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Bovinos / Grãos / Máquinas

Especialistas abordam impacto das micotoxinas e colostragem de bezerras

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Foto: Giuliano De Luca/OP Rural

O médico-veterinário Carlos Augusto Mallmann apresentou os impactos das micotoxinas na produção de leite, durante o 12º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL). As micotoxinas são metabólitos secundários sintetizados por fungos, tóxicos para animais e seres humanos. Na cadeia produtiva do leite, podem acometer o sistema de defesa dos animais, bem como outros sistemas, causando perdas econômicas consideráveis para o produtor.

O palestrante trouxe ponderações sobre a ocorrência das micotoxinas, seus efeitos na cadeia de produção de leite e medidas mitigadoras. De acordo com Mallmann, o Brasil é pioneiro em reconhecer o problema e buscar soluções para as micotoxinas, com estudos e uma legislação avançada sobre o assunto. Ainda assim, há vários desafios no controle.

Algumas das principais micotoxinas são aflatoxinas (AFs), fumonisinas (FBs), ocratoxinas (OTs), desoxinivalenol (DON), zearalenona (ZEN) e a Toxina T-2. Já entre os métodos mais utilizados para detectar essas substâncias, o pesquisador citou técnicas como a Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC) e o ensaio de imunoabsorção enzimática (Elisa). “Geralmente o diagnóstico é feito quando o prejuízo já está avançado. E é difícil detectar sinais clínicos”, salientou.

Médico veterinário Carlos Augusto Mallmann – Foto: Divulgação/MB Comunicação

Mallmann ressaltou que as micotoxinas afetam diretamente a produtividade e, por consequência, o desempenho econômico da propriedade. “É um risco e precisamos alertar o produtor. Há soluções como aditivos, que são produtos de fácil acesso para incluir na ração. “Temos que nos preocupar com os bezerros, por terem capacidade de metabolização inferior, mas, ao mesmo tempo, protegermos as vacas adultas no período de lactação, para evitar a contaminação do leite e os danos à indústria”.

Colostragem

A segunda palestra do painel, com a médica veterinária Sandra Gesteira, tratou da colostragem em bezerras. A administração adequada de colostro nas primeiras horas de vida vai garantir que as bezerras recebam uma importante fonte de anticorpos, por conta da absorção intestinal de imunoglobulinas, que contribuirão para proteger esses animais contra doenças e reduzir índices de mortalidade.

Sandra Gesteira palestra sobre a colostragem em bezerras – Foto: Divulgação/MB Comunicação

Segundo Sandra, os aspectos que mais afetam a qualidade do colostro são a dieta, influências das estações, duração do período seco, quadros de mastite antes de a vaca parir, ordenha, ordem de parto, raça, bem como características individuais. Quanto à raça, por exemplo, a concentração menor de imunoglobulinas no gado holandês e no gado pardo suíço trará mais desafios para uma boa colostragem. Já em relação ao período seco, é importante respeitar essa fase para preparar a vaca para a próxima lactação. “Precisamos manejar vacas no pós- parto para que tenham conforto e a qualidade do colostro não seja afetada”, pontuou.

É fundamental, ainda, ter atenção para a ordem do parto. “Assim que o animal entra em trabalho de parto terá um pico de prolactina, fundamental para que haja proteína no leite. Assim que a prolactina age, não passará mais imunoglobulinas pelos alvéolos. Por isso, quanto mais tempo demoramos para obter colostro após o parto, mais esse colostro vai sendo diluído e perderá qualidade”.
Outra forma de melhorar o colostro é vacinar as vacas no pré-parto, conforme estudo apresentado pela palestrante. “Além de controlar especificamente a diarreia infecciosa em bezerros, observamos que a vacina melhora a qualidade do colostro, ao aumentar as concentrações de IgM colostral”.

Para garantir que não falte colostro de qualidade na propriedade, uma alternativa essencial destacada pela especialista é a criação de bancos de colostro. “É um desafio conseguirmos sempre um bom colostro na fazenda, e os bancos são uma garantia para que não falte este componente tão importante”.

Além do seu papel essencial no desenvolvimento dos bezerros, pesquisas demonstram o potencial da comercialização do colostro para uso humano. “É uma substância que pode ser usada em nutracêuticos, para melhorar a qualidade intestinal, em alimentos funcionais, para reduzir infecções gastrointestinais e respiratórias, para melhorar a performance de atletas, fortificar o leite consumido por crianças e pela indústria de cosméticos”.

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Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas

Paraná deve produzir 21,12 milhões de toneladas de grãos na safra de verão 2023/2024

Para a soja, estima-se uma produção de 18,23 milhões de toneladas. A primeira safra de milho deve gerar 2,59 milhões de toneladas e 167,2 mil toneladas de feijão devem ser colhidas na primeira safra. Além da Previsão Subjetiva da Safra, boletim da semana analisa pescados da Quaresma e exportações de mel

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Foto: Gilson Abreu/AEN

Com o avanço da colheita, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), atualizou os dados sobre as perdas na safra paranaense de verão 2023/2024 em decorrência do clima. Segundo a Previsão Subjetiva de Safra (PSS) divulgada na quinta-feira (29), o Estado deve colher 21,12 milhões de toneladas de grãos em uma área de 6,2 milhões de hectares. No relatório de janeiro, estimava-se um volume de 22,1 milhões de toneladas.

A expectativa divulgada pelos técnicos corresponde a uma redução de 17% com relação às 25,5 milhões de toneladas esperadas no começo do ciclo e, se confirmada, representa um volume 21% menor comparativamente ao colhido na safra de verão 2022/2023, de 26,67 milhões de toneladas.

Segundo o chefe do Deral, Marcelo Garrido, a quebra se deve principalmente às condições climáticas enfrentadas pelos agricultores. “Tivemos calor intenso, poucas chuvas e mal distribuídas no Paraná, em especial a partir da segunda quinzena de dezembro. É um ano bastante desafiador”, diz. No fim de março, uma nova estimativa deve trazer dados mais refinados sobre as perdas.

Para a soja, estima-se uma produção de 18,23 milhões de toneladas, 16,4% menor do que a estimativa inicial, de 21,8 milhões. A primeira safra de milho deve gerar 2,59 milhões de toneladas, 12,6% abaixo do esperado no começo do ciclo (2,9 milhões); e 167,2 mil toneladas de feijão devem ser colhidas na primeira safra, quebra de 23% sobre a estimativa inicial, de 216 mil toneladas. Segundo os técnicos do Deral, os preços também estão em queda nas três principais culturas neste período.

SOJA – Foram colhidos 52% dos 5,8 milhões de hectares de soja plantados. O relatório do Deral estima a produção em 18,2 milhões de toneladas, uma redução em torno de um milhão de toneladas em relação aos dados de janeiro. A perda no campo, até este momento, é estimada em 3,6 milhões de toneladas ou 16,4% para esta safra.

“Inicialmente, em condições normais, era esperada uma produção de 21,8 milhões de toneladas. Contudo, o clima adverso, especialmente o calor intenso e a estiagem, reduziram a produção no campo”, explica o analista do Deral Edmar Gervásio. Nesta semana, 61% das lavouras estão em boas condições, 32% em condições medianas e 7% em condições ruins.

MILHO – O plantio do milho segunda safra avançou pelo Estado. Até esta semana, já foram plantados 66% dos 2,4 milhões de hectares previstos para esta safra. Essa área teve um leve aumento desde janeiro e, com isso, a produção pode ser 3% maior do que no ciclo 22/23, somando aproximadamente 14,6 milhões de toneladas. As lavouras já plantadas têm condição boa para 94% da área e apenas 6% têm condição mediana.

Já a colheita da primeira safra de milho chegou a 65% dos 296 mil hectares plantados. “A produção atualizada é de 2,59 milhões de toneladas, 373 mil toneladas a menos do que a expectativa inicial, resultando numa perda no campo de 12,6%”, explica Edmar Gervásio.

FEIJÃO – Segundo os técnicos do Deral, muitos produtores que tiveram problemas com a soja nesta safra optaram pelo plantio de feijão na segunda safra, também devido aos bons preços. Com isso, houve um aumento de área de 18% em relação à safra 2022/2023. Estima-se a produção de 691 mil toneladas em 347,7 mil hectares. Se o clima colaborar, esse volume pode ser 44% superior ao da safra anterior, quando foram colhidas 480,5 mil toneladas. Cerca de 97% das lavouras estão em boas condições, e 3% em condições médias.

Colheita de feijão em Irati. Foto: Gilson Abreu/AEN

BOLETIM – Além de mais informações sobre a safra de grãos, o Boletim de Conjuntura Agropecuária referente à semana de 23 a 29 de fevereiro elaborado pelo Deral, apresenta dados sobre o preço de pescados, um prato cujo consumo cresce no período da quaresma. A pesquisa de preços no varejo realizada pelo Deral apontou que o quilo do filé de tilápia estava sendo comercializado em fev/24 por R$ 52,16, alta de 3% quando comparado ao mesmo período de 2023. Entretanto, quando comparado aos preços de jan/24, há uma queda de 4,5% no preço.

Também há análises a respeito do preço da carne bovina e do custo médio de produção de suínos no Paraná, e ponderações sobre a exportação de mel em 2023. De acordo com dados fornecidos pelo Agrostat Brasil, durante o período de janeiro a dezembro de 2023, as exportações nacionais de mel “in natura” alcançaram 28.555 toneladas. Embora esse volume represente uma redução de 22,7% em comparação com o mesmo período de 2022, no qual foram exportadas 36.886 toneladas, o setor manteve sua presença marcante no cenário global.

No cenário estadual, o Paraná encerrou o ano de 2023 como o quarto maior exportador de mel natural, registrando uma receita cambial de US$ 7,284 milhões, um volume de 2.626 toneladas e um preço médio de US$ 2,77 por quilo. Em comparação com o ano anterior, houve uma diminuição no volume exportado (4.466 toneladas) e na receita (US$ 16,799 milhões), com um preço médio anterior de US$ 3,76 por quilo.

Colheita de milho – 2021. Foto: Gilson Abreu/AEN

Fonte: AEN-PR
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Preço do leite ao produtor avança 4,5% em janeiro

Aumento do preço ao produtor continua se explicando pela menor produção no campo, o que, por sua vez, tem acirrado a disputa entre laticínios e cooperativas por fornecedores

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Foto: Arquivo OPR

O preço do leite captado em janeiro registrou a terceira alta consecutiva, de 4,5%, considerando-se a “Média Brasil”, chegando a R$ 2,1347/litro, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. No entanto, essa média ainda está 23,3% abaixo da registrada em janeiro de 2023, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de janeiro de 2024).

O aumento do preço ao produtor continua se explicando pela menor produção no campo, o que, por sua vez, tem acirrado a disputa entre laticínios e cooperativas por fornecedores. O Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea caiu 1,85% de dezembro para janeiro. No acumulado de novembro de 2023 a janeiro de 2024, a captação recuou 4,1%.

De um lado, a seca e o calor são fatores que têm influenciado negativamente a produção desde setembro do ano passado. Por outro lado, as margens espremidas dos pecuaristas causaram redução de investimentos dentro da porteira, reforçando o cenário de oferta limitada neste momento.

A expectativa dos agentes de mercado é de que as cotações do leite cru continuem em elevação nos próximos meses. Porém, dois fatores devem limitar esse movimento de valorização no campo: consumo e importações.

Segundo agentes consultados pelo Cepea, o consumo de derivados na ponta final da cadeia segue muito sensível ao aumento dos preços. Nesse sentido, os laticínios têm tido dificuldades em repassar a alta da matéria-prima na negociação com os canais de distribuição. Ao mesmo tempo, as importações de lácteos continuam somando volume expressivos, pressionando as cotações no mercado doméstico.

Fonte: Cepea
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Centro de referência vai monitorar tecnologias para mitigar emissões da pecuária gaúcha

Com cinco frentes, a iniciativa abrange estudos com genética, integração labora-pecuária-floresta, novas dietas, avaliação da carne produzida e validação de marcas-conceito. Pesquisadores buscam mitigar, especialmente, as emissões de metano dos animais, principal gás de efeito estufa emitido pela pecuária.

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Foto: Danilo Sant'Anna

Um amplo projeto de pesquisa vai instituir no Rio Grande do Sul um centro de referência para avaliação de tecnologias com potencial de mitigar gases de efeito estufa (GEE) da pecuária gaúcha. Liderado pela Embrapa Pecuária Sul, o trabalho foi aprovado em edital realizado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs). O projeto tem como um dos objetivos subsidiar o governo gaúcho na atualização dos inventários de emissão de GEE do estado e na formulação de políticas públicas, assim como disponibilizar tecnologias validadas para os pecuaristas trabalharem com foco em sustentabilidade.

Intitulado “Avaliação de tecnologias com potencial de mitigar gases de efeito estufa nos campos e florestas nativas e cultivadas do Rio Grande do Sul”, o trabalho irá avaliar cinco pontos centrais: a genética de reprodutores bovinos de cinco raças quanto à relação da emissão de metano e produção de carne; o potencial de mitigação dos sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta com árvores nativas do Rio Grande do Sul; novas dietas para bovinos com capacidade de diminuir a produção  de metano entérico no rúmen dos animais; a validação no estado de marcas-conceito já lançadas pela Embrapa, como a Carne Carbono Neutro (CCN), Carne Baixo Carbono (CBC) e Carbono Nativo (CN); assim como a avaliação da carne produzida nesses modelos de produção.

Conforme Cristina Genro, pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul e líder do projeto, o trabalho será uma oportunidade para avaliar as melhores ferramentas para tornar a pecuária gaúcha cada vez mais sustentável. “Vamos avaliar mecanismos importantes para a mitigação de GEE na pecuária, como o melhoramento genético animal, a suplementação energética com coprodutos regionais e os sistemas ILPF. Além disso, a validação das marcas-conceito CCN, CBC e CN oferecem uma perspectiva de valorização da carne gaúcha em um mercado cada vez mais exigente por produtos de qualidade e produzidos com sustentabilidade”, destacou a pesquisadora.

Conforme Genro, o manejo adequado do pasto é capaz de compensar em até 35% a emissão do metano pelos bovinos; a manipulação da fermentação ruminal com o uso de maior nível de proteína e concentrados e o melhoramento da dieta animal mitigam entre 10% e 20%; e o melhoramento genético animal tem um potencial de mitigar até 38% dessas emissões. “Essas tecnologias, analisadas em um balanço de emissão e fixação de carbono, são capazes de praticamente zerar essa balança”, destacou Genro.

Trabalho será uma oportunidade para avaliar as melhores ferramentas para tornar a pecuária gaúcha cada vez mais sustentável – Foto: Daniela Collares

Essas são algumas das principais tecnologias existentes para mitigar a emissão do metano pelos bovinos. A produção desse gás nos ruminantes ocorre durante o processo de digestão. Depois de ingeridos, os alimentos vão para o rúmen, órgão do aparelho digestivo, onde bactérias ajudam na digestão por meio da fermentação, mas acabam produzindo também o gás. Esse alimento fermentado retorna para a boca do bovino para ser novamente mastigado. Nesse momento, o metano é emitido para a atmosfera pela eructação (arroto) dos animais.

A Embrapa, apoiando as ações governamentais brasileiras, criou em 2019 a “Plataforma Pecuária Baixo Carbono Certificada”, cujo objetivo central é reunir marcas-conceito que agem como selos de garantia para a comercialização da carne bovina e seus derivados. Nesta plataforma está incluída a Carne Carbono Neutro (CCN), cuja certificação é focada na neutralização do carbono em sistemas com a presença de árvores plantadas (ILPF), a Carne Baixo Carbono (CBC), elaborada para certificar carne produzida em sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) ou em pastagens bem manejadas, sem a presença de árvores, e a Carbono Nativo (CN), cujo objetivo é certificar a carne produzida em pastagens com árvores nativas, nas quais o carbono foi mitigado/neutralizado por meio da conservação destes componentes florestais.

A validação dessas três marcas-conceito é inédita no Rio Grande do Sul, e terá início agora com a execução do projeto. De acordo com Genro, esse é um grande diferencial do trabalho, que permitirá, futuramente, a certificação da carne produzida no estado com esses selos de sustentabilidade.

Trabalho abrangente vai indicar métodos e tecnologias que aumentarão a sustentabilidade da atividade no Rio Grande do Sul – Foto: Felipe Rosa

Conforme Rodiney de Arruda Mauro, pesquisador da Embrapa Gado de Corte, a ideia das marcas-conceito é estabelecer um diferencial na produção agropecuária, valorizando modelos produtivos que tenham a capacidade de melhorar o balanço de carbono nos sistemas pecuários, tanto pela minimização da emissão dos animais, como pela fixação do carbono no solo, com pastagens bem manejadas e com o uso dos componentes florestais. “A certificação dessas marcas-conceito pela Embrapa é um passo fundamental para a sustentabilidade da pecuária brasileira nos diferentes biomas, pois é possível cientificamente constatar que existem modelos pecuários de produção com capacidade de minimizar ou até neutralizar a emissão de metano”, destacou.

O trabalho de pesquisa também vai servir como fonte para atualização dos inventários do estado do Rio Grande do Sul sobre a emissão de gases de efeito estufa. Assim, a partir da conexão das atividades do projeto, será possível, ainda, colaborar para a melhor compreensão da pecuária gaúcha, aplicação de tecnologias para redução da emissão de metano entérico e valorização da carne produzida no estado. “A pesquisa é importante para termos informações atualizadas sobre as emissões, visto que a conexão desses dados com programas de certificação, como CCN, CBC e CN, visa agregar valor à carne gaúcha e manter a sustentabilidade no agronegócio. Dessa forma, o trabalho será relevante para melhor compreendermos a pecuária do Rio Grande do Sul, gerando avanços na pesquisa de mudanças climáticas em bovinos e colaborando com o estado para o cumprimento dos compromissos de redução de emissões de GEE assumidos”, garantiu a secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS, Marjorie Kauffmann.

Participantes

Em suas diversas atividades, o projeto conta com apoio de pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, Embrapa Gado de Corte, Embrapa Milho e Sorgo, Embrapa Uva e Vinho, Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Conheça as frentes do projeto

  • Melhoramento genético de bovinos para menor emissão de metano

Pesquisadores buscam mitigar, especialmente, as emissões de metano dos animais, principal gás de efeito estufa emitido pela pecuária – Foto: Felipe Rosa

A seleção de bovinos que emitem menos metano é uma das estratégias para a mitigação na emissão do gás pela pecuária. Desde 2022, a Embrapa Pecuária Sul desenvolve a Prova de Emissão de Gases (PEG), com o objetivo de identificar, em um mesmo ambiente de produção, jovens reprodutores com menores índices de emissão de metano e que podem ser empregados no melhoramento das raças utilizando a genética na formação de progênies com essa característica.

A PEG é realizada anualmente com animais das raças Hereford, Braford, Angus e Charolês, que também participam da Prova de Eficiência Alimentar. Com os recursos do projeto vai ser possível ampliar o número de animais testados por ano, passando de cerca de 30 para 100 animais de cada raça.

Esse acréscimo irá propiciar o avanço na formação do banco de dados necessário para lançamento de avaliações genéticas e genômicas mais precisas, possibilitando a seleção de animais que emitam menos metano e que sejam eficientes na conversão do alimento consumido em peso vivo. Uma nova raça, a Brangus, também fará parte da prova, com o teste de animais integrantes do rebanho da Embrapa. “A identificação de animais mais eficientes no uso dos alimentos e que, portanto, emitam menos metano por quilo de alimento consumido, passou a ser algo de grande importância para a cadeia da carne bovina brasileira”, explica Genro.

  • Validação dos protocolos CCN, CBC e CN

O projeto contempla a validação no Rio Grande do Sul de três protocolos de sustentabilidade na pecuária lançados pela Embrapa, o CCN, o CBC e o CN.

  1. CCN – Será instalada em Bagé, na sede da Embrapa Pecuária Sul, uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) dessa marca-conceito. A área de 30 hectares será avaliada quanto a capacidade de fixar carbono no sistema de integração com eucalipto, soja e pecuária. O protocolo CCN busca neutralizar o carbono produzido no sistema de produção pecuário. Parte-se da premissa de que é possível compensar a emissão de metano (CH4) dos animais com a introdução de espécies florestais que têm a capacidade de sequestrar carbono.
  2. CBC – Será instalada em Aceguá (RS), na Fazenda Santa Luzia, uma URT da marca-conceito CBC. A área de 60 hectares será avaliada quanto a capacidade de mitigar a emissão de carbono em um sistema de recria e terminação de bovinos de corte em campo nativo melhorado do bioma Pampa, com a introdução de pastagens de aveia e azevém no inverno. A CBC contempla sistemas produtivos sem a presença da floresta, mas com potencial de mitigação das emissões de GEE a partir do bom manejo das pastagens, dos animais e adoção de boas práticas agropecuárias.
  3. CN – Será instalada em Nova Prata (RS), na Fazenda Tupi, uma URT da marca-conceito CN. O protocolo prevê o uso de árvores nativas em áreas de pastagens para neutralizar ou mitigar as emissões de gases de efeito estufa e, com isso, valorizar as propriedades pecuárias que possuam esses sistemas. A ideia é estabelecer um diferencial na produção, valorizando a biodiversidade e o bem-estar animal.

Dados encontrados ainda serão usados ​​para atualizar o inventário de emissões do Rio Grande do Sul – Foto: Leko Machado

Avaliação da qualidade da carne dos protocolos CCN e CBC

Um total de 20 animais dos sistemas CCN e CBC serão avaliados quanto à qualidade da carne. Serão realizadas análises físico-químicas, de ácidos graxos e perfil metabolômico. Também serão obtidos os dados de características de carcaça: peso de carcaça quente, acabamento de gordura, conformação e rendimento de carcaça. As amostras serão encaminhadas para o Laboratório de Ciência e Tecnologia de Carnes da Embrapa Pecuária Sul, para avaliação de pH final, cor da carne, cor da gordura, teores de umidade, gordura intramuscular (lipídeos), proteína, teor de colesterol e perfil de ácidos graxos.

  • Avaliação de sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta

A ILPF tem potencial de mitigar as emissões entéricas pelo armazenamento de carbono no solo e na biomassa arbórea. Nesse sentido, será realizado o monitoramento de GEE de sistemas pecuários integrados com agricultura e floresta nativa. A atividade vai quantificar as emissões do sistema integrado de árvores de eucalipto consorciadas ou não com 10 espécies nativas de árvores cultivadas simultaneamente com a lavoura de soja e a pecuária de corte no inverno. A área experimental foi implantada em 2021 com 13 hectares, na Embrapa Pecuária Sul.

  • Avaliação do uso de coprodutos industriais para reduzir emissão de metano

A nutrição dos bovinos tem impacto na produção de metano no trato digestivo dos animais. Pesquisas mostram que pastagens bem manejadas e com oferta adequada de alimentos, aliada ao uso de suplementos naturais, são uma estratégia para diminuir o impacto da pecuária nas emissões de GEE. Estudo a ser desenvolvido na Embrapa Pecuária Sul vai testar os rejeitos da produção de vinho e suco de uva com o objetivo de reduzir a produção de metano e melhorar a nutrição de bovinos. Esse subproduto também tem potencial de substituir as fontes de energia mais tradicionais usadas nos concentrados fornecidos na alimentação animal, como o milho. Na pesquisa será avaliada também a qualidade do produto para a nutrição, ou seja, a resposta na produção animal, uma vez que vai substituir um dos principais ingredientes de concentrados.

Conforme João Carlos Taffarel, analista da Embrapa Uva e Vinho, as avaliações para identificar o potencial de uso de resíduos da uva para nutrição dos bovinos é um trabalho inovador, de cooperação entre diferentes centros de pesquisa, e que pode dar um melhor destino a subprodutos atualmente sem uso na indústria. “É o início de uma nova fase no uso de resíduos, de cadeia circular, e de aproveitamento dos resíduos que hoje são um problema para a indústria vitivinícola brasileira”, destacou.

Banco de Dados

Uma atividade transversal do projeto será a formação de um banco de dados com os resultados de todas as ações de pesquisa realizadas. A gestão das informações do projeto baseada no modelo relacional (SQL) tem como principal objetivo subsidiar a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) para a formulação de políticas públicas. “A Sema é a financiadora deste projeto e para a secretaria é fundamental ter essas informações precisas, tanto para atualização dos inventários de emissão de gases de efeito estufa no RS como para a formulação das políticas públicas. Assim, a partir da formação desse banco de dados, todas as informações geradas serão compartilhadas com a secretaria”, anuncia Genro.

Fonte: Embrapa Pecuária Sul
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