo assuntos de mudanças de clima e os seus impactos na agricultura, envolvendo os cenários futuros, de forma que se possam avaliar os riscos climáticos, considerando tendências de longo prazo, de pelo menos os últimos cinquenta anos e, também, as projeções dos modelos climáticos até finais do século XXI.
A disponibilidade de água no Brasil depende em grande parte do clima. O ciclo anual das chuvas e de vazões no país varia entre bacias, e de fato a variabilidade interanual do clima, associada aos fenômenos de El Niño, La Niña, ou à variabilidade na temperatura da superfície do mar do Atlântico Tropical e Sul podem gerar anomalias climáticas, que produzem grandes secas, como em 1877, 1983 e 1998 no Nordeste, 2004-2006 no Sul do Brasil, 2001 no Centro-Oeste e Sudeste, e em 1926, 1983, 1998, 2005 e 2010 na Amazônia (Marengo & Silva Dias, 2006; Marengo, 2007). Adicionalmente, os riscos derivados das mudanças climáticas, sejam naturais, sejam de origem antropogênica, têm levantado grande preocupação entre os círculos científicos, políticos, na mídia e também na população em geral.
Regiões
Regionalmente, tem sido observado um aumento das chuvas no Sul e partes do Sul do Brasil, na bacia do Paraná-Prata, desde 1950, consistente com tendências similares em outros países do Sudeste da América do Sul. No Sudeste o total anual de precipitação parece não ter sofrido modificação perceptível nos últimos cinquenta anos. As projeções de mudança nos regimes e distribuição de chuva, derivadas dos modelos globais do IPCC AR4, para climas mais quentes no futuro não são conclusivas, e as incertezas ainda são grandes, pois dependem dos modelos e das regiões consideradas. Na Amazônia e no Nordeste, ainda que alguns modelos climáticos globais do IPCCC AR4 apresentem reduções drásticas de precipitações, outros modelos apresentam aumento. A média de todos os modelos, por sua vez, é indicativa de maior probabilidade de redução de chuva em regiões como o Leste e o Nordeste da Amazônia como consequência do aquecimento global. O IPCC AR4 (Meehl et al., 2007) mostra reduções de chuva no Norte e no Nordeste do Brasil durante os meses de inverno (junho, julho, agosto), o que pode comprometer a chuva na região Leste do Nordeste, que apresenta o pico da estação chuvosa nessa época do ano.
No Nordeste do Brasil, o maior problema seria o aumento da seca e da falta de água. A região poderá passar de zona semiárida a zona árida, e as consequências dessa mudança afetarão a alimentação, a sanidade e a saúde da população local. Mais de 70% das cidades do semiárido nordestino com população acima de cinco mil habitantes enfrentarão crise no abastecimento de água para o consumo humano até 2025, independentemente da mega obra de transposição do rio São Francisco, concluiu um estudo feito pela ANA (Agência Nacional de Águas). Problemas de abastecimento deverão atingir cerca de 41 milhões de habitantes da região do semiárido e do entorno, prevêem pesquisadores da agência ANA, que estimaram o crescimento da população e a demanda por água em cerca de 1.300 municípios dos nove Estados do Nordeste e do Norte de Minas Gerais.
Na região da Amazônia e outras do Norte do Brasil, a projeção do cenário do clima futuro para um cenário mais pessimista de altas emissões de gases de efeito estufa (GEE) (Cenário A2) é de que será de 3ºC a 6°C mais quente, com redução de 15% a 20% do volume de chuvas, atrasos na estação chuvosa e possíveis aumentos na frequência de extremos de chuva no oeste da Amazônia. Por outro lado, num cenário melhor de baixas emissões de GEE (Cenário B2) é projetado que será de 2ºC a 3°C mais quente, com redução de 5% a 15% nas chuvas. O impacto não é muito diferente daquele previsto pelo cenário A2. Em ambos cenários é previsto impactos na biodiversidade, risco da floresta ser substituída por outro tipo de vegetação (tipo cerrado). Baixos níveis dos rios amazônicos podendo afetar o transporte. Risco de incêndios florestais devido ao ar mais seco e quente. Impactos no transporte de umidade atmosférica para as regiões Sul e Sudeste, com consequências para a agricultura, pecuária e floresta e geração de energia hidroelétricas.
A Nasa, agência espacial americana, avaliou dados captados por satélite entre 2000 e 2009 sobre a Amazônia, incluindo medições da precipitação das chuvas tropicais, do teor de umidade e da cobertura florestal. Uma área da floresta amazônica com duas vezes o tamanho da Califórnia (+ de 800 mil Km²) continuou sofrendo os efeitos de uma grande seca que começou em 2005. Os resultados foram publicados na revista “PNAS", da Academia Nacional de Ciências dos EUA. A pesquisa sugere que a floresta tropical amazônica pode estar mostrando os primeiros sinais de degradação em larga escala devido à mudança climática. Resultados mostram danos generalizados à cobertura florestal, com a morte de galhos e quedas de árvores, especialmente as maiores e mais antigas, que são mais vulneráveis do que às demais por oferecem abrigo ao restante da vegetação.
A Floresta Amazônica desempenha importante papel no equilíbrio do sistema climático local, regional e mesmo global, com sua gama de serviços de ecossistema que servem de base para as atividades e o bem-estar das pessoas tanto em regiões próximas quanto distantes. Quaisquer mudanças em sua bacia – sejam elas mudanças climáticas, no uso e ocupação da terra ou uma combinação de ambas – podem trazer consequências significativas para o funcionamento dos sistemas naturais e a vida das pessoas que os utilizam. Entender que a Amazônia funciona como parte integrada de um sistema terrestre e os riscos de como isso pode mudar no futuro é pré-requisito para a criação de estratégias de desenvolvimento mais eficientes da região. As projeções são de elevação das temperaturas e diminuição das chuvas no decorrer deste século. Outros estudos mostraram que, além dessas mudanças, o risco de eventos extremos – como a seca e inundações – podem se tornar mais frequente no futuro. As perdas decorrentes das mudanças climáticas podem afetar o clima regional em virtude do papel da floresta na reciclagem das águas das chuvas dentro da bacia e além dela. Estudos sobre o ciclo hidrológico na Amazônia indicam que a floresta recicla em torno de 50% das precipitações pluviométricas e que, se o desmatamento for da ordem de 30%, ela será incapaz de gerar chuvas suficientes para se manter, gerando um círculo vicioso de “quanto mais perda de floresta, menos precipitações”.
Até 2050, metade das terras agrícolas poderá ser prejudicada, expondo milhões de pessoas à fome, afirmam os especialistas. De 60 milhões a 150 milhões de pessoas sofrerão com a falta de água (serão até 400 milhões em 2080). Os depósitos subterrâneos de água do Nordeste brasileiro poderão receber menos 70% de recarga. O semiárido nordestino caminharia para a desertificação numa posição mais pessimista.

Fonte: Embrapa Milho e Sorgo

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1ª Feira Aves Seara reúne integrados em Arapongas (PR) para capacitação, inovação e geração de negócios

Evento para produtores da companhia deve reunir cerca de 2 mil participantes e mais de 40 empresas expositoras no Golden Hall Eventos

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José Antônio Ribas Junior, diretor-executivo de Agropecuária da Seara - Foto e texto: Assessoria

A cidade de Arapongas, no Norte do Paraná, recebe, no dia 26 de junho, a primeira edição da Feira Aves Seara, iniciativa voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva avícola e ao desenvolvimento dos produtores integrados da companhia. O evento deve reunir cerca de 2 mil produtores de frangos de corte e matrizes vinculados às operações da Seara nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul.

Gratuita e exclusiva para produtores integrados, a feira será um espaço dedicado ao compartilhamento de conhecimento, atualização técnica e geração de oportunidades e negócios. A iniciativa reunirá especialistas, lideranças do setor e empresas parceiras que apresentarão soluções inovadoras para a atividade avícola. A programação começa às 8h30, no Golden Hall Eventos, localizado na PR-218, Km 5, saída para Astorga.

“Os produtores integrados são protagonistas do modelo de negócio da Seara e fundamentais para a qualidade e a competitividade dos nossos produtos. A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira”, afirma José Antônio Ribas Junior, diretor-executivo de Agropecuária da Seara.

O evento contará com painéis e debates com a participação de executivos da Seara e de importantes lideranças do setor avícola, entre eles Francisco Turra, conselheiro da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e Ricardo Santin, presidente da entidade setorial.

A programação também inclui uma área de exposição com mais de 40 empresas fornecedoras de equipamentos, tecnologias e soluções para a avicultura, além de companhias de referência nas áreas de nutrição animal, genética e bem-estar animal, apresentando inovações, tendências e oportunidades de negócios para os produtores.

A Feira Aves Seara integra a Plataforma SuperAgro, principal iniciativa de relacionamento da companhia com seus mais de 10 mil produtores integrados de aves e suínos em todo o Brasil. Criada há mais de 10 anos, a plataforma reúne ações de reconhecimento, acompanhamento de desempenho, capacitação técnica e gerencial, treinamentos e suporte, contribuindo para o fortalecimento da atividade no campo e para a evolução sustentável da cadeia produtiva.

Fonte: Assessoria
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O paradoxo da suinocultura em 2026

Produção cresce, exportações seguem em alta e os custos recuam, mas o aumento da oferta mantém as cotações pressionadas e amplia as perdas nas granjas.

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Os dados definitivos do IBGE para o primeiro trimestre de 2026 confirmaram o avanço da produção de carne suína no país. Embora o número de animais abatidos tenha sido mantido em relação à divulgação anterior, o instituto revisou para cima o peso das carcaças. Com isso, a produção totalizou volume 6,93% superior ao registrado nos três primeiros meses de 2025, o equivalente a 92,4 mil toneladas adicionais de carne.

Além do aumento de 5,49% no número de suínos abatidos, cerca de 794,5 mil cabeças a mais na comparação anual, os dados mostram crescimento do peso médio das carcaças. Em março de 2026, o indicador alcançou 93,54 quilos, acima dos 90,93 quilos observados em dezembro de 2025. O movimento sugere maior permanência dos animais nas granjas antes do envio para o abate.

A análise da evolução mensal reforça a consistência da expansão da atividade. A última retração no número de cabeças abatidas ocorreu em abril de 2025, enquanto a redução no volume produzido em toneladas foi registrada pela última vez em fevereiro do mesmo ano. Entre abril de 2025 e março de 2026, o abate cresceu, em média, 5,05% ao mês em número de animais e 6,5% em toneladas de carcaça na comparação com os mesmos meses do ano anterior, evidenciando um ciclo prolongado de aumento da produção.

Tabela 1: Abate de suínos no primeiro trimestre de 2026 x 2025, em cabeças e toneladas de carcaças e peso médio das carcaças. Destaque (em laranja) para os últimos meses em que houve redução da produção em cabeças e toneladas em relação ao mesmo mês do ano anterior. Destaque (em amarelo) para ao crescimento do primeiro trimestre de 2026 em relação ao primeiro trimestre de 2025. Elaborado por Iuri Machado, com dados do IBGE.

Parte deste aumento da produção (92,4 mil toneladas) do primeiro trimestre de 2026 foi destinada às exportações de carne suína in natura que cresceram 15,15% (+44,1 mil toneladas) no mesmo período. Ou seja, a disponibilidade interna aumentou 48,2 mil toneladas (4,63%) no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025 (Tabela 2).

Na mesma tabela, analisando cada mês, observa-se que março de 2026 foi o mês de maior incremento na disponibilidade interna, com 22,8 mil toneladas (6,6%), o que equivale a quase 1,3kg per capita ano a mais de consumo.

                       Tabela 2: Produção, exportação (in natura) e disponibilidade interna de carne suína no primeiro trimestre de 2026 x 2025, em toneladas,
e variação percentual de um ano para outro. Elaborado por Iuri Machado, com dados do IBGE e Secex.

Esta sobre oferta bastante significativa explica a queda consistente de preços no início do ano, porém as cotações continuaram caindo em abril e maio e na primeira quinzena de junho (Gráficos 1 e 2).

                          Gráfico 1: Indicador Suíno Vivo – Cepea/Esalq (R$/kg) em Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, mensal,                                nos últimos 6 meses (até dia 16/06/26 em destaque). Fonte: Cepea.
                      Gráfico 2: Indicador Carcaças Suína Especial – Cepea/Esalq (R$/kg) em São Paulo/SP, mensal, nos últimos 6 meses, até dia 16/06/2026.                            Fonte: Cepea.

O que explica, em grande parte, a continuidade da queda de preços no segundo trimestre/26 é a redução do ritmo de crescimento percentual das exportações de carne suína in natura em relação ao mesmo período do ano passado (Gráfico 3). Geralmente, por representar, em torno de 24% da destinação da produção, a exportação de carne suína in natura precisa crescer percentualmente em torno de quatro vezes mais que o crescimento da produção para manter a disponibilidade interna no mesmo patamar, ou seja, se, por exemplo, a produção em toneladas de carcaça crescer 6% as exportações precisam crescer 24% no mesmo período para que não haja sobreoferta no mercado doméstico.

Conforme o gráfico 3, a seguir, no acumulado do segundo trimestre de 2026, até os embarques de 12 de junho, as exportações de carne suína in natura só cresceram 5,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda não temos dados oficiais da produção neste segundo trimestre, mas mantido o ritmo do início do ano, dificilmente o crescimento em relação ao ano passado ficará abaixo de 5%, ou seja, certamente também fecharemos o segundo trimestre com um excedente significativo de carne suína ofertada no mercado doméstico.

                  Gráfico 3: Toneladas de carne suína in natura exportadas de janeiro a junho de 2026 (até dia 12/06/26) e percentual de variação em relação                       ao mesmo período do ano passado. Destaque (em amarelo) para o percentual de crescimento do 1º e do 2º trimestre (15,15% e 5,8%,                                         respectivamente). Elaborado por Iuri Machado, com dados da Secex.

Custo da atividade recua, mas prejuízo aumenta 

Com o início da colheita da segunda safra de milho, mesmo com expectativa de quebra considerável em estados como Goiás e Minas Gerais, as cotações do cereal continuam em queda (Gráfico 4). O farelo de soja se apresenta estável, com pequenas oscilações para baixo.

                Gráfico 4: Preço médio mensal do Milho (R$/SC 60kg) em Campinas (SP), nos últimos 60 dias úteis, até dia 16/06/2026. Fonte: Cepea.

Porém, com preço do suíno ainda em queda, a relação de troca com os mix de milho e farelo de soja continua desfavorável para o suinocultor (Gráfico 5), o que tem ocasionado prejuízo considerável e crescente ao suinocultor independente (Tabela 3).

 

Tabela 3: Custos totais (ciclo completo – suinocultura independente), preço de venda e lucro/prejuízo estimados, mensais, nos três estados do Sul (R$/kg suíno vivo vendido) de janeiro a maio/2026 e a média anual de 2024 e 2025. Destaque para os meses de abril e maio/2026 com os três estados apresentando prejuízo na atividade. Elaborado por Iuri Machado com dados: Embrapa (custos), Cepea (preço do suíno).

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, as quedas nas cotações do suíno parecem ter chegado ao seu pior momento nas últimas semanas, pois na entrada da segunda quinzena de junho, algumas praças demonstram estabilização e até reação dos preços pagos ao produtor. “Os dados definitivos de abate do IBGE referente ao primeiro trimestre, trazem a preocupação quanto ao crescimento significativo da produção, exigindo que haja um aumento também expressivo da demanda interna e externa para que determine um novo ciclo de alta nas cotações do suíno, permitindo tirar a atividade do vermelho”, ressaltou.

Fonte: Assessoria ABCS
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De importador de tecnologia a exportador de conhecimento: a nova fronteira da agricultura tropical brasileira

Com mais de quatro décadas dedicadas ao ensino e à pesquisa, Durval Dourado Neto explica como a ciência desenvolvida nos trópicos colocou o Brasil entre os protagonistas da segurança alimentar mundial.

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A liderança do Brasil na agricultura tropical não surgiu por acaso. Foi construída em laboratórios, salas de aula e campos experimentais, com a dedicação de pesquisadores que desenvolveram tecnologias capazes de adaptar cultivos às condições tropicais e ampliar a produtividade no país. Se hoje o Brasil é uma potência agrícola é graças ao investimento na ciência tropical.

Engenheiro agrônomo, mestre em Irrigação e Drenagem, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e PhD em Física do Solo e Modelagem em Agricultura, Durval Dourado Neto: “A inclusão digital permite ao agricultor criar negócios, ter maior segurança na propriedade e ampliar o acesso à educação” – Foto: Danilo Lysei CLB

Parte dessa história pode ser contata a partir da atuação do engenheiro agrônomo, mestre em Irrigação e Drenagem, doutor em Solos e Nutrição de Plantas e PhD em Física do Solo e Modelagem em Agricultura, Durval Dourado Neto. Com uma trajetória enraizada no ensino, pesquisa e extensão pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), de docente a diretor, o pesquisador é uma das principais referências do Brasil e do mundo na área de agronomia, agricultura digital e sustentabilidade. Ao longo de mais de quatro décadas, liderou iniciativas focadas em transformar conhecimento em inovação para a sociedade.

Atualmente, ele coordena o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC), sediado na Esalq/USP, que reúne projetos voltados para temas estratégicos do agro brasileiro, como irrigação, conectividade rural, segurança alimentar e conservação dos biomas.

Entre os trabalhos conduzidos pelo grupo está o estudo que serviu de base para o Plano Nacional de Irrigação, além de um diagnóstico sobre conectividade no campo que identificou a necessidade de infraestrutura de internet nos municípios brasileiros sob a ótica da agricultura digital.

Segundo Durval, o acesso à conectividade vai além da produtividade no campo. “A inclusão digital permite ao agricultor criar negócios, ter maior segurança na propriedade e ampliar o acesso à educação. São benefícios que extrapolam a produção agrícola”, afirma.

Criado em 2023, durante a gestão do então reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, o STAC foi concebido para aproximar universidade, setor público e iniciativa privada na busca de soluções para a segurança alimentar global.

O centro atua na elaboração de diagnósticos sobre a cadeia mundial de alimentos, na formulação de políticas públicas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento

Foto: Jonathan Campos

Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU e no desenvolvimento de projetos voltados à inovação, empreendedorismo e formação de lideranças. “Basicamente, o que a gente procura fazer é utilizar todo o conhecimento científico que nós temos para resolver problemas práticos com base nas demandas da sociedade”, resume Durval.

Brasil quer liderar a ciência dos trópicos

Historicamente, a produção científica agrícola esteve concentrada em países de clima temperado, no Hemisfério Norte. Para Durval, um dos desafios do Brasil é justamente reduzir essa dependência e fortalecer a produção de conhecimento voltada às condições tropicais.

Com sede própria inaugurada em janeiro de 2026, o STAC busca se consolidar como um centro internacional de referência em agricultura tropical sustentável.

Para o pesquisador, a estrutura vinculada à Universidade de São Paulo confere credibilidade científica às tecnologias desenvolvidas no país e fortalece o papel do Brasil na chamada diplomacia científica. “Deixamos de ser vistos apenas como um grande produtor agrícola para nos firmarmos como um dos principais provedores de conhecimento agroambiental do século XXI”, destaca.

Foto: José Fernando Ogura

Na avaliação do professor, a contribuição brasileira será cada vez mais relevante diante da crescente demanda global por alimentos. A expectativa é que o país responda por uma parcela significativa da segurança alimentar mundial nas próximas décadas.

Transformar conhecimento em riqueza

Ao explicar sua visão sobre o papel da ciência, Durval recorre frequentemente à teoria tridimensional do direito, baseada nos conceitos de fato, valor e norma.

Segundo ele, a realidade gera fatos; a sociedade atribui valor a esses fatos; e, a partir dessa interpretação, surgem as normas e decisões. “Nós estamos constantemente diante desses desafios de fato, valor e norma. O grande desafio está justamente no valor. Transformar conhecimento em riqueza é, na verdade, a nossa grande missão”, enfatiza.

Para o pesquisador, a agricultura tropical brasileira chegou ao atual patamar graças à capacidade de integrar ciência, inovação e aplicação prática. E é justamente essa combinação que, na sua visão, permitirá ao país ampliar sua contribuição para a produção sustentável de alimentos no mundo.

Fonte: O Presente Rural
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