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Eubióticos na produção de frangos de corte moderna, conceitos e estratégias de uso

Dentre os principais aditivos eubióticos podemos citar os probióticos, prebióticos, simbióticos (pro + pre), ácidos orgânicos e os fitogênicos.

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Foto: Shutterstock

Eubióticos são aditivos nutricionais que atuam essencialmente melhorando a utilização dos nutrientes e mantendo a saúde intestinal e, com isso, promovem a saúde, o bem-estar e a performance zootécnica das aves. Além disso, podem conferir uma maior inocuidade dos alimentos. São ferramentas bem estabelecidas no mercado mundial de produção animal, não geram resistência antimicrobiana (RAM) nem deixam resíduos na carne. Dentre os principais aditivos eubióticos podemos citar os probióticos, prebióticos, simbióticos (pro + pre), ácidos orgânicos e os fitogênicos.

Probióticos são aditivos à base de bactérias, leveduras ou fungos que alteram a microbiota intestinal promovendo um balanço entre as diferentes populações bacterianas benéficas que inibem o desenvolvimento de bactérias patogênicas. Em consequência disto, aumentam a integridade intestinal, modulam a imunidade o que se traduz em melhoria da performance zootécnica e contribuem para uma maior inocuidade dos produtos avícolas. Dentre os gêneros bacterianos mais utilizados como probióticos se destacam os Bacillus spp., Lactobacillus spp. e Enteroccoccus spp. Além disso, leveduras da espécie Saccharomyces cerevisae são utilizadas de maneira concentrada. O modo de ação de cada probiótico no trato gastrointestinal (TGI) depende do micro-organismo em questão.

Na fase inicial da vida da ave (0 a 7 d) há uma maior suscetibilidade à infecção por agentes patogênicos no intestino o que se deve em grande parte à imaturidade do sistema imune das aves. Assim, a utilização de probióticos é recomendada desde o primeiro dia de vida, preferencialmente no incubatório, a fim de limitar a colonização de MOs indesejáveis (ex. Salmonella spp.). Contudo, não é somente nos primeiros dias que os probióticos são recomendados pois inúmeros fatores podem alterar a população microbiana do intestino tais como os anti-nutricionais (ex. fitato), micotoxinas, desafios de coccidiose além de falhas de manejo e de biosseguridade. Portanto, recomenda-se o aporte contínuo dos probióticos via ração durante todo o ciclo produtivo em especial na fase inicial de vida da ave.

Na seleção de um aditivo probiótico, devemos considerar a viabilidade do (s) micro-organismo (s) – MO durante a estocagem, sua resistência aos processos de peletização da ração (temperatura 80 – 90 C) bem como a sua sobrevivência e atuação no TGI. Além disso, é necessário que seja compatível com anticoccidianos químicos e ionóforos tradicionalmente utilizados na avicultura.

Prebióticos são aditivos a base de oligossacarídeos tais como os MOS (mananoligossacarídeos), FOS (frutooligosacarídeos), GOS (galactooligossacarídeos) e beta-glucanos que possuem efeitos diversificados no seu hospedeiro. Estes açúcares são resistentes as enzimas digestivas das aves, no entanto, são  utilizados por populações bactérias benéficas do TGI. Desta maneira, favorecem a microbiota benéfica (lactobacilli e bifidobacteria), reduzem a população de bactérias patogênicas (E. coli e Campylobacter spp.), modulam o sistema imune, aumentam a digestibilidade, a absorção de minerais e vitaminas, mantêm o pH intestinal e maximizam a utilização dos nutrientes o que se reflete em aumento da performance produtiva dos frangos de corte.

Os MOS possuem sítios de ligação que se conectam a receptores fimbriais tipo 1 de Escherichia coli e Salmonella spp. o que elimina estas bactérias do TGI através do fluxo normal da digesta. Este fenômeno também implica em aumento da resposta imune humoral devido a uma maior apresentação de antígenos ao sistema imune. Já os beta-glucanos (1,3 e 1,6 ) ativam o sistema imune de maneira direta pois se ligam a receptores celulares (dectina-1) presentes nos enterócitos e fagócitos e a partir daí, desencadeiam uma série de reações inflamatórias com destaque para a ativação de produção de anticorpos (IgA) e muco, que são a primeira linha de defesa do intestino contra patógenos. Além disso, os beta-glucanos ativam fagócitos, natural killers, linfócitos B e T, bem como aumentam a produção de citoquinas e a atividade fagocítica dos macrófagos.

De modo similar aos probióticos, o uso de prebióticos é indicado em especial nas fases iniciais de vida da ave e em condições de alto stress e pressão de infecção (ex. alta densidade).

De uma maneira geral, o processamento enzimático (associado a temperatura, tempo e pH ideais)  reflete em prebióticos de maior eficiência do que os fracionados de forma mecânica ou química pois permite maior adesão do patógeno ao MOS devido à maior exposição física da sua molécula. Portanto, o processamento é um fator relevante na qualidade do aditivo mais do que a sua concentração em si.

De maneira inovadora, simbióticos (combinação de pro e prebióticos) tem sido desenvolvidos como ferramentas auxiliares na prevenção de Salmonella spp. em aves.

Ácidos orgânicos (AOs) são compostos por ácidos de cadeia curta (um a sete carbonos) com propriedades antimicrobianas que se relacionam com a redução do pH do trato gastrointestinal (TGI) e a sua capacidade de dissociar suas carboxilas (valor de pKa). Quando utilizados em aves, podem ter um efeito direto na população de bactérias do TGI, reduzindo as patogênicas e controlando, principalmente, espécies que competem com as aves por nutrientes o que resulta em melhora do desempenho produtivo dos animais.

AOs na forma não dissociada penetram na parede celular das bactérias e interrompem a fisiologia normal de certos tipos de bactérias “pH- sensíveis”, que não toleram um amplo gradiente de pH interno e externo.  Assim, os AOs são mais efetivos contra espécies de bactérias que são “ácido-intolerantes” como E. coli, Salmonella spp. e Campylobacter spp., o que resulta em menor competição por nutrientes com o hospedeiro, redução de metabólitos depressores de desempenho e aumento da digestibilidade.

A sua utilização é recomendada durante todo o ciclo  produtivo, porém, as fases iniciais de vida (0-21 d) e a última semana antes do abate são mais estratégicas. Na primeira, alguns AOs (ex. ácido benzoico) previnem a contaminação por Salmonella spp. e aumentam a digestibilidade pelo estímulo da atividade das enzimas digestivas (pepsina), o que favorece o desempenho zootécnico (ganho de peso e conversão alimentar) nesta fase. Por outro lado, o seu uso na fase de retirada pode contribuir para uma redução da carga microbiana da ave que é carreada para o frigorífico, o que implica em maior segurança alimentar.

Fitogênicos são aditivos compostos por óleos essenciais (OEs) e/ou extratos vegetais (EVs) que apresentam efeito antimicrobiano (bactérias, vírus e fungos), antioxidante, anti-inflamatório e digestivo pelo estímulo à produção de enzimas digestivas (ex. amilase). Os OEs constituem-se em complexas misturas de substâncias voláteis, geralmente lipofílicas, cujos componentes incluem terpenos, álcoois simples, aldeídos, cetonas, fenóis, ésteres, ácidos orgânicos fixos etc. Quando utilizados em rações, melhoram o desempenho animal, mas não apresentam efeito medicamentoso, quer seja pelo princípio ativo ou por sua dosificação.

O uso de fitogênicos em frangos de corte pode ser empregado durante todo o ciclo produtivo, entretanto, levando-se em conta a limitada produção de enzimas endógenas (ex. amilase) na fase inicial (0-21 d) bem como um maior prevalência de enterite necrótica (C. perfringens) neste período, torna-se estratégica a sua utilização.

A estabilidade dos aditivos fitogênicos é ponto crucial na qualidade do produto, para tanto aplicam-se métodos de micro encapsulamento que reduzem a volatilidade do produto “tal qual” como também protegem contra alta temperatura e pressão durante a peletização da ração. Recentemente, tecnologias de liberação gradual no TGI têm aumentado a eficiência dos OEs potencializando o seus efeitos nas aves.

O uso combinado de eubióticos deve levar em conta o modo de ação principal dos aditivos selecionados afim de evitar sobreposição (ex. probiótico + probiótico). Além disso, deve-se considerar a compatibilidade entre os aditivos bem como possíveis sinergias.

Em um estudo com desafio de Eimeria spp. e C. perfringens em frangos de corte (0-28 d), a combinação de prebiótico (MOS + beta-glucanos) e óleos essenciais (timol + carvacrol) resultou numa performance zootécnica (ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e mortalidade) igual a associação de narasina e nicarbazina.

A partir das recentes restrições ao uso de AMDs a nível mundial, a oferta de eubióticos foi ampliada de maneira expressiva. No entanto, é necessário que haja critérios de seleção destes aditivos bem como definição de uma estratégia de utilização a fim de extrair a máxima eficiência dos mesmos sem onerar os custos à produção avícola. Atualmente, estes aditivos são utilizados com segurança nas grandes integrações avícolas por apresentam benefícios produtivos consistentes baseados em dados científicos e por contribuírem para a produção sustentável de alimentos.

Fonte: Por Dino Garcez, consultor avícola da DGbioss.

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O Brasil da insegurança jurídica

Invasões, seja por demarcações injustas ou por atos de grupos como o MST, desencadeiam um efeito dominó de consequências prejudiciais.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Enfrentamos um momento crucial em que a segurança jurídica no meio rural tornou-se vital para a sustentabilidade de nosso país. O risco iminente de demarcações indevidas de terras produtivas e invasões, promovidas por diferentes frentes, ameaça não apenas os produtores rurais, mas reverbera negativamente em toda a sociedade.

Ao permitir demarcações em áreas que têm sido fonte de sustento para gerações de agricultores, corremos o sério risco de desmantelar não apenas propriedades, mas o cerne da produção de alimentos que sustenta nossa nação. A história e os esforços incansáveis dos produtores, que adquiriram legalmente essas terras, estão em perigo.

Invasões, seja por demarcações injustas ou por atos de grupos como o MST, desencadeiam um efeito dominó de consequências prejudiciais. Afetam a produção agrícola, ameaçam o abastecimento de alimentos e geram instabilidade econômica em um momento em que precisamos mais do que nunca de segurança e tranquilidade.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na suinocultura acesse a versão digital de Suínos clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Editor-chefe do Jornal O Presente Rural, jornalista Giuliano De Luca
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Agricultura digital promove uma revolução tecnológica nos campos

Com o avanço contínuo da tecnologia e a crescente conscientização sobre a importância da sustentabilidade, é apenas uma questão de tempo antes que a agricultura digital se torne a norma em todo o mundo.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Agricultura digital, também conhecida como agri-tech ou agtech, tem emergido como uma revolução nos campos agrícolas, impulsionada pela aplicação de tecnologia e ferramentas digitais. Este avanço abrange uma ampla gama de tecnologias, desde automação até biotecnologia, monitoramento de informações e análise de dados. A crescente demanda por alimentos e a ameaça das mudanças climáticas têm impulsionado a adoção dessas tecnologias nos últimos anos, e os resultados são notáveis.

De acordo com o relatório “Feeding the Economy” de 2023, a agricultura digital está transformando as indústrias agrícola e de cultivo nos Estados Unidos. Os números são impressionantes: mais de 8,6 bilhões de dólares em atividade econômica, o que representa quase 20% do total do país, e o apoio direto a quase 23 milhões de empregos. Esses dados refletem não apenas um avanço econômico, mas também uma mudança fundamental na forma como a agricultura é conduzida.

Uma das grandes vantagens da agricultura digital é sua capacidade de melhorar a eficiência e aumentar a produtividade. Tecnologias como monitoramento de precisão, automação de equipamentos e estufas inteligentes estão possibilitando aos agricultores otimizar seus processos de produção. Imagens de satélite e drones, juntamente com sensores IoT, permitem o monitoramento preciso da saúde das culturas e das condições do solo, contribuindo para uma gestão mais eficiente dos recursos hídricos e uma melhor previsão de padrões climáticos. Além disso, a automatização de equipamentos, como tratores autônomos e robôs agrícolas, reduz a dependência de mão de obra humana e aumenta a eficiência operacional.

A sustentabilidade também é um aspecto crucial da agricultura digital. Práticas agrícolas de precisão possibilitadas por essas tecnologias permitem aos agricultores implementar métodos sustentáveis que reduzem suas pegadas de carbono, enquanto aumentam os lucros. Com uma população global prevista para chegar a quase 10 bilhões até 2050, de acordo com as Perspectivas da População Mundial de 2022 da ONU, a agricultura digital se torna não apenas uma opção viável, mas uma necessidade urgente para atender às crescentes demandas alimentares.

Além dos benefícios econômicos e ambientais, a agricultura digital também promove uma maior transparência e conscientização na cadeia de suprimentos alimentar. A gestão eficiente da cadeia de suprimentos, com tecnologias como blockchain e análise de big data, permite uma rastreabilidade eficaz dos alimentos, garantindo a origem e a qualidade dos produtos alimentícios desde a fazenda até o consumidor final.

No entanto, apesar de todos esses benefícios, a agricultura digital enfrenta desafios significativos. Os altos custos iniciais e de manutenção, a vulnerabilidade a ataques cibernéticos e a falta de padronização são apenas alguns dos obstáculos que os agricultores enfrentam ao adotar essas tecnologias. Superar esses desafios é essencial para aproveitar todo o potencial da agricultura digital e garantir um futuro sustentável para a produção de alimentos.

Com o avanço contínuo da tecnologia e a crescente conscientização sobre a importância da sustentabilidade, é apenas uma questão de tempo antes que a agricultura digital se torne a norma em todo o mundo. Os agricultores que abraçarem essas tecnologias estarão à frente de uma nova era na produção de alimentos, impulsionando a inovação e garantindo um futuro próspero para a agricultura.

Fonte: Por Ricardo Martins, especialista em comunicação e tecnologia
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Déficit na balança comercial de produtos da piscicultura alcança US$ 914 milhões em 2023

Maior déficit foi registrado no 4º trimestre, totalizando US$ 678 milhões negativos.

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Foto: Rodrigo Félix Leal

Em 2023, o déficit da balança comercial de produtos da piscicultura atingiu US$ 914 milhões. O maior déficit foi registrado no 4º trimestre, totalizando US$ 678 milhões negativos.

Destaque para o aumento das importações de salmão, que cresceram 4% em valor e 14% em peso, consolidando a espécie como o principal peixe de cultivo importado pelo Brasil no ano passado, alcançando US$ 837 milhões, equivalendo a 89% do total.

O pangasius se manteve na segunda posição, com US$ 97 milhões, seguido por curimatás, com US$ 1,7 milhões, e trutas, com US$ 1,1 milhões.

Por sua vez, a importação de 25 toneladas de tilápia, totalizando US$ 118 mil, na forma de filé congelado, proveniente do Vietnã e destinado ao Estado de São Paulo, fez com que a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) questionasse os ministérios da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Agricultura e Pecuária (Mapa) sobre os  riscos sanitários associados ao produto, levando a suspensão, no início de 2024, das importações de tilápia do Vietnã.

Fonte: Com assessoria Peixe BR
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