Bovinos / Grãos / Máquinas VII RPCS
Evento debate alta produtividade e conservação do solo
Em formato on-line, VII Reunião Paranaense de Ciência do Solo contará com a presença de um time de profissionais qualificados para discutir o tema, nos dias 17 e 18 de novembro. Prazo para inscrições e submissão dos trabalhos foi prorrogado até 18 de outubro.

Com o tema “Alta produtividade aliada à conservação do solo”, a VII Reunião Paranaense de Ciência do Solo (RPCS) está com uma programação especial. O evento ocorrerá nos dias 17 e 18 de novembro próximo, em formato on-line, das 08h às 17h30. O prazo para inscrições e submissão dos trabalhos foi prorrogado até 18 de outubro.
A VII RPCS é um evento técnico-científico promovido pelo Núcleo Paranaense de Ciência do Solo vinculado à Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (NEPAR-SBCS) e organizado pelo Grupo de Solos da Universidade Estadual do Centro-Oeste – Unicentro-PR. O principal objetivo é discutir a interação das várias áreas da ciência do solo em busca de alta produtividade agrícola, aliada à conservação do solo e produção sustentável.
A programação será aberta pelo presidente do NEPAR-SBCS, Adriel Ferreira da Fonseca, e pelo presidente da Comissão Organizadora, professor Cristiano Potti. Durante os dois dias serão realizadas quatro mesas redondas, formadas por um time de profissionais especialistas no tema. Entre eles o pesquisador da Embrapa Florestas, Gustavo Ribas Curcio, que profere a palestra de abertura “Solos do Paraná: heranças e responsabilidades”.
A primeira mesa-redonda sobre “Manejo e Conservação do Solo” inicia às 10 horas com a participação de duas pesquisadoras. Graziela Barbosa, pesquisadora do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), antigo Iapar, vai falar sobre a “Rede de Agro Pesquisa do Paraná em Conservação do Solo: estado da arte”, e a professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Nerilde Favaretto, conduzirá a palestra “Manejo do Solo e Perdas de Nutrientes”. Após a explanação será aberto o debate. No período da tarde, a programação inicia às 13h30 com apresentação oral dos trabalhos de destaques – também haverá apresentação às 17 horas. No segundo dia as apresentações ocorrem das 08h às 08h30, das 13h30 às 14 horas e das 17h às 17h30. Ao todo serão 12 trabalhos selecionados pela Comissão Técnico-Científica.
Ainda no dia 17, a partir das 14 horas, terá início a segunda mesa-redonda com o tema “Fertilidade do Solo, Nutrição de Plantas e Agricultura de Precisão”. Entre os palestrantes estão o professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Eduardo Caires, que vai abordar o “Manejo da acidez no perfil do solo sob plantio direto”; o pesquisador da Embrapa Soja, César de Castro, que vai falar sobre “Adubação e nutrição para altas produtividades e sustentabilidade” e o pesquisador Fabrício Povh, da Fundação ABC, com a palestra “Fertilidade do solo e nutrição de plantas na agricultura de precisão”.
No segundo dia as apresentações dos trabalhos começam às 08 horas e, logo em seguida, às 08h30, inicia a mesa-redonda “Biologia do Solo” conduzida por três pesquisadores. George Brown, da Embrapa Florestas vai falar sobre “Fauna edáfica como indicadora da sustentabilidade”; o pesquisador do IDR-PR (antigo Iapar) Arnaldo Colozzi abordará a “Microbiologia como indicador de sustentabilidade” e Marco Nogueira, da Embrapa Soja, traz o tema “Bioinsumos para alavancar a produtividade com sustentabilidade”.
No período da tarde, a programação segue com o tema “Física do Solo”. Esse debate contará com a presença do professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Moacir Tuzzin de Moraes, que vai mostrar os “Desafios da física do solo para alta produtividade: o sistema radicular das culturas”.
E ainda para falar sobre a “Compactação e erosão do solo: desafios para o manejo conservacionista em sistemas intensivos de produção” também foi convidada a professora Karina Cavalieri Polizeli, da UFPR. A professora Rachel Guimarães, da UTFPR, finaliza com a palestra “Como métodos de avaliação visual podem auxiliar no manejo do solo”. O encerramento será às 17 horas.
O presidente da Comissão Organizadora, Cristiano Pott, destaca o alto nível dos palestrantes, assim como a pauta diversa, que mescla discussões sobre fertilidade e nutrição de plantas, do ponto de vista químico, físico e biológico. “Esse triângulo será o cerne da discussão do tema principal”, diz Pott.
Segundo ele, a conferência de abertura dará um panorama geral dos solos no Paraná, tanto do ponto de vista de produtividade quanto de suscetibilidade à erosão ou degradação. Destaca também o trabalho da Rede de Agro Pesquisa do Paraná, instituída pelo governo, na qual pesquisadores trabalham de forma interdisciplinar com foco na conservação do solo.
A RPCS já é considerada um dos eventos mais tradicionais que ocorrem no Estado sobre solo, reunindo pesquisadores, extensionistas, técnicos, representantes e empresários do setor agropecuário, além de acadêmicos da graduação e pós-graduação das áreas de Ciências Agrárias.
Eleição NEPAR
No primeiro dia do evento acontece a assembleia para a escolha da nova diretoria do Núcleo Estadual do Paraná de Ciência do Solo – Sociedade Brasileira da Ciência do Solo (NEPAR-SBCS) para o período de 01 de janeiro de 2022 a 31 de dezembro de 2023. Será das 18h às 19 horas. Participam somente associados do Nepar.

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Mercado internacional impulsiona investimento em cruzamento industrial na pecuária de corte
Genética, inseminação artificial e qualidade de carcaça fortalecem a competitividade da carne bovina brasileira.

A pecuária de corte mundial vive um período de mudanças, que pode ser favorável ao Brasil. Os Estados Unidos, historicamente um dos principais produtores de carne bovina no mundo, encontram-se, por diversos fatores, num momento de diminuição gradual de seu rebanho de gado de corte, que, em 2025, atingiu o menor patamar desde 1951, reduzindo assim sua disponibilidade de carne e oferta enquanto a demanda internacional por proteína animal bovina segue em crescimento. Ao mesmo tempo, o Brasil amplia sua participação no mercado internacional, avança na abertura de novos destinos para a carne bovina e se beneficia de um momento favorável do ciclo pecuário de corte.
A combinação desses fatores abre uma janela de oportunidades para a pecuária brasileira. Para aproveitá-la, é essencial produzir animais que atendam aos mercados que demandam carne com características específicas e remuneram o produto com maior valor.

Artigo escrito por Guilherme Gallerani, diretor de Marketing da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA) – Foto: Divulgação
Nesse ambiente favorável, o cruzamento industrial ganha cada vez mais relevância na pecuária de corte. De maneira resumida, a técnica consiste em cruzar animais de diferentes bases genéticas. Para a situação do Brasil, cruzam-se matrizes zebuínas, como o Nelore, que constituem a base do rebanho de corte nacional, com sêmen de touros de raças taurinas, frequentemente Angus, para aproveitar o chamado vigor híbrido. O resultado são animais mais precoces, com melhor desempenho produtivo e qualidade de carcaça, características cada vez mais valorizadas pela indústria e pelos consumidores do mundo todo.
A técnica do cruzamento industrial torna-se uma ferramenta de mercado indispensável para agregar valor à produção. Ao combinar a rusticidade e a adaptação do Nelore com os atributos de qualidade de carne das raças taurinas, o produtor consegue entregar animais mais padronizados, com melhor acabamento e maior marmoreio. Essas características permitem a produção de carne que atenda aos programas de qualidade de carne de determinadas marcas nacionais e ampliam as oportunidades de acesso a mercados mais exigentes, como países do Sudeste Asiático, que recentemente vêm se abrindo para o produto brasileiro e que valorizam o padrão superior de qualidade. Historicamente, esse segmento de mercados mundiais foi abastecido principalmente por países como Estados Unidos e Austrália, mas o Brasil reúne condições cada vez mais favoráveis para aumentar sua participação nesses mercados.
No processo de melhoria da qualidade da carne, a inseminação artificial desempenha papel fundamental. Além de ampliar o acesso à genética superior, a tecnologia possibilita utilizar reprodutores de alto mérito genético em diferentes regiões do país, sem as limitações que o uso de reprodutores taurinos poderia impor em sistemas de produção com a utilização de touros a campo, além de acelerar o avanço genético da base do rebanho Zebu através de touros provados pelos programas de melhoramento genético disponíveis. Assim, o cruzamento industrial torna-se uma alternativa segura, eficiente e economicamente viável para um número cada vez maior de pecuaristas, permitindo que a genética chegue a propriedades com diferentes sistemas de produção e de diferentes portes e regiões do país.
Essa tendência já aparece nos números. A comercialização de sêmen de raças taurinas cresceu cerca de 60% neste ano, refletindo o interesse crescente dos produtores por esta alternativa para o cruzamento com as matrizes zebuínas. O movimento acompanha um período favorável da pecuária de corte, com recuperação do ciclo pecuário, valorização dos animais de reposição e perspectivas positivas para o mercado da carne. No cenário de maior confiança, cresce também o investimento em genética como estratégia econômica para agregar valor ao rebanho.
Naturalmente, a técnica exige preparo e planejamento. Para que os animais expressem todo o seu potencial produtivo, é fundamental que recebam alimentação adequada, manejo sanitário eficiente e boa gestão do sistema de produção. Diferentemente do que ocorreu em experiências realizadas décadas atrás, como nos anos 1990, o cruzamento industrial conta, hoje, com genética mais avançada, melhor manejo e, principalmente, mercado disposto a remunerar bem animais com maior qualidade de carcaça.
A pecuária brasileira construiu sua liderança mundial investindo continuamente em tecnologia, nutrição, sanidade e melhoramento genético. Agora, diante de um mercado internacional em transformação e de um cenário favorável à produção de carne bovina, o cruzamento industrial desponta como uma das principais estratégias para fortalecer a competitividade do setor. Produzir mais continuará sendo importante, mas produzir animais com maior qualidade será decisivo para consolidar o protagonismo do Brasil no mercado global.
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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho
Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.
O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).
Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.
Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa
Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.
Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.
“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas
Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.
“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.
Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.
“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.



