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Estudo analisa vulnerabilidade de solos e aquíferos de Minas Gerais
Realizado em escala regional, o mapeamento sinalizou as áreas mais suscetíveis à lixiviação de poluentes nos solos e o potencial de chegada às águas subterrâneas
Com o intuito de subsidiar o planejamento de uso e ocupação dos solos do Estado de Minas Gerais para diversas atividades econômicas, até mesmo para a produção agrícola, pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal de Viçosa (UFV) atualizaram mapas de vulnerabilidade de solos e aquíferos à contaminação por metais pesados, tais como chumbo, cromo e manganês. Realizado em escala regional, o mapeamento sinalizou as áreas mais suscetíveis à lixiviação de poluentes nos solos e o potencial de chegada às águas subterrâneas.
O engenheiro ambiental Carlos Eduardo Pacheco, da Embrapa Hortaliças (DF), que participou do estudo, frisa que o trabalho foi totalmente realizado antes do acidente ocorrido no dia 5 novembro de 2015 no Município de Mariana e, portanto, não aborda os impactos dessa ocorrência.
O estudo identificou que áreas mais suscetíveis à contaminação, geralmente, estão próximas a cursos d'água superficiais. Regionalmente, maior vulnerabilidade foi apresentada no norte e nordeste do estado, assim como na análise relativa ao solo, e em parte do Vale do Jequitinhonha. O pesquisador alerta para o fato de que, embora essas regiões sejam mais vulneráveis, elas não são problemáticas em termos de ocupação do solo. Diferentemente, no Triângulo Mineiro, cuja vulnerabilidade não é comprometedora, mas onde a ocupação é maior, há necessidade de se realizar um monitoramento para evitar possíveis riscos ambientais.
"Quando se fala em vulnerabilidade, consideramos uma condição natural. Com relação ao risco, acrescenta-se também uma condição antropogênica, causada pela presença humana. Por essa razão, é preciso ponderar não somente as características inerentes ao meio ambiente, como também as atividades econômicas conduzidas na área", detalha o engenheiro ambiental para quem os resultados obtidos podem subsidiar mapeamentos em escalas locais.
Os metais pesados podem ser aportados aos solos em decorrência de diversas atividades econômicas, tais como mineração e agropecuária. Na agricultura, a disponibilização de contaminantes ocorre, principalmente, em razão do aporte de insumos químicos diversos, nos quais os metais podem estar presentes em pequenas quantidades como contaminantes ou, em alguns casos, como princípio ativo. Essa disponibilização também pode ocorrer em razão do uso de águas contaminadas para irrigação, reaproveitamento de resíduos orgânicos, também contaminados, dentre outros.
"Um exemplo é a ocorrência de liberação de metais pesados em áreas agrícolas após certo período de abandono. Isso porque as áreas produtoras utilizam calcário para corrigir o pH do solo que, quanto mais elevado (básico), contribui para a retenção dos metais pesados. Quando inutilizam determinada lavoura e param de adicionar calcário, o pH fica mais baixo (ácido) e, com isso, os contaminantes presentes no solo podem se tornar móveis a ponto de lixiviar e atingir os lençóis freáticos", explica Pacheco.
Além do pH, o estudo da vulnerabilidade dos solos considerou variáveis como profundidade, teor de matéria orgânica, teor de óxido de ferro (hematita), entre outras, a partir de dados disponíveis na literatura científica. Os resultados apontam que a maior parte dos solos do estado apresenta vulnerabilidade moderada. Contudo, há áreas com alta vulnerabilidade concentradas na região norte e noroeste, que possuem solos mais arenosos e, por isso, mais sujeitos à lixiviação.
"A vulnerabilidade não significa risco ambiental, mas é um indicativo de que a instalação de atividades com potencial para disponibilizar metais pesados deve ser realizada após estudos de avaliação de impacto ambiental", esclarece o pesquisador ao comentar que, com base nos resultados, há como definir as áreas mais aptas, em termos ambientais, aos diversos usos econômicos, entre eles o uso agrícola.
Mapeamento dos aquíferos
Para definir em quais áreas o planejamento de uso e ocupação deve ser prioritário, além dos solos, recomenda-se considerar a vulnerabilidade dos aquíferos para que também sejam limitados os aportes de poluentes nas regiões com águas subterrâneas mais suscetíveis à contaminação por metais pesados. Por isso, a partir do mapa de vulnerabilidade dos solos de Minas Gerais, foram considerados outros fatores como profundidade da água, topografia, condutividade hidráulica, permeabilidade dos solos e precipitação para estabelecer um mapa específico para a vulnerabilidade dos aquíferos.
Mais de 60% das áreas apresentam vulnerabilidade baixa ou moderada, principalmente aquelas com aquíferos profundos e com solos capazes de reter os contaminantes. No geral, áreas com solos argilosos e com maiores teores de óxidos são menos propensas à contaminação das águas subterrâneas como, por exemplo, a região centro-sul do estado e a Zona da Mata.
Na categoria intermediária, enquadram-se as regiões do Alto Paranaíba, do Triângulo Mineiro e outras localidades pontuais do estado. "No Triângulo, por exemplo, há o predomínio de solos de textura média e, embora o comportamento físico se aproxime dos solos arenosos, com tendência à lixiviação, há considerável porção de argila no solo e, além disso, a composição química com elevada concentração de hematita favorece a retenção dos metais pesados", elucida Pacheco.
Sobre a interferência da ação humana, em linhas gerais, o raciocínio que deve predominar em relação aos aquíferos é que as águas de uma área com alta vulnerabilidade que não recebem aporte de poluentes podem apresentar melhor qualidade que as águas de uma região de baixa vulnerabilidade, mas que recebem contaminantes. "Contudo, qualidade é um atributo muito mais abrangente que envolve fatores químicos e microbiológicos. Portanto, essa análise deve ser considerada somente para a contaminação por metais pesados", adverte o pesquisador.
Alterações ambientais podem desencadear contaminações
Óxidos de ferro, ou hematita, são muito comuns em solos drenados e sem acúmulo de água. Nas regiões tropicais, a cor avermelhada dos solos é um indicativo da presença dessa substância. A grande vantagem da hematita é a capacidade de promover a adesão de elementos químicos, como os metais pesados, na sua superfície. Do ponto de vista ambiental, esse processo é muito importante porque evita que, em áreas com grande aporte de metais, ocorra facilmente a contaminação de um lençol freático.
Nesse sentido, os solos com altos teores de hematita asseguram a baixa mobilidade dos metais pesados. Porém, algumas alterações ambientais podem ocasionar a liberação repentina de compostos ou elementos químicos antes imóveis no solo. No começo da década de 1990, esse processo ficou conhecido como bomba-relógio química ou, no inglês, chemical time bomb.
De acordo com Pacheco, há uma série de alterações climáticas que podem desencadear a liberação das substâncias como o aquecimento ou a concentração de chuvas intensas em períodos reduzidos de tempo. Áreas alagadas, por exemplo, não permitem a entrada do oxigênio e, assim, interferem no potencial de oxidação do solo e facilitam a percolação, ou lixiviação, de metais pesados.
Basicamente, no caso de inundações intensas e duradouras, os óxidos de ferro presentes no solo sofrem modificações e perdem a capacidade de agrupar os metais pesados e mantê-los aderidos em sua molécula. Com isso, os metais ganham mobilidade no solo, podendo migrar para outros compartimentos ambientais, como os aquíferos.
"Outra consequência das chuvas intensas é o aumento do processo de erosão, que carrega partículas de solo para outros locais", exemplifica o pesquisador ao acrescentar: "quando o solo chega por erosão nos corpos d'água ou leito de rio, espera-se que o processo seja similar ao alagamento, com os metais pesados dissociando-se das moléculas de hematita".
Soluções tecnológicas com foco no planejamento ambiental
A atualização dos mapas de vulnerabilidade de solos e aquíferos de Minas Gerais à contaminação por metais pesados, realizada pela Embrapa Hortaliças em parceria com a Universidade Federal de Viçosa, com a liderança do professor Maurício Paulo Fontes, pretende subsidiar a proposição e a adoção de soluções tecnológicas aliadas ao planejamento socioeconômico e ambiental do estado.
"Em última instância, mesmo que seja necessário ocupar uma área vulnerável, é possível utilizar técnicas para evitar a percolação do metal e a contaminação", sublinha Pacheco, ao ressaltar que a situação ideal é desconsiderar áreas vulneráveis para determinados fins como atividades industriais que são muito impactantes.
Em relação à produção agrícola, cultivos intensivos a longo prazo, principalmente de hortaliças, que são muito exigentes em fertilizantes, podem apresentar riscos de contaminação. Por isso, ao planejar a implantação de um polo olerícola, deve-se ponderar aspectos climáticos, tipos de solo, mas também os riscos que altos aportes de insumos químicos podem ocasionar para a região.
Fonte: Assessoria

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Após investir R$ 650 milhões, Porto de Paranaguá cobra avanço das ferrovias para evitar perda de competitividade
Presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, afirma que terminal está preparado para crescer, mas alerta que infraestrutura terrestre ainda limita a eficiência logística.

O modelo de gestão adotado pelo Porto de Paranaguá e os desafios da logística do agronegócio estiveram no centro dos debates do lançamento do Movimento Agroportos, realizado na quinta-feira (25), em Curitiba. Durante o evento, o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, apresentou medidas implementadas nos últimos anos para ampliar a eficiência operacional do terminal e defendeu investimentos em infraestrutura como caminho para reduzir o chamado “Custo Brasil”.

Diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia: “Somos o único porto do país com 100% das áreas arrendáveis regularizadas. Fizemos a concessão do canal de acesso e estamos prestes a entregar a maior obra de infraestrutura do setor portuário do Brasil, que é o Moegão” – Foto: Claudio Neves/GCOM Portos do Paraná
Garcia, que também preside a Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph), participou do painel “Regulação, Segurança Jurídica e Eficiência Portuária nos Portos do Sul”, mediado pelo diretor-presidente do IBI, Mário Povia. Ele expôs medidas exitosas adotadas nos portos paranaenses ao longo dos últimos anos, que podem servir de exemplo para outros portos em todo o Brasil. O Porto de Paranaguá é o primeiro do país a ter 100% de suas áreas portuárias arrendadas, garantindo segurança jurídica aos operadores. “Com nossas concessões, somos o único porto do país com 100% das áreas arrendáveis regularizadas. Fizemos a concessão do canal de acesso e estamos prestes a entregar a maior obra de infraestrutura do setor portuário do Brasil, que é o Moegão. São mais de R$ 650 milhões em investimentos, em uma obra que está 95% concluída”, disse Garcia.
As regularizações das áreas arrendáveis promovidas pela Portos do Paraná a partir de 2019 trazem justamente a segurança jurídica discutida no painel. A partir de leilões públicos realizados na Bolsa de Valores do Brasil (B3), as empresas têm a garantia de que poderão investir, pois estão resguardadas por contratos robustos que protegem tanto o arrendante quanto a arrendatária.
Preparado
Ao mencionar a sustentabilidade, Luiz Fernando lembrou que o Porto de Paranaguá se tornou o primeiro porto público brasileiro a conquistar o selo internacional EcoPorts, a mais importante certificação mundial que reconhece as boas práticas de gestão ambiental portuária.
Com as obras mencionadas, o diretor-presidente assegura que o Porto de Paranaguá estará preparado para esse aumento de capacidade e produção no futuro. “O

Diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia: “As empresas precisam ter vantagem comercial e operacional. A partir do momento em que isso deixar de existir, elas vão para outros portos” – Foto: Claudio Neves/GCOM Portos do Paraná
Paraná fez as concessões rodoviárias e R$ 90 bilhões serão aplicados nos contratos vigentes. E o vencimento da concessão da Malha Sul, em 2027, é a oportunidade que temos para discutir com o setor ferroviário, importantíssimo para que o Moegão funcione com sua capacidade plena”, completou.
Indagado sobre os problemas observados para uma discussão mais ampla por parte do Movimento Agroportos, Garcia destacou o custo logístico das cargas até o porto. Para ele, é preciso enfrentar essas deficiências para ganhar mais eficiência. “As empresas precisam ter vantagem comercial e operacional. A partir do momento em que isso deixar de existir, elas vão para outros portos”, disse.
Alex Sandro de Ávila, secretário nacional de Portos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e presidente do Conselho de Administração da Portos do Paraná (Consad), também foi um dos painelistas. Ele ressaltou a gestão da Portos do Paraná, destacando a requalificação de áreas e os leilões, que geraram maior capacidade de investimento no Porto de Paranaguá. “A Região Sul ainda tem protagonismo no escoamento de cereais, até porque conta com portos extremamente preparados e especializados para essa atividade. Então, buscamos uma sinergia e harmonização, que já deram muito certo aqui no Sul e servem de bom exemplo para desenvolvermos projetos de crescimento nas regiões Norte e Nordeste do país”, disse Ávila.
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Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível
Publicação reúne reportagens exclusivas sobre o papel das cooperativas no agronegócio e destaca como a escassez de mão de obra e a contratação de imigrantes estão transformando o mercado de trabalho no setor.

A nova Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível gratuitamente em versão digital no site. Publicada todos os anos próxima ao Dia Internacional das Cooperativas, celebrado em 04 de julho, a edição reúne reportagens, análises e conteúdos especiais sobre a força econômica, social e produtiva do cooperativismo no agronegócio brasileiro.
Nesta edição, a reportagem especial aborda um dos temas mais relevantes para o futuro das cooperativas agroindustriais: a geração de empregos, a escassez de mão de obra e a presença crescente de trabalhadores estrangeiros nas operações. O conteúdo mostra como imigrantes de diferentes nacionalidades passaram a ocupar funções decisivas em agroindústrias, supermercados, unidades operacionais e estruturas produtivas de cooperativas do Sul do país.
A reportagem apresenta casos de cooperativas em que estrangeiros já representam parcela expressiva da força de trabalho. Em algumas unidades, eles chegam a formar a maioria dos colaboradores. Mais do que um dado demográfico, esse movimento revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho do agronegócio, com reflexos diretos sobre produção, escalas, expansão industrial, automação, qualificação, moradia, integração cultural e desenvolvimento regional.
Além da reportagem especial, a edição traz conteúdos sobre o impacto do cooperativismo na economia, na geração de renda, na organização das cadeias produtivas, atuando como agentes de desenvolvimento nas comunidades onde estão.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
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Quando o clima ajuda a conter a alta dos grãos
Análise da Consultoria Agro do Itaú BBA indica que o El Niño tende a redistribuir a produção entre regiões e reduzir a volatilidade dos preços, ao contrário da La Niña, que concentra perdas e pressiona o mercado global.

O impacto dos fenômenos climáticos El Niño e La Niña sobre o mercado global de soja e milho não segue um padrão simples de alta ou baixa de preços. De acordo com análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, os efeitos são assimétricos, dependem da distribuição geográfica das chuvas e, sobretudo, da intensidade de cada evento.

Foto: Divulgação
No caso do fenômeno El Niño, o efeito global tende a ser mais de redistribuição do risco do que de perda generalizada de produção. Enquanto algumas regiões enfrentam restrições climáticas, como partes da Ásia e da África, grandes produtores como Estados Unidos, Brasil e Argentina podem registrar condições mais favoráveis.
Segundo a análise, esse “balanceamento geográfico” faz com que a produção global de soja, em muitos episódios, apresente até ganhos médios de 2% a 5%. No milho, o comportamento é mais neutro a levemente negativo, com perdas estimadas em até cerca de 4%, concentradas em áreas tropicais.
Esse desenho ajuda a explicar por que eventos de El Niño, especialmente os moderados, podem resultar em menor volatilidade nos preços internacionais de grãos. Com a oferta global relativamente preservada, o mercado tende a operar com estoques mais confortáveis, o que reduz a intensidade de movimentos altistas.
Em eventos mais fortes, como os registrados em 1997/98 e 2015/16, não houve, segundo a consultoria, rupturas relevantes no balanço global de oferta e demanda de soja e milho, e as cotações internacionais exibiram comportamento menos volátil do que em anos neutros ou sob influência de La Niña.
O quadro muda de forma mais consistente sob influência da La Niña. Nesse cenário, o padrão climático tende a ser mais sincronizado entre grandes regiões

Foto: Divulgação
produtoras, ampliando a probabilidade de perdas simultâneas de produtividade.
A América do Sul, responsável por cerca de 65% das exportações globais de soja e fatia relevante do milho, aparece como uma das áreas mais vulneráveis a períodos prolongados de estiagem associados ao fenômeno. Episódios recentes de La Niña entre 2020 e 2022 coincidiram com secas severas no Sul da África e perdas expressivas no Cone Sul, contribuindo para forte alta nos preços internacionais em 2021 e 2022.
Nesse período, o milho chegou a superar US$ 6,50 por bushel em Chicago, enquanto a soja atingiu US$ 17 por bushel, refletindo um aperto global de oferta.
Para a Consultoria Agro do Itaú BBA, essa mudança também reflete uma transformação estrutural no mercado global de grãos. Com o aumento da participação do Hemisfério Sul no comércio internacional, choques climáticos negativos passaram a ter impacto mais direto sobre a formação de preços, especialmente em anos de La Niña.
Nesse contexto, enquanto o El Niño atua mais como um fator de redistribuição regional de produção, a La Niña segue associada a maior risco de desequilíbrio global entre oferta e demanda, com efeitos mais intensos sobre as cotações de soja e milho.
